Revolução na moda

Surjo na sala mal desperto, o cabelo desgrenhado, a barba enroscada, só não uma bituca de cigarro no canto da boca porque não fumo. Na mão levo um pé de meia furada, com o dedo indicador saindo pela avaria. “Credo!”, faz minha filha ao me ver. À pantomima, segue-se a condução coercitiva para o banheiro. Continue lendo “Revolução na moda”

Sessenta e nove

Numero as crónicas que escrevo para esta página. (*) Esta é, categórica, a 69. O número tem a impudica alegria de tudo o que é dúbio. Lembro um jantar de amigos. Louvávamos ao Raul Solnado o talento humorístico, mas ele chutou para canto, jurando pelas alminhas que humor espontâneo e repentista tinha o actor Armando Cortez. E logo, rolando palavras como cerejas, contou uma história carregada de virtude. Continue lendo “Sessenta e nove”

Cala Boca!

Enquanto lavava com água sanitária as latinhas de ervilha, de milho, de tomates pelados, as garrafas de leite, de óleo e de vinho, claro, porque ninguém é de ferro, me lembrei de que hoje era dia de escrever para a coluna e que nem tinha pensado no assunto. Continue lendo “Cala Boca!”

Messias às Avessas!

Brasil, 28/04/2020.

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, “Mas é a vida. Amanhã vou eu. Logicamente, a gente quer ter uma morte digna e deixar uma boa história para trás. O que eu mais quero é entregar um Brasil muito melhor do que eu recebi para quem vier me suceder.” Continue lendo “Messias às Avessas!”

Frevo lusitano

O isolamento faz a mente viajar por baús de lembranças, muitas delas já a pedir uma boa espanada na poeira. Por algum motivo, voltou-me à cabeça um tombo. Um tombo antigo, tombo de estudante num Portugal pós-revolução. Foi mais ou menos assim… Continue lendo “Frevo lusitano”

Um confinado na cozinha

Anotações de um confinado.

Entre uma garfada e outra, no almoço, preocupei-me com certo tipo de pessoa. O idoso que, além de carregar esse epíteto, perdeu a empregada na quarentena. A senhora que arrumava a casa e preparava as refeições. Continue lendo “Um confinado na cozinha”

Tempos estranhos

Tempos estranhos estes que estamos vivendo. Confinados. Isolados. Ameaçados por um ser de tamanho desprezível, mas de violência extrema. Um vírus. Impiedoso. Coroado como um rei despótico, tirano, nada esclarecido. Sorrateiro a ponto de nos fazer gelar a um simples espirro, uma dorzinha de cabeça. A paranóia mostra suas presas. Continue lendo “Tempos estranhos”

Mary ataca na crônica

Quando trato de me ajustar na cama, em busca do sono, o celular emite um plim! peculiar. “É o Servaz”, penso. Uma hora da madrugada. É possível uma coisa dessas? É! Lá vem bate-papo, a noite recomeça. Continue lendo “Mary ataca na crônica”

Anotações de um confinado, volume 4

Num gesto impulsivo, resolvi abrir o baú (no comum chamado boxe). Levantei a parte de cima da cama, com o colchão, e surgiram velhos jornais e revistas, com matérias que produzi, ou me dizem respeito. Folheando jornais, dei com uma manchete muito bem sacada.  Madonna se apresentava no Rio, em 2008. Conheceu o modelo brasileiro Jesus Pinto da Luz e caiu de amores por ele. Continue lendo “Anotações de um confinado, volume 4”