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	<title>50 Anos de Textos &#187; Sérgio Vaz</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>A concorrida Bolsa-Papagaio</title>
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		<pubDate>Wed, 23 May 2012 01:36:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Desconfiei no lançamento do best-seller A Privataria Tucana. Em todas as redes sociais a pergunta: Já leu o livro do ano? Não vai dar sua opinião? A editora não tem mãos a medir! Os papagaios não falavam em outra coisa! A zoeira de suas vozes era terrível! Mas, de repente, a Cachoeira inundou o Planalto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desconfiei no lançamento do best-seller A Privataria Tucana. Em todas as redes sociais a pergunta: Já leu o livro do ano? Não vai dar sua opinião? A editora não tem mãos a medir!<span id="more-7054"></span></p>
<p>Os papagaios não falavam em outra coisa! A zoeira de suas vozes era terrível!</p>
<p>Mas, de repente, a Cachoeira inundou o Planalto, dali desceu aos borbotões, atravessou o Atlântico et voilà!, J’aime Paris au mois de mai&#8230; Perdão, querido Montand, dei uma de Zé Carioca.</p>
<p>Agitam-se as aves: Merval odeia CPIs. Merval defende Perillo. Merval acusa Perillo. Noblat blinda Perillo. Noblat acusa Perillo. Noblat detesta CPIs. Noblat blinda Agnello. Noblat acusa Agnello. Merval blinda Perillo que acusa Agnello&#8230; Não, não, não, não é nada disso! São muitos os papagaios e suas papagaiadas me deixam tonta!</p>
<p>Ligo o canal Jazz Instrumental. Pronto. Volta a calma. Sou candidata à Bolsa-Papagaio, não posso me perder. Vamos lá. Agora o cantochão é outro:</p>
<p>FHC recebeu um prêmio da Biblioteca do Congresso Americano. Não é um honoris qualquer, é um prêmio dado, segundo <a href="http://www.loc.gov/today/pr/2012/12-098.html">o site da Biblioteca</a> e <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=445561&amp;ch=n">o artigo do Merval</a> no Blog do Noblat (com licença do Eça, sempre esse Blog fatal!) a “em termos puramente acadêmicos, o mais destacado cientista político do fim do século XX na América Latina”.</p>
<p>Papagaio faz o quê? Lê e não acredita. Como pode FHC receber esse prêmio se nunca, jamais, em tempo algum um americano sequer leu uma linha escrita por esse homem? Só pode ser lobby junto à Biblioteca!</p>
<p>E não é que Thomas Jefferson entra na história? E entrou para apanhar! É dado como fazendeiro inculto e ignorante! Por quem? Ora, num livro, em 1822, por um ilustre brasileiro que nunca foi a <a href="http://www.monticello.org/">Monticello</a>! Queria saudar nosso José Bonifacio com cores merecidas, e para isso achou necessário detonar o americano.</p>
<p>Penso em iniciar minha vida de papagaio-bolsista repetindo ad nauseam: Th. Jefferson é o principal redator de um dos mais belos documentos políticos jamais escritos. Se foi sempre seguido ou não, é outro papo – mas que emociona quem lê por ser magistralmente bem pensado e bem escrito&#8230; não acredito que quem o leia, discorde.</p>
<p>Precisamos de mais ração. E mais frutas. Assuntos não faltarão e são muitos os papagaios: a CPI Viúva Porcina, a Comissão da Verdade, O Julgamento de Mensalãoberg, etc. etc. E tem mais:</p>
<p>Em recente seminário sobre a Mídia e a Democracia Latino-Americana, FHC disse o seguinte: <em>Temos hoje uma arquitetura democrática, mas não temos a alma. É uma ideia que ainda está sendo construída. É preciso apoiar mecanismos de regulação que permitam a diversidade.</em></p>
<p>Pronto. A Família Papagaio já concluiu: FHC é a favor da regulação e do controle da mídia.</p>
<p>Será? Mas essa briga eu não compro. Quem mandou tirar retrato ao lado do Collor?</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 18/5/2012.</em></p>
<p><em>Maria Helena, claro, não precisa de apresentação. Precisa só que tiremos o chapéu para ela. </em></p></blockquote>
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		<title>Más notícias do país de Dilma (52)</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-52/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 14:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[“Governos não decidem, por meio de atos de vontade política, quais serão as taxas de crescimento futuro de uma economia &#8211; só os ingênuos, ou arrogantes, pensam assim.” É necessário reconhecer que há algo que funciona, e extremamente bem, no governo Dilma: o marketing. O marketing do governo Dilma é ainda melhor do que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Governos não decidem, por meio de atos de vontade política, quais serão as taxas de crescimento futuro de uma economia &#8211; só os ingênuos, ou arrogantes, pensam assim.”<span id="more-7041"></span></p>
<p>É necessário reconhecer que há algo que funciona, e extremamente bem, no governo Dilma: o marketing. O marketing do governo Dilma é ainda melhor do que o de seu antecessor e criador. O país não anda, não se faz reforma alguma, não se aproveita para nada que preste a mais extravagante maioria parlamentar que um presidente já teve. Não há planejamento, não há rumo – desperdiçam-se as oportunidades, numa situação momentaneamente confortável, de se avançar.</p>
<p>A mulher foi eleita em cima da imagem de mãe do PAC; o PAC é ficção, está tudo empacado, as obras não andam, há uma total indigência gerencial – mas o ibope dela não pára de subir.</p>
<p>Ninguém pagou um tostão de tudo o que foi roubado, no governo anterior e neste; ninguém foi julgado pela roubalheira toda &#8211; e no entanto a imagem da presidente é de uma grande faxineira.</p>
<p>Ainda bem que ainda existem as pessoas que escrevem a verdade dos fatos, como a frase entre aspas acima, que mostra que Dilma e seu governo são ingênuos, ou arrogantes. Na verdade, ingênuos, arrogantes e incompetentes. Marketing fora, é só ingenuidade, arrogância e incompetência.</p>
<p>Aí vai a 52ª. <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-51/">compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>. Foram publicadas entre os dias 11 e 17/5/2012,</p>
<p style="text-align: center;"><strong>As más notícias da Economia</strong></p>
<p><strong>* Os limites da política econômica voluntarista, construída com puxadinhos e expedientes improvisados</strong></p>
<p>“Há algumas semanas a economia brasileira vem passando certos sinais de desarrumação. Não dá mais, por exemplo, para continuar afirmando que a inflação não é problema. O avanço do IPCA de abril, de nada menos que 0,64% (foi de 0,21% em março), e, mais do que isso, o nível de difusão dessa alta (63%) mostram que ela não pode ser atribuída apenas à estocada dos preços dos cigarros – como sugeriu nesta quinta-feira (<em>10/5</em>) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.</p>
<p>“A primeira prévia do IGP-M de maio também apontou uma guinada forte dos preços no atacado (de 1,15%). E, como o atacado de hoje tende a ser o varejo de amanhã, em consequência desse fator alguma inflação adicional está encomendada. A força das remarcações no atacado, por sua vez, reflete em alguma medida a escalada das cotações do dólar no câmbio interno, de 6,5% nas últimas cinco semanas, induzidas por ação do Banco Central.</p>
<p>“A ânsia por puxar pela desvalorização do real parece ter impedido o governo Dilma de entender que, nos dois últimos anos, a indústria ficou muito mais dependente das importações. Para enfrentar custos crescentes dos fatores de produção, sobretudo da mão de obra, o setor industrial recorreu mais pesadamente às importações de matérias-primas, insumos, peças e conjuntos. A alta do dólar no câmbio interno criou um custo adicional de produção que está sendo repassado quase automaticamente para os preços finais. (&#8230;)</p>
<p>A presidente Dilma enfrenta agora a perspectiva de não poder entregar, pelo segundo ano consecutivo, o crescimento econômico anual prometido, desta vez entre 4,0% e 4,5%. O discurso oficial ainda conta com essas projeções. Mas o mercado, consultado semanalmente pelo Banco Central por meio de sua Pesquisa Focus (que atinge cerca de 100 instituições), já trabalha com crescimento do PIB para 2012 de só 3,2%. Mas um punhado de analistas passou a projetar números inferiores a 3,0%. O mau desempenho da indústria, reafirmado por um punhado de estatísticas de origens diversas, parece confirmar essa percepção.</p>
<p>“Em outras palavras, o comportamento insatisfatório do setor produtivo vai mostrando os limites da atual política econômica voluntarista da presidente Dilma, construída com sucessão de puxadinhos e expedientes improvisados. Parece mais difícil agora esticar a alta do dólar e derrubar os juros para elevar a competitividade da indústria. Essa desarrumação foi enfaticamente desmentida pelo ministro Guido Mantega nesta quinta (<em>10/5</em>). Mas está cada vez mais difícil confiar nas declarações dele, ultimamente contrariadas pelos fatos. O último objeto dos reiterados desmentidos do ministro foram as mudanças nas cadernetas. Mantega argumentava que não havia o que alterar nas regras das cadernetas, porque não detectara migração significativa de aplicações dos fundos de renda fixa para elas. Agora, insiste em que a alta do dólar no câmbio interno não provoca inflação relevante.” <strong>(Celso Ming, <em>Estadão</em>, 11/5/2012.)</strong> <strong>* O BC muda, e aumenta o risco da economia como um todo</strong></p>
<p>“O sistema de metas de inflação mudou, na visão do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele acha que a crise fortaleceu o sistema de metas, tanto que este ano os Estados Unidos e o Japão adotaram o modelo explicitamente. Ao mesmo tempo, mudou a interpretação de como ele deve funcionar. ‘A estabilidade de preços é condição necessária mas não é condição suficiente’, diz o presidente do BC. (&#8230;)</p>
<p>“Essa reflexão ele fez num momento em que há muita dúvida sobre se o Banco Central atual tem autonomia para elevar os juros se necessário for. Uma coisa, certamente, não mudou: a inflação continua desafiadora. (&#8230;) Produtos afetados pelo dólar, os bens duráveis, ajudaram a puxar o índice para baixo. Estão em deflação de 2,65%. Os serviços, que são preços que não sofrem concorrência externa nem são afetados pelo dólar, estão em alta de 8%. O governo se esforçou para que o dólar subisse &#8211; com imposto à entrada de capital e restrição às importações &#8211; e a moeda americana teve alta de 7% nos últimos 30 dias. Isso significa que os produtos impactados pelo moeda americana podem ficar mais caros agora.</p>
<p>“A alta do dólar e um possível reajuste no preço da gasolina tornam mais difícil para o presidente do BC cumprir o que promete desde o início de seu mandato, que é levar a inflação para o centro da meta no fim de 2012. A inflação no Brasil está em torno de 5%, com perigo de aumentar mais no segundo semestre. A meta é 4,5%. Nos Estados Unidos, a meta é 2%. No Japão, 1%. Na Europa, 2%. (&#8230;)</p>
<p>“O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deixou claro o que todo mundo já tinha notado: mudou a forma de o BC se comunicar. Ele será mais direto ao falar com o mercado. Quanto mais transparência, melhor. O que preocupa é a sensação de que o BC procura novas interpretações para esconder o fato de que é mais leniente com a inflação. ‘O Dionísio Dias Carneiro tinha uma frase que dizia: o BC deve ser o primeiro dos pessimistas e o último dos otimistas. Nosso Banco Central atual é o contrário disso. Ele gosta de tomar mais risco. Isso significa aumentar o risco da economia como um todo’, &#8211; disse a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.” <strong>(Míriam Leitão, <em>O Globo</em>, 11/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* A interferência do governo abala a credibilidade do BC</strong></p>
<p>“Mais transparente e democrático, o BC precisava de algo que tornasse mais previsível sua mais nobre tarefa: garantir o poder de compra da moeda, controlar a inflação. Em junho de 1999 foi criado o sistema de metas de inflação, pelo qual o governo define a meta (hoje de 4,5%, com tolerância de 2% para cima e para baixo) e o BC trata de cumpri-la com total autonomia, sem nenhuma interferência política.</p>
<p>“Pois bem, autonomia e sistema de metas sofrem, hoje, questionamentos, abalos de credibilidade. A percepção de interferência da presidente Dilma Rousseff em reuniões do Copom que definem a taxa Selic e a opção do governo pelo crescimento econômico, quando confrontado com a aceleração da inflação, têm enfraquecido o sistema de metas e conduzido a autonomia do BC ao descrédito. Hoje é unânime no mercado financeiro a convicção de que o BC abandonou o centro da meta (4,5%) e tenta salvar o teto (6,5%). O banco nega a interferência de Dilma e reafirma sua ‘total autonomia na condução da política monetária’. Mas as palavras cada vez mais se distanciam de suas ações.</p>
<p>“Recuperar a credibilidade não necessariamente implica elevar a taxa Selic na próxima reunião do Copom. Ela pode até cair, se a inflação ceder e a avaliação técnica indicar ser essa a melhor decisão. O que não cabe é o BC agir de forma a alimentar a percepção de interferência política e de que abandonou o sistema de metas. Seria um retrocesso na escalada de mudanças nos últimos anos, que têm contribuído, e muito, para a estabilidade da economia.</p>
<p>“Quem estudou o novo modelo de gestão do BC chega à mesma conclusão: a estabilidade da economia é sempre maior quando é menor a incerteza sobre o comportamento do BC em suas intenções. Por isso é fundamental manter a autonomia operacional e o sistema de metas, que reforçam a previsibilidade e inibem ações de quem especula para gerar lucro fácil. Hoje a autonomia é mera formalidade, uma concessão do governante, não consagrada em lei. FHC a respeitou, Lula também, mas com Dilma ela passou a ser questionada. Quando isso ocorre, portas se abrem à especulação e à volatilidade de preços.</p>
<p>“Dilma tem sido elogiada pela coragem de enfrentar forças políticas do atraso, partidos corruptos e seus representantes no Congresso. Se ela realmente não interfere nas decisões do BC, como tem reafirmado, que desfaça de vez essas desconfianças e tome a iniciativa de enviar proposta ao Congresso formalizando a autonomia do BC em lei. Faça o que FHC e Lula deixaram de fazer. Se ela confia na qualidade e na competência dos diretores que escolheu e nomeou, deixe com eles a tarefa de definir juros e proteger o País contra a inflação. O Congresso já foi mais resistente à ideia. Hoje, nem tanto.” <strong>(Suely Caldas, Estadão, 13/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O governo acredita que a força de sua vontade simplifica a gestão da economia</strong></p>
<p>“A política macroeconômica voltou a ser pautada pelo voluntarismo. O governo parece convencido de que basta a força de sua vontade para que as mazelas da economia sejam rapidamente corrigidas, uma a uma. O câmbio pode ser tão depreciado quanto se queira, as taxas de juros, reduzidas à vontade e o crescimento do PIB, acelerado ao sabor das conveniências políticas. Já era tempo de o país ter aprendido que as coisas não são tão simples. E que experiências voluntaristas desse tipo não passam de surtos coletivos de autoilusão, fadados a enfrentar uma conta salgada no final, quando a inexorável coerência entre as variáveis macroeconômicas se restabelece de forma socialmente perversa. Mas a verdade é que, entre nós, tal aprendizado se tem mostrado bem mais difícil do que se esperava. (&#8230;)</p>
<p>“Inconformado com a perspectiva de mais um ano de crescimento do PIB abaixo de 3%, com desempenho pífio da indústria de transformação, o governo decidiu sair em campo para acertar as coisas a seu modo. Já há algum tempo, o regime de câmbio flutuante havia sido convertido num arranjo de câmbio fixo, no qual o governo tentava impedir que a taxa caísse abaixo de R$ 1,60. Nos últimos meses, contudo, o governo tem recorrido a todo tipo de intervenção para, a qualquer custo, manter o câmbio acima de R$ 1,90.</p>
<p>“Do lado das taxas de juros, o Planalto parece convicto de que agora tem condições de dar solução definitiva ao problema. Não só prolongou &#8211; já não se sabe até quando &#8211; o vigoroso movimento de redução da Selic que teve início em agosto, como desencadeou cruzada nacional pela redução de spreads bancários, com palavras de ordem em discurso de 1 de maio, determinações férreas a bancos públicos e admoestações a bancos privados. (&#8230;)</p>
<p>“Salta aos olhos que a rápida depreciação do câmbio e a redução imprudente da taxa básica de juros, com efeitos amplificados pela substancial diminuição concomitante de spreads cobrados por bancos públicos &#8211; compelidos a expandir crédito e municiados de novas transferências diretas de recursos do Tesouro -, configuram ambiente propício a agravamento do quadro inflacionário em 2013. (&#8230;)</p>
<p>“O curioso é que, enquanto sobra voluntarismo na condução da política macroeconômica, falta determinação na gestão de outras áreas cruciais. O PAC continua entravado. Na esteira da sucessão de escândalos do ano passado, boa parte das cadeias de comando que acionam o investimento público teve de ser desmantelada. E, justo agora, quando, a duras penas, estava tentando remontá-las, o governo se viu às voltas com novas dificuldades, decorrentes da instalação da CPI do caso Cachoeira-Delta. Como a Delta é a maior empreiteira do PAC e tem obras em nada menos que 25 estados, foi preciso montar às pressas uma deprimente operação de contenção de danos. Que, tudo indica, não será capaz de impedir que, mais uma vez, os programas de investimento sejam seriamente afetados.” <strong>(Rogério Furquim Werneck, <em>O Globo</em>, 11/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Medidas apressadas, efeitos negativos</strong></p>
<p>“Medidas tomadas pelo governo para recuperar a economia com uma pressa excessiva têm um resultado contrário ao esperado. Seja na taxa de crescimento, seja na desvalorização da moeda nacional e na expansão do crédito. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, queixa-se do insuficiente crescimento do volume do crédito. E, agora, como já é costume, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, volta a exprimir a mesma queixa &#8211; embora num passado recente os documentos do BC clamassem por política de redução do ritmo de expansão de crédito, especialmente para as pessoas físicas.</p>
<p>“Ainda que, em março, a expansão do crédito para as famílias, nos 12 últimos meses, registrasse 20,3% (mais que o limite que o BC considerava razoável), no primeiro trimestre foi de apenas 3,2%, embora represente 15,8% do PIB. O que o ministro da Fazenda e o presidente do BC parecem esquecer é de que o baixo ritmo de crescimento do crédito resulta de boa parte das medidas que adotaram. Ao forçar uma redução das taxas de juros, por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal &#8211; num momento em que a insolvência atinge valor preocupante -, as autoridades tinham de saber que, para enfrentar uma concorrência dessas, as instituições financeiras privadas se mostrariam muito mais exigentes quanto à qualidade dos créditos outorgados. Com efeito, a elevação da inadimplência as obriga a manter reservas maiores, o que está reduzindo as disponibilidades para fazer novos empréstimos.</p>
<p>“Mas o governo, ao pedir maior expansão do crédito às famílias para aumentar a demanda doméstica, parece não ter levado em conta os efeitos sociais dessa política, com a expansão da classe C. É que o aumento da renda dos trabalhadores, depois de uma elevação do salário mínimo e com o efeito da revisão de todos os outros níveis salariais, gera um novo patamar de poder aquisitivo. Este se reflete num forte aumento do endividamento, não apenas para a aquisição da casa própria (que vai exigir a compra de numerosos bens para equipá-la), mas também de outros bens de consumo duráveis que são pagos com uma prestação aparentemente reduzida.</p>
<p>“Os bancos enfrentam mutuários altamente endividados, aos quais não podem oferecer créditos quando outras prestações estão atrasadas. Paralelamente, a provisória desvalorização do real reduz fortemente o efeito deflacionista dos produtos importados. Faltou ao governo consultar os sociólogos&#8230;” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 12/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Em resumo, é assim: há limites para austeridade, há limites para o crescimento e há limites para o voluntarismo</strong></p>
<p>“’A austeridade não é uma fatalidade’, disse o novo presidente da França no dia de sua vitória, domingo passado. Os gregos, que votaram nesse mesmo dia, parecem estar de acordo, assim como muitos outros europeus. A frase de efeito de François Hollande não é incorreta, mas precisa ser situada no contexto do drama em que se debate a Europa desde 2007. Com particular intensidade desde que, há exatos dois anos, os ministros da Fazenda europeus viraram o segundo fim de semana de maio acertando a forma de evitar um então iminente calote grego, e o efeito contágio que isso teria sobre outros países da região &#8211; e sobre seus bancos. (&#8230;)</p>
<p>“Por certo, há limites para a austeridade, que podem ser de natureza econômica ou político-social, e que sempre dependem do contexto específico de cada país. Mas também é verdade que há limites para o crescimento, que são ou deveriam ser conhecidos. Governos não decidem, por meio de atos de vontade política, quais serão as taxas de crescimento futuro de uma economia &#8211; só os ingênuos, ou arrogantes, pensam assim. Em resumo, há limites para austeridade, há limites para o crescimento e há limites para o voluntarismo. Nenhum deles é uma fatalidade. Ainda bem. <strong>(Pedro Malan, economista, <em>Estadão</em>, 13/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dólar sobe, ameaça inflação, BC não reage, analista fala em barco sem leme</strong></p>
<p>“Sob o clima de pânico que tomou conta dos mercados financeiros internacionais, o dólar comercial cruzou ontem (<em>segunda, 14/5</em>) a importante barreira de R$ 2 pela primeira vez em quase três anos. (&#8230;) Com a rápida escalada, o câmbio passou a acumular uma valorização de 6,47% frente ao real neste ano, o maior avanço entre as 16 principais moedas do mundo. Economistas manifestam uma preocupação crescente com o câmbio, o que pode ter impactos sobre a inflação e a política de corte de juros. E questionam se o governo brasileiro e o Banco Central (BC) não podem ter ido longe demais em suas intervenções na cotação da moeda em março e abril.</p>
<p>“Ontem, o dólar comercial valorizou-se no mundo inteiro. (&#8230;) Mas o avanço foi maior em relação ao real. Segundo Nathan Blanche, especialista de câmbio da Tendências Consultoria, isso seria resultado da ‘muralha’ criada contra a entrada de dólares no país, por meio de medidas como o aumento o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). ‘Quando o governo parou de intervir no câmbio, a moeda estava em R$ 1,90. O mercado entendeu que esse era o patamar que o governo queria a moeda. O dólar está agora a R$ 2. A impressão é, portanto, de um barco sem leme’, diz Blanche.</p>
<p>&#8220;Já Sidnei Nehme, analista da NGO Corretora, avalia que o governo alardeou uma ‘guerra cambial’ que pode não se confirmar e levar o dólar a R$ 2,20 nos próximos meses. ‘Para conter o dólar, o governo precisaria agora rever suas intervenções, o que significaria desmentir a ‘guerra cambial’, a ‘enxurrada’ e o ‘tsunami’. Isso teria um preço politico desgastante perante a comunidade financeira mundial.’</p>
<p>“Segundo Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, mesmo com esse eventual desgaste, o governo precisa intervir no dólar para impedir os impactos sobre inflação. Ele cita operações como swap cambial (equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro), venda de divisas à vista e via leilões no mercado a termo. ‘Para mim, a surpresa não chega a ser a valorização rápida do dólar frente ao real, mas a surpreendente ausência da autoridade monetária vendendo moeda para conter essa rápida alta’, avalia Velho.</p>
<p>“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou ontem (<em>segunda, 14/5</em>) que a alta do dólar não preocupa o governo, pois torna a indústria brasileira mais competitiva. No entanto, nos bastidores da equipe econômica, técnicos admitem que a disparada da moeda americana decorrente da recente turbulência na Europa já provoca alguma ansiedade pelo impacto na inflação, que deu sinais de alta em abril.” <strong>(Bruno Villas Bôas, Gabriela Valente e Martha Beck, <em>O Globo</em>, 15/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O ministro da Fazenda vê tudo cor de rosa</strong></p>
<p>“Os brasileiros têm motivos para otimismo, apesar da crise global, e podem esperar um crescimento econômico maior que o do ano passado e inflação em queda, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Alguns efeitos da crise, como a desvalorização do real, são até benéficos para a indústria nacional e para a geração de empregos, de acordo com sua avaliação. O País está mais preparado que em 2008 para enfrentar o choque externo e, além disso, o mercado interno continuará sustentando a expansão da atividade, afirmou o ministro numa entrevista exclusiva à Agência Estado. Ele tem motivos para exibir alguma tranquilidade, principalmente quando compara a situação do Brasil com a de países mais desenvolvidos, sobrecarregados pela dívida pública e atolados em sérias dificuldades fiscais. A situação desses países, segundo o ministro, se agravou nos últimos anos, por causa de políticas de ajuste estritamente recessivas. Um pouco menos de otimismo, no entanto, seria mais tranquilizador para quem examina com algum cuidado a situação brasileira e os principais obstáculos ao desenvolvimento nacional.</p>
<p>“O ministro da Fazenda está certo quando aponta o mercado interno como um ativo importante e uma vantagem do Brasil na comparação com muitos outros países. Exagera de forma perigosa, no entanto, ao insistir num roteiro de crescimento econômico baseado somente nesse mercado. A palavra ‘somente’ é justificável, quando se examina o desempenho da economia nacional nos últimos anos. A contribuição das exportações e importações de bens e serviços para a expansão da economia vem sendo negativa, principalmente por causa da baixa competitividade do setor industrial.</p>
<p>“O ministro, no entanto, mostra-se pouco preocupado com isso. Quanto ao poder de competição, deverá melhorar, segundo calcula, graças à valorização do dólar. Ele, a presidente Dilma Rousseff e as torcidas do Flamengo e do Corinthians estão satisfeitos com o dólar próximo de R$ 2,00. A depreciação do real, insiste, é boa para a indústria, porque barateia seus produtos em moeda estrangeira. O efeito inflacionário, de acordo com o ministro, será limitado, até porque as cotações dos produtos básicos têm caído no mercado internacional e devem pressionar menos os preços internos.</p>
<p>“Essa argumentação deixa de lado questões importantes, mas é, ao mesmo tempo, reveladora. Ao falar sobre competitividade industrial, o ministro quase se limita a mencionar o câmbio, como se outros fatores fossem irrelevantes. Ele só vai um pouco adiante ao apontar a possibilidade de novos setores serem beneficiados pela desoneração da folha de pagamento, iniciada no ano passado. É muito pouco. As desvantagens do produtor brasileiro, quando se trata de competição internacional, são muito mais amplas, mas o ministro da Fazenda e seus colegas muito raramente enfrentam esse fato. Ele também se refere na entrevista à continuidade dos investimentos públicos, como se de fato o governo federal fosse um importante investidor em infraestrutura e outros itens essenciais à eficiência produtiva. Mas esse não é o caso e não há sinal de reconhecimento desse fato.</p>
<p>“Além do mais, a redução dos preços das commodities, nos últimos meses, limitou severamente o aumento da receita de exportações &#8211; apenas 2% maior que a de um ano antes, de janeiro a abril &#8211; e diminuiu de 35% o superávit comercial. As importações, no entanto, foram 4,8% maiores que as de janeiro a abril de 2011 e essa é uma das consequências do crescimento baseado exclusivamente no mercado interno.</p>
<p>“O ministro falha, portanto, por exibir uma visão muito restrita das vantagens da economia brasileira e dos obstáculos ao crescimento equilibrado. Ao menosprezar esses obstáculos &#8211; e também o risco de inflação &#8211; ele mais uma vez confirma um padrão de governo marcado pela visão limitada e pela acomodação diante dos obstáculos. É fácil criticar os europeus pela ênfase excessiva nas políticas de ajuste recessivo. Muito mais difícil, para o governo brasileiro, tem sido o reconhecimento do próprio imobilismo, quando se trata de reformas para elevar o potencial de crescimento econômico do País.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 16/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Voluntarismo, protecionismo, intervencionismo, ineficiência</strong></p>
<p>“Quatro países sul-americanos cresceram bem mais que o Brasil, no ano passado, com taxas de inflação muito menores. Resultados melhores que os brasileiros foram alcançados também por economias emergentes da Europa. No Brasil, empresários desconhecem ou menosprezam esses dados e se mostram dispostos, mais uma vez, a embarcar na aventura de ‘um pouco mais de inflação’ para conseguir um pouco mais de crescimento – como se prosperidade e estabilidade fossem objetivos incompatíveis. (&#8230;)</p>
<p>“O voluntarismo, o protecionismo, a ineficiência do governo, o intervencionismo e a engorda do setor público são cada vez mais sensíveis. Sem compromisso com a reforma do péssimo sistema tributário, o governo se limita a remendos. Sua incompetência gerencial se reflete na incapacidade de conduzir programas e projetos para o aumento da produtividade geral do País. De vez em quando, empresários cobram reformas relevantes. Mas brigam a maior parte do tempo pela redução dos juros e pela correção do câmbio, como se isso resolvesse os problemas de competitividade. Obviamente não resolve. Quanto ao voluntarismo, será bem-vindo enquanto resultar em domesticação do Banco Central, reserva de mercado e formas variadas de protecionismo. O passado, em alguns países, é tão difícil de enterrar quanto um vampiro.” <strong>(Rolf Kuntz, <em>Estadão</em>, 16/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dilma promete fazer reforma. Até agora, só fez puxadinhos</strong></p>
<p>“A presidente Dilma avisa que vai parar de discutir as reformas, que nunca saem, e que vai agir. Ela está carregada de razão. O único risco é que, como outras tantas iniciativas do seu governo, essa ação não passe de mais um item da política de puxadinhos, feita com improvisos e meias soluções, apenas para dar a impressão de que o governo faz alguma coisa.” <strong>(Celso Ming, Estadão, 17/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Os números comprovam: não é o valor do dólar que garante exportações. Falta é estratégia de comércio exterior</strong></p>
<p>“A análise da balança comercial nos quatro primeiros meses do ano mostra que não é mesmo o valor do dólar que garante as exportações. As vendas brasileiras tiveram aumento pífio, apesar da desvalorização cambial. Os números dizem também que o comércio foi afetado pela política protecionista argentina e pela desaceleração da China, que diminuiu o preço do minério de ferro. O Brasil continua dependente de poucos produtos.</p>
<p>“De janeiro a abril, o superávit comercial do Brasil caiu 35% em relação ao mesmo período de 2011. Só não recuou mais porque os Estados Unidos aumentaram a compra do nosso petróleo. A desaceleração chinesa derrubou o preço do minério de ferro, e a Argentina criou barreiras que impediram a entrada do produto brasileiro no país. Mesmo com a desvalorização do real, as exportações, pela média diária, subiram só 2% no período, e as importações cresceram 4,8%. O superávit caiu de US$ 5 bilhões para US$ 3,3 bilhões. (&#8230;)</p>
<p>&#8220;O Brasil ainda não tem uma estratégia de comércio exterior. O governo não parece ter entendido a eloquência desses números. O país continua tendo uma política comercial pouco ofensiva. Se a China tiver uma queda forte no crescimento será o suficiente para um resultado negativo na balança comercial.” <strong>(Míriam Leitão, <em>O Globo</em>, 17/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Não se justifica a notável complacência do governo diante do protecionismo argentino</strong></p>
<p>“Não há justificativa razoável para que o governo argentino, no bojo de uma ofensiva protecionista que vem merecendo censura de grande número de países, adote medidas que tenham como objetivo eliminar o déficit comercial com o Brasil. Os benefícios políticos da relação próxima entre Brasília e Buenos Aires não devem ser postos à prova pela escalada do protecionismo argentino nem por desdobramentos de decisões precipitadas quanto a investimentos estrangeiros na Argentina, como no caso da YPF.</p>
<p>“As reações de autoridades brasileiras às iniciativas argentinas violam qualquer suposição razoável sobre racionalidade na defesa dos interesses nacionais brasileiros. É notável a complacência tanto no caso da YPF &#8211; com a Petrobrás em posição exposta &#8211; quanto no do protecionismo. O banzo em relação à vertente do varguismo com afinidades peronistas é perceptível. A recente menção da presidente Dilma, na posse do ministro Brizola Neto, à sua juventude, fazendo paralelo com João Goulart, quando tomou posse na mesma pasta em 1953, é correta. Já a ênfase na ‘visão’ e no ‘grande peso político’ de Goulart não tem respaldo na história. É curioso que um governo que tem Lula como ícone &#8211; autêntico líder sindical &#8211; busque amparo em tais reminiscências do sindicalismo oficial. O reajuste do salário mínimo de 100%, proposto por Goulart em 1954, levou à sua demissão e, relutantemente endossado por Vargas, foi elemento importante na crise política que levaria o presidente ao suicídio.</p>
<p>“Por muito tempo as comparações entre Argentina e Brasil sublinharam a maior população brasileira e a maior renda per capita argentina. É verdade que, em 1928, a renda per capita argentina era cerca de quatro vezes a brasileira. Ainda em 2000, era o dobro. Esse quadro mudou: em 2010 já era menor do que a brasileira (Atlas, Banco Mundial). Hoje, a economia brasileira é cerca de cinco vezes a economia argentina. Fica cada vez mais difícil aceitar que o rabo abane o cachorro. As duas maiores economias do Mercosul devem se sentar à mesa e criar as condições para que o balanço de benefícios e custos do Mercosul continue a ser significativamente favorável aos dois países.” <strong>(Marcelo de Paiva Abreu, economista, <em>Estadão</em>, 14/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>As Malvinas de Dilma</strong></p>
<p><strong>* Briga de governos com bancos é a “quarta onda”. Sempre tem onda em período eleitoral</strong></p>
