O mundo pós-pandemia

Já há um grande debate sobre o redesenho da ordem mundial, quando a crise do coronavírus passar. Há projeções para todos os gostos. As mais catastrofistas vão do fim do capitalismo ao surgimento de um “comunismo redesenhado”, como avalia o filósofo esloveno Slavoj Žižek. Continue lendo “O mundo pós-pandemia”

Há fumo e há fogo

Estou a ver, com estes olhos que, rezo a Deus, o vírus ainda não coma, o puto Didier a correr pelas ruas de Dakar, de tronco nu e a levar com as nuvens de Dicloro-Difenil-Tricloroetano. Didier é da minha idade, meu kota um ano apenas, e correu pelas ruas da capital senegalesa como eu corri pelas de Luanda. Nesse tempo em que mesmo o leão falava a um elefante de trombas, matava-se a minúscula e infecta bicharada voadora lançando ondas de DDT nas ruas tropicais. No Senegal como em Angola. Continue lendo “Há fumo e há fogo”

Insensatez contra insensatez

Na Sexta-feira Santa, enquanto o Brasil contava mais de mil mortos pela Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro chocava o país ao dar a mão a uma idosa depois de esfregar o nariz no antebraço, próximo ao pulso. Voltava às ruas não só pela birra de desobedecer às recomendações de seu ministro da Saúde, mas principalmente para acirrar o confronto com o seu desafeto-mor João Doria, que no dia anterior ameaçara prender quem violar a regra de isolamento. Continue lendo “Insensatez contra insensatez”

Água, sabão, álcool em gel e muita fé em Deus

O que será que leva Jair Messias Bolsonaro a se comportar como um moleque ignorante e rebelde? Quem será que o convenceu a agir desse modo e quais as razões apresentadas que fizeram com que ele seguisse essas pífias orientações? Continue lendo “Água, sabão, álcool em gel e muita fé em Deus”

Nau sem comando

Coesão, perseverança e equilíbrio são fatores fundamentais para o Brasil enfrentar a pandemia do coronavírus. Ao presidente competiria usar a autoridade que a Constituição lhe confere para liderar os brasileiros nessa dura travessia. A missão de comandar é indelegável, quanto mais em tempos de guerra. O Covid-19 pode provocar a morte de 110 mil brasileiros nos próximos meses e a recessão bate à nossa porta. O Brasil, portanto, não precisa que se instale uma crise de autoridade em um quadro tão dantesco. Continue lendo “Nau sem comando”

Deus e o diabo

Era uma vez um vírus chamado Hitler. Em 1943, dava já tão mau nome aos vírus, que mesmo alguns dos seus subordinados o queriam matar. Hitler tinha vindo a Smolensk, cidade russa, saborear mais um viral ataque das suas tropas. O general Henning von Tresckow recebeu-o, cordato pela frente, indignado nas costas. E pediu a um dos acompanhantes de Hitler que levasse no avião, de volta, um pacote com garrafas de conhaque para um amigo, que trabalhava no quartel general de Hitler, em Berlim. Era a bomba que deveria explodir no avião e liquidar o vírus nazi. Continue lendo “Deus e o diabo”

Covid-19 reinventa o Estado forte

A recessão mundial de grandes proporções que bate à porta da humanidade coloca o papel do Estado como essencial para responder a esse grande desafio. A rigor, ele é chamado a socorrer a economia em momentos de grave crise, como na Grande Depressão de 1929, nas Guerras Mundiais do século passado ou em outras crises sistêmicas. Continue lendo “Covid-19 reinventa o Estado forte”

O herói e os canalhas

Agora vejam o herói. Tem um nórdico metro e cinquenta e dois e ia ganhando a guerra. Mas antes de falar deste finlandês de olhos agudos e mãos camponesas nas quais quase podemos apalpar a ternura com que o indicador direito acaricia o gatilho, deixem-me chamar aqui os canalhas. Continue lendo “O herói e os canalhas”

O Brasil tem que parar Bolsonaro

Por insanidade, egocentrismo, cálculo político, má-fé ou tudo isso junto, na semana passada o presidente Jair Bolsonaro iniciou mais uma guerra. Disparou tiros para todo lado, alguns fatais, como o afrouxamento do isolamento social, outros nos seus próprios pés. Na tentativa de destruir desafetos, acertou a culatra ao dar palanque nacional aos governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, pré-candidatos à Presidência em 2022. Continue lendo “O Brasil tem que parar Bolsonaro”

O papa apóstata

São Pedro

De que cor são os olhos do Papa Francisco? Apesar de já se ter derramados sobre eles a indecifrável cor da velhice, são claros como os do meu avô Brigas, que ofereceu o corpo a cargas contrabandistas, antes de ser emigrante na Argentina. Terá o avô Brigas cruzado em Buenos Aires o menino Bergoglio? Que interessa. O que eu queria dizer é que os olhos de Francisco se iluminam sempre que sorri. Ou seja, iluminam-se muitas vezes. Continue lendo “O papa apóstata”

#ForaPopulismo

Populismo é uma praga. Devasta países, asfixia a democracia, escraviza povos. Uma peste indomável, disseminada igualmente pela direita e pela esquerda. Nas crises, a capacidade destrutiva dos populistas fica ainda mais escancarada. Indisfarçável, explode diante da mais grave pandemia global dos tempos modernos. Continue lendo “#ForaPopulismo”

Colaborando com Eduardo Bananinha

O vice Hamilton Mourão, querendo defender Eduardo Bolsonaro, foi engraçado, mas não foi verdadeiro. Como assim o Zero-Zero não representa o governo? Ele, além de ser filho do presidente da República, não é um parlamentar brasileiro, não é, segundo consta, o deputado mais votado do Brasil nas últimas eleições? Continue lendo “Colaborando com Eduardo Bananinha”