Porto Alegre, uma fascinante cidade onde não vale o que está escrito

Em Porto Alegre, ao contrário de no Brasil do jogo do bicho, não vale o que está escrito. E a maior atração da cidade é – como dizem a respeito da macheza da gente daquele estranho país ao Sul de Santa Catarina – uma ficção. Ou, no mínimo, uma gigantesca dúvida. Continue lendo “Porto Alegre, uma fascinante cidade onde não vale o que está escrito”

A volta do dom divino que a fé em Alá calou

Se você ainda não ouviu, vá atrás de um disco chamado An Other Cup, de um tal de Yusuf. Esse sujeito é um dos dois maiores, melhores e mais profícuos criadores de melodias pop dos últimos 60 anos. Igual a ele, só Paul McCartney. Continue lendo “A volta do dom divino que a fé em Alá calou”

Seu Rona

Quarenta anos depois, me peguei pensando que aprendi coisas importantes com o Seu Rona.

Vojtech Rona. Nasceu na Hungria, veio para o Brasil na época da Guerra, creio, e se radicou em Curitiba. Era uma pessoa educadíssima, de imensa cultura geral; tinha lido muito, gostava de música erudita e era um grande entendido do assunto. Quando o conheci, em 1967, tinha 17 anos, e ele me parecia muito velho, como as pessoas que já passaram dos 50 parecem aos jovens. Continue lendo “Seu Rona”

Uma reportagem subjetiva sobre os anos de chumbo, piração e amor

Cada geração tem sua década, o conjunto dos anos em que era jovem e portanto seus sonhos eram tão fortes e poderosos que parecia ser possível realizá-los. A jornalista Lucy Dias teve a sorte grande (e, junto com ela, o terrível azar) de ter tido como sua a década de 70, aquela que, no Brasil, mais ainda que a de 60, mudou absolutamente tudo, ou quase tudo. Continue lendo “Uma reportagem subjetiva sobre os anos de chumbo, piração e amor”

Em dois personagens de Gregory Peck, uma lição de vida

Gregory Peck interpretou muitos personagens dignos, altivos, em sua belíssima carreira. Há o janota que parece covarde de Da Terra Nascem os Homens; o militar determinado de Os Canhões de Navarone; o advogado bom pai, bom marido, mas temeroso, de Círculo do Medo; o jornalista que leva a princesa Audrey Hepburn para seu apaertamento e não encosta nela porque ela estava sonadinha, de A Princesa e o Plebeu – e tantos outros. Mas dois deles, em especial, são extremamente marcantes. Continue lendo “Em dois personagens de Gregory Peck, uma lição de vida”

With all the clarity of dream (*)

O que foi pedido: A short love, horror or funny story, usando expressões como As flat as a pancake, As good as gold, As pretty as a picture, As quiet as a mouse, etc

 O que foi entregue:

 Instead of A short love, horror or funny story,

A short love, horror and (slightly) funny story Continue lendo “With all the clarity of dream (*)”

Dylan Volume 3 – Batendo na porta do céu

Dizem as revistas semanais que 1997 foi o ano da morte de Diana, o ano das fotos feitas pelo filhotinho do satélite em Marte, o ano de Dolly, a ovelha clone, o ano de Débora, a sem-terra que apareceu em foto no Estadão e depois virou sem-roupa e agora é com-programa. Continue lendo “Dylan Volume 3 – Batendo na porta do céu”

O magistral fracasso de Paul Simon

Estou há três semanas absolutamente apaixonado por um disco. Claro, isso já aconteceu antes. Mas a intensidade da paixão é rara. Tipo assim Abbey Road, em 1970, ou o do Chico com “Construção”, dessa mesma época, e uns outros poucos. Paixão com a força da juventude.  Continue lendo “O magistral fracasso de Paul Simon”

As músicas que embalaram nossas paixões

Os mais jovens, mais inexperientes (uma pena; ainda bem que a juventude é uma doença que o tempo cura), não sabem o que é isso. Mas que maravilha era “Besame Mucho” com Ray Conniff e sua orquestra. Aquelas paradinhas marotas, depois do pa-pa-rã dos metais, eram uma total delícia. Nada mais fácil do que ter uma paixonite por quem sabia dançar bem nos bailinhos do começo dos anos 60 – ainda mais depois de um cuba libre. Continue lendo “As músicas que embalaram nossas paixões”

Orlando Silva, o melhor cantor do Brasil

Os três CDs da caixa Orlando Silva, O Cantor das Multidões, ajudam, da maneira mais límpida possível, a reafirmar algumas verdades e a destruir mitos que durante muito tempo foram tidos como verdadeiros. Além, naturalmente, de proporcionarem o mais fino prazer a todos as pessoas de ouvidos sensíveis. Continue lendo “Orlando Silva, o melhor cantor do Brasil”

Para abrir o coração dos homens

Os protagonistas são todos homens, adultos, instruídos, com dinheiro no banco. Durante três dias, eles se reuniram em um local isolado, no meio do mato, a menos de 70 quilômetros do Centro de São Paulo, e viveram cenas como estas:

* O homem olha demoradamente dentro dos olhos do outro, à sua frente, e diz: ”Eu sou seu pai, eu sou seu irmão, eu sou seu filho”. Ele responde com a mesma frase. Em seguida, cada um troca de parceiro, olha demoradamente dentro dos olhos do outro, e diz ser seu pai, seu irmão, seu filho. Continue lendo “Para abrir o coração dos homens”