Memento Mori

Legiões acampadas. Entusiasmo nas centúrias extasiadas pela vitória. Estandartes tomados aos inimigos são alçados ao vento, troféus das épicas conquistas. O general romano atravessa o lendário rio Rubicão. Aproxima-se calmamente das portas da Cidade Eterna. Vai ao encontro dos aplausos da plebe rude e ignara, e do reconhecimento dos nobres no Senado. Faz-se acompanhar apenas de uma pequena guarda e de escravos cuja missão é sussurrar incessantemente aos seus ouvidos vitoriosos: “Memento Mori!” — lembra-te que és mortal!

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Admiração sim, cópia não

A democracia chilena passou com louvor no duro teste a que foi submetida após mais de um ano de intensa convulsão social. De forma amplamente majoritária, quase 80% dos votantes disseram sim à convocação de uma Assembléia Constituinte, uma reivindicação das ruas e de partidos políticos, que foi incorporada pelo presidente do país, Sebastián Piñera, de centro-direita. Continue lendo “Admiração sim, cópia não”

Bolsonaro destrói o orgulho nacional

Em 1966, o decreto 59.153 do marechal Castello Branco, primeiro presidente militar pós-golpe, estabelecia a Campanha de Erradicação da Varíola, com vacinação em massa para 100% dos brasileiros. Após cinco anos o país já havia se livrado da doença, com erradicação reconhecida e aplaudida pela OMS em 1980.  Uma revolução que só foi possível graças a cientistas da União Soviética. No auge da guerra fria. Continue lendo “Bolsonaro destrói o orgulho nacional”

Ponto final coisa nenhuma

A vacina contra o coronavírus não será obrigatória e ponto final, decretou o presidente Jair Bolsonaro. Resta-nos a esperança de que este ponto final de agora, como o foram tantos outros, seja um mero arrebatamento da ignorância. Não voltaremos à idade da pedra, mesmo que seja necessário recorrer ao papa, ao pajé ou ao Tribunal de Haia. Continue lendo “Ponto final coisa nenhuma”

Bolsonaro é derrotado na Bolívia

Conhecido o vencedor das eleições da Bolívia, os países do continente se apressaram em parabenizar o presidente eleito, Luis Alberto Arce, do Movimento ao Socialismo – MAS. Até Donald Trump observou a liturgia da diplomacia. Houve apenas uma dissonância, o governo brasileiro, que recolheu-se ao silêncio sem disfarçar seu profundo incômodo com o resultado. Continue lendo “Bolsonaro é derrotado na Bolívia”

Bolsonaro abraça a TV Brasil

Abraços são demonstrações de afeto, de alegria ou de força nos momentos de dor. Por vezes, naufragam oportunistas. Por outras são imorais, ilegais ou ambos. Há duas semanas, o caloroso abraço entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Supremo Dias Toffoli selou a reedição dos eternos conluios brasilienses, nos quais os participantes gargalham de quem ousa mexer no arranjo. Na terça-feira, dois outros abraços, desta vez enviados ao presidente durante o jogo Peru x Brasil, também foram simbólicos, escancarando a farsa de que ele teve algum dia a pretensão de extinguir o que nasceu para ser TV Lula e agora é TV Bolsonaro.

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Mentir é de praxe

Não creio que seja possível acreditar que currículos prenhes de mentiras possam passar por verdadeiros nesta era da Internet. É facílimo consultar as universidades citadas e ficar sabendo se aquele título, ou aquele curso, ou aquela graduação, foram verdadeiros. Nada mais fácil. 

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Dupla tentativa de assassinato

Consuma-se nos próximos dias mais um ato do acordão para enterrar a Lava Jato, quando o Senado aprovará o nome de Kassio Nunes para substituir o ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal. Sua sabatina será coisa para inglês ver, apesar dos indícios de fraude em seu currículo. Continue lendo “Dupla tentativa de assassinato”

Deu a louca no mundo

Quem teve o prazer de assistir ao debate entre John Kennedy e Richard Nixon há de ter estranhado muito a decadência dos debatedores eleitorais Donald Trump e Joe Biden. A bem da verdade, horripilante foi o comportamento de Trump; Biden foi mais elegante, mas sem a força que deveria ter exercido para calar o oponente.

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O mercado falou mais alto

Depois de uma semana de bate-cabeças — com os ministros Paulo Guedes e Rogério Marinho quase chegando às vias de fato —, o governo parece ter tomado um chá de juízo e desistido da idéia insana de furar o teto dos gastos para financiar o Renda-Cidadã. Com o recuo, o ministro da Economia saiu da situação “balança mais não cai”, ganhando sobrevida. Continue lendo “O mercado falou mais alto”

Tubaína com o presidente

A descortesia do presidente Jair Bolsonaro ao indicar o substituto do ministro Celso de Mello 12 dias antes da vacância do cargo no STF foi uma desforra a um algoz e muito mais. A real e indisfarçável urgência é acelerar o pouso, em mãos aveludadas, dos casos espinhentos para ele e sua prole. Continue lendo “Tubaína com o presidente”

Tunga na educação

Há um mês o Congresso Nacional aprovou por meio de um amplo consenso a PEC que tornou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica permanente e aumentou o aporte da união para 23%. À época o governo tentou destinar 5% dos novos recursos do fundo para o programa de transferência de renda que pretendia criar, então chamado de Renda Brasil. Havia uma esperteza na manobra arquitetada pela equipe econômica. Como o Fundeb está fora do teto dos gastos, o governo aumentaria suas despesas sem desrespeitar o dispositivo constitucional. Continue lendo “Tunga na educação”

Digitax uma ova!

Por duas vezes em menos de um mês o presidente Jair Bolsonaro detonou as ideias de sua equipe econômica para atendê-lo na criação de um substituto mais generoso para o Bolsa Família, batizado de Renda Brasil. “Não posso tirar dos pobres para dar para os paupérrimos”, esbravejou, indignado. Na mesma semana em que reprisou a frase de efeito, avalizou a reencarnação da CPMF, ressuscitada como Digitax. Optou por tirar também dos paupérrimos para perenizar o dinheiro na veia que inflou sua popularidade. Continue lendo “Digitax uma ova!”