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	<title>50 Anos de Textos &#187; Artigos</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
	<lastBuildDate>Wed, 23 May 2012 03:54:20 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A concorrida Bolsa-Papagaio</title>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2012 01:36:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
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		<description><![CDATA[Desconfiei no lançamento do best-seller A Privataria Tucana. Em todas as redes sociais a pergunta: Já leu o livro do ano? Não vai dar sua opinião? A editora não tem mãos a medir! Os papagaios não falavam em outra coisa! A zoeira de suas vozes era terrível! Mas, de repente, a Cachoeira inundou o Planalto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desconfiei no lançamento do best-seller A Privataria Tucana. Em todas as redes sociais a pergunta: Já leu o livro do ano? Não vai dar sua opinião? A editora não tem mãos a medir!<span id="more-7054"></span></p>
<p>Os papagaios não falavam em outra coisa! A zoeira de suas vozes era terrível!</p>
<p>Mas, de repente, a Cachoeira inundou o Planalto, dali desceu aos borbotões, atravessou o Atlântico et voilà!, J’aime Paris au mois de mai&#8230; Perdão, querido Montand, dei uma de Zé Carioca.</p>
<p>Agitam-se as aves: Merval odeia CPIs. Merval defende Perillo. Merval acusa Perillo. Noblat blinda Perillo. Noblat acusa Perillo. Noblat detesta CPIs. Noblat blinda Agnello. Noblat acusa Agnello. Merval blinda Perillo que acusa Agnello&#8230; Não, não, não, não é nada disso! São muitos os papagaios e suas papagaiadas me deixam tonta!</p>
<p>Ligo o canal Jazz Instrumental. Pronto. Volta a calma. Sou candidata à Bolsa-Papagaio, não posso me perder. Vamos lá. Agora o cantochão é outro:</p>
<p>FHC recebeu um prêmio da Biblioteca do Congresso Americano. Não é um honoris qualquer, é um prêmio dado, segundo <a href="http://www.loc.gov/today/pr/2012/12-098.html">o site da Biblioteca</a> e <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=445561&amp;ch=n">o artigo do Merval</a> no Blog do Noblat (com licença do Eça, sempre esse Blog fatal!) a “em termos puramente acadêmicos, o mais destacado cientista político do fim do século XX na América Latina”.</p>
<p>Papagaio faz o quê? Lê e não acredita. Como pode FHC receber esse prêmio se nunca, jamais, em tempo algum um americano sequer leu uma linha escrita por esse homem? Só pode ser lobby junto à Biblioteca!</p>
<p>E não é que Thomas Jefferson entra na história? E entrou para apanhar! É dado como fazendeiro inculto e ignorante! Por quem? Ora, num livro, em 1822, por um ilustre brasileiro que nunca foi a <a href="http://www.monticello.org/">Monticello</a>! Queria saudar nosso José Bonifacio com cores merecidas, e para isso achou necessário detonar o americano.</p>
<p>Penso em iniciar minha vida de papagaio-bolsista repetindo ad nauseam: Th. Jefferson é o principal redator de um dos mais belos documentos políticos jamais escritos. Se foi sempre seguido ou não, é outro papo – mas que emociona quem lê por ser magistralmente bem pensado e bem escrito&#8230; não acredito que quem o leia, discorde.</p>
<p>Precisamos de mais ração. E mais frutas. Assuntos não faltarão e são muitos os papagaios: a CPI Viúva Porcina, a Comissão da Verdade, O Julgamento de Mensalãoberg, etc. etc. E tem mais:</p>
<p>Em recente seminário sobre a Mídia e a Democracia Latino-Americana, FHC disse o seguinte: <em>Temos hoje uma arquitetura democrática, mas não temos a alma. É uma ideia que ainda está sendo construída. É preciso apoiar mecanismos de regulação que permitam a diversidade.</em></p>
<p>Pronto. A Família Papagaio já concluiu: FHC é a favor da regulação e do controle da mídia.</p>
<p>Será? Mas essa briga eu não compro. Quem mandou tirar retrato ao lado do Collor?</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 18/5/2012.</em></p>
<p><em>Maria Helena, claro, não precisa de apresentação. Precisa só que tiremos o chapéu para ela. </em></p></blockquote>
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		<title>A Comissão da Verdade e a lição de Tutu</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 23:06:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Um raro instante republicano reuniu esta semana 4 ex-presidentes da República na cerimônia de posse dos sete membros da Comissão da Verdade nomeados pela presidente da República. (É bem verdade que, a rigor, dois deles- Sarney e Collor- estiveram durante uma boa parte de sua carreira política mais ao lado daqueles que serão investigados do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um raro instante republicano reuniu esta semana 4 ex-presidentes da República na cerimônia de posse dos sete membros da Comissão da Verdade nomeados pela presidente da República.<span id="more-7047"></span></p>
<p>(É bem verdade que, a rigor, dois deles- Sarney e Collor- estiveram durante uma boa parte de sua carreira política mais ao lado daqueles que serão investigados do que dos investigadores. Mas entenda-se que, em nome da reconciliação, eles não poderiam ser ignorados pelo protocolo da presidência da República, que pretendeu dar ao ato, muito apropriadamente, mais a conotação da execução de uma política de Estado do que uma política de governo).</p>
<p>Muito bem. A Comissão está instalada e com ela a polêmica: deve dedicar-se exclusivamente à investigação de violações de direitos humanos cometidos pelo Estado ou deve incluir em suas preocupações também a ação de grupos de esquerda que optaram pela luta armada?</p>
<p>As opiniões oscilam entre a do ex-ministro José Carlos Dias, que acha que os dois lados devem ser investigados, e a do professor Paulo Sérgio Pinheiro, que considera uma “bobagem” a idéia de investigar grupos de esquerda, uma vez que os seus participantes ou foram vítimas da violência do Estado ou foram investigados, julgados e punidos de acordo com as leis da época.</p>
<p>A Comissão da Verdade, convocada e formada sob a égide da Lei da Anistia, não tem poder punitivo, mas apenas documental e memorialístico.</p>
<p>Ela terá que levar em conta, em primeiro lugar, que vai trabalhar sobre uma realidade produzida por uma luta desigual entre um regime de exceção que se apossou do aparelho de Estado a partir de um golpe que derrubou- não importa sob qual pretexto &#8211; um governo legitimamente eleito, e grupos que &#8211; não importa sob qual pretexto &#8211; pretendiam derrubá-lo.</p>
<p>Cabe ao Estado, sob qualquer circunstância, considerando que suas próprias leis de exceção não legalizaram a pena de morte nem a tortura, prestar contas das violações que cometeu.</p>
<p>Ele montou um aparato repressivo clandestino feroz e aterrorizante e aplicou àquilo que as leis da época consideravam crimes de sublevação ou insurgência, tratamento cruel, ilegal e francamente criminoso.</p>
<p>O Estado é responsável pela integridade física das pessoas entregues à sua guarda, sejam quais forem os motivos. Caso contrário, ele teria justificativas para sair torturando ou matando quem violasse a lei &#8211; qualquer lei.</p>