<p>”O atual embate entre o governo e os bancos privados foi batizado por dirigentes do setor financeiro de ‘quarta onda’, levando em conta as relações dessas instituições com o setor público nos últimos dez anos. Pelo ineditismo — e com a presidente da República na linha de frente — a onda atual é considerada a mais arrebatadora, embora ao longo do tempo as relações entre o governo e os bancos privados tenham gerado intensos debates, quase sempre vinculados a períodos pré-eleitorais.</p>
<p>“A primeira onda ocorreu em 2002, quando o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva citou o tema em sua campanha e criou um grupo de trabalho para estudar ações para diminuir o spread (diferença entre os custos de captação dos bancos e o que cobram de juros nos empréstimos a empresas e pessoas físicas).</p>
<p>“Para os banqueiros, a segunda onda começou em maio de 2003, quando o então vice-presidente José Alencar passou a se queixar dos juros altos. Sempre que podia, Alencar alfinetava o sistema financeiro e o próprio Banco Central (BC), devido à elevada taxa de juros. O discurso de Alencar foi encampado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.</p>
<p>“No fim de 2006 — na terceira onda — o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lançou um pacote para reduzir o spread que não surtiu efeito e foi tachado de ‘manobra diversionista’ pelo economista-chefe da Febraban à época, Roberto Troster, que acabou deixando a entidade por causa de sua declaração. Troster mantém seu ponto de vista em relação às tentativas do governo de baixar o spread, que no Brasil supera 30%, o que põe o país na 137ª posição do ranking mundial. ‘Essa briga da presidente Dilma com os bancos é inédita, mas ela não conseguirá baixar o spread, porque os bancos não têm margem para reduzir. É mais uma onda que passará sem que os problemas estruturais do sistema sejam resolvidos’, disse Troster. ‘Esse embate ocorre sempre em ano de eleição.’” <strong>(Eliane Oliveira, <em>O Globo</em>, 13/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Em vez de uma política consistente, o governo resolve baixar os juros na marra</strong></p>
<p>“É verdade que, em muitos países, juros muito baixos, por muito tempo, e muito dinheiro disponível levaram a bolhas e excessos de gastos públicos e privados. O momento, portanto, é de maior prudência. Não decorre daí que é melhor ter crédito caro e limitado. E, se for para escolher o problema, é melhor a abundância do que a falta de crédito.</p>
<p>“Vamos reparar, portanto: o mundo está num período de crescimento baixo, com inflação também baixa e juros no chão. Que, neste momento, o Brasil tenha crescimento muito baixo e, ainda assim, juros altos e inflação acima da meta é um baita sinal negativo. Como isso pode ter acontecido? Quais são as causas dessa anomalia?</p>
<p>“Em vez de responder a essas questões com uma política consistente, o governo resolve atropelar bancos, incluindo os públicos, para forçar a queda dos juros, na marra. Parece que os juros são altos por causa da ganância dos bancos e porque os governos anteriores, incluindo o de Lula, não tinham vontade de reduzi-los.</p>
<p>“Reparem: até a presidente Dilma iniciar a campanha, os bancos públicos cobravam juros ‘normais’, quer dizer, parecidos com aqueles praticados nas instituições privadas. De um dia para outro, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal descobrem que podiam cobrar bem menos.</p>
<p>“Quer dizer que antes estavam inteiramente errados? Ora, sendo bancos públicos, era preciso que viessem a público para explicar por que não reduziram essas taxas antes e ficaram tanto tempo punindo o público com juros excessivos. Nem os bancos, muito menos o governo, deram as explicações.</p>
<p>“Vai ver que a redução efetiva e duradoura dos juros depende de outros fatores além da determinação da presidente. E, se for isso, todo esse barulho pode levar a duas consequências. Ou essa derrubada estaria mais no barulho do que na realidade dos clientes (muitos já reclamando das condições difíceis para obter as novas taxas). Ou os bancos públicos vão mesmo derrubar suas taxas de modo amplo e geral, o que os levará, no mínimo, a uma perda de rentabilidade e, no limite, a prejuízos. Não nos esqueçamos: Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, conduzidos politicamente, já quebraram mais de uma vez. Só o governo FHC gastou cerca de R$ 15 bilhões, dinheiro nosso, dos contribuintes, para salvar esses dois bancos.” <strong>(Carlos Alberto Sardenberg, Estadão, 14/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Reduzir os juros a fórceps vai gerar apenas mais inflação”</strong></p>
<p>“A cruzada do governo pela queda da taxa de juros representa um fim nobre, mas com instrumentos inadequados. Ninguém pode celebrar as enormes taxas cobradas pelos bancos. Mas o governo erra feio na escolha dos alvos. (&#8230;)</p>
<p>“O governo prefere comprar uma briga com os bancos, e mandar o setor baixar as taxas na marra. E ai de quem reclamar! O governo é dono de 40% do mercado por meio dos bancos públicos, e ainda conta com outros mecanismos de pressão. Aqui aproveito para fazer um alerta contra o risco autoritário. O governo, com postura arrogante, teria exigido dos bancos uma retratação pública após uma nota da Febraban criticando as medidas estatais. Que país é este que não permite mais o contraditório? Os bancos não podem mais discordar das medidas do governo? Reduzir os juros a fórceps vai gerar apenas mais inflação.(&#8230;)</p>
<p>“O crédito no Brasil vem crescendo a taxas perto de 20% ao ano. Como não tivemos reformas estruturais, é claro que isso vai bater na inflação em algum momento. Na verdade, a inflação já está acima do centro da meta, que já é bastante elevado. E o crescimento econômico vem caindo. Corremos o risco de ter estagflação ou então uma bolha de crédito no país, fomentada pelo próprio governo e seu banco central subserviente (seu presidente se entrega quando chama Dilma de ‘presidenta’ em nota oficial). Depois não vai adiantar culpar os ‘loiros de olhos azuis’ e os banqueiros gananciosos pela crise&#8230;” <strong>(Rodrigo Constantino, economista, <em>O Globo</em>, 15/5/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>A CPI, o BNDES e a Delta</strong></p>
<p><strong>* O perigo de recordes de trapalhadas, de incompetência e de má gestão de recursos públicos</strong></p>
<p>“O governo agirá muito bem se evitar qualquer participação, ao lado do Grupo J &amp; F ou de qualquer outro, na compra da Delta Construções, acusada de irregularidades em contratos com o setor público. O risco existe, embora a presidente Dilma Rousseff, segundo fonte do Palácio do Planalto, seja contrária ao envolvimento do governo na operação. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detém 31,4% do capital do frigorífico JBS, controlado pela holding J &amp; F. Ontem, a diretoria do banco divulgou nota para negar participação no negócio com a Delta, mas sua explicação de nenhum modo é convincente. Ao contrário, é mais um motivo de preocupação.</p>
<p>“‘A iniciativa do negócio’, segundo a nota, ‘partiu exclusivamente da holding da família controladora e é uma decisão privada de natureza empresarial, que não depende da anuência do BNDES e sobre a qual a instituição não foi consultada.’ O banco ‘é acionista apenas da JBS, empresa do setor de proteína animal’, e não se tornará, portanto, sócio da construtora. Essas alegações perdem toda força quando se examina a carteira do Grupo J &amp; F. O JBS fechou o exercício de 2010 com ativos de R$ 44,7 bilhões e receita líquida de R$ 55,1 bilhões e é, de longe, a maior empresa do grupo e o seu pilar mais importante. Todas as demais empresas controladas pelo J &amp; F, somadas, são muito menores que o frigorífico.</p>
<p>“O BNDES é, portanto, um componente importante do Grupo J &amp; F, mesmo sendo acionista apenas de uma de suas empresas controladas. O poder financeiro da holding depende substancialmente do JBS e isso faz enorme diferença quando se trata de avaliar a participação do governo na compra da Delta Construções. A nota do BNDES é, portanto, preocupante por dois motivos. O primeiro é a participação de um banco público no principal pilar do pretendente a comprador de uma empresa acusada de irregularidades. O segundo é uma hipótese quase cômica. Se o negócio for consumado, esse banco nem sequer terá influência sobre a empresa comprada, por não ser sócio da holding compradora. Se a compra ocorrer, o banco será envolvido, portanto, num negócio duplamente ruim.</p>
<p>“Se a Delta for classificada como inidônea, o governo federal terá fornecido recursos públicos para a compra de uma empresa proibida de celebrar contratos com a União, os Estados e os municípios. Será motivo não só para mais uma CPI, mas também para a adição de três itens quase incríveis ao livro Guinness de recordes. No caso, recordes de trapalhadas, de incompetência e de má gestão de recursos públicos.</p>
<p>“Esse imbroglio resulta da combinação de duas séries de erros políticos e administrativos. Do lado do BNDES, há um problema de estratégia. Nada justifica a sua permanência como acionista de uma empresa como o frigorífico JBS, nem sua notória preferência por grandes grupos estatais e privados. O BNDES deveria concentrar-se no apoio à consolidação de empreendimentos, à inovação de processos e produtos, à modernização e à eliminação de gargalos. Mas tomou um caminho diferente e chegou à beira de encrencas muito sérias &#8211; quando estudou, por exemplo, o apoio à compra de uma rede estrangeira de supermercados por um grupo nacional.</p>
<p>“A segunda série de erros está ligada à péssima gestão dos financiamentos do setor público. A Delta Construções tornou-se a principal empreiteira de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), entregue no governo anterior à responsabilidade da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil da Presidência da República.</p>
<p>“Numerosas irregularidades foram identificadas pela Controladoria-Geral da União entre 2007 e 2010, mas a empresa continuou obtendo contratos com o governo federal no ano passado, quando a ‘Mãe do PAC’ já havia assumido a Presidência da República. Ou ela não sabia dos problemas &#8211; e como poderia não saber? &#8211; ou preferiu menosprezá-los, como se fossem irrelevantes. Falta explicar essa longa história de irregularidades e, mais que isso, de negligência em relação às denúncias. Não se deveria fazer do caso Delta um penduricalho da CPI do caso Cachoeira. Os escândalos da Delta valem por si mesmos uma investigação muito séria. <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 11/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O desperdício de dinheiro público, a Delta e o capitalismo de companheiros</strong></p>
<p>“Atingida pelo escândalo da descoberta do esquema mafioso de Carlinhos Cachoeira, a empreiteira Delta, campeã de obras no PAC, entrou em rota para o colapso. Sem crédito nos bancos, a empresa começou a repassar contratos — o de participação na reforma do Maracanã foi um deles —, e tornou-se questão de tempo a falência. Sem credibilidade junto a bancos e governos não há empreiteira que resista. A surpreendente decisão do grupo J&amp;S de comprar a construtora poderia ser motivo de alívio, por salvar empregos. Mas gerou problemas para o governo federal, ao levantar suspeitas de envolvimento político em um negócio que teria sido desenhado, acusa-se, para salvar o dono da empreiteira, Fernando Cavendish. (&#8230;)</p>
<p>“A operação se candidata a ser exemplo de distorções causadas toda vez que o Estado resolve interferir no mercado privado a fim de induzir o crescimento de empresários escolhidos para serem os tais ‘campeões nacionais’. No setor de frigoríficos, agora em destaque devido à polêmica em torno da Delta, o BNDES já empatou — e perdeu — dinheiro público.</p>
<p>“Nos últimos 30 anos fortaleceu-se no Brasil, ao lado do grande aparato financeiro estatal, um forte braço sindical envolvido em bilionários investimentos, os fundos de pensão de estatais. Previ, Petros e outros atuam no alto mundo dos negócios, algumas vezes juntos com o BNDES. A escolha dos investimentos não é transparente, até porque os fundos, por lei, são entidades privadas. E o BNDES, por sua vez, não se notabiliza por ser translúcido. Se todo este cenário for analisado de um plano mais elevado, constata-se que há no Brasil instrumentos para a prática daquilo que os americanos chamam de ‘crony capitalism’, capitalismo entre amigos ou, mais adequado para o Brasil, ‘capitalismo de companheiros’. O Ministério Público Federal do Rio deseja barrar o negócio, porque há evidências de fraudes cometidas pela Delta no relacionamento com Cachoeira. O mesmo pedido é feito pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) à Procuradoria-Geral da República. Falta mesmo projetar luz sobre toda esta história.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 12/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A CPI e os mensaleiros</strong></p>
<p><strong>* Facções do PT insistem em manipular a CPI</strong></p>
<p>“Continuam as manobras de facções radicais do PT, ligadas aos mensaleiros, para usar a CPI do Cachoeira com objetivos sem qualquer relação com o escândalo da montagem pelo contraventor goiano de uma rede de influência em todos os poderes da República. Uma das intenções é constranger o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por ser ele o responsável pelo encaminhamento da denúncia do Ministério Público Federal contra os envolvidos no esquema de troca de dinheiro sujo — inclusive público — por apoio parlamentar ao governo, na primeira gestão de Lula.</p>
<p>“Estes grupos começaram a pressionar Gurgel quando, no estouro do escândalo, com a descoberta da proximidade entre Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), foi noticiado que o procurador-geral recebera em 2009 o inquérito da Operação Las Vegas, da PF, e nada fizera. Nele já havia registros da afinidade da dupla. Instalada a CPI, as facções partiram para tentar uma convocação de Gurgel ou convite. Não importava, contanto que o procurador-geral da República comparecesse perante os holofotes da comissão, para certamente ouvir toda sorte de provocações de representantes dos mensaleiros. (&#8230;)</p>
<p>“Como o objetivo é político e de constrangimento pessoal, não adiantou, também, Gurgel explicar, antes do depoimento do delegado, que, por lei, ele não pode falar acerca de inquéritos sobre os quais se pronunciará como procurador da República. Também é de fundo político-ideológico a definição por esta facção radical, minoritária no PT, de um segundo alvo na CPI: a imprensa independente. O fato de Cachoeira ter sido fonte de denúncias publicadas pela revista <em>Veja</em> contrárias a interesses do grupo leva à tentativa de conversão da comissão num exótico tribunal de julgamento do jornalismo profissional.</p>
<p>“Parece uma forma de buscar alguma vantagem no tapetão político depois que as tentativas institucionais de manietar a imprensa se frustraram. Dilma, como Lula, se mantém distante dessas aventuras, numa demonstração de maturidade. (&#8230;)</p>
<p>“Fariam melhor os radicais se gastassem tempo e energia fazendo a CPI funcionar para de fato mapear as conexões do crime organizado dentro do Estado brasileiro.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 11/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Incompetência, ineficiência</strong></p>
<p><strong>* Para termos as 6 mil creches prometidas, só falta um pequeno detalhe: construir as creches. </strong></p>
<p>“Só falta um detalhe para os brasileiros poderem festejar a construção de 6 mil creches até o fim de 2014, uma promessa de campanha repetida várias vezes pela presidente Dilma Rousseff e reafirmada em seu discurso do Dia das Mães. Esse detalhe é muito simples: o governo precisa apenas tomar as providências necessárias para a realização das obras. Mas deve fazê-lo com rapidez, porque a presidente já cumpriu quase um ano e meio de mandato e esse programa, como tantos outros anunciados pela administração federal, continua emperrado. Sem mudanças muito sérias na gestão de programas e projetos, a construção de creches e pré-escolas será um fracasso tão grande quanto as obras da Copa, outro compromisso reiterado nos últimos dias.</p>
<p>“O quadro já seria bem melhor se o Proinfância, lançado em 2007, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tivesse avançado um pouco mais rapidamente. Foram aprovadas a partir daquele ano 4.035 obras para atendimento a crianças em idade pré-escolar. Em março de 2012 o Ministério da Educação anunciou já terem sido entregues 221 inteiramente concluídas. Esse número equivale a 5% das aprovadas para inclusão no programa de financiamentos. O total subiria para 258, se fossem contadas 37 unidades com obras muito próximas da conclusão, mas isso ainda representaria só 6,4% dos projetos aprovados. Em 2007, ano de lançamento do Proinfância, o presidente Lula comprometeu o Brasil com a realização da Copa do Mundo e, portanto, com grandes investimentos em estádios, aeroportos, hotéis e sistemas de mobilidade urbana. Os resultados são muito parecidos nos dois casos, mas os pronunciamentos a favor das criancinhas foram mais raros e mais suaves. Faltou um Jerôme Valcke, da Fifa, para receitar um chute no traseiro das autoridades educacionais.</p>
<p>“Para cumprir sua promessa de campanha, a presidente Dilma Rousseff deveria ter dado maior impulso ao Proinfância ou passado a limpo todo o programa para garantir uma execução mais eficaz. A única novidade, no entanto, foi o compromisso de construção de 6 mil creches em quatro anos. Na prática, nenhum efeito sensível.</p>
<p>“Em 2011, primeiro ano de governo, R$ 891 milhões foram autorizados no orçamento e R$ 308,3 milhões foram pagos. Mas o ano terminou sem a conclusão de uma única obra. Todo o valor foi empenhado, isto é, formalmente comprometido com a execução de projetos, e R$ 582,3 milhões sobraram para 2012 como restos a pagar. Mas também o desembolso desse dinheiro, assim como o das verbas incluídas no orçamento deste ano, dependerá do ritmo das obras. Como no caso dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o cenário é de muita ineficiência, quando se trata de creches e unidades de pré-escola. <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 15/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O pedágio das rodovias federais é baratinho. Agora, obra, que é bom, nada</strong></p>
<p>“No primeiro grande leilão de concessão de rodovias federais ficou estabelecido que somente depois de seis meses, durante os quais obras emergenciais seriam concluídas, é que as concessionárias poderiam ser autorizadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a cobrar pedágio. Contudo, relatório há pouco divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU), registra que seis das sete rodovias entregues à gestão privada a partir de 2008, passaram a cobrar o pedágio antes de cumpridas plenamente as obrigações exigidas nos contratos. (&#8230;)</p>
<p>“Aquele leilão, que abrangeu importantes eixos rodoviários do País, como as Rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt, foi marcado por tarifas que ficaram abaixo do mínimo previsto &#8211; era o chamado ‘pedágio de R$ 1’, contrastando com o valor mais elevado cobrado nas rodovias paulistas. O relatório da CGU afirma que a concessão foi feita quando persistiam 38 problemas nas rodovias, incluindo buracos no asfalto, desnível de acostamentos, falta de iluminação, deficiência de sistemas de drenagem, etc. (&#8230;)</p>
<p>“Constata-se, porém, que, tanto na rodovia Fernão Dias como na Régis Bittencourt, algumas obras básicas continuam sendo realizadas até hoje. Mondolfo admite que a transferência das rodovias para a administração privada não deve ser encarada como solução final para os problemas. Convém lembrar que, quando foram concedidas as rodovias federais, técnicos do setor advertiram que as tarifas previstas não eram suficientes para que as concessionárias pudessem realizar, em um prazo relativamente curto, todas as obras necessárias para melhorar as condições de tráfego e segurança. Tendo feito do pedágio reduzido o critério básico da licitação, o governo federal pode ter evitado a impopularidade advinda de tarifas mais altas, mas, com isso, adiou a solução de problemas estruturais e de conservação das rodovias.</p>
<p>“Muito diferente tem sido a opção do Estado de São Paulo, que tem preferido fazer as concessões pelo maior valor de outorga, mantida a exigência de padrões de qualidade, sendo o preço do pedágio fixado de acordo com o valor dos investimentos necessários. Isso torna as rodovias autossustentáveis. Com isso, não só o governo arrecada mais, podendo utilizar mais recursos para tocar outros projetos, como garante que investimentos sejam feitos em obras de construção e manutenção nas estradas paulistas, de modo a manter o alto padrão de qualidade que apresentam. Resta esperar que o governo federal, se e quando promover novas licitações de rodovias, leve em consideração a experiência já adquirida.” (<strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 15/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>E dá-lhe Febeapá</strong></p>
<p><strong>* Quando acusam pagadodeiro, craque e funkeiro de racismo, a coisa tá preta</strong></p>
<p>“Quando um pagodeiro, um jogador de futebol e um funkeiro, fantasiados degorilas e cercados por popozudas de biquíni à beira de uma piscina, se divertem em um clipe do pagode Kong, e são acusados de racismo e sexismo pelo Ministério Público Federal em Uberlândia por ‘unir artistas e atletas em um conjunto de estereótipos contra a sociedade, comprometendo o trabalho contra o preconceito’, a coisa tá preta.</p>
<p>“Alexandre Pires não é só um pagodeiro, é cantor romântico milionário, com carreira internacional, queridíssimo do público. Funkeiro é só um pouco de Mr. Catra, figuraça da cena musical carioca, rapper famoso nacionalmente por suas letras contundentes e suas paródias. E não é só um jogador de futebol: é Neymar. Não por acaso, uns mais e outros menos, são todos negros, ricos e famosos por seu talento, ídolos das novas gerações do Brasil mestiço. Já o procurador é branco, preocupado em proteger os negros para que não façam mal a eles mesmos.</p>
<p>“Assim como a beleza, o preconceito também está nos olhos de quem vê. Quem ousaria associar o genial Neymar, o galã Alexandre e o marrentíssimo Mr. Catra a macacos? Só um racista invejoso. Quem se incomoda com piadas e brincadeiras com jogadores de futebol, pagodeiros, funkeiros e marias-chuteira? Logo vão proibir o Criolo de usar o seu nome artístico. <strong>(Nelson Motta, <em>Estadão</em> e <em>O Globo</em>, 11/5/2012.)</strong></p>
<blockquote><p> <em>18 de maio de 2012</em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><span style="color: #333333;"><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></span></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 36 – Notícias de 13 a 19/1. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 37 – Notícias de 20/1 a 26/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-38/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 38 – Notícias de 27/1 a 2/2. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-39/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 39 – Notícias de 3 a 9/2. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-40/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 40 – Notícias de 10 a 23/2.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-41/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 41 – Notícias de 24/2 a 1º/3.</span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><em><span style="color: #333333;">Volume 42 – Notícias de 2 a 8/3. </span></em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 43 – Notícias de 9 a 15/3. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-44/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 44 – Notícias de 16 a 22/3.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-45/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 45 – Notícias de 23 a 29/3.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-46/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 46 – Notícias de 30/3 a 5/4. </span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-47/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 47 – Noticias de 6 a 12/4. </span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-48/"><em><strong><span style="color: #333333;">Volume 48 – Notícias de 13 a 19/4. </span></strong></em></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-49/"><strong>Volume 49 – Notícias de 20 a 26/4.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-50/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 50 – Notícias de 27/4 a 3/5. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-51/">Volume 51 &#8211; Notícias de 4 a 10/5.</a></em></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
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		<title>Como aglutinar as pessoas de bem?</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 06:27:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>

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		<description><![CDATA[- “Do you like Dylan?” Foi a Lalá que trouxe a informação. Tinha passado seis meses (ou seria um ano?) nos Estados Unidos, num intercâmbio cultural – American Fields, chamava-se na época. Um monte de gente do Aplicação fez American Fields, mas acho que Lalá foi a primeira. Esteve lá em 1964, o ano do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- “Do you like Dylan?”</p>
<p>Foi a Lalá que trouxe a informação. Tinha passado seis meses (ou seria um ano?) nos Estados Unidos, num intercâmbio cultural – American Fields, chamava-se na época.<span id="more-7035"></span> Um monte de gente do Aplicação fez American Fields, mas acho que Lalá foi a primeira. Esteve lá em 1964, o ano do golpe, e até o início de 1965. Na volta, trouxe o <em>Bringing it All Back Home</em>, o disco novíssimo de <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/dylan-soberbo-para-uma-plateia-que-merecia-dylan/">Bob Dylan</a>, lançado lá em março daquele ano. Botou pra gente ouvir – e ficamos lá tontos diante daquilo.</p>
<p>Não me lembro exatamente quantos éramos, quem éramos. Um grupo assim de umas cinco ou seis pessoas: Loló, Cuca, Mercedes, eu, mais alguém de quem não me lembro.</p>
<p>Nosso inglês não era nem de longe tão bom quanto o dela, claro, depois que ela havia passado seis meses vivendo entre os gringos. Não entendemos nem dez por cento do que aquela voz roufenha, fanha, dizia, mas juro que guardo até hoje a lembrança de ter ficado impressionado com aquilo.</p>
<p>E a Lalá nos explicou que, para as pessoas com quem ela conviveu lá, Dylan era a coisa certa. Que era assim uma espécie de senha: os jovens estudantes americanos de 1964, 1965 se dividiam entre os que gostavam de Dylan e os que não gostavam de Dylan.</p>
<p>Para definir se alguém era in ou out, se era gente boa, inteligente, que sabia das coisas, ou se era uma toupeira alienada, ou um reaça, bastava perguntar:</p>
<p style="text-align: left;">- “Do you like Dylan?”</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Isso era meados de 1965. O grupo que Lalá chamou para a casa dela foi seguramente dos primeiros a ouvir <em>Bringing it All Back Home</em> no Brasil. Bem, pelo menos em Belo Horizonte.</p>
<p>No início de 1967 me mudei de Belo Horizonte para Curitiba. Não por minha vontade, até porque vontade de menino não conta, ou não contava, mas por determinação dos meus irmãos mais velhos.</p>
<p>Acho que foi em 1967 que a então CBS, a subsidiária brasileira da Columbia, lançou pela primeira vez no Brasil um disco de Dylan. Meus poucos amigos de Curitiba já haviam falar nele, é claro. Me lembro perfeitamente de ter contado para um deles, um colega do Colégio Estadual do Paraná, Sérgio Augusto, um homônimo do grande jornalista, a história do “Do you like Dylan?” Sérgio Augusto, um jovem intelectual da província (naquela época, Curitiba ainda era uma província), comentou (e juro que me lembro bem disso): &#8211; “Interessante. No Brasil, não temos uma senha assim”.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Esses fatos tão distantes me vieram à cabeça hoje, de repente, ao chegar em casa depois de um encontro com um pequeno grupo de pessoas.</p>
<p>Uma delas, que eu estava vendo pela segunda vez, apenas, é um homo politicus: Antônio Sérgio Martins, do blog <a href="http://pitacos-politicos.zip.net/index.html">Pitacos Políticos</a>. Só pensa em política, 24 horas por dia. Foi comunista na juventude, graças a Deus, foi preso pela ditadura, permaneceu preso por dois anos. Manteve-se idealista através das décadas, e, como acontece com todo idealista neste país, tornou-se, nos últimos anos, um virulento adversário do PT.</p>
<p>Ele apresenta as seguintes questões:</p>
<p>Como conseguir reunir pessoas que pensam mais ou menos da mesma forma que você? Não exatamente da mesma forma, mas mais ou menos – gente parecida com você? Gente que tenha basicamente os mesmos ideais?</p>
<p>Como achar o mínimo múltiplo comum, ou o máximo divisor comum das pessoas?</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Esse meu novo amigo pensa em tentar aglutinar as pessoas da esquerda democrática, pluralista, progressista, pró-direitos humanos.</p>
<p>Tarefa difícil, aglutinar pessoas.</p>
<p>Tarefa dificílima, aglutinar pessoas da esquerda democrática, pluralista, progressista, pró-direitos humanos.</p>
<p>Muitas das que acreditavam nisso arranjaram empregos no governo.</p>
<p>Muitas ficaram ricas, e se esqueceram dos princípios.</p>
<p>Muitas ficaram velhas, cansadas.</p>
<p>Muitas morreram.</p>
<p>Umas duas ou três não abandonaram os sonhos, mas ainda acreditram que o lulo-petismo, apesar de seus problemas, a roubalheira, e tal, até que está conseguindo melhorar a distribuição de renda.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Falta uma senha. Falta um “Do you like Dylan?”</p>
<p>Falta algo que faça a distinção entre as pessoas. Os epítetos direita e esquerda, criados em 1789, como diz Fred Navarro, já não se prestam mais.</p>
<p>Uma possível senha de hoje talvez fosse a seguinte: “Você tem caráter, ou quer dinheiro do governo?”</p>
<p>Humm&#8230; Má tentativa. Ninguém admitiria não ter caráter e querer dinheiro do governo.</p>
<p>Talvez a senha de hoje pudesse ser assim: &#8211; “Você é petista? Tem emprego no governo?”</p>
<p>Quem respondesse sim às duas questões não seria convidado a participar de qualquer tentativa de transformar este país em algo melhor, mais digno, mais são.</p>
<blockquote><p><em>17 de maio de 2012</em></p>
<p><em>Rápido no gatilo, Antônio Sérgio Martins respondeu a este meu textinho, este meu suelto, com boas considerações. Estão aí abaixo. </em></p></blockquote>
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		<title>Inês e Sweet Baby James</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 00:49:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Sweet Baby James cantou hoje na Philarmonie, em Munique, e Inês estava lá. Não tenho idéia, é óbvio, de que tipo de teatro seja a Philarmonie de Munique, mas deve certamente ser um belíssimo lugar, germanicamente organizado, com uma senhora acústica. Inês diz que show foi lindo, lindo. E, o show à parte, impressionou Inês [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sweet Baby James cantou hoje na Philarmonie, em Munique, e Inês estava lá. Não tenho idéia, é óbvio, de que tipo de teatro seja a Philarmonie de Munique, mas deve certamente ser um belíssimo lugar, germanicamente organizado, com uma senhora acústica.<span id="more-7007"></span></p>
<p>Inês diz que show foi lindo, lindo. E, o show à parte, impressionou Inês o jeito cativante do cara que admiro há mais de quatro décadas: “Ficou sentadinho na beira do palco dando autógrafos e tirando fotos até a última pessoa ir embora!”, ela contou. “Fiz uma foto com ele pra te mostrar. Ele me disse: so nice to meet you, so brief&#8230; Fiquei encantada. O povo da organização querendo acabar logo e ele uma paciência e delicadeza.”</p>
<p>Vejo que Sweet Baby James está no meio de uma turnê intensa. Depois de Munique, ele canta amanhã, domingo, 13 de maio, em Zurique; em seguida faz Paris, Amsterdã, Reikjavik. Em seguida, em junho, faz 22 shows nos Estados Unidos, intercalados por dois em Montréal.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzines.png"><img class="alignright size-full wp-image-7008" title="zzines" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzines.png" alt="" width="597" height="419" /></a>Me emocionou o fato de Inês ter se lembrado de mim no show. Me mandou mensagens via Facebook no intervalo e depois do final do show.</p>
<p>É um tanto esquisito pensar isso, mas Inês herdou de mim o gosto por muita coisa de música que ela ouvia no som da nossa casa. James Taylor, Joan Baez, gente que ela, garotinha, ouviu muito, mas não só: gosta até hoje de Beto Guedes e Fagner, por exemplo – tudo herança do meu toca-discos.</p>
<p>Quando Maria, a primogênita dela, era novinha, Inês me pediu uma fita com <em>Peter, Paul and Mommy</em>, o disco de 1969 de Peter, Paul and Mary só com canções infantis. Queria que a filha ouvisse as canções que ela ouvia quando criança. Quase chorei de emoção.</p>
<p>De tempos em tempos, quando vem ao Brasil, Inês gosta de fuçar nos meus discos e no meu iTunes. Numa das últimas vezes em que veio, estava apaixonada por “The Scarlet Tide”. Ficamos ouvindo as versões de Alison Krauss, Joan Baez e Elvis Costello com Emmylou Harris.</p>
<p>Canções folk. Que coisa fantástica: quis o destino que os ouvidos de Inês se apaixonassem por canções folks. Uma herança minha.</p>
<p>As coisas têm duas mãos, na vida, e foi com Inês que aprendi a gostar do Police e de Cazuza, da mesma maneira que aprendi com Fernanda a gostar do Legião e mais tarde do Karnak e da Orquesta Tipica Fernandez Fierro.</p>
<p>Então vamos combinar, Inês querida: da próxima vez, vamos a um show juntos. Tomara que tenha coisa boa rolando.</p>
<blockquote><p><em>12 de maio de 2005</em></p></blockquote>
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		<title>Más notícias do país de Dilma (51)</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-51/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 03:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Ilha da Fantasia, a presidente da República ataca os bancos pelos juros altos – a versão brasiliense das tolices de Cristina Kirchner sobre as Ilhas Malvinas. No país real, as notícias são estas: A inflação triplica em abril. Dólar sobe e efeito do câmbio sobre a inflação já incomoda o governo. O Banco Central parece [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na Ilha da Fantasia, a presidente da República ataca os bancos pelos juros altos – a versão brasiliense das tolices de Cristina Kirchner sobre as Ilhas Malvinas. No país real, as notícias são estas:<span id="more-6997"></span></p>
