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	<title>50 Anos de Textos &#187; Valdir Sanches</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>Carlos Cachoeira, cidadão honesto e trabalhador</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 00:18:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Se alguém disser a Carlos Cachoeira que é um bandido e deve ser preso, ele acha graça. Não é cinismo. Esse Carlos Cachoeira é pessoa de bem. Só tem o mesmo nome do outro, o poderoso bicheiro, cheio de tentáculos, investigado pela CPI do Congresso. Carlos Cachoeira Ibanez é contador, casado, com filhos. Mora em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se alguém disser a <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/o-cachoeira-do-itaim-bibi/">Carlos Cachoeira</a> que é um bandido e deve ser preso, ele acha graça. Não é cinismo. Esse Carlos Cachoeira é pessoa de bem. Só tem o mesmo nome do outro, o poderoso bicheiro, cheio de tentáculos, investigado pela CPI do Congresso.<span id="more-6957"></span></p>
<p>Carlos Cachoeira Ibanez é contador, casado, com filhos. Mora em Interlagos, na zona sul de São Paulo. Diz que procura manter o humor, porque as brincadeiras são inevitáveis. “Até minha professora de espanhol faz piada. Fica dizendo para eu desviar dinheiro para a conta dela.”</p>
<p>O que Carlos não gostaria mesmo nada é que o chamassem pelo diminutivo, como se faz com o bicheiro. “Graças a Deus não me chamam de Carlinhos.”</p>
<p>Estas poucas palavras foram tudo o que Carlos disse. Como outros Cachoeira procurados pelo <em>DC</em>, não quis saber de reportagem, muito menos com família, fotos. O propósito da pauta era mostrar como vivem os Cachoeira comuns, trabalhadores e honrados. Um contraponto a Carlinhos Cachoeira, o bicheiro. Mas a simples referência a este nome parece causar arrepios.</p>
<p>Um empresário do Cambuci enviou esta resposta: “Obrigado pelo contato, mas gostaríamos de ficar anônimos.” Um vereador de cidade do sul da Bahia, que criou página na internet sobre os Cachoeira, despistou o repórter por dois dias.</p>
<p>Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, vive uma Cachoeira, empresária, que busca as origens de sua família. Ela informou que ainda não chegou a resultados. E sobre pedido de entrevista: “A respeito da pessoa que usa Cachoeira como apelido, lamento, mas pela repercussão do caso, qualquer exposição na mídia, mesmo para mostrar que não existe conexão com os verdadeiros Cachoeira, é uma ideia que não me agrada”.</p>
<p>Em São Paulo, Rodrigo Cachoeira, 22 anos, técnico em edificações, foi ao ponto: “Ter o nome exposto fica ruim para a família Cachoeira.” A exposição do nome no noticiário o exaspera. “Fico bravo com isso, esse sujeito (o bicheiro) estar sujando o nosso nome”. Pois, afinal, “quando falam Cachoeira no noticiário, as pessoas que nos conhecem podem pensar ‘será que é parente do Cachoeira’?”</p>
<p>A situação, para Rodrigo, é ainda mais grave, “quando se sabe que o sujeito não se chama Cachoeira, é apenas um apelido.” A família mora na Ponte Rasa, na região da Penha, zona leste de São Paulo. Em curta conversa por telefone, Rodrigo diz que seu avô paterno veio da Bahia.</p>
<p>Não tem mais detalhes. Sabe apenas que, em São Paulo, o avô se instalou como feirante. Teve sete filhos. Um deles, o pai de Rodrigo, é metroviário. Teve, por sua vez, seis filhos.</p>
<p>Rodrigo conta que é chamado pelos amigos de Cachoeira. “Eu gosto, é um nome bonito.” Se num lugar público, uma lanchonete, chamam seu nome, todo mundo olha? “Não sei, nunca notei.” Ele pesquisou nas redes sociais, e encontrou cinco pessoas com seu nome e sobrenome. “É uma família grande, mesmo. Será que aqueles são meus primos?”</p>
<p>A advogada aposentada Zenaide Cachoeira da Silva, que mora na Liberdade, perdeu o pai há 17 anos. Sabe que sua família veio de Vitória da Conquista, na Bahia, a 512 quilômetros de Salvador. O pai era agricultor, e aqui trabalhou como taxista.</p>
<p>Zenaide diz não ter “interesse especial” pelo noticiário sobre Carlinhos Cachoeira, o bicheiro. “Também não me preocupo com o nome dele, não tem nada a ver com a família Cachoeira. Cada um responde por seus atos.”</p>
<p>Há dois anos, o gol de um craque deu ao ABC de Natal, no Rio Grande do Norte, o título mais importante do Estado. Sagrou-se campeão brasileiro da série C. O jogador por pouco não se inclui entre os que têm relação com o nome Carlinhos Cachoeira. Estamos falando, neste caso, do atacante Cascata.</p>
<blockquote><p><em>Esta reportagem foi originalmente publicada no </em>Diário do Comércio</p></blockquote>
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		<title>O Cachoeira do Itaim-Bibi</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 00:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece improvável, mas nunca se sabe, que Carlinhos Cachoeira venha a ter uma rua batizada com seu nome. Já João Cachoeira, que abria a porteira para o patrão passar, deu nome à mais conhecida rua do Itaim Bibi – o valorizado bairro no sudoeste de São Paulo. Cachoeira, o Carlinhos, era filho de um motorista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece improvável, mas nunca se sabe, que <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/carlos-cachoeira-cidadao-honesto-e-trabalhador/">Carlinhos Cachoeira</a> venha a ter uma rua batizada com seu nome. Já João Cachoeira, que abria a porteira para o patrão passar, deu nome à mais conhecida rua do Itaim Bibi – o valorizado bairro no sudoeste de São Paulo.<span id="more-6954"></span></p>
<p>Cachoeira, o Carlinhos, era filho de um motorista de caminhão que morava com a mulher e uma penca de filhos em uma fazenda de Araxá, Minas Gerais. O nome da fazenda era Cachoeira. O motorista chamava-se Sebastião Almeida Ramos, mas ficou conhecido como Tião Cachoeira.</p>
<p>Certo dia, Tião Cachoeira resolveu mudar de profissão e de cidade. Assim chegou a Anápolis, Goiás, com a família. Trabalhou um pouco como camelô, mas acabou se envolvendo com o jogo do bicho. Fez carreira. De cambista, que anota as apostas, passou a sócio de um bicheiro.</p>
<p>O nosso Cachoeira, o João, vivia em um lugar chamado Chácara do Itahy. As terras não valiam muito, por serem inundáveis. Em compensação, eram um paraíso para caçar e pescar, e apanhar frutas das incontáveis árvores. Cenário propício para um episódio que faria jus a um romance do nosso José de Alencar.</p>
<p>O dono das terras era um general, José Vieira de Couto Magalhães. O general nunca casou; viveu e morreu solteiro. Mas, em certo momento de sua vida, conheceu uma índia do Pará, e se relacionou com ela. Da aventura nasceu um menino, batizado José Couto de Magalhães. Quando o pai morreu, José herdou a chácara. Mas vendeu-a para um tio, irmão do general.</p>
<p>O filho deste, Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, um dos herdeiros, morou na chácara a vida toda.</p>
<p>Hoje dá nome a outra importante rua do Itaim Bibi. Destinos cruzados: a rua corta a João Cachoeira.</p>
<p>João vivia com a família de Leopoldo. O que se registra, hoje, é que era um agregado. Brincava com as crianças, contava histórias e cantava. Um de seus trabalhos era abrir a porteira da chácara, quando alguém da família saía ou chegava. “Mas quando procurado, onde está o João? A resposta era: o João está na cachoeira.”</p>
<p>É isto que conta um estudioso do bairro, o professor Helcias Bernardo de Pádua, presidente da Associação Grupo Memórias do Itaim-Bibi. A cachoeira em questão era uma pequena queda d´água do Córrego do Sapateiro, que corria ali perto. O pequeno curso d’água ainda existe, mas não está mais à vista. Foi canalizado.</p>
<p>Há uma segunda versão, que Helcias considera menos provável. “João era alegre, violeiro e frequentador das vendinhas da época, onde bebia. Ficava sempre numa água só, ou seja, bêbado.” Seja como for, Cachoeira vivia bem. “Era muito querido pela família Couto de Magalhães e grande amigo, desde pequeno, de Leopoldo Couto de Magalhães Júnior.”</p>
<p>O Cachoeira dos escândalos de hoje, Carlinhos, tinha 13 irmãos. Quando seus pais se separaram, ainda nos primeiros tempos, quatro dos filhos ficaram com Cachoeira pai. Um deles, Cachoeira filho &#8211; Carlinhos. Como se disse, estavam em Anápolis. Tião Cachoeira e o sócio expandiram seus domínios do jogo do bicho pela cidade.</p>
<p>Carlinhos demonstrou talento para o negócio. Assumiu a parte do pai e não parou mais. Jogo do bicho, bingo eletrônico, caça-níqueis. Seu império não cabia mais em Anápolis. Mudou para Goiânia, a capital. Enredou políticos, empresários e policiais. A história toda deve ser contada na Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, em curso no Congresso Nacional.</p>
<blockquote><p><em>Esta reportagem foi originalmente publicada no </em>Diário do Comércio<em>.</em></p></blockquote>
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		<title>O esplendor dos filmes japoneses na Liberdade</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 17:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma menina de quatro anos ia ao cinema, sem saber o que era cinema. O grande carro preto importado – o táxi – partia da Rua da Cantareira, onde a família morava e trabalhava. No banco da frente, o pai, de terno e gravata. Atrás, bem penteadas e vestidas, a mãe e as duas irmãs. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjapa2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6828" title="zzjapa2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjapa2.jpg" alt="" width="760" height="530" /></a>Uma menina de quatro anos ia ao cinema, sem saber o que era cinema. O grande carro preto importado – o táxi – partia da Rua da Cantareira, onde a família morava e trabalhava. No banco da frente, o pai, de terno e gravata. Atrás, bem penteadas e vestidas, a mãe e as duas irmãs.<span id="more-6815"></span> A menina ia em pé, segurando-se em uma correia. Era uma corrida curta, até um dos quatro cinemas do bairro da Liberdade. Em cartaz, filmes japoneses. Que tal aquele com o grande Toshirô Mifune?</p>
<p>A menina Olga não podia assistir aos filmes; a idade mínima era cinco anos. Então, ganhava uma “casquinha” com caramelos, e ficava sob os cuidados da funcionária da bilheteria. De vez em quando, corria até o cortinado verde, no fim do saguão, e espiava por uma fresta. Via um lugar escuro, cortado por um facho de luz. Isso lhe parecia muito misterioso, mas sentia que alguma coisa importante estava acontecendo. Por que seu pai saía de lá pensativo, e sua mãe, muitas vezes, enxugando os olhos?</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjoia42.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6824" title="zzjoia4" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjoia42-300x243.jpg" alt="" width="300" height="243" /></a>Se Olga, hoje a cineasta Olga Futemma, voltasse ao único sobrevivente daqueles quatro cinemas veria o mesmo prédio, reluzindo como novo. O Cine Jóia, com o formato de um diamante, viveu dias inesquecíveis nas décadas de 1950 a 1980. Depois, serviu de templo evangélico. Há quatro meses é uma badalada casa de shows.</p>
