Bolsonaro é derrotado na Bolívia

Conhecido o vencedor das eleições da Bolívia, os países do continente se apressaram em parabenizar o presidente eleito, Luis Alberto Arce, do Movimento ao Socialismo – MAS. Até Donald Trump observou a liturgia da diplomacia. Houve apenas uma dissonância, o governo brasileiro, que recolheu-se ao silêncio sem disfarçar seu profundo incômodo com o resultado. Continue lendo “Bolsonaro é derrotado na Bolívia”

Bolsonaro abraça a TV Brasil

Abraços são demonstrações de afeto, de alegria ou de força nos momentos de dor. Por vezes, naufragam oportunistas. Por outras são imorais, ilegais ou ambos. Há duas semanas, o caloroso abraço entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Supremo Dias Toffoli selou a reedição dos eternos conluios brasilienses, nos quais os participantes gargalham de quem ousa mexer no arranjo. Na terça-feira, dois outros abraços, desta vez enviados ao presidente durante o jogo Peru x Brasil, também foram simbólicos, escancarando a farsa de que ele teve algum dia a pretensão de extinguir o que nasceu para ser TV Lula e agora é TV Bolsonaro.

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Mentir é de praxe

Não creio que seja possível acreditar que currículos prenhes de mentiras possam passar por verdadeiros nesta era da Internet. É facílimo consultar as universidades citadas e ficar sabendo se aquele título, ou aquele curso, ou aquela graduação, foram verdadeiros. Nada mais fácil. 

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Dupla tentativa de assassinato

Consuma-se nos próximos dias mais um ato do acordão para enterrar a Lava Jato, quando o Senado aprovará o nome de Kassio Nunes para substituir o ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal. Sua sabatina será coisa para inglês ver, apesar dos indícios de fraude em seu currículo. Continue lendo “Dupla tentativa de assassinato”

Deu a louca no mundo

Quem teve o prazer de assistir ao debate entre John Kennedy e Richard Nixon há de ter estranhado muito a decadência dos debatedores eleitorais Donald Trump e Joe Biden. A bem da verdade, horripilante foi o comportamento de Trump; Biden foi mais elegante, mas sem a força que deveria ter exercido para calar o oponente.

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O mercado falou mais alto

Depois de uma semana de bate-cabeças — com os ministros Paulo Guedes e Rogério Marinho quase chegando às vias de fato —, o governo parece ter tomado um chá de juízo e desistido da idéia insana de furar o teto dos gastos para financiar o Renda-Cidadã. Com o recuo, o ministro da Economia saiu da situação “balança mais não cai”, ganhando sobrevida. Continue lendo “O mercado falou mais alto”

Tubaína com o presidente

A descortesia do presidente Jair Bolsonaro ao indicar o substituto do ministro Celso de Mello 12 dias antes da vacância do cargo no STF foi uma desforra a um algoz e muito mais. A real e indisfarçável urgência é acelerar o pouso, em mãos aveludadas, dos casos espinhentos para ele e sua prole. Continue lendo “Tubaína com o presidente”

Tunga na educação

Há um mês o Congresso Nacional aprovou por meio de um amplo consenso a PEC que tornou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica permanente e aumentou o aporte da união para 23%. À época o governo tentou destinar 5% dos novos recursos do fundo para o programa de transferência de renda que pretendia criar, então chamado de Renda Brasil. Havia uma esperteza na manobra arquitetada pela equipe econômica. Como o Fundeb está fora do teto dos gastos, o governo aumentaria suas despesas sem desrespeitar o dispositivo constitucional. Continue lendo “Tunga na educação”

Digitax uma ova!

Por duas vezes em menos de um mês o presidente Jair Bolsonaro detonou as ideias de sua equipe econômica para atendê-lo na criação de um substituto mais generoso para o Bolsa Família, batizado de Renda Brasil. “Não posso tirar dos pobres para dar para os paupérrimos”, esbravejou, indignado. Na mesma semana em que reprisou a frase de efeito, avalizou a reencarnação da CPMF, ressuscitada como Digitax. Optou por tirar também dos paupérrimos para perenizar o dinheiro na veia que inflou sua popularidade. Continue lendo “Digitax uma ova!”

“Vossa Rinocerôncia perdeu um tempo precioso”

Na ânsia de encontrar provas do racismo em Monteiro Lobato e varrer das prateleiras de nossas crianças esse escritor perigosíssimo que fez gerações e gerações aprenderem a gostar de ler e pensar, os que não têm mais nada a fazer no MEC se esqueceram do segundo capítulo de Caçadas de Pedrinho: “Um Rinoceronte Interna-se Nas Matas Brasileiras”.

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Caia na real, presidente!

Pela segunda vez o presidente desperdiçou uma oportunidade de ouro para retirar o Brasil da condição de pária no cenário internacional, ao discursar na abertura da Assembleia da ONU. Se no ano passado Jair Bolsonaro proferiu suas palavras com faca nos dentes e sangue nos olhos, este ano adotou um tom alguns decibéis mais abaixo. Continue lendo “Caia na real, presidente!”

Covardia

Quem poderia dizer que o adjetivo covarde definiria o presidente Jair Bolsonaro, aquele que sempre posou de machão. Nos palanques ele desdenha dos mais de 135 mil mortos pela Covid-19 e dos brasileiros que seguem as regras sanitárias – “ficar em casa é conversinha mole para fracos”. É o atleta que desafiou a pandemia, o valentão que não tem papas na língua. Mas no Planalto é um presidente relutante e medroso, atormentado por invencionices conspiratórias, sem qualquer preparo ou gosto pela governança, para a qual ele e o seu time são os maiores impedimentos. Continue lendo “Covardia”

Ventos ruins e sopros de esperança

Uma década depois da instituição do Dia Mundial da Democracia, 15 de setembro de 2010, o mundo está submerso em uma recessão democrática, que pode se aprofundar nestes tempos de pandemia, como alertou manifesto assinado por 160 intelectuais da América Latina e ex-presidentes, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, Tabaré Vázquez, José Mujica e Mauricio Macri. O marco temporal do recuo da democracia é 2006, quando aumentou o número de países de índole autoritária e de democracias de baixa qualidade. Continue lendo “Ventos ruins e sopros de esperança”

Os zumbis

O calendário gregoriano garante: estamos em 2020. Somos sobreviventes (ainda) de uma pandemia avassaladora que infectou quase 30 milhões de pessoas no mundo, matou 911 mil, 130 mil delas no Brasil. Mas os protagonistas políticos tropicais – e outra meia dúzia de neopopulistas resistentes – teimam em ressuscitar pragas do século passado e de antes disso. De um lado e de outro, nos extremos de direta e esquerda. Continue lendo “Os zumbis”