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	<title>50 Anos de Textos</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>O Brasil sem voz</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 14:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<description><![CDATA[Existem dois Brasis convivendo: o da fantasia virtual, retratado por uma boa parte da imprensa e pelas chamadas redes sociais, e o real, aquele onde as pessoas vivem de verdade. No mundo da fantasia, impõe-se aquele que faz mais barulho. Se você perder um dia navegando pelas redes sociais ou fazendo pesquisas temáticas no Google, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existem dois Brasis convivendo: o da fantasia virtual, retratado por uma boa parte da imprensa e pelas chamadas redes sociais, e o real, aquele onde as pessoas vivem de verdade.<span id="more-6346"></span></p>
<p>No mundo da fantasia, impõe-se aquele que faz mais barulho. Se você perder um dia navegando pelas redes sociais ou fazendo pesquisas temáticas no Google, vai achar que estamos às vésperas da queda da Bastilha ou da tomada do Palácio de Inverno.</p>
<p>Se uma simples manifestação contra o prefeito de São Paulo é convocada por uma lista assinada por 106 entidades (ao que parece, a manifestação não conseguiu reunir nem um representante de cada uma delas), e considerando que cada uma delas deve ter um site, é porque a revolução social está às portas.  Já chegamos ao estágio mais avançado da guerra de posições de Gramsci e a hegemonia ideológica sobre os aparelhos de Estado já foi alcançada.</p>
<p>Agora é só calar os adversários do outro mundo possível e partir para o abraço, jogar a camisa para a torcida e comemorar a vitória.</p>
<p>O diabo é que o Brasil real, aquele que está fora dos holofotes e dos megafones, que não tem tempo de esbravejar, que trabalha e cuida da sobrevivência da família, está ali, quieto, e só se manifesta quando é consultado.</p>
<p>E quando é consultado dá pontapés na lógica politicamente correta e bem pensante, para desespero dos “maîtres-à-penser” que têm nojinho dessa pobre gente que ainda não leu Pierre Bourdieu e sequer sabe que é alienada e instrumento da burguesia.</p>
<p>Pois a hecatombe social da retomada da Cracolândia é aprovada por 82% das pessoas. Esse mesmo povinho desagradável é contra o aborto, a a favor da diminuição da maioridade penal, quer maior rigor contra o crime e um monte de outras barbaridades. E quando é entrevistado pelo Datafolha ,47% deles se dizem de direita.</p>
<p>Mas votam num governo que se diz de esquerda. Vá entender.</p>
<p>Mas eles votam em Lula e Dilma, que são pessoas e não programas partidários, e elegem 88 deputados federais do PT num universo de 5l3, o que dá 17,1% do total. Há um evidente descolamento entre o petismo e o lulismo e seus derivados.</p>
<p>Não é à-toa que Gilberto Carvalho, o coroinha das boas causas, quer criar mídias específicas para a classe C, a tal da classe emergente, para disputar com as igrejas evangélicas o controle de suas mentes. Veja bem: não se trata de persuadir, trata-se de controlar. ”O governo não pode ter ciúme das clientelas que não batem mais às suas portas”, disse o filósofo.</p>
<p>E por clientelas ele quis dizer isso mesmo: clientelas.E quando ele fala governo, pensa partido, porque essas duas entidades, para certo tipo de pensamento, são a mesma coisa.</p>
<p>Na quilométrica defasagem que existe entre o país virtual e o país real há um abismo onde os partidos ditos de oposição se atiram alegremente dia após dias, como naquele penhasco de onde saltam os intrépidos banhistas de Acapulco. Só que os banhistas mergulham, nadam e voltam. A oposição, não, ela se afoga, porque nessa água não sabe como nadar.</p>
<p>À esquerda há os partidos de esquerda, com suas fantasias e seus sonhos hegemônicos; à direita não há nada, sequer um partido decente, e a grande massa da representação politica se concentra no enxame de partidos amorfos e fisiológicos cujo único princípio é o poder pelo poder para poder tirar proveito do poder.</p>
<p>Resultado: mais da metade do Brasil não tem quem fale por ela.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 3/2/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Más notícias do país de Dilma (38)</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 13:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma frase da presidente Dilma Rousseff, em especial, no meio de suas desastradas declarações em Havana, me chamou atenção. Não tanto pelo conteúdo – o conteúdo é um horror, é claro, como tudo o que ela disse sobre direitos humanos na ilha –, mas pela forma. “Nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma frase da presidente Dilma Rousseff, em especial, no meio de suas desastradas declarações em Havana, me chamou atenção. Não tanto pelo conteúdo – o conteúdo é um horror, é claro, como tudo o que ela disse sobre direitos humanos na ilha –, mas pela forma.<span id="more-6339"></span></p>
<p>“Nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos, a respeito de uma base aqui chamada Guantánamo, direitos humanos em todos os lugares.”</p>
<p>A construção dessa frase – ou melhor, a falta de construção – demonstra, com clareza absoluta, algo que já sabíamos todos, em especial desde a campanha eleitoral, mas que continua a ser surpreendente: a presidente da sexta maior economia do planeta não sabe falar. Não sabe expressar uma idéia numa frase que tenha nexo.</p>
<p>E, afora toda a forma tatibitate da frase, ainda tem esta pérola: “A respeito de uma base aqui chamada Guantánamo.” Meu Deus do céu e também da terra, a base não se chama Guantánamo, apenas fica em Guantánamo.</p>
<p>Claro que isso é apenas um detalhe. O conteúdo todo das declarações de Dilma em Cuba é estarrecedor. Mas é um detalhe que de fato demonstra claramente esta verdade: Dilma Rousseff não é apenas incompetente para governar. É incompetente até mesmo para falar.</p>
<p>Os editorialistas de <em>O Estado de S. Paulo</em> notaram esse detalhe formal do tatibitate no meio do conteúdo vergonhoso. Está no editorial “Dilma desandou”, de quinta-feira, 2/2:</p>
<p>Critique-se Dilma não pelo que calou, mas pelo que falou. <strong>Exprimir-se, como se sabe, é uma peleja para a presidente</strong> &#8211; talvez por isso seja tão avara com as palavras em público. (Há quem diga que quem não fala bem não pensa bem, mas esse, quem sabe, é outro assunto.) Perguntada pelos jornalistas que a acompanhavam sobre direitos humanos em Cuba, Dilma desandou. Poderia ter respondido protocolarmente que, dada a sua condição de chefe de Estado visitante, não poderia se manifestar sobre questões internas do país anfitrião, como seria inadmissível que um hóspede oficial do governo brasileiro fizesse algo do gênero em relação ao País &#8211; e ponto final. Em vez disso, saiu-se com um bestialógico sobre o ‘telhado de vidro’ sob o qual estaria o mundo inteiro, democracias e ditaduras, nessa matéria.”</p>
<p>(O grifo é meu.)</p>
<p>Ah, sim: na mesma semana, caiu mais um ministro. O nono a sair, em 14 meses incompletos de governo (credo, ainda faltam 34 meses!), o sétimo por suspeitas de irregularidades. Sai zero à esquerda, entra nulidade: “Mário Negroponte deixou o Ministério das Cidades, mas seu PP continuará comandando a pasta. Assumirá o hoje líder do partido na Câmara, Aguinaldo Ribeiro, da Paraíba, que responde a ações no SF e indicou a cidade administrada por sua mãe para receber verbas”, como diz <em>O Globo</em>.</p>
<p>Aqui vai a 38ª <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/">compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>. Reúne material publicado nos jornais entre a sexta passada, 27 de janeiro, e a quinta, 2 de fevereiro. Está imensa, interminável. A culpa não é minha: é do governo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A diplomacia do país que já foi de Rio Branco: Dilma e o mundo</strong></p>
<p> <strong>* “País importante pratica diplomacia de adulto. O Brasil já fez isso em outros tempos”</strong></p>
<p>“O governo brasileiro continua fazendo diplomacia alternativa, como se isso fizesse grande diferença para o mundo ou &#8211; mais importante &#8211; produzisse algum benefício para o País. Sábado passado (<em>28/1</em>), representantes do Brasil, da Índia e da África do Sul emitiram um comunicado para manifestar sua preocupação diante da crise global e para cobrar a conclusão, no menor prazo possível, da Rodada Doha de negociações comerciais &#8211; como se esse projeto tivesse algum sentido prático neste momento. O fantástico documento foi o resultado de uma conferência entre o chanceler Antônio Patriota, e os ministros indiano e sul-africano do Comércio, Anand Sharma e Rob Davies. O texto foi pomposamente apresentado como Declaração final do Encontro Ministerial Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) à margem do Fórum Econômico Mundial.</p>
<p>“A criação do Ibas foi uma das muitas manifestações do terceiro-mundismo erigido como orientação da política externa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Político astuto e indiscutivelmente hábil no plano interno, o presidente Lula se comportou, no cenário internacional, como se nunca houvesse deixado o palanque de Vila Euclides. Sua concepção de diplomacia reflete uma visão muito simples do mundo, temperada pelo esquerdismo provinciano de assessores de sua confiança. Um deles chegou a qualificar a Rússia como um país ‘geograficamente do Norte e geopoliticamente do Sul’. Essa percepção do jogo internacional explica as parcerias ‘estratégicas’ concebidas a partir de 2003. Não por acaso o documento do Ibas termina com uma reafirmação da ‘fé na cooperação Sul-Sul, uma parceria entre iguais’. Os ganhos políticos e econômicos obtidos com essa parceria são conhecidos. Os africanos votaram no francês Pascal Lamy, quando o Brasil apresentou um candidato a diretor-geral da OMC. O apoio foi mínimo, na vizinhança, quando um brasileiro disputou a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, conquistada por um colombiano. O governo chinês jamais apoiou a pretensão brasileira a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Latino-americanos também têm recusado esse apoio. É longa a lista de exemplos semelhantes. (&#8230;)</p>
<p>“Foi simplesmente grotesca a ideia de realizar em Davos, ‘à margem da reunião do Fórum Econômico Mundial’, um encontro para manifestar preocupação diante da crise. Foi esse o tema dominante da reunião, durante a semana toda, e dezenas de chefes de governo, ministros, acadêmicos, financistas, empresários e sindicalistas discutiram o quadro internacional, principalmente o europeu, debateram soluções e participaram de um intenso e às vezes áspero jogo de pressões. O Brasil, orgulhosamente apontado como a sexta maior economia do mundo, ficou fora desse jogo, envolvido na obscuridade e na irrelevância da diplomacia alternativa. País importante pratica diplomacia de adulto. O Brasil já fez isso em outros tempos.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 31/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “A presidente Dilma Roussef escolheu a obscuridade e a omissão”</strong></p>
<p>“Sem o exotismo rústico de seu antecessor e sem disposição para conduzir uma diplomacia madura, a presidente Dilma Rousseff tende a tornar-se uma figura irrelevante no palco internacional, muito abaixo do papel esperado de quem governa a sexta maior economia do mundo. Ainda terá a vantagem de passar longe de cenas constrangedoras. Não prevenirá o ex-KGB Vladimir Putin para tomar cuidado com os governantes capitalistas, nada confiáveis. Não elogiará uma cidade da África por sua limpeza (‘não parece africana’, disse Lula). Não insistirá, perante uma plateia na Turquia, em explicar a velha identificação brasileira de ‘turco’ e mascate. Não tendo sido sindicalista, ficará, talvez, livre da propensão, tão ostensiva em seu padrinho político, de agir e falar em qualquer parte do mundo como se estivesse num palanque de Vila Euclides. (&#8230;)</p>
<p>“Convidada com insistência para ir a Davos e fortalecer a presença brasileira no Fórum Econômico Mundial, preferiu fazer um discurso ridículo no Fórum Social de Porto Alegre, recitando a velha ladainha contra o neoliberalismo e exaltando as maravilhas da América Latina. Como é normal entre os de seu grupo, esqueceu a história: nenhuma economia da região ganhou segurança sem passar por aqueles ajustes combatidos tradicionalmente pelo PT e pelos autointitulados desenvolvimentistas. A presidente poderia ter ido a Porto Alegre e depois a Davos, como fez Lula há alguns anos. Mas preferiu bater ponto naquele circo esvaziado e muito menos importante que outro evento ‘paralelo’, o Fórum Aberto de Davos, onde empresários, banqueiros e autoridades enfrentam um auditório às vezes agressivo. O megainvestidor George Soros esteve lá, num dos últimos anos, e se expôs a um monte de desaforos.</p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff escolheu a obscuridade e a omissão. Em Davos, milhares de políticos, empresários e acadêmicos envolveram-se durante cinco dias em intensas discussões sobre a crise e sobre as saídas possíveis. Entre as figuras públicas havia chefes de governo, ministros, presidentes de bancos centrais e dirigentes de instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio. A briga foi pesada. Chefes de governo, como o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e servidores de primeiro escalão, como o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pressionaram abertamente o governo alemão e outros da zona do euro para fazer muito mais pela solução da crise das dívidas. Figuras de todo o mundo, como o governador de Hong Kong, Donald Tsang, e o vice primeiro-ministro da Turquia, Ali Babacan, entraram no jogo. Os governos da zona do euro, disse o ministro turco, precisam de um ajuste muito mais sério para ganhar credibilidade. Além disso, devem a qualquer custo evitar a insolvência grega, porque um calote poderá abrir a porteira para um imenso desastre. (&#8230;)</p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff poderia ter feito algo semelhante. Talvez não o tenha feito por causa de um grave provincianismo ideológico ou por não se sentir à vontade entre interlocutores bem preparados e sem subordinação. Porto Alegre é muito mais confortável. Mas o Brasil não conquistará peso internacional no irrelevante Fórum de Porto Alegre, nem dependerá, para isso, de ‘movimentos sociais’ financiados pelo Tesouro Nacional.” <strong>(Rolf Kuntz, <em>Estadão</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A diplomacia do país que já foi de Rio Branco: Dilma e os direitos humanos</strong></p>
<p><strong>* “A presidente preferiu olhar para outro lado”, diz dissidente cubano</strong></p>
<p>“Decepção. Essa é a palavra mais usada pelos dissidentes cubanos para avaliar a visita da presidente Dilma Rousseff a Havana. Para os opositores ao regime dos irmãos Castro, a presidente perdeu uma oportunidade histórica de defender os direitos humanos na ilha. E os comentários de Dilma a favor de um debate amplo sobre o tema que inclua a situação dos detentos de Guantánamo não foram suficientes para acalmar os ânimos. ‘Isso é hipócrita. É possível ser contra o embargo americano, contra a situação dos presos em Guantánamo e contra a repressão em Cuba. O comentário não está à altura da história política de Dilma. Não está à altura do povo brasileiro e da importância do país na política mundial. Dilma é uma lutadora em prol da liberdade, mas tratar o tema dessa maneira não me parece correto’, disse Oscar Chepe, economista e dissidente.</p>
<p>“’O tema de direitos humanos é universal, mas deve ser abordado sem exclusões. A presidente Dilma Rousseff preferiu olhar para outro lado, no lugar de observar a triste situação do povo cubano. Queremos apenas ter os mesmos direitos que os brasileiros têm’, disse Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional. (&#8230;) Para Berta Soler, porta-voz das Damas de Branco (grupo opositor composto de familiares e esposas de dissidentes presos), antes de citar Guantánamo, a presidente deveria ter incluído uma visita a uma prisão cubana. Berta lamentou o fato de Dilma não ter se reunido com membros da oposição. ‘Ela agiu como Lula e não se interessou pelo povo cubano. Só nos restou o papel de enfrentar a situação sozinhos.’</p>
<p>“Para o dissidente Rolando Lobaina, a comparação com Guantánamo não é integralmente válida porque já existem mecanismos que condenam a atuação dos EUA na base. ‘A situação de Guantánamo se tornou alvo de crítica e de comentários no mundo todo com a ação de grupos como o Human Rights Watch. Em Cuba, só temos relatos do que se passa no cárcere porque ninguém consegue entrar.’” <strong>(Janaína Lage, <em>O Globo</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Saudade de Jimmy Carter, que condenou a ditadura que prendeu Dilma</strong></p>
<p>“O que a militante política de esquerda Dilma Rousseff deve ter pensado quando Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos entre 1977 e 1981, começou a criar dificuldades para a ditadura militar brasileira cobrando mais respeito aos direitos humanos? Ela exultou com a postura de Carter? Ou por acaso o censurou pensando assim: ‘Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro’, convencida de que ‘não é possível fazer da política de direitos humanos apenas uma arma de combate político ideológico contra alguns países’? Ou foi ainda mais longe e tascou: ‘O desrespeito aos direitos humanos ocorre em todas as nações’, inclusive nos Estados Unidos. Logo&#8230; Logo Carter deveria levar em conta que o respeito aos direitos humanos ‘é algo que temos de melhorar no mundo de uma maneira geral’?</p>
<p>“Na época, Carter chegou a despachar sua mulher para uma viagem ao Brasil. Aqui, ela se reuniu com o  presidente Ernesto Geisel e interrogou-o sobre denúncias de torturas e de desaparecimento de presos da ditadura. Foi um momento de humilhação para o general. E de conforto para quem a ele se opunha. Tudo o que imaginei que a militante Dilma (vulgo Estela ou Vanda) poderia absurdamente ter pensado a respeito da intervenção de Carter em assuntos internos do Brasil foi dito hoje pela presidente Dilma Rousseff em visita à Cuba, onde vigora a ditadura dos irmãos Castro desde janeiro de 1959. Os dissidentes cubanos torceram por uma atuação de Dilma que lembrasse a de Carter no passado, quando ele decidiu puxar o tapete de algumas das ditaduras apoiadas por seu país. Na verdade, Dilma nada tem a ver com Carter. Mas pelo menos poderia ter sido menos amigável com uma ditadura do que foi.” <strong>(Ricardo Noblat, <em>O Globo</em>, 1º/2/2012,)</strong></p>
<p><strong>* Dilma não concorda com agressão aos direitos humanos no Irã, nos EUA, no Brasil. Já Cuba é diferente</strong></p>
<p>“Saudada aos primeiros acordes por ser discreta e não falar demais, a presidente Dilma Rousseff tem se notabilizado por falar de menos. (&#8230;) Dilma Rousseff mesmo, raramente diz o que pensa. Para ela, resta a vantagem de poder mudar de posição no meio do caminho atribuindo a outrem a divulgação de intenções que nunca teriam sido suas. A reforma ministerial é o exemplo presente, embora haja outros. Não é o caso, entretanto, do tema Direitos Humanos. Sobre ele, Dilma sempre foi peremptória. Como na entrevista que deu ao jornal americano <em>Washington Post</em> logo depois de eleita: ‘Por ter experimentado a condição de presa política, tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros somente por expressarem suas visões, suas opiniões’.</p>
<p>“E para que não se dissesse que a posição seria seletiva, já presidente, disse ao <em>Valor Econômico</em>: ‘Um País democrático ocidental como o nosso tem que ser um País com perfeita consciência da questão dos Direitos Humanos. E isso vale para todos. Se não concordo com o apedrejamento de mulheres, não posso concordar com gente presa a vida inteira sem julgamento (na base de Guantánamo). Isso vale para o Irã, vale para os Estados Unidos e vale para o Brasil’. Só não vale, pelo visto, para Cuba, onde a presidente não aceitou se encontrar com dissidentes porque, segundo o chanceler Antonio Patriota, não se trata de uma questão prioritária para aquele país.</p>
<p>“Assim como não era para o governo do Brasil quando Dilma e tantos outros combatiam a ditadura e chefes de Estado (Jimmy Carter, dos EUA, por exemplo) intercederam, compreendendo o quanto era prioritária a questão dos Direitos Humanos para a dignidade da nação. A declaração da presidente, em Havana, sobre a responsabilidade multilateral e a impossibilidade de se ‘atirar a primeira pedra’ é mera tergiversação. Sugere a existência de ditaduras amigas e ditaduras inimigas.” <strong>(Dora Kramer, <em>Estadão</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dilma acabou por coonestar o regime castrista</strong></p>
<p>“A expectativa era que a presidente Dilma Rousseff, ex-presa e torturada, não abordasse a questão dos direitos humanos em sua viagem a Cuba. Mas ela decidiu falar e, jogando um pouco de relativismo -mencionou violações em Guantánamo e no Brasil-, acabou por coonestar o regime castrista. É pena. Embora nenhum país apresente credenciais impecáveis nessa seara, não dá para ignorar a diferença de natureza entre sociedades abertas, como EUA e Brasil, e regimes despóticos, como Cuba. Basta lembrar que os ilhéus não são livres para entrar e sair do país na hora em que bem quiserem, como ocorre nas democracias.” <strong>(Hélio Schwartsman, <em>Folha de S. Paulo</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p>* <strong>“OK. Quero ver agora a presidente falar contra as masmorras cubanas quando visitar Obama”</strong></p>
<p>“E Dilma foi a Cuba para criticar os Estados Unidos. Vamos combinar: novidade seria se ela apontasse as mazelas da ilha. Dilma Rousseff cresceu politicamente em um meio que idolatrava Cuba como modelo. Se é óbvio que superou programaticamente isso, é natural sua empatia com o regime.  (&#8230;) Mas não há esquerdista que não se derreta pela utopia dos Castro. Citar Guantánamo? OK. Quero ver agora a presidente falar contra as masmorras cubanas quando visitar Obama.” <strong>(Igor Gielow, <em>Folha de S. Paulo</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “De nada adianta fingir que Cuba não continua a ser uma ditadura violenta”</strong></p>
<p>“Na primeira visita a Cuba, a presidente Dilma Rousseff foi traída pelo passado. Não se esperava que abordasse o tema dos direitos humanos em público. Mas decidiu fazê-lo, numa cerimônia no Memorial José Martí, e cometeu o grave erro de tentar relativizar os fartos e conhecidos crimes cubanos nesta área, incluindo numa infeliz pensata os delitos cometidos pelos americanos na base de Guantánamo, na ilha, uma nódoa, de fato, na História dos Estados Unidos. Mas misturou coisas diferentes, na visível tentativa de, como é praxe em parte da esquerda brasileira, passar a mão na cabeça dos irmãos Castro. (&#8230;) De nada adianta fingir que Cuba não continua a ser uma ditadura violenta. A relativização na leitura da História é sempre perigosa. Por meio dela termina-se até ‘entendendo’ por que Hitler fez o que fez com judeus, ciganos, homossexuais e artistas.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 2/2/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Suspeitas, irregularidades, roubalheira &#8211; incompetência</strong></p>