<p>Uma reforma deu-lhe três ambientes, mas manteve alguns elementos originais. A lotação de 1.500 pessoas está frequentemente no limite. Kurosawa, quem? Os gritos dos samurais do imortal diretor japonês não ecoam mais por ali. O que reverbera hoje é a voz amplificada de cantores do momento, ou o som metálico das bandas.</p>
<p>“Quando eu tinha nove anos, resolvi ir ao cinema sozinha”, recorda Olga. “A censura era para dez anos. Eu fiquei me preparando para dizer que tinha essa idade. Quando cheguei ao cinema, e perguntaram, acabei dizendo que tinha nove anos. Então eu quis saber que tipo de filme uma menina de nove anos não pode ver, e uma de dez pode. E me deixaram entrar. Era um filme de espadachim muito violento, lembro dos braços sendo cortados.”</p>
<p>Ela não sabia, mas estava testemunhando a época de ouro do cinema japonês. Produções que faziam sucesso em outras partes do mundo podiam ser vistas naqueles quatro cinemas da Liberdade. <em>Guerra e Humanidade</em>, do diretor Nakasi Kobayashi, um épico com nove horas de duração, foi o filme que mais a marcou. “Uma obra-prima, apresentada em três programas de três horas.”</p>
<p>Aquelas fitas em preto e branco encantaram também muitos diretores de cinema que nada tinham a ver com o Japão. Um deles, Walter Hugo Khouri, admitiria mais tarde ter absorvido em sua obra muito do intimismo dos mestres japoneses. E o diretor de teatro Antunes Filho considerou os filmes “a revelação de um outro mundo”. Escreveu, em artigo recente: “Sabor trágico, dramático, os rostos e posturas imóveis, de sentido enigmático, fatal”.</p>
<p>Os avós de Olga cumpriram a saga dos imigrantes japoneses. Desceram de um navio em Santos, e foram para o interior, trabalhar na lavoura. Em 1937, estavam em São Paulo. Um arranjo de famílias resultou no casamento dos pais da cineasta, juntos até hoje. Como ganharam a vida? Em um mercadinho ao lado do Mercado Central, na Rua da Cantareira. O pai como atacadista, a mãe vendendo legumes. Lazer? O cinema.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjapa12.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6896" title="zzjapa1" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjapa12.jpg" alt="" width="760" height="584" /></a>“Chegávamos e víamos a fila na porta. Parecia um espaço de footing (onde se trocam olhares). As moças na fila, todas chiques. E os rapazes do outro lado da calçada, alguns encostados em carros, ou em bares.” Algumas famílias levavam a caixinha com o bentô. Na caixinha, descreve Olga, havia geralmente bolinhos de arroz e acompanhamentos. O bentô era mais frequente em cinemas do interior.</p>
<p>Na sala escura, na parte de baixo da cena exibida, vazava uma luz, que resultava na legenda do filme. Uma máquina importada, o contratipo, fazia queimaduras com a forma de letras no celuloide (a película com as cenas). Pela área queimada passava luz. Assim, era possível ler as letras.</p>
<p>Olga podia entender a ação de <em>Barba Ruíva</em>, o filme que mais a agradou. Toshirô Mifune no papel de um médico que ensina aos recém-formados o significado humanitário de seu trabalho. Direção de Akira Kurosawa. Ela assistiu aos 30 filmes que Kurosawa dirigiu, em 50 anos de atividade. Entre eles o consagrado <em>Os Sete Samurais</em>, de 1954, com o mesmo Toshirô Mifune.</p>
<p>“Mas aos 14 anos, com minhas irmãs, aprendi o caminho para a cidade além da Liberdade. Nos cinemas do centro, me afundei nos filmes de Hollywood, maravilhosos”. Os samurays e heróis de enredos dramáticos foram trocados por Doris Day e Rock Hudson&#8230;</p>
<p>Depois, Olga dedicou-se ao cinema brasileiro, formou-se em cinema na Escola de Comunicação e Artes, ECA, da Universidade de São Paulo, USP. Hoje é um dos diretores da Cinemateca Brasileira. Uma profunda conhecedora dos filmes japoneses. Sobre os tempos dos cinemas da Liberdade, diz que houve “uma convivência feliz da força da colônia japonesa com a extraordinária, maravilhosa produção do cinema japonês – que, na época, só perdia para a cinematografia italiana”.</p>
<p>Um neto de japoneses, Alexandre Kishimoto, integrante do Grupo de Antropologia Visual da USP, Gravi, também mergulhou nessa história. Em “A experiência do cinema japonês no bairro da Liberdade”, sua tese de mestrado em antropologia social, detalha fatos daquelas marcantes três décadas.</p>
<p>“Ir ao cinema, para as famílias japonesas, era um programa extraordinário”, diz. “Era ritualizado, elas não tinham outra opção de cultura e lazer.” E acessível: os ingressos saiam baratos.</p>
<p>“Iam as famílias, suas crianças, amigos e vizinhos. Colegas de escola. Todos com roupa bem cuidada, em respeito ao decoro das salas de cinema.” (Na época, as salas do centro da cidade exigiam dos homens gravata e paletó.)</p>
<p>O trabalho de Alexandre conta que em 1952, quando surgiu na Liberdade, o Jóia era um simples cinema de bairro. As outras três salas viriam depois: Niterói, Tókio (mais tarde Nikkatsu) e Nippon. Passados sete anos, a empresa japonesa Toho alugou o Jóia, para exibir com exclusividade seus filmes. A Toho tinha as fitas de diretores de renome internacional, como Mikio Naruse, Elzo Sugawa e Kurosawa. Foi assim durante dezenove anos, de 1959 a 1978.</p>
<p>Depoimentos colhidos por Alexandre descrevem o Jóia como um cinema grande (987 lugares), com sala de espera muito pequena. A fachada era verde, grande e bonita. Mas a mais simples e desconfortável dentre as quatro salas. As cadeiras, de madeira, são descritas como muito finas. Se a pessoa colocasse o joelho ou o pé nas costas da cadeira à sua frente, quem estava nela sentia a pressão. O que causou o declínio desses cinemas foi a ausência cada vez mais acentuada de público. O motivo foi o mesmo, para salas de todo o País. A chegada do videocassete transferiu os filmes para a tela da TV.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Nas fazendas do interior,</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>cinema ao ar livre para os trabalhadores</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>e suas famílias</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os imigrantes japoneses do interior faziam festa quando o velho caminhão chegava, com suas tralhas. Este caminhão podia ser um Ford “Pé de Bode”. As tralhas, um projetor de cinema, um gerador, um pedaço de pano branco. Ah, sim. E havia aquele homem, o katsuben.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjoia3.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-6821" title="zzjoia3" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzjoia3-1024x704.jpg" alt="" width="1024" height="704" /></a>Estamos falando de 1926, 1927. O cinema ambulante corria as fazendas onde os japoneses trabalhavam. Na hora marcada, o dono estendia um pano branco, que seria a tela. Energia elétrica muitas vezes não existia. Mas havia o “Pé de Bode”. Uma roda de trás em movimento acionava um gerador, e este alimentava o projetor (perfeito, não fosse o barulho).</p>
<p>A platéia esperava, sentada no chão, em cima de um pano. Quando o filme começava, empolgava-se; as crianças, principalmente. Mesmo que fosse um documentário. As histórias de ficção, as preferidas, tinham geralmente o defeito de ser curtas.</p>
<p>Eram tempos do cinema mudo. Por isso estava lá o Katsuben. Ao lado da tela, ele narrava e explicava o filme, com o tom de voz e expressões exigidas pela cena. Dramáticas, hilárias. Muitas vezes, o narrador era mais aplaudido do que o filme. Não era nada difícil que o celulóide se rompesse no meio da exibição. Às vezes no melhor momento da história. Enquanto se consertava a fita, os adultos tomavam um pouco da pinga trazida de casa.</p>
<p>Não se comprava ingresso, mas davam-se contribuições. O dinheiro era colocado num envelope, com o nome do pagador. Antes da exibição, o dono do cinema dizia: “Vamos proceder aos agradecimentos pelas contribuições recebidas”. E lia os nomes dos envelopes. O dono era justo. Se o filme a ser exibido fosse curto, haveria uma segunda sessão.</p>
<p>(Os dados sobre o cinema nas fazendas do interior paulista foram extraídos da tese de mestrado “A experiência do cinema japonês no bairro da Liberdade”, de Alexandre Kishimoto. As fotos são do Acervo Alexandre Kishimoto.)</p>
<blockquote><p><em>Esta reportagem foi originalmente publicada no </em>Diário do Comércio<em>.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Lascas da mesa no uísque</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 16:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[O gostinho. Estilo de vida está no gostinho. Peguei o avião para a Suíça, essa banalidade. Hoje tem gente pegando avião só para comprar chocolate. Minha viagem tinha destino mais definido. Terminou num hotelzinho da Vila Jukkasjärvi, às margens de um belo rio, o Torne. Apenas duzentos quilômetros abaixo do círculo ártico. Não é todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O gostinho. Estilo de vida está no gostinho. Peguei o avião para a Suíça, essa banalidade. Hoje tem gente pegando avião só para comprar chocolate. Minha viagem tinha destino mais definido.<span id="more-6771"></span> Terminou num hotelzinho da Vila Jukkasjärvi, às margens de um belo rio, o Torne. Apenas duzentos quilômetros abaixo do círculo ártico. Não é todo mundo que se hospeda num bloco de gelo, como o Ice Hotel. Mas o fato, em si, é terrivelmente vulgar.</p>
<p>Os móveis, como sabem, são de gelo. O quarto é de gelo. O bar é de gelo, mas tem bar – e esse é o alvo. À hora do drink, pego o meu copo de uísque, o mesmo que uso em casa. E um acessório que trouxe junto. No bar, o funcionário me toma por um turista. Propõe, todo animado, que eu use um copo de gelo. Entenda-se, feito de gelo, como os móveis.</p>
<p>Apresento-lhe meu copo. Diante de tal visão, ele recua espantado. Como se nunca tivesse visto uma peça de cristal. Peço minha primeira dose, sem susto. Se a casa não tiver uma de minhas marcas prediletas, mando buscar a garrafa de emergência. Na minha mala.</p>
<p>Não foi preciso. Com a bebida no copo (um Macallan, vá lá) relaxei. Sentei-me no estranho banco de gelo à frente da curiosa mesa da mesma matéria. Então peguei o acessório. Uma pequena barra de aço com cabo de madrepérola, que uso para partir nozes. Esperava que fosse suficiente para o meu propósito, e foi. Dei três pancadas na beira da mesa. Três pequenos pedaços do móvel se desprenderam. Aparei-os, com o copo. Olhei para o barman. Estava lívido. Pode ter me tomado por um maníaco destruidor de construções de gelo (se fosse, usaria um maçarico).</p>
<p>Sorvi o primeiro gole. Prazer insuperável. Para isso eu pegara aquele avião. Meus amigos vão achar um absurdo. Muito dinheiro, para beber uísque on the rocks dentro de uma geleira. Nesse momento, virá minha consagração:</p>
<p>- Tive o gostinho.</p>
<blockquote><p><em>Abril de 2012</em></p></blockquote>
