O crime na paisagem

Uma mocinha vestida de diaba, com chifrinhos na cabeça e tudo, e com um cartaz mandando “para o inferno” os deputados que votaram pela absolvição de Jacqueline Roriz. Isso foi tudo de sólido que se viu até o momento em matéria de indignação pelo ato indecoroso cometido na Câmara Federal no começo da semana. Continue lendo “O crime na paisagem”

Extraléxico

Rapinar, furtar, afanar, depenar, escorchar, saquear, pilhar, surrupiar, bifar, gualdripar, suquir. A língua portuguesa é farta em definições para o verbo roubar. Há palavras para todo tipo de ladroagem. Roubar gado é abigear; furto de coisa pequena é sisar, carchear é rapar o adversário morto em batalha. Roubo pode ser estruncho, ranfo, gaziva. Continue lendo “Extraléxico”

A Grande Sombra

Chega desse negócio: faxina não é programa de governo e o Brasil não é a Roma antiga. ”Se combate o malfeito, não se faz disso meta do governo. Faxina no meu governo é faxina contra a pobreza, o resto são ossos do ofício da Presidência.” Continue lendo “A Grande Sombra”

O terceiro homem mais rico do mundo cala a boca do Tea Party

Raríssimas vezes li um texto sobre economia tão absolutamente claro, límpido, cristalino, quanto o artigo de Warren Buffett, o mega-investidor, o terceiro homem mais rico do planeta, segundo a revista Forbes, publicado pelo New York Times na segunda-feira, 15 de agosto, e republicado na íntegra, no dia seguinte, no Globo. Continue lendo “O terceiro homem mais rico do mundo cala a boca do Tea Party”

Sanatório geral

A Operação Voucher desencadeada pela Polícia Federal no Ministério do Turismo fez mais do que trazer à tona outro escândalo escabroso, desta vez com gravações que ensinam a roubar sem deixar vestígios e quase quatro dezenas de presos. Foi exemplar para ilustrar a balbúrdia que se instalou no país. Continue lendo “Sanatório geral”

Contas com o diabo

Discreta e austera. Até os 100 primeiros dias de governo, esses eram os adjetivos mais freqüentes para definir Dilma Rousseff. Em contraponto com o ex, alguns louvavam a sua assiduidade ao local de trabalho, sua competência gerencial. Embora seja um passado recentíssimo, a presidente já poderia dizer: bons tempos aqueles. Continue lendo “Contas com o diabo”

Política Técnica

Toda vez que dirigentes públicos são flagrados na boca da botija lambendo o mel que não lhes pertence, insiste-se na falácia da opção por quadros técnicos em detrimento dos políticos. Quando agem como gafanhotos famintos então, o tecnicismo vira solução única. Continue lendo “Política Técnica”

O joio

É tiro e queda. Basta a presidente Dilma Rousseff aparecer bem no filme para que o ex apronte das suas, na tentativa de roubar os holofotes para si. Possivelmente não o faz de propósito. É uma espécie de doença, vício, algo incontrolável. E aí não importa se auxilia ou prejudica a sua pupila, se lhe ofusca o brilho. Continue lendo “O joio”

O paradoxo de Dilma

A ferocidade implacável com que a presidente da República Dilma Roussef se atirou à operação limpeza no Ministério dos Transportes, demitindo ou provocando a demissão de 16 pessoas em menos de duas semanas, provocou um frisson nos meios políticos, desacostumados à prática de ações tão enfáticas partindo do centro do Executivo contra parceiros no usufruto do poder. Continue lendo “O paradoxo de Dilma”

Cria cuervos

Em março de 2008, no Complexo do Alemão, no Rio, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva criava o título de mãe do PAC para a sua ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. “É ela que cuida, cobra, vê o andamento das coisas.” Continue lendo “Cria cuervos”