A imagem da tragédia

Alfredo Rizzutti faria uma foto comovente, em uma igreja de Tubarão, cidade catarinense devastada por uma enchente colossal. Quando deixamos a sede do Jornal da Tarde, no entanto, não tínhamos a menor certeza de que conseguiríamos chegar ao palco da tragédia. Tubarão estava isolada. Continue lendo “A imagem da tragédia”

Não posso nem ver-te

Cortou-a em pedaços. Com um machado. William Kemmler era atarracado e tão bêbado como pai e mãe, imigrantes alemães, a quem o pesado álcool abreviou a escassa vida. A 29 de Março de 1888, num bairro da lata de Buffalo, no estado de Nova Iorque, Kemmler acordou com aquela ressaca bolsonara e estado de espírito trumpiano de não posso nem ver-te, quanto mais ouvir-te. Continue lendo “Não posso nem ver-te”

Pobre soberania nacional

Cada sociedade deve resolver seus dilemas nacionais de forma autônoma, sem subordinação ou dependência. Mas não são poucos os governantes que vilipendiam a grandeza desse conceito, alegando ameaças à soberania da nação para esconder fatos, justificar erros, abusos e tiranias, reescrever a história e, de quebra, animar as tropas. Continue lendo “Pobre soberania nacional”

É fogo!

É fogo 1!

Nesta semana, em meio a muito fogo, o presidente lança um fumacê sobre as ONGs da Amazônia, e uma enorme nuvem preta paira sobre os céus do Brasil, com repercussão internacional. Continue lendo “É fogo!”

De volta!

Embarquei para a Rússia em 27 de junho para o que seria uma viagem de 20 dias – três em Amsterdã, nove em Moscou e o restante em São Petersburgo. Viagem em família, com três gerações – minha mãe, companheirona de várias trips, minha irmã Mílcia e a filha dela, sobrinha única, Rejane. Continue lendo “De volta!”

A Terceira Lei de Newton

Até agora o nacional-populismo avançou livre, leve e solto no continente europeu, sem que houvesse uma reação na mesma direção, com a mesma intensidade e sentido contrário. Sim, a Terceira Lei de Newton vale também para a política e começa a aparecer na Europa, com o movimento de união de partidos de esquerda e de centro para evitar o avanço dos radicais da extrema direita. Continue lendo “A Terceira Lei de Newton”

A mulher casada

Nicolas um ano antes do fim

Matou-se. Lançou-se de um terraço, em Antibes. Era órfão, exilado e príncipe russo. Pintor sobretudo. Do terraço fatal via-se o mar, essa oscilante antecipação da eternidade. Continue lendo “A mulher casada”

Escatologia!

Depois de passar a semana ouvindo essa palavra por parte de críticos do presidente da República, fui pesquisar sua origem no Google só pra me certificar. Descobri dois significados diferentes para “escatologia” no dicionário Priberam. (Me lembrei agora do Aurélio. Que fim deu ele?) Continue lendo “Escatologia!”

A anistia faz 40 anos

Faria bem ao país se Jair Bolsonaro deixasse de mirar no retrovisor e zelasse pela pacificação conquistada graças à engenharia política que nos permitiu virar a página dos anos de chumbo e ingressar no maior período democrático de nossa história. Continue lendo “A anistia faz 40 anos”

Marina e seu tempo

Estávamos brincando de supermercado. Eu tinha sido o comprador e Marina, a caixa do supermercado. Era a vez dela de ser a compradora, e eu, o caixa. Ela observou duas medalhas que havia para vender, e disse que não sabia qual delas o Elmo, o filho, iria querer. Continue lendo “Marina e seu tempo”

Nunca casou comigo

As duas mulheres levantam-se e dirigem-se à porta. Não é uma porta qualquer. É uma porta que abre para uma rua nova-iorquina dos anos 30. Qual das duas mulheres, Dorothy Parker ou Clare Boothe Luce, sairá primeiro? Qual delas dará prioridade à outra depois de uma primeira conversa que mais parecia uma venenosa batalha de talentos? Continue lendo “Nunca casou comigo”