- :: Anthony Mann mostra o ponto de passagem do caos à civilização. Por Manuel S. Fonseca

Quem é que disse que os westerns se dividiam em três tipos: os de imagens, os de ideias, e os de imagens e de ideias? Só pode ter sido Godard. E agora me lembro: foi justamente num texto sobre um western de Anthony Mann, O Homem do Oeste, que ele, aliás, considerava um exemplo do western de imagens e ideias. Ler Mais »
- :: Ela é privilégio de criança. Tem de ser inaugural. Por Manuel S. Fonseca
É afrodisíaca mesmo que quem a sinta não saiba quem raio seja Afrodite. Falo da grande alegria, daquela que já não cabe no corpo, dessa alegria que nos estremece, enche e esvazia os pulmões. A alegria convulsa. Ler Mais »
- :: Deliciosos exemplos da fala final de atores. Por Manuel S. Fonseca

Sempre pensei que, a haver epitáfios imbatíveis, sairiam certamente da pena de grandes escritores. Mas andei a ver, ouvir e ler e, zás, lá se foram as minhas certezas. Os epitáfios que alguns actores escolheram para si mesmos são desarmantes e de uma (ai, como é que se diz?!) derisão que me fez rir, bater palmas. Ler Mais »
- :: O herói contemporâneo é um aleijado emocional. Por Manuel S. Fonseca
Distraio os nervos: será Vítor Gaspar o herói moderno? O herói antigo era Hércules. Tinha a lúdica argúcia de um Ulisses. Há um século, o herói era cinematográfico e vinha com a abnegação de um John Wayne. Por vezes, disfarçava o idealismo com o cínico desinteresse de um Humphrey Bogart. Ler Mais »
- :: O bairro paulistano teve quatro salas que só passavam obras do Japão. Por Valdir Sanches
Uma menina de quatro anos ia ao cinema, sem saber o que era cinema. O grande carro preto importado – o táxi – partia da Rua da Cantareira, onde a família morava e trabalhava. No banco da frente, o pai, de terno e gravata. Atrás, bem penteadas e vestidas, a mãe e as duas irmãs. Ler Mais »
- :: A desumanidade de Chaplin explica a humanidade da sua obra? Por Manuel S. Fonseca

O pai morrera e ele nunca mais almoçava. O caixão era paupérrimo, uma coisa dickensiana ao lado da qual caminhava a aflita dor da mãe. O futuro Charlot vinha atrás da urna do pai e do pranto da mãe. Para distrair a fome, ia mimando, caricatural, o sofrimento materno. Ler Mais »
- :: A Cinemateca ousou exibir "Je Vous Salue, Marie". Foi uma loucura. Por Manuel S. Fonseca
O caldo entornou-se. O jovem católico virou-se para o chefe de polícia e disse-lhe em tom de desgarrada: “Gostava que fizessem isso à sua mãe?” Ó meu amigo, palavras não eram ditas e já o até então polidíssimo agente lhe enfiava uma gravata que, vi eu, fez o ar dos pulmões do jovem bater no tecto da sala. Ler Mais »
- :: No Brasil, "Je Vous Salue, Marie" mostrou a tibieza do homem. Por Sérgio Vaz
O artigo brilhante de Manuel S. Fonseca sobre o dia em que ele – na época programador da Cinemateca Portuguesa – e amigos resolveram exibir em Lisboa o filme Je Vous Salue, Marie, de Jean-Luc Godard, me deu comichão nos dedos para escrever também. Ainda que sem a verve, a graça, a elegância do texto dele, que tenho a honra de republicar neste site. Ler Mais »
- :: Visto hoje, Beija-me Idiota é uma namorada linda: queremos todos voltar a dormir com ela. Por Manuel S. Fonseca
Este é de 1990. Escrito no “Expresso”, a propósito de uma qualquer exibição de Beija-me Idiota na RTP 2, retomo-o com liberdades. Mais ou menos nessa altura veio cá o Alexander Trauner, que fora decorador do Wilder. Ler Mais »
- :: O filme de Sergio Leone são 50 anos a andar para trás. Por Manuel S. Fonseca
Por cada porta que passa, Robert De Niro passa de um passado a outro passado. É sempre “yesterday”, como os Beatles cantam, no Once Upon a Time in America. O filme é de Sergio Leone e dura 50 anos. São 50 anos a andar para trás, à procura do tempo perdido em que a inocência foi ou era possível. Ler Mais »
- :: O dia em que a Cinemateca Portuguesa atraiu uma multidão punk. Por Manuel S. Fonseca
A calva e resplandecente cabeça de Luis de Pina, então director da Cinemateca, pairava sobre um tormentoso mar punk. Já voltaremos à sua cabeça. Antes, deixo-vos com uma pérola de filosofia social: desiludam-se os proactivos, não cria comoções sociais quem quer e, às vezes, nem quem pode. Ler Mais »
- :: Com a França era encanto e transgressão. Sem a França? Bah, corporação e droga. Por Manuel S. Fonseca

Quem quer ainda saber do Beaujolais nouveau? Quando é que deixámos de gostar dos franceses! Quando é que eles se tornaram impertinentes e nos começaram a chatear de morte? Ler Mais »
- :: Os que foram criados na casa errada da História não têm lugar a que possa regressar. Por Manuel S. Fonseca
Num ápice, salta da eufórica multidão para o silêncio da vasta pradaria que uma desgarrada árvore não chega a interromper. Assim começa “The Lusty Men”, de Nicholas Ray. Ler Mais »
- :: Seu filme Merrill’s Marauders é como um retrato de Portugal hoje. Por Manuel S. Fonseca
Um carteirista é o seu melhor herói. Precisávamos de um herói que tivesse o orgulho que Richard Widmark tem nos seus dedos. Nem mesmo Maria João Pires tem os dedos desse herói de Samuel Fuller ou o seu profissionalismo amoral. Orgulhamo-nos demasiado das nossas paixões. Talvez devêssemos ter vaidade numa calculada frieza. Ler Mais »
- :: Ele está em filmes produzidos por Anotole Dauman. Por Manuel S. Fonseca
Se o erotismo é uma forma de aristocracia, então Anatole Dauman é um príncipe da Renascença. Há duas décadas entrevistei-o neste jornal que ainda tem paciência de me acolher. Ler Mais »