Há muito mais mortes pela pandemia onde Bolsonaro venceu

Ao tomar a votação no segundo turno de 2018 como um indicador da propensão dos habitantes de um município a seguir os péssimos exemplos e orientações do presidente Bolsonaro, vemos o que se espera: a taxa média de mortalidade por covid nos municípios onde Bolsonaro ganhou é 50% maior do que a média nos municípios onde perdeu. Continue lendo “Há muito mais mortes pela pandemia onde Bolsonaro venceu”

O cachimbo do sectarismo

Vem de longe o sectarismo de parcela da esquerda brasileira. Em diversas passagens da nossa história, confundiu quem era o inimigo a ser batido, fazendo o jogo de quem verdadeiramente ameaçava a democracia. Antes dos anos de chumbo, preferiu combater a conciliação de João Goulart em vez de somar forças em torno da candidatura de Juscelino Kubitschek e assim evitar o golpe militar de 1964. Continue lendo “O cachimbo do sectarismo”

Cai o mito do valentão

Na semana do trágico 31 de março, data que desde os tempos de deputado Jair Bolsonaro glorifica, o presidente tentou endurecer com comandantes militares e acabou enquadrado pelas três Forças. Teve ainda de fazer novas mesuras ao Centrão para agradar o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que o ameaçou com o “sinal amarelo” do impeachment, e ao mensaleiro Valdemar da Costa Neto, dono do PL. Acuado, no dia seguinte aos 57 anos do golpe que pela primeira vez ele não comemorou, o “Rambo Bolsonaro” virou o que sempre foi: um sonoro 1º de abril. Continue lendo “Cai o mito do valentão”

A crise invade os quartéis

A última vez que um presidente da República deflagrou uma crise ao demitir sumariamente um general em posto de comando foi no episódio Sílvio Frota, quando Ernesto Geisel degolou seu ministro da Guerra. Agora, depois de 44 anos, Jair Bolsonaro volta a demitir sumariamente um ministro da Defesa, o general de Exército Fernando Azevedo e Silva. Continue lendo “A crise invade os quartéis”

Uma máscara para Bolsonaro

A progressão geométrica de mortes e doentes, muitos à deriva em hospitais agonizantes – somada à aceleração dos índices de rejeição e à vinculação popular da pandemia com o presidente -, disparou a sirene de alerta do governo antes do “sinal amarelo” emitido por Arthur Lira (PP-AL). A ideia – e o comercial no horário nobre da arqui-inimiga TV Globo demonstra isso – foi lançar uma ofensiva de comunicação para tentar salvar, a qualquer custo, a combalida imagem do capitão.  Continue lendo “Uma máscara para Bolsonaro”

Golpismo a céu aberto

O presidente Jair Bolsonaro tem explicitado, de maneira clara e cristalina, a intenção de implodir a democracia brasileira. Esse é o sentido da frase “só Deus me tira da Presidência” e da ameaça de “tomar medidas drásticas” porque “estão esticando a corda demais”. A cantilena autoritária o leva a tratar as Forças Armadas como “meu exército”, como se elas deixassem de ser instituições de Estado para se transformar em sua guarda pretoriana, leais não à Constituição, mas a ele. Continue lendo “Golpismo a céu aberto”

Ação Direta de Irresponsabilidade

Ele nunca teve qualquer respeito pelo Congresso e demais esferas de poder, sempre fez pouco caso das instituições. (Des)governa pelas redes sociais, escorraçando qualquer um que dele ouse discordar. Agora, via uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra restrições para deter a circulação do coronavírus impostas pelos governadores do Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul, o presidente Jair Bolsonaro materializa em juridiquês a via direta que sempre desejou, sem ser atrapalhado por opositores e intermediários. Continue lendo “Ação Direta de Irresponsabilidade”

O Lampedusa da Saúde

Jair Bolsonaro sentiu necessidade de fazer algo diante da queda de sua popularidade, em decorrência de sua política negacionista, da ameaça que pode representar a CPI da Saúde no Congresso Nacional e da elegibilidade de Lula. A história lhe deu a última oportunidade de ruptura com a desastrada condução no enfrentamento da pandemia: demitir o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e nomear alguém competente para a área. Continue lendo “O Lampedusa da Saúde”

Sob o domínio do mal

Instabilidades política e econômica costumam colocar as instituições em xeque. Se a elas acrescenta-se o mais grave flagelo sanitário dos últimos 100 anos, tudo tende a explodir. E explodiu. Pouco adianta dourar a pílula com a lenga-lenga de que os “homens passam e as instituições ficam”. O Brasil vive uma crise institucional grave, com arreganhos golpistas e inconstitucionalidades rotineiras praticadas por aqueles que deveriam assegurar o cumprimento da lei e proteger a democracia. Continue lendo “Sob o domínio do mal”

Mario Covas: a política por vocação

Max Weber, grande nome da sociologia política, dividia os políticos em duas categorias: os que vivem da política e os que vivem para a política, exercendo-a como um sacerdócio. Mario Covas, cujo falecimento completou 20 anos, foi um desses sacerdotes e, mais que nunca, é um grande exemplo de homem público para os tempos atuais do Brasil. Continue lendo “Mario Covas: a política por vocação”

O homem mau

Jair Bolsonaro é um homem mau. Narcisista (que se acha um mito a ser admirado), psicopata (sem empatia com os outros) e “maquiavelista” (faz o diabo em nome de seus interesses), ele se enquadra com precisão no que a psicologia chama de “tríade obscura” para caracterizar uma “pessoa ruim”. Deveria ser legalmente interditado. Continue lendo “O homem mau”

A guerra perdida

Na última semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou o início do feriado do Purim – festa judaica para celebrar a salvação dos judeus persas, descrita no livro de Ester – e contracenou com um humorista na televisão, combatendo fake news sobre vacinas. No mesmo dia Jair Bolsonaro fez uma live no sentido inverso, para combater o uso de máscaras como medida preventiva ao coronavírus. Os dois episódios ilustram por que Israel é um caso de sucesso na vacinação em massa e o Brasil é uma tragédia de proporções crescentes. Continue lendo “A guerra perdida”

Sob o domínio dos ratos

Relaxamento da lei da improbidade e das regras para prisão de parlamentares, com abrandamento na Lei da Ficha Limpa. O pacote da impunidade, deflagrado fora dos ritos regimentais e com celeridade jamais vista, é o primeiro efeito prático da aliança deletéria entre o centrão e o presidente Jair Bolsonaro, aquele que enganou seus eleitores se dizendo um combatente da corrupção.  Continue lendo “Sob o domínio dos ratos”

O custo da guinada nacional-populista

A Petrobras volta a ter um presidente militar, depois de 32 anos. Desde a campanha “o petróleo é nosso”, a estatal é uma questão sensível para as Forças Armadas. À época, dividiam-se entre “nacionalistas” como Horta Barbosa e Estilack Leal – defensores do monopólio estatal, – e “entreguistas” liderados por Juarez Távora e Eduardo Gomes, adeptos da presença do capital estrangeiro na exploração petrolífera. Continue lendo “O custo da guinada nacional-populista”

Impeachment por traição

Está lá na página 74: “os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais…”. Na página 10, outra garantia: “faremos uma aliança da ordem com o progresso, um governo liberal democrata”. No caput, o compromisso com um “governo decente…sem toma lá-dá-cá, sem acordos espúrios”. Continue lendo “Impeachment por traição”