<p>Os que defendem que “o outro lado” deva ser também objeto de investigações, sustentam que os participantes de grupos terroristas também violaram direitos humanos, causando a morte e sofrimento a terceiros inocentes e não envolvidos na luta política.</p>
<p>A África do Sul, empenhada em criar a sua república arco-iris, resolveu essa questão com sabedoria. A sua Comissão da Verdade e Reconciliação focou seus trabalhos preferencialmente nas violações cometidas pelo Estado, mas também investigou casos do lado dos guerrilheiros anti-apartheid tomando o cuidado de ressaltar no seu relatório final a diferença, legal e moral, entre lutar contra um sistema injusto e lutar para mantê-lo.</p>
<p>O arcebispo Desmond Tutu, Nobel da Paz e presidente da Comissão, disse:</p>
<p>“Uma venerável tradição sustenta que os que usam da força para derrubar um sistema injusto situam-se em plano superior aos que lutam para mantê-lo&#8230; Tal fato, contudo, não dá carta branca a essas pessoas para valer-se de qualquer método”.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 18/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Escândalos de hoje abafam os de ontem</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 17:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre que um novo escândalo vem à tona &#8211; e eles têm sido férteis e velozes como crias de ratos &#8211; , o script se repete. Primeiro, os envolvidos negam. Depois, buscam desqualificar o denunciante para diminuir o poder de fogo da denúncia e, em seguida, tentam explicar o inexplicável com a cartilha de sucesso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que um novo escândalo vem à tona &#8211; e eles têm sido férteis e velozes como crias de ratos &#8211; , o script se repete. Primeiro, os envolvidos negam. Depois, buscam desqualificar o denunciante para diminuir o poder de fogo da denúncia e, em seguida, tentam explicar o inexplicável com a cartilha de sucesso recitada pelo ex-presidente Lula: todo mundo faz igual ou pior.<span id="more-7029"></span></p>
<p>E todos, sem exceção, apostam no esquecimento. Do escândalo, não deles.</p>
<p>As declarações de quem está sob suspeita também seguem um padrão. Variam entre &#8220;punição exemplar&#8221;, algo que o país ainda não viu ser aplicada em roubalheira de dinheiro público, a &#8220;doa em quem doer&#8221;, explicitando, com todas as letras, que a dor é mais aguda quando atinge um companheiro.</p>
<p>Paralelamente, em escândalo sim noutro também se produz uma fartura de medidas ditas moralizadoras que são esquecidas na semana seguinte. Ninguém é preso. O preço máximo é perder o cargo. Nenhum centavo é devolvido. E tudo fica como sempre foi.</p>
<p>Quem se lembra hoje dos escândalos que derrubaram os ministros do Turismo, do Esporte ou do Trabalho, todos eles referentes a pagamentos indevidos a entidades sem fins lucrativos?</p>
<p>As denúncias de convênios irregulares de R$ 4,4 milhões apuradas pela Operação Voucher no Turismo, os desvios feitos em nome do Programa 2º Tempo do Esporte, as entidades fantasmas de treinamento de mão de obra. Na época, final de 2011, a presidente Dilma Rousseff não só demitiu os titulares das pastas, como baixou decreto sustando por 30 dias qualquer repasse a entidades civis e mandou a CGU apurar tudo, tintim por tintim.</p>
<p>Mas qual o quê. De acordo com o site Contas Abertas, as transferências do governo a instituições privadas sem fins lucrativos alcançaram R$ 807,5 milhões de janeiro a abril de 2012, 17% a mais do que no mesmo período do ano passado. Ou seja, depois de espernear, bater na mesa, fazer as vezes que exigia isso e aquilo, Dilma, em ano eleitoral, passou a gastar ainda mais com ONGs e afins.</p>
<p>E tudo passa quase que despercebido. Talvez pela proliferação de novos escândalos</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 13/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Sangue no Deserto</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 03:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuel S. Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem é que disse que os wes­terns se divi­diam em três tipos: os de ima­gens, os de ideias, e os de ima­gens e de ideias? Só pode ter sido Godard. E agora me lem­bro: foi jus­ta­mente num texto sobre um wes­tern de Anthony Mann, O Homem do Oeste, que ele, aliás, con­si­de­rava um exem­plo do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zztin11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7019" title="zztin1" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zztin11.jpg" alt="" width="640" height="361" /></a></p>
<p>Quem é que disse que os <em>wes­terns</em> se divi­diam em três tipos: os de ima­gens, os de ideias, e os de ima­gens e de ideias? Só pode ter sido Godard. E agora me lem­bro: foi jus­ta­mente num texto sobre um <em>wes­tern</em> de Anthony Mann, <em>O Homem do Oeste</em>, que ele, aliás, con­si­de­rava um exem­plo do <em>wes­tern de ima­gens e ideias</em>.<span id="more-7014"></span> Já <em>San­gue no Deserto</em>, <em>The Tin Star</em> no ori­gi­nal, pela sua extrema abs­trac­ção, é um exem­plo óptimo do <em>wes­tern de ideias</em>. Nenhum outro <em>wes­tern</em> de Mann tem a extrema depu­ra­ção que pode­mos encon­trar em <em>San­gue no Deserto</em>.</p>
<p>Por exem­plo, logo na pri­meira sequên­cia – lin­dís­sima e mór­bida – se dese­nha a lógica for­mal do filme e que é, como se reco­nhe­cerá à saci­e­dade, um movi­mento do exte­rior para o inte­rior. Vemos Henry Fonda, com uma barba de 3 dias, entrar na minús­cula cidade a cavalo e, num outro cavalo que traz pela rédea, con­du­zir um cadá­ver até ao largo cen­tral. Servindo-se bem da música muito inten­ci­o­nal de Elmer Berns­tein, Mann, que era um con­su­mado mes­tre do <em>tra­vel­ling </em>late­ral, con­se­gue trans­for­mar o largo num palco para onde con­ver­gem todos os olha­res e con­se­gue que um <em>wes­tern</em> – por exce­lên­cia o género cine­ma­to­grá­fico dos gran­des espa­ços aber­tos – seja um exem­plo aca­bado de arte tea­tral.</p>
<p>É tea­tro e há um equi­lí­brio pre­cá­rio entre palco e bas­ti­do­res, suge­rido pela alter­nân­cia de pon­tos de vis­tas: Mann filma do inte­rior do escri­tó­rio do xerife para o largo, mas é para o inte­rior do escri­tó­rio que con­ver­gem os olha­res dos per­so­na­gens que estão no largo.</p>
<p>E como é tea­tro, há um equi­lí­brio entre o <em>décor</em> e as per­so­na­gens. A impor­tân­cia ful­cral do cená­rio cen­tral não anula a força das per­so­na­gens que o ocu­pam, em par­ti­cu­lar o tri­ân­gulo Fonda-Anthony Perkins-Neville Brand. E sendo o tea­tro de um <em>wes­tern</em>, há um equi­lí­brio entre o colec­tivo e o indi­vi­dual situ­ando numa comu­ni­dade pre­cisa a his­tó­ria de trans­fe­rên­cia de matu­ri­dade em que con­siste a rela­ção entre as per­so­na­gens de Henry Fonda e Anthony Per­kins.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zztin2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7020" title="zztin2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zztin2.jpg" alt="" width="500" height="280" /></a>E há ainda a explo­ra­ção de outra ideia, a do equi­lí­brio entre o mecâ­nico e o humano, belis­si­ma­mente tra­tado em duas cenas de sinal con­trá­rio. A pri­meira sobre­va­lo­ri­zando dra­ma­ti­ca­mente a perí­cia mecâ­nica de pis­to­leiro de Henry Fonda, quando inter­vém no duelo entre o xerife e o vilão. A segunda, con­cluindo a apren­di­za­gem de Per­kins no manejo das armas, quando Fonda lhe diz: &#8220;<em>Estuda os homens. Uma pis­tola não é mais do que uma fer­ra­menta.&#8221;</em></p>