<p>A inflação triplica em abril. Dólar sobe e efeito do câmbio sobre a inflação já incomoda o governo. O Banco Central parece domesticado e desmoralizado. O país vai mal no comércio exterior, e a estratégia do governo é errada. O governo está pagando para o país apanhar da Argentina. Tarifas de importação tolhem a indústria. O governo não faz qualquer mudança relevante sobre suas contas: continua a mesma marcha da insensatez.</p>
<p>Aí vai a 51ª <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-50/">compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>. Foram publicadas entre os dias 4 e 10 de maio.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>As más notícias na Economia</strong></p>
<p><strong>* O Banco Central domesticado e desmoralizado</strong></p>
<p>“A domesticação do Banco Central (BC) poderá custar caro ao Brasil, como custou, em outros tempos, a sua subordinação ao ministro da Fazenda ou a quem comandasse a política econômica. Longe de ser um luxo, a autonomia operacional da autoridade monetária é uma garantia de segurança contra desmandos do governo, um contrapeso para a irresponsabilidade fiscal e uma proteção contra a política eleitoreira e os interesses partidários de curto prazo. As lições de um passado não muito remoto mantêm clara a lembrança de todos esses males. Ninguém, no Palácio do Planalto, deveria desconhecê-las. No entanto, já não pode haver dúvida sobre a influência da presidente Dilma Rousseff na política oficial de juros, principal instrumento da administração monetária. A mansidão do presidente do BC diante da ingerência palaciana encoraja as pressões de ministros, empresários, sindicalistas e políticos e desmoraliza a instituição. (&#8230;)</p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff, assim como seu antecessor e padrinho político, sempre se opôs à autonomia das agências reguladoras. Coerentes com essa posição, nunca aceitaram a ideia de um BC legalmente autônomo. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou na prática essa condição, ao convidar o banqueiro Henrique Meirelles para dirigir o BC. Esse foi um dos itens da negociação mediada pelo futuro ministro da Fazenda Antônio Palocci. Para o presidente Lula, a concessão era uma forma de tranquilizar o sistema financeiro tanto no País quanto no exterior. Deu certo. O controle da inflação facilitou a política oficial de valorização dos salários e contribuiu para a reeleição do presidente da República. Tendo assumido o governo em condições muito mais favoráveis, a presidente Dilma Rousseff tinha menos motivos que seu antecessor para respeitar a autonomia de fato do BC e para refrear o próprio voluntarismo. O resultado é um perigoso e indisfarçável retrocesso na gestão da política monetária.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 9/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Inflação triplica em abril</strong></p>
<p>“A inflação brasileira triplicou em abril. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de 0,21% em março para 0,64% — a maior taxa em um ano. Apenas três itens (cigarro, empregado doméstico e remédios) concentraram quase 40% da taxa de abril. Mas os preços maiores, frisam analistas, aparecem disseminados na economia. Assim, o índice acumula variação de 1,87% no ano e 5,10% nos últimos 12 meses. Números que já levantam dúvidas no mercado: uma inflação mais salgada pode dar um basta aos cortes dos juros? A princípio, não. Mas a resposta, para especialistas, depende do nível da atividade da economia e dos desdobramentos da crise internacional — indicadores que mexem com câmbio, demanda e, naturalmente, com a inflação. Na semana passada, o governo mexeu no rendimento da caderneta de poupança, com a intenção de permitir um corte maior dos juros.” <strong>(Fabiana Ribeiro, <em>O Globo</em>, 10/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dólar sobe e efeito do câmbio sobre a inflação já incomoda o governo</strong></p>
<p>“Pela primeira vez desde julho de 2009, o dólar ultrapassou R$ 1,95, nível que já começa a incomodar o governo por causa do efeito sobre a inflação e a atividade econômica. Em meio às tensões no mercado global, a moeda americana subiu 1,3%, para R$ 1,962. A mudança no câmbio respondeu por parte da disparada do IPCA de abril, que chegou a 0,64%, ante 0,21% em março. A equipe econômica, que tem celebrado a desvalorização do real por causa dos benefícios que pode trazer à indústria, está apreensiva com o movimento. A avaliação é a de que a inflação deve subir um pouco mais do que o governo esperava, o que resultará em perda do poder de compra da população, na medida em que preços mais elevados ‘comem’ a renda do trabalhador.</p>
<p>“É mais um golpe em uma economia que roda em ritmo inferior ao que Dilma Rousseff gostaria – em torno de 3%, ante os desejados 4,5%. Se a alta se limitar à casa de R$ 1,95, a análise do governo é de que o efeito sobre o resto da economia será absorvido sem grandes traumas. Por isso, analistas e operadores de mercado já especulam sobre quando o Banco Central (BC) venderá dólares para tentar amenizar a escalada das últimas semanas.” <strong>(Leandro Modé, Estadão, 10/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Controlar a inflação não é objetivo da política econômica do governo</strong></p>
<p>“A inflação oscilou entre o mínimo de 3,1%, em 2006, e os 6,5%, do ano passado, com média de 5,21%. Para este ano e o próximo, a previsão é de um IPCA acima dos 5%, mas abaixo dos 6%, o que garantiria ganho real para a poupança velha. Existe o risco de a inflação subir além disso? A resposta é sim. A presidente Dilma explicitou sua agenda de política econômica: derrubar juros, desvalorizar o real e reduzir impostos. Não tem feito nada para o último quesito. A arrecadação tem obtido seguidos ganhos reais expressivos, quer a economia cresça, quer não.</p>
<p>“Quanto aos dois primeiros quesitos, há ações efetivas. Não é o caso de discuti-las aqui, mas de chamar a atenção para outro ponto. Notaram que a presidente não relacionou a inflação &#8211; baixa, claro &#8211; como objetivo de política econômica? Duas possibilidades: uma, a presidente dá de barato que a inflação está firmemente controlada; ou duas, a presidente não se incomodará com um índice de preços mais elevado.</p>
<p>“Reparem: a derrubada acelerada dos juros, com o objetivo explícito de ampliar o crédito para pessoas e empresas, tem efeito inflacionário. (Não faz muito tempo, o próprio BC dizia que era preciso segurar a expansão do crédito.) A desvalorização do real em relação ao dólar também tem efeito inflacionário. Variam conforme o momento, as circunstâncias locais e externas, mas são movimentos pró-inflação.</p>
<p>“É mais difícil, toma mais tempo e exige reformas profundas a redução dos juros mantendo inflação baixa. Já os chamados economistas desenvolvimentistas, que consideravam Dilma até um pouco ortodoxa, dão outra receita: juro lá embaixo imediatamente, na base da vontade política e da pressão; dólar caro (ou moeda local desvalorizada); controle de capitais; proteção à indústria local; e pé na tábua do crescimento. E se der inflação de, digamos, 15% a 20%? Não tem problema, dizem, países emergentes podem suportar isso na arrancada.</p>
<p>“Pensaram na Argentina?” <strong>(Carlos Alberto Sardenberg, <em>Estadão</em>, 7/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O país vai mal no comércio exterior. E a estratégia do governo é errada</strong></p>
<p>“Os resultados do comércio exterior mais numa vez confirmam o principal defeito da estratégia anticrise adotada pelo governo brasileiro. O Brasil, têm repetido a presidente Dilma Rousseff e seus ministros, enfrentará com sucesso a crise global graças ao potencial de seu mercado interno. O poder de compra desse mercado tem sido alimentado tanto pelo aumento do bolo de rendimentos quanto pela expansão do crédito. Mas a indústria brasileira tem sido incapaz, por vários fatores, de responder ao crescimento da procura. Mesmo a depreciação do real, nos últimos meses, pouco elevou o poder de competição dos produtores nacionais, prejudicado por uma série de custos e de ineficiências made in Brazil. Por isso, o vigor do mercado interno tem criado excelentes oportunidades para a produção estrangeira. Com a retração de outros compradores, os mercados brasileiro e de outros países latino-americanos se tornam especialmente atraentes para chineses e outros competidores.</p>
<p>“Além disso, os efeitos da crise global são bem visíveis nas exportações de commodities. Um levantamento de 23 dos principais produtos básicos e semimanufaturados vendidos pelo Brasil mostrou a seguinte evolução: 18 deles têm preços menores que os de um ano antes e 16 têm menor volume de vendas. No conjunto, 16 desses produtos proporcionaram receita menor que a de abril de 2011. (&#8230;)</p>
<p>“O aumento das vendas de manufaturados é em boa parte explicável pela expansão das exportações para os Estados Unidos, 29,5% maiores que de janeiro a abril do ano passado. A receita das vendas para a China foi apenas 5% superior à de igual período de 2011 &#8211; e essas vendas, como sempre, foram constituídas quase exclusivamente de commodities. A maior e mais desenvolvida economia do mundo é um dos melhores mercados para a indústria brasileira. Com o maior dos emergentes, a economia brasileira tem uma relação semicolonial, mas definida como estratégica pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O atual governo parece manter essa avaliação.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 4/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O governo está pagando para o país apanhar da Argentina</strong></p>
<p>“De conivente com os seguidos maus-tratos que o governo de Cristina Kirchner vem aplicando às exportações brasileiras, o governo de Dilma Rousseff se dispõe agora a estimular a Argentina a agir como tem agido. Como que movido por um injustificável complexo de culpa &#8211; que o impede de cumprir o papel que dele se espera, de defesa dos interesses do País -, aos maus modos com que os fiéis servidores de Kirchner tratam os produtos brasileiros, o governo do Partido dos Trabalhadores responderá com oferta de crédito para as exportações argentinas.</p>
<p>“É como se estivesse disposto a pagar para que a economia brasileira continue a apanhar. Por coincidência, o volume a ser financiado pode chegar exatamente ao valor do superávit comercial registrado pelo Brasil no comércio com a Argentina em 2011, de US$ 5,8 bilhões, como admitiu o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira.</p>
<p>“Se chegar a esse montante, o financiamento será maior do que o superávit que o País alcançará neste ano no comércio com a Argentina. As medidas protecionistas que, contrariando as regras do comércio internacional, o governo Kirchner adota há tempos estão provocando forte queda das importações de todas as origens.</p>
<p>“Mas entre os parceiros comerciais mais prejudicados pelo crescente protecionismo kirchnerista está o Brasil, principal sócio da Argentina no Mercosul &#8211; bloco comercial que, na prática, está se tornando cada vez menos relevante por causa de medidas como as adotadas pelos argentinos, que reduzem sua condição de união aduaneira a uma mera formalidade. Em abril, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 27% em relação às vendas de abril de 2011. (&#8230;)</p>
<p>“Os exportadores brasileiros, além dos transtornos causados pelo aumento das exigências argentinas, são onerados com o aumento dos custos logísticos ou mesmo perda de negócios. O governo Dilma parece concordar com tudo isso.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 7/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Mesmo prejudicado pelo protecionismo do vizinho, Brasil ajudará Argentina</strong></p>
<p>“O Brasil está disposto a financiar exportações de bens e serviços para a Argentina para ajudar o vizinho a recuperar sua economia, mesmo sendo alvo de medidas protecionistas. Um encontro entre autoridades dos dois países deve ocorrer na próxima semana para tratar do tema. Em um primeiro momento, a ideia é usar recursos do BNDES e dos atuais programas de crédito às vendas externas para melhorar o intercâmbio bilateral. No entanto, não se descarta o repasse direto de dinheiro a empresas daquele país. As exportações brasileiras para a Argentina caíram substancialmente no quadrimestre, em parte por causa das barreiras ao comércio, mas também em decorrência da crise no país vizinho. Os embarques para a Argentina caíram 27,1% em abril, em relação ao mesmo período no ano passado.” <strong>(Eliane Oliveira, <em>O Globo</em>, 8/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Governo e empresários brasileiros legitimam política abusiva da Argentina</strong></p>
<p>“A omissão do governo brasileiro tem servido como sinal verde para a continuação e até para a ampliação do protecionismo argentino. Governos europeus indicaram, recentemente, a disposição de iniciar na Organização Mundial do Comércio (OMC) uma ação contra a Argentina. Para mostrar a ilegalidade das políticas adotadas pela Casa Rosada, basta mencionar a demora &#8211; frequentemente superior a 90 dias &#8211; das licenças para importação. Mas isso é apenas um dos aspectos da ação protecionista.</p>
<p>“O descaso do governo brasileiro pelas condições de comércio com a Argentina deixa espaço para os empresários tentarem resolver o problema. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, descreveu o recebimento da missão (<em>de pequenos e médios empresários argentinos</em>) como tentativa de resolver as questões de forma construtiva. Desse esforço poderão resultar novos negócios. Será, aparentemente, um resultado positivo. Mas esse resultado será obtido por um processo errado: ao buscar o entendimento, sem exigir a eliminação das barreiras, governo e empresários brasileiros acabam, na prática, aceitando e legitimando uma política abusiva, desrespeitosa e inegavelmente ilegal. <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 10/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O Brasil não pode continuar sem uma estratégia de negociação comercial”</strong></p>
<p>“A crise econômica na Europa, com a queda do crescimento e o aumento do desemprego, não impediu entendimentos ou o início de negociações comerciais da União Europeia (UE) com os EUA, a Índia, o Canadá, o Vietnã, a Coreia do Sul. O mesmo não ocorre com as negociações com o Mercosul. (&#8230;)</p>
<p>“Se os entendimentos do Mercosul com a UE são difíceis, a grave crise entre a Argentina e a Espanha, em razão da nacionalização da empresa de petróleo YPF-Repsol, torna sua conclusão ainda mais problemática. A Argentina cancelou recente visita de alto funcionário europeu e a próxima reunião negociadora, que se realizaria em Buenos Aires, não foi marcada e teve de ser transferida para o Brasil.</p>
<p>“Caso as negociações com a UE não prosperem, o Brasil continuará a ser um dos poucos países a não ampliarem sua rede de acordos de livre-comércio. Nos últimos 12 anos o Brasil negociou apenas um acordo comercial em vigor, com Israel. Os dois outros, assinados com o Egito e com a Autoridade Palestina, ainda não entraram em vigor e têm pouca relevância comercial.</p>
<p>“A situação ficará ainda pior para o Brasil se a UE e os EUA formalizarem nos próximos anos um acordo comercial estendendo preferências na área agrícola para os EUA. Isso afetaria a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no mercado europeu e acarretaria a perda de espaço para os dos EUA. Por outro lado, o já anunciado desaparecimento do SGP, que beneficia cerca de 15% das exportações brasileiras para a Europa, tornará ainda mais difícil o acesso de produtos manufaturados àquele mercado.</p>
<p>“No difícil contexto político, agravado pela decisão argentina e pela reação espanhola, o Mercosul, para avançar nos entendimentos, não terá alternativa senão repetir com a UE o que foi feito com Israel e com a Comunidade Andina de Nações: formalizar um acordo-quadro Mercosul-UE, que incluiria normas comerciais, e aprovar, como propõe o Uruguai, a negociação de listas individuais, separadas, de produtos, com regras de origem e salvaguardas rígidas. Os países-membros do Mercosul, no futuro, poderão negociar a convergência da Tarifa Externa Comum, a qual, aliás, não está sendo respeitada por ninguém pelas sucessivas e crescentes exceções. O Brasil não pode continuar sem uma estratégia de negociação comercial e permanecer, assim, à margem da tendência global de abertura de mercado via acordos de livre-comércio.” <strong>(Rubens Barbosa, <em>Estadão</em>, 8/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Tarifas de importação tolhem a indústria</strong></p>
<p>“O crescimento econômico exige investimentos nos setores público e privado e a recuperação da indústria nacional passa pela melhoria da sua competitividade e da sua capacidade de inovação. Em face disso, não se entende que a importação de máquinas e equipamentos, beneficiada com redução não desprezível de tarifas (de 14% para 2%) incidentes nos bens sem similar nacional, sofra, de repente, uma suspensão dessa facilidade.</p>
<p>“A secretária de Desenvolvimento da Produção, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), explicou que a suspensão é temporária, uma pausa para aperfeiçoamento dos critérios que permitem esta quase isenção de tarifas. Esperamos que seja só isso, sem deixarmos de lamentar que essa interrupção ocorra justamente quando se pretende dar um alento ao setor manufatureiro e num momento em que se acredita que ele poderá voltar a crescer com uma taxa cambial mais adequada.</p>
<p>“É fácil imaginar o efeito da suspensão para as empresas industriais que haviam projetado a modernização dos seus equipamentos, pois sofrerão dois impactos: o primeiro, oriundo da desvalorização do real ante o dólar; e o segundo, a incidência de um imposto de importação que não foi previsto no seu planejamento. A redução da taxa de juros, mesmo que se comprove, não compensa a alta de preço dos equipamentos importados. Além disso, fica a desconfiança sobre as ‘bondades’ dirigidas à recuperação do setor, com o efeito de levar à desistência de muitos programas de investimentos.</p>
<p>“É preciso ir mais longe ao discutir a noção de similar nacional, que preside a obtenção das isenções tarifárias. Na realidade, há aí avaliações muito subjetivas, porque, na prática, máquinas que produzem os mesmos artigos podem ser muito diferentes quando analisadas sob diversos aspectos.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 8/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Ao reter os produtos importados, Receita está prejudicando o país</strong></p>
<p>“Se a ‘Maré Vermelha’, lançada pela Receita Federal em março como ‘a maior operação contra fraudes no comércio exterior da história’, fosse o que se anunciou, certamente estariam ganhando os produtores nacionais, que se veriam livres de bens contrabandeados, subfaturados na origem, falsificados ou que entraram no País por outros meios ilegais ou em desacordo com as regras internacionais. Os resultados práticos da operação, porém, têm sido muito diferentes, com prejuízos e transtornos para o setor produtivo e para os consumidores.</p>
<p>“A intensificação do controle alfandegário decorrente da ‘Maré Vermelha’, mais do que uma medida de combate a fraudes e ilegalidades, está se transformando numa manobra administrativa de caráter protecionista. Setores da indústria que dependem de componentes e insumos importados e consumidores, sobretudo os que utilizam os meios eletrônicos para comprar no exterior bens de pequeno valor, encontram cada vez mais dificuldades para liberar suas importações. Em alguns casos, a demora para a liberação do produto pode chegar a quatro meses, como mostrou reportagem de Raquel Landim publicada pelo Estado (30/4). A medida poderá ser questionada na Organização Mundial do Comércio (OMC) sob a alegação de que fere as normas do comércio internacional. (&#8230;)</p>
<p>“Ao anunciar o início da ‘Maré Vermelha’, a Receita justificou-a citando entre seus objetivos ‘o aumento da presença fiscal e da percepção de risco para os fraudadores’, o que, em tese, representa uma proteção para os importadores e para os contribuintes em geral que cumprem suas obrigações tributárias, pois afasta parte da concorrência desleal. Mas, ao transformar essa operação numa verdadeira maré, que não tem condições nem estrutura para controlar e fiscalizar, em vez de assegurar a lisura do comércio internacional, prejudica o País.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 4/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* A economia do país perde demais com a corrução</strong></p>
<p>“Na economia, a corrupção é devastadora. O que normalmente se tem em mente é o volume de recursos desviado dos cofres públicos através das estratagemas de sempre: empresas fantasmas que não prestam o serviço para o qual são pagas; sobrepreço na compra de bens e serviços pelo governo; compras aprovadas por políticos e funcionários que receberam a sua parcela do dinheiro sujo; desperdício de obras inacabadas.</p>
<p>“Há muitas outras perdas. As empresas fornecedoras do governo adotam normas de organização gerencial que promovam o funcionário que sabe o caminho, ou descaminhos, do cofre. Como o Estado é o grande comprador, se a má prática se dissemina, todos os milhares de fornecedores do Estado serão colocados em algum momento diante do dilema: aceitar ou não a regra vigente. Hoje, já se vê no Brasil o desdobramento disso, que é a corrupção nos negócios entre empresas privadas.</p>
<p>“Grandes investidores podem considerar que o Brasil não é um país para o qual se deva ir. A corrupção de tão frequente pode estar neste momento desanimando alguma diretoria a tentar voos maiores para o Brasil. Ou então desembarcam com a orientação de adotar padrões éticos mais flexíveis para se adaptar à cultura local.</p>
<p>“A democracia corre riscos evidentes a cada nova pancada que a opinião pública recebe. A economia vai se viciando, encontrando os atalhos, perdendo sua eficiência, atraindo apenas os piores, os que sabem se movimentar em ambiente tão degradado. O Brasil tem sonhos altos e nesse momento tem mais confiança de que pode alcançá-los. Quer estar entre os primeiros países do mundo, mesmo sabendo que o sexto lugar em PIB só será efetivo quando houver o mesmo grau no desenvolvimento humano. Ninguém desconhece que há uma lista grande de tarefas por fazer. A dúvida é quanto do nosso destino está sendo diariamente sabotado pela corrupção no momento em que temos tantas chances.” <strong>(Míriam Leitão, <em>O Globo</em>, 6/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O governo não faz qualquer mudança relevante sobre suas contas. Continua a mesma marcha da insensatez”</strong></p>
<p>“As contas do governo continuam fechando da mesma forma. Com a ajuda de uma arrecadação maior do que a inflação e com um pequeno déficit coberto por mais endividamento. No primeiro trimestre, as receitas cresceram 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação. O governo gastou 5,8% a mais, também descontando a inflação. Mesmo assim, ninguém espera que o ano termine em azul.</p>
<p>“As previsões são de que o governo deve gastar este ano 7% a mais do que no ano passado, que já teve um aumento de 3,5% em relação a 2010. Levando-se em conta que o PIB em 2011 cresceu 2,7% e este ano deve crescer em torno de 3,5%, o governo continua aumentando seu gasto acima do crescimento da economia, como tem ocorrido desde 1995, com raras exceções, como a do ano de 2003. É por isso que a conta só fecha com aumento da carga tributária. Prisioneiro dessa armadilha, o governo sempre promete &#8211; e nunca cumpre &#8211; fazer a reforma tributária. O temor é o de reduzir os impostos para quem está pagando excessivamente e, como isso, ficar sem dinheiro suficiente em caixa para cobrir seus gastos crescentes. (&#8230;)</p>
<p>“O déficit nominal &#8211; que inclui o gasto com juros &#8211; consolidado fechou no negativo em 2,6% do PIB em dezembro e continuou no vermelho em 2,4% em março. Essa pequena melhora é resultado do aumento da arrecadação. De janeiro a março, a receita do Imposto de Renda da Pessoa Física aumentou 9,65%. A da Pessoa Jurídica subiu 12,75%. Já a Cide, imposto que incide sobre combustíveis, e cuja alíquota foi reduzida para evitar o aumento da gasolina, teve uma queda de arrecadação de 42%.</p>
<p>“O que esses números mostram é que o governo não faz qualquer mudança relevante nas sua forma de cobrar impostos e gastar suas receitas. Continua a mesma marcha da insensatez, que é gastar cada vez mais, contar com o aumento da arrecadação, e dar descontos em alguns impostos por razões absolutamente conjunturais e casuísticas, como no caso da Cide.” <strong>(Míriam Leitão, <em>O Globo</em>, 9/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>As Malvinas de Dilma</strong></p>
<p><strong>* Espera-se que Dilma não se aventure a procurar juros baixos no pasto</strong></p>
<p>“O atual governo tem demonstrado inédita inquietude em relação aos juros. Em vez de prosseguir o trabalho paciente e tecnicamente fundamentado de seus antecessores, que permitiu diminuir de forma sustentada as taxas de juros, agiu politicamente. Determinou que os bancos públicos reduzissem as taxas de juros para induzir as instituições financeiras privadas a fazer o mesmo. Experiências semelhantes provocaram perdas e necessidade de injeção de recursos do Tesouro naqueles bancos. Em lugar de recorrer a medidas estruturais, a presidente Dilma decidiu atacar os bancos privados: ‘É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo’.</p>
<p>“Acontece que solidez e lucratividade não têm necessariamente relação com juros altos. A solidez foi construída ao longo de anos, fruto do trabalho dos bancos e do governo, particularmente do Banco Central. A solidez explica por que os bancos brasileiros resistiram bem aos efeitos da atual crise financeira mundial. A solidez é para ser comemorada, não para outros motivos. Quanto à lucratividade, estudos mostram que os bancos não têm retorno diferente do das grandes empresas brasileiras.</p>
<p>“Medidas para reduzir as elevadas taxas de juros do Brasil devem integrar permanentemente a agenda do governo. Isso tem acontecido nos últimos dezoito anos, pelo menos. Ainda figuramos entre os campeões dos juros altos, mas a situação tem melhorado. A taxa de juros básica do Banco Central (Selic) &#8211; que influencia as demais &#8211; já foi de mais de 40% ao ano e hoje caminha para as proximidades dos 8% ao ano. O spread bancário também diminuiu. Foi o efeito de um esforço de reformas para atacar as razões estruturais da excepcionalidade.</p>
<p>“A vitória contra a inflação descontrolada (Plano Real) e a estabilidade macroeconômica foram seguidas de outros avanços: a alienação fiduciária, a nova Lei de Falências, o crédito consignado, o acompanhamento sistemático das condições de crédito pelo Banco Central e, mais recentemente. a Lei do Cadastro Positivo. Tudo isso reforçou a segurança na concessão de empréstimos e melhorou o ambiente informacional. Os bancos adquiriram meios para bem avaliar riscos, premiar os bons pagadores com menores taxas de juros e expandir o acesso ao crédito. O potencial de crescimento se ampliou. O bem-estar aumentou.</p>
<p>“É preciso avançar com medidas estruturais de mesmo quilate. Por exemplo, duas causas explicam as altas taxas de juros: a tributação das transações financeiras e o volume de recursos que os bancos são obrigados a recolher ao Banco Central, ambos sem paralelo no mundo. Resquícios de insegurança jurídica típica do Brasil reclamam novas reformas.</p>
<p>“Além de ter taxas de juros das mais altas do mundo, o Brasil ostenta um dos maiores níveis de emprego informal do planeta. São duas excepcionalidades derivadas de problemas estruturais acumulados, de difícil solução em prazo curto. Não se vê, todavia, alguém culpando os empregadores pela informalidade no mercado de trabalho. Não há como promover no grito a formalização, nem dessa forma baixar a taxa de juros. Felizmente, tal como aconteceu nos juros, a informalidade tem diminuído sob a influência da estabilidade macroeconômica, do crescimento da economia, da melhor fiscalização e de avanços institucionais.</p>
<p>“A presidente mira e acena um alvo fácil. Atacar sintomas que a população confunde com causas faz subir a popularidade. A maioria pensa como Dilma. A desinformação é enorme. A educação financeira é deficiente no Brasil. Os bancos nunca foram benquistos. O tema tende a ser influenciado pela emoção.</p>
<p>“No Plano Cruzado (1986), faltou carne no mercado. Era um sintoma decorrente do insustentável congelamento dos preços. Vender gado para abate era o caminho certo para o prejuízo. Os pecuaristas se protegeram. O custo de reter o seu rebanho era preferível à falência. O governo empreendeu então uma espetaculosa caça ao boi no pasto, com helicópteros e policiais federais. A medida não salvou o Plano Cruzado. Espera-se que, caso fracasse sua cruzada contra os bancos, Dilma não se aventure a procurar juros baixos no pasto.” <strong>(Maílson da Nóbrega, <em>Veja</em>, 9/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Uma política de desconcentração bancária é um adequado dever de casa para o Planalto. Só discurso não adianta”</strong></p>
<p>“As instituições financeiras brasileiras não têm no momento dificuldades para captar recursos. Assim, o custo de captação tem diminuído — até pelos cortes na Selic (taxa básica de juros) —, e era de se esperar que esse fenômeno se refletisse nos juros dos empréstimos, o que não ocorreu, reforçando as críticas aos excessivos “spreads” bancários no país.</p>
<p>“Essa inércia pode ser quebrada por iniciativas em várias frentes, entre as quais a redução do risco do crédito (pois a inadimplência é apontada como uma das principais causas dos altos “spreads”). A carga tributária também deve ser considerada. Mas é preciso também estimular a concorrência no seio do sistema bancário, mas não só pela ação dos bancos públicos, pois nesse caso não haverá modificação no quadro de concentração do sistema financeiro, transferindo-se apenas alguma fatia de mercado de uma instituição para outra.</p>
<p>“Na ofensiva para reduzir os “spreads”, o governo deve ter uma política que favoreça a desconcentração — hoje, os dez maiores grupos financeiros, de um total de 120 bancos, detêm aproximadamente 80% do mercado. Se a oferta de crédito se disseminar por um maior número de instituições, a concorrência se encarregará de derrubar as taxas dos empréstimos. Por causa da concentração bancária, a “mobilidade” dos clientes é pequena. Poucos mudam de bancos atraídos por oferta de crédito a custos mais baixos, porque as diferenças de taxas não têm sido significativas. Uma política de desconcentração bancária é um adequado dever de casa para o Planalto. Só discurso não adianta.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 4/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Nenhuma iniciativa do governo para mexer nos impostos e em vários outros custos tem efeito mais que epidérmico”</strong></p>
<p>“O governo tem-se empenhado principalmente na campanha pela redução dos juros. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica foram mobilizados para cortar suas taxas e impor alguma concorrência aos bancos privados. Os banqueiros responderam com o barateamento de algumas linhas. A mudança foi principalmente cosmética, embora haja, de fato, muito espaço para redução da margem dos bancos.</p>
<p>“O governo está certo quanto à necessidade de corte dos juros, mas seu discurso falha em relação a um ponto: se o custo do crédito for reduzido mais amplamente, neste momento, a indústria brasileira ainda terá dificuldade para aumentar a produção. Não basta, agora, estimular a demanda com mais crédito, porque o produtor nacional tem enorme dificuldade para competir com o estrangeiro. Sem mexer mais seriamente numa porção de outros custos, o governo dificilmente mudará as condições desse jogo. Investir sai muito caro para a indústria brasileira não só pelo custo do capital, mas também por causa dos impostos e isto é só uma pequena parte do problema.</p>
<p>“Nenhuma iniciativa do governo federal para mexer nos impostos e em vários outros custos especificamente brasileiros tem efeito mais que epidérmico. A presidente Dilma Rousseff não manifestou, até hoje, a mínima disposição de atacar de modo mais consequente os problemas da produção. Falta levar a outras áreas a coragem demonstrada na alteração da poupança.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 5/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dilma pressiona e Febraban recua das críticas</strong></p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff ficou irritada com o teor do relatório divulgado na segunda-feira (<em>7/5</em>) pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). No texto, assinado pelo economista-chefe da entidade, Rubens Sardenberg, a conclusão é de que os bancos não elevariam a oferta de crédito no país de maneira significativa, como o governo pretende, com o intuito de alavancar o crescimento econômico.</p>
<p>O economista chegou a dizer que ‘você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não pode obrigá-lo a beber água’, numa referência velada à ofensiva do governo de forçar o aumento do crédito e a queda dos juros e spreads, apesar dos índices de inadimplência elevados. Um interlocutor próximo da presidente rebateu a declaração de Sardenberg dizendo que ‘o cavalo poderia morrer de sede’. A notícia sobre o teor da nota da Febraban e a reação palaciana foi publicada ontem (8/5) pelo <em>Globo</em>.</p>
<p>“O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, telefonou hoje de manhã para o ministro da Fazenda, Guido Mantega , tentando contornar a reação negativa que o relatório provocara e reafirmou a disposição de colaborar com o governo no esforço para a ampliação do crédito e o crescimento econômico. Diante da irritação de Dilma e seguindo sua orientação, Mantega avisou ao banqueiro que a retratação teria de ser pública, assim como foi a divulgação do relatório, e deu um prazo até o fim da tarde para a Febraban manifestar-se.</p>
<p>“Trabuco tentou explicar a Mantega, por telefone e por e-mail, que o relatório refletia uma realidade de mercado e não se tratava de uma tentativa do setor de bater de frente com o governo. Mas, no fim da tarde, a Febraban soltou nota desautorizando o relatório distribuído na véspera por Sardenberg.” <strong>(Martha Beck, Gabriela Valente e Aguinaldo Novo, <em>O Globo</em>, 9/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O Planalto pode aumentar a popularidade numa guerra contra os bancos auxiliado por marqueteiros. Mas será inócuo”</strong></p>
<p>“Uma questão de fundo técnico, a formação das taxas de juros no mercado, resvala para um embate político entre governo e bancos, inclusive com arroubos mais adequados a palanques eleitorais. Não se tinha notícia, antes do último Primeiro de Maio, de o tema frequentar discurso presidencial no Dia do Trabalhador. Pois aconteceu, com a presidente Dilma, em cadeia nacional, acusando a ‘lógica perversa’ do sistema financeiro nacional, por não acompanhar em seus guichês a proporção da queda da taxa de juros básica (Selic). (&#8230;)</p>
