Arquivos do Rótulo: Cinema

Os pássaros de David Lynch

Vivemos tempos de Bosch. Entra-se num comboio, num avião e os gemidos vêm das próprias cadeiras. As ruas gritam, os restaurantes sussurram. A realidade está a hiperventilar. Ler Mais »

Outra ou a mesma meia-noite

Meia-noite e os lábios de Al Pacino parecem uma sanguessuga. Doem nos de John Cazale e doem-nos a nós no mais infame beijo de Fim de Ano. John Cazale é Fredo. Pacino é Michael Corleone, o Padrinho. Ler Mais »

Deus ou é uma aranha ou é a Audrey Hepburn

Deus é a pintada prova da vaidade humana. Os gregos inventaram deuses, os bantus deram à luz Nzambi e os esquimós afogaram no Árctico uma deusa gélida. Os australianos têm desculpa: quem inventa o boomerang não precisa de inventar raio e trovão de mais coisa nenhuma. Ler Mais »

O cineasta em fuga

Toda a arte é bicéfala: já vi, em muitos filmes, aparecer a cabeça do autor e rolar depois, no ecrã, outra cabeça, a da própria obra. Ler Mais »

Um fim de semana com Godard

Havia sangue no asfalto e cadáveres espalhados pela berma, junto ao mato europeu. Sangue e cadáveres desfilavam a 24 imagens por segundo num cine-esplanada do Lobito. Ler Mais »

Entra o urso

Como pode comover-nos o que não nos arranca um sorriso? Shakespeare usou um truque. No The Winter’s Tale, quando a tragédia é já insustentável, entra um urso. Ler Mais »

O cinema é um lugar perigoso

O produtor Walter Wanger puxou da pistola e, logo ali, em pleno estúdio, espetou um balázio no agente Jennings Lang que tombou redondo, mas não morto. Um só tiro. Por honra da firma. Ler Mais »

As pedras de Charlie Chaplin

Foi Chaplin que atirou a primeira pedra. Uma montra imensa estilhaça-se em Atenas, um paralelepípedo da calçada parte a janela de um ministério e é ainda a mão de Chaplin que a lança.

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Temo que Robert Redford não se aguente

Confesso: enganei-me. Há três anos, em conversa musculada e gritada com um amigo meu que é economista, jurei que a crise larvar de 2008 era o sonho húmido de um pessimista. Profético, berrei: “Vai passar! Vêm aí tempos de leite e mel.” O meu amigo, teimoso como burro, insistiu. E eu atirei um prato ao chão só para não lhe dar com ele na cabeça. Ler Mais »

Onde é que se metem os narizes

De boca fechada já tinha havido muitos. A primeira vez que os amantes abriram a boca foi em Flesh and the Devil (*). E não foi para falar, que o filme ainda era mudo.

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De Niro não é um animal

O europeu Passos Coelho queixou-se há tempos de um murro no estômago. Com um murro em cheio na cara começa a história de Jake la Motta, em Raging Bull (*). O filme é desse nervoso genial e miudinho chamado Scorsese. Ler Mais »

Uma agulha no coração

Arrisco uma definição: o cinema é aquilo de que nos lembramos depois de esquecermos tudo o que aprendemos. Ler Mais »

A voz de Cary Grant

Entra pelos ouvidos. Mas quando não entra por um e sai pelo outro, para onde é que vai a voz de quem fala connosco?

A voz de Cary Grant, quero é falar da voz de Cary Grant. Ler Mais »

Um novo sotaque no 50 Anos

O 50 Anos de Textos está ganhando um novo colaborador – e, com ele, um novo sotaque. Aqui já havia o sotaque mineiro de seis dos autores (embora só um dos seis viva hoje nas Minas Gerais, os outros cinco tendo saído, confirmando a velha tese de que Minas exporta mineiros e minérios), o paulista de cinco, o paraense de um e até um leve remanescente da Itália da origem de um. Ler Mais »

Manuel era um morto

Quando conheci Manuel S. Fonseca ele era um morto e nada me indicou o bem querer que chegaria. Idades, amigos, hábitos, afazeres, nacionalidades diferentes. Ler Mais »