<p><em>San­gue no Deserto</em> é uma pará­bola. O argu­mento de Dudley Nichols é notá­vel e obteve nome­a­ção para o Oscar. Com uma sim­ples his­tó­ria de apren­di­za­gem, a his­tó­ria de um xerife, Per­kins, que aprende com um ex-xerife, Fonda, o manejo do revól­ver que lhe per­mi­tirá ven­cer o vilão, Neville Brand, o argu­men­tista eleva-se a voos mais arris­ca­dos, mos­trando a génese e fazendo a prova da neces­si­dade da Lei para o esta­be­le­ci­mento de uma comu­ni­dade.</p>
<p>O tea­tro de Mann fun­ci­ona como ponto de pas­sa­gem do caos à civi­li­za­ção, tema nobre de que outro <em>wes­tern</em>, <em><a href="http://50anosdefilmes.com.br/2009/o-homem-que-matou-o-facinora-the-man-who-shot-liberty-valance/">O Homem que Matou Liberty Valance</a></em> de John Ford, cons­ti­tuirá, anos mais tarde, o cume.</p>
<p>O argu­mento de Nichols era suma­rento. Anthony Mann secou-o. Mos­trou que se pode resu­mir um grande tema huma­nista a um só objecto dra­má­tico, neste caso à estrela de latão que deu ori­gi­nal­mente título ao filme, e que Per­kins passa o tempo a empur­rar para a lapela do casaco de Fonda. E Mann tam­bém mos­trou, servindo-se da cara inde­ci­frá­vel de Henry Fonda (e do seu andar feito para a len­ti­dão de um <em>tra­vel­ling</em>), que o nii­lismo pode ser a apa­rên­cia do mais alto sen­tido moral.</p>
<p>Se tenho a cer­teza de ter estado a escre­ver sobre um <em>wes­tern</em>? Abso­luta. Vêem-se bons due­los e há uma mul­ti­dão pronta para um lin­cha­mento. Não há bei­jos. Tudo feito por Mann com enqua­dra­men­tos manei­ris­tas e uma escrita que leva­ria Godard a chamar-lhe “cine­asta virgiliano”.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no semanário português <a href="http://aeiou.expresso.pt/"><strong>O Expresso</strong></a>.</em></p>
<p><em>msfonseca@netcabo.pt</em></p>
<p><em>Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O presidente do PT e o silêncio de ouro</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 17:05:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[É sempre previsível que um petista se entusiasme diante de sua torcida e cometa bravatas retóricas. O calor humano e o alarido da militância ajudam a multiplicar a valentia. O próprio ex-presidente Lula, sangue, nervos e razão de ser do partido, reconheceu que fazia muito isso quando era oposição. (Quando era governo também, mas isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É sempre previsível que um petista se entusiasme diante de sua torcida e cometa bravatas retóricas. O calor humano e o alarido da militância ajudam a multiplicar a valentia.<span id="more-7004"></span></p>
<p>O próprio ex-presidente Lula, sangue, nervos e razão de ser do partido, reconheceu que fazia muito isso quando era oposição. (Quando era governo também, mas isso não foi objeto de suas considerações.)</p>
<p>Dias atrás, falando a uma platéia partidária em Embu das Artes, o presidente do partido, ex-jornalista Rui Falcão, foi mais fundo do que já tinha ousado ir na carga de sua brigada ligeira contra a imprensa.</p>
<p>Colocou seu guardanapo ideológico na testa, deixou cair os eufemismos e foi direto ao ponto:</p>
<p>“(a mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010).”</p>
<p>Em suas intervenções anteriores sobre o tema da regulamentação das comunicações, o presidente do PT sempre tomou o cuidado de ressaltar que se tratava da elaboração do marco regulatório para as comunicações previsto no texto constitucional e que isso não tinha nada a ver com controle de conteúdos.</p>
<p>Ao declarar que a mídia “contrasta” com o projeto político e econômico do governo, e que por isso o governo se preparava para “peitar” (a mídia) como tinha acabado e “peitar os bancos”, o presidente do PT cometeu um ato falho.</p>
<p>Deixou explícito que o partido não admite que a mídia “contraste” o governo. Considerando-se o significado da palavra (comparar, cotejar, ser contra ou opor-se a), Rui Falcão defendeu nada menos que a interdição do debate e da oposição.</p>
<p>Não “contrastar” o projeto político e econômico do governo deveria, portanto, tornar-se uma obrigação. Já vimos isso antes aqui e em outros lugares, não vimos?</p>
<p>Paulo Bernardo, ministro das Comunicações e dos panos quentes, correu a esclarecer que as opiniões do partido não têm nada a ver com as do governo e desautorizou a bravata do presidente de seu partido.</p>
<p>Rui Falcão deve saber disso melhor do que ninguém, mas nem por isso deixou de aproveitar a chance de jogar um pouco de gasolina na fogueira das milícias partidárias virtuais.</p>
<p>Essas milícias estão empenhadas em promover uma campanha de desmoralização da imprensa, para ver se conseguem envolvê-la na mesma lama dos acusados do mensalão, na tentativa de diminuir o impacto do julgamento que se aproxima.</p>
<p>Em vez de negar o crime, o que é uma tarefa difícil, tentam distribuí-lo igualmente entre todos, democratizando a lama.</p>
<p>Além de peitar os bancos, seria saudável se a presidente da República peitasse também o presidente do seu partido e deixasse claro que ela, como a maioria do País, prefere “o barulho da imprensa ao silêncio das ditaduras”.</p>
<p>Nesse caso, o silêncio do presidente do PT seria de ouro.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 11/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<item>
		<title>Roubar pode, só não pode embolsar o roubo</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/roubar-pode-so-nao-pode-embolsar-o-roubo/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 16:45:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Peixe morre pela boca. Só não é assim quando o peixe é petista e goza de algum prestígio junto ao dono do partido, o ex Lula. Os absurdos ditos ficam por não ditos. Pior, são tidos como normais e não como absurdos. A pérola da semana veio do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que, ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Peixe morre pela boca. Só não é assim quando o peixe é petista e goza de algum prestígio junto ao dono do partido, o ex Lula. Os absurdos ditos ficam por não ditos. Pior, são tidos como normais e não como absurdos.<span id="more-6969"></span></p>
<p>A pérola da semana veio do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que, ao apontar diferenças entre o mensalão e o caso do contraventor Carlos Cachoeira, considerou menor o crime de roubar quando o fruto do roubo não vai para o bolso do ladrão. &#8220;Não há entre todos os réus do mensalão um acusado de apropriação particular do recurso&#8221;, garantiu, com peculiar soberba, em entrevista ao site Consultor Jurídico. Como se isso alterasse a tipificação do crime pelo qual ele e outros 35 são acusados.</p>