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		<title>O treino para o Mundial de Dominó é no bar</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 18:08:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre bolinhos de bacalhau e coxinhas, a Federação Paulista de Dominó forja seu destino. Sua sede não tem pompa, mas o agradável clima de uma confraria de vizinhos de bairro. Onde os vizinhos se encontram? No Bar do Valdeci. Pois o bar, em Cidade Patriarca, na zona leste, é a sede da Federação. O dominó, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre bolinhos de bacalhau e coxinhas, a Federação Paulista de Dominó forja seu destino. Sua sede não tem pompa, mas o agradável clima de uma confraria de vizinhos de bairro. Onde os vizinhos se encontram? No Bar do Valdeci. Pois o bar, em Cidade Patriarca, na zona leste, é a sede da Federação.<span id="more-6685"></span></p>
<p>O dominó, em São Paulo, sempre foi um jogo agradável e descompromissado. Aposentados são vistos à sombra de árvores, em praças, distraindo-se com ele. Pois hoje é um esporte, com Estados brasileiros preparando-se para disputar o campeonato mundial. Como o de futebol, o Mundial de Dominó de 2014 será no Brasil. Pena que, por aqui, esse esporte não seja reconhecido oficialmente.</p>
<p>Cidade Patriarca fica adiante da Penha, zona leste adentro. Não tem agência de banco, nem de correio; o comércio, disperso, oferece apenas um pequeno supermercado. Mas o bairro pode se orgulhar de ter uma federação paulista, justamente a de dominó. No começo eram meia dúzia de pessoas que, aos domingos, se distraiam com o jogo. Em 2000, resolveram disputar campeonatos. Fundaram o Unidos do Dominó, no ponto de encontro – o Bar do Valdeci.</p>
<p>Hoje, como antes, o Valdeci prepara pessoalmente os petiscos. Quando há reunião de diretoria da federação, ocupa seu posto de diretor financeiro. O presidente da entidade, por sua vez, perfila-se entre os que aperfeiçoam sua técnica nas mesas do bar. É Manoel Mendes Vieira, o Nildo, um representante comercial em vias de se aposentar.</p>
<p>Muitas vezes Nildo mais atua como presidente do que joga dominó. A luta da federação é consolidar o dominó como esporte oficial, e conseguir patrocínios para disputar campeonatos pelo País, e fora dele. Tarefa complicada.</p>
<p>No ano passado, em janeiro, foi fundada a Confederação Brasileira de Dominó, com sede em Brasília. Em novembro, teve lugar, na cidade, o 1º Torneio Oficial de Duplas. De Cidade Patriarca partiram o que Nildo chama “os dez heróis”. Ele e os outro nove foram à capital do País, participar do torneio, “por conta própria”, como diz Nildo. Ou seja, com dinheiro do próprio bolso.</p>
<p>Comerciantes do bairro, em todo caso, “entraram com alguma coisa”. Os nomes deles estão estampados nas costas da camisa oficial da Federação Paulista de Dominó, envergada pelos jogadores durante a disputa. Ela tem 13 listras pretas e gola vermelha, “as cores da bandeira paulista”. No torneio, Brasília ficou com o primeiro lugar. São Paulo, com o sétimo.</p>
<p>A pedida, agora, é o campeonato mundial de duplas da Jamaica, no Caribe, em junho. Os jogadores classificados em Brasília (não é o caso de São Paulo) terão recursos para ir? As experiências anteriores não recomendam nada.</p>
<p>O dominó tem dois mundiais por ano. Os brasilienses participaram dos da Costa Rica e na Abcácia, na ex-União Soviética, ambos no ano passado. O critério foi o “vai quem pode”. Os próprios competidores pagaram passagens e hospedagem. As entidades do dominó têm buscado patrocinadores, mas é tarefa inglória. As empresas não se animam porque ainda vêem o dominó como um passatempo de idosos.</p>
<p>Em maio do ano passado, entidades estaduais foram recebidas pelo então ministro interino do Esporte, Vicente Neto. O ministro prometeu apoiá-las institucionalmente. Em termos práticos, o que isso significa? “Apoio moral”, diz Nildo. Orientação, por exemplo, para montar processos de acesso à Lei do Incentivo ao Esporte, caminho para atrair patrocinadores.</p>
<p>O ministro não se comprometeu com o reconhecimento oficial do esporte. “Disse que para ser reconhecido basta jogá-lo.”</p>
<p>Entre os dominoístas, como chamam a si próprios, estava o presidente da Federação Internacional de Dominó, FID, Lucas Guittard. Citou Nildo, por ter sido o primeiro brasileiro a fazer contato com a federação, hoje sediada nos Estados Unidos. “Dei o pontapé inicial”, diz o referido, na mesa da diretoria, no Bar do Valdeci. Em janeiro último, os representantes dos Estados estiveram com o ministro dos Esportes Aldo Rebelo. Tratou-se do campeonato mundial de 2014 no Brasil. Rebelo elogiou a iniciativa, e prometeu apoio institucional.</p>
<p>Enquanto isso, os dias passam tranquilos no Bar do Valdeci, há 17 anos na mesma rua. “Este bairro parece uma cidadezinha do interior, todos se conhecem”, diz o proprietário, de trás do balcão. “Se um estranho entra no bar, é trazido por um conhecido nosso.” Os que jogam dominó ocupam as mesmas mesas que a freguesia comum, entre as que ficam nos fundos da casa. O lugar é adornado por troféus, alguns grandes, conquistados nas partidas de dominó na região.</p>
<p>A federação ocupa o andar de cima. Nesse espaço, desimpedido, são jogadas as partidas dos campeonatos. Perto da janela, há uma mesa maciça, guarnecida pelas bandeiras brasileira e paulista. Nela a diretoria despacha. Nildo passa ao visitante um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, na Espanha, sobre a relação entre o dominó e o mal de Alzheimer. O trabalho diz que a atividade intelectual e a sociabilidade, proporcionadas por esse jogo, podem reduzir o risco de se contrair a doença.</p>
<p>O Valdeci deixa que o presidente Nildo fale sobre dominó. Mas pode dar conselhos sobre sua cozinha. Alerta que o bacalhau congelado, vendido nos supermercados, não é bom para fazer bolinhos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>No dominó, não há drible, gol de placa,</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>exibição de boa forma física.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>grande virtude está na concentração</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É proibido falar, claro. E usar o celular. As mãos têm que estar sobre as pernas, imóveis. Quando a mão se mover para pegar uma pedra, e colocá-la em jogo, o gesto tem que ser direto e determinante. “Pedra pegada, pedra jogada”, diz a tradição, apoiando a regra. Se a mão vacilar, o juiz pune. O faltoso perde pontos.</p>
<p>Nos campeonatos de dominó, os jogadores comparecem com a camisa do clube. Vistosa, como as do futebol. E, como neste, o juiz tem à mão o cartão amarelo e o vermelho. E mais um, o negro. No jogo de duplas, o palco da disputa são uma mesa e quatro cadeiras. Os parceiros, agora como em um jogo de buraco, sentam-se frente à frente.</p>
<p>Duas duplas, 28 peças de dominó, com seus pontinhos desenhados, de um a seis (algumas sem pontinho, valor zero). Sete peças por jogador. No geral, as partidas duram 300 pontos ou 55 minutos. Mas podem ser menores, de 30 a 80 pontos, por exemplo. Em grandes eventos, com 40 mesas, há cinco ou seis juízes de olho. E pessoal da organização do torneio.</p>
<p>A única concessão ao rigor é a “pensada”. Na sua vez, o jogador demora alguns momentos para agir. Isso funciona como um sinal para seu parceiro. Ele tem que entender o que o autor da “pensada” está justamente pensando, o que está querendo. A experiência e a concentração fazem com que isso seja possível. O parceiro, então, joga de forma a favorecer o pensador.</p>
<p>Os juízes e fiscais ficam atentos a outra possibilidade, esta proibida: o trampo. O jogador pode erguer sutilmente um ombro (por exemplo) e assim dar ao parceiro o sinal da jogada a ser feita. No Maranhão, diz Manoel Mendes Vieira, da federação paulista, o trampo é tolerado. Isso, afinal, pode tornar as partidas mais divertidas. Mas está descartado em campeonatos nacionais.</p>
<p>No comum, se o juiz perceber alguma irregularidade levanta o cartão amarelo, como advertência. Na reincidência ou caso mais grave, ergue o vermelho. O infrator perde de 10% a 20% do total de pontos da partida (em uma de 300 pontos, pode ficar sem 60, 20%). O cartão negro expulsa o jogador, em caso de indisciplina. Discutir com o adversário ou o próprio parceiro, por exemplo.</p>
<p>Se o jogador pegar a pedra e a deixar cair, terá que colocá-la sobre a mesa, à vista de todos. Na sua vez de jogar, é obrigado a usá-la assim que for possível. Se a pedra se encaixa em uma jogada, não pode deixar de fazê-la, mesmo que isso lhe seja desinteressante.</p>
<p>No dominó, não há drible, gol de placa, exibição de boa forma física. A grande virtude está na concentração. Se Ronaldo jogasse dominó, com suas excepcionais qualidades, ainda seria o Fenômeno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Tudo é muito novo, na organização do esporte.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A Confederação Brasileira de</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dominó foi criada em janeiro de 2011</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Campeonato Mundial de Dominó de 2014, a ser disputado em Brasília, em setembro, deverá contar com mais de 300 duplas de esportistas, vindos de 37 países. Destas, pelo menos cem serão brasileiras. Em junho, o Brasil participa do Mundial da Jamaica, no Caribe, com duas duplas. Depois haverá outro na Venezuela; há dois campeonatos por ano.</p>
<p>Quem serão esses nossos craques? Não há nomes de destaque ou favoritos. As duas duplas vão surgir das disputas em campeonatos estaduais e nacionais. O próximo nacional está previsto para ocorrer em São Paulo, em março. Com essas disputas, a Confederação Brasileira de Dominó, Conbrad, está criando um ranking de jogadores, ainda inexistente. Tudo é muito novo, no esporte. A Conbrad foi criada em janeiro do ano passado.</p>
<p>Os brasileiros que nos representarão certamente são craques, mas isso não basta. Sem patrocínio ou outro apoio financeiro, o jogador tem que custear viagem e estadia. Para o Mundial de Brasília, espera-se que este problema esteja resolvido.</p>
<p>A decisão sobre o Mundial no Brasil foi tomada em junho do ano passado, na Costa Rica, na América Central, que sediou um mundial daquele ano. A Federação Internacional de Dominó, FID, com sede na Flórida, Estados Unidos, nomeou o Brasil como integrante, e deu-nos o mundial.</p>
<blockquote><p><em>Esta reportagem foi escrita para o <a href="http://www.dcomercio.com.br/">Diário do Comércio</a>, e publicada na edição de 20 de março de 2011.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Tem que proibir as trovas populares!</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2012 23:07:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>

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		<description><![CDATA[A Liga dos Cidadãos Política, Tradicional e Financeiramente Corretos do Brasil não existe, mas existe. Se juntar todo esse pessoal que quer a censura de textos, livros e até verbete de dicionário, fica pronta. Ela encontraria campo farto para suas investidas, em nossas trovas populares. Veja o caso da absurda sensualidade de uma menina, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Liga dos Cidadãos Política, Tradicional e Financeiramente Corretos do Brasil não existe, mas existe. Se juntar todo esse pessoal que quer <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/vamos-proibir-acalanto-e-atirei-o-pau-no-gato/">a censura de textos, livros e até verbete de dicionário</a>, fica pronta. Ela encontraria campo farto para suas investidas, em nossas trovas populares.<span id="more-6539"></span></p>