<p><strong>* A má qualidade da gestão é marca da administração do PT – e de Dilma</strong></p>
<p>“O tempo está sendo implacável com a imagem que arduamente a presidente Dilma Rousseff tenta construir para si &#8211; como fez durante a campanha eleitoral de 2010, com a inestimável colaboração de seu patrono político, o ex-presidente Lula -, de administradora capaz, tecnicamente competente e defensora da lisura e da moralidade dos atos públicos. É cada vez mais claro que tudo não passa da construção de uma personagem de feitio exclusivamente eleitoral. As trocas de ministros no primeiro ano de mandato por suspeitas de irregularidades são a face mais visível dos malefícios de um governo baseado não na competência de seus integrantes &#8211; como seria de esperar da equipe de uma gestora eficiente dos recursos públicos -, mas em acordos de conveniência político-partidárias que levaram ao loteamento dos principais postos da administração federal. O resultado não poderia ser diferente do que revelam os fatos que vão chegando ao conhecimento do público.</p>
<p>“A amostra mais recente dos prejuízos que essa forma de montar equipes e administrar a coisa pública pode causar ao erário é o contrato assinado em 2010 pelo Ministério do Esporte com a Fundação Instituto de Administração (FIA) para a criação de uma estatal natimorta. O caso, relatado pelos repórteres do <em>Estado</em> Fábio Fabrini e Iuri Dantas (30/1), espanta pelo valor gasto para que rigorosamente nada fosse feito de prático e porque o contrato não tinha nenhuma utilidade. (&#8230;) O problema não é novo. A má qualidade da gestão é marca da administração do PT. E Dilma tem tudo a ver com isso, pois desempenha papel central nessa administração desde 2003.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O Ministério da responsabilidade zero</strong></p>
<p>“As constantes trocas de ministros têm servido, entre outras coisas, para levar ao arquivo morto ‘os malfeitos’ causadores das demissões. É a lógica da página virada combinada à teoria da responsabilização zero. Exemplo é o caso, agora denunciado pelo Estado, do Ministério do Esporte que pagou de R$ 4,6 milhões (sem licitação) a título de consultoria a uma fundação sobre a Empresa Brasileira do Legado Esportivo &#8211; estatal extinta antes de ser criada. O ministro Aldo Rebelo não quer nem ouvir falar no assunto. Sugere que embalem Mateus seus genitores. ‘Não estava no ministério quando houve a decisão de fazer a estatal, nem estava quando houve a decisão de extingui-la’, diz, acrescentando que as explicações devem ser dadas por aqueles ‘que tomaram as duas decisões’. Como se o governo não fosse o mesmo, o ministério idem, o atual titular da pasta pertencente ao partido do antecessor e a presidente da República uma implacável zeladora da excelência da gestão.” <strong>(Dora Kramer, <em>Estadão</em>, 2/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* PF investiga ex-chefe da Casa da Moeda demitido no sábado, dia 28/1</strong></p>
<p>“Nomeado em 2008 para a presidência da Casa da Moeda (<em>e demitido no sábado, 28/1</em>), Luiz Felipe Denucci Martins entrou na mira da Polícia Federal e do Ministério Público por exibir credenciais e movimentações financeiras milionárias típicas de um especialista em lavagem de dinheiro. <em>O Estado</em> teve acesso ao inquérito 1286/2006, da PF, que relata o fluxo suspeito de recursos do exterior para as contas do servidor no Brasil. As investigações indicam ainda que Denucci tentou obter junto ao Banco Central a autorização para montar uma instituição financeira para trazer dinheiro do exterior. Segundo o inquérito, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro apurou que um empréstimo de U$ 1 milhão de um banco europeu (Painwebber International Bank Ltda.), informado à Receita por Denucci, foi realizado apenas para dar aparência legal à internação desses recursos. Ou seja, teria sido um empréstimo falso apenas para encobrir de legalidade dinheiro ilegal.</p>
<p>“‘Todo o contexto já coligido gera suspeita acerca da existência real do empréstimo obtido junto a Painwebber Bank, o que reforça a necessidade de investigação’, afirma o MPF. Em outra operação considerada suspeita, desta vez realizada por meio de uma agência do Banco do Brasil em Miami (EUA), Denucci transferiu R$ 1,7 milhão, em junho de 2002, em valores da época, para sua conta corrente. A procuradoria também cita procedimentos supostamente ilícitos usados pelo ex-presidente da Casa da Moeda para ocultar a variação do seu patrimônio (R$ 60 mil a R$ 699 mil em dois anos). Denucci teria omitido a existência de bens e comprado, segundo a Receita Federal, um apartamento em Copacabana pelo valor de R$ 0,10 (sic). <strong>(Alana Rizzo e Fábio Fabrini, <em>Estadão</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Chefe de gabinete das Cidades cai após fraude em parecer de obra</strong></p>
<p>“O ministro Mário Negromonte exonerou seu chefe de gabinete Cássio Peixoto ao perceber que ‘ele estava desmotivado’. Veja só. Se, desmotivado, Cássio foi acusado de fraudar o parecer de uma obra da Copa de 14, imagine motivado!? Com todo o respeito.” <strong>(Ancelmo Gois, <em>O Globo</em>, 27/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Demitido o chefe da assessoria parlamentar do ministro das Cidades</strong></p>
<p>“O ministro Mário Negromonte, do PP, está vendo sua influência ser pulverizada como areia do deserto. O chefe da assessoria parlamentar do ministério, João Ubaldo Coelho Dantas, foi demitido do cargo. A exoneração publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (<em>30/1</em>) é assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, que tem a prerrogativa de nomear e exonerar quem ocupa este tipo de cargo. Este é o segundo assessor direto do ministro Mário Negromonte a deixar seu cargo no ministério este ano. Na quarta-feira da semana passada, foi exonerado do cargo de chefe de gabinete do ministro das Cidades, Cássio Ramos Peixoto, braço direito do ministro. Ele é suspeito de ter negociado com empresário e lobista um contrato na área de informática, antes mesmo de ser aberta licitação pública. Mas, em nota oficial, o ministério se limitou a dizer que &#8220;o servidor foi destituído de suas funções por estar desmotivado&#8221;. <strong>(<em>O Globo</em>, 31/1/2012)</strong></p>
<p><strong>* Irregularidades derrubam diretor do Dnocs</strong></p>
<p>“O Ministério da Integração confirmou no início da tarde desta quinta-feira, 26, a saída de Elias Fernandes da diretoria do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. O secretário nacional de irrigação, Ramon Rodrigues, assume interinamente o cargo. O órgão é alvo de denúncias de irregularidades na gestão de pessoal, que já teriam causado R$ 312 milhões de prejuízo aos cofres públicos. (&#8230;) Nesta quinta, o órgão publicou portaria, ainda assinada por Elias Fernandes Neto, sobre a abertura de sindicância na coordenadoria estadual do órgão no Ceará. O departamento é ligado ao Ministério da Integração, alvo de denúncias de uso da pasta para favorecimento político. A sindicância vai investigar denúncias de descumprimento do estatuto do servidor público, a lei 8.112 de 1990. Relatório da CGU apontou prejuízo de R$ 312 milhões na gestão de pessoal e contratações irregulares no Dnocs. Indicado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), Fernandes tentava se manter no cargo. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), já teria pedido sua demissão, mas o PMDB lutava para mantê-lo.” <strong>(Dida Sampaio, estadão.com, 26/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Licitação de R$ 700 milhões é suspensa; há suspeita de que empreiteiras seriam beneficiadas</strong></p>
<p>“A concorrência de R$ 700 milhões para o trecho mais caro da transposição do São Francisco, suspensa anteontem (<em>quarta, 25/1</em>), só será retomada depois de afastados indícios de direcionamento a grandes empreiteiras. Por ora, o novo tropeço registrado na obra, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já provocou mais um adiamento no cronograma oficial do governo. A meta oficial passou de setembro de 2014 para dezembro do último ano do mandato da presidente Dilma Rousseff, informou o Ministério da Integração ontem, após ter afastado a possibilidade de novos adiamentos. O custo do projeto de transposição é estimado em R$ 6,9 bilhões. A obra vai desviar parte das águas do rio para o semiárido de quatro Estados &#8211; Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba &#8211; por meio de mais de 600 quilômetros de canais de concreto. O primeiro trecho entrará em testes só no final do ano.” <strong>(Marta Salomon, <em>Estadão</em>, 27/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Esporte pagou R$ 4,65 milhões por consultoria sobre estatal extinta</strong></p>
<p>“O Ministério do Esporte pagou R$ 4,65 milhões no ano passado, sem licitação, para a Fundação Instituto de Administração (FIA) prestar um serviço curioso de consultoria: ajudar no nascimento de uma estatal que foi extinta antes de funcionar. Criada em agosto de 2010 para tocar projetos da Olimpíada do Rio de Janeiro, a Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016 só durou um ano, no papel: há cinco meses foi incluída no Plano Nacional de Desestatização (PND), para ser liquidada. Conforme o Portal da Transparência, caberia à FIA desenvolver estudos para ‘apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividades da estatal’.</p>
<p>“O Esporte fez os pagamentos do contrato em dez parcelas. A primeira e mais cara, de R$ 1,1 milhão, foi transferida à fundação em 4 de março do ano passado. Até 4 de agosto, quando o Conselho Nacional de Desestatização recomendou a inclusão da estatal no PND, foram mais quatro repasses, totalizando R$ 2,4 milhões. (<strong>Fábio Fabrini e Iuri Dantas, <em>Estadão</em>, 30/1/2012.</strong>)</p>
<p><strong>* Suspeita: decisões do Copom estão vazando para favorecer uns poucos</strong></p>
<p>“Em outubro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu uma investigação para apurar movimentações &#8216;atípicas&#8217; no mercado futuro de juros às vésperas da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Um levantamento feito pelo &#8216;Estado&#8217; mostra que realmente houve uma quantidade de negócios muito acima do normal naqueles dias. Mas volumes atípicos não foram exclusividade daquele encontro: as planilhas apontam uma disparada nas transações sempre que a decisão do Banco Central (BC) surpreendeu o mercado de 2010 para cá. Alguns números deixam clara a dimensão dessas movimentações. Nos quatro dias que antecederam esse encontro de agosto, o volume de contratos negociados chegou a 7,8 milhões. Na reunião de julho, foram 2 milhões e, na de junho, 2,2 milhões.</p>
<p>“Antes do Copom de agosto, uma pesquisa da AE Projeções, um serviço da Agência Estado, mostrava que as 72 instituições financeiras consultadas apostavam em manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 12,50% ao ano. O BC a reduziu para 12%. Na véspera do Copom de julho, 73 casas ouvidas pelo AE Projeções esperavam alta de 0,25 ponto porcentual, para 12,50%, o que acabou ocorrendo. Só uma projetava estabilidade da Selic. Antes da reunião de junho, a pesquisa apontou que todas as 75 instituições previam elevação de 0,25 ponto, para 12,25% ao ano, o que também se confirmou. Em resumo: as três reuniões tiveram o mesmo padrão. Praticamente todo o mercado previu um movimento. Em junho e julho, o movimento se confirmou. Apenas em agosto houve a surpresa. E justamente em agosto, as negociações com contratos futuros de juros dispararam. Em tese, não há razão que explique tantas diferenças nos números.” <strong>(Leandro Modé, <em>Estadão</em>, 27/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Magistrados apontam mensalão como pano de fundo da crise do Judiciário</strong></p>
<p>“Com os nervos à flor da pele, resultado da crise de credibilidade após revelações de movimentações financeiras atípicas de magistrados, a elite da toga, reunida em Teresina, apontou ontem interesses de ‘emparedar’ o Supremo Tribunal Federal exatamente no ano em que será julgado o maior escândalo da Era Lula. O mensalão pode ser o pano de fundo da turbulência que atravessa a magistratura, desconfiam líderes da classe, doutos desembargadores e desembargadoras que presidem os 27 Tribunais de Justiça do País e que estão reunidos desde quinta-feira para debater o ‘aprimoramento das atividades’ do Poder que julga. Sem citar explicitamente os nomes dos inimigos – por cautela, até que se prove o contrário, como manda o rito processual, adotam o silêncio quando instados a identificar quem os aflige –, magistrados acreditam que ‘alguns réus’ do processo criminal que desafia o STF ou pessoas ligadas a eles estão à sombra de uma trama bem urdida para desestabilizar o Judiciário.” <strong>(Fausto Macedo, <em>Estadão</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Obras que não andam – ou, se andam, andam mal</strong></p>
<p><strong>* Sete em cada dez contratos sobre habitação popular não saem do papel</strong></p>
<p>“Por trás do recorde de contratações feitas por programas oficiais de habitação popular nos últimos anos há também um expressivo número de obras paralisadas, atrasadas ou que simplesmente não foram iniciadas. De cada dez contratos firmados na área da habitação pela Secretaria Nacional de Habitação (SNH) do Ministério das Cidades, envolvendo o repasse de recursos da União para Estados e municípios, pelo menos sete não saíram do papel. É o que aponta auditoria feita pela Controladoria Geral da União (CGU) nos contratos assinados entre 2004 e abril de 2011.</p>
<p>“Segundo o levantamento da CGU, até abril do ano passado existiam 4.243 contratos na carteira da SNH, o que corresponde a R$ 12,5 bilhões em investimentos. Deste total, 74% estão apenas na promessa, sendo que uma parcela considerável se refere a contratos antigos. (&#8230;) Os contratos fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas tratam especificamente de casas ou melhorias em conjuntos habitacionais ou favelas. Uma técnica do Ministério das Cidades faz questão de destacar que não está incluída nesta lista da CGU os contratos firmados no Programa Minha Casa, Minha Vida.” <strong>(Edna Simões, <em>Estadão</em>, 30/1/2011.)</strong></p>
<p><strong>* Em São Paulo e no DF, programa Minha Casa, Minha Vida não sai do papel</strong></p>
<p>“Em São Paulo e no Distrito Federal, o programa Minha Casa Minha Vida, para pessoas de baixa renda (de 0 a 3 salários mínimos), ainda não saiu do papel. Em 2011, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do estado de São Paulo (Sinduscon/SP), nenhuma unidade foi construída pela iniciativa privada no município. Balanço do Sinduscon/DF mostra que nem a iniciativa privada nem o governo construíram qualquer imóvel para essa faixa de renda na região. Com as mudanças anunciadas pelo governo federal para o Minha Casa Minha Vida 2, Sérgio Watanabe, presidente do Sinduscon/SP, diz acreditar que o problema persistirá. ‘No Minha Casa 1, o município de SP podia ter recebido 30 mil unidades, mas não conseguiu nenhuma através da iniciativa privada. O que tivemos foram três mil unidades num terreno da Cohab. Agora, com as novas especifidades, com a área do imóvel tendo aumentado 10%, tendo que entregar cozinha com piso cerâmico, banheiro com azulejo em todas as paredes, tendo que pensar em acessibilidade, o reajuste que o governo produziu está aquém dos índices da construção civil’, diz Watanabe. ‘A unidade passou de R$ 52 mil para R$ 65 mil, o que é abaixo do valor de mercado. São Paulo podia receber até 70 mil unidades, mas não vai conseguir fazer nem uma por esse valor. A iniciativa privada se move em razão da rentabilidade. Se não tem rentabilidade, não faz.’” <strong>(Carolina Benevides, <em>O Globo</em>, 31/1/2011.)</strong></p>
<p><strong>* Na campanha, Dilma prometeu entregar 6.427 creches. Até agora, não fez nenhuma</strong></p>
<p>“Para cumprir uma promessa de campanha feita pela presidente Dilma Rousseff, o Ministério da Educação terá que inaugurar pelo menos 178 creches por mês, ou cinco por dia, até o fim de 2014. Na disputa presidencial de 2010, Dilma afirmou que iria construir 6.427 creches até o fim de seu mandato, mas a promessa está longe de se concretizar. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pelo ProInfância &#8211; que cuida da construção dessas creches &#8211; pagou até agora R$ 383 milhões dos R$ 2,3 bilhões empenhados. No primeiro ano de governo, a execução do ProInfância ficou em 16%. Nenhuma obra foi concluída.</p>
<p>“Principal aposta do PT nas eleições de 2012, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad deixou o ministério para se candidatar à Prefeitura de São Paulo sem entregar nenhuma das creches prometidas pela presidente. Nas últimas campanhas em São Paulo, as creches têm sido destaque. Seu sucessor, Aloizio Mercadante, tomou posse na última terça-feira prometendo atender à promessa de Dilma. ‘Vamos cumprir a meta de criar mais de 6 mil creches e dar às crianças brasileiras em fase pré-escolar acolhimento afetivo, nutrição adequada e material didático que as preparem para a alfabetização’, disse.” <strong>(Alana Rizzo, <em>Estadão</em>, 29/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Poucos projetos para a Copa saíram do papel</strong></p>
<p>“Reportagem do jornal <em>Valor</em> (25/1) não deixa dúvidas de que, das 46 obras de transporte urbano projetadas para atender o público que assistirá aos jogos da Copa do Mundo, poucas estarão prontas a tempo. O problema vem preocupando os dirigentes esportivos internacionais, que fazem seguidas cobranças públicas às autoridades brasileiras &#8211; sem resultados aparentes. Principal agente financeiro desses empreendimentos, a Caixa Econômica Federal reservou R$ 5,3 bilhões para emprestar aos Estados e municípios que sediarão jogos da Copa. Mas, como mostrou o Valor, a menos de 30 meses do início da competição, a Caixa liberou apenas R$ 194 milhões, ou 3,7% do que já poderia ter liberado. Das dezenas de projetos, poucos saíram do papel.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Recuperação de estradas dura menos do que manda lei, e verbas vão para o ralo”</strong></p>
<p>“É um caminho perigoso, acidentado. As estradas brasileiras são ruins não só porque não têm conservação, mas também pela baixa qualidade do material usado nas obras milionárias de recuperação. Apesar de a Lei de Licitações determinar tempo médio de vida útil de dez anos pós-reforma, grande parte das rodovias federais e estaduais volta a estar esburacada e a oferecer perigo muito antes disso. Desgaste prematuro do asfalto, buracos que se transformam em crateras, erosão no leito das pistas e quedas de barreira são percalços comuns nas vias de todo o país e demonstram a baixa qualidade das obras e do material utilizado. Há casos de estradas com trechos comprometidos antes mesmo de a pavimentação completar dois anos. A BR-474, em Minas Gerais, por exemplo, foi contemplada com obras de pavimentação há três anos, mas já precisa de recuperação.” <strong>(Marcelo Remígio, <em>O Globo</em>, 29/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Rodovia para a Copa em Mato Grosso não durou três meses </strong></p>
<p>“Festejada como a primeira obra de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014, a duplicação de 17 quilômetros de rodovia entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães transformou-se em um mico para o governo de Mato Grosso. Liberada para o tráfego em fevereiro de 2011, a estrada começou a apresentar trechos esburacados menos de três meses depois. Os problemas chamaram a atenção do Ministério Público Estadual, que abriu um procedimento investigatório. O inquérito só não resultou em uma ação judicial porque a empresa responsável pela obra se antecipou e fez os reparos, após a repercussão na imprensa. Em vários trechos, o asfalto praticamente se desfez. Em outros, técnicos constataram a total ausência de drenagem. Uma rotatória precisou ser refeita porque era impossível para um ônibus, por exemplo, contorná-la sem subir no canteiro.” <strong>(Anselmo Carvalho Pinto, <em>O Globo</em>, 29/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Um governo que gasta demais, e mal</strong></p>
<p><strong>* Os brasileiros tiveram que entregar ao governo quase R$ 1 trilhão em 2011</strong></p>
<p>“O governo federal tirou dos contribuintes quase R$ 1 trilhão no ano de 2011 em forma de impostos. E, mesmo assim, terminou o ano no vermelho, com um déficit nominal de 2,4% do PIB. O bolso do contribuinte, pessoa física e jurídica, também teve que mandar outros bilhões de reais para sustentar os governos estaduais e municipais. A carga tributária pode ter aumentando 1,12 ponto percentual sobre o PIB, pelas contas do IBPT, e há fatos curiosos. A arrecadação aumentou 10,1%, descontando a inflação, apesar de o país ter desacelerado o ritmo no final do ano. O país cresceu menos de 3% em 2011, e a receita do governo federal com impostos e contribuições aumentou sobre 2010, em que o PIB cresceu 7,5%. (&#8230;) O problema no Brasil não é apenas que o governo cobra imposto demais, é que ele usa os recursos de forma ineficiente, a cada ano precisa de mais impostos, e sempre está fechando as contas com déficit. É uma dinâmica que não pode ser mantida indefinidamente. A carga tributária tem aumentado há quase 20 anos.” <strong>(Míriam Leitão, <em>O Globo</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Gastos com previdência dos servidores superam investimentos do governo</strong></p>
<p>“Os investimentos previstos no Orçamento da União têm ficado abaixo dos gastos com o Regime de Previdência dos servidores públicos (civis e militares) e de outras despesas obrigatórias. Em 2011, o déficit do Regime Próprio de Previdência Pública se aproximou dos R$ 60 bilhões — segundo os últimos dados ainda não anunciados oficialmente pela Previdência —, contra os R$ 47,5 bilhões dos investimentos. Os dados finalizados de 2010 já mostravam esse fenômeno, com um déficit previdenciário de R$ 51,2 bilhões, contra R$ 47,1 bilhões em investimentos. O primeiro ano do governo da presidente Dilma Rousseff mostrou uma estagnação nos investimentos, com uma variação de apenas R$ 394 milhões em termos nominais.” <strong>(Cristiane Jungblut, <em>O Globo</em>, 30/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Arrecadação é recorde, mas governo aumenta gasto com custeio e investe menos</strong></p>
<p>“A arrecadação de impostos e tributos federais voltou no ano passado a bater recorde, chegando a R$969,9 bilhões, o que significou um crescimento real (descontada a inflação) de 10,1% sobre a receita de 2010. O salto na arrecadação refletiu o aquecimento da economia em 2010 e início de 2011, o processo de formalização dos negócios e do mercado de trabalho, o aprimoramento do próprio sistema de recolhimento de impostos (mais informatizado, e com menos brechas para a sonegação), etc. O recorde deveria ser motivo de comemoração, mas, na verdade, essa expansão mostra que o peso dos impostos e tributos aumentou sobre o conjunto da economia. Efetivamente, a desoneração e simplificação de impostos federais não impediram que a carga tributária tivesse se ampliado em 2011. (&#8230;) O mais angustiante é que o governo não consegue impor o investimento como prioridade entre os gastos; o crescimento das inversões geralmente é interrompido pela pressão das despesas de custeio. Em 2011, por exemplo, os investimentos federais quase não se alteraram em relação a 2010. E, com R$47,5 bilhões, foram menores que o gasto para tapar o rombo da previdência dos servidores públicos (R$60 bilhões). <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 31/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Despesas do governo com pessoal aumentaram 7,7% em 2011</strong></p>