<p>E foi ainda mais longe ao citar a Land Rover de Silvio José Pereira, o Silvinho, único da turma que teria embolsado propina. Ao que parece, se o carro de luxo fosse para o partido, tudo bem. Crime eleitoral, um &#8220;erro que o PT corrigiu&#8221;.</p>
<p>Político experiente, exercendo seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados, casa que presidiu de 2003 a 2005, Cunha deveria saber que certas coisas podem ser pensadas, nunca ditas. Outras nem mesmo poderiam ser pensadas.</p>
<p>Mas como tudo é dito com a deliberada intenção de minimizar o mensalão, tudo bem. Insiste-se na tecla de que o pagamento periódico a aliados não passou de caixa 2, um pecado que todo mundo comete. O refrão, lançado por Lula na inesquecível entrevista de Paris, tem de ser repetido, repetido mais uma vez e de novo. Assim, quem sabe, vira verdade. Esse foi o papel de Cunha.</p>
<p>Em 2006, Cunha quase foi cassado. Perdeu na Comissão de Ética, ganhou no plenário. Não quer, de forma alguma, que volte à tona o saque em espécie que sua mulher fez no Banco Rural do Brasília Shopping. Muito menos a singela desculpa que deu à época: ela foi ao banco pagar uma conta de TV a cabo.</p>
<p>Mentiu lá e mente agora. Afinal, já deu certo e pode dar de novo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi publicado originalmente no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 6/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>A alegria epiléptica</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 17:50:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuel S. Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[É afro­di­síaca mesmo que quem a sinta não saiba quem raio seja Afro­dite. Falo da grande ale­gria, daquela que já não cabe no corpo, dessa ale­gria que nos estre­mece, enche e esva­zia os pul­mões. A ale­gria con­vulsa. Ima­gi­nem um campo de pri­si­o­nei­ros. Jim, um miúdo inglês, cres­ceu ali, meio-protegido, meio-abusado, por dois cor­ré­cios ame­ri­ca­nos. Cres­ceu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É afro­di­síaca mesmo que quem a sinta não saiba quem raio seja Afro­dite. Falo da grande ale­gria, daquela que já não cabe no corpo, dessa ale­gria que nos estre­mece, enche e esva­zia os pul­mões. A ale­gria con­vulsa.<span id="more-6961"></span> Ima­gi­nem um campo de pri­si­o­nei­ros. Jim, um miúdo inglês, cres­ceu ali, meio-protegido, meio-abusado, por dois cor­ré­cios ame­ri­ca­nos. Cres­ceu entre o des­dém e a humi­lha­ção dos guar­das japo­ne­ses.</p>
<p>O campo de pri­si­o­nei­ros já é o deserto de toda ale­gria. Mas o campo de pri­si­o­nei­ros que sofre o ata­que da nossa pró­pria avi­a­ção é o pan­de­mó­nio dos sen­ti­men­tos, a lágrima de san­gue que trans­borda do cálice. Só o Pai que sabe­mos tem a cru­el­dade de dar esse cálice a um Filho. É o que acon­tece em <em><a href="http://50anosdefilmes.com.br/1988/imperio-do-sol-empire-of-the-sun/">Empire of the Sun</a></em>, filme de Ste­ven Spi­el­berg. Há um ata­que ali­ado. Um Chris­tian Bale novi­nho, o actor que dá corpo a Jim, corre eufó­rico para o telhado meio-destruído de uma das cons­tru­ções do campo de con­cen­tra­ção.</p>
<p>Lá em cima, salta, abraça-se a si mesmo, treme de exci­ta­ção, res­pira forte para não sufo­car e explode num grito e num riso epi­lép­ti­cos. O mundo suspende-se, o movi­mento quase pára para dei­xar voar a beleza fan­tás­tica de um avião de fogo e morte.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzempire0.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6962" title="zzempire0" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzempire0.jpg" alt="" width="615" height="407" /></a></p>
<p>O pin­dé­rico ingle­si­nho sobre­vi­vente berra: “P-51 Cadil­lac of the skies”. Vénus quando era vir­gem, Deus nosso senhor, a ino­mi­ná­vel Beleza, não seriam sau­da­dos com mais exal­ta­ção e exul­ta­ção. Jimmy salta de cos­tas, salta de frente, enquanto as bom­bas reben­tam com tudo à sua volta. “P-51 Cadil­lac of the skies”, ó ale­gria de um catano: o fogo, a morte, a des­trui­ção, sabem-lhe a vitó­ria. O avião dos seus sonhos, que os seus dedos quase tocam fisi­ca­mente, arrasa o mundo em escom­bros onde sobre­vive. Tudo morre, mas tudo morre para que ele renasça. A ale­gria con­vulsa, epi­lép­tica, é pri­vi­lé­gio de cri­ança. Tem de ser inau­gu­ral. Lembro-me da minha pri­meira vez, dos sin­to­mas e do devas­ta­dor ata­que. Conto.</p>
<p>A pri­meira vez que eu vi mesmo o mar foi já no meio do Oce­ano Atlân­tico. De Angola, o meu pai cha­mava os meus 5 anos e lá iam eles agar­ra­dos à saia da minha mãe e a toque de caixa da minha irmã. O pouca-terra, pouca-terra, numa tarde de cere­jas ver­me­lhís­si­mas, trouxera-nos da Beira fria, farta e feia. Em Lis­boa, Cais da Rocha, tínha­mos entrado no Vera Cruz, então sofis­ti­cado tran­sa­tlân­tico. Des­ce­mos logo ao cama­rote e quando vol­tá­mos a subir – no dia seguinte? –cercava-nos um vasto tapete ondu­lado, de um azul inú­til e livre. Flu­tuá­va­mos num infi­nito len­çol osci­lante: Hou­dini tinha escon­dido a terra.</p>
<p>Os pul­mões não me cabiam no peito de con­ten­tes; em riso e lágri­mas até pelos olhos os pul­mões me saíam. Dizem que é a ple­ni­tude. Gos­tava de me lem­brar melhor, se era igual o azul de céu e mar, se havia vento, quase nenhu­mas nuvens, e se can­ta­vam sereias ou sonhava já contigo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no semanário português <a href="http://aeiou.expresso.pt/"><strong><span style="color: #333333;">O Expresso</span></strong></a>.</em></p>
<p><em>msfonseca@netcabo.pt</em></p>
<p><em>Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia</em></p></blockquote>
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		<title>Um novo convidado para o palco da CPI</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 18:03:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[O PMDB, que ia tão divertido, leve e solto para a CPI do Cachoeira, embora achasse a sua instalação uma insensatez, ganhou alguns motivos para cair em si e colocar alguns pés atrás. Se o maior partido de apoio da base aliada aparentemente só tinha a lucrar com a sua posição de muro de arrimo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O PMDB, que ia tão divertido, leve e solto para a CPI do Cachoeira, embora achasse a sua instalação uma insensatez, ganhou alguns motivos para cair em si e colocar alguns pés atrás.<span id="more-6949"></span></p>
<p>Se o maior partido de apoio da base aliada aparentemente só tinha a lucrar com a sua posição de muro de arrimo de qualquer eventualidade que viesse a incomodar o governo, viu-se de repente na condição de também ter que explicar algumas coisas.</p>
<p>Se não o partido como tal, pelo menos o governador Sérgio Cabral, como uma de suas figuras proeminentes.</p>
<p>As fotos e os vídeos da divertida e breguissima turnê etílico-gastronômico-cultural do governador do Rio, de alguns de seus secretários e do amigo do peito Fernando Cavendish, dono da operosa empreiteira Delta, por luxuosos hotéis franceses, vazados pelo blog do ex-governador Antony Garotinho, introduziram pelo menos mais um complicador no cenário de uma CPI já atrapalhada pela própria natureza.</p>