<p>Veja o caso da absurda sensualidade de uma menina, que é espancada pela mãe e molestada pelo pai:</p>
<p><em>“Sou pequenina, da perna grossa</em></p>
<p><em>Vestido curto papai não gosta</em></p>
<p><em>Fui na cozinha comer salada</em></p>
<p><em>Mamãe me viu, me deu palmada</em></p>
<p><em>Fui na despensa roubar um queijo</em></p>
<p><em>Papai me viu, me deu um beijo&#8221;</em></p>
<p>Neste outro exemplo, o ritmo do texto é maliciosamente construído para introduzir, perdão, colocar e repetir palavra de baixo calão.</p>
<p><em>“No portão do cemitério,</em></p>
<p><em>Tério, tério, tério,</em></p>
<p><em>Duas almas se encontraram,</em></p>
<p><em>Traram, traram, traram.</em></p>
<p><em>Uma disse para a outra,</em></p>
<p><em>Outra, outra, outra,</em></p>
<p><em>Você é uma vagabunda,</em></p>
<p><em>Bunda, bunda, bunda,</em></p>
<p><em>Mas que falta de respeito,</em></p>
<p><em>Peito, peito, peito</em></p>
<p><em>Mas que peito cabeludo,</em></p>
<p><em>Ludo, ludo, ludo.”</em></p>
<p>O que se lerá a seguir trata absurda e abertamente do homossexualismo.</p>
<p><em>“Homem com homem</em></p>
<p><em>Mulher com mulher</em></p>
<p><em>Faca sem ponta</em></p>
<p><em>Galinha sem pé.”</em></p>
<p><em>Mais um exemplo de exploração da sensualidade:</em></p>
<p><em>“Eu vi um sapo, po</em></p>
<p><em>Na beira do rio, rio, rio</em></p>
<p><em>Não era sapão, pão, pão.</em></p>
<p><em>Nem perereca, cá, cá</em></p>
<p><em>Era o João, ão, ão</em></p>
<p><em>Só de cueca, cá, cá.”</em></p>
<p>Imagine o que aconteceria hoje, com a tardia e bem-vinda Lei da Palmada, diante deste descalabro:</p>
<p><em>“Agá, agá</em></p>
<p><em>A galinha qué botá</em></p>
<p><em>Ijê, Ijê</em></p>
<p><em>Minha mãe me deu uma surra</em></p>
<p><em>fui parar no Tietê</em></p>
<p><em>Alô, Alô</em></p>
<p><em>O Galo já cantou</em></p>
<p><em>Amarelo, amarelo</em></p>
<p><em>Fui parar no cemitério</em></p>
<p><em>Roxo, roxo,</em></p>
<p><em>Fui parar dentro do cocho.”</em></p>
<p>Há uma situação absurda e inaceitável no campo da escatologia. Um exemplo:</p>
<p><em>“Quem cochicha,</em></p>
<p><em>O rabo espicha,</em></p>
<p><em>Come pão</em></p>
<p><em>Com lagartixa.”</em></p>
<p>Outro:</p>
<p><em>“Bão-balalão!</em></p>
<p><em>Senhor capitão!</em></p>
<p><em>Em terras de mouro</em></p>
<p><em>Morreu meu irmão,</em></p>
<p><em>Cozido e assado</em></p>
<p><em>Em um caldeirão;</em></p>
<p><em>Eu vi uma velha</em></p>
<p><em>Com um prato na mão.”</em></p>
<p>Mais um:</p>
<p><em>“Zé Capilé!</em></p>
<p><em>Tira bicho do pé</em></p>
<p><em>Pra tomar com café!”</em></p>
<p>Neste, um flagrante desrespeito ao amor próprio:</p>
<p><em>“Fui andando pelo caminho.</em></p>
<p><em>Éramos três,</em></p>
<p><em>Comigo quatro.</em></p>
<p><em>Subimos os três no morro,</em></p>
<p><em>Comigo quatro.</em></p>
<p><em>Encontramos três burros,</em></p>
<p><em>Comigo quatro.”</em></p>
<blockquote><p><em>Trovas extraídas do site QDivertido.com.br</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Repórter senta de frente para a porta</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/reporter-senta-de-frente-para-a-porta/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 17:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Yes, baby, nós repórteres sentamos de frente para a porta. Não vá algum vilão entrar armado para acabar com a gente, e nos irmos desta estupidamente com um tiro nas costas. Cinema à parte, se o Bolsonaro entrar aos beijos com um gay, não perdemos o furo. Segui a regra, naquela noite, no restaurante de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Yes, baby, nós repórteres sentamos de frente para a porta. Não vá algum vilão entrar armado para acabar com a gente, e nos irmos desta estupidamente com um tiro nas costas. Cinema à parte, se o Bolsonaro entrar aos beijos com um gay, não perdemos o furo.<span id="more-6241"></span></p>
<p>Segui a regra, naquela noite, no restaurante de Itapetininga. A cidade do interior paulista nos oferecia alguns restaurantes promissores. Não sei exatamente por que, optamos por um que começava com um espaço um pouco estreito, e se abria no fundo.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzvalance2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6244" title="zzvalance2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/01/zzvalance2.jpg" alt="" width="500" height="304" /></a>Ocupei meu lugar, em uma mesa da parte estreita. Meu colega das lentes sentou ao meu lado. À nossa frente, de costas para a porta, ficou o colega do volante. Aí vai a noite. Um tira-gosto, uma bebidinha, que o dia tinha sido cheio. Em paz, porque a casa – graças, graças Senhor &#8211; não tinha aparelho de TV ligado.</p>
<p>(<strong>N.da R.</strong>: <em>No clichê ao lado, o bandido, à esquerda, entra no bar. O mocinho, à direita, estava de frente para a porta, é claro.</em>)</p>
<p>Fizemos o pedido, e se bem lembro estávamos no fim do jantar quando&#8230; Um fantástico som ao vivo eclode às nossas costas, enchendo o lugar com um número de bossa-nova! Viramos, eu e o fotógrafo, e descobrimos poucos metros atrás de nós um conjunto de piano, bateria, baixo de pau e cantora!</p>
<p>A cena clássica, o pianista com seu copo de uísque em cima do tampo. E um baixista jazzístico, de grande performance. O baterista, com a batida impecável (pelo menos aos nossos ouvidos amadores) da bossa nova. E a cantora? Afinadíssima.</p>
<p>É prudente dar o desconto de que estou falando de um dos meus gêneros prediletos. Aquele que, no fim dos anos 1950, embalou a juventude nas ondas de um barquinho&#8230;</p>
<p>Certamente o piano já estava lá, quando chegamos – e não notamos. Mas nada e ninguém mais. O baterista armou seu instrumento, e não percebemos! No intervalo falei com eles, e descobri que estavam ensaiando. Um ou dois dias mais tarde se apresentariam em um lugar da cidade que não gravei.</p>
<p>Pentelhamente, num intervalo depois de “Corcovado” (”Um banquinho, um violão”&#8230;), expliquei ao pianista que a letra original não era essa. Era um cigarro, um violão, mas, a pedido de João Gilberto, Tom trocou o cigarro pelo banquinho (erudição de leitura de jornal).</p>
<p>Os músicos foram simpáticos, aceitaram bem o pequeno discurso fora de hora. A música continuou. Dada a nossa empolgação, a casa ofereceu uma rodada de uísque. Sim, baby, nós repórteres não aceitamos presentes. Mas àquela altura seria uma grosseria devolver a bebida.</p>
<p>E fomos ficando&#8230; Até o momento em que o pianista deu o concerto por encerrado. Muito bêbado, achou que era hora de se despedir.</p>
<blockquote><p><em>Janeiro de 2011</em></p></blockquote>
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		<title>Cuidado com os repórteres fotográficos</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 17:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotógrafos de jornal, ou repórteres fotográficos, ou foto-repórteres, são no geral ótimas companhias de viagem. Não só para a pauleira da cobertura, mas para os momentos amenos. Mas cuidado: são perigosos e estão armados. Certa vez, paramos numa churrascaria simplória, para tomar um refrigerante. Meu companheiro era (nada menos que) Reginaldo Manente. Resolvi aliviar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fotógrafos de jornal, ou repórteres fotográficos, ou foto-repórteres, são no geral ótimas companhias de viagem. Não só para a pauleira da cobertura, mas para os momentos amenos. Mas cuidado: são perigosos e estão armados.<span id="more-6136"></span></p>
<p>Certa vez, paramos numa churrascaria simplória, para tomar um refrigerante. Meu companheiro era (nada menos que) Reginaldo Manente. Resolvi aliviar a bexiga, como se dizia antigamente, e caminhei para o banheiro. O dono do lugar disse que o banheiro dos homens estava com problemas. Melhor eu usar o das mulheres, que ficava ao lado. Não tinha mulher por ali, explicou.</p>
<p>Entrei, usei, sai&#8230; quando piso fora do banheiro dou com o Manente me apontando a câmara. Foto! Não me lembro se essa foi fixada no mural da redação, como era hábito. O fato é que se vê a ilustre pessoa deste profissional saindo por uma porta sobre a qual estava escrito, grande, na parede: Senhoras.</p>
<p>O grande Rolando de Freitas era um perigo em potencial. Estava sempre pronto para uma gozação. Numa viagem pelo interior do País, dormimos numa casa/hotel que não tinha chuveiro. O banho era no quintal, de canequinha. Vi o sacana pelado fingindo que ia tomar o tal banho, mas com a câmara na mão. Reclamei, xinguei e tomei muito cuidado, porque, afinal, eu estava no banho. Assim mesmo o meu posterior foi mostrado em uma grande foto, esta sim fixada na redação.</p>
<p>Heitor Hui, autor de capas na revista Manchete da época de ouro, é um cavalheiro. Mas com sense of humor. Um dia viajamos para Joaquim da Barra, perto da divisa com Minas, atrás de uma mulher que havia escapado de um terremoto no Japão. Achamos a sobrevivente, entrevistei, e ela disse que tinha rezado muito para uma santa cujo nome me escapa.</p>
<p>Fomos então à igreja, porque, uma vez a salvo em sua cidade, a mulher rezava com frequência à frente da imagem da santa, para agradecer. Impunha-se uma foto da fiel com a santa.</p>
<p>Na igreja, a situação se complica. A imagem, não lembro por que, estava guardada. Pedi a uma senhora permissão para levar a santa para seu lugar, perto do altar. Era uma imagem grande, de mais de metro. Carreguei-a como pude e, solícito, a deixei com Heitor e a mulher.</p>
<p>Mais tarde, Heitor me mostrou a foto que fizera: um ladrão de imagens roubando uma santa grande em plena igreja. Quase fui parar novamente no mural da redação.</p>
<p>Com Edward Costa, já tinha vivido certas boas aventuras, como a do peixe com abobrinha roubada de uma plantação que ele preparou para nós, numa viagem de barco. Agora estávamos em Boiçucanga, a velha praia do litoral norte paulista.</p>
<p>Às tantas, cansado, sento num velho banco de madeira, de uma praça, e ponho-me a garatujar anotações no meu bloco. Não ouvi o cléc do disparo da máquina (o obturador de cortina das velhas Nikon operadas com filme fazia esse barulho).</p>
<p>Depois, Edward me mostrou o resultado. Fui fotografado bem embaixo de uma placa, que não tinha notado, com o nome do lugar: Praça da Mentira.</p>
<blockquote><p><em>Janeiro de 2011</em></p></blockquote>
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		<title>Um bom 2012. Se o ano não acabar</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2011/um-bom-2012-se-o-ano-nao-acabar/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 16:41:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