<p>“No ano passado, as despesas com pessoal aumentaram 7,7% enquanto o pagamento de benefícios cresceu 10,4%. Como não reduziu mais a expansão desses e outros gastos de custeio, para cumprir a meta fiscal o governo teve de conter outras despesas, sobretudo os investimentos. Apesar das declarações da presidente Dilma Rousseff de que o ajuste fiscal não seria feito à custa dos investimentos indispensáveis para melhorar a infraestrutura e afastar o risco de gargalos em áreas essenciais para o crescimento da economia, em 2011 os investimentos somaram R$ 47,5 bilhões, apenas 0,8% mais do que os de 2010. <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 31/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Gasto com viagens cai, mas menos que a meta</strong></p>
<p>“O governo reduziu os gastos com diárias e passagens de servidores em 2011, mas não conseguiu cumprir a meta de redução de 50% desses gastos, como estabelecido em decreto presidencial de março do ano passado. Além disso, alguns órgãos mantiveram essas despesas em alta, e, no caso do Judiciário, houve aumento de até 40%. Ao todo, o Executivo gastou R$ 1,34 bilhão com esses dois tipos de despesa, contra cerca de R$ 1,98 bilhão em 2010, produzindo uma economia de R$ 700 milhões &#8211; sem contar essas despesas com servidores militares. Se contabilizados os gastos de diárias de militares no país e no exterior, o gastou caiu de R$ 2,2 bilhões para cerca de R$ 1,4 bilhão, ou quase R$ 800 milhões a menos, uma redução de 36%. Os dados foram levantados junto ao Siafi pela assessoria técnica da liderança do DEM no Senado.” <strong>(<em>O Globo</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O país da boquinha</strong></p>
<p><strong>* Uma nova diretoria da Petrobrás, para dar cargo a ex-presidente do PT</strong></p>
<p>“Para evitar o agravamento da crise com o PMDB &#8211; após enfrentar o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e tirar seu apadrinhado Elias Fernandes da direção do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) -, a presidente Dilma Rousseff decidiu manter o ex-senador Sérgio Machado (PMDB-CE) no comando da Transpetro. A decisão de substituir Machado, que há nove anos preside a subsidiária da Petrobras, havia sido comunicada pelo governo à cúpula do PMDB, que reagiu mal e trabalhou para revertê-la, levando o Planalto a recuar. Ao mesmo tempo, outra decisão já tomada em relação à Petrobras, que será presidida por Maria das Graças Foster a partir do dia 13, é a criação de mais uma Diretoria, a Corporativa, que deverá ser usada para acomodar José Eduardo Dutra, ex-senador e ex-presidente do PT e da Petrobras, como antecipado pelo <em>Globo</em>. ‘(<em>Dutra</em>) É um homem de alta capacidade e já foi presidente’, afirmou ontem (<em>sexta, 27/1</em>) o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), ao confirmar a criação da diretoria.” <strong>(Gerson Camarotti e Gabriela Valente, <em>O Globo</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Tudo é eleitoreiro, é para conquistar e manter o poder</strong></p>
<p><strong>* Na despedida de Haddad, peça publicitária do MEC falseia números</strong></p>
<p>“Um balanço das ações do Ministério da Educação (MEC) divulgado na despedida do ex-ministro Fernando Haddad, na última terça-feira (<em>24/1</em>), diz que a pasta alfabetizou 13 milhões de jovens e adultos, desde 2003. A informação é incorreta. Se fosse verdadeira, teria levado o país a dar um salto na redução do analfabetismo, o que não ocorreu. De 2000 a 2010, a redução do número de iletrados foi de apenas 2,3 milhões &#8211; deixando o Brasil ainda com 13,9 milhões de analfabetos, conforme o censo do IBGE. Procurado pelo <em>Globo</em>, o MEC admitiu o erro, publicado na página 40 de uma edição caprichada, com páginas coloridas, tiragem de mil exemplares, com o título: ‘PDE em 10 capítulos &#8211; ações que estão mudando a história da educação brasileira.’ O balanço trata do Plano de Desenvolvimento da Educação, lançado por Haddad e pelo então presidente Lula, em abril de 2007. O livreto foi distribuído na terça-feira, quando Haddad, que é pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, deixou o governo. Ele reproduz texto de uma outra publicação do ministério, divulgada em setembro de 2011, mas com redação diferente. Na versão do ano passado, o texto falava que aproximadamente 13 milhões de jovens, adultos e idosos tinham sido ‘beneficiados’ pelo programa Brasil Alfabetizado &#8211; o que significa que houve matrícula, mas não que aprenderam a ler e escrever. No novo formato, consta que todos foram ‘alfabetizados’.</p>
<p>“Em outro trecho, ao tratar de educação para alunos especiais, a versão impressa traz uma errata, corrigindo &#8211; para mais &#8211; o número de colégios atendidos pelo programa Escola Acessível: em vez de 23.127, como aparece num quadro, são 26.869. O chefe da assessoria de Imprensa do MEC, Nunzio Briguglio, assumiu a responsabilidade pelo erro referente ao Brasil Alfabetizado, enfatizando que se tratou de uma falha pontual. Ele observou que o nome de Haddad não é citado em nenhuma das 69 páginas do balanço. Segundo Briguglio, o material será disponibilizado na internet, já com a devida correção.” <strong>(Demétrio Weber, <em>O Globo</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O projeto de poder do lulo-petismo passa necessariamente pela vitória em São Paulo</strong></p>
<p>“Se ainda restasse alguma sombra de dúvida, a apoteose armada pelo lulo-petismo para a despedida de Fernando Haddad do Ministério da Educação escancarou o óbvio: o projeto de poder, com inegável competência idealizado e até agora executado por Luiz Inácio Lula da Silva, passa, necessariamente, pela imposição da hegemonia do Partido dos Trabalhadores no Estado de São Paulo, a começar pela reconquista da Prefeitura da capital. Assim, a solenidade de transmissão de cargo realizada na última terça-feira no Palácio do Planalto, com a arrebatadora presença de um Lula que as circunstâncias elevaram à condição de quase divindade, não foi convocada para assinalar uma despedida, mas para glorificar o retumbante advento de mais uma figura ungida pelo Grande Chefe, desta vez com a missão estratégica de fincar em solo bandeirante a flâmula com a estrela do PT. E ganhar a Prefeitura em outubro é apenas o primeiro passo, o trampolim para a conquista inédita sem a qual a hegemonia política dos petistas no País continuará tendo um travo amargo: não controlar o governo do mais importante Estado da Federação.</p>
<p>“A candidatura do ex-ministro da Educação à chefia do Executivo paulistano emerge estimulada por circunstâncias favoráveis. É claro que Haddad ainda terá que comprovar um mínimo de competência numa área de atuação em que é neófito. Mas se vocação para o palanque fosse indispensável, Lula não teria feito sua sucessora em 2010. O que importa é que, repetindo o que deu certo em 2010 em escala muito mais ampla, o novo escolhido pelo Grande Chefe se apresentará na campanha municipal exatamente com essa credencial: ser o candidato de Lula, e com toda a liderança &#8211; mesmo que em alguns casos sob certo constrangimento &#8211; e a aguerrida militância do PT empenhadas numa questão que para eles já se tornou ponto de honra &#8211; vencer em São Paulo.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 28/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Exatamente como o antecessor, Dilma sobe no palanque – e escamoteia a verdade</strong></p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff compareceu ao Fórum Social Mundial Temático, em Porto Alegre, e subiu no palanque. Num discurso feito sob medida para empolgar uma platéia de sindicalistas e militantes de esquerda &#8211; que mal chegava a ocupar metade do recinto da reunião -, a presidente da República desceu a lenha no ‘neoliberalismo’ e retomou a arenga predileta de seu antecessor, segundo a qual a História do Brasil só começa a ser escrita a partir de 2003. Dilma defendeu a supremacia da latinoamericanidad diante de um Primeiro Mundo que se debate em crise por causa do ‘neoliberalismo’ e garantiu que para ‘nós’ &#8211; insistiu sempre no coletivo, como se a comunidade latino-americana fosse orgânica e coesa &#8211; o futuro sorri: ‘Nossos países avançam fortalecendo a democracia’. Os Castros, Hugo Chávez, Evo Morales, Cristina Kirchner e outros tantos que o digam. (&#8230;)</p>
<p>“O que Dilma não disse é aquilo que os lulo-petistas invariavelmente escamoteiam: o inegável desenvolvimento econômico e social que o País hoje exibe começou muito antes da ascensão de Lula ao poder. As bases desse processo foram lançadas a partir do fim do governo Itamar Franco, com a bem-sucedida implantação do Plano Real, que eliminou a inflação galopante, e prosseguiu nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, com o advento de programas de modernização do Estado &#8211; como as privatizações, que os petistas condenam aos berros, mas mantiveram e ampliaram &#8211; e de programas sociais posteriormente turbinados por Lula.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>As más notícias na Economia</strong></p>
<p><strong>* O Banco Central parece ter desistido da meta de inflação</strong></p>
<p>“O Banco Central nunca foi tão claro quanto na ata divulgada ontem. Vai continuar derrubando os juros até ficarem abaixo de 10%. Já sobre a inflação, ele é menos preciso: diz que a trajetória será em direção à meta. Parece que está dizendo que desistiu de chegar aos 4,5% em dezembro. O BC diz que dólar barato vai continuar vindo para o Brasil. Normalmente, o trabalho que se tem com a ata do Copom é ler nas entrelinhas. Desta vez, não precisou. O mais importante estava nas linhas. Mais precisamente nas linhas do parágrafo 35: ‘o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito.’ Tirando as palavras do estilo tortuoso do Banco Central, há a informação direta de que o BC explicitou um desejo em relação à taxa de juros. Já sobre a inflação, que deveria ser seu objetivo principal, o texto é bem menos direto: ‘A estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas.’ (&#8230;)</p>
<p>“O que é melhor: ter a meta de juros de um dígito, para agradar a quem no governo pressiona o Banco Central, ou derrubar mais a inflação para que a queda dos juros seja mais permanente? O mais sensato seria perseguir o segundo objetivo. No Brasil, os juros são altos demais, e a taxa tem ficado nessa gangorra de sobe um pouco, derruba a inflação, aí reduz os juros, e a inflação volta a subir. Melhor seria trabalhar para quedas mais duradouras. Isso se consegue mais facilmente se o Banco Central não se distrair da sua função principal: garantir a inflação na meta. O resto será consequência.” <strong>(Míriam Leitão, <em>O Globo</em>, 27/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “A ata do Copom parece ter sido escrita pelo governo”</strong></p>
<p>“A leitura da Ata da 164.ª reunião do Comitê e Política Monetária (Copom) deixa a estranha impressão de ter sido escrita pelo ministro da Fazenda &#8211; dado seu estilo otimista -, e não por autoridades monetárias independentes. No passado recente, o Copom preocupava-se com atingir o centro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (de 4,5%). Já não há sequer referência à meta, mas se assinala que a taxa poderá ser de 5,50% neste ano e de 5% em 2013, como se o foco agora fosse o intervalo de inflação. Parece, pois, que a responsabilidade pelo controle da inflação deixou de ser da política monetária e passou para a evolução da situação internacional. Esta, com razão, preocupa as autoridades monetárias, que, no entanto, deveriam dar alguma informação sobre medidas que poderiam adotar para reduzir ao mínimo os efeitos, no Brasil, da crise que os países ricos atravessam.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 27/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Depois de tanta histeria, alguma luz sobre Pinheirinho</strong></p>
<p><strong>* Barbárie são os grupelhos de esquerda que plantam barracos em áreas proibidas para colherem sangue e cadáveres em ano de eleições</strong></p>
<p>“Em Porto Alegre (RS) a presidente da República, Dilma Rousseff, manifestou-se uma oitava acima da crítica do professor sobre o assunto. Classificou de ‘barbárie’ a ação policial e garantiu que nunca algo similar será praticado pelo governo federal sob suas ordens. O compromisso é uma tautologia enganadora, mais do que isso, uma verdade óbvia e insidiosa, pois essa não é uma tarefa atribuída pela ordem constitucional ao âmbito federal, mas uma obrigação estadual. A autoridade encarregada de empregar a força para fazer valerem decisões judiciais é da Polícia Militar, subordinada a governadores. Ou seja, Sua Excelência, com a devida vênia, prometeu o que cumprirá porque não lhe diz respeito algum.</p>
<p>“Já a definição presidencial da operação ordenada pelo adversário político é simplesmente errada. Bárbara não foi a ação policial que desocupou o terreno, mas a situação social e a omissão governamental (muito bem descrita pelo professor Nogueira) que permitiram sua ocupação sem autorização do legítimo dono. Pode-se discutir se a PM paulista usou mais ou menos violência do que o necessário para fazer a ordem judicial ser cumprida. Mas negar à Justiça, na democracia, o uso do braço forte para obrigar quem viola a lei a se enquadrar em seus cânones é desconhecer o princípio básico da ordem democrática. Se não for um excesso de irreverência, talvez seja o caso de dizer que falou mais alto no coração da chefe (ou ela preferiria chefa?) de Estado seu passado de militante do que seu juramento de fazer cumprir a Constituição.</p>
<p>“Agora, já que a presidente falou em barbárie, ou seja, no estágio anterior ao convívio civilizado dos humanos, convém alertá-la de que bárbaros são os militantes que tentaram impedir a saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), da Sé, na festa do aniversário da cidade, e do secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC), a pretexto de protestarem contra a desocupação da comunidade. Kassab administra um município a 100 quilômetros de distância do território conflagrado. Foi agredido gratuitamente, portanto, à saída da catedral, e numa praça onde se realizaram grandes encontros cívicos pela conquista da liberdade de pensar, agir e empreender. Matarazzo é titular de uma pasta responsável por teatros, museus, oficinas e salas de espetáculos e tem tanto que ver com o episódio de São José dos Campos quanto o bei de Túnis ou o califa de Bagdá. O desforço físico é a tentativa, essa, sim, bárbara de compensar a influência que a população nega nas urnas aos grupelhos de esquerda que plantam barracos em áreas proibidas para colherem sangue e cadáveres em ano de eleições. O saber do mestre e a imensa popularidade da presidente não conseguirão atenuar a barbárie de quem, não tendo votos, recorre a paus, pedras e ovos para tentar impor seus argumentos.” <strong>(José Nêumane, <em>Estadão</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “As mentiras do PT sobre Pinheirinho”</strong></p>
<p>“Em face da reintegração judicial de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, o PT montou uma fábrica de mentiras para divulgar nas próximas campanhas eleitorais. Em respeito aos leitores da <em>Folha</em>, eis as mentiras, seguidas da verdade:</p>
<p>Mentira 1: ‘O governo federal fez todos os esforços para buscar uma solução pacífica’.</p>
<p>Verdade: Desde 2004, a União nunca se manifestou no processo como parte nem solicitou o deslocamento dos autos para a Justiça Federal. Em 13 de janeiro de 2012, oito anos após a invasão, quando a reintegração já era certa, o Ministério das Cidades &#8211; logo o das Cidades, do combalido ministro Mário Negromonte &#8211; entregou às pressas à Justiça um ‘protocolo de intenções’. Sem assinatura, sem dinheiro, sem cronograma para reassentar famílias nem indicação de áreas, o documento, segundo a Justiça, ‘não dizia nada’, era uma ‘intenção política vaga.’</p>
<p>Mentira 2: ‘Derramou-se sangue, foi um massacre, uma barbárie, uma praça de guerra. Até crianças morreram. Esconderam cadáveres’.</p>
<p>Verdade: Não houve, felizmente, nenhuma morte, assim como nas 164 reintegrações feitas pela Polícia Militar em 2011. O massacre não existiu, mas o governo do PT divulgou industrialmente a calúnia. A mentira ganhou corpo quando a ‘Agência Brasil’, empresa federal, paga com dinheiro do contribuinte, publicou entrevista de um advogado dos invasores dando a entender que seria o porta-voz da OAB, entidade que o desautorizou. A mentira ganhou o mundo. Presente no local, sem explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos, militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez BO nem autorizou exame de corpo de delito. Hoje, posa como ex-combatente de uma guerra que não aconteceu.</p>
<p>Mentira 3: ‘Não houve estrutura para abrigar as famílias’.</p>
<p>Verdade: A operação foi planejada por mais de quatro meses, a pedido da juíza. Participaram PM, membros do Conselho Tutelar, do Ministério Público, da OAB e dos bombeiros. O objetivo era garantir a integridade das pessoas e minimizar os danos. A prefeitura mobilizou mais de 600 servidores e montou oito abrigos. Os abrigos foram diariamente sabotados pelos autodenominados líderes dos sem-teto, que cortavam a água e depredavam os banheiros.</p>
<p>Mentira 4: ‘Nada foi feito em São Paulo para dar moradia aos desabrigados’.</p>
<p>Verdade: O governo do Estado anunciou mais 5.000 moradias populares em São José dos Campos, as quais se somarão às 2.500 construídas nos últimos anos. Também foi oferecido aluguel social de R$ 500 até que os lares definitivos fiquem prontos. Nenhuma família será deixada para trás.” <strong>(Aloysio Nunes Ferreira, senador, PSDB-SP, na <em>Folha de S. Paulo</em>, 1º/2/2012.)</strong></p>
<blockquote><p><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> 3 de fevereiro de 2012</span></em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma/"><strong><em><span style="color: #333333;">Volume 1 – Notícias de 20 a 27/4</span></em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-2/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 2 – Notícias de 28/4 a 4/5</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-3/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 3 – Notícias de 4 a 6/5</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-4/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 4 – Notícias de 7 a 10/5</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-5/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 5 – Notícias de 10 a 17/5</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-6/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 6 – Notícias de 17 a 21/5</span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-7/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 7 – Notícias de 22 a 27/5</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-8/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 8 – Notícias de 28/5 a 2/6</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-9/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 9 – Notícias de 3 a 10/6</span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-10/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 10 – Notícias de 11 a 17/6</span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-11/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 11 – Notícias de 18 a 23/6</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-12/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 12 – Notícias de 24/6 a 8/7</span></strong></a> </em></p>
<p><em><strong><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-13/"><span style="color: #333333;">Volume 13 – Notícias de 8 a 14/7</span></a></strong> </em></p>
<p><em><strong><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-14/"><span style="color: #333333;">Volume 14 – Notícias de 15 a 21/7</span></a></strong></em></p>
<p><em><strong><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-15/"><span style="color: #333333;">Volume 15 – Notícias de 22 a 28/7</span></a></strong></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-16/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 16 – Notícias de 29/7 a 4/8</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-17/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 17 – Notícias de 5 a 11/8</span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-18/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 18 – Notícias de 12 a 18/8</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-19/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 19 – Notícias de 19 a 25/8. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-20/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 20 – Notícias de 26/8 a 1º/9.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-21/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 21 – Notícias de 2 a 8/9</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-22/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 22 – Notícias de 9 a 15/9</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-23/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 23 – Notícias de 16 a 22/9</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-24/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 24 – Notícias de 23 a 29/9.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-25/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 25 – Notícias de 1º a 27/10</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-26/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 26 – Notícias de 28/10 a 3/11.</span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-27/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 27 – Notícias de 4 a 10/11. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-28/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 28 – Notícias de 11 a 17/11.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-29/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 29 – Notícias de 18 a 24/11.</span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><span style="color: #333333;"><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></span></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong>Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 36 – Notícias de 13 a 19/1. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/">Volume 37 &#8211; Notícias de 20/1 a 2/2.</a></em></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
