Hiroshima paira sobre nós

A morte caiu do céu sobre Hiroshima, às 8h45 de 6 de agosto de 1945. Do ventre do Enola Gay, um bombardeiro B-29, saiu o primeiro artefato nuclear usado em uma guerra. A bomba atômica tinha um nome inofensivo, Little Boy, mas era terrivelmente mortífera. Cento e quarenta mil pessoas perderam suas vidas em Hiroshima. Outras 70 mil morreriam dias depois, quando a segunda bomba estourou em Nagasaki. Mais 130 mil morreriam até 1950 em consequência da radiação. Continue lendo “Hiroshima paira sobre nós”

Bicho-do-mofo

Seis meses depois de assumir a Presidência, Jair Bolsonaro desdisse o que pregara durante a campanha: disputaria o cargo novamente. Não é surpresa, portanto, vê-lo nos palanques, chapéu de couro em lombo de cavalo, inaugurando obras já inauguradas por antecessores. Mais complexa é a equação de sobrevivência que o levou a jogar no lixo, deliberadamente, um dos seus maiores trunfos eleitorais – a promessa de combate inflexível à corrupção. Continue lendo “Bicho-do-mofo”

Notícias do Arco da Velha

Passamos por um período horroroso, cruel, que nos faz sofrer muito. Difícil escapar da angústia, da tristeza. Dá vontade de não ler os jornais, queremos nos proteger de tanta dor. Mas fica na vontade, pois é impossível deixar de acompanhar o noticiário. Continue lendo “Notícias do Arco da Velha”

De Ulysses a Maia

Desde os tempos de Ulysses Guimarães a Câmara de Deputados não tinha uma liderança que simbolizasse tanto a autonomia e a independência do Poder Legislativo como Rodrigo Maia. Paralelos entre o Senhor Diretas e o atual presidente da Câmara são perigosos porque são personalidades diferentes em contextos históricos totalmente distintos. Mas, como o saudoso Ulysses, Maia tem a habilidade, o gosto e o traquejo da grande política. Sabe como poucos movimentar suas peças e desnortear quem se opõe a seus planos. Continue lendo “De Ulysses a Maia”

Com o chapéu alheio

A semana começa com a expectativa de que o Senado ratifique o novo Fundeb, tecido, negociado e aprovado pela Câmara dos Deputados a partir de consensos com educadores e gestores estaduais e municipais. Essencial para o financiamento do ensino básico, o Fundo foi tratado com absoluto descaso pelo Executivo, mas isso não impediu que o presidente Jair Bolsonaro se vangloriasse: “o governo conseguiu mais uma vitória”. Coroou-se com louros aos quais não faz jus. Continue lendo “Com o chapéu alheio”

Fundeb: todos saem ganhando

Pela via do acordo entre governo e Parlamento, a Educação respira aliviada após a aprovação do texto base da PEC do novo Fundeb. É uma vitória significativa com impacto positivo no ensino básico. Basta citar que o valor mínimo investido por aluno  por ano irá saltar de R$ 3.700,00 para R$ 5.700,00 O texto aprovado preserva, no essencial, o parecer original da relatora da Emenda Constitucional, deputada Dorinha Rezende (DEM). Continue lendo “Fundeb: todos saem ganhando”

Proposta indecente

Não é palatável, deglutível, muito menos justo. Mas a pandemia desdenhada pelo presidente Jair Bolsonaro, que escancarou sua desumanidade diante do flagelo de milhares de brasileiros (sua incapacidade de governar há muito já se tornara ferida exposta) pode, ironicamente, salvá-lo. Continue lendo “Proposta indecente”

É possível conciliar fundamentalismo religioso e educação moderna?

Com a posse de Milton Ribeiro, o primeiro grande desafio do novo ministro da Educação será reverter o ceticismo quanto à possibilidade da pasta voltar a ter um papel protagonista, após um ano e meio de omissão em questões vitais para o ensino público. Os descalabros das gestões Ricardo Velez e Abraham Weintraub, o episódio burlesco da indicação de Carlos Alberto Decotelli e a fritura de Renato Feder levaram a Educação ao portal do inferno de Dante: “abandonai todas as esperanças, oh vós que entrais”. Continue lendo “É possível conciliar fundamentalismo religioso e educação moderna?”

Aprender a ler

Ler não é apenas saber unir fonemas. O mais importante é compreender o que se está lendo. Alfabetizar é saber interpretar o que se lê. E é isso de que a escola brasileira mais necessita: ensinar o alfabetizando a saber interpretar, compreender o que está lendo. Continue lendo “Aprender a ler”

A questão militar contemporânea

Os militares voltam a ter visibilidade e protagonismo na vida política nacional, depois de 35 anos dedicados exclusivamente às suas funções profissionais e constitucionais. Hoje já são quase 3 mil ocupando cargos no governo Jair Bolsonaro, sem contar os da reserva ou o grupo palaciano de generais em postos estratégicos. Continue lendo “A questão militar contemporânea”

Diplomacia em cacos

O reiterado descaso do presidente Jair Bolsonaro pela pandemia que já tirou a vida de mais de 70 mil brasileiros tem um rival quase imbatível: o desempenho do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, na dupla tarefa de desacreditar o vírus e o Brasil. Continue lendo “Diplomacia em cacos”

A gripezinha do capitão

Depois de anunciar a um grupelho (convidado) de jornalistas que seu teste para a Covid-19 dera positivo, o capitão, sorridente, tirou a máscara para que os profissionais da Imprensa pudessem ver como ele estava bem. Verdade, estava com ótimo aspecto, a gripezinha não estava minando suas forças. Continue lendo “A gripezinha do capitão”

Isolado do mundo

No dia 24 de setembro 2019, Jair Bolsonaro desperdiçou uma oportunidade de ouro para se colocar em sintonia com o concerto das nações civilizadas. Estava no primeiro ano do seu mandato e abriria a Assembléia Geral da ONU, uma tradição que vem desde os tempos de Osvaldo Aranha. Havia enorme expectativa diante de seu discurso em virtude da divulgação de números que apontavam o avanço do desmatamento da Amazônia, fruto de atividades ilegais e das queimadas. Continue lendo “Isolado do mundo”

Propaganda enganosa

O ministro pode ser simpático e, dizem, habilidoso. Mas, em meio à trágica tríplice crise – sanitária, econômica e social -, a ideia de Fábio Faria de ressuscitar a TV Brasil Internacional para melhorar a imagem do país no exterior beira o ultraje. Marquetagem alguma será capaz de inverter um governo que se orgulha de ser negacionista e antiglobalista, contrário a boa parte das agendas que unem a maioria das nações – da saúde ao clima, da democracia à diversidade.  Continue lendo “Propaganda enganosa”