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		<description><![CDATA[2012 é um ano interessante, para muitos místicos e videntes: tem fim do mundo. Crêem que no dia 21 de dezembro o sol nascerá alinhado com o centro da Via Láctea, coincidindo com o fim do calendário maia. Isso destruirá a Terra. Se não for assim, acredita outra corrente, um corpo celeste chamado Nibiru, ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>2012 é um ano interessante, para muitos místicos e videntes: tem fim do mundo. Crêem que no dia 21 de dezembro o sol nascerá alinhado com o centro da Via Láctea, coincidindo com o fim do calendário maia. Isso destruirá a Terra.<span id="more-6095"></span></p>
<p>Se não for assim, acredita outra corrente, um corpo celeste chamado Nibiru, ou Planeta X, se chocará (na mesma data), com nosso planeta. A Nasa, a agência espacial americana, se deu o trabalho de desmentir. Mas o frisson está no ar.</p>
<p>Outra previsão, esta sem desmentido: o Corinthians será o campeão paulista de 2012. O autor desta profecia se assina ZYON3000, em página da web. Prevê, em compensação, que o Palmeiras vencerá o Campeonato Brasileiro.</p>
<p>Ficaria mesmo bom para os times paulistanos, se a previsão de Mãe Dinah, vidente famosa, se concretizasse: o São Paulo vencerá a Libertadores, embora eliminando o Corinthians. Isso não vai acontecer, pois o time do Morumbi está fora do torneio. Mas tem que se dar um desconto: Mãe Dinah entende de sua arte, não de futebol.</p>
<p>Na política, outro conhecido vidente, José Acleíldo, tem uma boa notícia para a presidente Dilma Rousseff. “Dilma terá muita vantagem, já que o 2012 será comandado por, entre outros signos, Sagitário, o mesmo da presidente”, disse em seu site (abaixo, como será o ano dos sagitarianos).</p>
<p>E Lula? Os búzios, a numerologia, as runas (baseadas em pedras) prevêem melhora de saúde. Mas o tarólogo (joga as cartas) Maurício Mantelli é mais otimista. Diz que Lula vai voltar à política com muita força. “Estará tão bem, que vai tentar a presidência novamente.” Lula para presidente, quem diria&#8230;</p>
<p>No embalo do otimismo, vai também José Acleíldo. O Brasil virou vitrine do mundo. Em 2012 será o berço da conciliação mundial e do diálogo. O Rio de Janeiro, por sua vez, sofrerá “limpeza profunda”. “Poderemos atravessar aquela cidade com nossos anéis e relógios, sem sermos molestados.”</p>
<p>Não fala em limpeza em Brasília, onde mora. E prevê que, apesar das acusações de malfeitos, o governador Agnelo Queiroz conseguirá “concluir seu destino político”.</p>
<p>Em outra área, a artística, uma espécie de obituário premonitório frequenta blogs e sites. Mas a informação desejada – quem vai morrer em 2012 – não é confirmada por búzios, cartas de tarô, números, mapa astral, guias de pais e mães de santo.</p>
<p>Em um deles: “Famosa apresentadora da TV brasileira deve falecer em 2012”. Podia-se talar também em famoso cantor. A aposta na morte de Hebe Camargo e Roberto Carlos vem de pelo menos 2008, e no entanto eles continuam sãos e lampeiros.</p>
<p>Os dois estão em uma lista de 12 nomes, ao lado de Sílvio Santos, Sean Connery, Michael Douglas e Roger Moore. Antes dos nomes, há uma advertência: “Essa lista não afirma quais artistas morrem em 2012, apenas mostra os que devem cuidar melhor da saúde.” Toc, toc, toc (três pancadas na madeira).</p>
<p>Na área ambiental, no drama do aquecimento global, o Brasil não vai mal, a se confirmarem as premonições de Juscelino Nóbrega da Luz, premonitor. Num vislumbre de 31 anos, até 2043, enumera os países que mais sofrerão com o fenômeno.</p>
<p>Holanda em primeiro lugar. Japão em quinto. Estados Unidos em sétimo. No fim da lista o Egito, 70% do continente africano, Rússia, China e, no 52º lugar &#8211; o topo -, o menos prejudicado, o Brasil. Apesar disso, Juscelino alerta para tempestades em vários Estados e aconselha: “Proteja sua família, pois os ventos ficarão muito piores a partir do ano que vem.”</p>
<p>O astrólogo Guilherme Salviano, há 23 anos vergado sobre o mapa asstral, tem uma informação que traz grande alívio: o mundo não vai acabar em dezembro de 2012. “Assim como em 2011, 2000, 1999, 1988, e em outras diversas vezes, em que alguns provavelmente ouviram algo a respeito, o novo fim do mundo marcado para 2012 certamente passará batido”, escreve em seu site.</p>
<p>Tudo não passa de uma confusão criada pelo fim do calendário maia, de 5126 anos. “É como se a conta de dias do calendário começasse em 3114 antes de Cristo e se encerrasse no final de 2012”. Neste período, ocorrerá apenas o final do calendário. “Se isso fosse o fim do mundo, o mundo acabaria todo 31 de dezembro.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Os sagitarianos</strong></p>
<p>A presidente Dilma Rousseff estará muito bem em 2012, porque é de Sagitário. E esse será um dos signos que comandará o ano, como revela o vidente José Acleíldo.</p>
<p>A astróloga Andréia Modesto traçou o horóscopo de Sagitário para 2012. Alguns trechos:</p>
<p>“É antes de tudo um signo de autoridade, um signo masculino de concentração e poder. Não raro é franco demais ou economiza palavras, falando pouco e tendo pouco interesse em se expor.”</p>
<p>“Nos últimos tempos, Sagitário aprendeu muito sobre relacionamentos. É um signo de temperamento forte e refletiu bastante sobre quando se doa e quando se pode receber nas relações.”</p>
<p>“É possível que encontre espaço para (&#8230;) vencer desafios, sobretudo no primeiro semestre de 2012, considerando que muitas das posições planetárias já marcaram o ano de 2011.”</p>
<p>“Se existirem gastos excessivos no primeiro semestre, poderá ter que apertar o cinto depois de agosto.”</p>
<p>“Cuidados com a saúde, porque pode ganhar peso, pular de um manequim para outro, e o fígado sofrer com isto também.”</p>
<p>Em suas previsões, José Acleíldo descobriu que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tentará impressionar Dilma para uma possível formação de chapa à vice-Presidência.</p>
<blockquote><p><em>Esta reportagem foi originalmente publicada do </em>Diário do Comércio<em>.</em></p></blockquote>
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		<title>Atolados na Transamazônica</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 17:43:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Sim, lá estava o grandioso Tocantins, com a ponte por onde passa o trem de Carajás. E, formando um Y, seu belo afluente, o Itacaiúnas. Com tanta beleza, por que essa cidade do sul do Pará – Marabá – tinha um apelido tão marcante – Marabala? A violência era tal que os pistoleiros andavam à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim, lá estava o grandioso Tocantins, com a ponte por onde passa o trem de Carajás. E, formando um Y, seu belo afluente, o Itacaiúnas. Com tanta beleza, por que essa cidade do sul do Pará – Marabá – tinha um apelido tão marcante – Marabala?<span id="more-5838"></span></p>
<p>A violência era tal que os pistoleiros andavam à vontade pela cidade. Isso foi até que a autoridade considerada “o juiz mais macho do Pará’ &#8211; a juíza Marta Antunes Lima – começou a limpar o lugar. Ela já havia deixado sua marca (e sobrevivido a quatro atentados a bala) em Altamira, a 500 quilômetros. Foi por aqueles dias que Paulo César Bravos e eu desembarcamos no aeroporto de Marabá. Nosso propósito, no entanto, não era falar de pistoleiros e xerifes. Mas encarar uma aventura.</p>
<p>Tínhamos a pretensão de viajar pela Transamazônica, a estrada inaugurada em 1972 pelos militares para promover a ocupação do Norte. Deveria unir o Piauí ao Amazonas – mas, dizia-se, ligava o nada a lugar nenhum. Por ela queríamos ir de Marabá a Altamira – ou até onde desse.</p>
<p>Paulinho era um mestre das lentes, grande repórter fotográfico. Produziu um belo material para a revista Afinal, onde trabalhávamos. Mas me aprontou uma&#8230;</p>
<p>Em Marabá uma Belina nos esperava. A perua da Ford estava na moda, naquele ano, 1986. O importante para nós é que, se não era um jipe, pelo menos tinha tração nas quatro rodas.</p>
<p>A Amazônia só tem duas estações: seis meses de verão, seco; outro tanto de inverno, com chuvas abundantes. A estrada que íamos percorrer era precária, de terra, mal-afamada, com atoleiros capazes de reter vários caminhões. Um dos mais famosos, o Buraco da Aparecida, tinha metro e meio de fundo por quinhentos de comprimento (Aparecida era uma mulher que instalara uma vendinha, para atender os encalhados). Felizmente estava em outro trecho. E nós, todo animados, em pleno inverno, em um carro de passeio.</p>
<p>O asfalto chegara à Marabá um ano antes. Com isso, o trecho da Transamazônica que cortava a cidade tinha o benefício. Em uma manhã, deixamos o hotel, carregamos a Belina, e embarcamos. Seguimos até o fim do asfalto, fronteira com a realidade de terra. Bem ali, havia um buraco no qual, escrevi, “poderiam boiar uma dúzia de vitórias-régias”.</p>
<p>Presságio, aviso? Ignoramos. Puxei uma garrafa de uísque, e demos um gole pelo sucesso da empreitada. Partimos. Viajamos até bem pelos primeiros 40 quilômetros. Depois foi na base do Deus ajuda. A tração nas quatro rodas nos salvou nos primeiros atoleiros. Atolamos em outro, um pessoal nos ajudou a desencalhar. Seguimos em frente, vai que vai.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzvaldir3.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-5842" title="zzvaldir3" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzvaldir3-300x153.jpg" alt="" width="300" height="153" /></a>Teríamos rodado uns 90 quilômetros, quando chegamos ao acampamento de uma empreiteira. Um grande plástico preto, sustentado por estacas, oferecia teto a uma dúzia de homens. Esses peões e operadores de máquinas eram vítimas de um jogo de desmancha-prazeres. A duras penas arrumavam minimamente um trecho da estrada; vinha a chuva e desarrumava.</p>
<p>Ficamos com dó daquela gente, isolada em instalações tão precárias. Redes para dormir, um prato e uma colher para o boião (a comida), banheiro nem pensar. O chefe do acampamento era o Chaparral, que dispensava a colher – comia com as mãos. Ele e outros que ali estavam nos aconselharam a não prosseguir. Mas nós, repórteres, pessoas determinadas, especiais, nos safamos daquele lugar horrível. Demos adeus e seguimos em frente. Quatro quilômetros depois atolamos em um aterro que parecia uma montanha de lama.</p>
<p>Em pouco tempo surgiu um cortador de banana disposto a nos ajudar. Tinha um facão e estava bêbado. Depois, apresentou-se um lavrador com sua enxada. O trabalho deste homem nos deu esperança. Liguei o carro, acionei a tração, acelerei e&#8230; The End. A fricção, peça da embreagem, quebrou.</p>
<p>Passado algum tempo, Paulinho pôs o pé na estrada, com uma missão. Voltaria quatro quilômetros até o acampamento, para pedir socorro a Chaparral. Na boca da noite, voltou com uma promessa um pouco vaga de ajuda no dia seguinte, se não chovesse.</p>
<p>O trecho onde estávamos margeava a reserva dos índios paracanãs. O lavrador nos tranquilizara: não mexiam com brancos, a não ser que tentassem entrar na reserva. Juro que não tentamos. Ao anoitecer, a mata se encheu de sons. O mais impressionante eram rugidos que pareciam de onças alucinadas, mas vinham dos macacos guaribas. Jantamos dentro do carro, no melhor estilo náufrago. Roupas molhadas e enlameadas, sardinhas em conserva e biscoitos.</p>