<p>“Está no campo de ação da presidente mandar os bancos oficiais reduzir custos de crédito. Mas se isso gerar prejuízos às instituições oficiais, a conta deverá ser paga, em algum momento, pelo contribuinte, por meio de aportes de capital do Tesouro ao BB e CEF. Isso já ocorre na injeção de recursos no BNDES pela perigosa via da ampliação do endividamento público. (&#8230;)</p>
<p>“Há, ainda, no sistema financeiro uma grande parcela de crédito subsidiado — BNDES, agrícola etc. —, que não só reduz a eficácia da política monetária (juros) como trava a oferta, em mais um fator de manutenção de taxas elevadas no mercado. O assunto é complexo e não poderá ser resolvido ‘no grito’. Não são boas as relações entre o governo e os bancos, representados pela Febraban. Mas a troca de frases cáusticas de lado a lado nada produz de objetivo. Ganhariam todos se medidas concretas fossem tomadas para eliminar os obstáculos à queda dos ‘spreads’ e houvesse ações para estimular a concorrência no setor bancário, atividade muito concentrada (80% do mercado estão com dez grupos).</p>
<p>“O Planalto pode aumentar ainda mais a popularidade numa ‘guerra’ contra os bancos auxiliado por marqueteiros. Mas será inócuo. Apenas repetirá o equívoco observado em certos países latino-americanos em que assuntos intrincados são tratados em meio a jargões inflamados em praça praça.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 9/5/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Toma lá, dá cá</strong></p>
<p><strong>* “Gasto do governo com varejo político dispara após a crise”</strong></p>
<p>“A crise no relacionamento com os partidos aliados e a criação da CPI do Cachoeira coincidiram com a multiplicação da liberação, pelo governo Dilma Rousseff, de verbas de interesse de deputados, senadores, prefeitos e governadores. Os registros diários dos desembolsos federais mostram um salto, a partir de março, das despesas incluídas por congressistas no Orçamento da União em favor de seus redutos eleitorais -as chamadas emendas parlamentares.</p>
<p>“Para detectar a movimentação de recursos destinados a negociações políticas, a <em>Folha</em> selecionou uma amostra das iniciativas orçamentárias que mais recebem emendas e servem de base para as barganhas cotidianas entre o Planalto e o Congresso. Os desembolsos para essas finalidades quadruplicaram de fevereiro para março, quando ultrapassaram a casa dos R$ 350 milhões &#8211; patamar repetido em abril. Em consequência, os primeiros quatro meses do ano terminaram com liberação de R$ 911 milhões, contra R$ 363 milhões no primeiro quadrimestre de 2011, quando Dilma lançava seu pacote de austeridade fiscal.” <strong>(Gustavo Patu, <em>Folha de S. Paulo</em>, 6/5/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Lições da Europa</strong></p>
<p><strong>* “Medidas populistas têm fôlego curto” </strong></p>
<p>“As ideologias, neste início da segunda década do século 21, bifurcam-se na encruzilhada dos desafios de nações às voltas com profunda crise econômica. O continente europeu, berço da civilização democrática, é o cenário mais visível dessa mudança. Lá a esquerda desloca seu eixo piscando para a direita, atenuando as cores do seu antigo discurso. Já não eleva ao alto do mastro a bandeira da ‘propriedade coletiva dos meios de produção’. (&#8230;)</p>
<p>“O que podemos extrair da lição francesa para a nossa realidade? Os recados são claros. Vejamos.</p>
<p>“Ponto 1: não há mais sentido em brandir bordões e refrãos insuflando a luta de classes, pobres contra ricos, socialismo contra liberalismo. Parcela dos nossos representantes continua a erguer bandeiras rotas.</p>
<p>“Ponto 2: atacar as estruturas intermediárias da República &#8211; Parlamento, Judiciário, imprensa &#8211; é desconstruir o próprio edifício da democracia. Desvios cometidos por pessoas físicas não podem ser confundidos com a importância das instituições democráticas. No entanto, viceja por estas plagas uma peroração que defende o controle da mídia, a revelar a simpatia de grupos pelo Estado autoritário.</p>
<p>“Ponto 3: o combate às elites políticas por quem as integra soa demagógico. Mandatários que escalaram os degraus da pirâmide para chegar ao topo devem saber que também eles integram o Olimpo elitista.</p>
<p>“Ponto 4: é um risco ancorar a estabilidade de um governo numa base nacionalista e protecionista. A deriva populista que uma atitude nessa direção proporciona, apesar de gerar conforto no curto prazo, ameaça comprometer o conceito internacional de um país. Olhe-se para os casos da Argentina e da Bolívia. A decisão da presidente Cristina Kirchner de nacionalizar 51% do patrimônio da petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, e a decisão do presidente Evo Morales de expropriar as ações da rede elétrica espanhola SAU podem até servir à almejada estratégia de aprovação popular. Mas quem garante que, mais adiante, não se transformarão em bumerangue?</p>
<p>“Decisões dessa ordem têm o condão de conferir aos governantes uma imagem situada na banda esquerda do arco ideológico. Mas a esquerda tem sofrido, e muito, para debelar o caos econômico. A Europa que o diga. Ali a crise fez cair, nos últimos três anos, 11 dos 15 governos de esquerda ou de centro-esquerda &#8211; Espanha, Reino Unido, Portugal, Bulgária, Finlândia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Eslovênia e Holanda. O aviso é oportuno: medidas populistas têm fôlego curto.”  <strong>(Gaudêncio Torquato, <em>Estadão</em>, 6/5/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>“O Brasil fará a melhor de todas as Copas do Mundo”</strong></p>
<p><strong>* Vexame nacional à vista</strong></p>
<p>“É cada vez maior o risco de um vexame nacional na Copa do Mundo &#8211; e não por causa do desempenho da equipe brasileira. As informações mais recentes sobre o andamento dos projetos não permitem outra conclusão. Quem se dispuser a vir ao Brasil para acompanhar os jogos terá de enfrentar aeroportos despreparados para um tráfego mais intenso de passageiros, cidades congestionadas e sistemas de transporte urbano inapropriados para metrópoles modernas. O governo terá de correr muito para garantir a conclusão a tempo das obras necessárias. Se não conseguir desemperrar em pouco tempo os investimentos programados, ainda acabará pagando muito mais que os valores atualmente orçados, porque não terá outro meio de compensar o tempo perdido. Os valores atuais já são muito maiores que os estimados quando o governo brasileiro assumiu o compromisso de realização da Copa.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 8/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Hotéis do Rio cheios no 1º de maio. Imagine na Copa</strong></p>
<p>“Os hotéis do Rio tiveram ocupação de 90% no feriadão do Dia do Trabalho.” <strong>(Ancelmo Gois, <em>O Globo</em>, 5/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Virão 50 mil pessoas para a Rio+20. O Rio tem 31.594 quartos de hotel. Imagine na Copa</strong></p>
<p>“Neste mês de junho, todos os hotéis de nível razoável do Rio de Janeiro estarão reservados, praticamente de alto a baixo, para alojar os participantes da Rio+20. A previsão é que as reuniões, que começam no dia 13 e têm seu ponto alto entre os dias 20 e 22, atraiam cerca de 50.000 pessoas à cidade. O Rio dispõe de 31.594 quartos de hotel. Está declarada a guerra por hospedagem, mais acirrada ainda pelas rivalidades – pessoais, diplomáticas, de hierarquia – embutidas num encontro dessa magnitude. ‘Estamos usando a imaginação. Por exemplo, vamos juntar suítes sênior e júnior e criar quartos maiores para os visitantes mais ilustres’, explica o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, Alexandre Sampaio.” <strong>(Helena Borges, Veja, 9/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"> <strong>Como os viciados, eles sempre voltam ao tema predileto: o controle da imprensa</strong><strong> </strong></p>
<p><strong>* “Depois dos bancos, governo enfrentará a mídia, diz presidente do PT”</strong></p>
<p>“Depois de deflagrar a cruzada contra o sistema financeiro privado e a cobrança de juros elevados no País, o governo da presidente Dilma Rousseff poderá colocar em discussão o polêmico tema do marco regulatório da comunicação. A informação foi dada ontem (<em>sexta, 4/5</em>), pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, durante discurso em evento sobre estratégia eleitoral do PT nesta campanha municipal, em Embu das Artes, São Paulo. ‘Este é um governo que tem compromisso com o povo e que tem coragem para peitar um dos maiores conglomerados, dos mais poderosos do País, que é o sistema financeiro e bancário. E se prepara agora para um segundo grande desafio, que iremos nos deparar na campanha eleitoral, que é a apresentação para consulta pública do marco regulatório da comunicação’, disse o dirigente petista em seu pronunciamento.</p>
<p>“Segundo Falcão, ‘a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro’. No discurso, ele frisou: ‘(A mídia) É um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010) que saiu dos temas que interessavam ao país para recuar no obscurantismo, na campanha de reforço da direita que hoje está sendo exposta aí, inclusive agora, provavelmente nas próximas duas semanas com a nomeação dos sete nomes da Comissão da Verdade que vai passar a limpo essa chaga histórica que nós vivemos.’ E continuou: ‘(A mídia) produz matérias e comentários não para polarizar o País, mas para atacar o PT e nossas lideranças.’ ‘O poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar.’</p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff herdou do governo Lula o anteprojeto de criação do marco regulatório das comunicações, elaborado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins, e apresentado durante a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em 2010, determinando ‘criação de instrumentos de controle público e social’ da mídia. Em razão da polêmica que o tema gerou, Dilma determinou que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, fizesse um pente-fino no texto para evitar tópicos que possam indicar censura ou controle de conteúdo.” <strong>(Guilherme Waltenberg e Daiene Cardoso, <em>Estadão</em>, 5/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* A indisfarçável tentativa de atemorizar a imprensa profissional</strong></p>
<p>“Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista <em>Veja</em>, na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.</p>
<p>A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo.</p>
<p>“É indisfarçável, ainda, a tentativa de atemorização da imprensa profissional como um todo, algo que esses mesmos setores radicais do PT têm tentado transformar em rotina nos últimos nove anos, sem sucesso, graças ao compromisso, antes do presidente Lula e agora da presidente Dilma Rousseff, com a liberdade de expressão. A manobra se baseia em fragmentos de grampos legais feitos pela Polícia Federal na investigação das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pela qual se descobriu a verdadeira face do senador Demóstenes Torres, outrora bastião da moralidade, e, entre outros achados, ligações espúrias de Cachoeira com a construtora Delta.</p>
<p>“As gravações registraram vários contatos entre o diretor da Sucursal de <em>Veja</em> em Brasília, Policarpo Jr, e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeo/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte. A constatação animou alas radicais do partido a dar o troco. O presidente petista, Rui Falcão, chegou a declarar formalmente que a CPI do Cachoeira iria ‘desmascarar o mensalão’.</p>
<p>“Aos poucos, os tais blogs começaram a soltar notas sobre uma suposta conspiração de <em>Veja</em> com o bicheiro. E, no fim de semana, reportagens de TV e na mídia impressa chapas brancas, devidamente replicados na internet, compararam Roberto Civita, da Abril, editora da revista, a Rupert Murdoch, o australiano-americano sob cerrada pressão na Inglaterra, devido aos crimes cometidos pelo seu jornal <em>News of the World</em>, fechado pelo próprio Murdoch. Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 8/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O Falcão do PT parece o da ditadura. Só que o ditadura não declarava nada, e se poupava de dizer bobagens</strong></p>
<p>“Falando durante reunião de dirigentes do partido realizada na semana passada em Embu das Artes, na Grande São Paulo, o Falcão do PT demonstrou mais uma vez que sua aversão à imprensa livre é exatamente a mesma que cultivava o Falcão da ditadura militar &#8211; o Armando. Com a diferença de que este, às vezes, se poupava de proclamar bobagens, recorrendo ao ‘nada a declarar’.</p>
<p>No Embu, o Falcão petista deixou a imaginação correr solta e deitou falação, mais uma vez, contra essa mania que a mídia tem de falar mal de seu partido. Para esse destemido defensor da mordaça, a mídia ‘é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do Lula’, e também ‘ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma’. E enfatizou: ‘O poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar’. O que significa que, para Falcão, a imprensa ou apoia o governo ou está condenada à danação eterna. É exatamente o que pensava o Falcão da ditadura militar.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 10/5/2012.)</strong></p>
<blockquote><p><em>11 de maio ede 2012</em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong>Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong>Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong>Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong>Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong>Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/"><strong>Volume 36 – Notícias de 13 a 19/1. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/"><strong>Volume 37 – Notícias de 20/1 a 26/1.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-38/"><strong>Volume 38 – Notícias de 27/1 a 2/2. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-39/"><strong>Volume 39 – Notícias de 3 a 9/2. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-40/"><strong>Volume 40 – Notícias de 10 a 23/2.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-41/"><strong>Volume 41 – Notícias de 24/2 a 1º/3.</strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><em>Volume 42 – Notícias de 2 a 8/3. </em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong>Volume 43 – Notícias de 9 a 15/3. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-44/"><strong>Volume 44 – Notícias de 16 a 22/3.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-45/"><strong>Volume 45 – Notícias de 23 a 29/3.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-46/"><strong>Volume 46 – Notícias de 30/3 a 5/4. </strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-47/"><strong>Volume 47 – Noticias de 6 a 12/4. </strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-48/"><em><strong>Volume 48 – Notícias de 13 a 19/4. </strong></em></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-49/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 49 – Notícias de 20 a 26/4.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-50/">Volume 50 &#8211; Notícias de 27/4 a 3/5. </a></em></p></blockquote>
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		<title>Orra, meu: magina de pipo</title>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 03:29:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[“Magina de Pipo” é uma das mais deliciosas canções que já foram escritas na face da Terra. Magina o quê?, poderiam perguntar os oito leitores que viessem parar aqui. “Magina de pipo&#8221;, letra e música de André Abujamra, do disco Infinito de Pé, de 2004. André Abujamra é um desses gênios dos novos tempos, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Magina de Pipo” é uma das mais deliciosas canções que já foram escritas na face da Terra.<span id="more-6979"></span></p>
<p>Magina o quê?, poderiam perguntar os oito leitores que viessem parar aqui.</p>
<p>“Magina de pipo&#8221;, letra e música de André Abujamra, do disco <em>Infinito de Pé</em>, de 2004.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzkarnak1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6993" title="zzkarnak1" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzkarnak1.jpg" alt="" width="400" height="400" /></a>André Abujamra é um desses gênios dos novos tempos, em que há tanta coisa sendo criada e lançada no mercado que não dá mais para separar o melhor trigo em meio a tanto joio. É joio demais – e é até trigo demais.</p>
<p>Nos anos 60, houve uma explosão de talentos: Edu, Chico, Caetano, Gil, Milton, Sidney Miller, Paulinho da Viola.</p>
<p>O país inteiro os acompanhava.</p>
<p>Depois dos anos 90, tudo se estilhaçou. Há uns 78 tipos de música sendo feitos no Brasil, uns 438 no mundo. É absolutamente impossível conhecer tudo. O que era amplo, geral e irrestrito virou uma grande quantidade de nichos.</p>
<p>Faz muito tempo que deixei de tentar acompanhar tudo o que surge de bom na música popular, brasileira ou internacional. Não dá – é impossível, é coisa demais.</p>
<p>Mas há algumas coisas tão extraordinariamente boas que a gente acaba conhecendo – mesmo quem, como eu, é cada vez mais pré-antigo num mundo pós-moderno.</p>
<p>André Abujamra é uma dessas coisas.</p>
<p>Não conheci o Mulheres Negras, formado em 1985 pelo André e Maurício Pereira. Só fui conhecer o André na sua fase Karnak, que me foi apresentado pela minha filha. O Karnak é genial, faísca de talento saindo pelo ladrão. Em seus dois discos, de 1995 e 1997, fez algumas canções extraordinárias, da melhor qualidade: “Alma não tem cor”, “O Mundo”, “Espinho na Roseira/Drumonda” são algumas das melhores canções feitas nos anos 90 que ouvi.</p>
<p>André tem um tipo peculiar de humor. Mistura, como numa salada, assertivas sérias, seriíssimas, com frases que parecem babacas, bobocas. Em “Alma não tem cor” e “O Mundo”, faz panfletos contra todos os racismos, todas as discriminações – mas panfletos em forma de piada gostosa.</p>
<p>Em “Magina de Pipo” ele faz o seu hino da utopia. Um hino piada, que ri dele próprio.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>A música brasileira e o bom humor sempre se deram bem. Houve muita fossa, muito, como diria Regina Berlim, kit gilete na música brasileira – Dolores Duran, Maysa, Antônio Maria –, mas sempre houve bom humor, gozação, tiração de sarro. Noel, o gigante Noel, era um grande sarrista. Lamartine Babo era tão ou mais irreverente, engraçado, escrachado, gozador, que no cinema são Mel Brooks e Woody Allen.</p>
<p>A Tropicália foi, entre muitas outras coisas, um movimento bem humorado, apesar de ter surgido (ou por isso mesmo) na ditadura, nos tempos mais sombrios da nossa História recente. TomZé sempre foi um grande gozador. Os Mutantes foram gozadores homéricos – gozaram de maneira espalhafatosa, melbrooksiana, uma das maiores glórias do cancioneiro nacional, “Chão de Estrelas”. Tropicália, o disco, gozava tudo – inclusive Vicente Celestino e o coração materno que quicava na estrada.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Uma década depois do Tropicalismo, o Rumo trouxe de volta o bom humor dos mestres, Noel, Lamartine, e ainda acrescentou o seu próprio humor – ferino, inteligente, letrado, estudado, uspianizado.</p>
<p>E não é que a união música-bom humor seja uma coisa brasileira. De forma alguma. Ainda nos anos 70, o conjunto argentino Les Luthiers fez música cômica da melhor qualidade – gozando tudo que vinha pela frente, inclusive a música brasileira, a bossa nova, a eterna saudação do é sol, é sal, é sul.</p>
<p>Muito mais recentemente, teve e tem Kevin Johansen, mezzo porteño, mezzo Alasca – mas nada a ver com Sarah Palin, muito ao contrário.</p>
<p>E agora mesmo tem o Fernandez Fierro, o conjunto (a banda?) de tango pós-tudo, que tem quatro bandoneons e quatro violinos, para fazer um som que deixaria Piazzolla de queixo caído. Fernandez Fierro faz avançar o tango como se ele tivesse – como diz o Caetano em relação à música brasileira – uma linha evolutiva. É o tango pós-Piazzolla, se é que isso pode haver. (Ouvindo um e outro, penso que Piazzolla é mais avançado que os bravos garotos do Fernandez Fierro – mas talvez isso seja só uma visão de um velhinho conservador.)</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Vixe! Acho que viajei um pouco.</p>
<p>Eu só queria fazer um elogio a “Magina de Pipo”.</p>
<p>A pérola, enão, como eu dizia, foi gravada num disco de 2004, <em>O Infinito de Pé</em>. Pós Mulheres Negras, pós Karnak, André Abujamra fazia um disco dele mesmo.</p>
<p>A 14ª faixa é “Magina de pipo”.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzar-a.png"><img class="alignright size-full wp-image-6994" title="zz,ar a" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzar-a.png" alt="" width="589" height="434" /></a>“Magina de Pipo”, uma belíssima, ousadíssima gozação de “Imagine”, de John Lennon, começa com um monte de cordas. Paul McCartney fazia isso, por que André Abujamra não poderia?</p>
<p>Vem então um dueto de André Abujamra com Miriam Maria, cantando várias vezes a frase “magina de pipo”.</p>
<p>André é um ator, um artista multimídia. Quando quer, sabe fazer uma voz bonita.</p>
<p>Miriam Maria tem um timbre de voz de anjo.</p>
<p>Os dois ficam repetindo as palavras “magina de pipo”.</p>
<p>Não é comum alguém gozar um herói com toda a aparência de que está acima de qualquer suspeita. Gozar a cara de John Lennon, que virou um emblema como o Che, é enfrentar jogo pesado. É preciso coragem. André tem, de sobra.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Não tem graça alguma este texto se o eventual leitor não conhecer &#8220;<a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/14-Magina-de-Pipo3.m4a">14 Magina de Pipo</a>&#8220;, ou não puder conhecê-la na internet.</p>
<p>Parece, no entanto, que ela não está.</p>
<p>As canções de André Abujamra que citei lá pra cima estão disponíveis no YouTube. “Magina de pipo” não está.</p>
<p>Um absurdo.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Eis aí a letra da canção.</p>
<p>Maysa, Antônio Maria e Dolores Duran certamente morreriam de inveja dos versos que falam da separação.</p>
<p>Eu sinto uma inveja danada é do letra inteira. Gostaria de ter escrito estes versos maravilhosos. A bela canção, a melodia, bem, esta eu jamais saberia como fazer.</p>
<p><em><strong>Magina de Pipo</strong></em></p>
<p><em>André Abujamra</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Magina de pipo, magina de pipo</em></p>
<p><em>Magina de pipo, magina de pipo</em></p>
<p><em>Magina de pipo, magina de pipo</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Deus fez o céu, fez o mar e o firmamento.</em></p>
<p><em>Deus fez o homem, colocou o sentimento</em></p>
<p><em>Deus fez o céu, fez o mar e o firmamento.</em></p>
<p><em>Deus fez o homem, colocou o sentimento</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Ai meu Deus, como dói meu coração</em></p>
<p><em>Separação é pior que morte</em></p>
<p><em>Só que o fantasma é de carne e osso</em></p>
<p><em>e ainda vai casar com outro moço</em></p>
<p><em>Ai meu Deus, como dói meu coração</em></p>
<p><em>Separação é pior que morte</em></p>
<p><em>Só que o fantasma é de carne e osso</em></p>
<p><em>e ainda vai casar com outro moço</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Dói, dói, dói,</em></p>
<p><em>Dói, dói, dói,</em></p>
<p><em>Foi, foi, foi,</em></p>
<p><em>Dói, dói, dói,</em></p>
<p><em>Foi, foi, foi,</em></p>
<p><em>Dói, dói, dói,</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Depois da tempestade vem a luz, vem o clarão</em></p>
<p><em>mas ficou a mancha negra no fundo do coração</em></p>
<p><em>Depois da tempestade vem a luz, vem o clarão</em></p>
<p><em>mas ficou a mancha negra no fundo do coração</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Se eu pudesse mudar o mundo ia fazer você me amar</em></p>
<p><em>ia trocar a cor do céu, ia trocar a cor do mar</em></p>
<p><em>Os bichos iam falar, quem tivesse fome ia poder se alimentar</em></p>
<p><em>não haveria religião e eu mudaria o gosto do pimentão</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Não teria câncer, anemia</em></p>
<p><em>e eu tiraria semente da melancia</em></p>
<p><em>não teria classe social, não teria guerra, não teria arma mortal</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(recitado) Se não tivesse tristeza só teria alegria, mas depois de um certo tempo ficaria uma porcaria</em></p>
<p><em>por isso se eu pudesse não tiraria nem o sofrimento nem a dor</em></p>
<p><em>pra que quando viesse a felicidade sentíssemos o sabor do amor</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Magina de pipo, magina de pipo</em></p>
<p><em>Magina de pipo, magina de pipo</em></p>
<p><em>Magina de pipo, magina de pipo</em></p>
<blockquote><p><em>Maio de 2012</em></p></blockquote>
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		</item>
		<item>
		<title>Hora da caça, hora do caçador</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 16:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>

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		<description><![CDATA[Resta cristalino que a CPMI denominada &#8220;Carlinhos Cachoeira&#8221; apenas confirma o que era consabido: a corrupção no Brasil é endêmica, sendo irrelevante a origem e/ou posição dos envolvidos/leia-se &#8216;indiciados&#8217; ou a sigla partidária &#8230; Enquanto isso, o Colendo Supremo Tribunal Federal se esmera para mostrar ao Brasil que o julgamento dos mensaleiros vai para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resta cristalino que a CPMI denominada &#8220;Carlinhos Cachoeira&#8221; apenas confirma o que era consabido: a corrupção no Brasil é endêmica, sendo irrelevante a origem e/ou posição dos envolvidos/leia-se &#8216;indiciados&#8217; ou a sigla partidária &#8230;<span id="more-6945"></span></p>
<p>Enquanto isso, o Colendo Supremo Tribunal Federal se esmera para mostrar ao Brasil que o julgamento dos mensaleiros vai para a chamada &#8216;vala-comum&#8217; dos casos que não são julgados [o Supremo é especialista nisso, ou seja, deixar de julgar processos relevantes, sob as mais espúrias razões : faltou um carimbo, faltou um clips, a cópia não estava legível etc etc].</p>
<p>Seria o &#8220;Carlinhos Cachoeira&#8221; um novo PCFarias? Ou seria um novo Delfim? Talvez um novo Sergio Motta? Ou mais um Roberto Jefferson? &#8220;Carlinhos Cachoeira&#8221; mostra à nação não tão estupefata seus tentáculos e mais tentáculos, a perder de vista &#8230;</p>
<p>Mas o mais impressionante é a sensação de impotência de todos nós, principalmente porque o principal político envolvido, aliás um pomposo senador da República, tinha excepcional capacidade de humilhar e tripudiar sobre todos e quaisquer indivíduos que se colocassem sob sua mira.</p>
<p>Hora da caça , hora do caçador.</p>
<p>Já vimos senador considerado à prova de qualquer suspeita se calar diante de ameaça velada de senador mais sujo que pau-de-galinheiro [caso em questão : Alagoas vs. Rio Grande do Sul]. Como se costuma dizer no interior das Minas Gerais, &#8216;não tem virgem na zona&#8217; &#8230; Ou Como o sambista cantarolava : &#8220;se gritar &#8216;pega ladrão&#8217;&#8221; &#8230;&#8217;</p>
<p>Enfim, as eleições municipais estão chegando , prá todo lado temos o ´roto reclamando do rasgado´ , a coisa tá difícil mesmo &#8230; e eu ainda acredito que a solução, ainda que seja global, começa no local &#8230; a verdadeira mudança, aquele &#8216;turning point&#8217;, vai começar nos municípios.</p>
<p>Deus nos ajude!!</p>
<blockquote><p><em>3 de maio de 2012</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Más notícias do país de Dilma (50)</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-50/</link>
		<comments>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-50/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 May 2012 02:31:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[Cada político populista tem sua bandeira. Collor prometia combater os marajás. Cristina Kirchner trouxe de volta a bandeira dos generais da ditadura – as Malvinas são argentinas! Dilma Rousseff, seguindo modelito preparado por seu marqueteiro João Santana, posa de Joana d’Arc na luta contra os juros dos bancos. Quanta baixaria, quanta pequenez. Aí vai a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cada político populista tem sua bandeira. Collor prometia combater os marajás. Cristina Kirchner trouxe de volta a bandeira dos generais da ditadura – as Malvinas são argentinas! Dilma Rousseff, seguindo modelito preparado por seu marqueteiro João Santana, posa de Joana d’Arc na luta contra os juros dos bancos.<span id="more-6940"></span></p>
<p>Quanta baixaria, quanta pequenez.</p>
<p>Aí vai a 50ª <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-49/">compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>. Foram publicadas entre os dias 27 de abril e 3 de maio.</p>
<p align="center"><strong>As Malvinas de Dilma</strong></p>
<p><strong>* Em alguma hora, seria bom descer do palanque e trabalhar</strong></p>
<p>“É visível o dedo palaciano do marketing político na inclusão do problema técnico dos juros bancários no pronunciamento político presidencial pelo Dia do Trabalho. Falar mal de banco dá popularidade. Passado o momento de palanque, porém, a presidente Dilma precisa descer ao mundo real e tratar dos aspectos concretos que envolvem a questão. Como a carga tributária sobre operações financeiras, por exemplo. <strong>(Opinião, <em>O Globo</em>, 2/5/2012.)</strong><strong></strong></p>
<p><strong>* Discurso populista contra banqueiro é fácil. Mas cadê as ações sérias?</strong></p>
<p>“Discurso contra banqueiro é sempre um sucesso de público &#8211; e muitas vezes de crítica &#8211; e a presidente Dilma Rousseff tem-se dedicado com notável empenho a essa tarefa. O que não deve surpreender ninguém: os juros cobrados no Brasil, entre os mais altos do mundo, estão muito além de qualquer padrão aceitável, exceto em momentos excepcionais, nos países civilizados. Mas foi um tanto surpreendente a escolha dos juros como tema central de seu pronunciamento de segunda-feira, para comemorar o Dia do Trabalho. Ela aproveitou a celebração para cobrar mais uma vez a redução do custo dos financiamentos, como se fosse essa, neste momento, a ação mais importante para a criação de empregos e para o aumento do bem-estar dos trabalhadores. Os bancos brasileiros, disse a presidente, são muito sólidos e isso é bom para o País, mas nada justifica a manutenção de juros tão altos. Ela exortou o setor bancário, mais uma vez, a seguir o exemplo da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.</p>
<p>“Essa campanha diversifica e enriquece o discurso oficial sobre os grandes entraves ao crescimento econômico e ao desenvolvimento do Brasil. Durante algum tempo, a presidente Dilma Rousseff concentrou os ataques num alvo externo &#8211; a política dos bancos centrais do mundo rico, acusados de causar um tsunami monetário. (&#8230;)</p>
<p>“É uma campanha politicamente interessante, embora inútil do ponto de vista econômico. Nenhuma autoridade monetária do mundo rico vai mudar sua política para atender o governo brasileiro. Mas a função principal desse tipo de retórica não é resolver problemas. É transferir culpas. No caso dos bancos nacionais, a capacidade de ação do governo é certamente maior, embora limitada. Além disso, a opinião pública é sem dúvida mais sensível a esse tipo de discurso do que à peroração sobre os bancos centrais estrangeiros.</p>
<p>“Juros são importantes, mas não são tudo. A presidente sabe disso e mencionou a ‘diminuição equilibrada de impostos’ e o combate à sobrevalorização cambial. Mas o governo pouco tem feito nessas e em outras áreas muito relevantes para a competitividade da indústria e para a criação de empregos. Não é preciso insistir na lentidão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nas deficiências da infraestrutura, nas distorções tributárias, na falta de uma política eficiente de tecnologia e na baixa qualidade do gasto público. A presidente prometeu mais de uma vez melhorar a capacidade gerencial da administração federal. Ficou na promessa.</p>
<p>“As campanhas contra o tsunami monetário e os juros altos no Brasil seriam mais dignas de crédito se fossem precedidas de ações sérias para a solução de problemas da alçada direta do governo. Sem isso, a retórica da presidente Dilma Rousseff não se distancia muito das perorações habituais de sua colega argentina. Serão os bancos as Malvinas do governo brasileiro?”</p>
<p><strong>* A tática populista de usar a política para resolver questões técnicas pode levar a consequências maléficas</strong></p>
<p>“A presidente Dilma estava até sorridente quando disse (&#8230;)palavras duras sobre os bancos privados: ‘É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso.’</p>
<p>“Embora sua fisionomia amena na ocasião não possa ser comparada à carranca da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que parece estar sempre em luta contra os dragões da maldade do capitalismo, a postura da presidente brasileira pode ser comparável à de sua colega argentina. A utilização da política para resolver questões técnicas é tática populista que pode render frutos eleitorais a curto prazo, mas leva a decisões que podem ter consequências maléficas a longo prazo para a economia do país.” <strong>(Merval Pereira, <em>O Globo</em>, 7/5/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>As más notícias da Economia</strong></p>
<p><strong>* Neste ano, já pagamos meio trilhão de impostos</strong></p>
<p>“Meio trilhão de reais. Este é o valor que os brasileiros já tiveram de desembolsar, desde o início do ano, com o pagamento de impostos e contribuições nas três esferas do governo. A marca foi registrada pouco antes das 10h de ontem pelo &#8220;Impostômetro&#8221;, painel eletrônico mantido pela Associação Comercial de São Paulo e que mede em tempo real a arrecadação tributária. Em 2011, a mesma cifra de R$ 500 bilhões havia sido alcançada no dia 4 de maio, ou seja, dois dias mais tarde do que neste ano. (&#8230;)</p>
<p>“Com os R$ 500 bilhões, seria possível construir cinco milhões de quilômetros de rede de esgoto ou cinco milhões de postos de saúde equipados.” <strong>(O Globo, 3/5/2012.)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>* Enquanto finge, com espalhafato, que desonera, o governo eleva a carga tributária</strong></p>
<p>“Quem só sabe usar martelo só enxerga pregos, qualquer que seja o problema. Desde 2006, diante das mais diversas circunstâncias, o Ministério da Fazenda tem sempre feito, de uma forma ou de outra, o mesmo diagnóstico: o que falta é demanda. Não chegou a ser surpresa, portanto, que, em resposta às pressões por providências que pudessem atenuar a perda de competitividade da indústria de transformação, o governo tenha anunciado, há poucas semanas, mais um pacote de estímulo à demanda agregada, disfarçado sob um simulacro de redução de carga tributária.</p>