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		<title>Historinhas de redação (14): O Cafa e Olga</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 01:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Olga Vasone, figura maravilhosa, solar, sempre bem humorada, era repórter da Geral. Fui colega dela no primeiro ano da ECA; depois do JT ela iria para a Rede Globo, onde ficaria anos e anos. Um absurdo nunca mais ter ouvido falar nela. Olga estava um dia absolutamente inclinada sobre um daqueles conjuntos de mesas, mostrando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olga Vasone, figura maravilhosa, solar, sempre bem humorada, era repórter da Geral. Fui colega dela no primeiro ano da ECA; depois do <em>JT</em> ela iria para a Rede Globo, onde ficaria anos e anos.<span id="more-6327"></span></p>
<p>Um absurdo nunca mais ter ouvido falar nela.</p>
<p>Olga estava um dia absolutamente inclinada sobre um daqueles conjuntos de mesas, mostrando alguma coisa num papel para o chefe de reportagem, não me lembro qual era ele na época. Naquela posição, Olga projetada para cima das mesas, abriu-se um espaço entre a camisa e o jeans, a derrière majestosa de Olga.</p>
<p>A cena demorava. <a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/historinhas-de-redacao-2-o-cafa-e-a-lista-telefonica/">Inajar de Souza</a>, veterano, safado, sacana, conhecido pelo apelido (bem mais justo que o cós do jeans de Olga) de Cafa, chamou a atenção de várias pessoas; quando havia boa platéia vendo a cena por trás de Olga, o Cafa deixou, gentilmente, cair uma caneta Bic entre as nádegas da foca.</p>
<p>A qual reagiu – é preciso que se registre – com uma fleugma britânica, um bom humor carioca, sorrisão aberto.</p>
<p>Grande Olga Vasone.</p>
<p>Imagino que se uma cena dessas acontecesse hoje, iria dar Boletim de Ocorrência com base na Lei Maria da Penha. Não, não é saudosismo. É só constatação.</p>
<blockquote><p><em>Postado em fevereiro de 2011</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Guerra no país da boquinha</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 17:33:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Com 22 mil cargos de confiança, o governo brasileiro é recordista absoluto em um ranking nefasto que só neste ano vai custar mais de R$ 200 bilhões. Ganha de lavada dos oito mil cargos dos Estados Unidos e dos quatro mil da França. E, garantidamente, o Estado nacional não funciona melhor do que o da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com 22 mil cargos de confiança, o governo brasileiro é recordista absoluto em um ranking nefasto que só neste ano vai custar mais de R$ 200 bilhões. Ganha de lavada dos oito mil cargos dos Estados Unidos e dos quatro mil da França. E, garantidamente, o Estado nacional não funciona melhor do que o da Inglaterra, com apenas 300 servidores comissionados.<span id="more-6297"></span></p>
<p>Eficazes para atrair apoios e garantir fidelidade cega a governantes, cargos públicos sempre foram disputados a tapas. Neles, políticos tentam encaixar suas turmas, de olho no pleito seguinte.</p>
<p>Se essa é a regra, a guerra por cargos entre o PT, o PMDB e os mais de 10 partidos do consórcio que elegeu Dilma Rousseff não deveria causar estranheza. Ao contrário, seria legítima. E os combatentes &#8211; conhecedores dos telhados de vidro dos integrantes da aliança – não precisariam usar e abusar do fogo amigo.</p>
<p>Seria nobre se o fizessem para limpar o Estado de maus servidores. Mas querem apenas abocanhar maiores nacos. Aproveitam-se da fragilidade dos quadros, onde é difícil fisgar alguém com ficha limpa, e abrem fogo.</p>
<p>A meia dúzia de ministros detonados por suspeita de corrupção, todos de partidos aliados, conhece bem a artilharia. Sabe ainda que quando o ministro é do PT, mesmo que as balas venham do próprio PT, Dilma arma a blindagem, como no caso de Fernando Pimentel, sangrado pelos petistas de Minas, e mantido longe da arena de luta.</p>
<p>Não raro, a proteção temporária ou definitiva é feita colocando-se na bandeja a cabeça de subalternos. Foi assim com o Dnit, antes da queda de Alfredo Nascimento, e agora, com a substituição no Dnocs, preservando Fernando Bezerra e seus inexplicáveis privilégios a Petrolina, seu curral eleitoral. Caiu também o chefe de gabinete do Ministério das Cidades, pasta em que Mario Negromonte, que nem o PP quer mais, ainda se sustenta.</p>
<p>Sem reforma ministerial à vista, a batalha agora é pelas estatais, Petrobras à frente. A divisão do bolo é tão difícil que para incluir um petista a mais – o ex-presidente do partido, José Eduardo Dutra – decidiu-se pela criação de uma nova diretoria. A Petrobras, terceira maior empresa de energia do mundo, funcionou até hoje sem uma diretoria coorporativa e não parece que lhe faça alguma falta. Mas, no país da boquinha, isso pouco importa.</p>
<p>Pouco importa também se os recém-nomeados para o segundo escalão dos ministérios da Saúde, da Agricultura ou de Minas e Energia entendem alguma coisa do riscado. O que vale é a partilha, a satisfação dos donos de cada uma das sesmarias que, como sanguessugas, chupam tudo até a última gota. E o contribuinte paga a conta.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 29/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Vamos ler o Bartô</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/vamos-ler-o-barto/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 18:16:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Brant]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando se morre não há mais possibilidade de página em branco, a obra está completa. É deixar de existir e passar a ser, diriam os existencialistas, se é que aprendi bem a lição. Fechado e imutável, porém, o livro está ali, pronto para ser lido e desvendado. A existência é o espaço do fazer, conviver, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se morre não há mais possibilidade de página em branco, a obra está completa. É deixar de existir e passar a ser, diriam os existencialistas, se é que aprendi bem a lição. Fechado e imutável, porém, o livro está ali, pronto para ser lido e desvendado.<span id="more-6294"></span></p>
<p>A existência é o espaço do fazer, conviver, amar e construir. Uns edificam vidas que merecem aplausos e admiração. Outros, incitam nosso desprezo e indignação. Mas não é hora de gastar cera com os desnecessários.</p>
<p>No universo da família e da amizade, quem se vai deixa marcas robustas nos corações dos que ficam. Exemplos, palavras, gestos e ações são lembrados e não há como apagar os sinais deixados na passagem. Certas pessoas, ao se desprenderam do nosso círculo de gente que respira e se move, parecem saltar de sua inexistência para dentro de nós. Não ficam nos cemitérios ou crematórios. Ficam quietos dentro de nós e, quando menos esperamos, se manifestam. Não sei como explicar isso, pois me acontece, mas é uma dose de memória boa que me fortalece, me anima a prosseguir em meu caminho, cuidando melhor de minha plantação. É uma presença que me fala do passado, mas me diz mais do presente, do futuro e do universo em que habito.</p>
<p>Há o caso dos artistas, dos criadores. Esses nos deixam, além da possível grandeza humana, algo concreto. Ainda agora está anunciado nos cinemas a exibição do filme A Música segundo Tom Jobim. Dizem que é de chorar de felicidade estética. Guimarães Rosa, que se encantou tão cedo, nos deixou um mundo de alegria, conhecimento e arrepios em seus livros que encontramos nas melhores livrarias. O poeta Drummond, depois de morto ficou quase dez anos esquecido. Hoje é lido como se estivesse por aí dando sopa.</p>
<p>Eles se vão, param de escrever, pintar, compor e filmar, mas o que eles são está nos livros, quadros, canções e filmes que criaram. Essa a maravilha da arte, que permanece além da existência de quem a cria.</p>
<p>Há muitos anos, Antonieta Cunha, minha mestra, me falou do Bartolomeu Campos de Queirós. Só fui ter uma conversa longa e proveitosa com ele muito mais tarde, numa tarde de inverno, no restaurante do Minas. Com muitos amigos comuns, eu me encontrei com ele muito menos do que merecia. Nos poucos encontros, bebi com prazer de sua sabedoria. Poucos dias antes dele nos deixar, assisti embevecido, na TV Assembléia, a um longo depoimento seu . Uma aula de vida, criatividade, liberdade, educação e arte. Um ser humano, educador e escritor que precisamos continuar a ler.</p>
<blockquote><p><em>Esta crônica foi originalmente publicada no </em>Estado de Minas<em>.</em></p></blockquote>
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		<title>Os pássaros de David Lynch</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 20:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuel S. Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Vivemos tempos de Bosch. Entra-se num comboio, num avião e os gemidos vêm das próprias cadeiras. As ruas gritam, os restaurantes sussurram. A realidade está a hiperventilar. Um amigo meu foi a Bruxelas. Ou pode ter sido a Cannes, ao G-20. Cheirava bem, a maçãs, a flores secas, mas de repente levantou os olhos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos tempos de Bosch. Entra-se num comboio, num avião e os gemidos vêm das próprias cadeiras. As ruas gritam, os restaurantes sussurram. A realidade está a hiperventilar.<span id="more-6285"></span></p>
<p>Um amigo meu foi a Bruxelas. Ou pode ter sido a Cannes, ao G-20. Cheirava bem, a maçãs, a flores secas, mas de repente levantou os olhos e viu-se num tempo de Bosch. Era “Cristo Carregando a Cruz”, o quadro em que mais hediondos são os rostos humanos. De tal maneira que o Filho do Homem caminha de olhos fechados. A multidão que o esmaga é uma orgia de crueldade, bocas torcidas, narizes inflados pela soberba, caras suinamente crispadas pela avareza. Cheirava a maçãs, disse o meu amigo, e o egoísmo era brutal.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzbosch2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6291" title="zzbosch2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzbosch2.jpg" alt="" width="800" height="738" /></a>O pintor flamengo viveu o estertor de um mundo. A prodigiosa arquitectura teocrática – de inferno e paraíso, pecado, culpa e morte – estava a dar as últimas. Talvez não se visse, mas o mistério instilava-se na Natureza e roçava-se pela carne. Bosch não pintava com as mãos e ainda menos o que os olhos lhe davam a ver. Bosch pintava com a mente. Pintava o caos e a irracionalidade: um cavaleiro a nascer do rabo de uma sereia, uma mulher pútrida com casca de árvore segurando nos dedos-raízes uma enfaixada criança. Pintou nas “Tentações” um músico com cabeça de porco, exemplo do bizarro bestiário em que fundiu homem, bicho e vegetal.</p>
<p>Vejo um auto-retrato de Bosch e começo a ter alguma confiança na reincarnação: poderia ser o pai, o avô de David Lynch. A Idade Média era propícia a mistérios. Pois é. David Lynch é o único cineasta medieval de que há memória: é ainda teológico e escolástico. Bosch era brumoso. David Lynch, para começar, estreou-se com a névoa industrial de <em>Eraserhead</em>. Mesmo em <em>Mullholand Drive</em> pinta a Califórnia com as oníricas brumas dos recorrentes pesadelos dele e de Naomi Watts.</p>
<p>Faço questão de não usar a palavra surreal. Vivemos um tempo de Bosch e Lynch anda já a filmá-lo há alguns anos. Uma ninhada de cachorros mama sofregamente a cadela sua mãe na sala de estar da namorada do rapaz de <em>Eraserhead</em>, mais depressa se faria uma festinha a Angela Merkel do que às repugnantes costas do herói proboscídeo de <em>Elephant Man</em> e há, em <em>Blue Velvet</em>, uma ominosa orelha humana com que os insectos se deliciam no relvado de uma small town americana.</p>
<p>Não se chame fantasia ao que é a livre expressão de uma violenta irracionalidade. Veja-se <em>Blue Velvet</em>. Primeiro a nudez masoquista, depois os dois mortos (orelhas cortadas, trapo de veludo a sair-lhes da boca) na sala da escravizada Isabela Rossellini, oferecem, como as “Tentações de Santo António” ou os “Sete Pecados Capitais”, um mundo hipersexualizado, mais grávido de maldade do que mãe de Hitler. Pássaros estranhos poisam-nos na janela com apavorados insectos no bico: vivemos um tempo de Lynch.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no semanário português </em><a href="http://aeiou.expresso.pt/"><strong><em>O Expresso</em></strong></a><em>.</em></p>
<p><em>msfonseca@netcabo.pt</em></p>
<p><em>Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia.</em></p></blockquote>
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		<title>Tragédia de erros</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 15:55:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, foi a materialização da mais completa tragédia de erros ocorrida nos últimos tempos. Em diversas frentes: 1) O governo estadual seguiu a ordem judicial, como lhe cabia fazer, sem tomar o devido cuidado prévio de criar as mínimas condições materiais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, foi a materialização da mais completa tragédia de erros ocorrida nos últimos tempos. Em diversas frentes:<span id="more-6279"></span></p>
<p>1) O governo estadual seguiu a ordem judicial, como lhe cabia fazer, sem tomar o devido cuidado prévio de criar as mínimas condições materiais e humanas para acolher os desabrigados e proporcionar-lhes condições decentes de sobrevivência. A Prefeitura Municipal de São José dos Campos divide com o governo estadual o troféu de omissão e incompetência.</p>
<p>2) O governo federal, através do seu coroinha das boas causas, o ministro Gilberto Carvalho, correu a criticar a ação da reintegração de posse, dizendo que teria sido melhor agir de outra forma, sem dizer qual seria essa outra forma (desobedeceria a ordem judicial?). Mais uma vez, como ocorreu no episódio da Cracolândia, insinuou que o governo federal teria uma solução pacífica e boa para todos, guardada em alguma gaveta. Não disse qual seria a solução e muito menos porque ela não saiu da gaveta para ser posta na mesa.</p>
<p>3) A imprensa, desde o primeiro momento, não foi sequer capaz de noticiar com precisão e muito menos de esclarecer o que significava o conflito de jurisdição entre a Justiça federal e a Justiça estadual em torno da ação de reintegração de posse. Nos primeiros momentos da ação policial na área ocupada, a impressão que se tinha era a de que a PM estava descumprindo a ordem da Justiça federal e agindo arbitrariamente por decisão própria. Além de não conseguir sequer acompanhar cronologicamente a sucessão de ordens e contra ordens da Justiça, a imprensa foi incapaz de contextualizar a própria situação do Pinheirinho, de explicar qual é a origem da posse da área, como foi que o megaespeculador Naji Nahas se tornou seu dono, de quem a comprou, quando e como a comprou , o que é uma massa falida, quais são os direitos de uma massa falida, qual é o valor da área, de como se deu a ocupação da área por aquelas pessoas, quais foram as tentativas de acordo entre as partes envolvidas durante os oito anos de ocupação. A imprensa tampouco foi capaz de dimensionar o verdadeiro papel do líder do acampamento, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdir Martins de Souza, o Marrom, militante do PSTU, na história do conflito e nas frustradas tentativas de acordo.</p>
<p>4) As chamadas “redes sociais” contribuíram notavelmente para a infantilização do debate sobre a ação de reintegração de posse, dando livre curso a um debate ideológico obscurantista e a um constrangedor festival de desinformação, com alguns lances patéticos de má-fé e ignorância factual sobre princípios básicos que regem a ordem jurídica do País. Para uma boa parte da simplória militância ideológica de esquerda, tratou-se simplesmente de uma maldade do governador tucano, que tomou a terra dos pobres para entregá-la de volta ao ricaço Naji Nahas, que , evidentemente, deve tê-la roubado de alguém. Na cabeça da torcida instalada na arquibancada ideológica, uma ação tão truculenta só poderia produzir vítimas. Na falta de um massacre concreto, inventou-se um, e um advogado dos invasores, falando em nome da OAB, desandou a denunciar mortes que não aconteceram. E a agência oficial de notícias do governo, irresponsavelmente, espalhou a notícia pelo país, sem dar-se ao trabalho de checar se era verdadeira ou não. No dia seguinte foi só publicar: o advogado fulano de tal não confirmou as mortes que ele divulgou ontem. Vida que segue, como se nada tivesse acontecido.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 27/1/2012.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Más notícias do país de Dilma (37)</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 02:09:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[“Neste Maracanã de ministros, a pobre presidente Dilma até some na paisagem (repare só na foto), no fundo da sala da reunião ministerial de ontem (segunda, 23/1), no Palácio do Planalto. O Brasil tem 38 ministros, uma herança maldita do governo Lula, que se empenhou em acomodar os velhos e os novos parceiros políticos, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzminister.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6265" title="zzminister" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzminister.jpg" alt="" width="660" height="438" /></a></p>
<p>“Neste Maracanã de ministros, a pobre presidente Dilma até some na paisagem (repare só na foto), no fundo da sala da reunião ministerial de ontem (<em>segunda, 23/1</em>), no Palácio do Planalto.<span id="more-6264"></span> O Brasil tem 38 ministros, uma herança maldita do governo Lula, que se empenhou em acomodar os velhos e os novos parceiros políticos, como os do Maranhão de José Sarney. É claro — como tem dito o empresário Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Gestão, um órgão consultivo para a melhora da eficiência do governo — que é impossível administrar bem com tanta gente. Mas quem dá bola para eficiência na política miúda brasileira? Com todo o respeito.&#8221; (<strong>Ancelmo Gois, <em>O Globo</em>, 24/1/2012.)</strong></p>
<p>Na semana passada, botei no Twitter e no Facebook brincadeirinhas sobre a reunião ministerial anunciada para o dia 23. Dizia que a reunião seria realizada no Maracanãzinho. Gostei de saber que o Ancelmo Gois ampliou o espaço para o Maracanã.</p>
<p>Uma foto – dizem – vale mais que mil palavras. Pois aí está a foto que comprova, mais que mil palavras, a incompetência do governo Dilma Rousseff.</p>
<p>Seguem-se, abaixo, muito mais que mil palavras que comprovam a mesma coisa. É a 37ª <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/">compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>.</p>
<p><strong>* O que falta é competência, eficácia, capacidade gerencial</strong></p>
<p>“’Reforma só existe na cabeça da imprensa’, teria dito a presidente Dilma Rousseff a seus assessores, no momento em que concluía as articulações para fazer um ‘ajuste’ no Ministério, que já começou com a dispensa do ministro da Educação, Fernando Haddad, para disputar pelo PT a Prefeitura de São Paulo. A imprensa tem ombros largos. Fontes ligadas à chefe do governo e por ela jamais desmentidas passaram todo o tempo, desde a posse, garantindo que a partir do início do segundo ano de mandato Dilma promoveria um importante remanejamento no primeiro escalão do governo, de maneira a, com todo o respeito à inevitável influência de Lula, adequá-lo a seu próprio perfil. Quiseram os desmandos descobertos em pelo menos meia dúzia de Ministérios que Dilma fosse obrigada a dar o bilhete azul para meia dúzia de ministros herdados de seu sucessor. Foi, assim, obrigada a antecipar a ‘reforma’, que é como se pode chamar a demissão sucessiva, em curto espaço de tempo, de 20% da equipe ministerial. Perfeitamente compreensível, portanto, que pouco tenha restado para ser feito agora em termos de substituição de ministros. Essa explicação seria suficiente, sem necessidade de ataques e ironias gratuitas sobre o comportamento da imprensa. (&#8230;)</p>
<p>“Do ponto de vista da administração pública (&#8230;), o que verdadeiramente importa são programas e projetos. E estes, para que sejam eficientemente executados, exigem um aparelho de Estado competente e eficaz. Ideias não faltam ao governo. Todas ambiciosas e impregnadas da evocação mântrica do ‘nunca antes na história deste país’. O que falta, e o cotidiano do governo o demonstra sobejamente, são exatamente competência e eficácia numa máquina partidariamente aparelhada. Não é por outra razão que boa parte do prestígio e da imagem pública que Dilma Rousseff projeta está baseada em seu louvado ‘perfil técnico’ e em sua assinalada ‘capacidade gerencial’, qualidades que estaria empenhada em transformar em marca de seu governo. Por enquanto, porém, também a conduta administrativa do governo não suscita otimismo.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 20/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Um esplendoroso dia de Poliana e a notória ineficiência administrativa </strong></p>
<p>“O governo Dilma Rousseff viveu na segunda-feira (<em>23/1</em>), com a realização da primeira reunião ministerial de 2012, um esplendoroso dia de Poliana, dando uma demonstração para lá de eloquente de que entra no segundo ano da nova administração cheio de boas intenções. Para começar, a presidente assinou decreto que cria uma supersecretaria, destinada a reestruturar o funcionamento do primeiro escalão do governo e a monitorar suas ações. (&#8230;) A Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento está sendo criada para impor novos padrões de eficiência aos Ministérios, especialmente por meio da definição de indicadores de controle das despesas de custeio e da avaliação dos procedimentos administrativos de cada pasta. A partir daí poderão ser adotadas medidas de reestruturação administrativa que implicarão extinção ou criação de novos órgãos. É uma iniciativa louvável, até porque implica a admissão de que os vigentes procedimentos administrativos deixam a desejar, mas não elide o fato de que, ao identificar os resultados dessa má gestão, se estará atacando o efeito e não a causa da notória ineficiência administrativa do governo federal. O motivo pelo qual o governo funciona mal é político. É o resultado de o lulo-petismo ter levado ao extremo, sem que Dilma Rousseff se revele minimamente disposta a mudar de rumo, o princípio de que, em troca de sustentação política &#8211; a tal da governabilidade -, os partidos aliados ao governo tornam-se condôminos do poder com toda a liberdade para agir de acordo com seus interesses eleitorais e o apetite de suas lideranças.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dilma chama de “revolução” obrigações básicos que o governo não cumpre</strong></p>