<p>Além de Demóstenes, carta fora do baralho da sobrevivência política, os grandes vetores da CPI seriam os governadores Marconi Perillo e Agnelo Queiroz, além do próprio Cachoeira e do dono da Delta, Fernando Cavendish.</p>
<p>Junte-se a eles, agora, Sergio Cabral, que deveria explicar não o gosto duvidoso de suas farras , mas a relação promíscua com um contratado para executar obras públicas.</p>
<p>Os primeiros passos da CPI, depois de formada, foram titubeantes. Tentou-se circunscrever o escopo das investigações sobre a Delta às suas atividades no Centro-Oeste, como se fosse possível isolar geograficamente as práticas duvidosas de suas relações com o poder público.</p>
<p>Com um pouco de esforço, derrubou-se essa barreira.</p>
<p>A convocação dos governadores envolvidos foi tratada com luvas de pelica. Ninguém parece querer dar o primeiro passo mais ousado, com medo de provocar o ímpeto revanchista do lado afetado.</p>
<p>Todo mundo parece pisar em ovos e preocupado em evitar um possível efeito bumerangue que redirecione a artilharia para suas próprias tropas.</p>
<p>Se a CPI avançar nesse ritmo, e as investigações forem sendo limitadas às atividades do contraventor Carlinhos Cachoeira e às suas relações com o seu preposto Demóstenes Torres, ela se tornará inútil, porque qualquer investigação policial rotineira poderia dar conta dessa questão.</p>
<p>O único fato novo realmente relevante da questão da CPI é a chegada ao palco do governador Sergio Cabral e seu séquito, que atraiu a atenção sobre as relações promíscuas entre a empreiteira e as autoridades encarregadas de contratá-la e de auditar os contratos.</p>
<p>Embora alguns peemedebistas tenham comemorado o fato de Sergio Cabral ser obrigado a “descer de seu pedestal” para se explicar, o fato é que o partido perdeu a inocência que lhe dava a superioridade tática de poder usar a sua força para conseguir manipular a sua relação de garantidor dos interesses do governo no decorrer da investigação.</p>
<p>Agora está em pé de igualdade com os outros protagonistas.</p>
<p>Se o empenho em blindar Cabral, Perillo, Agnelo e Cavendish continuar, a CPI tenderá a ser uma ação entre amigos onde só perderão os dedos e os anéis aqueles que já os perderam: Cachoeira e Demóstenes.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 4/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>CPI une Lula e Collor</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 18:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Quase vinte anos depois da CPI de PC Farias, que apeou Fernando Collor de Mello da Presidência, o vilão agora é algoz e seus acusadores mais ferozes, capitaneados pelo ex Lula há duas décadas, aliados. Se depois que chegaram ao poder, perdões e gentilezas tornaram-se freqüentes, na CPI mista de Cachoeira, PT e Collor, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase vinte anos depois da CPI de PC Farias, que apeou Fernando Collor de Mello da Presidência, o vilão agora é algoz e seus acusadores mais ferozes, capitaneados pelo ex Lula há duas décadas, aliados. Se depois que chegaram ao poder, perdões e gentilezas tornaram-se freqüentes, na CPI mista de Cachoeira, PT e Collor, de novo com o aval de Lula, confessam a mesma cartilha e inimigos em comum, a começar pela mídia.<span id="more-6929"></span></p>
<p>Em discurso eloqüente, olhos esbugalhados, que fez lembrar os tempos irados em que, num equívoco letal, convocou os brasileiros a sair às ruas de verde e amarelo, colhendo cidades cobertas de cidadãos vestidos de preto, o senador Collor de Mello expôs todo o seu ódio contra CPIs, transformadas em “tribunais de inquisição”.</p>
<p>E, ainda com mais ênfase, contra a imprensa. Chamou jornalistas de “rabiscadores”, gente que produz “notícias falsas ou distorcidas”.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzzlullor.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6932" title="zzzlullor" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzzlullor-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Um elo a mais a unir Lula e Collor. Um purga sua mágoa pela Presidência perdida, outro, pelo processo do mensalão, maior escândalo da República, com poderes de lhe macular a majestade.</p>
<p>Os métodos de ambos se assemelham: flagrados, fingem que não é com eles, atacam a imprensa e protegem comparsas.</p>
<p>Collor nunca falou nada sobre PC Farias, a Operação Uruguai ou a prova menor, o Fiat Elba, gota d’água da cassação de seus direitos políticos.</p>
<p>Lula falou demais, mas o intuito era o mesmo. Primeiro se disse traído pelos seus. Depois, garantiu que o mensalão não passava de caixa 2, inventando a tese de que um crime se torna menor quando todo mundo o comete. Algo absurdo na boca de qualquer um, quanto mais de alguém que à época era o número um do país.</p>
<p>A teoria da vez é a de que o mensalão é farsa, uma armação da direita com apoio da grande mídia. Nela, Collor é, de novo, aliado de primeira grandeza. A ele cabe bater forte na imprensa, tentar desacreditar o carteiro para não precisar discutir o conteúdo da carta.</p>
<p>Os dois ex-presidentes, que nas primeiras eleições diretas depois da ditadura militar mobilizaram o país por suas diferenças ideológicas, se unem na sordidez.</p>
<p>Collor renunciou antes de sofrer o impeachment e teve seus direitos políticos cassados por oito anos. Atira para todos os lados, tenta vingar-se. Aposta na hipótese pouco provável de passar para a história como vítima de injustiça.</p>
<p>Lula, de olho no perdão prévio, alimenta as esperanças do ex-inimigo.</p>
<p>Cada um modela suas versões de acordo com a conveniência.</p>
<p>A corrupção, a malversação com dinheiro público, os desvios, a evasão de dólares para o exterior, o mensalão. Isso tudo que se dane. São apenas fatos. Coisa de jornalista.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi publicado originalmente no Blog do Noblat, em 29/4/2012. A arte da fotomontagem é de Antonio Lucena. </em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cemitérios, tabuletas e epitáfios</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 21:31:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuel S. Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Sem­pre pen­sei que, a haver epi­tá­fios imba­tí­veis, sai­riam cer­ta­mente da pena de gran­des escri­to­res. Mas andei a ver, ouvir e ler e, zás, lá se foram as minhas cer­te­zas. Os epi­tá­fios que alguns acto­res esco­lhe­ram para si mes­mos são desar­man­tes e de uma (ai, como é que se diz?!) deri­são que me fez rir, bater [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzhedy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6922" title="zzhedy" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzhedy.jpg" alt="" width="500" height="468" /></a></p>
<p>Sem­pre pen­sei que, a haver epi­tá­fios imba­tí­veis, sai­riam cer­ta­mente da pena de gran­des escri­to­res. Mas andei a ver, ouvir e ler e, zás, lá se foram as minhas cer­te­zas. Os epi­tá­fios que alguns acto­res esco­lhe­ram para si mes­mos são desar­man­tes e de uma (ai, como é que se diz?!) deri­são que me fez rir, bater palmas.<span id="more-6914"></span></p>
