Arquivos do Rótulo: Cinema

Sangue no Deserto

Quem é que disse que os wes­terns se divi­diam em três tipos: os de ima­gens, os de ideias, e os de ima­gens e de ideias? Só pode ter sido Godard. E agora me lem­bro: foi jus­ta­mente num texto sobre um wes­tern de Anthony Mann, O Homem do Oeste, que ele, aliás, con­si­de­rava um exem­plo do wes­tern de ima­gens e ideias. Ler Mais »

A alegria epiléptica

É afro­di­síaca mesmo que quem a sinta não saiba quem raio seja Afro­dite. Falo da grande ale­gria, daquela que já não cabe no corpo, dessa ale­gria que nos estre­mece, enche e esva­zia os pul­mões. A ale­gria con­vulsa. Ler Mais »

Cemitérios, tabuletas e epitáfios

Sem­pre pen­sei que, a haver epi­tá­fios imba­tí­veis, sai­riam cer­ta­mente da pena de gran­des escri­to­res. Mas andei a ver, ouvir e ler e, zás, lá se foram as minhas cer­te­zas. Os epi­tá­fios que alguns acto­res esco­lhe­ram para si mes­mos são desar­man­tes e de uma (ai, como é que se diz?!) deri­são que me fez rir, bater palmas. Ler Mais »

Os profissionais

Dis­traio os ner­vos: será Vítor Gas­par o herói moderno? O herói antigo era Hér­cu­les. Tinha a lúdica argú­cia de um Ulis­ses. Há um século, o herói era cine­ma­to­grá­fico e vinha com a abne­ga­ção de um John Wayne. Por vezes, dis­far­çava o ide­a­lismo com o cínico desin­te­resse de um Humph­rey Bogart. Ler Mais »

O esplendor dos filmes japoneses na Liberdade

Uma menina de quatro anos ia ao cinema, sem saber o que era cinema. O grande carro preto importado – o táxi – partia da Rua da Cantareira, onde a família morava e trabalhava. No banco da frente, o pai, de terno e gravata. Atrás, bem penteadas e vestidas, a mãe e as duas irmãs. Ler Mais »

O Bem e o Mal

O pai mor­rera e ele nunca mais almo­çava. O cai­xão era pau­pér­rimo, uma coisa dic­ken­si­ana ao lado da qual cami­nhava a aflita dor da mãe. O futuro Char­lot vinha atrás da urna do pai e do pranto da mãe. Para dis­trair a fome, ia mimando, cari­ca­tu­ral, o sofri­mento materno. Ler Mais »

Avé-Maria Cheia de Graça

O caldo entornou-se. O jovem católico virou-se para o chefe de polícia e disse-lhe em tom de desgarrada: “Gostava que fizessem isso à sua mãe?” Ó meu amigo, palavras não eram ditas e já o até então polidíssimo agente lhe enfiava uma gravata que, vi eu, fez o ar dos pulmões do jovem bater no tecto da sala. Ler Mais »

A censura tinha acabado. Sarney trouxe de volta

O artigo brilhante de Manuel S. Fonseca sobre o dia em que ele – na época programador da Cinemateca Portuguesa – e amigos resolveram exibir em Lisboa o filme Je Vous Salue, Marie, de Jean-Luc Godard, me deu comichão nos dedos para escrever também. Ainda que sem a verve, a graça, a elegância do texto dele, que tenho a honra de republicar neste site. Ler Mais »

Uma noite no sótão: com Billy Wilder e Kim Novak

 Este é de 1990. Escrito no “Expresso”, a pro­pó­sito de uma qual­quer exi­bi­ção de Beija-me Idi­ota na RTP 2, retomo-o com liber­da­des. Mais ou menos nessa altura veio cá o Ale­xan­der Trau­ner, que fora deco­ra­dor do Wil­der. Ler Mais »

Um beijo na palma da mão

Por cada porta que passa, Robert De Niro passa de um pas­sado a outro pas­sado. É sem­pre “yes­ter­day”, como os Bea­tles can­tam, no Once Upon a Time in Ame­rica. O filme é de Ser­gio Leone e dura 50 anos. São 50 anos a andar para trás, à pro­cura do tempo per­dido em que a ino­cên­cia foi ou era possível. Ler Mais »

Tinham mães que os amavam

A calva e res­plan­de­cente cabeça de Luis de Pina, então direc­tor da Cine­mateca, pai­rava sobre um tor­men­toso mar punk. Já volta­re­mos à sua cabeça. Antes, deixo-vos com uma pérola de filo­so­fia social: desiludam-se os pro­ac­ti­vos, não cria como­ções soci­ais quem quer e, às vezes, nem quem pode. Ler Mais »

O elogio da França

Quem quer ainda saber do Beau­jo­lais nou­veau? Quando é que dei­xá­mos de gos­tar dos fran­ce­ses! Quando é que eles se tor­na­ram imper­ti­nen­tes e nos come­ça­ram a cha­tear de morte? Ler Mais »

Dois cêntimos de infância

Num ápice, salta da eufórica multidão para o silêncio da vasta pradaria que uma desgarrada árvore não chega a inter­rom­per. Assim começa “The Lusty Men”, de Nicho­las Ray. Ler Mais »

As lágrimas de Fuller

Um carteirista é o seu melhor herói. Precisávamos de um herói que tivesse o orgulho que Richard Widmark tem nos seus dedos. Nem mesmo Maria João Pires tem os dedos desse herói de Samuel Fuller ou o seu profissionalismo amoral. Orgulhamo-nos demasiado das nossas paixões. Talvez devêssemos ter vaidade numa calculada frieza. Ler Mais »

O horror do humano ao humano

Se o erotismo é uma forma de aristocracia, então Anatole Dauman é um príncipe da Renascença. Há duas décadas entrevistei-o neste jornal que ainda tem paciência de me acolher. Ler Mais »