<p>“O que foi anunciado como diminuição de carga tributária foi um tortuoso programa de desoneração fiscal, beneficiando 15 setores, a maior parte deles da indústria de transformação, que passarão a recolher encargos patronais sobre faturamento, e não mais sobre a folha de pagamentos. O que configura uma deformidade fiscal desnecessária. Mais uma jabuticaba, brasileira da gema. (&#8230;)</p>
<p>“Mas qual tem sido o desempenho da receita? Acabam de ser anunciados os dados da arrecadação federal de março. O montante arrecadado no primeiro trimestre, quando comparado com o mesmo período do ano passado, mostrou expansão nominal de 13,5%, que, corrigida pela variação do IPCA, implica crescimento real de nada menos que 7,3%. Ou seja, bem mais do dobro do crescimento do PIB previsto para 2012. Os dados mostram que, só no primeiro trimestre, o aumento real da receita federal, da ordem de R$ 17,5 bilhões, já foi superior ao quádruplo dos R$ 4,3 bilhões de desoneração de folhas de pagamentos anunciados pelo governo para todo o ano de 2012.</p>
<p>“O que se vê, portanto, por trás da poeira levantada pelo espalhafato das medidas de desoneração, é que o velho regime fiscal, que requer elevação sem fim de carga tributária, continua firme e forte. Com a receita crescendo a mais do dobro do crescimento do PIB, o que se constatará no início do próximo ano, quando forem publicados os dados de 2012, é mais um salto da carga tributária. Setores da indústria, escolhidos a dedo, poderão até ter tido algum alívio na tributação, mas a economia como um todo terá sido submetida a novo e considerável aprofundamento da extração fiscal.” <strong>(Rogério Furquim Werneck, <em>O Globo</em>, 27/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Receita mantém parados nos portos produtos importados. Os consumidores que se danem</strong></p>
<p>“Produtos adquiridos por brasileiros em sites internacionais estão demorando cerca de quatro meses para serem entregues no País. A Operação Maré Vermelha, da Receita Federal, aumentou a fiscalização na entrada de itens importados e está prejudicando os negócios das empresas e a vida dos consumidores. Indignados com o atraso na chegada dos produtos &#8211; que atinge não somente os comprados em sites, mas todos os tipos de mercadorias -, usuários de comércio eletrônico assinaram uma petição pública na internet contra ‘a ineficiência da Receita Federal do Brasil’.</p>
<p>“Rayan Barizza, pós-graduando em direito administrativo residente em Ribeirão Preto (SP), é o autor do abaixo-assinado. Ele tem oito encomendas paradas na alfândega acima do prazo usual, que costumava ser de 30 dias. O estudante importou, por exemplo, uma antena para internet sem fio há mais de 80 dias e ainda não recebeu o produto. ‘A Maré Vermelha se transformou em uma grande barreira de contenção das importações’, disse.” <strong>(Raquel Landim, <em>Estadão</em>, 30/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Que tal o dólar a R$ 3,50?”</strong></p>
<p>“Não há números exatos, mas lojistas brasileiros não têm dúvidas: estão perdendo vendas para o comércio de Miami e Nova York. Os sinais são evidentes e o primeiro deles é a atual dedicação do governo americano em facilitar a concessão de vistos para brasileiros. O outro está nas contas externas brasileiras. No primeiro trimestre deste ano, gastamos US$ 5,4 bilhões lá fora, um salto de 13% sobre o mesmo período de 2011. É verdade que o volume de gastos vem diminuindo na comparação mensal: US$ 2 bilhões em janeiro, ante US$ 1,6 bilhão em março. Isso coincide com a alta do dólar, de modo que essa pode ser uma explicação. Mas quanto precisa subir o dólar para eliminar a vantagem de comprar lá fora?</p>
<p>“Fiz algumas comparações com preços de roupas, calçados e aparelhos eletrônicos. Em todos os casos, o dólar precisaria ir muito além. Por exemplo: encontrei um modelo de tênis muito conhecido no mundo, para praticar tênis, fabricado no Vietnã, sendo oferecido no Brasil por R$ 299, na promoção. Curiosamente, o modelo também está em promoção nos Estados Unidos, onde sai por US$ 85 &#8211; ou R$ 161, com o dólar já a R$ 1,90. Ainda assim, a metade do preço brasileiro.</p>
<p>“Para que o preço local se equilibrasse com o americano, seria necessário um dólar a R$ 3,50. Ora, nem os mais entusiastas defensores da desvalorização do real acreditam que seja razoável chegar a essa cotação. O dólar chegou a esse nível, perto dos R$ 4, no período pós-Real, apenas numa ocasião: em setembro de 2002, véspera da primeira vitória eleitoral de Lula, quando se imaginava que ele fosse desmontar a política econômica de FHC, pilar da estabilidade. Naquele momento, as exportações brasileiras estavam na casa dos US$ 60 bilhões/ano e as reservas internacionais nem chegavam a US$ 20 bilhões.</p>
<p>“Hoje, com a estabilidade macroeconômica completando 18 anos, as exportações passam dos US$ 250 bilhões e as reservas, dos US$ 350 bilhões. Ou seja, no preço brasileiro local tem muito mais do que um real valorizado &#8211; tem todo o custo Brasil.” <strong>(Carlos Alberto Sardenberg, <em>Estadão</em>, 30/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Macunaíma é mau conselheiro”</strong></p>
<p>“Em artigo recente, fiz críticas à hiperatividade obtusa que vem caracterizando a política comercial brasileira. Além de mencionar que existem sólidos argumentos econômicos que desaconselham a adoção de medidas tais como o aumento discricionário do IPI e do PIS/Cofins e novos subsídios às exportações, enfatizei o conflito entre tais medidas e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) que regem &#8211; ou deveriam reger &#8211; o comércio mundial. A melhor resposta de que foram capazes os contumazes defensores do protecionismo e da política econômica baseada na criação de dificuldades, seguida de distribuição de facilidades, foi, pasmem, a de que a OMC não deve ser levada a sério. (&#8230;)</p>
<p>“No passado, muitos chegaram a justificar a violação da legalidade constitucional com base em argumentos de necessidade política. Na área econômica, há registro de interferência política na geração de informações econômicas que desagradavam ao governo. Será ingênua a ideia de que Constituição, metodologias do IBGE e compromissos com instituições multilaterais devam ser levados a sério? Talvez não seja excesso de otimismo julgar que o Brasil aprendeu nas últimas décadas que as ‘flexibilidades’ do passado, além de censuráveis, acabaram custando caro. Mas mesmo os adeptos da Realpolitik em versão tropical &#8211; à Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário Andrade &#8211; deveriam levar em conta argumentos que vão além da maximização de benefícios no curto prazo. E chegar à conclusão de que, apesar das tentações, vale a pena levar a OMC a sério. (&#8230;)</p>
<p>“É irônico que o Brasil que anseia por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU seja o mesmo que queima seu filme em Genebra. Nunca é demais lembrar que disciplinas comerciais multilaterais críveis são de especial interesse das economias de menor porte, como a brasileira, em oposição aos grandes protagonistas. Regras e políticas decentes interessam mais aos pequenos do que aos grandes.” <strong>(Marcelo de Paiva Abreu, economista, <em>Estadão</em>, 30/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>O governo continua loteado do mesmo jeito. E entra mais um ministro sem agenda e sem idéias</strong></p>
<p><strong>* Primeiro é preciso cuidar do partido, diz Brizola Neto, novo ministro do Trabalho</strong></p>
<p>“Cuidar do partido, não do Ministério, foi o primeiro objetivo anunciado pelo novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, logo depois de confirmada sua escolha pela presidente Dilma Rousseff. ‘O fundamental é a unidade do partido e acabar com qualquer tipo de insatisfação’, disse o pedetista que acabara de ser chamado para um posto no primeiro escalão do governo. ‘Não teremos grandes dificuldades para seguir o projeto de unidade do partido’, assegurou. Projeto de governo, se existe algum, deve ser menos importante &#8211; tão irrelevante, de fato, quanto qualquer projeto ou plano de trabalho para o cargo.</p>
<p>“Um dia depois, em seu primeiro discurso numa festa de Primeiro de Maio, o novo integrante da equipe federal confirmou, para quem ainda tivesse alguma dúvida, a pobreza de suas ideias e propostas para a ação ministerial. Mas seu evidente despreparo combina perfeitamente com o critério adotado para o preenchimento de vagas no primeiro nível da administração.</p>
<p>“A presidente Dilma Rousseff pode ter desagradado a uma parte do PDT, mas foi fiel ao padrão de loteamento do governo. Manteve o Ministério do Trabalho sob a chefia do partido, reservando-se apenas a prerrogativa de escolher um nome. Respeitou também o ritual de dar satisfação ao comando partidário. Antes de tornar pública a nomeação de Brizola Neto, conversou em seu gabinete com o presidente do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi. Defenestrado quando sua posição se tornou insustentável pelo acúmulo de denúncias, ele só deixou o governo depois de muito esperneio. Mas a presidente, apesar disso, julgou adequado prestar-lhe contas de sua escolha, como se a sua condição de líder pedetista o qualificasse para essa deferência, ou, mais que isso, para sancionar uma decisão presidencial. Assim, a presidente Dilma Rousseff mantém incólume o sistema de loteamento da administração federal entre os partidos da base governista.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 3/5/2012.)</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Incompetência, irregularidades</strong></p>
<p><strong>* Brasileiros ficaram 18 horas e 42 minutos sem luz em 2011</strong></p>
<p>“O brasileiro ficou no ano passado, em média, 18 horas e 42 minutos sem luz, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A marca é a segunda pior desde 2000 e superou a registrada em 2010, quando o país esteve no escuro por 18 horas e 38 minutos, em média. As 18 horas e 42 minutos estão acima do limite estabelecido pela Aneel para o DEC, índice que mede a duração das interrupções no fornecimento de energia no país. A meta para 2011 era de 16 horas e 22 minutos. Foi o terceiro ano seguido que a meta proposta pela agência foi descumprida.</p>
<p>“A Aneel determina todos os anos às distribuidoras de energia metas de DEC (duração) e de FEC, que mede a frequência com que os apagões acontecem. Ao longo de 2011, o Brasil teve, em média, 11,16 quedas de energia. O número ficou abaixo do limite de FEC exigido para aquele ano: 13,61.” <strong>(Fábio Amato, G1, 30/4/2012.)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>* Dinheiro do BNDES não salva do naufrágio o estaleiro que criou o João Cândido</strong></p>
<p>“O estaleiro Atlântico Sul, jóia da coroa do programa de revitalização do setor naval, fechou o ano com um prejuízo de R$ 1,5 bilhão, um perdão do velho e bom BNDES e um espeto no Banco do Brasil. Seu petroleiro João Cândido foi ao mar, mas não navega, já a Samsung, sócio que entrou com a tecnologia, foi-se embora. Assim como ocorreu no governo JK e na ditadura, o programa naval está num mar cheio de icebergs. O capitão Edward Smith, comandante do barco que naufragou há cem anos, tinha uma barba parecida com a do doutor Luciano Coutinho. Afundou com o barco. Teria feito melhor se, ao saber dos riscos, tivesse se preparado para uma emergência.” <strong>(Elio Gaspari, O Globo e Folha de S. Paulo, 29/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Delúbio Soares e o golpe das lousas digitais</strong></p>
<p>“Com vocês, Delúbio Soares 2.0. A Polícia Federal achou-o no restaurante 14 Bis, no Rio, discutindo o fornecimento de lousas digitais para escolas públicas capixabas e goianas. Segundo o empresário interessado, o companheiro disse-lhe que ‘um pedido do meu deputado é praticamente uma ordem’. Referia-se ao deputado estadual Misael Oliveira (PDT-GO).</p>
<p>“Desde que o homo sapiens grafitou a caverna de Altamira, há 15 mil anos, repete-se o costume de usar uma pedra (giz) para desenhar ou, mais tarde, escrever, numa superfície rígida. Desde o século XI isso é feito em escolas. Os quadros-negros custam pouco, não enguiçam, não consomem energia, nem precisam de manutenção.</p>
<p>“As lousas digitais, cinematográficas, interativas e coloridas, tornaram-se parte de uma praga estimulada por fornecedores de equipamentos eletrônicos para a rede pública de ensino. Cada uma custa pelo menos o salário-base de um professor (R$ 1.451). Um dos municípios que contrataram lousas da empresa que tratou com Delúbio foi o de Presidente Kennedy (ES). Gastou R$ 2,7 milhões em três escolas, e o endereço da fornecedora era um terreno baldio. O prefeito e seis secretários, inclusive a de Educação, foram presos.</p>
<p>“Com os royalties da Petrobras, Presidente Kennedy tem uma das maiores rendas per capita do Espírito Santo, e um dos piores índices de desenvolvimento humano. O pequeno município não está sozinho nessa febre. O MEC quer comprar 600 mil tablets para que professores preparem suas aulas (como, não diz). Isso e mais 10 mil lousas digitais.</p>
<p>“O governo de São Paulo estuda um investimento de R$ 5,5 bilhões para colocar lousas e tabuletas em todas as escolas públicas. Gustavo Ioschpe foi atrás da idéia e descobriu que a Secretaria de Educação não tinha um projeto pedagógico que amparasse a iniciativa. Toda a documentação disponível resumia-se a uma carta do presidente da Dell (fornecedor do equipamento), com um resumo de um estudo da Unesco. Pediu o texto, mas não o obteve.</p>
<p>“Lousas digitais, tabuletas e laptops são instrumentos do progresso quando fazem parte de uma ação integrada, na qual tudo começa pela capacitação do professor. Hoje, no Brasil, contam-se nos dedos as experiências bem-sucedidas na rede pública. Prevalecem desperdícios que poderiam ser evitados pela aplicação da Lei de Simonsen: ‘Pague-se a comissão, desde que o intermediário esqueça o assunto’. <strong>(Elio Gaspari, <em>O Globo</em> e <em>Folha de S. Paulo</em>, 29/5/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Alvo da CPI, a Delta Construções se agigantou no lulo-petismo e no PAC</strong></p>
<p><strong>* Lula fomentou a CPI, mas a bomba pode ir para o colo dos companheiros</strong></p>
<p>“Com a CPI do Cachoeira, o esquema do Dnit volta ao centro das atenções. E aí não vão mais adiantar faxinas cosméticas para acalmar as manchetes. Surfando nas fraudes do Dnit, a construtora Delta, flagrada em con luio com Cachoeira, tornou-se a campeã das obras do PAC — mesmo após o governo Dilma ser informado das irregularidades envolvendo a empreiteira. A bomba está no colo dos companheiros.</p>
<p>‘A CPI foi fomentada por Lula para explodir os oposicionistas Marconi Perillo, governador de Goiás, e Demóstenes Torres, o senador que prostituiu a ética. Eram os prepostos mais visíveis do bicheiro, até o pavio passar pelo governador petista do Distrito Federal e ir parar no seio do PAC, já botando a mãe no meio. Desta vez, o instituto do ‘eu não sabia’ pode não dar conta de esconder todos os rabos. Aí o jeito será tentar intimidar a imprensa. Ouçam o guardião Fernando Collor de Mello: ‘Não é admissível, num país de livre acesso às informações e num governo que se preza pela transparência pública, aceitar que alguns confrades, sob o argumento muitas vezes falacioso do sigilo da fonte, se utilizem de informantes com os mais rasteiros métodos, visando ao furo de reportagem, mas, sobretudo, propiciar a obtenção de lucros, lucros e mais lucros a si próprios, aos veículos que lhes dão guarida e aos respectivos chefes que os alugam.’</p>
<p>“Explicação aos rabiscadores que não entenderam a mensagem: se alguém encontrar na CPI um cheque como aquele do fantasma do PC que pagou o Fiat Elba de Collor, não mostre a ninguém. Não se meta em negócios privados.” <strong>(Guilherme Fiúza, <em>O Globo</em>, 28/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Em oito anos de lulo-petismo, a Delta multiplicou por dez o seu patrimônio</strong></p>
<p>“Alvo da CPI do Cachoeira, a Delta Construções teve uma ascensão meteórica ao grupo de elite das empreiteiras do país. Até 2004, a empresa nem aparecia entre as dez maiores construtoras no ranking da engenharia brasileira. No ano seguinte, subiu nove posições, alcançando a marca de 6+ maior faturamento do setor no país, posição que mantém até hoje.</p>
<p>“À frente da Delta estão somente os gigantes da construção: Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS. Mas, quando o ranking é a soma de recursos recebidos do governo federal nos últimos anos, a situação se inverte. A Delta é, desde 2006, a campeã em pagamentos do governo. Em 2011, ela teve liberados pelo governo federal R$ 862 milhões, o que representou mais que o dobro do recebido pela segunda maior contratada, a Andrade Gutierrez, com R$ 393 milhões.</p>
<p>“Segundo o ranking mais importante da engenharia brasileira, publicado anualmente pela revista <em>O Empreiteiro</em>, a Delta multiplicou por dez o seu patrimônio nos últimos oito anos — de R$ 113 milhões em 2003 para R$ 1,1 bilhão em 2011. O crescimento da empreiteira está ancorado em sua relação com a esfera governamental. Segundo o ranking, 99% do faturamento da construtora em 2011 foram provenientes de contratos públicos. A Delta é acusada pela Polícia Federal de operar um esquema de financiamento de campanhas eleitorais, juntamente com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, e de oferecer dinheiro a parlamentares em troca de favores.” <strong>(Silvia Amorim, <em>O Globo</em>, 29/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Delta já recebeu R$ 3 bilhões de recursos do PAC</strong></p>
<p>“A Delta Construções é a empreiteira que mais recebeu recursos do Orçamento federal para executar projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  De 2007, ano de criação do programa, até agora, foram perto de R$ 3 bilhões, segundo levantamento da organização não-governamental Contas Abertas. A Queiroz Galvão, que fica em segundo lugar, recebeu R$ 1,7 bilhão no período. Os dados não levam em conta os serviços que a Delta prestou a empresas estatais, como a Petrobrás. Nesse universo mais amplo, a empreiteira já embolsou R$ 4,130 bilhões, segundo informou o governo à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. ‘A Delta é pentacampeã do PAC’, disse o coordenador do Contas Abertas, Gil Castelo Branco.</p>
<p>“A empresa só não foi a líder de recebimentos de recursos orçamentários do PAC em 2008, quando foi superada pela Queiroz Galvão. De 2009 para cá, a Delta só recebe menos dinheiro do PAC do que a Caixa Econômica Federal, responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida.  (…)</p>
<p>No sábado (<em>29/4</em>), o <em>Estado</em> divulgou que, mesmo flagrada em uma série de irregularidades pela Controladoria-Geral da União (CGU), a Delta deverá seguir prestando serviços para o governo federal. A empresa é alvo de um processo administrativo no qual pode ser declarada inidônea e ficar proibida de firmar novos contratos com o governo. Entretanto, os que estão em andamento poderão ser mantidos. Desde o início do escândalo do caso Cachoeira, a Delta anunciou sua saída de duas obras no Rio: o Maracanã e a Transcarioca. Mas nada ocorreu em relação a obras federais. A empresa divulgou comunicado afirmando que ‘continuará a cumprir os contratos, obrigações e compromissos assumidos com fornecedores e clientes, com a habitual regularidade’.” <strong>(Lu Aiko Otta, <em>Estadão</em>, 30/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Clima: a presidente fora do tom</strong></p>
<p><strong>* Não há lugar para infelizes declarações da presidente sobre energia</strong></p>
<p>Talvez um assessor devesse levar à Presidência da República o relatório divulgado há poucos dias pelo Conselho Global de Energia Eólica sobre o ano de 2011 (http://www.gwec.net/index.php?id=190), que mostra um extraordinário crescimento do potencial instalado nessa modalidade de energia no ano passado: 40,5 mil MW. Só em 2011 essa oferta de energia cresceu 6% e, acumulada, 20%. Embora não esteja ainda entre os dez maiores geradores (China, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Índia são os primeiros), o Brasil começa a figurar com destaque no relatório e pode ter ‘um futuro brilhante’ na área.</p>
<p>“O comentário inicial é motivado pelas observações da presidente, que numa discussão sobre clima, ao ironizar críticas a hidrelétricas em construção ou planejadas para a Amazônia, disse que ‘não há espaço para fantasia (&#8230;). Eu não posso falar: olha, é possível só com energia eólica iluminar o planeta’. Também disse que ‘não é possível estocar vento’ e enfatizou limitações à energia solar. O relatório pode servir ainda para o ministro de Minas e Energia, que considerou ‘demoníacas’ restrições a mega-hidrelétricas amazônicas.</p>
<p>“Na verdade, as críticas ao governo federal podem centrar-se em sua recusa a discutir a matriz energética e examinar diagnósticos como o da Unicamp &#8211; mais de uma vez citado neste espaço -, que afirma ter o Brasil a possibilidade de reduzir em 30% seu consumo de energia com conservação e eficiência, mais 10% com redução nas perdas nas linhas de transmissão e ganhar outros 10% com repotenciação de geradores antigos. Além disso, nestes tempos de escassez mundial de recursos e dramas climáticos, o País poderia ter matriz energética ‘limpa’ e renovável, com as energias eólica, solar, de biomassas, geotérmica e de marés, ao lado da energia hidrelétrica &#8211; sem precisar recorrer às termoelétricas, poluidoras e caras, como faz atualmente. (&#8230;)</p>
<p>“Estamos chegando à Rio+20, em que um dos focos estará na disponibilidade de recursos naturais e na possibilidade de incluir, na contabilidade de cada país, o valor de seus serviços &#8211; a nova contabilidade da ‘economia verde’. Como país anfitrião, o Brasil tem o dever de assumir a vanguarda &#8211; até porque os novos caminhos só o favorecem, em qualquer contexto. Não há lugar para declarações infelizes como algumas no governo federal.” <strong>(Washington</strong> <strong>Novaes, <em>Estadão</em>, 27/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Diz-me com que andas</strong></p>
<p><strong>* “Lula e Collor têm objetivos comuns na CPI”</strong></p>
<p>“Adversários no passado, eles se aproximaram durante o governo Lula e, agora, a CPI do contraventor Carlos Cachoeira está unindo ainda mais os ex-presidentes Collor e Lula. Eles estiveram juntos e estão em linha direta, trocando impressões por telefone. Lula e Collor têm objetivos comuns na CPI e pretendem fazer um acerto de contas com setores sociais que hostilizaram seus governos.” <strong>(Ilimar Franco, <em>O Globo</em>, 27/4/2012.)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">          <strong>Cor de pele agora é questão institucional</strong></p>
<p>          A decisão do Supremo reconhecendo como constitucional a política de cotas raciais nas universidades não é, evidentemente, da responsabilidade do governo Dilma. Mas, como essa política foi uma bandeira do lulo-petismo, e como a maioria dos ministros do STF foi escolhida por Lula e Dilma, cabem aqui também as análises sobre essa opção desastratada.</p>
<p><strong>* STF tornou constitucional a discriminação racial no Brasil</strong></p>
<p>“A discriminação racial no Brasil é constitucional, segundo decidiram por unanimidade os ministros do Supremo Tribunal (STF), num julgamento sobre a adoção de cotas para negros e pardos nas universidades públicas. Com base numa notável mistura de argumentos verdadeiros e falsos, eles aprovaram a reserva de vagas para estudantes selecionados com base na cor da pele ou, mais precisamente, na cor ou origem étnica declarada pelo interessado. Mesmo enfeitada com rótulos politicamente corretos e apresentada como ‘correção de desigualdades sociais’, essa decisão é obviamente discriminatória e converte a raça em critério de ação governamental. Para os juízes, a desigualdade mais importante é a racial, não a econômica, embora eles mal distingam uma da outra.</p>
<p>“O ministro Cezar Peluso mencionou as diferenças de oportunidades oferecidas a diferentes grupos de estudantes. Com isso, chamou a atenção para um dos maiores obstáculos à concretização dos ideais de justiça. Todos os juízes, de alguma forma, tocaram nesse ponto ou dele se aproximaram. Estabeleceram, portanto, uma premissa relevante para o debate sobre a formação de uma sociedade justa e compatível com os valores da democracia liberal, mas perderam-se ao formular as conclusões.</p>
<p>“O ministro Joaquim Barbosa referiu-se à política de cotas como forma de combater ‘a discriminação de fato’, ‘absolutamente enraizada’, segundo ele, na sociedade. Mas como se manifesta a discriminação? Candidatos são reprovados no vestibular por causa da cor? E os barrados em etapas escolares anteriores? Também foram vítimas de racismo?</p>
<p>“A ministra Rosa Weber foi além. ‘A disparidade racial’, disse ela, ‘é flagrante na sociedade brasileira.’ ‘A pobreza tem cor no Brasil: negra, mestiça, amarela’, acrescentou. A intrigante referência à cor amarela poderia valer uma discussão, mas o ponto essencial é outro. Só essas cores identificam a pobreza no Brasil? Não há pobres de coloração diferente? Ou a ministra tem dificuldades com a correspondência de conjuntos ou ela considera desimportante a pobreza não-negra, não-mestiça e não-amarela.</p>
<p>“Mas seus problemas lógicos são mais amplos. Depois de estabelecer uma correspondência entre cor e pobreza, ela mesma desqualificou a diferença econômica como fator relevante. ‘Se os negros não chegam à universidade, por óbvio não compartilham com igualdade das mesmas chances dos brancos.’ E concluiu: ‘Não parece razoável reduzir a desigualdade social brasileira ao critério econômico’. A afirmação seria mais digna de consideração se fosse acompanhada de algum argumento. Mas não é. O fator não econômico e estritamente racial nunca foi esclarecido na exposição da ministra nem nos votos de seus colegas.</p>
<p>“Nenhum deles mostrou com suficiente clareza como se manifesta a discriminação no acesso à universidade ou, mais geralmente, no acesso à educação. O ministro Celso de Mello citou sua experiência numa escola pública americana sujeita à segregação. Lembrou também a separação racial nos ônibus escolares nos Estados Unidos. Seria um argumento esclarecedor se esse tipo de segregação &#8211; especificamente racial &#8211; fosse no Brasil tão normal e decisivo quanto o foi nos Estados Unidos.</p>
<p>“Talvez haja bons argumentos a favor da discriminação politicamente correta defendida pelos juízes do STF, mas nenhum desses foi apresentado. Brancos pobres também têm dificuldade de acesso à universidade, mas seu problema foi menosprezado.</p>
<p>“Se um negro ou pardo com nota insuficiente é considerado capaz de cursar com proveito uma escola superior, a mesma hipótese deveria valer para qualquer outro estudante. Mas não vale. Talvez esse branco pobre também deva pagar pelos ‘danos pretéritos perpetrados por nossos antepassados’. Justíssimo?</p>
<p>“Como suas excelências poderão ser envolvidas em outras questões de política educacional, talvez devam dar uma espiada nos censos. Os funis mais importantes e socialmente mais danosos não estão na universidade, mas nos níveis fundamental e médio. Países emergentes bem-sucedidos na redução de desigualdades deram atenção prioritária a esse problema. O resto é demagogia.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 28/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Estudante branco e pobre é condenado”</strong></p>
<p>“É simbólica a reação de grupos indígenas ao veredicto. Se fica fácil chegar ao status de ‘estudante universitário’, sem considerar, no devido peso, o mérito escolar, é compreensível que etnias e ‘raças’ queiram também um passaporte especial para embarcar nesta viagem rumo a uma suposta vida de sucesso profissional, independentemente de aptidões pessoais. Vende-se um sonho, como se não existisse a seleção do mercado de trabalho.</p>
<p>“O STF discorda que, ao se importar um modelo racialista de uma sociedade constituída sobre ‘ raças’, a americana, o Brasil, construído na miscigenação — não entender como ausência de racismo —, estará se inoculando vírus de tensões inexistentes na história nacional. Que tenha razão o Supremo. Torçamos.</p>
<p>“É da ideologia do ‘politicamente correto’ que decisões ‘políticas’ resolvem intrincados problemas. As cotas derivam desta fonte. Bem intencionada, a proposta pressupõe que o passe livre para a entrada no ensino superior operará milagres, sem considerar o mérito acadêmico. Engano. A cor da pele não pode substituir o conhecimento.</p>
<p>“Oportuno comentário o da pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) Eunice Durham: ‘Você está tentando consertar a goteira do telhado, quando a casa está toda ruim. Em vez de reparar erros do passado, você dá cotas, que não reparam’. É certo. Apenas mascaram, de forma discriminatória, a baixa qualidade do ensino.</p>
<p>“Mesmo nos Estados Unidos, onde as cotas se destacaram nas ações afirmativas, elas, por decisão da Suprema Corte tiveram sua ponderação reduzida nos programas de admissão de estudantes universitários.</p>
<p>“Criticar cotas raciais não deve ser interpretado como desconhecimento da realidade social e educacional do país, em que a grande massa de pessoas de baixa renda, de qualquer cor, continua a ter acesso apenas ao ensino público, quase sempre de nível deplorável.</p>
<p>“Com as cotas, uma parcela dos jovens de baixa renda foi premiada, ganhou a sorte grande. O que fazer com o branco pobre? Este deve torcer para que as promessas oficiais de melhoria do ensino sejam cumpridas. Pelo ritmo de avanço dos programas de aprimoramento da escola pública, pelo menos parte de uma geração da ‘raça branca’ de brasileiros de baixa renda foi condenada a não ascender ao ensino superior.</p>
<p>“Aprovadas as cotas raciais, o problema da qualidade do ensino básico continua. E o branco pobre precisa se conscientizar da necessidade de ter melhor qualificação. A cor da pele agora é uma questão institucional no Brasil. É preciso conviver com ela e evitar as piores consequências.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 28/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* STF entra para a história como a corte que advogou pelo Estado Racial no país</strong></p>
<p>“Um índio, com seu imenso cocar de penas brancas, pretas e encimado por um penacho azul, vestindo uma camisa do Clube de Regatas Vasco da Gama, com a cruz de malta no peito, surgiu no meio do plenário do Supremo Tribunal Federal gritando que queria cotas para índios, mestiços, ciganos, caboclos e brancos pobres, e foi retirado à força por um segurança ‘mulato’, de hoje em diante legalmente definido como negro. Não foi preciso muito tempo para sentirmos os efeitos da decisão dos juízes do STF na tarde do dia 26 de abril em julgamento histórico no qual se proclamou a constitucionalidade do sistema de cotas raciais no Brasil.</p>
<p>“Nunca havia assistido a um julgamento na nossa Corte Suprema e fui com a intenção de ver, ao vivo, o processo e as formas ritualizadas de decidir sobre uma questão de princípio como esta que seria discutida. O que vi e ouvi foi um desfilar de argumentos a favor da ‘raça’.</p>
<p>“O ministro relator, Ricardo Lewandowski, leu o seu voto, que durou mais de uma hora, para afirmar peremptoriamente a preponderância da ‘raça’ nas leis como forma de extirpar o racismo. Depois de desfiar muitos nomes, de Aristóteles, passando por John Rawls, ao sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, afirmou que o critério etnicorracial era perfeitamente constitucional. O ministro do STF elencou argumentos que se repetem como mantra nos movimentos sociais. O relator confessou até que tinha estado na Índia, o primeiro país a implantar cotas para a proteção dos intocáveis, que já duram mais de quarenta anos. Ricardo Lewandowski é professor titular da USP e ficou impressionado com o sistema indiano. Só não contou ao público que nesses quarenta anos não cessaram os conflitos étnicos, que, ao contrário, foram exacerbados. Não disse também que lá as cotas acabaram sendo inseridas na Constituição e parece não ter lido muito sobre este processo naquele país.</p>
<p>“O ministro relator não foi além de uma visita à Índia e não viu mais do que a superfície da questão e em nome do princípio de realidade, a tal igualdade material por ele acionada, jogou no lixo a realidade dos princípios. Em seu voto, nem de longe mencionou o ponto crucial levantado por muitos contra esta política e que foi expresso pelos juízes da Suprema Corte dos EUA em várias ocasiões, a começar em 1978. Legislar em nome da ‘raça’ e colocá-la na letra da lei com a finalidade de extirpar o racismo tem o efeito de eternizar a separação entre os cidadãos, afirmaram os juízes da Suprema Corte americana. No entendimento do ministro relator, a Suprema Corte americana considerou legal e constitucional a utilização do critério etnicorracial para alocar estudantes nas universidades. Finalmente, ao declarar seu voto lançou a pérola que ficará para a história como a sentença que nos levou a instituir um estado racializado: ‘&#8230;Os programas de ação afirmativa tomam como ponto de partida a consciência de raça existente nas sociedades com o escopo final de eliminá-la. Em outras palavras, a finalidade última desses programas é colocar um fim àquilo que foi seu termo inicial, ou seja, o sentimento subjetivo de pertencer a determinada raça ou de sofrer discriminação por integrá-la.’ O relator considerou constitucional inclusive o tribunal racial, aquele que escandalizou o Brasil ao afirmar que gêmeos univitelinos eram de cores ou ‘raças’ distintas.</p>
<p>“Todos os ministros da nossa Corte maior seguiram o voto do relator.</p>
<p>“A separação legal dos cidadãos é um caminho sem volta. O sentimento de pertença a uma ‘raça’ &#8211; que aliás é frágil ou nulo no Brasil &#8211; se infiltra de tal maneira na vida social que passa a ser uma nova aspiração, como se viu na cena inaugural do índio de cocar exigindo cotas para outras minorias. Separar por força de lei é uma guinada fortíssima na nossa história e não me digam que não havia vozes discordantes com argumentos importantes, que nem sequer foram considerados, por serem de antemão definidos como hipócritas, reacionários, racistas e produzidos por ‘marginais’.</p>
<p>“A decisão do STF no julgamento do dia 26 de abril de 2012 fará esta Corte entrar para a história como aquela que advogou pelo Estado Racial no país. Votando pela constitucionalidade do critério étnico-racial para a distribuição de direitos, os ministros inscreveram o nosso país no rol dos que separam legalmente os cidadãos em ‘raças’ distintas rasgando a Constituição brasileira e a Carta da ONU. Esta onda era esperada e se estenderá por longos anos. O primeiro país, fora da África, a criticar oficialmente o apartheid da África do Sul em histórico pronunciamento do presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950 acaba de se tornar um Estado de leis raciais.” <strong>(Yvonne Maggie, antropóloga, <em>O Globo</em>, 1º/5/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Introduzir a variável raça como critério de política pública não é praticar o anti-racismo. Ao contrário, é legitimar um critério racial</strong></p>