<p>Na manhã seguinte encarei os quatro quilômetros. Chaparral disse que o único jeito seria rebocar a Belina com uma motoniveladora. Mas o pneu da máquina estava furado. E os humores do inverno amazônico presentes. Caía tremendo aguaceiro, e parava. O céu limpava, vinha a bonança, o sol surgia quente. O pessoal do acampamento estendia roupa lavada sobre o pára-brisa dos veículos. Secava em minutos. Logo, no entanto, o tempo fechava e lá vinha água.</p>
<p>Andei os quatro quilômetros de volta para a Belina. Encontro Paulinho dentro do carro, com ares de bem-estar. Não estava mais enlameado, como eu o deixara. Mostrava roupa limpa e asseio. Todo animado, contou que havia tomado um belo banho de chuva.</p>
<p>Abri o porta-malas e procurei a garrafa de água mineral. Havíamos subestimado a situação. Aquela era a última garrafa. Procuro e procuro, na bagunça de roupas e bagagens, e não acho. Pergunto a Paulo:</p>
<p>- Meu, quede a garrafa de água?</p>
<p>Ele, firme:</p>
<p>- Estamos sem, acabou.</p>
<p>Eu tinha certeza de que ainda havia uma garrafa. Estava intacta, quando saí para o acampamento. Aperto o amigo, ele tergiversa, mas acaba por confessar:</p>
<p>- Lavei os pés.</p>
<p>A vida no acampamento da empreiteira até que não era mal. Os 12 homens e suas máquinas ficavam parados por longos dias, à espera de condições para operar. Contavam histórias, as proezas que faziam com suas máquinas a diesel. “Somos bons nisso”, diziam. Chaparral incentivava: “Fumaçou, aquele ali dirige até cachimbo”. Dormi na minha rede garimpeira (de nylon, pequeno volume fechada). Como os outros, e como Paulinho, tomei banho na água de uma mina e comi o boião com a colher. Tinha a promessa de Chaparral de que no dia seguinte, se não caísse toró, iria resgatar a Belina.</p>
<p>Às seis da manhã, com o pneu consertado, o chefe do acampamento pulou para o banco da motoniveladora e deu a partida. No lamaçal, manobramos o carro “na mão” e o prendemos à máquina com uma corda. Chaparral precisou de muita habilidade para a volta. Eles eram bons mesmo. Mal chegamos ao acampamento, a tempestade despencou.</p>
<p>À tarde, surgiu um caminhão da sede da empreiteira. Foi na carroçaria dele, com chuva no lombo, que conseguimos voltar até um ponto a uns 20 quilômetros de Marabá. E agora? Lá vinha uma velha caminhonete, carregada de bananas. Estendemos o polegar. O carregamento incluiu dois sujeitos mal ajambrados em cima das bananas. Foi assim que chegamos a Marabá e ao singelo porém maravilhoso hotel com chuveiro quente.</p>
<p>A concessionária que cedera a Belina incumbiu-se de buscá-la quando desse. Nos ofereceu agora uma picape com tração nas quatro rodas. Com ela chegamos, por uma variante, a Tucuruí, onde está a hidrelétrica. E a um lugar chamado Repartimento. Mas essa é outra história.</p>
<p>A delegada Marta Lima e a hidrelétrica foram mostradas em dois boxes.</p>
<blockquote><p><em>Novembro de 2011</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em um site, o mar sem fim</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 16:34:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Aviso aos navegantes da web. Tempo bom e vento a favor para quem estiver disposto a viajar pelos quase 7.500 quilômetros da costa brasileira, descobrir sua dramática realidade, sua beleza, riqueza cultural, tradições. A partir de hoje, um clique em http://www.marsemfim.com.br/ oferecerá ao navegante 45 horas de documentários, cerca de 4 mil fotos, mapas, dezenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aviso aos navegantes da web. Tempo bom e vento a favor para quem estiver disposto a viajar pelos quase 7.500 quilômetros da costa brasileira, descobrir sua dramática realidade, sua beleza, riqueza cultural, tradições.<span id="more-5780"></span></p>
<p>A partir de hoje, um clique em <a href="http://www.marsemfim.com.br/">http://www.marsemfim.com.br/</a> oferecerá ao navegante 45 horas de documentários, cerca de 4 mil fotos, mapas, dezenas de entrevistas com professores universitários, ambientalistas, técnicos do governo, e gente simples e sofrida, os nativos.</p>
<p>O navegante ainda pode escolher outro destino, a Antártica. Esta expedição, que o levará à Ilha Rei George, onde está a base brasileira, resultou em cinco horas de documentários.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzmar41.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5785" title="zzmar4" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzmar41.jpg" alt="" width="700" height="464" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O criador do site e autor de todo o material é João Lara Mesquita, da família proprietária do jornal <em>O Estado de S. Paulo</em>. Apaixonado pelo mar desde criança, esse foi seu caminho natural quando deixou o comando da Rádio Eldorado de São Paulo, em 2003.</p>
<p>Capitão amador, transformou-se em um minucioso explorador e documentarista. Em uma viagem de dois anos (2005 a 2007) palmilhou a nossa costa. Partiu da foz do Rio Oiapoque, no Amapá, e chegou a Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul.</p>
<p>Durante a viagem, mandava para a TV Cultura episódios do documentário que ia produzindo, o <em>Mar Sem Fim</em>. Foram 90 episódios de meia hora, que somaram 45 horas.</p>
<p>“Afirmo sem medo de errar: este é um dos mais completos sites privados em conteúdo sobre o mar e a zona costeira”, diz João.</p>
<p>A programação para o ano que vem já está pronta. Ainda no primeiro semestre aproa o barco para o Norte. Vai refazer a viagem pela costa, desta vez no sentido contrário, de Rio Grande para o Amapá. A viagem estará no site e na TV Cultura.</p>
<p><em>Mar Sem Fim</em> não é apenas o nome do documentário já produzido e desse por fazer. Nem só o deste site. Foi o nome do veleiro usado na primeira viagem; e é o do barco atualmente em uso.</p>
<p>João é entusiasta da vela, mas a expansão de seus projetos obrigou-o a trocar seu veleiro por um troller. É uma traineira, um barco de pesca grande, robusto, de grande autonomia, que os americanos adaptaram para embarcação de cruzeiro. O de João tem 20 metros, três cabines e leva até seis pessoas.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzmar2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-5786" title="zzmar2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzmar2.jpg" alt="" width="276" height="183" /></a>O barco é um dos personagens na viagem à Antártica. A expedição resultou também em uma caixa com três DVDs, que estão sendo lançados agora: <em>Mar Sem Fim/ Viagem à Antártica</em> (veja em <a href="http://www.marsemfim.com.br/livros-dvds">Livros/DVDs no site</a>).</p>
<p>João criou um site de apoio durante a viagem de dois anos pela costa. Queria mostrar o que não cabia nos episódios da televisão. “Fazia uma entrevista de duas horas com um especialista, e tinha que escolher um minuto para pôr no ar.” Na viagem à Antártica, abriu “mais um pedaço no site”. Depois, incorporou um blog. ”Ficou confuso, feio, difícil de navegar”.</p>
<p>Precisava de um site novo, para colocar todo o conteúdo que acabou juntando (tem 25 mil a 30 mil fotos). Uma amiga o ajudou na criação do site. Abriu nele um banco de imagens, que podem ser compradas (há boa procura) por publicações. Mas basicamente está à disposição de estudantes e pesquisadores da costa brasileira.</p>
<p>O www.marsemfim.com.br é, por assim dizer, um site com trilha sonora. Basta clicar em Música p/ Navegar, e escolher uma das seleções. A música acompanhará a navegação pelo site. Nisto entrou a formação de João, que estudou música e foi programador de rádio (a Eldorado).</p>
<p>A página inicial do site poderia ser a foto de um belo recanto do litoral. Mas João buscou algo diferenciado. Assim, ao abrir a página, o navegante se depara com a foto da tela de um radar, que domina todo o espaço. O radar é o do barco de João.</p>
<p>Faz sua varredura, ao mesmo tempo em que soa o código morse: três toques curtos, três longos, três curtos. Ou seja, SOS, o pedido internacional de socorro. “É um recado subliminar”, explica João. “O pedido de socorro dos nossos mares.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Tem que ocupar. Uma ocupação bem feita, ordenada, com regras”</strong></p>
<p>Na entrevista exclusiva abaixo, João Lara Mesquita conta como se transformou num especialista da costa brasileira entrevistando mestres, e depois se deslocando aos lugares para ver tudo com seus próprios olhos. A situação dramática que testemunhou também está relatada aqui.</p>
<p>“Eu sempre gostei de mar. Tive sorte de ter pai que gostava de pescar e desde o final dos anos sessenta (aos doze anos) comecei a sair de barco com ele. Eu nunca gostei daquele programa, eu sentia uma atração e repulsa ao mesmo tempo. Porque meu pai é pescador, é obcecado, fanático. Pescava doze horas por dia e eu achava aquilo um horror, chatíssimo, enjoava. Mas eu gostava do ambiente, gostava do mar. Quando ele parava de pescar eu dizia, que delícia, que espetáculo, que paisagens.</p>
<p>Durante os anos setenta, tive o privilégio de assistir as costas entre Rio de Janeiro e São Paulo desocupadas. Era antes da BR-101. Nós chegávamos a passar quinze a vinte dias em Angra dos Reis sem ver vivalma. E depois abriu a estrada, que não tinha um plano de ocupação, de zoneamento. Em três, quatro anos, detonaram o litoral. Se não tem regra de ocupação é o Deus dará.</p>
<p>Eu não sou xiita, como alguns ecologistas que dizem ‘não pode ocupar’. Tem que ocupar. Tem que fazer girar a economia, tentar fazer com que a vida desse pessoal que está na costa melhore. Agora, você pode fazer uma ocupação bem feita, ordenada, com regras. E você mantém aquela beleza para o resto da vida.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Frágil, sob pressão</strong></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzjoão.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-5787" title="zzjoão" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzjoão-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>“O saneamento básico no Brasil é uma piada. Ninguém quer fazer porque custa muito caro, é uma obra demorada, ninguém vê e não dá voto. No Brasil só 20% só do nosso coco e xixi recebem algum tipo de tratamento. E isso tudo se reflete no litoral. Nós temos uma densidade muito mais alta no litoral que no interior, dezessete metrópoles brasileiras estão na costa. Esse lugar onde existe uma tremenda pressão humana, uma pressão gigantesca de ocupação, é um lugar fragilíssimo. Como dizem os especialistas, é uma zona de encontro entre o mar e o continente, assolada por ventos, por maré, por ressaca, há uma série de forças naturais que maltratam essa faixa de zona de transição.</p>
<p>E nós adoramos o mar, a praia, vamos viajar e se constroem casas, fazem condomínios, hotéis, em lugares onde não pode. Tudo isso, mais os esgotos mal tratados, está contribuindo para a gente detonar a vida dos oceanos. E se a costa brasileira já não tinha estrutura , hoje, com a redução da pobreza, há 31 milhões de pessoas a mais.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> Aulas antes do embarque</strong></p>