<p>“Muito boa a providência anunciada pela presidente Dilma Rousseff na primeira reunião ministerial de 2012: lá para meados do ano vai começar a acompanhar ‘de perto’ tudo o que acontece no governo. Cada pasta será obrigada a manter sistemas atualizados de informações online para que a Presidência, sob coordenação da Casa Civil, possa monitorar todas as ações, os gastos, o cumprimento das metas e cobrar resultados na hora, sem postergação. Não obstante seja positiva a demonstração de ativismo, o anúncio não traz novidade alguma a não ser a confissão de que o governo iniciado há nove anos &#8211; considerando a continuidade da gestão Luiz Inácio da Silva &#8211; não vem cumprindo obrigações básicas. Não atende aos pressupostos de transparência, eficácia e de intransigência no tocante a desvios e desmandos, visto que acaba de anunciá-los como regras a entrarem em vigor mediante preparação especial de cada um dos 38 ministérios. Nem com toda boa vontade do mundo é possível aceitar que o objetivo de prestar ‘melhores serviços à população’, conforme explicou o porta-voz, Thomas Traumann, seja, como disse a presidente em seu discurso, ‘um projeto revolucionário, progressista e indispensável’, à reforma do Estado. Com perdão da constatação acaciana, é o mínimo que se espera do poder público. Onde a revolução?” <strong>(Dora Kramer, <em>Estadão</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Eles chamam de Plano Plurianual. É “mero ajuntamento de ideias mal articuladas”</strong></p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff sancionou na quarta-feira (<em>18/1</em>) uma lei sobre o exercício das atividades de cabeleireiros, barbeiros, manicures e outros profissionais de higiene e beleza, outra sobre a profissão de turismólogo e uma terceira sobre o Plano Plurianual da União (PPA) para 2012-2015, base para os orçamentos anuais do período. É difícil dizer qual das três é a mais inútil e redundante. A lei sobre o pessoal da beleza recomenda a obediência às normas sanitárias e a esterilização dos instrumentos de trabalho. A lei do PPA inclui entre as diretrizes de governo até 2015 ‘a garantia da soberania nacional’ e a ‘excelência na gestão para garantir o provimento de bens e serviços à sociedade’. Não tem sentido tratar a defesa da soberania como diretriz de governo para um período de quatro anos. Quanto à ‘excelência na gestão’, só pode ser um objetivo constante, nunca uma ‘diretriz’ com prazo determinado. Esta restrição vale para uma porção de outros itens da mesma enumeração, como ‘o crescimento econômico sustentável’ e a ‘valorização da educação, da ciência e da tecnologia’.</p>
<p>“Com 22 artigos de apresentação das ideias gerais e centenas de páginas de anexos, essa lei do PPA deixaria encantado e talvez invejoso o bom Conselheiro Acácio. Segundo o artigo 16, ‘o monitoramento do PPA 2012-2015 é atividade estruturada a partir da implementação de cada programa e orientada para o alcance das metas prioritárias da administração pública federal’. Também é brilhante o artigo seguinte: ‘A avaliação consiste na análise das políticas públicas e dos programas com os respectivos atributos, fornecendo subsídios para eventuais ajustes em sua formulação e implementação’.</p>
<p>“Mas esses artigos contêm mais do que obviedades. São uma negação perfeita, ou quase, das práticas normais da administração federal. Falhas no controle de custos, nos estudos de viabilidade, no acompanhamento e na avaliação final são algumas das piores características da gestão federal brasileira. (&#8230;)</p>
<p>“O processo de elaboração fica evidente mesmo numa leitura superficial. Cada Ministério amontoa uma porção de itens e ninguém parece cuidar da arrumação do conjunto. Entre as metas para 2012-2015 foi incluído, por exemplo, o apoio à ‘discussão e implementação de projeto de lei que vise à ampliação do direito de licença-maternidade de 180 dias para as trabalhadoras do setor privado’. Apoiar uma discussão é meta? (&#8230;) A leitura dos detalhes do PPA reforça a impressão de um mero ajuntamento de ideias mal articuladas &#8211; uma indisfarçável negação do conceito de planejamento.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Já que o PAC não anda, melhor é ser Mãe Dilma, dessas que tiram mau-olhado</strong></p>
<p>“Sexta economia do mundo, no início do século 21 o Brasil ainda não se desprendeu do realismo mágico celebrizado por romancistas latino-americanos. Ministros blindados entram e saem do Palácio do Planalto. Seus movimentos são reduzidos por causa do peso. Não podem estar juntos em certos lugares porque o assoalho se rompe. Blindando aos poucos seus aliados, Dilma Rousseff poderia exibir uma ala de ministros blindados na parada de 7 de Setembro. Depois de passarem os Urutus, veríamos os ministros blindados, cada qual com sua estrutura e com um tipo de aço, forjado na amizade pessoal, na força do clã ou mesmo na conveniência das alianças regionais.</p>
<p>“Ao recusar as evidências, Dilma pede apenas que acreditemos nela, que vejamos com os olhos da fé o luminoso caminho que o Brasil vai trilhar, rumo ao que chama de um país de classe média. Neste começo de ano já se soube que o programa de segurança, chamado Pronasci, fracassou e precisa cortar metade dos investimentos, que seriam de R$ 2 bilhões. Da mesma forma, dados de 2011 indicam que não houve avanços no campo do saneamento básico, mas um pequeno retrocesso: continuamos com 45% das casas sem essa estrutura elementar. Dilma apresentou-se na eleição como a mãe do PAC. Diante dessa nova situação, o melhor é ser apenas Mãe Dilma, dessas que tiram mau-olhado e trazem de volta em 48 horas a pessoa amada. Ao optar pela blindagem, o governo não só fechou o corpo de seus ministros, mas recuou o processo democrático para o universo da magia. O que podem as pessoas, na chuva, a casa caindo, diante de ministros blindados, que passam em carros blindados? Toneladas de aço e de símbolos tecidos com as linhas de um poder metálico os separam do comum dos mortais.” <strong>(Fernando Gabeira, <em>Estadão</em>, 20/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Na hora da picanha, locupletaram-se todos</strong></p>
<p>“Se algum dia a doutora Dilma Rousseff pensou em fazer uma reforma ministerial que tivesse relação com uma faxina, a blindagem dos ministros Fernando Pimentel e Fernando Bezerra Coelho mandou a idéia ao arquivo. Como diria Stanislaw Ponte Preta, restabeleceu-se a moralidade enquanto lidava-se com peixes pequenos, como Orlando Silva e Carlos Lupi. Na hora da picanha, locupletaram-se todos.” <strong>(Elio Gaspari, <em>O Globo</em> e <em>Folha de S. Paulo</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Suspeitas, irregularidades, roubalheira</strong></p>
<p><strong>* Superfaturamento de R$ 1 bilhão em obras dos aeroportos</strong></p>
<p>“O Ministério Público Federal (MPF) acaba de dar mais um passo para que se puna um dos maiores escândalos de corrupção da década passada (e olhe que a concorrência nesse ranking é grande): aquele que envolve as obras de ampliação de dez aeroportos no primeiro governo Lula, superfaturadas, segundo a PF, em R$ 1 bilhão. O MPF denunciou à Justiça Federal 56 envolvidos no esquema — uma turma que reúne toda a então diretoria da Infraero e executivos e controladores das maiores empreiteiras do Brasil. Ao longo das 260 páginas do processo, há de tudo: de “práticas de crime para realização de fraude” nas licitações até peculato, passando por corrupção ativa e passiva. Um total de dezessete empreiteiras está envolvido. Pela ordem, as três grandes acusadas são Odebrecht (163 milhões de reais), OAS (96 milhões de reais) e, com a medalha de bronze, a Carioca (79 milhões de reais).” <strong>(Lauro Jardim, Radar, <em>Veja</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p>* <strong>Governo já botou mais de R$ 1 bilhão para irrigar terras da família do ministro – e nada funciona</strong></p>
<p>“Cabras vagueiam ao longo da obra inacabada do Perímetro de Irrigação Pontal, em Petrolina (PE), em meio aos carros-pipa que levam água de canais que nada irrigam para comunidades do semiárido. Perto dali, no reduto político da família de Fernando Bezerra Coelho, funciona o maior projeto de irrigação do País, o Nilo Coelho &#8211; nome de um tio do ministro da Integração Nacional -, que produz mangas e uvas para exportação. Os dois perímetros já consumiram R$ 1,1 bilhão em verbas públicas, segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). O governo prevê investimentos de mais R$ 160 milhões no Pontal e no Nilo Coelho até 2015, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento. Mais importante: os dois estão em primeiro lugar no plano do governo de busca de parceiros privados para levar adiante os projetos de irrigação do País, cuja sustentabilidade está posta em xeque, segundo constatou o <em>Estado</em> em visita à região.</p>
<p>“Para produtores e potenciais investidores, a emancipação dos perímetros é possibilidade remota. (&#8230;) Eventuais ineficiências à parte, um dos principais problemas da agricultura irrigada é o custo da água. No Distrito Nilo Coelho, o produtor pequeno paga, em média, R$ 800 por mês de água. O custo reflete, basicamente, o consumo de energia elétrica das bombas que puxam as águas do Rio São Francisco para os canais de irrigação.” <strong>(Marta Salomon, Estadão, 22/1/2102.)</strong></p>
<p><strong>* Canal exclusivo leva água até fazenda de irmão do ministro</strong></p>
<p>“Duas placas, uma apontando a concessão de incentivos fiscais do Ministério da Integração Nacional, e outra, com o nome da empresa UPA &#8211; Umbuzeiro Produções Agrícolas Ltda., marcam a entrada da fazenda de propriedade de Caio Coelho, irmão do ministro Fernando Bezerra Coelho, no Perímetro de Irrigação Nilo Coelho. O principal aspecto na cena, no entanto, é o canal exclusivo de irrigação que serve a fazenda, com a entrada protegida pelo porteiro Valberto Silva. ‘Nenhum canal é exclusivo de uma propriedade, mas neste trecho do perímetro de irrigação só tem ela’, explica Paulo Sales, gerente do Distrito de Irrigação Nilo Coelho, empresa privada sem fins lucrativos que administra a área. ‘O canal secundário faz parte do projeto, foi sorte ele ter comprado aquela área’, completa Sales. Além do canal exclusivo, a propriedade da UPA guarda uma das 39 estações de bombeamento de água do Nilo Coelho. Mas isso não representa nenhum tipo de vantagem, alega Caio Coelho, por escrito. ‘A UPA Agrícola apenas utiliza e paga pela água necessária à irrigação do seu plantio.’ A irrigação do Vale do Rio São Francisco é, para Caio, ‘sem a menor dúvida, o melhor investimento público nos últimos anos no Brasil’. O investimento é comandado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), presidida interinamente pelo irmão Clementino Coelho até 12 dias atrás, e subordinada desde o ano passado a outro irmão, o ministro.” <strong>(Marta Salomon, <em>Estadão</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Desvio de dinheiro público em obras de combate à seca no Nordeste</strong></p>
<p>“O Palácio do Planalto avalizou na sexta-feira a demissão do diretor administrativo-financeiro do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o cearense Albert Gradvohl, que será efetivada na próxima segunda-feira, em ato publicado no Diário Oficial da União. Foi uma solução para esvaziar uma crise com o PMDB, que comanda o órgão. O alvo inicial da reestruturação no órgão era o diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes Neto, afilhado político do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). Relatório de irregularidades na gestão de Fernandes Neto, divulgado pela Controladoria Geral da União (CGU) no fim de 2010, aponta todo tipo de desvios de recursos públicos em obras de combate às secas no Nordeste, principalmente dispensa de licitação e superfaturamento na compra de tubulações para a barragem de Tabuleiro de Russas, no Ceará. As suspeitas são de superfaturamento de R$ 5,9 milhões para essa obra.</p>
<p>“Henrique Alves trabalhou nos últimos dias para manter Fernandes Neto no cargo. A exoneração dele chegou a ser analisada pela Casa Civil, mas, após a crise com o líder peemedebista, o Planalto recuou. ‘O ministro Fernando Bezerra enviou ao Planalto o pedido de exoneração dos dois, do Elias e do Gradvohl. Os dois nomes estão na Casa Civil. Desde que o Fernando Bezerra chegou lá, está tentando tirar o Elias’, confirmou o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que indicou Gradvohl, no governo Lula.” <strong>(Gerson Camarotti e Maria Lima, <em>O Globo</em>, 21/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>*Aliados cobram investigação sobre irregularidades na Integração Nacional</strong></p>
<p>“O PMDB do Ceará reagiu à decisão do governo de demitir o diretor de Administração do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o cearense Albert Gradvohl, e agora vai pressionar o Palácio do Planalto para tentar reverter a situação. A demissão do diretor, revelada ontem pelo <em>Globo</em>, abriu uma crise no partido, que passou a culpar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, do PSB. O deputado federal Danilo Forte (PMDB-CE) cobrou explicações do ministro, afirmando que Gradvohl não pode ser transformado em bode expiatório de todas as irregularidades que envolveram a pasta nas últimas semanas. ‘Se o Planalto quer apurar com profundidade todas as irregularidades na Integração, lá tem denúncias de nepotismo, tráfico de influência e questionamento de aditivos das obras de transposição do Rio São Francisco. Me surpreende a virulência com que foi tratado o diretor de um órgão periférico, como resposta a todos os problemas da Integração Nacional’, reagiu Danilo Fortes.</p>
<p>“Para o deputado cearense, é preciso abrir investigação no governo das graves irregularidades envolvendo toda a cúpula do Ministério da Integração: ‘É como se um paciente tivesse um câncer na cabeça, mas estão tirando o bicho de pé. Não podemos aceitar essa movimentação violenta em cima do diretor Gradvohl em detrimento de conchavos políticos para tirar o foco de servidores mais graduados. Se é para investigar, tem que investigar tudo na Integração Nacional.’ A bancada federal do PMDB do Ceará &#8211; formada por cinco deputados federais e pelo senador Eunício Oliveira &#8211; vai cobrar da cúpula do partido uma posição em defesa de Gradvohl junto à Casa Civil.</p>
<p>“<em>O Globo</em> obteve cópia de ofício encaminhado à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em 28 de dezembro, em que o ministro Fernando Bezerra, pede o afastamento de Gradvohl baseado em irregularidades apontadas na auditoria da Controladoria Geral da União nas obras do projeto de irrigação no Tabuleiro de Russas, no Ceará.” <strong>(Gerson Camarotti, <em>O Globo</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* No Dnocs, irregularidades de R$ 24 milhões</strong></p>
<p>“As irregularidades que foram averiguadas em obras de irrigação no Ceará e que derrubaram um diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) nos últimos dias já registram um sobrepreço de quase R$24 milhões. O valor foi calculado por um grupo de trabalho do Ministério da Integração Nacional criado para responder aos questionamentos feitos pela Controladoria Geral da União (CGU). Inicialmente, uma auditoria da CGU havia identificado um preço maior (sobrepreço) de R$5,9 milhões na compra de tubos de ferro para o projeto de irrigação no Tabuleiro de Russas, a 160 quilômetros de Fortaleza, mas a cifra é ainda maior.</p>
<p>“Segundo o próprio diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes Neto, as irregularidades não ficaram restritas aos tubos. ‘Ao apurar o sobrepreço original, considerando o valor global do contrato, verificou-se que a diferença era muito maior do que o detectado pela CGU, que apenas analisou o item tubo de ferro fundido. O sobrepreço total fica em torno de R$23,7 milhões’, disse Fernandes Neto. <strong>(Gerson Camarotti, <em>O Globo</em>, 23/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Controladoria Geral da União constata rombo de R$ 192 milhões no Dnocs</strong></p>
<p>“Palco de novo embate entre PSB e PMDB e mergulhado em denúncias de superfaturamento de obras, o Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra as Secas) tem sua gestão colocada à prova por relatório recém-concluído pela CGU. Auditores constataram um rombo estimado em R$ 192 milhões, além de indícios de sobrepreço e direcionamento de licitações. O texto qualifica a atual direção da autarquia federal como ‘deficiente’ e ‘com pouca efetividade na adoção de providências’. O Dnocs é presidido por Elias Fernandes Neto, ex-deputado indicado pelo líder peemedebista na Câmara, Henrique Alves (RN). <strong>(Fabio Zambeli, <em>Folha de S. Paulo</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dnocs dá para Rio Grande do Norte, Estado de seu direto-geral, 37 dos 47 convênios sobre defesa civil         </strong></p>
<p>“Relatório da Controladoria Geral da União (CGU), concluído em dezembro de 2011, aponta prejuízos de R$312 milhões na gestão de pessoal e em contratações irregulares do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). O relatório de 252 páginas revela uma sucessão de pagamentos superfaturados, contratos com preços superestimados e  ‘inércia ‘ da direção do órgão para sanar irregularidades que prosperaram ao longo da última década. A CGU também aponta  ‘concentração significativa ‘ de convênios para ações preventivas de Defesa Civil no Rio Grande do Norte, estado do diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, e de seu padrinho político, o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os dois negam favorecimento do órgão.</p>
<p>“A auditoria foi realizada no ano passado, depois que as contas do Dnocs foram consideradas irregulares pela CGU por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010). O trabalho apontou prejuízo estimado em obras de R$ 192,2 milhões. São recursos destinados à construção de barragens, adutoras, açudes, pontilhões e passagens molhadas. A CGU ainda contabilizou prejuízo de R$ 119,7 milhões em pagamentos indevidos de Vantagem de Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI), complemento salarial dado aos servidores. Além dos prejuízos multimilionários, os auditores se surpreenderam com o rateio de R$ 34,2 milhões para a execução de convênios entre prefeituras e o Dnocs voltados a ações de Defesa Civil. De 47 convênios, 37 contemplaram municípios do Rio Grande do Norte, que contrataram R$ 14,7 milhões. Muitos convênios, de acordo com a CGU, recheados de irregularidades, como pagamento a empresas com  ‘ligações políticas, com sócios de baixa escolaridade e, inclusive, empresas não encontradas, indicando serem de fachada ‘.</p>
<p>“Para a realocação de 40 casas no Bairro São Francisco, em Alto do Rodrigues (RN), por exemplo, a CGU não conseguiu encontrar os boletins de medição da obra. E ainda identificou direcionamento de licitação, débitos não identificados na conta corrente do convênio e suspeita de uso de laranjas para a contratação de prestadoras de serviço. Sobre os contratos de Defesa Civil com prefeituras do Rio Grande do Norte, a CGU concluiu:  ‘Ficou evidenciada que a execução daqueles convênios está eivada de irregularidades ‘. O Dnocs é subordinado ao Ministério da Integração, cujo ministro, Fernando Bezerra (PSB), também destinou grande parte das verbas de sua pasta para seu estado, Pernambuco. <strong>(Roberto Maltchik, Gerson Camarotti e André de Souza, <em>O Globo</em>, 24/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Dilma decide demitir chefe do Dnocs, mas vai esperar PMDB”</strong></p>
<p>“O Palácio do Planalto já avisou ao PMDB que o diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Elias Fernandes Neto, terá de deixar o governo. Como mostrou <em>O Globo</em>, ele é acusado de favorecer seu estado com verbas federais e de desvios de R$ 312 milhões. O vice-presidente Michel Temer negocia a troca no Dnocs para evitar uma crise com o PMDB na Câmara, pois Elias é afilhado do líder Henrique Alves, que rejeita a substituição. Com o apoio do Planalto, o ministro da Integração, Fernando Bezerra — que também direcionou verbas a seu estado —, confirmou que mudará todas as diretorias do Dnocs, além da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). As irregularidades foram detectadas em auditoria da Controladoria Geral da União. Elias Fernandes é potiguar e afilhado político do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Segundo auxiliares da presidente Dilma, não será mais possível manter Elias Fernandes Neto no cargo depois da demissão do ex-diretor administrativo e financeiro, Albert Gradvohl, concretizada na segunda-feira. Gradvohl era afilhado político do PMDB do Ceará.” <strong>(Gerson Camarotti, <em>O Globo</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dnocs pagou duas vezes pelo mesmo serviço, segundo CGU</strong></p>
<p>“O Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) pagou R$ 9,3 milhões por serviços de uma consultoria de engenharia, que, de acordo com a Controladoria Geral da União (CGU), teria apenas repetido informações que a autarquia já dispunha. Os pagamentos à Hydras Engenharia e Planejamento Ltda, com sede em Salvador, foram feitos entre 2008 e 2010 e, segundo a diretoria do Dnocs, R$ 800 mil estão retidos por suspeitas de irregularidades. Em documento oficial, a diretoria-geral do Dnocs afirma que a direção de infraestrutura hídrica, comandada até 2011 por Cristina Peleteiro, uma engenheira indicada pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), pressionava pela efetivação dos pagamentos e teria se negado a calcular o tamanho do prejuízo. O relatório da CGU diz que os pagamentos de R$ 9,3 milhões foram superfaturados. E aponta que a consultoria atuou em duas obras de grande porte: a Barragem Figueiredo (CE) e o projeto de Irrigação Tabuleiros Litorâneos (PI), incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento.” <strong>(Roberto Maltchik, <em>O Globo</em>, 26/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Dnocs é novo capítulo da mesma novela”</strong></p>
<p>“Com base em relatório da Controladoria Geral da União (CGU) foi exonerado, segunda-feira, Albert Gradvhol, diretor administrativo-financeiro do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), conhecido e tradicional — foi fundado em 1909 — instrumento de manipulação política de verbas públicas no Nordeste. A CGU esquadrinhou a contabilidade do departamento e encontrou uma perda para os cofres públicos de R$ 312 milhões na má gestão de pessoal e compras, para variar, superfaturadas. Também entrou na mira do Palácio o diretor-geral do departamento, Elias Fernandes. No caso de Gradvhol, foram atingidos interesses do PMDB do Ceará. No de Elias, contrariou-se o próprio líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), ontem inconsolável com a pressão sobre o apadrinhado.</p>
<p>“Tanto Gradvhol quanto Fernandes, como é norma nesses casos, trabalharam para destinar dinheiro do contribuinte para suas bases regionais, Ceará e Rio Grande do Norte. Não surpreende, mas assusta como a máquina pública foi nos últimos anos intoxicada por práticas clientelistas. Chegamos aos píncaros do absurdo, com a cena inspirada no realismo fantástico latino-americano em que um ministro acusado de manejar verbas em favor de suas bases cearenses é forçado a coibir prática idêntica executada num departamento do seu ministério. É mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulo-petista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá. A crise no Dnocs é didática: Henrique Alves procura proteger Fernandes como se fosse ‘patrão’ e dono dele. Ele não é um servidor do Estado, mas do PMDB do deputado. E quem paga é o contribuinte.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 26/1/2012)</strong></p>
<p><strong>* Dissemina-se a cultura do fisiologismo nas ações sobre chuvas; há bagunça e falta de coordenação</strong></p>