<p>“Como economista e ex-presidente do BNDES, não resisto a uma comparação que me ajuda a raciocinar sobre o problema. Trata-se do requisito imposto pelo BNDES a todas as empresas que financia. Elas têm que comprar pelo menos 65% de seus insumos de fabricantes nacionais. Lembro-me que, quando fui presidente da instituição, quis acabar com essa cota discriminatória &#8211; e o mundo quase desabou sobre minha cabeça! Queria acabar com as cotas do BNDES não porque as achasse inconstitucionais, mas porque as achava inapropriadas. Com a roupagem elegante de promoverem a indústria nacional, o que fazem é garantir a permanência de monopólios e ineficiências na provisão de insumos industriais, aumentando o chamado custo Brasil. Economistas são capazes de desenhar mecanismos alternativos para ajudar temporariamente indústrias nascentes a ganharem escala e produtividade, sem a necessidade de cotas discriminatórias.</p>
<p>“Assim também raciocino no caso das cotas da UnB. Reconheço os efeitos da desigualdade sobre a capacidade de entrada do negros na universidade. Admito que, se conseguissem entrar, muitos poderiam, ao longo dos quatro, cinco anos de estudos superiores, superarem as diferenças iniciais e se tornarem profissionais altamente produtivos. O ponto, entretanto, é que as cotas não identificam adequadamente aqueles que precisam de um ‘empurrãozinho’ inicial, dado o ponto de partida ruim de que foram vítimas, para chegarem com sucesso à reta final. Melhor do que as cotas seria um sistema &#8211; à semelhança daquele adotado pela Universidade de Campinas desde 2005 &#8211; de dar um bônus na nota dos exames de admissão para os que se apresentam ao vestibular com deficiências educacionais, que herdaram por sua condição social desprivilegiada.</p>
<p>“As cotas para negros não são, assim, o melhor meio de minorar a desigualdade educacional. Independentemente da cor, as pessoas têm diferentes oportunidades educacionais que não são resolvidas pelas cotas. No entanto, poderia argumentar-se que, além da desigualdade educacional, negros sofrem discriminação, e isso coloca empecilhos adicionais a seu desenvolvimento pessoal e educacional. Mas essa discriminação é racismo. E racismo é uma prática que constitui crime inafiançável e imprescritível em nossa Constituição, sujeita à pena de reclusão. Racismo se combate com o anti-racismo. Introduzir a variável raça como critério de política pública não é praticar o anti-racismo. Ao contrário, é legitimar um critério racial que não corresponde à nossa ambição como sociedade de assegurar os direitos civis para todos. <strong>(Edmar L. Bacha, economista, <em>O Globo</em>, 3/5/2012.)</strong></p>
<blockquote><p><em>4 de maio de 2012</em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><span style="color: #333333;"><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></span></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 36 – Notícias de 13 a 19/1. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 37 – Notícias de 20/1 a 26/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-38/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 38 – Notícias de 27/1 a 2/2. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-39/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 39 – Notícias de 3 a 9/2. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-40/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 40 – Notícias de 10 a 23/2.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-41/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 41 – Notícias de 24/2 a 1º/3.</span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><em><span style="color: #333333;">Volume 42 – Notícias de 2 a 8/3. </span></em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 43 – Notícias de 9 a 15/3. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-44/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 44 – Notícias de 16 a 22/3.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-45/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 45 – Notícias de 23 a 29/3.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-46/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 46 – Notícias de 30/3 a 5/4. </span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-47/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 47 – Noticias de 6 a 12/4. </span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-48/"><em><strong><span style="color: #333333;">Volume 48 – Notícias de 13 a 19/4. </span></strong></em></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-49/">Volume 49 &#8211; Notícias de 20 a 26/4.</a></em></p></blockquote>
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		<title>Sá &amp; Guarabyra: garimpo no interior</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/sa-guarabyra-garimpo-no-interior/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 18:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>

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		<description><![CDATA[Milton Nascimento, carioca criado entre as montanhas e os sons de Minas Gerais, soube sintetizar muito bem, com o parceiro Fernando Brant, o cansaço que dão os modismos culturais criados no eixo Rio de Janeiro – São Paulo e impostos ao resto do País: “O Brasil não é só litoral, é muito mais, é muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Milton Nascimento, carioca criado entre as montanhas e os sons de Minas Gerais, soube sintetizar muito bem, com o parceiro Fernando Brant, o cansaço que dão os modismos culturais criados no eixo Rio de Janeiro – São Paulo e impostos ao resto do País: “O Brasil não é só litoral, é muito mais, é muito mais que qualquer zona sul (&#8230;) Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil, não vai fazer deste lugar um bom país” (“Notícias do Brasil”, de 1981).<span id="more-6935"></span></p>
<p>Milton, figura maior no universo da música popular feita aqui, sempre soube disso. Como ele, um punhado de outros artistas, embora menos bem-sucedidos comercialmente, há muitos anos procura extrair do Interior os riquíssimos elementos para os quais a indústria cultural dos grandes centros dá as costas. Um dos casos mais interessantes desses compositores-garimpeiros da cultura do interior brasileiro – embora nem sempre a notícia saia nos jornais ou na televisão – é, sem dúvida, o de Luís Carlos Sá e Gutemberg Guarabyra.</p>
<p>Os dois primeiros LPs da carreira do carioca Sá e do baiano (do sertão) Guarabyra, que então formavam um trio com o carioca Zé Rodrix, gravados em 1972 e 1973, não abriam mão dos elementos urbanos, das guitarras elétricas, do rock, de temas como os bailinhos e os programas dos adolescentes criados na cidade grande. Mas misturavam com isso pitadas fortes da cultura do interior e falavam do cheiro do pó da estrada, os bichos que cantam alto na noite, as romarias, o mato do jardim, o brilho das pedras, o fascínio dos rios. Foram os primeiros dentro da música “universitária” – garante Luís Carlos Sá – a usar a viola caipira, ao lado da guitarra e dos órgãos elétricos, a procurar arranjos instrumentais e vocais que evocassem a música feita no Interior.</p>
<p>Naqueles dois primeiros LPs – <em>Passado, Presente, Futuro</em>, de 1972, e <em>Terra</em>, de 1973 – eles fizeram baladas, baiões, rumbas, congas, xotes, valsas e rocks, o que não impediu que sua música ficasse sendo conhecida pelo rótulo de rock mural. Nunca engoliram muito esse rótulo – Sá diz que preferia o termo caipira progressivo, mais vasto e abrangente do que o rock rural. Mas fizeram algum sucesso e influenciaram, naquele começo dos anos 70, muitos outros grupos e compositores (entre estes, Sá cita os Secos &amp; Molhados da primeira fase, ainda com Ney Matogrosso, e mais os Almôndegas, de onde saíram Kleiton e Kleidir; o próprio Renato Teixeira, talvez o mais bem-acabado exemplo de caipira progressivo, ainda não havia, naquela época, definido inteiramente o seu estilo, o que só aconteceria no seu LP de 1978, <em>Romaria</em>).</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzsá.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-6938" title="zzsá" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzsá-300x300.png" alt="" width="300" height="300" /></a>Desfeito o trio Sá, Rodrix e Guarabyra, com a saída de Rodrix, os outros dois prosseguiram no seu trabalho de mesclar o caipira com o urbano. Gravaram dois LPs pela Continental (<em>Nunca</em>, de 1974, e <em>Cadernos de Viagem</em>, de 1975), bons LPs, mas que nunca chegaram a vender muito bem. Tanto que estes dois discos, mais os dois iniciais do trio, não são mais produzidos pelas gravadoras e raramente tocam no rádio – embora, curiosamente, sejam disputados, nas lojas especializadas em discos usados de São Paulo, a preços que chegam a três vezes o valor de um LP novo.</p>
<p>Com o LP de 1978, <em>Pirão de peixe com pimenta</em>, conseguiram pelo menos um sucesso nacional, o maravilhoso xote “Sobradinho”, sobre as cinco cidades do Norte do sertão baiano inundadas pela formação do lago de Sobradinho. Mas só voltariam a gravar – ao contrário da grande maioria dos outros artistas, que faz um disco a cada ano – em 1980, com o LP <em>Quatro</em>.</p>
<p>O quinto LP de Sá e Guarabyra (e sétimo, contando com os dois do trio Sá, Rodrix e Guarabyra), lançado há algumas semanas pela RCA, é exatamente uma retrospectiva destes dez anos de carreira. Chama-se <em>10 Anos Juntos</em> e foi gravado ao vivo durante as cinco apresentações da dupla no final de outubro do ano passado (1982) em São Paulo. Muito sintomaticamente, o show que resultou no LP não foi apresentado no Tuca, no Pixinguinha ou em qualquer outro dos teatros dos bairros nobres de São Paulo, mas no Paulo Eiró, teatro simples, da Prefeitura, em um trecho barulhento de Santo Amaro (“O Brasil é muito mais do que qualquer zona sul&#8230;”). Diante de uma casa lotada, com a platéia ocupando todos os espaços, inclusive dos corredores, Sá e Guarabyra contaram histórias de suas vidas e carreiras e apresentaram músicas de antes e depois de 1972, ano em que começaram a trabalhar juntos.</p>
<p>Das várias composições que apresentaram, escolheram 11 para compor o LP – o qual, fazem questão de dizer no encarte, não tem adicionais de estúdio e reproduz fielmente o que foi apresentado no espetáculo. (O ouvinte não perde nada com isso: a qualidade de som é muito boa). Para a legião relativamente pequena, mas muito fiel, dos admiradores da dupla, é um disco imprescindível – mesmo porque nada garante que daqui a uns dois anos ele ainda possa ser encontrado em qualquer loja. Para quem não conhece bem o seu trabalho, é uma experiência no mínimo agradável.</p>
<p>As vozes são gostosas, afinadas, corretas, simpáticas; as interpretações são sensíveis, às vezes comoventes (Luís Carlos Sá consegue a proeza de regravar uma música que ficou muito conhecida na voz de Milton Nascimento e fazer-nos até esquecer da versão do grande cantor, na faixa “Caçador de mim”, de Sá e Sérgio Magrão). Os arranjos são simples, nada grandiosos ou grandiloqüentes, e muito bem cuidados; o acompanhamento, do conjunto Ponte Aérea, que há cinco anos toca com a dupla e até já gravou um LP solo, é muito bom (nada mais que guitarras, baixo, teclados e bateria, com o acréscimo de violas e violões tocados por Sá e Guarabyra).</p>
<p>E as canções são, todas, no mínimo gostosas, agradáveis (até mesmo as mais fracas, como “Dança o atrevido”, bela melodia para uma letra muito pobre), às vezes inteligentes e sensíveis (como “Vem queimando a nave louca” e “Sete Marias”), às vezes brilhantes (como “O Pó da Estrada”, “Dona”, do último festival da Globo, e “Sobradinho”). Uma bela lição de simplicidade, coerência e competência. E mais uma bela prova de que o Brasil – felizmente – é muito mais do que qualquer zona sul.</p>
<blockquote><p><em>Este texto foi publicado na revista </em>Ato<em>, na edição de março/abril de 1983.</em></p></blockquote>
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		<title>Más notícias do país de Dilma (49)</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-49/</link>
		<comments>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-49/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 02:39:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://50anosdetextos.com.br/?p=6904</guid>
		<description><![CDATA[A pior notícia da semana, dos últimos tempos, não tem a ver diretamente com a incompetência do governo Dilma Rousseff, dos governos petistas. Mas é uma notícia tão ruim que é impossível não falar dela. É absolutamente trágico que o STF tenha, e por unanimidade, aprovado a política de cotas raciais na universidade – introduzida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pior notícia da semana, dos últimos tempos, não tem a ver diretamente com a incompetência do governo Dilma Rousseff, dos governos petistas. Mas é uma notícia tão ruim que é impossível não falar dela.<span id="more-6904"></span></p>
<p>É absolutamente trágico que o STF tenha, e por unanimidade, aprovado a política de cotas raciais na universidade – introduzida com as bênçãos, a aprovação, a iniciativa do governo petista.</p>
<p>É absolutamente lamentável que a mais alta corte de Justiça do país, a corte da constitucionalidade, tenha rasgado a Constituição, tenha jogado na lata do lixo o artigo 5 da lei maior: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.</p>
<p>A decisão do STF torna as más notícias reproduzidas abaixo de menor importância.</p>
<p>Por dever de ofício, no entanto, aí vai a 49ª <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-48/">compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>. Foram publicadas entre os dias 20 e 26 de abril.</p>
<p align="center"><strong>As más notícias da Economia</strong></p>
<p><strong>* Nunca os brasileiros pagaram tanto imposto ao governo federal</strong></p>
<p>“A arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu R$ 82,367 bilhões em março. Pelo terceiro mês consecutivo, o resultado é recorde. Ele equivale a um crescimento real de 10,26% em relação ao mesmo período no ano passado. No acumulado do ano, o total das receitas chega a R$ 256,849 bilhões, o que também é recorde e representa uma alta de 7,32% sobre 2011.</p>
<p>“O setor financeiro foi um dos que mais contribuíram para o bom desempenho da arrecadação no primeiro trimestre de 2012. Segundo relatório divulgado pelo Fisco, essas instituições recolheram nada menos que R$ 35,725 bilhões em tributos, o que representa uma alta de 23,6% em relação ao ano passado. Esse valor inclui não apenas impostos e contribuições próprios do setor, mas também aqueles que os bancos são obrigados a recolher, como o Imposto de Renda (IR) na fonte.” <strong>(Martha Beck, <em>O Globo</em>, 25/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Juros só serão normais com reformas”</strong></p>
<p>Juros baixos não dependem apenas de boas intenções e do desejo de todos. (&#8230;) Para que o Brasil venha a assegurar, de fato, taxas de juros normais a médio e longo prazos a economia terá de ampliar significativamente sua capacidade de produção, o que só ocorrerá se o investimento vier a corresponder, por exemplo, a 25% do Produto Interno Bruto (PIB). E para ser viabilizado, o investimento depende de um esforço de poupança interna para o qual precisa de mudanças e reformas, em especial no setor público.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 20/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Grupo que recebeu mais de R$ 11 bilhões do BNDES emprega mais gente nos EUA que no Brasil</strong></p>
<p>“O grupo que é exemplo da política do BNDES de formar campeões nacionais mantém mais emprego nos Estados Unidos do que no Brasil e deu prejuízo em três dos últimos cinco anos. O presidente do JBS, Joesley Batista, explica que as vantagens da globalização de grupos nacionais vão do prestígio à abertura de mercado. A companhia já fechou quatro das cinco empresas que comprou na Argentina.(&#8230;)</p>
<p>O banco colocou uma montanha de recursos em frigoríficos. Fez isso de duas formas: emprestando dinheiro subsidiado, via BNDES, e virando sócio das empresas, por meio do BNDESPar. Desde 2005, o BNDESPar investiu quase R$ 12 bilhões em três frigoríficos — JBS, Marfrig e BRF — na compra de ativos, subscrição de ações e aquisição de debêntures. O JBS, escolhido para ser o campeão nacional, ficou com a maior parte, R$ 8,1 bi. Em empréstimos, a empresa recebeu mais R$ 2,5 bi. Os números mostram como o BNDES incentivou a compra de uns por outros e aumentou a concentração no setor.</p>
<p>“Em uma controversa operação, o dinheiro público foi usado para comprar 99,9% de debêntures lançadas pelo JBS para financiar a compra da Pilgrim’s Pride, nos Estados Unidos. A exigência feita pelo banco foi que a empresa abrisse capital no mercado americano. Veio a crise, e ela não cumpriu o prometido. O banco então converteu as debêntures em ações, e hoje é dono de 31% do JBS que, no ano passado, deu prejuízo exatamente pela compra da Pilgrim’s Pride. O Estado é o segundo maior sócio, depois da família Batista, que tem 44,6%. (&#8230;)</p>
<p>“O JBS tem um banco, o Original, que recebeu R$ 850 milhões do Fundo Garantidor de Crédito para absorver o Banco Matone. Coincidentemente, logo depois, o banco fez uma aposta pesada na queda da taxa de juros. Foi naquele primeiro corte, em agosto de 2011, que surpreendeu o mercado. Mas não o Banco Original. Ele ganhou muito dinheiro na queda das taxas e deu lucro de R$ 158 milhões no ano. A CVM investigou e não encontrou sinal de informação privilegiada. Joesley credita o acerto à capacidade de análise da equipe.” <strong>(Miriam Leitão, <em>O Globo</em>, 22/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Inadimplência dispara acima dos níveis da crise de 2009</strong></p>
<p>“Influenciada pelo boom do crédito em 2010 e pela desaceleração da atividade econômica no ano passado, a inadimplência entre os consumidores disparou e, em alguns casos, como no de automóveis, ultrapassa os níveis de 2009, quando a crise econômica afetou os mercados em todo o mundo.</p>
<p>“O desempenho ainda fraco da economia neste início de 2012 deve empurrar uma melhora dos índices de calote apenas para o segundo semestre, auxiliado pela redução da taxa básica de juros e dos spreads bancários (diferença entre a taxa de captação e a cobrada dos clientes). ‘A inadimplência ainda não chegou a seu ponto máximo, é um indicador defasado. E a economia teve um primeiro trimestre tímido, com expansão de, no máximo, 0,5%. O crescimento fraco deve prolongar um pouco mais a inadimplência, provavelmente até o segundo semestre’, diz Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio. <strong>(Lucianne Carneiro e Bruno Rosa, <em>O Globo</em>, 25/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* As contas externas vão piorar – e, em vez de fazer sua parte, o governo deve continuar esbravejando contra os países ricos</strong></p>
<p>“As contas externas vão piorar neste ano e o déficit em conta corrente aumentará de US$ 52,5 bilhões para US$ 68 bilhões, passando de 2,1% para 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central (BC). As novas projeções estão no relatório de março do setor externo, divulgado nesta terça-feira (<em>24/4</em>). Parece haver uma séria diferença de percepção entre o pessoal do BC e o do Ministério da Fazenda, quando se trata de balanço de pagamentos e, muito especialmente, das condições de competição comercial. No cenário divulgado pelo banco, a pior evolução será a do comércio de mercadorias. O superávit cairá 29,5%, de US$ 29,8 bilhões para US$ 21 bilhões. O buraco na conta de serviços e rendas aumentará 7,5%, com variação de US$ 6,4 bilhões. (&#8230;)</p>
<p>“O problema cambial, hoje muito menos grave do que há um ano, explica apenas parte das dificuldades comerciais. O pessoal do Ministério da Fazenda sabe disso, mas insiste em atribuir um peso decisivo a esse fator. Segundo a edição de março e abril do relatório Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado ontem (<em>terça, 24/4</em>), as exportações brasileiras de manufaturados vêm sendo prejudicadas pela ação ‘anticompetitiva’ e pelas políticas monetárias dos países mais desenvolvidos. É uma referência ao ‘tsunami monetário’ denunciado no Brasil e no exterior pela presidente Dilma Rousseff. Essa inundação de moeda estrangeira provoca a valorização do real e de outras moedas. É a guerra cambial apontada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Isso explica, segundo o relatório, por que o superávit de US$ 8 bilhões do setor manufatureiro em 2005 se converteu num déficit de US$ 92 bilhões no ano passado. Para contrabalançar essa tendência, o governo, recorda o relatório, tomou certas medidas, incluído o Plano Brasil Maior. Algumas páginas antes, o documento menciona também as ações para conter o ingresso de capitais.</p>
<p>“Curiosamente, os autores do trabalho só se referem ao problema cambial, quando se trata de explicar a perda de competitividade do setor industrial, mas acabam enxertando uma referência ao Plano Brasil Maior como solução para o problema. No texto, pelo menos, essa conexão é um tanto frouxa, mas esse é o ponto menos importante. O plano, de acordo com o documento, foi lançado para compensar os efeitos da valorização cambial e promover o emprego, a produção local e a inovação tecnológica. Na prática, a política industrial tem sido pouco mais que uma improvisada mistura de protecionismo, de estímulos localizados e de muita confusão. Beneficiários potenciais dos incentivos têm tido problemas para descobrir como usar as facilidades tributárias, porque as regras são obscuras e de aplicação muito difícil. A nomenclatura comercial usada impede a clara identificação dos produtos cobertos pelos incentivos. Além disso, as empresas podem receber benefícios para determinadas linhas, mas não para outras. Finalmente, algumas vantagens devem ser proporcionais à parcela da produção destinada ao comércio exterior. Não há nenhuma tentativa clara e eficaz de reduzir e racionalizar a tributação, nem de tornar mais eficiente o investimento em infra-estrutura, nem de promover um novo regime de cooperação entre setor público e setor privado para pesquisa e inovação. O Plano Brasil Maior é apenas mais uma coleção de remendos de baixa qualidade apresentada com muita retórica.</p>
<p>“Na falta de algo melhor para mostrar, o governo deve continuar esbravejando contra o tsunami monetário e criando estímulos para a expansão da demanda – especialmente de consumo -, como se o grande problema da indústria fosse a fraqueza do mercado interno. É mais fácil estimular os consumidores a ir às compras do que cuidar da capacidade de oferta competitiva da indústria. Os produtores estrangeiros agradecem. Isso poderia ser uma nota de rodapé para as projeções do BC.” <strong>(Rolf Kuntz, <em>Estadão</em>, 25/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Delta, a empreiteira do PAC</strong></p>
<p><strong>* Delta conseguiu aumento de preço em 60% dos contratos</strong></p>
<p>“Suspeita de montar uma rede de influência tanto em governos estaduais como na União, a Delta Construções obteve aditivos que alteraram o valor de suas obras em quase 60% dos contratos firmados com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um dos órgãos que concentram os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De um total de 265 empreendimentos tocados pela empreiteira a serviço da autarquia responsável pelas rodovias federais, 154 sofreram mudanças no valor originalmente previsto, custando mais caro na maioria dos casos e aumentando o valor das obras em cerca de R$ 400 milhões.</p>
<p>“Compilados pelo <em>Estado</em> com base em balanço do Dnit sobre os contratos com a Delta, os dados se referem às obras de manutenção, adequação, duplicação e implantação de estradas, concluídas ou ainda em andamento. Da relação, constam intervenções iniciadas de 1996 a 2012.</p>
<p>Maior construtora do PAC, com suas atividades concentradas principalmente no setor rodoviário, a empresa conseguiu contratos de R$ 4,3 bilhões de lá para cá, dos quais R$ 3 bilhões já foram pagos pela União.</p>
<p>“O protagonismo da Delta no carro-chefe do programa de infra-estrutura da presidente Dilma Rousseff e a existência, segundo a Polícia Federal, de um ‘deltaduto’ que se aproveitou do circuito financeiro de empresas de fachada do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, colocaram a empresa como alvo da CPI a ser instalada na quarta-feira (<em>25/4</em>).” <strong>(Fábio Fabrini, <em>Estadão</em>, 22/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Mesmo investigada, Delta ganhou novos contratos</strong></p>
<p>“Após ser apontada como líder de um esquema de corrupção que desviou milhões de reais dos cofres da União e veio a público em agosto de 2010 — na Operação Mão Dupla, feita pela Controladoria-Geral da União (CGU) com a Polícia Federal (PF) — a construtora Delta continuou assinando contratos de alto valor com órgãos federais. Desde que o governo tomou conhecimento das graves irregularidades cometidas pela empreiteira em obras de rodovias no Ceará, foram assinados 31 novos contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no valor total de R$ 758 milhões.</p>
<p>“A Operação Mão Dupla identificou fraudes em licitações, superfaturamento, desvio de verbas, pagamentos de propina, pagamentos indevidos e uso de material de qualidade inferior ao contratado em obras de infraestrutura rodoviária sob o comando do Dnit feitas pela Delta e outras 11 empreiteiras. A investigação resultou na prisão do então superintendente do Dnit no Ceará, Joaquim Guedes Martins Neto, que, segundo a CGU, tinha, em 2008, ‘rendimento incompatível com a renda auferida pelo agente público’, e do diretor da Delta Aluízio Alves de Souza.” <strong>(André de Souza, <em>O Globo</em>, 23/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Em CPI, oposição quer saber se Cachoeira financiou Lula em 2002</strong></p>
<p>“Incentivador da CPI do Cachoeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode virar um dos focos da comissão de inquérito. A oposição tirou da gaveta depoimento do advogado Rogério Buratti à CPI dos Bingos, em 2005, no qual ele diz que em parceria com ‘empresários dos jogos’ do Rio de São Paulo, Carlinhos Cachoeira teria dado R$ 1 milhão de caixa dois para campanha de Lula em 2002.</p>
<p>“Cachoeira foi preso pela Polícia Federal por envolvimento com o jogo ilegal e seus negócios serão investigados por uma CPI no Congresso. A comissão deve ser criada hoje e terá maioria governista, com votos suficientes para barrar os planos da oposição. Diz o texto da CPI dos Bingos: ‘Rogério Tadeu Buratti afirmou de maneira firme e clara que o senhor Waldomiro Diniz, representando José Dirceu, arrecadou dinheiro de &#8216;bingueiros&#8217; no Estado do Rio de Janeiro, e ainda da Gtech e do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que o valor arrecadado por Waldomiro seria algo em torno de R$ 1 milhão.’</p>
<p>“No total, segundo o relatório, ‘empresas de jogos’ irrigaram ‘a campanha do presidente Lula e o PT’ com R$ 2 milhões de reais. ‘Os recursos transitaram pelo comitê financeiro da campanha. <strong>(Andreza Matais e Andréia Sadi, <em>Folha de S. Paulo</em>, 23/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* O grande desafio da CPI: desvendar o segredo do sucesso da empreiteira Delta</strong></p>
<p>“<em>Veja</em> publicou em maio do ano passado uma reportagem exclusiva mostrando o que já parecia ser muito mais que uma simples coincidência: a empreiteira Delta fora alçada à condição de maior parceira do governo federal no mesmo ano em que contratou os serviços de consultoria do deputado cassado e ex-ministro José Dirceu. A Delta, mostrou a reportagem de <em>Veja</em>, além de multiplicar sua carteira de obras, expandira sua atuação para setores nos quais não tinha experiência, como óleo e gás. Na ocasião, dois ex-sócios da empresa forneceram a primeira pista para desvendar essa impressionante história de sucesso. Segundo o depoimento deles, a empreiteira usava a influência que mantinha junto a políticos para obter vantagens. O próprio presidente da empresa, Fernando Cavendish, explicou como agia e qual era o preço a ser pago. Ele disse que com ‘6 milhões de reais comprava um senador’. Sua explicação seguinte ficaria famosa: ‘Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas pra c&#8230;’. A conversa, gravada pelos ex-sócios, foi classificada como simples bravata por Cavendish. Não era. Ela era reveladora de um método.</p>
<p>“A Delta vai aparecer como figura de proa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na semana passada no Congresso Nacional, em Brasília, para investigar as relações do contraventor Carlos Cachoeira &#8211; preso por comandar um esquema ilegal de exploração de jogos &#8211; com políticos e empresas que têm contratos com a administração pública. A construtora figurará como a principal acusada no esquema baseado em pagar propina em troca de favores e contratos em governos. Segundo a Polícia Federal, a empreiteira usou os tentáculos de Cachoeira para corromper autoridades nos governos de Tocantins, Distrito Federal e Goiás. Cavendish e a Delta tiveram sua ação restrita a essas três unidades da Federação? Não. O esquema atuou também no âmbito federal, usando o mesmo método de subornar políticos e servidores públicos para obter contratos. A engrenagem funcionou ativamente dentro de ministérios no governo passado e engolfou até mesmo a Petrobras, a maior e a mais poderosa das estatais brasileiras. A Petrobras é o principal dínamo dos investimentos públicos do país, protagonismo acentuado com a descoberta das reservas de petróleo no pré-sal. No governo Lula, foi aparelhada politicamente por militantes do PT, que ganharam o controle de cargos de diretoria. O aparelhamento político de estatais, como sempre, termina em prejuí­zo para a empresa e os contribuintes.</p>
<p>“No fim de 2008, a Petrobras convidou a Delta para duplicar o parque de expedição de diesel na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Um convite inusitado, uma vez que a empreiteira era especializada em obras rodoviárias e construção civil. Para suprir a carência técnica e se habilitar, a Delta comprou a Sigma, empresa que já tinha diversas parcerias com a estatal. Depois dessa negociação, a empreiteira assinou um contrato com a Petrobras no valor de 130 milhões de reais. A aproximação entre a Delta e a Sigma foi feita pelo engenheiro Wagner Victer, auxiliar do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que é compadre de Cavendish. O negócio parecia bom para todos os envolvidos. A Petrobras contratou a obra por um preço considerado baixo, a Delta se cacifou para atuar no bilionário ramo do petróleo e os donos da Sigma ficariam ainda mais ricos. Mas nem tudo correu como se esperava. Cavendish e seus sócios se desentenderam ao cabo de disputas financeiras. Dos ex-sócios inconformados partiu a revelação, certamente de alto interesse para a CPI instalada na semana passada, segundo a qual, para conseguir o contrato na Petrobras, a Delta teria pago propina. Sob a condição de anonimato, um deles contou a <em>Veja</em> que a Sigma, além de servir como fachada técnica para as operações da Delta, funcionou como caixa para quitar faturas em que a própria Delta preferia não aparecer como devedora. Para ocultar o pagamento de propina, segundo o relato gravado do ex-sócio, que diz temer por sua segurança, a Sigma foi orientada a simular a contratação de serviços para justificar a saída da propina. Os diretores da Delta indicavam o valor e os funcionários da estatal a ser beneficiados. A fatura era então encaminhada a José Augusto Quintella e Romênio Marcelino Machado, ex-donos da Sigma que continuaram na empresa. Seguindo orientações de Cavendish, eles providenciavam notas frias para justificar os gastos com a propina. Essas notas eram assinadas por Quintella e Machado e por Flávio Oliveira, diretor da Delta. Só funcionários da área operacional da Petrobras, segundo o ex-sócio, receberam 5 milhões de reais. Um volume ainda maior teria sido pago a dirigentes da empresa. Desse mesmo caixa saíram os recursos para pagar os trabalhos de consultor prestados por José Dirceu.</p>
<p>“Quintella e Machado não quiseram dar detalhes sobre o caso a <em>Veja</em>. ‘Essa história será devidamente esclarecida no momento oportuno’, disse Quintella, em nome dos antigos donos da Sigma. Os dois conhecem de perto a Delta. Foram eles que contaram a <em>Veja</em> que Cavendish contratou, em 2009, o deputado cassado e ex-ministro José Dirceu como consultor com o objetivo de azeitar negócios junto à Petrobras, que era comandada por José Sergio Gabrielli, integrante da corrente política de Dirceu. Foi em uma reunião com Quintella e Machado que Fernando Cavendish fez seus notórios comentários sobre os preços e as vantagens de comprar autoridades. Na mesma conversa, gravada, Cavendish traçou o caminho até o cofre da Petrobras: ‘A Reduc foi convidada pelo jogo político da Delta. A gente foi convidado por uma articulação, um pedido que foi para cá, foi para lá&#8230;’.</p>
<p>“A Petrobras não quis se pronunciar sobre os fatos narrados por Cavendish e seus ex-sócios. A Delta diz que ganhou o contrato legalmente e não pagou propina. A CPI instalada na semana passada certamente terá meios de obter de Cavendish e da própria Petrobras informações mais consistentes sobre como o jogo político levava determinadas empresas a obter contratos na estatal no tempo em que Dirceu e Gabrielli reinavam. A Delta passou a existir como empreiteira de grande porte e alcançou o posto de maior fornecedora de serviços do estado brasileiro no governo Lula. Um ‘jogo político’ que a CPI faria aos brasileiros o enorme benefício de elucidar. Não é pouca coisa. Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público que levaram Carlos Cachoeira à prisão, o contraventor funcionava como captador de negócios e lobista destacado da Delta Construções. Cachoeira operava em sintonia com Cláudio Abreu, designado formalmente pela empreiteira como seu representante para a Região Centro-Oeste. Os dois cuidavam de obter contratos junto aos governos do Distrito Federal, Goiás e Tocantins. Abreu tinha também missões junto a órgãos do governo federal. Foi ao cumprir uma dessas missões que ele emplacou a Delta como a principal parceira do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Diretores da Delta passaram a visitar quase diariamente as dependências do ministério durante a gestão do senador Alfredo Nascimento, demitido no ano passado do cargo de ministro pela presidente Dilma Rousseff.” <strong>(Hugo Marques, Daniel Pereira e Rodrigo Rangel, <em>Veja</em>, 25/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>“O Brasil fará a melhor de todas as Copas do Mundo”</strong></p>
