Populismo em rede

A mistura de política com entretenimento não é novidade. Era assídua nas marchinhas de carnaval, na música popular, e continua arrancando gargalhadas nos programas humorísticos de TV. Artistas sempre foram bons cabos eleitorais e showmícios faziam parte das campanhas até serem proibidos pelo Supremo, em 2006. Tudo para lá de inocente perto do que se vê nas redes sociais, ambiente em que a política virou um reality show sob medida para o populismo de ocasião.  Continue lendo “Populismo em rede”

O Papa é Pop?

Entra ano, sai ano e a tacanhez de certas mentes humanas continua a mesma.

Isso ficou bem evidente nesse primeiro dia de 2020, que foi marcado por um cacete quase que generalizado no Papa Francisco nas redes sociais. Continue lendo “O Papa é Pop?”

A ilha suicida

Eis o que sendo humano me é estranho: o suicídio. Jamais me passou pela cabeça. Ora, há cem anos, a cabeça de Dorothy Parker era uma ilha suicida. Uma ilha batida por terríveis ondas do tamanho das ondas da Nazaré. Continue lendo “A ilha suicida”

O Brasil de Bolsonaro

A acirrada guerra entre os extremos, marca registrada de 2019, ganhou novos gladiadores no final do ano. Agregou à arena lavajatistas versus bolsonaristas. O conflito irado em seu próprio campo mexeu fundo com o presidente, escancarando sua dependência quase doentia às redes sociais e a já sabida primazia que dá aos filhos – acima do Brasil e, sabe-se lá, de Deus.  Continue lendo “O Brasil de Bolsonaro”

Sue Lyon

A morte de Sue Lyon me deixa absolutamente chocado por um fato que, afinal, eu deveria conhecer bem demais: estou muito velho. Continue lendo “Sue Lyon”

Obrigada, Netflix

Dirigido por Fernando Meireles, Dois Papas, narra um momento decisivo para a Igreja Católica. O drama traz a amizade surpreendente entre o Papa Bento XVI com o então futuro papa Francisco. Representados por Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, os religiosos conversam sobre várias questões, desde música até opiniões opostas sobre religiões. Continue lendo “Obrigada, Netflix”

Apesar de você amanhã há de ser outro dia

Em 1970, o compositor Chico Buarque, revoltado com a falta de liberdade imposta pela ditadura militar, gravou essa música endereçada ao general Garrastazu Médici. E quando a ficha dele caiu, proibiu a execução da canção em todas as rádios do país. Ela só voltou a ser tocada em 1978, quando o general Ernesto Geisel, um pouco mais liberal que os colegas ditadores que o antecederam, assumiu a Presidência da República. Continue lendo “Apesar de você amanhã há de ser outro dia”

A década perdida é obra do PT

Vivemos num país de memória curta, e então é preciso repetir sempre algumas verdades básicas. O jornalista Fábio Alves conseguiu sintetizar com perfeição e clareza, em artigo publicado no Estadão no dia de Natal, exatamente como o governo lulo-petista provocou a maior crise econômica da História do Brasil, da qual não conseguimos sair inteiramente até hoje. Continue lendo “A década perdida é obra do PT”

Entre a ideologia e o pragmatismo

Em um ano houve uma nítida mudança de rota na relação entre o governo Bolsonaro e a China. O presidente se elegeu dizendo que os chineses queriam comprar o Brasil e prometendo alinhamento automático com os Estados Unidos. O pragmatismo, contudo, falou mais alto, como evidenciaram a viagem ao país de Xi Jinping e o Brics-2019, realizado em Brasília. Continue lendo “Entre a ideologia e o pragmatismo”

Sons do Natal

E então é Natal, como nos lembra Simone, essa mulher que chega aos 70 anos belíssima como o pôr-do-sol visto do Porto da Barra da cidade em que nasceu. Quando John Lennon canta exatamente a mesma frase, and so this is Christmas, ninguém enche o saco – ela reclamou, com carradas de razão. Já se é ela, todo mundo chia. Continue lendo “Sons do Natal”

A deliciosa tradição do capeletti

Nos meus treze, catorze anos, comprei madeira e construí um cavalete, com séria intenção de fazer desenhos a carvão. O cavalete sustentava uma prancha de uns setenta por sessenta centímetros, que recebia a folha de papel. Desenhos, mesmo, fiz poucos. Mas minha mãe, Elza, gostou muito da prancha. Continue lendo “A deliciosa tradição do capeletti”

Prazer proibido

Há rios de champanhe na vida de Orson Welles. E eu devia ter escrito “champagne”, sem cedências ortográficas, com o mesmo imperativo com que Welles o exigia estupidamente gelado, quando, confessando-se a Deus, disse: “Há três coisas intoleráveis na vida, café frio, champanhe morno e mulheres sobrexcitadas.” Continue lendo “Prazer proibido”

Populismo com Fundo

Goste-se ou não dele, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, nome pomposo para injetar dinheiro público no custeio eleitoral, é lei, aprovada pela maioria da Câmara e do Senado há dois anos. Portanto só pode ser suspenso ou alterado por outra lei.  Continue lendo “Populismo com Fundo”