Posso fazer xixi?

Andava o norte de Portugal a fritar filhoses para o Natal, enquanto os apaniguados do Doutor Cunhal fritavam latifundiários, ocupando-lhes as herdades, no sul. Foi nestes preparos festivos que Chinatown se estreou em Portugal. A 18 de Dezembro de 1974. Continue lendo “Posso fazer xixi?”

O sexo e o empurrão

Estão no Nimas e são filmes franceses. Os organizadores chamaram ao ciclo «Os Grandes Mestres» e balizaram-no com datas, a do Big Bang e a do Apocalipse, perdão, 1930, simbólica explosão do sonoro, e 1960, já a nouvelle vague fragmentava os hábitos narrativos e excluía do cinema o que a nova França ia excluindo da vida, a saber: a ingenuidade do quartier popular, a graça nonchalant do vígaro, os sonhos de ascensão social da costureira ou da criada, a sincera admiração da pequeno-burguesinha pelo descapotável novinho em folha com que um sedutor a tenta, o apetite inter-classista por uma sexualidade consentida, mas um bocadinho empurrada, como se, tal qual se engraxam sapatos, todos andassem, de escova e lubricidade, a puxar erótico brilho ao quotidiano. Continue lendo “O sexo e o empurrão”

O grande educador

Em The Big Sleep, quando Bogart sai de uma livraria, atravessa a rua e se refugia na livraria em frente, toda a cena é só alusão e vénia a Stanley Rose, fundador das duas. Uma antes, outra depois de ser preso por piratear uma antologia de humor escatológico. Continue lendo “O grande educador”

A ímpar sala de cinema

Era fim de tarde e uma guerrilheira lufada de Inverno feriu a primaveril Feira do Livro. Ia dizer olá ao João Lopes, camarada da remota aventura da Cinemateca. Ele apresentava um livro – Cinema e Históri – e arrastava a debate, outros dois companheiros, o João Adelino Faria e o Nuno Artur Silva. Continue lendo “A ímpar sala de cinema”

Jejum e mar de palha

O cinema só não é uma arte maior como a literatura porque não há cineastas virgens. O cineasta virgem seria uma contradição nos termos. A câmara de filmar é um falo hiperbólico: devassa, despe, acaricia. Bi ou promíscua, a câmara tanto faz estremecer Keira Knightely e Scarlett Johansson como Michael Fassbender. Continue lendo “Jejum e mar de palha”

O romance facho-hollywoodiano

Mussolini, no escuro do seu cinema, gostava de pôr os olhos na irreprovável nudez de Hedy Lamarr, vendo Êxtase, filme mudo checo de que tinha cópia privada. Mas o seu modelo de indústria era americano. Admirava os grandes estúdios e manteve romance epistolar com a bela e fútil Anita Page, que teria sido a namorada do mundo se Greta Garbo e Joan Crawford não lhe tivessem sufocado a carreira.

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