<p><strong>* Faltam vagas para aviões na Rio+20. Imagine na Copa</strong></p>
<p>“Com os aeroportos sobrecarregados, virou uma grande dor de cabeça encontrar vaga para estacionar os 110 aviões previstos para aterrissar na cidade durante a realização da Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. O Itamaraty informou que, entre os dias 20 e 23, são esperados cerca de 120 chefes de estado ou de governo e 193 delegações estrangeiras. E eles devem chegar quase ao mesmo tempo. Segundo informou Abide Ferreira Junior, superintendente regional da Infraero no Rio, com tanta gente chegando à cidade, a empresa planeja usar aeroportos no Rio e em outros cinco estados: Guarulhos (São Paulo), Confins (Belo Horizonte), Brasília, Campinas e Salvador. A manobra está sendo coordenada pela Aeronáutica, que também pretende arranjar vagas nas bases aéreas do Galeão e de Santa Cruz. Mas não tem jeito: quem vier com seu avião, vai ficar a pé momentaneamente. Terá de descer aqui, e o avião vem buscar depois.</p>
<p>“Oficialmente, a Infraero não vê problemas, mas quem está debruçado sobre os planos de segurança tem essa preocupação. Para cada deslocamento, haverá militares, batedores e até helicópteros. Mas, como a cidade não vai parar, a equação é complexa . ‘A Infraero, em conjunto com os órgãos públicos envolvidos no evento, já desenvolveu um planejamento para receber com tranquilidade todos os chefes de estado, delegações e participantes da Rio+20. Os aeroportos do Rio estão prontos para receber o evento’, garantiu Abide Ferreira.</p>
<p>“No Rio, os aeroportos Santos Dumont e de Jacarepaguá serão usados apenas como apoio. Quem vier em avião de carreira, por exemplo, deverá descer no Aeroporto Internacional de Guarulhos e depois voar para o Rio. Aqui, terá duas opções: de carro até o hotel, com batedores e segurança máxima; ou de helicóptero até o Riocentro, onde serão instalados três helipontos. Há ainda, nesses casos, a possibilidade de usar o Aeroporto de Jacarepaguá.</p>
<p>“Os terminais do Rio recebem diariamente uma média de 800 vôos (chegadas e partidas). Ontem (<em>sexta, 20/4</em>) foram 814. Apenas no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, o movimento diário é de 48 mil passageiros em média. No Santos Dumont, são 25 mil. Ao número, somam-se 50 mil credenciados e cinco mil jornalistas estrangeiros que chegarão à cidade para acompanhar o evento. O Galeão tem capacidade para acomodar em seu pátio, por hora, 54 aeronaves.</p>
<p>“Ainda segundo a Infraero, autoridades e delegações que vierem em aviões de carreira terão a opção de pousar em Guarulhos, de onde seguirão para o Rio pela ponte aérea, desembarcando no Santos Dumont. . De lá, poderão embarcar em helicóptero até o Aeroporto de Jacarepaguá, ou voar diretamente para o Riocentro. No Rio, serão usados ainda a Base Aérea do Galeão, a Base Aérea de Santa Cruz e o Aeroporto de Jacarepaguá como apoio. ‘Para os chefes de estado e de governo, teremos um canal diferenciado: vamos montar corredores exclusivos nos aeroportos. As delegações estrangeiras não, elas passam por outro canal’, afirmou o superintendente da Infraero no Rio.</p>
<p>“A Base Aérea de Santa Cruz passará por reformas de emergência para contornar a falta de estacionamentos para os aviões, confirmou ontem (<em>sexta, 20/4</em>) a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, durante reunião para discutir a organização do evento.” <strong>(Antônio Werneck e Isabel de Araújo, <em>O Globo</em>, 21/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Rio terá feriadão de três dias durante a Rio+20. Imagine na Copa</strong></p>
<p>“O prefeito Eduardo Paes anunciou ontem (<em>sexta, 20/4</em>) que pretende decretar feriado prolongado nos dias 20, 21 e 22 de junho (quarta, quinta e sexta-feira) durante a realização da Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. O projeto de lei será enviado à Câmara dos Vereadores na próxima semana, com um pedido de urgência. Paes frisou que a ideia é fazer um feriado com cara de sábado: fecha tudo, menos o comércio. Dessa forma, ele acredita que minimizará transtornos para a população e agilizará o deslocamento dos 50 mil participantes. Na terça-feira, <em>O Globo</em> mostrou a preocupação dos militares com o fato de o já saturado trânsito da cidade &#8211; por onde circula uma frota em torno de 2,5 milhões de veículos &#8211; não ter condições de suportar também os comboios das autoridades e delegações que participarão do evento.</p>
<p>A decisão foi tomada ontem durante uma reunião que durou duas horas, no Palácio da Cidade, com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o governador Sérgio Cabral, entre outras autoridades. O objetivo do encontro era discutir os pontos da organização do evento que precisam de ajustes e apresentar o que foi feito.” <strong>(<em>O Globo</em>, 21/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>A popularidade da presidente e a falta de uma oposição </strong></p>
<p><strong>* “Sem oposição é mais fácil”</strong></p>
<p>“Como a presidente Dilma pode ter popularidade tão elevada, se a população desaprova a gestão do governo na maioria dos setores essenciais? É a questão levantada a partir da pesquisa Ibope divulgada neste mês. Nada menos que 77% dos brasileiros (mais de três em cada quatro) aprovam o modo como Dilma leva o País. O pessoal também considera a presidente melhor que seu governo, este com 56% de ótimo/bom (20 pontos a menos do que a avaliação pessoal de Dilma). (&#8230;)</p>
<p>“A melhor hipótese é simples: falta oposição. Se a população considera ruins os serviços que recebe e, ao mesmo tempo, aprova a presidente amplamente, só pode ser porque não considera Dilma responsável por aqueles problemas. Ora, carimbar a culpa na presidente e no governo é o papel da oposição, em qualquer lugar do mundo. (&#8230;)</p>
<p>“Nos outros quesitos condenados nas pesquisas &#8211; saúde e segurança &#8211; e em educação (48% de reprovação), a coisa é ainda mais complicada. Nessas áreas, a responsabilidade não é só de Brasília, mas também dos governos estaduais, muitos dos quais em mãos da oposição. Aqui, pois, não basta um bom discurso, é preciso mostrar serviço, fazer a diferença.</p>
<p>“Por exemplo: as escolas públicas de São Paulo ou de Minas, os dois mais importantes Estados administrados pelo PSDB, há anos, deveriam ser percebidas como muito melhores que as demais. Idem para polícia, para os hospitais e postos de saúde, mas não é o que se vê. Ou que a população perceba. Não se define uma opção efetiva de gestão diferente e melhor, que possa ser apresentada como o modo tucano (ou democrata) de governar naquelas áreas. 27 de abril de 2012</p>
<p>“Nem há consistência partidária. Em São Paulo, por exemplo, o governador Alckmin abandonou políticas educacionais modernas da anterior gestão tucana. No Brasil, no geral, fica tudo muito parecido, inclusive nas boas iniciativas, sempre isoladas, e que se encontram em gestões dos diferentes partidos.” <strong>(Carlos Alberto Sardenberg, <em>Estadão</em>, 23/4/2012.)</strong></p>
<blockquote><p><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> 27 de abril de 2012</span></em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong>Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong>Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong>Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong>Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong>Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/"><strong>Volume 36 – Notícias de 13 a 19/1. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/"><strong>Volume 37 – Notícias de 20/1 a 26/1.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-38/"><strong>Volume 38 – Notícias de 27/1 a 2/2. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-39/"><strong>Volume 39 – Notícias de 3 a 9/2. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-40/"><strong>Volume 40 – Notícias de 10 a 23/2.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-41/"><strong>Volume 41 – Notícias de 24/2 a 1º/3.</strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><em>Volume 42 – Notícias de 2 a 8/3. </em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong>Volume 43 – Notícias de 9 a 15/3. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-44/"><strong>Volume 44 – Notícias de 16 a 22/3.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-45/"><strong>Volume 45 – Notícias de 23 a 29/3.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-46/"><strong>Volume 46 – Notícias de 30/3 a 5/4. </strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-47/">Volume 47 – Noticias de 6 a 12/4. </a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-48/"><em>Volume 48 &#8211; Notícias de 13 a 19/4. </em></a></p></blockquote>
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		<title>A Rodrigo o que é de Rodrigo</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 18:27:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última edição do Jornalistas &#38; Cia – a de número 843, de 25 de abril de 2012 -, foi publicada uma carta de Dirceu Martins Pio que, mesmo sem a autorização formal dele, quero reproduzir aqui. Diz Pio ao J&#38;C: “Li e apreciei a edição especial do Dia do Jornalista. Escrevo com a intenção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na última edição do <em>Jornalistas &amp; Cia</em> – a de número 843, de 25 de abril de 2012 -, foi publicada uma carta de Dirceu Martins Pio que, mesmo sem a autorização formal dele, quero reproduzir aqui.<span id="more-6898"></span></p>
<p>Diz Pio ao <em>J&amp;C</em>:</p>
<p>“Li e apreciei a edição especial do Dia do Jornalista. Escrevo com a intenção de talvez reparar três omissões que considero eloquentes.”</p>
<p>E aí enumera três jornalistas que, segundo ele, deveriam ter constado da edição especial: Raul Martins Bastos, Rodrigo Lara Mesquita e Laurentino Gomes.</p>
<p>Pio trabalhou com todos os três, conhece-os bem.</p>
<p>Raul Bastos é hoje uma figura quase mítica: todo mundo que trabalhou com ele (eu não tive esse privilégio) o adora. Não é que as pessoas gostem dele, não: as pessoas o adoram.</p>
<p>Laurentino foi subalterno de Pio. Não me lembro bem, mas acho Laurentino foi quase foca de Pio, quando este era o chefe da sucursal do <em>Estadão</em> em Curitiba, e Laurentino se uniu à pequena equipe. Cresceu como jornalista sob as ordens de Pio. O mundo gira, a Lusitana roda, e às vezes o mundo e a Lusitana dão voltas surpreendentes. Laurentino teve uma carreira brilhante, e chegou à estratosfera do jornalismo muito depressa. Chegou à estratosfera tão rapidamente, que resolveu abandonar tudo o que já havia conquistado e tentar um novo caminho. Afastou-se do cargo de diretor não mais da Veja, mas da Editora Abril, para lançar-se à aventura de unir jornalismo e História. Seu primeiro livro, <em>1808</em>, foi o que foi, um sucesso absoluto, e depois dele veio o <em>1822</em>, e em breve sai o terceiro, <em>1898</em>.</p>
<p>Raul, um jornalista que é quase um mito, Laurentino, um jornalista que chegou aos píncaros da profissão e mudou tudo e virou um dos autores mais vendidos do país.</p>
<p>Dirceu Martins Pio escreveu ao <em>Jornalistas &amp; Cia</em> dizendo que sentia falta deles, na edição especial da publicação mais lida pelos jornalistas do Brasil que comemorava o Dia do Jornalista.</p>
<p>Deles, e de Rodrigo Mesquita.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Transcrevo aqui, ainda que sem a autorização do Pio, o que ele diz sobre Rodrigo Lara Mesquita:</p>
<p>“Espero que seu nome não tenha deixado de constar da lista de notáveis em razão de ser acionista do <em>Estadão</em>. Seria injusto. Mino Carta foi dono e acionista de várias publicações e nem por isso deixou de ser lembrado.</p>
<p>&#8220;Rodrigo Mesquita foi quem criou a nova versão da Agência Estado (a contar de 1988), fazendo surgir, assim, a primeira agência de informações do País. Para quem desconhece, explico: as antigas agências de notícias, do tipo UPI, atendiam exclusivamente à própria mídia; as agências de informações atendem às mídias, mas também – e principalmente – os mercados, na condição de consumidores finais da informação.</p>
<p>&#8220;Não foi pouco: a Nova AE, como passou a ser chamada, saltou de uma receita de US$ 500 mil para um faturamento superior a R$ 100 milhões em dez anos. E isso exclusivamente com a venda de assinaturas de serviços informativos à própria mídia (residual) e a mercados (receita principal). Os terminais informativos da Nova AE estão presentes hoje em praticamente todas as mesas financeiras do País.</p>
<p>&#8220;Foi a Agência Estado que introduziu no Brasil o ‘tempo real’, esse novo conceito de produção e propagação da notícia. O projeto da Nova AE foi estruturado muito em função do visionarismo de Rodrigo Mesquita, dos poucos jornalistas a enxergar, premonitoriamente, com larga antecedência, todo o impacto da internet e das novas mídias digitais sobre a sociedade, a economia e, principalmente, sobre o mercado de informações.”</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Tudo isso que Dirceu Martins Pio diz é a mais pura verdade.</p>
<p>Mas é mais do que dizer a mais pura verdade dos fatos. Acho que o gesto do Pio ao escrever essa carta é de extrema coragem.</p>
<p>Ao dar a Rodrigo Lara Mesquita o que lhe é de direito, Pio se expõe ao ódio dos primatas, dos idiotas, que dividem as pessoas em duas categorias – de um lado patrão, de outro lado nós, os trabalhadores. Para essas pessoas, defender patrão, mesmo que hoje seja ex-patrão, é uma vilania, uma baixeza, uma traição à categoria.</p>
<p>Visionário, premonitório, Rodrigo teve a inteligência de chamar para dirigir a nova Agência Estado dois grandes profissionais, Sandro Vaia e Elói Gertel. Como o próprio Pio, Júlio Moreno, Laerte Fernandes e Ademar Oricchio, tive o privilégio de participar – ainda que como coadjuvante, mero figurante – da experiência de reinventar a Agência Estado, a partir de meados de 1988.</p>
<p>Houve muita briga mais tarde, em especial depois que Sandro e Elói assumiram postos de direção na S.A. O Estado, o Grupo. Mas, acima de qualquer briga, está a verdade dos fatos. Dirceu Martins Pio expôs a verdade dos fatos no <em>Jornalistas&amp;Cia</em>.</p>
<p>Uma beleza de gesto.</p>
<p>Um brinde a você, caro Pio.</p>
<p><em>26 de abril de 2012</em></p>
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		<title>Dylan soberbo, para uma platéia que merecia Dylan</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 04:11:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[As 17 canções que Bob Dylan escolheu para apresentar na turnê que passou pelo Brasil neste mês de abril de 2012 foram lançadas em um espaço de 46 anos. A mais antiga é de 1963, e as mais recentes, de 2009. Carreira gloriosa é isso aí. Não dá para dizer com certeza, é claro, mas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As 17 canções que <a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/dylan-volume-4-um-genio-que-nao-para/">Bob Dylan</a> escolheu para apresentar na turnê que passou pelo Brasil neste mês de abril de 2012 foram lançadas em um espaço de 46 anos. A mais antiga é de 1963, e as mais recentes, de 2009.<span id="more-6866"></span></p>
<p>Carreira gloriosa é isso aí.</p>
<p>Não dá para dizer com certeza, é claro, mas, pelo que vimos, Mary e eu, bem mais da metade da platéia que encheu o monstruoso Credicard Hall na segunda noite, a de domingo, 22, não tinha nascido sequer em 1974, o ano do disco <em>Blood on the Tracks</em>, de onde Dylan pinçou duas canções para apresentar aqui, “Tangled up in blue” e “Simple twist of fate”.</p>
<p>Tinha gente de todas as faixas etárias, é claro, como não poderia deixar de ser, como foi, por exemplo, nos shows de <a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/nao-ha-fenomeno-no-mundo-como-paul-mccartney/">Paul McCartney</a> em 2010 e de Eric Clapton no Morumbi em 2011. Mas me impressionou profundamente a quantidade de jovens – meninas e meninos na faixa dos 20 a 30 anos. Nos sentamos cercados de garotos por todos os lados.</p>
<p>Até porque, vamos e venhamos, Dylan é muito menos “popular” no Brasil do que Paul, e mesmo do que Clapton. Sua música é muitíssimo mais cerebral, menos dançante, menos quente que a dos dois mestres ingleses que lotaram o Morumbi.</p>
<p>E o impressionante, mas muito, muito impressionante, foi que a platéia parecia composta por fanáticos por Dylan, por conhecedores de sua obra.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/BOB-DYLAN-006.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6870" title="BOB DYLAN 006" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/BOB-DYLAN-006-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Era a platéia ideal, diria, com toda certeza, qualquer artista: respeitosa, atenta, silenciosa quando necessário, barulhentérrima quando possível. Os aplausos e urros eram intensos – e às vezes não apenas ao final de cada canção, mas mesmo no meio de algumas delas.</p>
<p>A primeira vez que o homem tocou sua harmônica, por exemplo, o lugar quase veio abaixo.</p>
<p>O Brasil é um lugar muito estranho, muito louco mesmo, como bem pôde perceber James Taylor no Rock in Rio, em 1985. O doçamargo Babe James não andava muito bem, naquela época, com problemas com drogas e uma carreira um tanto estacionada. De repente, neste distante país tropical de língua bárbara, que não tem nada a ver com o inglês, ouviu uma multidão de centenas de milhares de pessoas cantando junto com ele suas pérolas do início dos anos 60. “And my heart came back alive”, escreveria ele em “Only a dream in Rio”, do disco que lançou em seguida.</p>
<p>O fato é que a platéia do Credicard Hall, em Santo Amaro, aquela estranha cidade ao Sul de São Paulo, parecia ser de San Francisco, ou Boston.</p>
<p>Parecia que todo mundo – ou pelo menos a imensa maioria – conhecia a obra do compositor, sabia o que estava sendo cantado.</p>
<p>Foi muito, muito impressionante.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Dylan é um atroz assassino de canções”</strong></p>
<p>Se a platéia era a ideal, o artista estava soberbo.</p>
<p>E vou logo dizendo: não acho que Bob Dylan seja um artista bom para se ver em show. Acho o Dylan de estúdio melhor que o Dylan ao vivo. No estúdio, acho que ele capricha mais. Soa mais limpo, mais límpido.</p>
<p>Claro: Dylan não é uma perfeição de cantor. Seu timbre de voz não é educado, sequer é belo, dentro dos padrões tradicionais. Está muito longe, é óbvio, de um Bing Crosby, um Frank Sinatra, um Nat King Cole. Agora, já velho, tem a voz que mostra a idade.</p>
<p>Por uma grande coincidência, no mesmo domingo do show, horas antes de empreender a longa viagem até Santo Amaro, li um comentário no blog português <a href="http://www.escreveretriste.com/">Escrever é Triste</a>, onde escreve o Manuel S. Ferreira, que é arrasador. Diogo Leote faz ali duas afirmações. A primeira: Dylan “é o mais brilhante escritor de canções de sempre”. A segunda: Dylan “é um atroz assassino de canções. Das suas próprias e brilhantes canções”.</p>
<p>E ele prossegue, esse Diogo Leote: “Bob Dylan devia ser impedido de usar a sua horrorosa voz para cantar e, assim, destruir dezenas e dezenas de obras-primas. Pela parte que me toca, não conheça uma versão de uma música de Bob Dylan que não seja melhor do que o original”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Na minha opinião, o Dylan cantor é melhor no estúdio que ao vivo</strong></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/dylan_vale.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6871" title="dylan_vale" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/dylan_vale.jpg" alt="" width="305" height="185" /></a>Naturalmente, essas afirmações parecem mais uma coisa de épateur les bourgeois do que dito com grande seriedade.</p>
<p>Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.</p>
<p>Na minha opinião, o Dylan cantor não chega à maravilha que são, por exemplo, Caetano Veloso e Paul Simon, compositores que foram dotados pelo Criador (ou pela natureza, sei lá) de vozes gostosas, belas, elásticas, suaves, elegantes. Mas é um cantor tão bom quanto outros cantautores, singers-songwriters, como Chico Buarque, José Afonso, Paolo Conte, Georges Moustaki, Jacques Brel, Victor Jara, para citar só gente do primeiríssimo time. (<em>A foto é de Eduardo Nicolau/AE</em>).</p>
<p>Mas é melhor cantor no estúdio que no palco.</p>
<p>No palco, tende, há muito tempo, em especial a partir da segunda metade da década de 70, quando começou a sua Never Ending Tour, de anos a fio, a desconstruir suas canções, a transcriá-las, a reinventá-las, a apresentá-las em arranjos, andamentos, completamente diferente da gravação original. Transformando-as – para sintetizar – em irreconhecíveis.</p>
<p>Escreveu-se, com ironia, sobre a turnê que Dylan iniciou nos últimos anos da década de 70 e que parecia não terminar nunca, daí o apelido que ganhou, que ele precisava fazer tantos shows, em todos os continentes, para pagar a cara pensão alimentícia de Sara e da penca de filhos que teve com ela.</p>
<p>Mas o fato é que parecia – dá para ver pelas diversas gravações ao vivo que saíram em disco – que Dylan estava mais cumprindo uma obrigação do que tendo prazer em fazer tantos shows.</p>
<p>Parecia que ele transcriava suas maravilhosas canções porque estava cansado delas, e cansado de ter que se apresentar no palco para ganhar a vida. Mordia as palavras, mastigava as palavras e as jogava para o público como se estivesse querendo maltratar as pessoas que tinham pagado para vê-lo. Parecia que ele tinha raiva – das canções e do público.</p>
<p>Foi exatamente esta a sensação que tive quando vi Dylan no antigo Palace, na primeira metade dos anos 90.</p>
<p>Não guardei boa lembrança daquela experiência. Muito ao contrário. E não tive interesse em vê-lo quando se apresentou no Morumbi, se não me engano num daqueles Hollywood Rock.</p>
<p>Elói Gertel e Vera Dantas viram um show dele em Paris, numa turnê de 2007, depois do lançamento do disco <em>Modern Times</em>. Elói falou muito bem do show: tinham ficado encantados com o profissionalismo do cantor, com a excelência da banda. (E até ganhei de presente a revista-programa, de edição limitada, lançada para aquela turnê – mais uma das muitas coisas, da minha coleção de memorabilia de Dylan.)</p>
<p>Cheguei até a pensar em não ir ao show do Credicard Hall. Já com os ingressos comprados, ainda tive dúvidas. Quase desisti na última hora.</p>
<p>Jamais me perdoaria, se tivesse deixado de ir.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Uma banda integradíssima, um Dylan profissionalíssimo, até mesmo jovial</strong></p>
<p>Profissionalíssimo. A definição que o Elói tinha dado é exata. O show é todo feito com o mais profundo profissionalismo.</p>
<p>A banda – baixo, duas guitarras, bateria, trompete &#8211; está afinadíssima. Percebe-se perfeitamente que todas as canções foram exaustivamente ensaiadas. Tudo funciona como um relógio suíço da mais alta qualidade.</p>
<p>(Eis os nomes dos excelentes, experientes músicos que acompanham Dylan na turnê: Tony Garnier, baixo; Charlie Sexton e Stu Kimball, guitarras; George Recelli, bateria; e Donny Heron, violino, mandolim, trompete e pedal steel.)</p>
<p>Está roqueiro, abertamente roqueiro, com som alto e forte – e, felizmente, a acústica do Credicard Hall é ótima. Ouve-se com perfeição cada instrumento, nada tampa, obscurece, abafa nada.</p>
<p>E Dylan, aos 71 anos (completa 72 em maio agora, no dia 24), parece mais em forma que quando o vi no Palace, mais de 15 anos atrás.</p>
<p>E não parece estar cansado, querendo despejar as canções o quanto antes, doidinho pelo momento de terminar o show. Muito ao contrário. Chega até mesmo a estar jovial; parecia estar percebendo que tinha diante dela uma platéia fiel e embevecida.</p>
<p>Claro: não diz nem boa noite nem obrigado. As únicas palavras que pronuncia – além daquelas das canções – são para apresentar os nomes dos músicos. Não é o estilo dele conversar com a platéia. Não é Paul McCartney: é Bob Dylan.</p>
<p>Mas chega até mesmo a gingar o corpo, as pernas, em alguns momentos. Parece estar gostando de estar no palco.</p>
<p>E se alterna entre a guitarra elétrica, a harmônica e o órgão elétrico – com um profissionalismo, uma segurança, um domínio absoluto do que está fazendo.</p>
<p>A voz está velha, sim, é claro. Mas Dylan não está comendo e roendo as palavras como já o ouvimos fazer tantas vezes em discos gravados ao vivo. Pronuncia as palavras com clareza, como fazia nos primeiros discos, na fase folk, anterior ao rock, e também como fez depois do acidente de moto de 1968, de <em>John Wesley Harding</em> até a fase maravilhosa de <em>Blood on the Tracks</em> e <em>Desire</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Canções dos anos 60, 70, 90 e 2000</strong></p>
<p>Eis a set-list do show:</p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></td>
<td valign="top" width="274"><strong><span style="font-family: Times New Roman;">Música</span></strong></td>
<td valign="top" width="269"><strong><span style="font-family: Times New Roman;">Disco</span></strong></td>
<td valign="top" width="97"><strong><span style="font-family: Times New Roman;">Ano</span></strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 1</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Leopard-Skin Pill-Box Hat </span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Blonde on Blonde</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1966</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 2</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">It ain’t me, babe</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Another Side of Bob Dylan</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1964</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 3 </span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Times have changed</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Trilha sonora do filme Wonder Boys</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">2000</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 4</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Tangled up in blue</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Blood on the Tracks</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1974</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 5</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Beyond here lies nothin’</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Together through life</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">2009</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 6</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Not dark yet</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Time out of mind</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1997</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 7</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Summer days</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Love and theft</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">2001</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 8 </span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Simple twist of fate</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Blood on the Tracks</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1974</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;"> 9 </span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">High Water (for Charley Patton)</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Love and theft</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">2001</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">10</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Trying to get to heaven</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Time out of mind</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1997</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">11</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Highway 61 Revisited</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Highway 61 Revisited</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1965</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">12</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Forgetful heart</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Together through life</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">2009</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">13</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Thunder on the mountain</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Modern Times</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">2006</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">14</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Ballad of a thin man</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Highway 61 Revisited</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1965</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">15 </span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Like a rolling stone</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">Highway 61 Revisited</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1965</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">16</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">All along the watchtower</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">John Wesley Harding</span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1967</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="92"><span style="font-family: Times New Roman;">17</span></td>
<td valign="top" width="274"><span style="font-family: Times New Roman;">Blowin’ in the wind</span></td>
<td valign="top" width="269"><span style="font-family: Times New Roman;">The Freewheelin’ Bob Dylan </span></td>
<td valign="top" width="97"><span style="font-family: Times New Roman;">1963</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Fiz as contas. São 7 canções dos anos 60, 2 dos anos 70, 2 dos anos 90 e 6 dos anos 2000.</p>
<p>Só a década de 80 ficou de fora.</p>
<p>Não tenho uma contabilidade recente de quantas canções Dylan já compôs, mas acredito que devam beirar aí umas 500. Pelo menos umas 200 são magníficas. Daria para o cara fazer uma dúzia de set-lists de 17 canções sem repetir nenhuma.</p>
<p>Assim, é absolutamente natural que uma ou outra preferida do público fique de fora. No táxi de volta de Santo Amaro para São Paulo, em que se fez um esquema de lotação (em uma única corrida Santo Amaro-São Paulo, o motorista amealhou R$ 280,00), duas moças muito jovens, belas e descoladas, que não se conheciam, comentaram que gostariam de ter ouvido “Hurricane”. Natural. Eu, por mim, gostaria de ter ouvido outras 17 das minhas preferidas – se possível com um som mais acústico, menos roqueiro.</p>
<p>Mas não dá para reclamar. Foi uma beleza de show, uma maravilha.</p>
<p>O entusiasmo da platéia &#8211; que era grande desde o início do show, precisamente às 8h0h5 &#8211; pareceu subir algumas oitavas na apresentação de &#8220;Ballad of a thin man&#8221;, a que diz que alguma coisa está acontecendo, mas você não sabe o que é &#8211; sabe, Mr. Jones? E literalmente explodiu quando a banda atacou com som e fúria &#8220;Like a Rolling Stone&#8221;. A canção seguinte, &#8220;All Along the Watchtower&#8221;, veio como a catarse final, com um show de guitarras que deixaria feliz Jimi Hendrix, autor de uma das versões mais conhecidas da canção.</p>
<p>No bis, a melodia de &#8220;Blowin&#8217; in the wind&#8221; estava praticamente irreconhecível. Mas os versos poderosos, criados em 1963, quando uns 70% daquela platéia de umas 4 mil pessoas ainda não tinham nascido, continuam tão belos hoje quanto na época da luta pelos direitos civis.</p>
<p>Uma hora e 40 minutos de um show emocionante, impressionante.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>É preciso ouvir mais e melhor os discos mais recentes</strong></p>
<p>Agora, uma confissão: o Dylan-maníaco aqui está fora de forma.</p>
<p>Não tinha lido sobre os shows anteriores (ele fez Rio de Janeiro dia 15, depois Brasília e Belo Horizonte), nem visto a set-list. Assim, resolvi anotar as músicas durante o show, numa cadernetinha. Simplesmente não reconheci a quinta música. Nem a sétima, nem a nona, nem a 12ª, nem a 13ª.</p>
<p>Em casa, comecei a montar a set-list no Word. Em 17, não reconheci cinco! Um absurdo total, uma vergonha!</p>
<p>São, essas cinco, canções dos discos mais recentes, <em>Love and Theft</em>, <em>Modern Times</em> e <em>Together Through Life</em>.</p>
<p>Preciso ouvi-los mais, e melhor.</p>
<p>Comentei com Mary que estou absolutamente fora de forma. O Dylan está em ótima forma, eu não.</p>
<p>E tive que ouvir o seguinte: “Ainda bem que não é o contrário”.</p>
<p>A turnê prossegue por Porto Alegre, no dia 24, terça. Fará em seguida quatro shows em Buenos Aires, um em Santiago, um na Costa Rica, três no México. Em junho faz uma apresentação na Inglaterra, e depois tem Alemanha, Áustria, Suíça, Espanha, França, Itália e França de novo.</p>
<p>O sujeito não pára.</p>
<blockquote><p><em>22 e 23 de abril de 2012</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Niemeyer, o cacete. Brasília é obra de Lúcio Costa</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Apr 2012 03:43:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>

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		<description><![CDATA[O Google faz uma homenagem a Oscar Niemeyer &#8211; como em outras datas importantes, substitui o seu logo por um desenho alusivo àquele dia. Está lá, então: “52º aniversário de Brasília. Desenhos de Oscar Niemeyer”. Vi por acaso – queria fazer uma pesquisa qualquer, procurar fotos de um determinado filme, e vi a homenagem. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Google faz uma homenagem a Oscar Niemeyer &#8211; como em outras datas importantes, substitui o seu logo por um desenho alusivo àquele dia. Está lá, então: “52º aniversário de Brasília. Desenhos de Oscar Niemeyer”.<span id="more-6853"></span></p>
<p>Vi por acaso – queria fazer uma pesquisa qualquer, procurar fotos de um determinado filme, e vi a homenagem. O dia 21 de abril, a data de aniversário de Brasília, ainda nem tinha começado, faltavam alguns minutos, mas a homenagem já estava lá.</p>
<p>É uma homenagem errada. Ao homem errado.</p>
<p>Expressei minha indignação no Twitter. Esperneei lá que quem criou Brasília foi Lúcio Costa.</p>
<p>Segundos depois, um garoto jovem, Luiz Otávio, tuitou o seguinte: “se lúcio costa foi quem planejou tudo&#8230; niemeyer recebe a fama só porque ainda está vivo?”</p>
<p>Mais uns poucos segundos, e alguém da equipe de Ancelmo Gois – que considero o melhor colunista deste país hoje – tuitou, alegremente, entusiasticamente, cariocamente, que o Google estava prestando homenagem a Niemeyer.</p>