<p>Lembram-se de Hedy Lamarr, a linda e nuís­sima actriz aus­tríaca de <em><a href="http://50anosdefilmes.com.br/2009/extase-ekstase/">Ecs­tasy</a></em> que mor­re­ria ame­ri­cana, em Hollywood, linda e ves­ti­dís­sima? Era uma mulher sofis­ti­cada e inte­li­gente como se depre­ende do epi­tá­fio que esco­lheu: “<em>This is too deep for me.</em>”</p>
<p>Cons­tance, que per­ten­cia ao que em Hollywood era a aris­to­crata famí­lia Ben­nett, mesmo no cemi­té­rio, vin­cou bem a sua pri­va­ci­dade clas­sista: “<em>Do not dis­turb.</em>”</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzepitaph.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6923" title="zzepitaph" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzepitaph.jpg" alt="" width="300" height="135" /></a>Cary Grant, esse des­co­nhe­cido que me recuso a apre­sen­tar, foi igual­mente eco­nó­mico e cheio de sorte na frase eleita: “<em>He was lucky – and he knew it.</em>” Já os olhos de Bette Davis viram as coi­sas de outra maneira: “<em>She did it the hard way.</em>”</p>
<p>No mudo ou sonoro, cómico sem­pre, W. C. Fields escre­veu o seu pró­prio mate­rial, como o sub­til epi­tá­fio bem demons­tra: “<em>On the whole, I’d rather be in Phi­la­delphia.</em>”</p>
<p>Dis­pli­cente foi Dean Mar­tin que levou para o túmulo o que foi a sua filo­so­fia de vida: “<em>Every­body loves some­body some­time.</em>”</p>
<p>Wil­liam Hai­nes, que à conta dos seus gos­tos sexu­ais teve car­reira curta no mudo, levou a coisa mais a peito: “<em>Here’s something I wanto to get off my chest.</em>”</p>
<p>Não se pode dei­xar uma cam­bada de acto­res sol­tos sem um rea­li­za­dor por perto. Cha­mei, por isso, Pres­ton Stur­ges, o rea­li­za­dor do extra­or­di­ná­rio <em>Sullivan’s Tra­vels</em>, para que desse um sen­tido moral a tudo isto. Foi mais leve e epi­cu­rista do que eu estava à espera:</p>
<p>“<em>Now I’ve laid me down to die I pray my neigh­bours not to pry Too dee­ply into sins that I Not only can­not here deny But much enjoyed as time flew by…</em>”</p>
<p>E se nós, os Tris­tes, sabendo-se até que alguns de nós já vive­ram em cemi­té­rios, fos­se­mos gra­ta­mente liber­tando ter­cei­ros da ingrata tarefa?</p>
<blockquote><p><em><a href="mailto:msfonseca@netcabo.pt">msfonseca@netcabo.pt</a></em></p>
<p><em>Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia</em></p></blockquote>
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		<title>Esquerda e direita se encontram no infinito</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/esquerda-e-direita-se-encontram-no-infinito/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 16:50:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Duas linhas paralelas se encontram no infinito.Os votos da extrema direita e da extrema esquerda na França estão sendo disputados pelos dois candidatos, Sarkozy e Hollander, como se fossem oxigênio. Dependem deles para ganhar o segundo turno. Pela lógica pedestre aritmética e pelas afinidades ideológicas básicas que existem entre os protagonistas, seria muito simples apostar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas linhas paralelas se encontram no infinito.Os votos da extrema direita e da extrema esquerda na França estão sendo disputados pelos dois candidatos, Sarkozy e Hollander, como se fossem oxigênio. Dependem deles para ganhar o segundo turno.<span id="more-6911"></span></p>
<p>Pela lógica pedestre aritmética e pelas afinidades ideológicas básicas que existem entre os protagonistas, seria muito simples apostar no resultado. Bastaria somar os 27% de Sarkozy aos 18% da direitista Marine Le Pen e teríamos 45% para o atual presidente.</p>
<p>Os 28% de Hollander somados aos 11% do esquerdista Melenchon produziriam 39% para o socialista. Os 8% de Bayou seriam dividos igualmente entre eles e estaria garantida a reeleição de Sarkozy.</p>
<p>Mas a vida não é tão fácil, muito menos na complexa e temperamental França e menos ainda na traumatizada Europa de hoje.</p>
<p>A lógica elementar da conta aritmética acima mostra que Hollander, o socialista, só vencerá a eleição &#8211; e as pesquisas indicam que ele vencerá &#8211; se uma parte dos votos da direita protofascista, racista e xenófoba de madame Le Pen migrarem para ele.</p>
<p>Em resumo, para espanto dos nossos ralos maniqueístas que enxergam o mundo em branco e preto, os socialistas só chegarão ao poder na França com a ajuda de parte de quem vota nos extremistas de direita &#8211; ou algo parecido com isso.</p>
<p>Na verdade, o que está em jogo na França não é o velho conflito esquerda/direita que alimentou de fogo e sangue o debate político, ideológico e intelectual de uma grande parte do século XX.</p>
<p>O tempo e a realidade sepultaram essas visões, aproximaram e anularam de tal maneira essa dicotomia, que somente na periferia intelectual do mundo seus conceitos fundadores ainda são levados a ferro e fogo.</p>
<p>Norberto Bobbio reduziu à essência o que significa ser de direita ou de esquerda nos dias de hoje. Para a direita, é priorizar o valor liberdade. Para a esquerda, é priorizar o valor igualdade. Todo o resto deriva dessas linhas mestras.</p>
<p>Na França, como de resto em toda a Europa em crise, o que está em jogo é a sustentabilidade do Estado de Bem Estar Social, que provocou crises fiscais e políticas profundas, que derivaram para manifestações de racismo e xenofobia.</p>
<p>Reza o velho ditado popular: em casa onde não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão. A primeira vítima dessa escassez de pão é o imigrante, que tende a ser visto como o intruso que vem roubar o emprego dos nacionais; da competição à xenofobia há um caminho que tende a se encurtar cada vez mais.</p>
<p>Partidos de esquerda e de direita criaram plataformas comuns de resistência ao sonho da Europa unida, e a única coisa que os diferencia é o tratamento ético que dão à questão da imigração.</p>
<p>No resto, estão unidos contra a burocracia de Bruxelas, o centro administrativo da UE, e contra os planos de austeridade receitados pelos organismos financeiros internacionais.</p>
<p>As paralelas que se encontram no infinito têm, neste momento, duas grandes questões a resolver: 1) manter ou não a Europa unida e 2) como não perder o doce sonho da vida boa construída no pós-guerra e onde arranjar dinheiro para pagar essa conta.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no<a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/"> Blog do Noblat</a>, em 27/4/2012.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>CPI de Cachoeira refresca Pimentel</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 16:58:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<description><![CDATA[Em dezembro do ano passado vieram à tona os ganhos inexplicáveis do ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel em consultorias que lhe asseguraram rendimentos espetaculares de R$ 2 milhões. Amigo de Dilma, um dos poucos que ela, sem a tutela do ex Lula, indicou para o seu governo, Pimentel, ao contrário de seus pares flagrados em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em dezembro do ano passado vieram à tona os ganhos inexplicáveis do ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel em consultorias que lhe asseguraram rendimentos espetaculares de R$ 2 milhões.<span id="more-6883"></span></p>