<p>“A disseminação da cultura deletéria do fisiologismo, existente de cima a baixo na estrutura de representação política do país, faz com que sejam usados artifícios mirabolantes para atrair o dinheiro fácil que sai de Brasília e de cofres estaduais, em grandes desastres ditos naturais. Prova disso é o golpe dado por prefeitos ao criar coordenadorias de defesa civil apenas para receber estes recursos em enxurradas, enchentes, desabamentos. Mais uma vez, é a busca incessante do dinheiro para ‘emergências’. E a bagunça e falta de coordenação são tamanhas que a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) sequer sabe ao certo quantos dos 5.564 municípios têm coordenadorias. A Sedec é órgão do Ministério da Integração Nacional, de Fernando Bezerra (PSB), pilhado ao favorecer seu estado, Pernambuco, na distribuição de verbas para obras de prevenção contra acidentes. São demais os perigos para os milhões de brasileiros obrigados a viver em áreas de risco.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 21/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Reveladas negociações com empresário, chefe de gabinete de Cidades é demitido</strong></p>
<p>“O chefe de gabinete do ministro das Cidades, Mário Negromonte, foi demitido nesta quarta-feira (<em>25/1</em>). A exoneração de Cássio Peixoto, braço-direito do ministro, foi publicada no Diário Oficial da União. A exoneração não foi a pedido de Peixoto, segundo a portaria. A demissão dele ocorre dois dias depois de a <em>Folha</em> revelar sua participação em negociações com um empresário e um lobista interessados num projeto milionário do ministério. A assessoria do Ministério das Cidades foi procurada para se manifestar sobre a demissão, mas ainda não se obteve sua resposta. A exoneração foi assinada pela ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que tem a prerrogativa de nomear e exonerar quem ocupa este tipo de cargo.</p>
<p>“A assessoria da Casa Civil informou que cabe ao ministério a explicação oficial sobre a saída do chefe de gabinete do ministro. No dia 9 de agosto, Peixoto recebeu em seu gabinete o dono da Poliedro Informática, Luiz Carlos Garcia, e o lobista Mauro César dos Santos para discutir o assunto, ligado a uma proposta de informatização da pasta. O encontro ocorreu depois de três reuniões do empresário e do lobista na casa do deputado João Pizzolatti (PP-SC) sobre o mesmo tema. Negromonte participou de pelo menos uma das reuniões, assim como seu secretário-executivo, Roberto Muniz. Todos os envolvidos negam que as conversas trataram de algum acerto.” <strong>(Leandro Colon, <em>Folha.com</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* TCU fará pente-fino na Petrobras,  que fechou R$ contratos de R$ 16,3 bi sem licitação em 2011</strong></p>
<p>“O Tribunal de Contas da União (TCU) vai promover este ano uma varredura nos contratos assinados pela Petrobras e por empresas em que a estatal tenha o controle societário, no Brasil e no exterior. Segundo o Tribunal, a empresa tem desrespeitado regras de contratação. Maior estatal brasileira, a Petrobras assinou no ano passado contratos que somam R$ 16,3 bilhões sem qualquer tipo de concorrência ou tomada de preços com fornecedores, o que representou quase um terço da contratação de serviços da companhia (R$ 52 bilhões). O valor equivale ainda a 19% dos R$ 84,7 bilhões em investimentos previstos pela empresa em 2011. Se levarmos em conta os últimos três anos, as contratações sem concorrência engordaram as contas bancárias de prestadores de serviços em R$ 49,8 bilhões. Os dados foram compilados pelo <em>Globo</em> com base em cerca de 20 mil contratos de serviços — construção, projetos, instalações de equipamentos e manutenção, por exemplo — disponíveis no site da estatal.” <strong>(Bruno Villas Bôas, <em>O Globo</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Incompetência, ineficiência, máquina inchada</strong></p>
<p><strong>* MEC anuncia que Enem não terá mais a edição de abril</strong></p>
<p>“O Ministério da Educação (MEC) decidiu que será feita apenas uma edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2012, assim como ocorreu nos anos anteriores. As provas serão aplicadas nos dias 3 e 4 de novembro. No ano passado, o Instituto Nacional de Estudos Educacionais (Inep) anunciou que a partir deste ano haveria duas edições da prova – a primeira em abril e a segunda provavelmente em outubro – mas os planos foram cancelados. O ministério pediu um levantamento à empresa que faz a gestão de risco do Enem e a conclusão foi que duas edições em 2012 sobrecarregariam a estrutura logística do exame. O diagnóstico foi feito depois de consultar todas as entidades envolvidas na organização da prova: o consórcio Cespe-Cesgranrio, os Correios e a gráfica responsável pela impressão dos materiais. Diante disso, o governo decidiu abortar os planos de aplicar uma prova por semestre em 2012.” <strong>(<em>O Globo</em>, 21/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Antes de deixar o MEC, Haddad tenta se eximir de responsabilidade pelos problemas</strong></p>
<p>“Em resposta à decisão da primeira instância da Justiça Federal do Ceará, que permitiu aos estudantes acesso às cópias das provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o ministro da Educação, Fernando Haddad, fez dois comentários infelizes. Depois de classificar a decisão como um ‘atentado’ contra o sistema de seleção unificado das universidades federais, ele disse que as liminares concedidas pelo Judiciário estão levando a máquina administrativa do MEC ‘à fadiga’, inviabilizando a realização de duas provas por ano, como pretendia o governo. ‘Não podemos recuar diante dessa covardia que é cometida contra o Exame. Temos de ter coragem de perseverar na direção de consolidar o sistema’, disse Haddad, durante o programa Bom Dia, ministro, onde fez um balanço de sua gestão, despedindo-se do cargo. Segundo ele, ao gerar ‘problemas novos’, os recursos interpostos pela Procuradoria da República em favor de estudantes e as decisões favoráveis a eles dadas pelo Poder Judiciário vêm dificultando a implementação das mudanças que prometeu fazer no Enem. Haddad também classificou, textualmente, como ‘covardia’ os problemas causados pelo vazamento de questões por dois funcionários do Colégio Christus, de Fortaleza.</p>
<p>“Na realidade, o que o ministro pretendia com essas declarações era eximir-se de responsabilidade pelos problemas que desfiguraram o Enem e comprometeram o sistema de avaliação escolar. Por inépcia do MEC, as edições do Enem de 2010 e 2011 foram marcadas por vários problemas &#8211; da falta de um sistema de informática eficiente a denúncias de irregularidades na licitação das gráficas encarregadas de imprimir os cadernos de questões, além de enviesamento ideológico na formulação de perguntas. A falta de critérios objetivos para a correção dessas provas foi evidenciada em pelo menos dois casos. No primeiro, por um estudante do Colégio Lourenço Castanho, de São Paulo, considerado o melhor aluno de sua turma, que tirou zero na redação do último Enem. Em resposta a um pedido de esclarecimento formulado pela escola, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) alegou que a prova havia sido anulada por ‘conter impropérios’. E, quando o estudante e seus professores solicitaram cópia da prova, o MEC se negou a fornecê-la, mas aumentou a nota de zero para 880 pontos. No segundo caso, uma professora de um cursinho de Campinas, que se inscreveu no Enem de 2011 só para obter o caderno de questões, entregou em branco os cartões de resposta e, mesmo assim, obteve em todas as provas &#8211; com exceção da de matemática &#8211; notas maiores do que as notas mínimas divulgadas pelo Inep. ‘Nos dois dias, assinei meu nome, respondi à frase de verificação de presença e dormi’, relatou. Ela pediu esclarecimento sobre os critérios de correção e a resposta do MEC veio com erros de português.</p>
<p>“Com o precedente aberto pela mudança na nota de redação do aluno do Colégio Lourenço Castanho, outros alunos também pediram ao Inep a reavaliação de suas provas. No início, o órgão se recusou a atender aos pedidos. Em seguida, alterou a nota de redação de 129 candidatos. Na semana passada, o Inep informou que colocará cópias das redações na internet, a partir do Enem de 2012. Além disso, o MEC assinou com o Ministério Público Federal um Termo de Ajustamento de Conduta, comprometendo-se a automatizar os pedidos de vista das provas. Na ocasião, as autoridades educacionais alegaram não ter condição técnica de adotar a medida com relação ao Enem de 2o11. Mesmo assim, na terça-feira, o juiz Luís Praxedes Vieira, da 1.ª Vara Federal de Fortaleza, determinou que o MEC mostre a prova de redação a todos os candidatos que a requererem, o que levou Haddad a afirmar que o Enem estaria sofrendo um ‘atentado’.</p>
<p>“Exagero à parte, o que se pode concluir é que a reforma do Enem foi conduzida de modo açodado, a gestão administrativa do MEC é ineficiente e, como reconhecem os especialistas, a correção das provas de redação peca pelo excesso de subjetividade dos corretores e pela falta de critérios uniformes.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Total de cargos comissionados chega a 22 mil; União gasta R$ 203 bi com pessoal</strong></p>
<p>“Mesmo vitoriosa na elaboração do Orçamento da União de 2012, quando impediu reajustes para o Judiciário e outras categorias de servidores, a presidente Dilma Rousseff vai arcar este ano com uma folha de pessoal e encargos sociais acima de R$203 bilhões, além de contar com mais funcionários em cargos de confiança. Antes mesmo de fechar o primeiro ano de seu governo, em outubro, os chamados DAS (cargos de Direção e Assessoramento Superior) já somavam 22 mil, uma barreira que nunca havia sido alcançada. Desde o segundo ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, as funções comissionadas no Executivo federal só crescem.</p>
<p>Em 2003, primeiro ano do governo Lula, foi registrada uma queda no total de cargos de confiança, dos 18.374 do último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002, para 17.559 no final do ano seguinte. Mas, depois, o número só cresceu. No final de 2011, foi de 21.870 para 22 mil &#8211; cifra que, apesar de pequena, contraria o princípio do rigor fiscal do primeiro ano de Dilma.” <strong>(Cristiane Jungblut, O Globo, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* PT e PMDB brigam por postos na Funasa</strong></p>
<p>“A indicação do novo superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa ) em Mato Grosso do Sul acirrou ainda mais os ânimos na já tumultuada relação entre PMDB e PT no governo Dilma Rousseff. A nova crise foi instalada depois que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, atendeu ao pedido do senador Delcídio Amaral (PT-MS) para nomear o petista Pedro Teruel, no lugar de Flávio Britto Neto (PMDB), conforme antecipou ontem (<em>quarta, 25/1</em>) a coluna Panorama Político, do <em>Globo</em>. Britto era da cota do governador André Puccinelli (PMDB), e, segundo o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), havia um compromisso assumido pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para não retirá-lo do cargo. O peemedebista atendia a cota de parlamentares da legenda no Mato Grosso do Sul.” <strong>(Roberto Maltchik e Gerson Camarotti, <em>O Globo</em>, 26/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Infra-estrutura</strong></p>
<p><strong>* País pode ter apagão logístico, diz presidente da Agência de Transportes Terrestres</strong></p>
<p>“Se as exportações de commodities brasileiras brilharam e turbinaram as contas externas do país desde 2000, a infra-estrutura logística está longe de ter acompanhado o mesmo ritmo. Manteve-se cara e ineficiente. Nesse período, o país aumentou em 384% a quantidade de toneladas que circulam e congestionam as rodovias, ferrovias e hidrovias em direção ao exterior. Mas o número de rodovias asfaltadas aumentou apenas 18% no período, enquanto as linhas de trem cresceram só 500 quilômetros. O país vem operando ‘no limite da gambiarra’, segundo o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo: ‘O país está diante da possibilidade de um apagão logístico. Mas a logística não pode ser vista só pela lógica da obra e sim pelo desempenho do transporte. Não se resolve o problema logístico transigindo com a boa forma de fazer. Chegamos ao limite da gambiarra’, disse ele ao <em>Globo</em>.” <strong>(Vivian Oswald e Martha Beck, <em>O Globo</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Concessões de estradas com base na menor tarifa resultaram em investimentos insuficientes</strong></p>
<p>“Pedágios fixados em bases realísticas permitem o cumprimento rigoroso do contrato de concessão, com mais investimentos e rodovias mais bem conservadas, como se tem verificado. Mas com isso não concorda o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, defendendo remunerações baixas. E, se ao longo do contrato constatar-se a necessidade de obras não previstas, acrescenta, um pedágio mais alto poderá ser aprovado para financiá-las. O modelo federal de menor tarifa é o contrário do modelo paulista, em que vence quem dá o lance mais alto e tem dado ótimos resultados. As 20 melhores estradas do País, segundo as pesquisas da CNT, são pedagiadas e apenas 1 não está total ou parcialmente localizada no Estado de São Paulo.</p>
<p>“De fato, as concessões com base na menor tarifa resultaram em investimentos insuficientes, inclusive nas sete rodovias federais licitadas em 2007, em que as obras de melhoria e manutenção previstas nos contratos de concessão não foram realizadas &#8211; ou o foram apenas parcialmente. Num caso, o da Rodovia do Aço, com extensão de 200 km, que liga a Rodovia Dutra a Minas Gerais, houve aumento do número de acidentes após a concessão. (&#8230;)</p>
<p>“A infra-estrutura brasileira de transportes apresenta enormes deficiências, agravando os custos dos bens produzidos no Brasil, que sofrem com a falta de investimentos e atrasos superiores ao razoável nos setores rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário e aeroviário. Na área rodoviária, as únicas licitações federais de grande porte do governo do Partido dos Trabalhadores ocorreram em 2007, quando foram concedidos à exploração privada a Rodovia Fernão Dias, a Curitiba-Florianópolis, o trecho Espírito Santo até a Ponte Rio Niterói da BR-101 e a BR-153, entre as divisas com Minas Gerais e o Paraná, além da Rodovia do Aço. E desde janeiro de 2009, com a licitação da BR-166/324, na Bahia, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não concedeu mais nenhuma rodovia à exploração privada. Falta empenho do governo federal e da ANTT para modernizar a malha rodoviária brasileira, acelerando os investimentos na recuperação de estradas &#8211; o que exige corrigir e imprimir mais velocidade ao programa de concessões.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 21/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* De repente o governo esquece as hidrovias</strong></p>
<p>“Falava-se até há pouco que estava em preparo em Brasília um  ‘PAC das hidrovias ‘, que destinaria R$ 2,7 bilhões para obras, especialmente nos Corredores Oeste-Norte (Rio Madeira) e Centro-Norte (Rio Tocantins), que formam hoje um dos principais eixos de escoamento da produção agrícola e mineral de grande parte da vasta região do Cerrado no País. Os investimentos previstos no Orçamento para o exercício de 2012 não passam, porém, de R$ 334 milhões, e não se tem garantia de que serão aplicados. As hidrovias, aparentemente deixaram de ser prioritárias para o governo federal, e também estão fora da pauta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco vai aplicar R$ 23 bilhões em infraestrutura neste ano, como forma de sustentar os níveis de crescimento na economia, como anunciou o diretor de Infraestrutura e Insumos Básicos do BNDES, Roberto Zurli, em entrevista ao Estado. O setor de energia elétrica absorverá a parte do Leão dos empréstimos previstos, mas também serão contemplados os portos, ferrovias e rodovias. É possível até que o BNDES financie parte dos investimentos que as concessionárias de aeroportos a ser privatizados terão de fazer. Sobre hidrovias, nada.</p>
<p>“É um  ‘esquecimento ‘ injustificável. A região do Cerrado é a maior produtora de grãos do País e depende essencialmente de hidrovias para a redução do custo de transporte até os portos. É de todo interesse, portanto, que sejam levados a cabo os planos para ampliação da capacidade das hidrovias do Madeira, numa extensão de 1.115 km, de Porto Velho (RO) até Itacoatiara (AM), e do Rio Tocantins, de 790 km, entre a Hidrelétrica de Tucuruí e o Porto de Vila do Conde, no município de Barcarena (PA).” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 24/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* BNDES financiará até 80% de investimentos em aeroportos</strong></p>
<p>“O BNDES poderá financiar até 80% do investimento nos aeroportos dos aeroportos de Brasília, Campinas (Viracopos) e Guarulhos que devem ser privatizados ainda este ano. O processo de concessão dos aeroportos tenta reduzir os gargalos em infraestrutura e assegurar a capacidade de expansão para o aumento da demanda, sobretudo em função da Copa do Mundo de 2014. Até 70% do financiamento poderá ser feito com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6% ao ano. A participação do banco poderá ocorrer por meio de apoio corporativo (diretamente para as empresas), ou sob a forma de Project Finance (em que não precisam ser apresentadas garantias financeiras e o próprio fluxo de recursos do empreendimento viabiliza o pagamento no caso das sociedades de propósito específico). Entre as exigências para participação acionária por meio de Fundos de Investimentos (FIPs) está a identificação dos cotistas, do gestor e do administrador. O BNDES poderá compartilhar as garantias dos projetos com outros financiadores de longo prazo. <strong>(Henrique Gomes Batista, Geralda Doca e Ronaldo D’Ercole, <em>O Globo</em>, 20/1/2012.) </strong></p>
<p align="center"><strong>As más notícias da Economia</strong></p>
<p><strong>* O futuro da economia brasileira fica na esfera do ‘faz de conta’</strong></p>
<p>“O Brasil permanece com as taxas reais de juros mais altas entre as economias relevantes do planeta, posição nada lisonjeira (com 4,8%, acima dos 2,8% da Hungria, em séria crise). No entanto, também não são abonadores os níveis de inflação no país. As metas de inflação estão acomodadas em um patamar elevado para padrões internacionais — já que são esses os parâmetros usados para as taxas de juros — e só com muito esforço recuaram no ano passado para o teto tolerado (6,5%) por essa política. (&#8230;)</p>
<p>“No conjunto dos gastos públicos, os investimentos continuam representando uma pequena parcela. E acabam sendo os primeiros a ser sacrificados a qualquer sinal de perda de receita. O custeio absorve a maior parte das despesas governamentais, e o esforço político para comprimi-lo não é relevante. Tempos atrás, o governo propôs ao Congresso um limite para o crescimento dos gastos com custeio. Por essa proposta, a expansão não poderia superar a que fosse apresentada pelo Produto Interno Bruto (PIB). É um tema que ficou em banho-maria. Com a proposta, o governo busca dar a impressão que está fazendo sua parte, e só não faz mais porque não encontra o respaldo político do Congresso. É triste que uma definição tão importante para o futuro da economia brasileira fique na esfera do ‘faz de conta’. E acabe recaindo sobre as taxas de juros.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 20/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Mais uma vez, o governo parece propenso a apelar para o orçamento paralelo que montou no BNDES</strong></p>
<p>“Pronto a abandonar seu novo discurso sobre política fiscal, adotado há menos de cinco meses, o Planalto não esconde que gostaria que o estímulo monetário fosse complementado com mais um vigoroso impulso fiscal. O governo anda especialmente preocupado com o investimento público, que caiu no ano passado. Não por contenção de gastos, mas em decorrência do desmantelamento das cadeias de comando que acionavam decisões de investimento em ministérios infestados por esquemas de corrupção. O Planalto agora tem pressa. Foi-se o primeiro ano do mandato. Há eleições municipais pela frente. A cada dia, as deficiências da infra-estrutura parecem mais desgastantes. E os cronogramas da preparação do país para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mais alarmantes. Mas como recuperar o investimento público e assegurar o impulso fiscal capaz de antecipar a retomada, sem que as contas públicas se deteriorem e o combate à inflação seja comprometido?</p>
<p>“Não é difícil vislumbrar a ‘solução’. Mais uma vez, o governo parece propenso a apelar para o orçamento paralelo que montou no BNDES, alimentado por transferências diretas do Tesouro, não contabilizadas nas estatísticas de resultado primário e de dívida líquida do setor público. Caso a situação externa se agrave, poderá ser feita nova e vultosa transferência de recursos do Tesouro ao BNDES, com roupagem salvacionista. Mas, mesmo que não se agrave, o governo parece disposto a fazer tal transferência a seco. Dissimulando-a, talvez, com a cortina de fumaça de um programa espalhafatoso &#8211; e inócuo &#8211; de contingenciamento de gastos.” <strong>(Rogério Furquim Werneck, <em>O Globo</em>, 20/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Tivemos inflação alta e crescimento baixo em 2011. E governo ainda comemorou</strong></p>
<p>“A inflação aqui fechou o ano passado exatamente no teto da margem de tolerância, 6,50% &#8211; e isso foi considerado uma vitória do governo. A meta de inflação no Brasil é de 4,5% &#8211; que, em si, já é elevada para os padrões mundiais. Além disso, admite-se que ela seja estourada em até dois pontos para cima, em situações excepcionais e fora do controle do BC. No caso de 2011, o BC brasileiro sustentou que a disparada da inflação no fim de 2010 e início do ano passado decorria fortemente de um ‘choque de alimentos’ &#8211; com seca ou excesso de chuva prejudicando colheitas mundo afora e, assim, provocando uma inflação global. Pela regra do regime de metas de inflação, se os índices estão acima do ponto, o BC usa sua arma principal, a alta de juros. Isso funciona quando consumo e investimentos estão muito aquecidos. Mas por que fazer isso quando a culpa pela inflação não está em um excesso de demanda, e sim em desastres climáticos?</p>
<p>“Acrescente-se ao quadro que a economia mundial está em queda &#8211; e a história parece fechada. O BC não apenas não precisa subir juros, mas pode reduzi-los, como está fazendo, afirmando que a inflação voltará à meta de 4,5% em algum ponto deste ano, certo? Convém reparar: a inflação bateu no teto com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quase certamente abaixo dos 3%. Em 2010, a inflação havia sido menor (5,91%), com PIB acelerado, a 7,5%. Ou seja, em 2011, tivemos menos crescimento, com mais inflação &#8211; e esta é uma combinação ruim em qualquer perspectiva. Considerando o período 2008/11, a economia brasileira cresceu menos de 4% ao ano. Já a inflação, sempre medida pelo IPCA, registrou média anual de 5,58%, acima da meta. De novo, crescimento baixo com inflação elevada. Resumo da ópera: inflação de 6,5% pode ser um alívio, não uma vitória.” <strong>(Carlos Alberto Sardenberg, <em>O Globo</em>, 26/1/2012.)</strong></p>
