Tem que tirar o terrorista, o subversivo, o louco

É tudo patético, é tudo muito triste, horroroso, deprimente, depressivo, desanimador, desalentador. Apesar de ter vindo para substituir o que tinha ampla aprovação da população e fazia um bom trabalho neste terrível tempo da Peste, apesar de ter vindo porque o anterior defendia o confinamento, o isolamento social, o novo ministro da Saúde afirma que cada área do país deve decidir o que fazer, de acordo com a sua realidade. Continue lendo “Tem que tirar o terrorista, o subversivo, o louco”

Subversão da ordem

“O Congresso é hoje um poder que está comprometido, que se compõe de uma minoria de privilegiados. Aquele Congresso não dará mais nada ao povo brasileiro. Por que não transferir a decisão para o próprio povo brasileiro, fonte de todo o poder?” Continue lendo “Subversão da ordem”

Gente boa perdendo a razão

Dezesseis meses de Jair Bolsonaro na Presidência da República, após aquela quantidade imensa de tempo de Lula e Dilma, quase 16 anos, deixaram muitas pessoas boas, sãs, inteligentes, educadas, se não à beira de um ataque de nervos, à beira de momentos de perda de razão. Continue lendo “Gente boa perdendo a razão”

Sylvia levou Joyce ao colo

Toda a lésbica tem em si uma missionária. E peço já que não me crucifiquem, que a Páscoa já passou deixando a ressurreição pela hora da morte. A missionária que toda a lésbica acrisola não é tese minha, mas sim de Diana Souhami, tese vertida no seu livro No Modernism Without Lesbians. Continue lendo “Sylvia levou Joyce ao colo”

Cabresto virtual

Depois de criticar o ministro Alexandre de Moraes e afirmar que a suspensão da posse de Alexandre Ramagem na diretoria-geral da Polícia Federal quase criou um “incidente institucional”, o presidente Jair Bolsonaro atribuiu sua reincidente descompostura a um “desabafo”. Mas estava dada a senha. No feriado da sexta-feira, as redes foram pilhadas freneticamente por xingamentos a Moraes e ao decano Celso de Mello – que teria privilegiado o ex-ministro Sérgio Moro -, com a repetição da frase “O STF opera em modo golpe de estado” e a hashtag #GolpedeEstado. Continue lendo “Cabresto virtual”

Messias às Avessas!

Brasil, 28/04/2020.

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, “Mas é a vida. Amanhã vou eu. Logicamente, a gente quer ter uma morte digna e deixar uma boa história para trás. O que eu mais quero é entregar um Brasil muito melhor do que eu recebi para quem vier me suceder.” Continue lendo “Messias às Avessas!”

Nirlando Beirão

Nirlando Beirão não era apenas um dos melhores textos do jornalismo brasileiro. Sim, isso ele era, e tenho absoluta certeza de que ninguém discutiria sobre o assunto. É uma certeza unânime. Continue lendo “Nirlando Beirão”

Frevo lusitano

O isolamento faz a mente viajar por baús de lembranças, muitas delas já a pedir uma boa espanada na poeira. Por algum motivo, voltou-me à cabeça um tombo. Um tombo antigo, tombo de estudante num Portugal pós-revolução. Foi mais ou menos assim… Continue lendo “Frevo lusitano”

Há 102 anos, a terrível pandemia

Foram muitas, muitas casas de São Paulo com um pequeno pedaço de papel colado à porta. O sinistro papelucho era marcado pela tarja preta do luto. Antes que as mortes chegassem a centenas – a milhares -, ainda havia alguma esperança. A gripe espanhola matava milhões, na Europa e nos Estados Unidos, e em todo o mundo. Continue lendo “Há 102 anos, a terrível pandemia”

Kit de sobrevivência

Bolsonaro entrou no modo “sobreviver é preciso”. Com o ministro do Supremo Celso de Mello autorizando abertura de inquérito contra ele, mais de 31 pedidos de impeachment na gaveta de Rodrigo Maia e podendo ser atingido ainda por outros dois inquéritos, o presidente partiu para reforçar a sua linha de defesa. Continue lendo “Kit de sobrevivência”

Adagio para Nova Yorque

Destruir Nova Iorque é como apagar o “Cântico dos Cânticos” da Bíblia. Nova Iorque transmite ao mundo uma energia tão sublime como “os beijos da tua boca, amor melhor do que o vinho”, que o amado e a amada reciprocamente louvam no “Cântico”. Lembro-me da minha primeira vez, antes desses aviões-bomba que pulverizaram as Torres Gémeas, muito antes deste vírus que agora enterra nova-iorquinos em valas comuns. Continue lendo “Adagio para Nova Yorque”