<p>Amigo de Dilma, um dos poucos que ela, sem a tutela do ex Lula, indicou para o seu governo, Pimentel, ao contrário de seus pares flagrados em “malfeitos”, continua ministro e primeiro conselheiro. É irremovível.</p>
<p>Ao que parece, pelo critério da presidente incensada por sua intolerância à corrupção, a punição ao malfeito varia de acordo com os valores envolvidos. O pecado de Antonio Palocci, removido sem dó por motivo idêntico, foi de imperdoáveis R$ 20 milhões.</p>
<p>Quando as denúncias apareceram, Pimentel até tentou detalhar o trabalho que teria prestado em 2009 e 2010 para a construtora mineira Convap e para Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Poucos dias depois, representações da Fiemg no interior do Estado que teriam sido beneficiadas com as consultorias, negaram, com todas as letras, a prestação do serviço.</p>
<p>Até hoje, procura-se, incansavelmente, alguém, um único ser que tenha usufruído das consultorias do petista, justificando assim a generosa remuneração.</p>
<p>Na Convap não foi diferente. Menos de um ano depois de pagar a última parcela pela consultoria não prestada, a construtora, em consórcio com a Constran, foi escolhida pelo prefeito de Belo Horizonte, o aliado Márcio Lacerda (PSB), para tocar as obras viárias do sistema de BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Cristiano Machado, acesso ao aeroporto de Confins. Um contrato de R$ 36,3 milhões.</p>
<p>Nada sequer foi investigado. No Congresso, a blindagem ao ministro funcionou azeitada. As tentativas de ouvi-lo foram descartadas sem qualquer cerimônia. Pedido formal de esclarecimentos? Claro que não. CPI? Ora, nem pensar.</p>
<p>A Comissão de Ética da Presidência da República, à qual Dilma já demonstrou que pouco se lixa, até tenta. Pediu explicações a Pimentel há mais de mês. Foram insuficientes, dizem. Na última segunda-feira, 16, renovaram o pedido com mais 10 dias prazo para que ele explique o inexplicável.</p>
<p>Se as consultorias-fantasma já não assombravam, agora então Dilma e Pimentel respiram ainda mais aliviados. A presidente preferia, com razão, não ter de lidar com uma CPI que, ao bisbilhotar tramóias de um bicheiro, pode esbarrar e, provavelmente, o fará, em gente do seu governo. Mas já pode enxergar nela algumas vantagens.</p>
<p>A investigação não tem capacidade, ao contrário do que imaginava Lula, de colocar o mensalão em segundo plano. Mas, seguramente, deixará as denúncias contra Pimentel em quinto.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 22/4/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Os profissionais</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 19:09:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuel S. Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Dis­traio os ner­vos: será Vítor Gas­par o herói moderno? O herói antigo era Hér­cu­les. Tinha a lúdica argú­cia de um Ulis­ses. Há um século, o herói era cine­ma­to­grá­fico e vinha com a abne­ga­ção de um John Wayne. Por vezes, dis­far­çava o ide­a­lismo com o cínico desin­te­resse de um Humph­rey Bogart. Quem é o herói con­tem­po­râ­neo? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dis­traio os ner­vos: será Vítor Gas­par o herói moderno? O herói antigo era Hér­cu­les. Tinha a lúdica argú­cia de um Ulis­ses. Há um século, o herói era cine­ma­to­grá­fico e vinha com a abne­ga­ção de um John Wayne. Por vezes, dis­far­çava o ide­a­lismo com o cínico desin­te­resse de um Humph­rey Bogart.<span id="more-6862"></span></p>
<p>Quem é o herói con­tem­po­râ­neo? Pro­cu­rei no metro, na espla­nada do Darwin, numa expo­si­ção da Gul­ben­kian. Pro­cu­rei uma cen­te­lha, uma chispa volun­ta­ri­osa que arraste a mul­ti­dão, que dis­sipe o desa­lento dos dias. Lembram-se de Mar­tin Sheen em <em>Apo­calypse Now</em>? Era o anti-herói, bem sei. Mas levava na mala uma tor­tura cató­lica, a expec­ta­tiva de uma desen­can­tada reden­ção. Ora o cato­li­cismo já só é mis­si­o­ná­rio em África.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzdrive.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6863" title="zzdrive" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzdrive.jpg" alt="" width="660" height="412" /></a>Sim, tenho de con­fes­sar que vi o herói dos nos­sos dias. Foi em <em>Drive</em> e con­du­zia um indo­má­vel Che­vro­let pelas ruas más de Los Ange­les. Era Ryan Gos­ling e o que ele gui­ava, com luvas e a ponta dos dedos, era a inteira soli­dão. Como não aguento com os ner­vos, pus-me outra vez a pen­sar e lembrei-me de já ter visto aquela soli­dão, tam­bém ao volante. Guiava-a Richard Gere, em <em>Ame­ri­can Gigolo</em>, agora pelas ruas boas de L.A.</p>
<p>Gos­ling e Gere são o herói con­tem­po­râ­neo. São homens de uma soli­dão cal­vi­nista e estão à venda. Gos­ling, em <em>Drive</em>, vende o inex­ce­dí­vel talento de con­du­tor a assal­tan­tes que pre­ci­sam de pôr cinco minu­tos de dis­tân­cia entre o local de assalto e o ponto de fuga. Gere, no <em>Ame­ri­can Gigolo</em>, vende uma hora de orgás­tico paraíso a mulhe­res mais velhas, guiando-lhes os cor­pos como Gos­ling guia os car­ros: com a ponta dos dedos, entre a len­ti­dão gour­met e a exci­ta­ção da velocidade.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzgigolo.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6864" title="zzgigolo" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzgigolo.jpg" alt="" width="385" height="476" /></a>Os heróis de Gos­ling e Gere não com­pre­en­dem, nem dei­xam de com­pre­en­der. Com­pen­sam a apa­rente bur­rice com a osmose com a vida como ela é, as coi­sas como elas são. Ambos têm um total desen­ga­ja­mento emo­ci­o­nal (Ah, não me venham agora com Vítor Gas­par!). São pro­fis­si­o­nais segu­ros da sua uti­li­dade. Ritu­a­li­zam o vazio do dia-a-dia e agem meti­cu­lo­sa­mente: Gos­ling na pre­pa­ra­ção rigo­rosa dos car­ros e tra­jec­tos; Gere na com­bi­na­ção cer­teira das cami­sas, casa­cos e gravata.</p>
<p>O herói con­tem­po­râ­neo é intrans­cen­dente, orça­men­tal e amo­ral. Consola-se na visão nar­cí­sica do seu com­por­ta­mento. Repa­rem, Gos­ling e Gere têm vai­dade nos cor­pos enxu­tos, no frio e metá­lico pro­fis­si­o­na­lismo. Dis­pen­sam a alma, con­ten­tes com a dis­ci­plina do corpo. Bastam-se a si pró­prios e, se ser­vem os outros, assal­tan­tes ou mulhe­res caren­tes, é para os con­ver­ter em objec­tos cli­en­te­la­res. “<em>Este é o meu apar­ta­mento, aqui não vêm mulhe­res</em>”, dirá Richard Gere a uma des­sas clientes.</p>
<p>O herói con­tem­po­râ­neo é um alei­jado emo­ci­o­nal. É-lhe indi­fe­rente o que faz desde que o faça muito bem. Cor­rige o impro­vá­vel engano com vaga­roso silên­cio. Não há porta para o seu apartamento.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no semanário português <a href="http://aeiou.expresso.pt/"><strong>O Expresso</strong></a>.</em></p>
<p><em>msfonseca@netcabo.pt</em></p>