<p>“Quase todos os professores que entrevistei diziam: o poder público não nos ouve, não nos chama’. Ou seja, quando vão fazer uma obra preferem chamar uma ONG, um guru qualquer. Não vão à faculdade, onde estão os brasileiros pagos com dinheiro público. O professor fica a vida inteira estudando o mangue, a duna, sabe tudo daquilo, e não é chamado.</p>
<p>Na série do Mar Sem Fim, era estratégia nossa antes de começar qualquer Estado ver o que ele tem. Praia, costão, serra. Então íamos procurar os especialistas nisso para eles explicarem. Eu virei um expert. Com cada um desses eram duas horas, duas horas e meia. Depois, a gente fazia as perguntas e gravava. E a seguir eu entrevistava ambientalistas, procurava as ONGs, em cada Estado. Por fim, buscava a secretaria estadual ou municipal do Meio Ambiente.</p>
<p>Só depois a gente pegava o barco e fazia a costa. Então, eu fui aprendendo coisas do arco da velha. Geologia, biologia marinha, e aí ficava ainda mais grosseiro quando a gente via as barbaridades cometidas pela costa.</p>
<p>Os professores ficaram fãzíssimos da série Mar Sem Fim, porque eu fui, modéstia à parte, um dos primeiros jornalistas a ouvi-los e dar espaço para eles. Como eu vinha fazendo a costa do Amapá para baixo, quando cheguei no Paraná, por exemplo, estavam todos esperando pela gente, no campus de Paranaguá (no litoral).</p>
<p>Eu entrevistava hoje, semana que vem estava no ar. Então eles começaram a assistir aos programas, esperando a vez deles. Foi assim ao longo de toda a costa brasileira.”</p>
<p style="text-align: center;"> <strong>Brasileiros ao Deus dará</strong></p>
<p>“Eu fiz questão de conversar com os nativos também, conhece-los. Eu considero esses brasileiros os mais deixados ao Deus dará entre todos. Porque eles não são unidos. As populações nativas não são unidas em lugar nenhum do mundo. Até pela dificuldade. Alguns pescadores, um pouco mais evoluídos, semi-profissionais, começam a tentar se unir para defender alguma coisa.</p>
<p>Em São Paulo, o Estado mais rico da nação, você vai para Ilha Bela (litoral norte), e vê o lado do Canal de São Sebastião: um primeiro mundo. Você sobe no carro e vai até Castelhanos, está praticamente na idade da pedra. Um morro e uma estrada de trinta quilômetros separam o cara do inferno e do céu.</p>
<p>Se em São Paulo você vê casos assim, imagine no Maranhão. Vi as casas da Ilha Cajual, de pau a pique, uma miséria absoluta, você entra é tão limpa ou mais limpa do que a minha. Chão de terra, mas você não vê uma folha fora do lugar. Eles se ressentem da ausência do Estado.</p>
<p>Um dia nós chegamos na ilha de Santana, no sul do Maranhão, e estava um pescador desesperado. Ele tinha dado em cima de um cardume de xaréu, tinha chapado o barco, e aquilo tudo apodreceu porque não tinha como escoar. Eles vivem com tão pouco, que se ele conseguisse transformar aquilo em dinheiro vivia dois três anos sossegadamente.</p>
<p>Só que não conseguiu, porque o governo fica fazendo essas coisas de demagogia que o Lula quer fazer, reforma aquária e não sei o quê. Bastava dar um mínimo de condições para esse pessoal espalhado ao longo da costa escoar a produção. Um geradorzinho com um freezer, por exemplo, uma merreca. Dava isso, o cara pescava o peixe dele, congelava, podia esperar um dia bom, pôr aquilo no barquinho e vender no centro mais próximo.</p>
<p>Eu ia falar com os professores e eles cansavam de me dar teses, tem aí duzentas teses que eles fizeram tentando subsidiar políticas públicas, seja para melhorar a vida do caiçara, seja para não ocupar duna. Está tudo espalhado por aí. Tinha os estudos, mas o Poder Público não chegou lá para conhecer.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong> Com a TV, dramas reais</strong></p>
<p>“Na Ilha do Mel, quando nós estivemos lá, em 2006, a luz elétrica tinha chegado fazia um ano. Até então, ninguém via televisão, não tinham vontade de consumir. Com a televisão surgiram os dramas. Os filhos abandonaram a profissão, não querem mais saber de virar pescador. Querem ir para a cidade consumir, ter o tênis bacana, e não têm dinheiro. Então começa o tráfico de droga, entrar para a bebida de uma forma violenta, porque o cara quer tudo aquilo que a televisão leva para ele e ele não vê possibilidade.</p>
<p>Numa dessas, um sujeito lá, que não tinha um dente na boca, tenho o depoimento dele, contou que um caiçara trocou a casa dele por uma garrafa de cachaça. Isso você vê acontecer ao lado da costa, não é de agora. Desde o tempo em que eu era garoto, eu via caiçara vender a casa por um maço de dinheiro deste tamanho em nota de um. Achava que estava rico e dava a posse.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong> Mansão na areia</strong></p>
<p>“Aqui em São Paulo tem gente que vai para o litoral, compra a casa do sujeito para ter a posse, depois derruba a casa e faz aquela grande mansão em estilo neo-clássico, que destrói a beleza cênica. Constrói no meio da areia, muitas delas eu tenho fotos. A casa mal pronta, já está cheia de muro de arrimo para a ressaca não levar embora.</p>
<p>A praia é móvel, é o que os professores, os cientistas falam. Existe um equilíbrio dinâmico, e a hora em que você tenta parar esse equilíbrio, você arruína o negócio. Porque é para ser dinâmico. A foz de um rio um ano está aqui, outro ano está lá. Isso varia em função da ressaca, do vento, da coisa toda. A areia é móvel. Não pode tentar segurar. E toda vez que você tenta fazer isso gera erosão, gera desastres homéricos, um desastre em cadeia. Uma coisinha aqui, vai redundar lá na frente.”</p>
<p style="text-align: center;"> <strong>Brasil que ninguém vê</strong></p>
<p>“O que eu mostrei no documentário, e está no site, é um Brasil que não se conhece. É preciso ir aos lugares para ver. Lugares que não atraem muita atenção da mídia. Esse Brasil continua lá atuando, sofrendo, maravilhoso, bonito, rico em cultura, em tradição oral, em festas tradicionais, e muito pouca gente vê, dá pelota para isso.</p>
<p>É por isso que eu fico mais apaixonado pelo meu trabalho. Eu vejo que por mais que eu possa fazer, e tentar ajudar para contribuir, é muito pouco. Tem muito a ser feito ainda. Isso para mim é maravilhoso, mostra que eu posso me dedicar a vida inteira a esse assunto, que ele é inesgotável.</p>
<p>Além de tudo eu amo isso, eu adoro as duas coisas: eu adoro ter uma bandeira para defender, eu adoro ter um assunto que me obrigue a estudar, eu adoro estar no mar. Então isso tudo&#8230; minha profissão acabou sendo jornalismo, então eu falei caramba, o prato do dia está aqui, é eu transformar isso no que eu sei fazer, e procurar divulgar, e não vai acabar nunca. Tem outros enfoques, tem outras coisas, por mais que eu faça eu não vou conseguir esgotar esse assunto jamais.”</p>
<blockquote><p> <em>Esta reportagem e a entrevista foram originalmente publicados no </em><a href="http://www.dcomercio.com.br/">Diário do Comércio</a><em>.</em></p></blockquote>
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		<title>Na Amazônia, ao natural</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 15:19:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Programa de índio, na Amazônia, é você viver como um deles, nem que seja por alguns minutos. A sensação gostosa de se integrar à Natureza de um jeito inteiramente natural, ou seja, nu. Sinto não poder descrever o que estava fazendo na Amazônia, quem era o meu companheiro das lentes (o fotógrafo), em que ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Programa de índio, na Amazônia, é você viver como um deles, nem que seja por alguns minutos. A sensação gostosa de se integrar à Natureza de um jeito inteiramente natural, ou seja, nu.<span id="more-5694"></span></p>
<p>Sinto não poder descrever o que estava fazendo na Amazônia, quem era o meu companheiro das lentes (o fotógrafo), em que ano estávamos. Não lembro mais. Mas recordo que voávamos em um gracioso Skylander, um aviãozinho monomotor bom de pouso em pista de terra.</p>
<p>Foi assim que descemos em um povoado, às margens do Teles Pires. Ver um riozão desses vale a viagem. Ele corre pelo Mato Grosso, para o Norte; lá em cima, forma com outros dois rios o Bico de Papagaio, divisa desse Estado com Pará e Amazonas.</p>
<p>O comandante, como se deve chamar o piloto, ficou no lugarejo com o avião. O colega e eu alugamos um barco e zarpamos. O destino era uma ilha do Teles Pires. Ali, alguns dos Mesquitas, nossos patrões no Jornal da Tarde, costumavam passar alguns dias no lazer da pescaria.</p>
<p>Chegamos ao entardecer. Fiquei surpreso ao ver onde nos hospedaríamos. Uma espécie de palacete de pau a pique, coberto por palha. O rústico confortável.</p>
<p>O responsável pelo lugar nos esperava (seguramente havíamos avisado sobre nossa ida por rádio). Era um homem amável, e pareceu contente por nos ver. Descemos as malas, e demos uma olhada pelo lugar.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzvaldir11.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5703" title="zzvaldir1" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2011/11/zzvaldir11.jpg" alt="" width="740" height="572" /></a>Então, o bravo profissional que vos escreve teve a idéia, por sinal um pouco óbvia. Aquela proximidade de noite, tanto calor&#8230; Que tal um banho de rio? Siiimm. E por que não, só nós e a natureza, pelados? Claaarooo.</p>
<p>A água estava uma delícia. Em terra, nosso anfitrião deixou um empregado, um rapaz, nos observando. E lá ficamos, desfrutando a sensação única da vida “selvagem”&#8230; Momentos raros (viagens são boas, cheias de aventura, mas de muito trabalho).</p>
<p>Foi quase por acaso que uma idéia varou minha mente. Olhei para o fotógrafo, nenhuma preocupação. Gritei para o funcionário à margem:</p>
<p>- Companheiro, este rio tem jacaré?</p>
<p>E ele, em tom tranquilizador:</p>
<p>- Não, não&#8230; Só o de papo amarelo.</p>
<p>Rápida debandada. Quem está interessado em cor de papo? A salvo, na margem, o rapaz nos explicou que o de papo amarelo não costumava atacar. Pior era o peixinho tal (disse o nome), minúsculo, que entrava no canal da uretra. Felizmente, desse também escapamos.</p>
<p>Logo anoiteceu. Eu estava no banho, quando ouvi alegres exclamações. Alguma coisa encantava meu companheiro.</p>
<p>Vesti uma tanga&#8230; Não, a cota de vida selvagem terminara. Bermuda e camisa. O clima festivo vinha da cozinha. Entrei e vi o peixão nas mãos do amável homem.</p>
<p>Era um pintado grande, acabara de ser pescado. Com nossa chegada, um pescador (talvez o da casa) pulara para o barco com a missão de providenciar o jantar. E pescara o baita.</p>
<p>Acresce que o nosso anfitrião era cozinheiro de mão cheia. Tivemos um jantar delicioso. Peixe tirado da água tem outro gosto (e o homem realmente manejava bem o fogão). O Teles Pires é rio muito piscoso, mas nem sempre, nos informou o bom homem, a pescaria dá certo. Por garantia, matara uma ou duas galinhas, deixadas de lado. A sorte estava mesmo do nosso lado.</p>
