Enquanto o trânsito continuar fluindo

Anotações de um confinado

O quarto/ a parede dos fundos/ a janela moldurada por sua esquadria. Adiante, a cena da rua deserta. Começo da madrugada. Não se vê um único carro passar, ou mesmo apontar um farol distante. Isto é absolutamente inédito. Continue lendo “Enquanto o trânsito continuar fluindo”

Palavrão no Estadão!

Anotações de um confinado, volume 8.

Quem diria, o Estadão, aos 141 anos de idade, escrevendo palavrão. É verdade que só reproduziu os que foram ditos na assombrosa reunião de ministros da sexta-feira, 22 de abril, com Jair Bolsonaro, pelo próprio. Continue lendo “Palavrão no Estadão!”

Revolução na moda

Surjo na sala mal desperto, o cabelo desgrenhado, a barba enroscada, só não uma bituca de cigarro no canto da boca porque não fumo. Na mão levo um pé de meia furada, com o dedo indicador saindo pela avaria. “Credo!”, faz minha filha ao me ver. À pantomima, segue-se a condução coercitiva para o banheiro. Continue lendo “Revolução na moda”

Luiz Maklouf Carvalho

Luiz Maklouf Carvalho tinha, entre tantas qualidades, a ousadia. Este grande amigo que faleceu hoje, levado por um câncer aos 67 anos, deixa um legado de obras e prêmios importantes. Livros sobre Lula, Bolsonaro, para citar os mais recentes; prêmios Esso, Vladimir Herzog, Jabuti.  Continue lendo “Luiz Maklouf Carvalho”

Frevo lusitano

O isolamento faz a mente viajar por baús de lembranças, muitas delas já a pedir uma boa espanada na poeira. Por algum motivo, voltou-me à cabeça um tombo. Um tombo antigo, tombo de estudante num Portugal pós-revolução. Foi mais ou menos assim… Continue lendo “Frevo lusitano”

Há 102 anos, a terrível pandemia

Foram muitas, muitas casas de São Paulo com um pequeno pedaço de papel colado à porta. O sinistro papelucho era marcado pela tarja preta do luto. Antes que as mortes chegassem a centenas – a milhares -, ainda havia alguma esperança. A gripe espanhola matava milhões, na Europa e nos Estados Unidos, e em todo o mundo. Continue lendo “Há 102 anos, a terrível pandemia”

Um confinado na cozinha

Anotações de um confinado.

Entre uma garfada e outra, no almoço, preocupei-me com certo tipo de pessoa. O idoso que, além de carregar esse epíteto, perdeu a empregada na quarentena. A senhora que arrumava a casa e preparava as refeições. Continue lendo “Um confinado na cozinha”

Tempos estranhos

Tempos estranhos estes que estamos vivendo. Confinados. Isolados. Ameaçados por um ser de tamanho desprezível, mas de violência extrema. Um vírus. Impiedoso. Coroado como um rei despótico, tirano, nada esclarecido. Sorrateiro a ponto de nos fazer gelar a um simples espirro, uma dorzinha de cabeça. A paranóia mostra suas presas. Continue lendo “Tempos estranhos”

Mary ataca na crônica

Quando trato de me ajustar na cama, em busca do sono, o celular emite um plim! peculiar. “É o Servaz”, penso. Uma hora da madrugada. É possível uma coisa dessas? É! Lá vem bate-papo, a noite recomeça. Continue lendo “Mary ataca na crônica”

Anotações de um confinado, volume 4

Num gesto impulsivo, resolvi abrir o baú (no comum chamado boxe). Levantei a parte de cima da cama, com o colchão, e surgiram velhos jornais e revistas, com matérias que produzi, ou me dizem respeito. Folheando jornais, dei com uma manchete muito bem sacada.  Madonna se apresentava no Rio, em 2008. Conheceu o modelo brasileiro Jesus Pinto da Luz e caiu de amores por ele. Continue lendo “Anotações de um confinado, volume 4”