<p><strong> * Um orçamento paralelo</strong></p>
<p>“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que também neste ano o governo cumprirá a meta fiscal &#8211; e, em 2012, deverá ser alcançada a meta ‘cheia’, isto é, sem abater das despesas os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). (&#8230;) A tarefa do governo será facilitada por uma espécie de artifício orçamentário, que lhe permite gastar sem ameaçar as metas fiscais, por meio da transferência da quitação das despesas para o exercício seguinte. Essa prática tem sido cada vez mais utilizada pelos governos do PT. Em 2012, as despesas não quitadas em 2011 e em exercícios anteriores e jogadas para a frente, conhecidas como ‘restos a pagar’, atingiram um valor recorde. Essas despesas constituem uma espécie de orçamento paralelo, o que torna ainda mais difícil o acompanhamento da execução do Orçamento anual em vigor.</p>
<p>“Instrumento destinado a permitir a conclusão de uma obra em andamento, para a qual já foram empenhados os recursos necessários, mas ainda não quitada, os restos a pagar no governo federal passaram a crescer de maneira exorbitante a partir de 2006. Naquele ano, totalizavam R$ 21,7 bilhões. Em 2011 alcançaram R$ 128,7 bilhões. A existência de restos a pagar em volume tão grande impede a execução de obras novas e o início de muitos planos do governo. Nos últimos seis anos, como observou o economista Mansueto Almeida em entrevista ao jornal <em>Valor</em> (<em>24/1</em>), mais da metade dos investimentos realizados pelo governo federal se referia a recursos previstos em orçamentos de exercícios anteriores. Em 2011, quase 60% dos R$ 43,9 bilhões que o governo investiu eram restos a pagar. O primeiro ano do governo Dilma deixou para serem quitados em 2012 R$ 57,2 bilhões em investimentos em estradas, aeroportos e projetos do PAC. Isso corresponde a 71,2% dos R$ 80,3 bilhões de investimentos do governo federal previstos no Orçamento para 2012 sancionado há pouco pela presidente da República. ‘Caso opte por quitar os débitos, Dilma Rousseff terá apenas R$ 23,1 bilhões para aplicar em novos projetos de infra-estrutura no País’, observou o Contas Abertas em nota.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 26/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Caixa já enterrou R$ 1,4 bilhão no banco que era de Silvio Santos e deu cano</strong></p>
<p>“O investimento da Caixa Econômica Federal no Panamericano já chega a R$ 1,4 bilhão, considerando apenas os valores relativos à participação acionária de 36,56% no banco que pertencia a Silvio Santos. Ou seja, sem levar em conta os recursos para garantir seu funcionamento no dia a dia. Para entrar no Panamericano, a Caixa pagou R$ 740 milhões. Na semana passada, o banco público colocou mais R$ 658 milhões, em uma operação de aporte de capital feita em conjunto com o outro sócio do Panamericano, o BTG Pactual. O dinheiro novo servirá, segundo os sócios, para equilibrar de vez as contas do banco após a descoberta &#8211; e resolução &#8211; das fraudes contábeis de R$ 4,3 bilhões. Além disso, parte do dinheiro será usada para bancar a compra da Brazilian Finance &amp; Real Estate &#8211; maior financeira independente de empréstimos imobiliários do País -, anunciada no fim do ano passado.” <strong>(Leandro Modé, <em>Estadão</em>, 24/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Por falta de política consistente, de visão, não temos etanol</strong></p>
<p>“O Brasil ficou anos torrando a paciência dos americanos para que eliminassem os subsídios à produção do etanol de milho e suspendessem a tarifa de importação cobrada sobre o nosso álcool de cana. Pois os americanos fizeram melhor. O presidente Barack Obama, como parte do programa de redução da poluição, determinou o aumento progressivo da mistura de etanol na gasolina americana e o Congresso eliminou subsídios e a tarifa de importação. Ou seja, aumentaram a perspectiva de consumo de etanol e derrubaram as barreiras que protegiam o combustível do milho.</p>
<p>Pois neste momento o Brasil não tem etanol para exportar, enquanto as usinas estão com 30% da capacidade ociosa. Pior: o país precisou importar etanol americano, pois o plantio de cana e, pois, a produção do álcool estão em queda.  Pode haver desastre maior?  (&#8230;)</p>
<p>“O ex-presidente Lula fez um barulho danado atacando o produto americano e alardeando o biocombustível verde-amarelo. Disse que o Brasil estava pronto para inundar o mundo. De fato havia e há oportunidades. Hoje, por exemplo, no mundo, o etanol substitui cerca de 5% da gasolina, segundo notou o professor José Goldemberg, em artigo recente publicado no <em>O Estado de S. Paulo</em>. E deve substituir 20% antes de 2020, considerados os programas em andamento especialmente nos EUA e na Europa. Eis uma oportunidade não aproveitada, por falta de uma política consistente. A produção brasileira de etanol está em queda acentuada (30% bilhões de litros no ano passado; 24 bilhões neste). Causa: o preço não oferece rentabilidade adequada aos produtores.  (&#8230;)</p>
<p>“Uma política de controle ambiental deveria mesmo impor custos ao uso da gasolina poluidora – como, aliás, fazem muitos países. Pois o governo brasileiro está conseguindo a proeza de fazer tudo pelo avesso: barateia e incentiva o uso da gasolina, sendo o país com o maior potencial de produção de biocombustível. Isso é falta de visão de longo prazo. É governar no dia a idéia, quebrando um galho aqui, outro ali. Recentemente, o BNDES abriu uma linha de financiamento para renovação dos canaviais. Pouco dinheiro e atrasado, diz o pessoal do setor. E sabem o que mais? O governo está empurrando a Petrobras para o álcool. Não será surpresa se resolver ampliar a estatização do setor. E aí mesmo é que vai sobrar etanol, não é? <strong>(Carlos Alberto Sardemberg, <em>Estadão</em>, 23/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Sob Gabrielli, Petrobrás perdeu valor e não escapou dos problemas comuns a administrações companheiras</strong></p>
<p>“(<em>José Sérgio</em>) Gabrielli (<em>demitido da presidência da Petrobrás</em>) não escapou de histórias comuns a administrações companheiras, como os relatos de desmesurada ajuda a ONGs de militantes do partido. Mas, do ponto de vista do lulo-petismo, Gabrielli foi um bom companheiro. Desdobrou-se na defesa do equivocado projeto de tornar a estatal dona cativa de 30% da operação no pré-sal e na mudança do modelo de exploração de concessão para partilha, mais um passo no processo de reestatização do setor. Trata-se de um projeto de longo alcance, porque passa até pela conversão da estatal no centro de um ressuscitado programa de substituição de importações de figurino geiselista. Em contrapartida, depois de um gigantesco processo de capitalização, em 2010, em que os acionistas minoritários perderam espaço, o valor de mercado da estatal passou a cair. Mas isso não deve preocupar os estatistas. (&#8230;) A confirmação de Graça Foster, na segunda-feira (<em>23/1</em>), fez a ação da Petrobras subir. Deve haver acionista esperançoso que a interferência político-partidária na estatal possa ser contida. Não se sabe. O ideal é que assim fosse e houvesse mais racionalidade numa empresa tão grande que até mesmo a incompetência pode ser disfarçada no gigantismo.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A política lulo-petista sobre os direitos humanos</strong></p>
<p><strong>* Dissidentes de Cuba querem encontrar Dilma</strong></p>
<p>“Opositores do governo cubano e defensores de direitos humanos querem aproveitar a visita da presidente Dilma Rousseff ao país, dia 31, para fazer um relato sobre a situação dos prisioneiros políticos e abusos contra dissidentes. Dilma chegará ao país poucos dias após o enterro de Wilman Villar Mendoza, dissidente de 31 anos ligado à União Patriótica de Cuba. Ele morreu após cerca de 50 dias de greve de fome, uma medida de protesto contra a sentença de quatro anos de prisão por resistência e desobediência após participar de uma manifestação pacífica. A porta-voz das Damas de Branco, Berta Soler, disse que, apesar de ainda não ter encaminhado um pedido formal, o grupo gostaria de uma reunião com a presidente para apresentar dados sobre a situação de direitos humanos no país. <strong>(Janaína Lage, <em>O Globo</em>, 22/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Blogueira Yoani Sánchez oficializa apelo e põe Dilma em saia-justa</strong></p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff, embora repita que não se envolve em assuntos internos dos países, sente-se apertar por uma saia justa criada pela situação política em Cuba, onde chega no dia 30 para reuniões com o presidente Raúl Castro. Ontem (<em>segunda, 23/1</em>), a blogueira Yoani Sánchez, uma das mais conhecidas vozes dissidentes na ilha, disse, no Twitter, que entregou uma carta na embaixada brasileira em Havana com o pedido formal para que Dilma interceda a seu favor e ela possa viajar ao Brasil.</p>
<p>No início do mês, Yoani havia postado um vídeo na internet pedindo o auxílio de Dilma para participar da exibição do documentário <em>Conexão Cuba-Honduras</em> na Bahia, em fevereiro. O filme, dirigido pelo cineasta Dado Galvão, tem como tema a liberdade de imprensa em Cuba e no Brasil e inclui uma entrevista com a blogueira. Ela já havia tentado deixar o país em outras 20 ocasiões. ‘Dilma já viveu isso na pele. Temos esperança de que seja sensível’, disse Galvão, que organiza um protesto digital, em que as fotos de cada perfil nas redes sociais seriam trocadas pela de Dilma sob interrogatório em 1970.</p>
<p>“Até então, o Itamaraty dizia que não se manifestaria a respeito porque nenhum pedido formal havia sido protocolado. ‘Desde sexta-feira, 20 de janeiro, entreguei na Embaixada do Brasil em Havana a carta a Dilma Rousseff. Agora espero resposta’, disse Yoani no Twitter. O Itamaraty confirmou a entrega do pedido, mas não informou o que Dilma fará. O governo agora será pressionado a se manifestar publicamente sobre o tema.” <strong>(Chico de Gois, <em>O Globo</em>, 24/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Sons do silêncio</strong></p>
<p>“Oficializado o pedido da blogueira cubana Yoani Sánchez de ajuda da presidente Dilma Rousseff para poder viajar ao Brasil, a matéria cai na área diplomática. Na qual o silêncio corresponde a ‘não’. A se confirmar, a resposta destoará do compromisso da presidente com a defesa dos direitos humanos, explicitada no caso do Irã. Dois pesos e duas medidas.” <strong>(Opinião, <em>O Globo</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Esta aqui não tem a ver com o governo Dilma, mas também é má notíci</strong></p>
<p><strong>* Pinheiro, um confronto esperado</strong></p>
<p>“A desocupação de uma área de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos, determinada pela Justiça estadual e realizada na manhã de domingo pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), seguiu rigorosamente o roteiro elaborado pelos movimentos sociais para ganhar as manchetes dos jornais e obter visibilidade política. Conhecida como Pinheirinho, a área pertence à massa falida da empresa Selecta, do Grupo Naji Nahas. Invadida em 2004, ela se converteu numa comunidade controlada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), cujos líderes diziam viver lá cerca de 1,5 mil famílias, num total de 6 mil pessoas. Para dificultar o acesso ao local, os invasores ergueram barricadas com paus, que depois incendiaram, e colocaram idosos, grávidas e crianças na primeira linha de resistência. Por sua vez, a PM empregou na operação um blindado, além de 220 viaturas, 100 cavalos, 40 cães e 2 helicópteros, dando aos movimentos sociais pretexto para veicular pela internet notas de protesto descrevendo a operação de reintegração de posse como um ‘massacre’ de pobres e desabrigados, que teria deixado ‘mortes’ e um ‘rastro de destruição’.</p>
<p>“Os invasores atiraram pedras contra policiais, incendiaram uma escola pública, uma biblioteca e oito veículos &#8211; entre eles dois carros de reportagem &#8211; e ainda tentaram impedir o tráfego na Via Dutra, o que obrigou a PM a intervir novamente. Na madrugada de segunda-feira, alguns manifestantes tentaram jogar um coquetel molotov num depósito de gás e num posto de saúde. Terminado o embate &#8211; que resultou em 1 homem ferido à bala, 8 manifestantes com escoriações e 18 pessoas presas, acusadas de vandalismo &#8211; os líderes do MTST passaram a acusar a PM de ter exorbitado. Também criticaram o governador Geraldo Alckmin com o coro de sempre. Dirigentes da OAB, por exemplo, afirmaram que a ordem para a reintegração de posse expedida pela Justiça estadual foi ilegal. (&#8230;)</p>
<p>“O comando da PM, no entanto, anunciou que a operação foi inteiramente gravada, alegou que o ‘fator surpresa’ foi crucial para a desocupação da área, afirmou que os moradores não ofereceram resistência e responsabilizou militantes de pequenos partidos da esquerda radical &#8211; que nem mesmo moram na área invadida &#8211; pelo entrevero. Uma semana antes, vários invasores e militantes posaram para cinegrafistas e fotógrafos equipados com capacetes de motociclistas, porretes, escudos de latão e canos de PVC &#8211; além de máscaras, para não serem identificados. Por trás desse lamentável episódio, estão dois partidos que há muito tempo se digladiam para tentar desalojar o PSDB das principais prefeituras do Vale do Paraíba, região onde Alckmin iniciou sua carreira política. Um deles é o PT. Não foi por acaso que, entre as pessoas feridas com escoriações, uma se apresentou como assessor da Presidência da República. (&#8230;)O outro partido é o PSTU, que prega a substituição do Estado capitalista pelo ‘ marxismo revolucionário’.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 24/1/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O conflito podia ter sido evitado, pois em quatro áreas (sem PSTU), houve negociação, e todo mundo ganhou”</strong></p>
<p>“Num conflito sempre há alguém que joga com a carta da tensão. Ele ganha quando ocorrem choques, prisões, feridos e incêndios. Na operação militar que desalojou 1.600 famílias da área ocupada do Pinheirinho, em São José dos Campos, ganhou quem jogou na tensão. Conseguiram mobilizar 1,8 mil PMs, numa operação que resultou em dois dias de choques, no desabrigo de 2.000 pessoas, dez veículos destruídos, quatro propriedades incendiadas e 34 presos. (&#8230;) Há poucas semanas, diante da ameaça de uso da força policial, apareceu uma milícia de fancaria, com escudos de latão e perneiras de PVC. Deu no que deu. Deu no que deu porque os organizadores do PSTU, o governo de São Paulo e a Prefeitura de São José aceitaram a estratégia da tensão.” <strong>(Elio Gaspari, <em>O Globo</em> e <em>Folha de S. Paulo</em>, 25/1/2012.)</strong></p>
<blockquote><p><em>27 de janeiro de 2012</em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma/"><strong><em>Volume 1 – Notícias de 20 a 27/4</em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-2/"><strong>Volume 2 – Notícias de 28/4 a 4/5</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-3/"><strong>Volume 3 – Notícias de 4 a 6/5</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-4/"><strong>Volume 4 – Notícias de 7 a 10/5</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-5/"><strong>Volume 5 – Notícias de 10 a 17/5</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-6/"><strong>Volume 6 – Notícias de 17 a 21/5</strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-7/"><strong>Volume 7 – Notícias de 22 a 27/5</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-8/"><strong>Volume 8 – Notícias de 28/5 a 2/6</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-9/"><strong>Volume 9 – Notícias de 3 a 10/6</strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-10/"><strong>Volume 10 – Notícias de 11 a 17/6</strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-11/"><strong>Volume 11 – Notícias de 18 a 23/6</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-12/"><strong>Volume 12 – Notícias de 24/6 a 8/7</strong></a> </em></p>
<p><em><strong><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-13/">Volume 13 – Notícias de 8 a 14/7</a></strong> </em></p>
<p><em><strong><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-14/">Volume 14 – Notícias de 15 a 21/7</a></strong></em></p>
<p><em><strong><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-15/">Volume 15 – Notícias de 22 a 28/7</a></strong></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-16/"><strong>Volume 16 – Notícias de 29/7 a 4/8</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-17/"><strong>Volume 17 – Notícias de 5 a 11/8</strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-18/"><strong>Volume 18 – Notícias de 12 a 18/8</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-19/"><strong>Volume 19 – Notícias de 19 a 25/8. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-20/"><strong>Volume 20 – Notícias de 26/8 a 1º/9.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-21/"><strong>Volume 21 – Notícias de 2 a 8/9</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-22/"><strong>Volume 22 – Notícias de 9 a 15/9</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-23/"><strong>Volume 23 – Notícias de 16 a 22/9</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-24/"><strong>Volume 24 – Notícias de 23 a 29/9.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-25/"><strong>Volume 25 – Notícias de 1º a 27/10</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-26/"><strong>Volume 26 – Notícias de 28/10 a 3/11.</strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-27/"><strong>Volume 27 – Notícias de 4 a 10/11. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-28/"><strong>Volume 28 – Notícias de 11 a 17/11.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-29/"><strong>Volume 29 – Notícias de 18 a 24/11.</strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong>Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong>Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong>Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong>Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/">Volume 36 &#8211; Notícias de 13 a 19/1. </a></em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Apresentando Yoani Sánchez ao Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 19:13:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faro jornalístico, assim como outros talentos, não se aprende em escola. Ou se tem, ou não se tem. Uns têm mais que os outros. Quando Sandro Vaia resolveu ir a Cuba entrevistar Yoani Sánchez, em julho de 2008, pouquíssima gente, por aqui, já havia ouvido falar nela. Pois ele foi à ilha, com o propósito exclusivo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faro jornalístico, assim como outros talentos, não se aprende em escola. Ou se tem, ou não se tem. Uns têm mais que os outros. Quando Sandro Vaia resolveu ir a Cuba entrevistar Yoani Sánchez, em julho de 2008, pouquíssima gente, por aqui, já havia ouvido falar nela.<span id="more-6251"></span></p>
<p>Pois ele foi à ilha, com o propósito exclusivo de conversar com a jovem blogueira e em seguida escrever um livro, já combinado com a jornalista Lu Fernandes, da editora Barcarolla.</p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/a-voz-das-pessoas-comuns-de-cuba/">A Ilha Roubada</a></em> foi lançado em maio de 2009.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzilha.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6255" title="zzilha" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzilha.jpg" alt="" width="118" height="171" /></a>Em 2011, dois dos três grandes jornais do país – <em>O Estado de S. Paulo</em> e <em>O Globo</em> – começaram a publicar artigos de Yoani Sánchez. Ela já era, então, uma figura bastante conhecida no Brasil.</p>
<p>Sandro e a Barcarolla anteciparam-se dois anos e meio aos dois jornalões.</p>
<p>Faro é faro.</p>
<p>E as pequenas embarcações têm muito mais agilidade que os porta-aviões, os transatlânticos.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Em março de 2009, o livro quase já pronto para ir para a gráfica, Lu Fernandes me telefonou encomendando o texto para a orelha. Gelei – e bem que tentei recusar. Apresentei nomes de jornalistas importantes que poderiam assinar aquilo; na minha opinião, era tarefa para gente de nome, gente importante. Além do mais, era responsabilidade grande demais para mim: ao longo de quase 40 anos de jornalismo, Sandro foi meu superior, meu chefe, durante uns bons 30, no <em>Jornal da Tarde</em>, na revista <em>Afinal,</em> na Agência Estado, no <em>Estadão</em>. Jogador júnior não apresenta artilheiro do time principal.</p>
<p>Mas Lu foi inflexível.</p>
<p>E tive que encarar o desafio. Que é ainda maior porque exige concisão, texto enxuto, dizer muito em pouquíssimas linhas, parquíssimos toques, e meu texto é exatamente o contrário disso, é derramado, longo.</p>
<p>Mas tinha que fazer, <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/a-voz-das-pessoas-comuns-de-cuba/">e então fiz</a>.</p>
<p>Não ficou lá grandes coisas. Ficou, seguramente, muitíssimo abaixo do livro que deveria apresentar.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>No primeiro lançamento de <em>A Ilha Roubada</em>, uma bela festa na Livraria Cultura do térreo do Conjunto Nacional, meu amigo Robson Pereira, que veio do Rio especialmente para a noite de autógrafos, brincou comigo que ia rasgar as orelhas do livro: “Tá reacionário demais!”.</p>
<p>Rimos muito com o comentário, no lançamento e na cachaça depois.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Reacionário demais ou não, isso depende da opinião de cada um. Mas vejo agora que o texto que escrevi é velho, datado. Em 2009, quando Sandro Vaia lançou o livro apresentando Yoani Sánchez aos brasileiros, ela ainda era uma operária, uma formiguinha que, com outros dissidentes, iniciava o rompimento da muralha do medo em Cuba. Hoje ela é bem mais. O tempo realçou muito sua importância.</p>
<p>Hoje dá para ter a clara certeza: Yoani Sánchez será, sim, o nome de <em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2009/yo-pisare-las-calles-nuevamente/">una hermosa plaza liberada</a></em> de Havana. É só uma questão de tempo.</p>