<p>O dia seguinte era domingo. Nosso anfitrião insistiu em que ficássemos para uma pescaria. Mas tínhamos muito o que fazer. Algum tempo depois, o Skylander decolou para outro destino&#8230;</p>
<blockquote><p><em><strong></strong><strong>A charge é de Oswaldo Gil</strong></em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Twitters de quem não tuíta</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Oct 2011 15:46:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos, eis algumas idéias que me ocorreram. Bate-boca em Brasília sobre o horário de verão. Protestam os que agem na calada da noite. Aplaudem os que agem à luz do dia.  *** Se gritar pega ladrão&#8230; Não dá, não sobrou quem grite.   *** No Brasil, a primeira instância faz justiça, e as demais desfazem.   *** [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos, eis algumas idéias que me ocorreram.</p>
<p>Bate-boca em Brasília sobre o horário de verão. Protestam os que agem na calada da noite. Aplaudem os que agem à luz do dia.<span id="more-5573"></span></p>
<p style="text-align: center;"> <strong>***</strong></p>
<p>Se gritar pega ladrão&#8230; Não dá, não sobrou quem grite.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>No Brasil, a primeira instância faz justiça, e as demais desfazem.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Certos políticos do País não morrem, escapam para sempre.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Finalmente Orlando Silva foi cantar em outra freguesia.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Orlando Silva é pessoa prática. Se auto defendeu, auto julgou, auto absolveu, não precisou de procurador nem de juiz. Até pediu à <em>Veja</em> direito de resposta. Maluf não tem dinheiro no Exterior. Aí o teflon falhou&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Aldo way, isto é, Rebelo, é a pessoa certa para cuidar de futebol e da Copa. Você põe um calção de jogador dos anos 1930 e um boné, ele fica o goalkeeper, o guarda-redes, perfeito.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Depois de todo esse bafafá para construir os estádios, ainda vamos ter que ganhar a Copa?</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Itaquera, Pedra Dormente. Não sei não&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Idoso pobre ao se deitar em cama guarnecida por lençol do lixo hospitalar americano: “Ah, então é assim a gente ficar em uma cama de hospital”.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>A importação desse lixo deve ser rigorosamente investigada. Para os envolvidos, nada a temer. Dificilmente ficarão em maus lençóis.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>Assembléia do Maranhão estatiza a Fundação José Sarney &#8211; despesas serão pagas pelo governo. Projeto de Roseana Sarney, em regime de urgência, votado em uma semana. Sorte do Maranhão não ter outras urgências.</p>
<p style="text-align: center;">  <strong>***</strong></p>
<p>São Luiz (o santo) que se cuide. Próximo passo é tentar a canonização e mudar o nome da capital para São José Sarney.</p>
<blockquote><p><em>Outubro de 2011.</em></p>
<p><em>Nota do administrador: Valdir Sanches não tuíta. Uma pena.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A bermuda folgazã</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 03:11:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[O relacionamento dos casais na velhice não é coisa fácil. As mulheres implicam muito com os maridos. Vejam meu caso (fatos reais). Sentamos para nossa happy hour e abro a conversa com assunto deveras interessante: - Preciso de uma bermuda nova, a minha me aperta todo. Cintura, as partes. Mas não sei como fazer. Ela: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O relacionamento dos casais na velhice não é coisa fácil. As mulheres implicam muito com os maridos. Vejam meu caso (fatos reais).<span id="more-5538"></span></p>
<p>Sentamos para nossa happy hour e abro a conversa com assunto deveras interessante:</p>
<p>- Preciso de uma bermuda nova, a minha me aperta todo. Cintura, as partes. Mas não sei como fazer.</p>
<p>Ela:</p>
<p>- Vai na loja e compra.</p>
<p>Bem, pondero, vai ser difícil.</p>
<p>- Chego na loja e digo para a moça que quero uma bermuda folgazã. Ela não vai entender.</p>
<p>- Você diz folgada.</p>
<p>- Não é a mesma coisa, quero folgazã.</p>
<p>Na mesinha de centro está o tira-gosto. Berinjela em pedacinhos, sobra da festa de uma amiga. Examino.</p>
<p>- Quanto tempo de geladeira tem isto? Está com cara de podre.</p>
<p>- Podre? Como podre? Está ótima.</p>
<p>Experimento, não está mau.</p>
<p>- Vou comer, no mínimo resolve o meu problema de intestino preso.</p>
<p>Ela se irrita.</p>
<p>- De novo essa historia? Você tem sempre a mesma gracinha, essas coisas escatológicas. Podia parar com isso.</p>
<p>- Como, você está me censurando? – reajo, afetando indignação. &#8211; Vou te apresentar à Iriny Lopes, aquela ministra que censurou o comercial da Gisele. Vocês fariam um bom par.</p>
<p>Nisso, me lembro da Folha. Remexo os jornais sobre a mesa e pego a Ilustrada. Foto do Chico, com grande título:</p>
<p>AFASTE DE MIM ESSE CÁLE-SE. Abro o jornal e saio em passeata pela sala, levantando o improvisado cartaz de protesto.</p>
<p>Tenho platéia. A filha e a cunhada dividem o sofá. Platéia hostil ao protesto. Volto ao sofá, triunfante. Elas não dão a mínima. Minha filha foi ao comércio ver mobiliário para o novo apartamento. Conversa para duas horas. Gostou de algum supérfluo que não entendi bem e custa R$ 900.</p>
<p>Entro com um pequeno comentário.</p>
<p>- Pois é&#8230; uma vez e meia o que nossa empregada ganha para se matar de trabalhar durante um mês.</p>
<p>Uma simples frase causa uma revolução. Proponho mudar de assunto. Vocês viram que o Meirelles entrou no partido do Kassab com pinta de candidato à Prefeitura?</p>
<p>Nãããoooo. Política não.</p>
<p>- Então voltem às suas frivolidades, passem a noite inteira falando nelas.</p>
<p>Ameaço me retirar, mas vou ficando. Sempre pode surgir alguma deixa para eu enfiar minha colher provocadora. Somos dois homens (o neto de cinco anos e o vovô) contra três mulheres. Ainda, para piorar, às vezes me permito um trocadalho.</p>
<p>Apesar da greve, chegou meu livro pelo correio.</p>
<p>Minha cunhada e eu vamos abrir. Difícil. Está bem embrulhado em papel, fora o durex.</p>
<p>A cunhada:</p>
<p>- É embrulho com esse papel pardo, que é forte.</p>
<p>Eu, achando que vou agradar.</p>
<p>- Isso indica que o embrulho foi feito à noite.</p>
<p>- Por que?</p>
<p>- Porque à noite todos os embrulhos são pardos.</p>
<p>Resta contar meu grito de protesto, por levantar de uma cadeira e sair andando todo trôpego e dolorido.</p>
<p>- Meu corpo não está dando conta da vitalidade da minha alma!</p>
<p>Se alguém quiser minha companhia para tornar agradável alguma reunião em família, estou às ordens.</p>
<blockquote><p><em>Outubro de 2011</em></p></blockquote>
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		<title>Maníaco sexual, eu?</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 20:56:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Num fim de tarde, chegamos a Ribeirão Preto cansados, depois de um dia correndo atrás da notícia. Se não me engano era coisinha leve, um rapaz de boa aparência, bem vestido, que se insinuava a moças de família da região, como médico. Tão educado, que as escolhidas logo se apaixonavam e pensavam em casamento. Acabavam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num fim de tarde, chegamos a Ribeirão Preto cansados, depois de um dia correndo atrás da notícia. Se não me engano era coisinha leve, um rapaz de boa aparência, bem vestido, que se insinuava a moças de família da região, como médico. Tão educado, que as escolhidas logo se apaixonavam e pensavam em casamento. Acabavam vítimas de um serial killer, tal era a verdadeira natureza do boa pinta.<span id="more-5366"></span></p>
<p>Bem, a esta altura seria mais interessante contar a historia do serial, mas, já que comecei com a minha, sigo em frente. “Chegamos a Ribeirão” eram este que vos escreve e o fotógrafo Antonio Carlos Mafalda, um gaúcho barbudo vindo da Zero Hora, de Porto Alegre.</p>
<p>Na volta das viagens, na redação, eu me divertia contando (com exagero) como ficava traduzindo o gauchês do Mafalda. “No restaurante ele pediu ao garçom: ’Índio véio, me traga um salsichão’, e eu traduzi: amigo, me traz uma linguiça.” Fora o fato, verdadeiro, de chamar PM de brigadiano (de Brigada Militar, a PM gaúcha).</p>
<p>Em Ribeirão Preto não conseguimos um único quarto de hotel. Havia uma convenção de dentistas (ou seriam médicos?) e até mesmo o bom Stream Palace, a duas quadras do Pinguim, estava lotado. Acho que foi um motorista de táxi quem deu a dica. Subimos pela Rua da Saudades (tínhamos um carro alugado) e chegamos a um motel.</p>
<p>Imagine um gauchão parando na recepção com outro homem. Não imagine, porque Mafalda, ao volante, não parou. Passou batido e estacionou uns cinco metros adiante. Desci do carro, caminhei até a janela da recepção, falei sobre os hotéis lotados (eu também não queria ficar mal na fita com outro barbudo) e pedi dois quartos.</p>
<p>Nos hospedamos. Investiguei o banheiro, boa cara. Tirei a roupa, para o banho. Fui ligar a luz do quarto e&#8230; onde? Não achei o interruptor. Vasculhei a cabeceira, havia ali comando de rádio e TV e outros botões. Um deles me pareceu um interruptor. Apertei. Nada.</p>
<p>Procurei com mais cuidado na parede, perto da porta de entrada. Nem sombra de interruptor. Então pensei (a gente tem cada idéia de jerico): vai ver está no lado de fora. Abri um pouco a porta, o suficiente para estender um braço para fora. E comecei a busca pela parede. Procurava, arrastava a mão, e não achava nada. Acabei pondo meio tronco – nu – para fora, acho que até um pedaço de perna. Tateei, tateei, mais uma vez sem resultado.</p>
<p>Fechei a porta e estava a caminho do telefone, para exigir uma explicação de quem atendesse, mas esse “quem” foi mais rápido. O telefone tocou. Era uma moça.</p>
<p>- Está tudo bem? O senhor precisa de alguma coisa?</p>
<p>Ainda irritado vociferei contra a má qualidade do projeto do quarto, que transformou o simples acender de luz em um quebra-cabeças, etc.,etc.. A funcionária me ouviu educadamente. Quando parei, me orientou para aquele botão da cabeceira que parecia um interruptor.</p>
<p>- Já apertei esse, moça. Não adiantou nada.</p>
<p>Ela, atenciosa.</p>
<p>- O senhor não aperte, ele é para girar.</p>
<p>Girei e o quarto se iluminou. No banho, repassou ligado (antigo caiu a ficha): o que a pessoa que me viu, e deu o alerta (e atraiu sabe Deus quantos outros), achou da minha performance? Um sujeito pelado, encoxando um batente, e passando a mão na parede de fora de um quarto de motel? Imaginei a testemunha contando para os amigos: “Já vi muita coisa, mas uma tara como essa nunca”.</p>
<p>Bem, hoje penso o seguinte do que aconteceu em Ribeirão Preto. Diante de um serial keller, um maníaco sexual por acidente pode ser perdoado.</p>
<blockquote><p><em>Setembro de 2011</em></p></blockquote>
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