<p><em>Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A CPI que todos aplaudem e o PMDB agradece</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/a-cpi-que-todos-aplaudem-e-o-pmdb-agradece/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 18:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Por alguns meses, vamos ter que aprender a pronunciar o nome Cavendish, a ouvir gravações inconvenientes de diálogos inconvenientes entre o contraventor e seus clientes políticos, e ver a troca de bolas de lama entre os defensores do governo e da oposição. Uma CPI é sempre uma grande catarse midiática e popularesca, porque as pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por alguns meses, vamos ter que aprender a pronunciar o nome Cavendish, a ouvir gravações inconvenientes de diálogos inconvenientes entre o contraventor e seus clientes políticos, e ver a troca de bolas de lama entre os defensores do governo e da oposição.<span id="more-6849"></span></p>
<p>Uma CPI é sempre uma grande catarse midiática e popularesca, porque as pessoas adoram ver a desgraça alheia desfilando diante de seus olhos, principalmente quando em cena estão ex-poderosos que até pouco tempo atrás posavam como pais da pátria ou empresários cheios de poder, grana e influência.</p>
<p>Cada um é algoz de sua vítima predileta: os petistas querem ver lá na cadeira do dragão Demóstenes, Perillo, Leréia e qualquer oposicionista que seja capaz de fornecer um alívio de consciência a quem, desde o mensalão, tem sido obrigado a carregar sozinho a cruz da desonra.</p>
<p>Gostariam de ver na cadeira também o dono da <em>Veja</em> e o repórter que trocou 200 telefonemas com Cachoeira, na esperança de comprovar a existência de uma sinistra conspiração midiática, que naturalmente não existia nos tempos em que eles carregavam a revista debaixo do braço para exibir as denúncias contra os governos Collor e FHC.</p>
<p>Os oposicionistas, numericamente esmagados na composição da Comissão por força da quase insignificância numérica de suas bancadas, sonham em fazer barulho em torno de Agnelo Queiroz,o governador do DF, e das ligações entre a poderosa empreiteira Delta , campeã das obras do PAC, seu ilustre consultor José Dirceu e outras instâncias do governo.</p>
<p>Embora tenha ficado bastante claro que a criação da CPI não alegrou muito a presidente da República, ciente da veracidade do velho bordão de que um evento desses “sempre se sabe onde começa mas nunca onde termina”, e que quem está no governo nunca tem a ganhar com seus desdobramentos, tomaram-se as devidas cautelas para que o trem não saia dos trilhos.</p>
<p>Um acaso do destino reuniu numa espécie de sub-palácio paulistano do Planalto, o Hospital Sírio-Libanês, o convalescente mentor da CPI, ex-presidente Lula, e o “incomum” soba do Senado, José Sarney, que lá estava para ajustar alguns desarranjos biológicos de menor gravidade.</p>
<p>Lá, segundo o jornal <em>O Globo</em>, os compadres políticos ajustaram os relógios estratégicos para que a CPI não saia do controle da esmagadora maioria governista, e para que ela cumpra sua função precípua de produzir barulho suficiente para ofuscar o provável julgamento do mensalão, se o ministro Lewandowsky resolver desengavetá-lo dentro desse prazo.</p>
<p>O fato é que todos, oposição e governo, comemoraram para as suas torcidas a instalação da CPI &#8211; cada um por suas razões.</p>
<p>Quem não tem muita razão para comemorar &#8211; e não comemorou &#8211; foi a presidente Dilma, que possivelmente conseguiu antever como será difícil evitar que o incômodo pelotão da interesseira base aliada &#8211; o poderoso PMDB à frente &#8211; passe a ter cada vez mais oportunidade de criar as suas dificuldades para vender as suas facilidades.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 20/4/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Cachoeira dá as cartas</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 19:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[O bicheiro Carlos Cachoeira, meliante conhecido, pródigo em distribuir e colher benefícios suspeitos entre gente de todos os partidos políticos e em todas as searas da República, é mesmo fenomenal. Um gênio. Encarcerado em Mossoró desde o dia 29 de fevereiro, é ele, e ninguém mais, quem dá as cartas, muitas delas distribuídas, prévia e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O bicheiro Carlos Cachoeira, meliante conhecido, pródigo em distribuir e colher benefícios suspeitos entre gente de todos os partidos políticos e em todas as searas da República, é mesmo fenomenal. Um gênio.<span id="more-6811"></span></p>
<p>Encarcerado em Mossoró desde o dia 29 de fevereiro, é ele, e ninguém mais, quem dá as cartas, muitas delas distribuídas, prévia e cuidadosamente, nos vazamentos a conta-gotas das escutas da Polícia Federal sobre a operação Monte Carlo.</p>
<p>Com uma rede vasta que vai do DEM ao PC do B, do PSDB ao PT, Cachoeira conhece o seu poder de fogo. Sabe o quanto vale uma única palavra sua, seja para inocentar ou afogar de vez alguém no lamaçal mais profundo.</p>
<p>Safo, até então não deu um pio. Talvez fale para quem der mais. A conferir.</p>
<p>Bandido de altas esferas, Cachoeira tem nada menos do que o ex-ministro da Justiça de Lula, Márcio Thomaz Bastos, respondendo por sua defesa. Ao custo de R$ 15 milhões.</p>
<p>O mesmo Thomaz Bastos que aconselhou o ex-ministro Palocci no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo. Que orientou a defesa do então assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, flagrado negociando propina de R$ 100 mil de ninguém menos do que Carlinhos Cachoeira. O mesmo Thomaz Bastos que defende mensaleiros.</p>
<p>Ou seja: quando a dor ultrapassa o calo e pode comprometer o corpo e a alma, ele, Thomaz Bastos, é chamado. E assim foi. De novo.</p>
<p>A contratação do ex-ministro é simbólica. Tem a rubrica de Lula e do PT, que tudo fazem para tentar se aproveitar do escândalo Cachoeira e, a partir dele, misturar todo o joio e o pouco trigo para amenizar o do mensalão, prestes a ser julgado pelo STF.</p>
<p>Acreditam ser possível demonizar a “direita” &#8211; encarnada no senador Demóstenes Torres (ex-DEM), uma personalidade que desafia até a psiquiatria de ponta -, e encrencar os tucanos, pelas ligações perigosas do governador de Goiás Marconi Perillo, o mesmo que avisou Lula sobre a existência do mensalão, muito antes de o esquema vir à tona.</p>
<p>Com instruções e aval do ex-presidente, o PT se movimenta. E sem qualquer constrangimento em rifar o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, petista novato. Que se dane perdê-lo se em jogo está purgar os males de Dirceus, Delúbios, João Cunhas.</p>
<p>Cachoeira continua entre grades. Há muitos que apostam que é possível monitorar danos enquanto Thomaz Bastos segurá-lo. Mas como bandidos não são confiáveis – os que depuseram confirmando recebimento de boladas mensais para votar com o governo Lula são prova disso -, há alguma luz no fim do túnel.</p>
<p>Triste país este, que depende da palavra de malfeitores para lavar a sua honra.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ ">Blog do Noblat</a>, em 15/4/2012.</em></p></blockquote>
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