<blockquote><p><em>Janeiro de 2012</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A voz das pessoas comuns de Cuba</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 19:09:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Há 120 organizações contrárias ao regime castrista, mas a voz oposicionista mais ouvida não tem conexão com nenhuma delas. Pertence a uma mulher de 33 anos, de pele clara, teimosia a toda prova e uma habilidade ímpar de expor com clareza, elegância e eficiência a inépcia de um regime que prometia a luz e distribuiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há 120 organizações contrárias ao regime castrista, mas a voz oposicionista mais ouvida não tem conexão com nenhuma delas.<span id="more-6247"></span> Pertence a uma mulher de 33 anos, de pele clara, teimosia a toda prova e uma habilidade ímpar de expor com clareza, elegância e eficiência a inépcia de um regime que prometia a luz e distribuiu trevas. Yaoni Sanchez, com seu blog Generación Y, tornou-se a voz das pessoas comuns de Cuba. Para um povo exausto por 50 anos de discurseiras ideológicas, Yaoni não discute teoria, partidos – mostra o cotidiano de gente como a gente em que faltam as coisas mais básicas de que se precisa para viver, do pão à liberdade. O jornalista Sandro Vaia trouxe de Cuba o perfil dessa jovem que identificou como o mais perfeito símbolo da derrocada do regime senil de Fidel. Neste livro, ele junta a verve de seu texto preciso e cortante à das palavras de Yaoni para desconstruir, uma a uma, as falácias com que a cegueira ideológica transformou em sonho libertário a ditadura cubana. Quando o pesadelo tiver passado, talvez não dêem a Yaoni Sanchez o nome de una hermosa plaza liberada de Havana, e será compreensível, porque infelizmente a história oficial não se conta, como dizia Brecht, pelos operários que construíram Tebas e seus palácios, pelas formiguinhas que iniciaram o rompimento da muralha do medo. Mas será uma grande injustiça.</p>
<blockquote><p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/apresentando-yoani-sanchez-ao-brasil/">A Ilha Roubada<em> foi lançado em maio de 2009, pela editora Barcarolla.</em></a></p></blockquote>
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		<title>Repórter senta de frente para a porta</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 17:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Yes, baby, nós repórteres sentamos de frente para a porta. Não vá algum vilão entrar armado para acabar com a gente, e nos irmos desta estupidamente com um tiro nas costas. Cinema à parte, se o Bolsonaro entrar aos beijos com um gay, não perdemos o furo. Segui a regra, naquela noite, no restaurante de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Yes, baby, nós repórteres sentamos de frente para a porta. Não vá algum vilão entrar armado para acabar com a gente, e nos irmos desta estupidamente com um tiro nas costas. Cinema à parte, se o Bolsonaro entrar aos beijos com um gay, não perdemos o furo.<span id="more-6241"></span></p>
<p>Segui a regra, naquela noite, no restaurante de Itapetininga. A cidade do interior paulista nos oferecia alguns restaurantes promissores. Não sei exatamente por que, optamos por um que começava com um espaço um pouco estreito, e se abria no fundo.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzvalance2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6244" title="zzvalance2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzvalance2.jpg" alt="" width="500" height="304" /></a>Ocupei meu lugar, em uma mesa da parte estreita. Meu colega das lentes sentou ao meu lado. À nossa frente, de costas para a porta, ficou o colega do volante. Aí vai a noite. Um tira-gosto, uma bebidinha, que o dia tinha sido cheio. Em paz, porque a casa – graças, graças Senhor &#8211; não tinha aparelho de TV ligado.</p>
<p>(<strong>N.da R.</strong>: <em>No clichê ao lado, o bandido, à esquerda, entra no bar. O mocinho, à direita, estava de frente para a porta, é claro.</em>)</p>
<p>Fizemos o pedido, e se bem lembro estávamos no fim do jantar quando&#8230; Um fantástico som ao vivo eclode às nossas costas, enchendo o lugar com um número de bossa-nova! Viramos, eu e o fotógrafo, e descobrimos poucos metros atrás de nós um conjunto de piano, bateria, baixo de pau e cantora!</p>
<p>A cena clássica, o pianista com seu copo de uísque em cima do tampo. E um baixista jazzístico, de grande performance. O baterista, com a batida impecável (pelo menos aos nossos ouvidos amadores) da bossa nova. E a cantora? Afinadíssima.</p>
<p>É prudente dar o desconto de que estou falando de um dos meus gêneros prediletos. Aquele que, no fim dos anos 1950, embalou a juventude nas ondas de um barquinho&#8230;</p>
<p>Certamente o piano já estava lá, quando chegamos – e não notamos. Mas nada e ninguém mais. O baterista armou seu instrumento, e não percebemos! No intervalo falei com eles, e descobri que estavam ensaiando. Um ou dois dias mais tarde se apresentariam em um lugar da cidade que não gravei.</p>
<p>Pentelhamente, num intervalo depois de “Corcovado” (”Um banquinho, um violão”&#8230;), expliquei ao pianista que a letra original não era essa. Era um cigarro, um violão, mas, a pedido de João Gilberto, Tom trocou o cigarro pelo banquinho (erudição de leitura de jornal).</p>
<p>Os músicos foram simpáticos, aceitaram bem o pequeno discurso fora de hora. A música continuou. Dada a nossa empolgação, a casa ofereceu uma rodada de uísque. Sim, baby, nós repórteres não aceitamos presentes. Mas àquela altura seria uma grosseria devolver a bebida.</p>
<p>E fomos ficando&#8230; Até o momento em que o pianista deu o concerto por encerrado. Muito bêbado, achou que era hora de se despedir.</p>
<blockquote><p><em>Janeiro de 2011</em></p></blockquote>
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		<title>O Iraque é aqui</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 15:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Como diz o grupo paulistano Premeditando o Breque, “aqui não tem terremoto, aqui não tem revolução”. Ainda assim, 49.932 pessoas foram vítimas de homicídios em apenas um ano no Brasil, 192.804 nos últimos quatro anos. Quase o triplo da guerra do Iraque, 5,3 vezes mais do que os registros do México, país que há anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como diz o grupo paulistano Premeditando o Breque, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=E-2gEnJ9nkk">“aqui não tem terremoto, aqui não tem revolução”</a>. Ainda assim, 49.932 pessoas foram vítimas de homicídios em apenas um ano no Brasil, 192.804 nos últimos quatro anos.<span id="more-6232"></span> Quase o triplo da guerra do Iraque, 5,3 vezes mais do que os registros do México, país que há anos vive uma guerra civil originária da luta pelo controle do tráfico de drogas, armas e até de gente.</p>
<p>Os dados estão no <a href="http://www.sangari.com/mapadaviolencia/">Mapa da Violência 2012</a>, do Instituto Sangari, que analisa os índices da violência brasileira nos últimos 30 anos. Os números são de deixar os cabelos em pé.</p>
<p>Se São Paulo e Rio de Janeiro estão hoje entre os melhores na lista em que já foram os piores há 10 anos, ver a linda Maceió ter 109 assassinatos por 100 mil habitantes em um só ano é de arrepiar. Ou Salvador, que com 2,4 milhões de habitantes contabiliza 1.484 homicídios no ano, número absoluto superior aos 1.460 de São Paulo, com 10,4 milhões de residentes. A maior cidade do país conseguiu, em uma década, obter a melhor posição entre as 27 capitais.</p>
<p>O Rio também fez bonito. Em 2000, a cidade maravilhosa era a 6ª na lista. Hoje está em 23º, quinta melhor colocação.</p>
<p>Na linha inversa, entre os estados, a Bahia saiu da 23ª posição para a 7ª, o Pará da 21ª para a 3ª, a Paraíba da 20ª para a 6ª, e Alagoas da 11ª posição para a liderança desse ranking macabro. Pior: a maior parte dos que morrem a tiros, facadas e porretes, são jovens entre 15 e 24 anos.</p>
<p>O mapa deveria ser baliza para o poder público, mas ficou longe disso. Rio e São Paulo comemoraram. O governo Dilma Rousseff ficou mudo.</p>
<p>Para o Planalto, o silêncio tem lógica. As regiões Norte e Nordeste, onde a presidente tem aprovação quase unânime, foram as que explodiram em violência. E não há explicações aceitáveis para quem está há nove anos no poder.</p>
<p>Segurança Pública é um imbróglio para Dilma. A mesma pesquisa Ibope que lhe conferiu recordes mostra que 60% condenam a ação de seu governo na área.</p>
<p>Ainda assim, Dilma se deu ao luxo de usar apenas 7,7% do prometido no Sistema Único de Segurança Pública, R$ 48 milhões dos R$ 620 milhões. Outro programa, o Pronasci, caiu de R$ 2 bilhões para R$ 600 milhões. Para completar, suspendeu a elaboração do plano nacional para a redução de homicídios, anunciado, no início de 2011, pelo ministro José Eduardo Cardozo.</p>
<p>“É um país abençoado onde todo mundo mete a mão”, prossegue o bem humorado Premê. Somada à inoperância, talvez essa seja uma das explicações para que o Brasil, a 6ª economia do mundo, ainda exiba indicadores tão trágicos que nem as nações em guerra conseguem.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 21/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Nara Tropicália</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 03:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[É muito por causa de Nara que eu desejo dissuadir os dirigintes da Odebrecht de manter o nome Tropicália no projeto de condomínio que eles estão construindo em Salvador. Dizem-me até que este seria nas bordas da floresta que fica entre a Orla e a Paralela, na altura do Parque de Pituaçu. Ao anunciá-lo, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É muito por causa de <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/nara-e-elis/">Nara</a> que eu desejo dissuadir os dirigintes da Odebrecht de manter o nome Tropicália no projeto de condomínio que eles estão construindo em Salvador. Dizem-me até que este seria nas bordas da floresta que fica entre a Orla e a Paralela, na altura do Parque de Pituaçu.<span id="more-6224"></span></p>
<p>Ao anunciá-lo, o site da empresa dizia tratar-se de uma homenagem &#8220;ao movimento encabeçado por Caetano Veloso e Tom Zé&#8221;. Nomes de outras canções minhas estavam sugeridos para praças internas. Será que os compradores de apartamentos gostariam de viver num lugar que se vende como homenagem sabendo que o(s) homenageados(s) não quer(em) que suas obras nomeiem o empreendimento?</p>
<p>Homenagem é a que a Escola de Samba Águia de Ouro, de São Paulo, vai prestar ao movimento tropicalista. Para isso tomo um avião e vou a Sampa juntar-me a Rita Lee. Os organizadores, ao expor seu enredo, mostraram conhecimento do que significa a Tropicália.</p>
<p>Mas um condomínio fechado, como parte do modo desregulado como vem se dando o crescimento da Cidade do Salvador, não condiz com nosso trabalho: nem o meu, nem o de Tom Zé, nem o de Gil, nem o de Rita, nem o dos irmãos Baptista, nem o de Duprat &#8211; nem o de Nara.</p>
<p>É natural que quase todos pensem em Nara como a musa da bossa nova e a pioneira da música participante: ela foi principalmente isso. Mas quero falar da Nara tropicalista. Bem, se ela é sempre retratada como uma moça tímida, um tropicalista ressaltaria antes sua personalidade determinada, seu desassombro em perguntar pela verdade crua das coisas, sua pesquisa permanente sobre a liberdade.</p>
<p>Três cenas representam Nara para mim. A primeira (nunca entendida corretamente pelo objeto da discussão): Nara me pergunta se eu concordo com amigos seus que, ao ouvirem Jorge Mautner falar em bomba atômica, contestam que &#8220;esse assunto não tem nada a ver com a realidade brasileira&#8221;, o que explicaria que Mautner fosse tido por eles como alienado.</p>
<p>A pergunta era feita por Nara como um pedido de socorro de sua inteligência franca, trazia o desconforto com o modo de pensar vigente nos meios em que andávamos. Ela não aceitava o veredicto e estava pescando argumentos para se posicionar responsavelmente.</p>
<p>A segunda cena suponho que esteja em &#8220;Verdade tropical&#8221;. Caía a audiência do &#8220;Fino da bossa&#8221; e subia a da Jovem Guarda. Paulinho Machado de Carvalho, dono da TV Record, marca reunião com Elis, Vandré, Simonal, Gil e Nara para buscar uma solução.</p>
<p>Gil pede que eu o acompanhe. Paulinho admite, mas não tenho voz, só posso ouvir.</p>
<p>Ouço. Vandré se arrepia e enche os olhos de lágrimas na defesa da cultura nacional contra o pop americanizado.Os outros, com bem menor veemência, repetem o discurso. Nara cala.</p>
<p>Paulinho pergunta:&#8221; E você Nara, não vai dizer nada? &#8221; Nara dirigi-se exclusivamente a ele: &#8221; Paulinho, você é o dono da emissora, eu sou contratada, canto nos shows para que for escalada. Só peço que, se for possível, não me escale num programa em que esteja Elis Regina: ela disse numa revista que eu não sou cantora&#8221;.</p>
<p>A terceira ressurgiu em minha cabeça anteontem à noite, ao ouvir Criolo dizer a Marília Gabriela o quão grande é sua admiração por Ney Matogrosso: numa minifesta na casa de Guilherme Araújo, Nara se aproxima de mim e propõe que saiamos, ela, Ney e eu: ela nutria fascinada curiosidade a respeito dele e queria ter uma aproximação sincera.</p>
<p>Saímos. Conversamos e muita coisa se revelou para ela. Sem sombra de obscenidade ou cafajestice, Ney, Nara e eu aprendemos muito sobre nós mesmos e sobre as complexidades da vida. Ela não teve nenhuma hesitação ao nos convidar a sair daquela casa, nem um milímetro de preocupação pelo que os outros poderiam pensar.</p>
<p>Nara não era tímida. Com sua voz trêmula e pura, com seu violão aplicado, ela foi uma grande artista, uma grande investida brasileira na modernidade. O mesmo impulso que a levou a perguntar sobre o Brasil e a bomba, a desmascarar a farsa do dono da estação de TV, a sair de uma festa pequena com dois colegas esquisitos, a fez ter a ideia de encomendar uma canção sobre um quadro de Rubem Gerschaman.</p>
<p>Assombrada com a passeata contra as guitarras elétricas (o segundo ato da comédia da TV Record para resolver problemas de Ibope), ela viu ali uma marcha integralista, protofascista. E assim me disse. Num dia 25 de dezembro, ela me contou que, na véspera, estando sozinha na cozinha de sua casa, sentiu-se invadida de súbita e intensíssima felicidade: &#8220;Será motivo para preocupação ou comemoração?&#8221;, ela perguntou.</p>
<p>&#8220;Bem, foi um feliz Natal&#8221;, concluiu com um sorriso preocupado. Pouco depois apresentou sintomas mais sérios. Ela tinha algo de poeta. Tudo o que há de corajoso, livre, luminoso no tropicalismo é como o espírito de Nara Leão. Não posso trair sua memória: tenho que pedir à Odebrecht que retire o nome que batizou algo em que ela esteve envolvida de um projeto que representa, no limite, a ameaça de encher a Ilha dos Frades de prédios altos.</p>
<p>Copacabana (onde Nara cresceu) livrou-se da sombra sobre a areia com um aterro feito nos anos 70; Recife sofre ainda desse mal; Salvador, que teria tudo para ser uma joia, deve ao menos poder manter suas praias ao sol.</p>
<p>Nara era uma praia ao sol. Franca, livre. Por causa dela, não posso fazer por menos. &#8220;Tropicália&#8217; não deve se confundir com o seu oposto. A morte prematura de Nara lançou uma sobra em minha vida; sua lembrança mantém o sol no meio do céu.</p>
<blockquote><p><em>(*) Transcrevo aqui o artigo de Caetano Veloso para </em>O Globo<em> deste domingo, 22/1/2012, sem a devida autorização do autor. Fiz isso pouquíssimas vezes na vida: tenho o maior respeito pelos direitos autorais. Mas creio que Caetano não se oporia à republicação aqui de seu texto brilhante. </em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A mulher música</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 02:59:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Brant]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Acordei naquele dia 19 de janeiro do ano de 1982 com duas tarefas, uma burocrática e outra, poética. Saí pela manhã em direção ao banco para tratar de assuntos tributários que já nos afligiam em todo o começo de ano. De volta para casa, ajeitei meu gravador, papéis e canetas e deixei tudo preparado para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei naquele dia 19 de janeiro do ano de 1982 com duas tarefas, uma burocrática e outra, poética. Saí pela manhã em direção ao banco para tratar de assuntos tributários que já nos afligiam em todo o começo de ano.<span id="more-6219"></span> De volta para casa, ajeitei meu gravador, papéis e canetas e deixei tudo preparado para o trabalho daquela tarde. Na hora do almoço, sentei-me à mesa com a família. Toca o telefone. Era o Claudinê Albertini, voz chorosa, me perguntando, &#8221; você está sabendo?&#8221;. Sabendo o quê?, perguntei inocentemente. Elis morreu, ele me decretou do outro lado do fio. Atônito, corri para ligar o aparelho de televisão e me deparei com a confirmação trágica do inesperado e dolorosamente triste.</p>
<p>Não houve mais almoço, apenas o início de um vazio que se foi se ampliando com o passar das horas e do dia. Mas como? Eu tinha combinado com ela que faria a letra da canção do Bituca naquele dia e levaria para São Paulo na semana seguinte, durante as gravações do novo disco.A inédita iria se juntar a uma gravação dela para &#8221; Nos bailes da vida&#8221;, imaginem.<br />
O mundo caiu sobre mim, fiquei arrasado. Minha cantora, minha amiga não poderia ter sido atingida pelo raio da morte. Meses atrás ela me apresentara, no restaurante do Othon Beagá, seu novo namorado. Antes me levara a seu apartamento para ouvir aquela gravação arrepiante de &#8220;me deixas louca&#8221;.Quanto ao namorado, senti que ela tinha necessidade de minha aprovação. Falou-me de sua inteligência e cultura. Na saída do jantar eu lhe dei um reservado recado de aprovação. E lá se foi ela, de trem azul.</p>
<p>Sentei-me no chão do meu quarto para que os repórteres que batiam à minha porta não soubessem que eu lá estava. Não tinha nada a dizer, não queria dizer nada. Sofri pela amiga, pela artista imensa, pela intérprete maior de minhas canções, de minhas idéias. Ela que armou um subterfúgio para que &#8221; Saudades dos aviões da Panair&#8221; não fosse proibida pela censura. Ela que, em pessoa, vi poucas vezes em minha vida. Mas como nos falamos pelo telefone, quanta beleza trocamos.</p>
<p>Fiquei mais de um ano sem ouvir voz de mulher cantando. E a letra que eu faria para ela cantar eu só fiz muito tempo depois, em sua homenagem. &#8220;Essa voz&#8221;, que o Milton gravou:</p>
<p>&#8220;Não se apaga, não se cala essa voz/ não se esquece, permanece essa voz/ voando livre no espaço essa voz/ eterno canto de esperança essa voz/ ela é humana e divina essa voz/ nossa amiga não parou de cantar /ela é a voz/ de todos nós/</p>
<p>não se apaga, não se cala a mulher/ o seu sorriso, o seu sonho, a fé/ sua coragem, sua enorme paixão/ canção de vida e amor vai ficar/ com as pessoas que não param de ouvir/ a sua voz, a voz /que é a voz /de todos nós.”</p>
<p>P.S.: Na última vez que eu falei aqui da minha Tia Lourdes, ela me ligou para me dizer que não aceitava visita pelo jornal. Comprei para ela um disco da Celma e Célia, de canções religiosas, antigamente cantadas nas igrejas. No dia em que eu iria lá, ela teve um problema e foi hospitalizada. E ficamos sem sua ciência,humildade e sabedoria no último dia 9. Outra mulher alma e música.</p>
<blockquote><p><em>Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em janeiro de 2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Outra ou a mesma meia-noite</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 00:48:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuel S. Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Meia-noite e os lábios de Al Pacino parecem uma sanguessuga. Doem nos de John Cazale e doem-nos a nós no mais infame beijo de Fim de Ano. John Cazale é Fredo. Pacino é Michael Corleone, o Padrinho. “Eu sei que foste tu. Desfizeste-me o coração”, diz Al Pacino mal tira os lábios dos lábios do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meia-noite e os lábios de Al Pacino parecem uma sanguessuga. Doem nos de John Cazale e doem-nos a nós no mais infame beijo de Fim de Ano. John Cazale é Fredo. Pacino é Michael Corleone, o Padrinho.<span id="more-6208"></span> “Eu sei que foste tu. Desfizeste-me o coração”, diz Al Pacino mal tira os lábios dos lábios do irmão. Não há, nesse beijo de morte, o mais recôndito indício de Feliz Ano Novo. Humedece-o a traição que vem do passado cobrar o seu preço. O futuro morre ali, em Cuba, entre confetti e champagne.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzapart2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6212" title="zzapart2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzapart2.jpg" alt="" width="631" height="437" /></a></p>
<p>Outra ou a mesma meia-noite e a boca de Fred McMurray beija distraída a da amante, Shirley McLaine. Ele vira-lhe as costas para cantar com a multidão e ao voltar-se já só vê a festiva coroa dourada dela na cadeira vazia. O filme é <em>The Apartment</em> e Shirley McLaine corre agora contra o gélido Dezembro de Nova Iorque. Tem mais esperança do que frio: a alma voa-lhe para a verdade do amor que acaba de descobrir e sabemos lá nós o que o corpo lhe pede. Entra num prédio e cavalga as escadas como atleticamente as sapatearia Gene Kelly, que não é deste filme. Ouve então um estampido terrível. Talvez o tiro com que Jack Lemmon, o verdadeiro amor finalmente reconhecido, terá posto fim à solteira solidão.</p>
<p>McLaine bate à porta, desesperada. Aparece-lhe, vivo, o patético desalento de Lemmon, garrafa de champagne na mão. É Fim de Ano e, frente a frente, está a solidão de dois seres humanos: ele despediu-se para não emprestar o apartamento aos sórdidos adultérios do chefe e ela vem de abandonar o amante casado. Fecham a porta e o que se abre aos dois é o Feliz Ano Novo, a limpa e decente dignidade de um novo começo. Nem precisam de beijos: duas gentis taças efervescentes, um baralho de cartas para a intimidade de um gin rummy e basta. Sentam-se no coçado sofá como quem se senta no mais dourado futuro.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzholiday.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6213" title="zzholiday" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzholiday.jpg" alt="" width="450" height="356" /></a>Quem recusa promessas de ouro é Cary Grant. Em <em>Holiday</em>, Grant tem quase 30 anos e trabalha, honesto e com sucesso, desde os 12. Apaixonou-se pela filha, mas não pelo dinheiro, de um ultramilionário. A irmã da noiva, a insatisfeita Katharine Hepburn, conversa com ele numa sala cheia de adormecidos sonhos, onde o resto da família já nem entra. Cada um tem a sua sala de esconder sonhos: uma bateria com que íamos ser músicos, a tela que deixámos a meio. A sala de incendiar a rotina e rasgar convenções.</p>
<p>O milionário, sempre à mesma ou talvez outra meia-noite, anunciará o noivado, escancarando ao noivo as janelas da plutocracia. Como a noiva deseja. Mas já Grant contou à rebelde Hepburn que quer ser livre e fazer na vida o que o apaixona. Vai despedir-se do emprego, vivendo com o que tem sem trabalhar mais. À meia-noite, Grant não beija a noiva. Resgatou da sala de esquecidas coisas mortas um sonho novinho em folha. A irmã da noiva também: a liberdade de um Feliz Ano Novo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no semanário português </em><a href="http://aeiou.expresso.pt/"><strong><em><span style="color: #333333;">O Expresso</span></em></strong></a><em>.</em></p>
<p><em>msfonseca@netcabo.pt</em></p>
<p><em>Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia.</em></p>
<p>The Apartment<em>, no Brasil </em><a href="http://50anosdefilmes.com.br/2009/se-meu-apartamento-falasse-the-apartment/">Se Meu Apartamento Falasse</a><em>; Holiday, no Brasil </em><a href="http://50anosdefilmes.com.br/2007/boemio-encantador-holiday/">Boêmio Encantador</a><em>. </em></p></blockquote>
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