<p>Estou velhinho, cansado, e este país despeja sobre nós pelo menos dez motivos de indignação por dia, e não nos indignamos tanto quanto deveríamos – mas esse episódio me deixou profundamente indignado, e tento aqui expressar essa raiva.</p>
<p>Discutir sobre a decisão de criar Brasília, tomada por Juscelino, fica para nunca, ou para depois.</p>
<p>Mas o fato é que, decisão política tomada, Brasília existe, e é como é, graças a Lúcio Costa. É de Lúcio Costa o desenho da cidade, o avião, duas imensas asas a partir de um Eixo Monumental.</p>
<p>Niemeyer projetou os prédios. O desenho de Brasília é de Lúcio Costa.</p>
<p>Joaquim Guedes, parece, fez os cálculos.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzbsb.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6858" title="zzbsb" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/04/zzbsb.jpg" alt="" width="631" height="528" /></a>O desenho, quem fez foi Lúcio Costa. O Eixo Monumental, os eixos das asas, o Sul e o Norte, os trevos viários, as tesourinhas, as superquaedras, tudo foi idéia de Lúcio Costa.</p>
<p>Tudo, no Plano Piloto, é idéia de Lúcio Costa.</p>
<p>Este país é tão maluco, tão absurdamente doido, que gerações inteiras, como o garoto Luiz Otávio indica, aprenderam a História errada. Por algum motivo incompreensível, ou por uma série de motivos incompreensíveis, o marketing transformou Brasília em uma criação de Oscar Niemeyer.</p>
<p>Deve haver muitos meninos que estudaram em boas escolas e sequer sabem quem foi Juscelino Kubitscheck, mas que aprenderam que Brasília é uma obra de Niemeyer.</p>
<p>Obra de Niemeyer, o cacete.</p>
<p>A idéia mais brilhante sobre Brasília, a de que o prédio do Congresso deveria ser a edificação mais alta, para demonstrar que a representação popular é mais importante do que tudo – “mais altos são os poderes do povo” – foi de Lúcio Costa. Niemeyer apenas fez o projeto do prédio. Um projeto, aliás, igualzinho a tudo que ele fez, e faz: um bloco reto de concreto e vidro, com duas partes de circunferência para enfeitar.</p>
<p>Compare-se o prédio do Congresso Nacional ao prédio da ONU, idealizado por Le Corbusier duas décadas antes: é igualzinho.</p>
<p>Niemeyer é o maior engodo, o maior blefe, o sujeito mais superestimado da História do Brasil.</p>
<p>Um dos maiores engodos do mundo.</p>
<p>Faz prédios, caixotes, de concreto e vidro. Não os defende da luz forte dos trópicos. Não faz aberturas de janelas que permitam a passagem do ar. Todos os prédios que cria têm, necessariamente, que ter ar-condicionado.</p>
<p>É um sujeito tão ante-diluviano em termos de meio-ambiente quanto nas suas idéias políticas.</p>
<p>Na política, defende Stálin, até hoje, passado bem mais de meio século das denúncias dos crimes stalinistas na própria União Soviética.</p>
<p>No trabalho, cria monstrengos de concreto sem espaço para um metrinho de grama sequer. Árvore, então, nem pensar. O Memorial da América Latrina, perdão, Latina, que projetou em São Paulo então governada por Orestes Quércia, financiador do MR-8 e um dos políticos mais corruptos da história, é uma ilha insensata de concreto cercada por uma cidade de concreto. Não há espaço para uma única arvorezinha, naquele mausoléu da Barra Funda.</p>
<p>Em Brasília, o desenho de Lúcio Costa exigia um gigantesco espaço gramado no Eixão, no meio dos prédios dos ministérios, diante da Praça dos Três Poderes. Lúcio Costa botou verde lá. Se fosse por Niemeyer, tudo aquele espaço seria de concreto.</p>
<p>Mais ou menos recentemente, o escritório de Niemeyer bolou um projeto de criar, bem no meio da grama da Esplanada dos Ministérios, um trombolho de concreto. Felizmente (há momentos em que este país tem alguma lucidez) o projeto foi abortado, levando-se em consideração que o espaço havia sido considerado Monumento da Humanidade pela Unesco.</p>
<p>A melhor criação de Niemeyer é a frase que ele repete há mais de um século, de que as curvas de suas criações fazem lembrar as curvas sensuais da mulher.</p>
<p>Morar num prédio projetado por Niemeyer – como o Copan no Centro de São Paulo, ou como naquele prédio horroroso que enfeia a Praça da Liberdade em Belo Horizonte, deve ser um inferno. Com paredes arredondadas, como ter uma sala agradável? Como ter móveis que se adaptem a elas?</p>
<p>Não se tem notícia de um presidente da República que tenha achado que viver no Palácio da Alvorada é agradável.</p>
<p>E o Palácio do Planalto não sobrevive sem reformas infindas, e carésimas, como a que Lula fez.</p>
<p>Ah, sim, mas Niemeyer é uma referência na arquitetura, tem projetos em trocentos países, é incensado no mundo inteiro.</p>
<p>Verdade.</p>
<p>E aí a gente tem que, realmente, tirar o chapéu: o marketing do comunismo, da esquerda, da esquerdiotice, é o melhor do mundo.</p>
<p>Transformam um arquiteto de merda no melhor do mundo. Transformam um governo de merda em nunca antes neste país. Transformam Dilma, esse estupor, essa coisa que não consegue falar uma única frase compreensível, em estadista.</p>
<p>Pobre país, este nosso.</p>
<blockquote><p><em>21 de abril de 2012</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Más notícias do país de Dilma (48)</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-48/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 02:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Como se não bastassem a incompetência, a inoperância do Executivo, e o baixo nível e os seguidos escândalos do Legislativo, interessado apenas em garantir benesses para seus membros, o Judiciário – representado por sua mais alta Corte – resolveu dar uma ajudazinha na desmoralização dos poderes da República. Ministros do STF deixaram de lado aquela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como se não bastassem a incompetência, a inoperância do Executivo, e o baixo nível e os seguidos escândalos do Legislativo, interessado apenas em garantir benesses para seus membros, o Judiciário – representado por sua mais alta Corte – resolveu dar uma ajudazinha na desmoralização dos poderes da República.<span id="more-6836"></span></p>
<p>Ministros do STF deixaram de lado aquela velha e santa lição de que juiz fala é nos autos, e partiram para um bate-boca público, como se fossem gentinha da mais baixa ralé imaginável, num espetáculo em tudo por tudo lamentável.</p>
<p>Mas, como a esperança é a última que morre, e a profissão do brasileiro é esperança, quem sabe o Supremo, agora sob nova direção, não surpreende positivamente o país e trata de julgar logo a quadrilha do mensalão?</p>
<p>Feito esse desabafo, vamos em frente. Eis aí a <a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-47/">48ª compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do governo Dilma Rousseff</a>. Foram publicadas entre os dias 12 e 19 de abril.</p>
<p align="center"><strong>As más notícias da Economia</strong></p>
<p><strong>* “Brasil cria 776 normas burocráticas por dia útil”</strong></p>
<p>“O funcionário de uma empresa descobriu que seu telefone estava bloqueado para ligações interurbanas e pediu ajuda ao setor responsável. A resposta que recebeu foi clara e pragmática: ‘Se for urgente, é melhor você pedir uma senha para um colega, porque para liberar a sua vai demorar um pouco’. A cena, ocorrida não em uma entidade estatal, mas em uma importante companhia paulistana, ilustra uma sociedade em que o excesso de normas e a tolerância ao desvio convivem no dia a dia dos setores público e privado.</p>
<p>“Usar a senha de um colega de trabalho ou criar uma medida provisória para resolver um problema estrutural são dois exemplos, entre vários, em que se recorre a um atalho para não precisar cumprir as etapas previstas. Em resposta a esse tipo de situação, os que têm o poder de formular as regras geralmente criam restrições que, não raro, acabam sendo contornadas também. ‘Quanto maior a flexibilidade de um povo, mais se burocratiza para tentar contê-lo. Mas, quanto mais a gente burocratiza, mais flexível a gente se torna’, avalia a psicóloga Andrea Sebben, que ensina executivos estrangeiros a entenderem o comportamento dos brasileiros.</p>
<p>“Esse círculo vicioso ajuda a explicar a burocracia exorbitante e crescente no Brasil. A União, os Estados e os municípios editam em média 776 normas a cada dia útil, entre leis, medidas provisórias, emendas constitucionais, decretos e outras, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). No total, 13 bilhões de palavras foram escritas desde a Constituição de 1988 para tentar reger o País, publicadas na forma de 4,4 milhões de normas. ‘O mais interessante é que nada disso impede a corrupção’, observa a antropóloga Lívia Barbosa, autora de O Jeitinho Brasileiro. E não foi por falta de aviso. Já no primeiro século da Era Cristã, o historiador e político romano Tácito advertiu: ‘corruptissima res publica, plurimae leges’ &#8211; ou, em palavras atuais, ‘Estados altamente corruptos têm grande número de leis’.</p>
<p>“No Brasil, só a legislação de impostos, quando impressa, pesa 6,7 toneladas, segundo o advogado tributarista Vinicios Leoncio. Ele está reunindo esses documentos em um livro que terá 43 mil páginas, cada uma com 2,2 metros de altura por 1,4 de largura. A lombada terá 3,2 metros. Leoncio espera concluir o trabalho em maio. Ele quer inscrevê-lo no Guinness (almanaque de recordes) para concorrer ao ‘prêmio’ de maior livro do mundo.” <strong>(Silvio Crespo, <em>Estadão</em>, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O governo mostra total despreparo para lidar com os desafios de uma agenda de redução efetiva da carga tributária”</strong></p>
<p>“Nos últimos 20 anos a carga tributária da economia brasileira foi multiplicada por 1,5. Passou de 24% para 36% do PIB. Um aumento de nada menos que 12 pontos porcentuais do PIB. Não há hoje no mundo outra economia emergente relevante com carga tributária tão alta quanto a do Brasil. E o pior é que a carga continua a aumentar. Só no ano passado, o salto foi da ordem de 1,5% do PIB.(&#8230;) A elevação sem fim da carga tributária está, afinal, sufocando o crescimento da economia brasileira. Não da economia como um todo. Por enquanto, o que vem sendo claramente sufocado é o dinamismo de boa parte da indústria de transformação. Até mesmo Brasília parece ter-se dado conta disso. (&#8230;)</p>
<p>“O problema é que o governo mostra total despreparo para lidar com os desafios de uma agenda de redução efetiva da carga tributária. Porque, simplesmente, não contava com isso. Muito pelo contrário, vinha apostando todas as fichas na possibilidade de manter a arrecadação crescendo bem acima do PIB, para que o gasto público pudesse continuar em rápida expansão, em consonância com seu projeto político.</p>
<p>“O que mais impressiona nesse despreparo é a negligência com que o governo trata possibilidades concretas de redução de carga tributária. Nas últimas semanas, voltaram a ganhar destaque as queixas da indústria contra a brutal carga tributária que recai sobre a energia elétrica e os serviços de telecomunicação. A reação do governo federal tem sido a de alegar, mais uma vez, que há muito pouco que a União possa fazer a esse respeito, já que a maior parte do problema decorre das alíquotas extorsivas de ICMS com que os Estados taxam tais insumos.</p>
<p>“No entanto, ao mesmo tempo que vem fazendo tais alegações, o governo vem negociando com os governadores a adoção de novas regras de indexação das dívidas dos Estados com a União. Como era fácil prever, a abertura dessa caixa de Pandora já deu lugar a um festival de propostas irresponsáveis de renegociação das dívidas estaduais, como bem ilustra o projeto que ganhou corpo no Senado. Mas, apesar do risco de perda de controle da renegociação, tudo indica que o governo vai mesmo oferecer aos Estados um pacote de bondades, com redução dos encargos das suas dívidas com a União.</p>
<p>“O que parece inexplicável, contudo, é que até agora não tenha havido a mais vaga menção à possibilidade de que a redução desses encargos esteja de alguma forma vinculada à diminuição das absurdas alíquotas de ICMS cobradas pelos Estados sobre energia elétrica e telecomunicações. Como se isso pouco importasse ao governo federal. E não fosse crucial para o País.” <strong>(Rogério Furquim Werneck, economista, O Globo, 13/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Não tem como a promessa de baixar a carga de impostos ser cumprida</strong></p>
<p>“Em entrevista concedida a <em>Veja</em>, a presidente Dilma Rousseff foi peremptória. ‘Temos de baixar a carga de impostos. E vamos baixa-la.’ Era uma resposta às reclamações de empresários com quem ela se reunira. Para eles, os impostos inviabilizam as melhores iniciativas e impedem que possam competir em igualdade de condições. (&#8230;) Sua promessa não tem, infelizmente, como ser cumprida.</p>
<p>“A carga tributária subiu de 23% do PIB em 1988 para estimados 36% do PIB em 2012. Foi consequência do aumento das despesas. Há desperdícios decorrentes de inépcia, fisiologismo e corrupção, mas essa não é a causa básica da calamidade. Duas outras origens são mais fortes. Primeira, o crescimento natural da despesa (&#8230;). Segunda e mais relevante, a opção, desde 1988, por um modelo de gastos crescentes. Por exemplo, de FHC a Dilma, o salário mínimo, que reajusta 40% dos gastos do INSS, aumentou 162% acima da inflação. (&#8230;)</p>
<p>“É preciso continuar a demanda por corte de gastos correntes, pois assim se aumentaria o espaço para mais investimentos. Outra idéia seria criar condições para limitar o crescimento real das despesas, permitindo que ao longo do tempo elas caíssem como proporção do PIB. O trabalho inglório de clamar pela redução da carga tributária seria mais bem aplicado em reivindicar sua simplificação. As desonerações em curso em favor da indústria, muitas feitas de afogadilho, podem contribuir para piorar a complexidade da carga tributária, e não para reduzi-la.” <strong>(Maílson da Nóbrega, <em>Veja</em>, 18/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “É inútil atribuir o medíocre desempenho comercial do Brasil apenas ao câmbio”</strong></p>
<p>“O Brasil conquistou em 2011 o posto de sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido, mas continuou em 22.º lugar entre os exportadores de mercadorias, muito longe das potências comerciais mais dinâmicas. Permaneceu atrás da China e dos grandes líderes do mundo capitalista &#8211; Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Japão -, mas continuou perdendo a corrida também para países de industrialização recente, como Coreia, Cingapura, Taiwan, México e Índia. Apesar do aumento de suas vendas externas, sua participação nas exportações mundiais ficou em 1,4%, menos de metade da coreana (3%) e bem abaixo da participação da pequena Bélgica (2,6%). Essa classificação, divulgada quinta-feira passada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), reflete muito mais que o baixo dinamismo da economia global e os efeitos cambiais do tsunami monetário denunciado insistentemente pela presidente Dilma Rousseff e por seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. (&#8230;)</p>
<p>“É inútil atribuir o medíocre desempenho comercial brasileiro apenas ao câmbio. Nem os empresários acreditam nessa explicação, embora vivam protestando contra a valorização do real. Também é inútil atribuir essa valorização apenas ao tsunami monetário criado pela emissão de dólares, euros e libras, em vez de levar em conta os efeitos dos juros brasileiros, as distorções criadas pelo gasto público excessivo e também, é claro, os atrativos de uma economia ainda em crescimento, num cenário global de baixo dinamismo. Há também, é claro, uma porção de custos absurdamente altos.</p>
<p>“O cenário de 2011 deveria ser um estímulo a mais para uma reflexão crítica &#8211; e principalmente autocrítica &#8211; das autoridades. Mas o cenário prospectivo de 2012 deveria levá-las a pensar em ações muito mais sérias que os pacotes e pacotinhos lançados de tempos em tempos pelo governo. Os economistas da OMC projetam para este ano um crescimento de apenas 3,7% para o comércio global, compatível com uma expansão econômica estimada em 2,1%. No ano passado, o comércio cresceu 5%, segundo a avaliação preliminar, e a produção mundial avançou 2,4%, de acordo com as contas apresentadas no estudo. O cenário inclui alguma recuperação nos Estados Unidos e no Japão, insuficiente para compensar a estagnação europeia. Não basta combinar mais protecionismo com mais incentivos ao consumo e alguns estímulos a produções selecionadas. É preciso pensar em algo mais sério.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 16/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Nove anos de absoluta incompetência no comércio internacional</strong></p>
<p>“Logo no início do governo Lula, quando as negociações em torno da Associação de Livre Comércio das Américas, Alca, estavam enterradas, diversos governos da região começaram a se mover para negociar acordos bilaterais com os EUA. O Brasil não quis nem saber desses ‘acordinhos’, como os qualificou o então chanceler Celso Amorim. Só nos interessava o entendimento global na Organização Mundial do Comércio (OMC).</p>
<p>“Passados estes dez anos, o que temos? A rodada na OMC fracassou, como muitos desconfiavam. E proliferaram pelo mundo os acordos bilaterais. Aqui do nosso lado, dez países latino-americanos têm tratado de livre comércio com os EUA. O Brasil não tem nem o entendimento para evitar a bitributação – sendo um dos únicos países importantes que não fecharam esse arranjo com os Estados Unidos. Será uma coincidência que o Brasil tenha perdido espaço nas vendas para o maior mercado consumidor do mundo? (&#8230;)</p>
<p>“O Mercosul deveria ser como a União Europeia, uma área inteiramente aberta, de livre circulação de mercadorias e pessoas. Por isso, seus membros, como na Europa, não podem assinar acordos separadamente. Só o bloco pode. Mas se lá funcionou, aqui é uma sucessão de fracassos. O governo argentino vem há tempos impondo restrições às importações brasileiras. Do principal sócio! Como esperar que tope negociar abertura comercial com os EUA ou Europa? Quer dizer, até negocia, mas para nunca chegar a qualquer resultado. Por exemplo, o Mercosul é o bloco que há mais tempo conversa com a União Europeia. Países que começaram depois, como o Chile, já fecharam o negócio.</p>
<p>Na verdade, o governo Lula fez uma opção ideológica: sem conversa com os EUA e ponto final. Claro que certos acordos podem ser desfavoráveis – por isso a negociação precisa ser cuidadosa -, mas o ponto é outro: o governo brasileiro simplesmente não quis nem começar a conversa. Alca é tentativa de dominação dos EUA, e ponto final. Acordo com os EUA é entregar nosso mercado.</p>
<p>“Vai daí, Lula saiu por aí tentando organizar os países do Sul, os pobres, contra o Norte. Muitos desses países manifestaram apoio a essa estratégia, até entraram em organizações como a Unasul, da turma da América do Sul. Mas continuaram tocando sua vida. Considerem a Colômbia: tem 44 tratados de livre comércio, inclusive com o Mercosul! Idem para o Chile. Eles não são bobos, gostam de muitos ‘acordinhos’. (&#8230;)</p>
<p>“Hillary Clinton mencionou acordos de livre comércio, mas, como o governo Dilma segue na mesma linha de Lula, a secretária americana tratou do tema que mais a interessa no momento: levar brasileiros para gastar dinheiro nos EUA.” <strong>(Carlos Alberto Sardenberg, <em>O Globo</em>, 19/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Política industrial segue um rumo equivocado”</strong></p>
<p>“A industrialização brasileira teve início num quadro de protecionismo, de economia fechada e de taxa cambial favorável a essas duas características. Para ajudar a indústria hoje, o governo tenta recriar o ambiente dos anos 60. É o caso de indagar se não se vai consolidar de novo uma indústria muito frágil sob as asas protetoras do Estado.</p>
<p>“A situação atual é mais complexa, pois a intervenção estatal sob a forma de alívios fiscais está sendo dirigida a produtos, e não à indústria em geral, gerando distorções e muitas vezes complicando a vida das empresas que têm, num mesmo produto final, componentes com e sem essa desoneração fiscal, por meio da qual se supõe que a indústria se tornará competitiva. É um tipo de política que corre o risco de repetir os erros do passado, quando nossa indústria se habituou a importar componentes do exterior, sem procurar desenvolver uma tecnologia própria e inovadora.</p>
<p>“A Fundação Getúlio Vargas (FGV) acaba de constatar que, provavelmente, neste 1.º trimestre, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que é o total dos investimentos, mais uma vez recuou. Isso enquanto o consumo continua crescendo. A FBCF depende tanto dos investimentos públicos na infraestrutura quanto dos do setor privado. Estes, em razão do atual marasmo, mesmo com estímulos, se mostram hesitantes na grande maioria dos setores. O problema está no setor público.</p>
<p>“De fato, se o total de gastos indica aumento de investimentos do governo federal, logo se verifica que estes se concentram no Programa Minha Casa, Minha Vida, enquanto outros investimentos necessários à infraestrutura sofreram um recuo sensível em relação ao ano passado, quando já haviam sido insuficientes.</p>
<p>“O governo precisa se convencer de que são os investimentos públicos que vão permitir um aumento do Produto Interno Bruto (PIB), ao mesmo tempo que oferecerão a todos os setores industriais os meios suscetíveis de reduzir seus custos de produção para enfrentar a concorrência estrangeira. O crescimento do PIB exige um nível adequado de investimentos. E os investimentos promovem distribuição de renda, antes do aumento da capacidade de produção &#8211; o que certamente é um processo mais ortodoxo do que o aumento artificial do crédito para estimular a demanda doméstica. E a oferta de melhores estradas, portos, ferrovias, etc., reduzirá os custos da produção à medida que a demanda aumenta. Num quadro atraente como esse, a indústria poderá voltar a investir na produção.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 19/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Quando o governo força a barra do mercado, alguma coisa dá errado</strong></p>
<p><strong>* Inadimplência bate recorde e consumidor dá carro de graça para se livrar da dívida</strong></p>
<p>“A inadimplência recorde e o aperto dos bancos no crédito têm causado algo além de concessionárias vazias. Muitos consumidores que, com o incentivo do governo, compraram carro financiado nos últimos anos, chegam a um verdadeiro limbo quando têm dificuldade em pagar as parcelas. Tentam vender o veículo, mas, como o carro deprecia rápido e há grande oferta, o valor conseguido na venda não é suficiente para quitar a dívida.</p>
<p>“Para resolver o problema, muitos consumidores têm tentado uma solução caseira: repassar o automóvel e a dívida a outra pessoa. Às vezes, no desespero, até de graça. Em janeiro, o paulistano Felipe Di Luccio percebeu que as contas não fechavam. A faculdade, a parcela do apartamento recém-comprado e o financiamento do carro consumiam boa parte do salário. Para sair do vermelho, decidiu vender o Celta comprado sete meses antes em 60 parcelas. ‘Mas não dava. Receberia R$ 20 mil, insuficiente para quitar a dívida de R$ 23,5 mil no banco. Então, decidi repassar a dívida.’ O plano do estudante de arquitetura era simples. Como a venda do carro não bastava para liquidar a dívida, queria se livrar do financiamento com a entrega do carro para outra pessoa. ‘Vai o carro, vai a dívida’, resume. Não há números oficiais, mas financeiras e lojas de automóveis reconhecem que a iniciativa de Luccio tem se repetido cada vez mais no País.</p>
<p>“Após a exuberância do crédito fácil e abundante dos últimos anos, clientes com dificuldade financeira se desesperam ao perceber que não basta vender o carro para quitar o empréstimo. Os que mais sofrem são aqueles que optaram pelo financiamento de 100% do veículo, exatamente como Luccio.” <strong>(Fernando Nakagawa, <em>Estadão</em>, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “Sempre que apela para o voluntarismo, o governo produz mais espuma que substância”</strong></p>
<p>Ontem (<em>quinta, 12/4</em>), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou que o governo pode endurecer seu jogo com os senhores do dinheiro. Desta vez, expôs seu descontentamento com a falta de determinação dos banqueiros em derrubar o spread (diferença entre o que pagam pelos recursos e o que cobram nos empréstimos).</p>
<p>“Por disposição de ofício, banqueiro não gosta de parecer brigão. Prefere trabalhar na moita, passando a impressão de que está de bem com todos, mesmo quando o governo Dilma dá sinais de que se prepara para entrar em rota de colisão com o setor. Para o governo, banqueiros estão na contramão em dois objetivos de política econômica.</p>
<p>“O primeiro deles é a repentina redução de interesse dos bancos privados em ampliar operações de crédito, justamente num momento em que a atividade econômica ficou mais fraca. Ou seja, para o governo, os bancos não colaboram na execução de uma política anticíclica.</p>
<p>“Os bancos privados se mostram menos interessados na expansão do crédito até mesmo nos segmentos em que as garantias são de melhor qualidade, como o do financiamento de veículos, na medida em que conta com a proteção proporcionada pelo estatuto da reserva de domínio. (Se deixa de pagar suas prestações, o credor tem de entregar seu veículo ao banco, um processo relativamente rápido.)</p>
<p>“Entendem que, depois da rápida escalada que durou dez anos, em que avançou de 26,8% para 48,8% do PIB, o mercado de crédito se estreitou. Esse estrangulamento pode ser aferido hoje pelo aumento dos índices de inadimplência – de 5,8%, no início de 2011, para os atuais 7,6%. Entre perder mercado e perder rentabilidade, os bancos preferem perder mercado. Por isso, parecem menos propensos a atender o governo nesse quesito.</p>
<p>“A segunda fonte de descontentamento do governo Dilma com os bancos é um problema crônico: são os juros escorchantes cobrados no crédito, que conspiram contra o interesse do governo de derrubar os juros e os custos de produção da economia. Para atacar essas duas fontes de descontentamento, o governo mobilizou os bancos oficiais, hoje com cerca de 44% do mercado nacional de crédito. Quer que Banco do Brasil e Caixa Econômica atuem mais agressivamente no crédito, seja expandindo suas operações, seja derrubando os juros cobrados dos tomadores.</p>
<p>“A decisão de chamar para a briga demonstra certa fraqueza do governo. Sempre que apela para o voluntarismo ou para falsas quedas de braço, produz mais espuma que substância. É preciso, também, atacar as condições técnicas que mantêm os spreads bancários na altura em que estão.</p>
<p>“Por outro lado, acionar os bancos oficiais para tentar acirrar a concorrência num setor que opera com altos níveis de cartelização leva o risco de criar distorções. Quando criou e depois manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) a juros artificialmente baixos, o governo montou o monopólio do BNDES regado com recursos (fundings) oficiais e matou o mercado de financiamento de longo prazo (exceto pelo crédito habitacional). E é esse o risco que correm os segmentos de crédito de curto prazo.” <strong>(Celso Ming, <em>Estadão</em>, 13/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O governo deveria olhar para o próprio umbigo e ver que seus impostos constituem um importante ingrediente do spread bancário”</strong></p>
<p>&#8220;Mesmo havendo boas justificativas para uma queda de braço com os bancos privados que atuam no País &#8211; como a de um estudo do FMI mostrando que a margem de lucro deles, medida pelo retorno anualizado sobre o patrimônio, supera a verificada nas dez maiores economias do mundo -, para uma queda mais efetiva do spread o governo terá de abandonar sua atitude de não mexer na parte que lhe toca.</p>
<p>“Assim, deveria olhar para o próprio umbigo e ver que seus impostos constituem um importante ingrediente do spread bancário. Há ainda os altos encargos previdenciários, que compõem os custos administrativos, e o ônus trazido pelos recolhimentos compulsórios tampouco é desprezível. Na inadimplência também tem o que fazer. Entre outras medidas, caberia regulamentar e disseminar o recentemente aprovado cadastro positivo, que melhor avalia os riscos dos tomadores de crédito, bem como difundir a educação financeira para, entre outros objetivos, mostrar a esses tomadores o custo dos juros e os males do exagero no endividamento e da resultante insolvência. E quanto às margens dos bancos, tomar medidas para reduzir a concentração bancária e ampliar a competição entre eles. Se mantiver sua atitude de não mexer naquilo que lhe cabe, ficará difícil para o governo se impor como sério combatente e defensor de uma causa justa.” <strong>(Roberto Macedo, economista, <em>Estadão</em>, 19/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Irregularidades</strong></p>
<p><strong>* União financia museu que dará destaque para greves lideradas por Lula que deram origem ao PT</strong></p>
<p>“Às vésperas do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva voltar a aparecer em atos políticos, a prefeitura da cidade dele, São Bernardo do Campo, assina hoje (<em>sexta, 13/4</em>) acordo que prevê a construção de mais uma obra em parceria com o governo federal, o Museu do Trabalho e do Trabalhador. Idealizado pelo prefeito e um dos melhores amigos de Lula, Luiz Marinho, o museu dará destaque para o movimento sindicalista comandado pelo ex-presidente e para as greves lideradas por ele.</p>
<p>“A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, assina hoje com a prefeitura a ordem de serviço para o início das obras, orçadas em R$ 18 milhões. Deste total, R$ 14,4 milhões serão pagos pelo Ministério da Cultura e R$ 3,6 milhões pelo município. A inauguração deve ocorrer em 2013. O museu, que terá área total de 10 mil metros quadrados.” <strong>(Marcelle Ribeiro e Sérgio Roxo, O Globo, 13/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* União custeará museu de loas a Lula – e ministra não acha nada estranho</strong></p>
<p>“A ministra Ana de Hollanda (Cultura) afirmou que não causa nenhum tipo de constrangimento o financiamento de R$ 14,4 milhões do Ministério da Cultura para a construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador, que será erguido em São Bernardo do Campo, cidade onde mora o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O museu vai mostrar vários aspectos do trabalho, mas dará atenção especial ao movimento grevista e sindicalista, liderado por Lula. A prefeitura da cidade arcará com R$ 3,6 milhões para a obra, prevista para ser concluída em até um ano.</p>
<p>“Na assinatura da ordem de serviço para o início das obras nesta sexta-feira, em São Bernardo, a ministra disse que o museu tinha que ser no município, pois ‘a história da cidade está muito ligada ao trabalho e ao trabalhador’. Ela defendeu a parceria do ministério com a prefeitura de São Bernardo. A cidade, berço do PT, é governada por um dos melhores amigos de Lula, Luiz Marinho. ‘A obrigação da União é fazer a parceria. O que seria o ministério da Cultura se não apoiar museus? Não tem nenhum vínculo (partidário)’, disse.</p>
<p>A ministra não quis opinar sobre o espaço que Lula deve ter no museu. ‘Lula faz parte da história dos trabalhadores e do movimento sindical. Mas dentro do museu não sou eu que vou defender isso. Tem todo um trabalho museográfico que vai ser desenvolvido por uma equipe’, afirmou. <strong>(O Globo, 14/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O museu será um monumento ao patrimonialismo, a deletéria confusão do público com o privado”</strong></p>
<p>“O tema do Museu do Trabalho e do Trabalhador e sua localização, no ABC, são bastante adequados. Destoa é o uso de dinheiro público num projeto que, por inevitável, será centrado na figura de Lula, ex-presidente da República e líder supremo do partido no poder. Em vez de simbolizar o operariado, o museu será um monumento ao patrimonialismo, a deletéria confusão do público com o privado.” <strong>(Opinião, <em>O Globo</em>, 14/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Incompetência, projetos furados </strong></p>
<p><strong>* “Os resultados da execução do PAC do saneamento são ruins em todo o País”</strong></p>
<p>“Cinco anos depois de lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com previsão de aplicação de R$ 85 bilhões no setor, e do início da vigência da Lei do Saneamento Básico, considerada essencial para propiciar o atendimento de todos brasileiros com rede de água e esgotos, a situação continua desalentadora. De 114 obras de saneamento do PAC, em execução em cidades com mais de 500 mil habitantes, e que, na maioria, vêm sendo acompanhadas desde 2009, apenas 8 (ou 7% do total) estavam concluídas no fim do ano passado.</p>
<p>“O custo das obras é de R$ 4,4 bilhões, ou 11% dos R$ 40 bilhões previstos na primeira edição do PAC para saneamento. O PAC 2 prevê mais R$ 45 bilhões. O Instituto Trata Brasil, organização criada em 2007 para estimular a sociedade a cobrar das autoridades o avanço no saneamento básico, decidiu acompanhar essas obras por considerar que seu andamento &#8211; ou sua paralisação, pois há muitas paradas &#8211; reflete o desempenho geral do programa. Isso vem sendo feito desde 2009 e o resultado continua decepcionante, como se constata no relatório referente a 2011, que acaba de ser divulgado. (&#8230;)</p>
<p>“Os resultados da execução do PAC do saneamento são ruins em todo o País. Das obras acompanhadas pelo Trata Brasil, 60% estavam paralisados, atrasados ou nem tinham sido iniciados em dezembro de 2011. Mas a situação era particularmente grave no Norte (100% das obras paradas), Centro-Oeste (70%) e Nordeste (34%). Já no Sul, 60% das obras estavam sendo executadas dentro do prazo e, no Sudeste, 50%. Ou seja, as obras andam mais depressa onde são mais altos os índices de atendimento da população.” <strong>(Editorial, <em>Estadão</em>, 13/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Má distribuição de médicos pelo país é problema que exige gerenciamento profissional, e não falsa solução determinada por interesses político-ideológicos</strong></p>
<p>“A Federação Nacional dos Médicos dá um parecer importante para o diagnóstico do mal. ‘Os médicos são distribuídos de forma trágica e injusta com a sociedade. Enquanto temos um para cada 200 habitantes em certos lugares, em outros temos um para cada dez mil’, diz o presidente do órgão, Cid Célio Carvalhaes. Mas a distribuição de profissionais no território nacional é apenas uma das pontas do problema. Na outra, está a questão da formação.</p>
<p>“Neste extremo, em nome de uma suposta ampliação da capacidade de atendimento do sistema de saúde pública, há o risco de se abrir as portas para uma duvidosa saída. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a relação médico/número de pacientes atendidos é de 1,95 por mil habitantes. O governo federal planeja aumentar essa referência, nos próximos anos, para até 2,7/mil. Para isso, propõe uma medida acertada — a criação de mais faculdades de medicina de qualidade — e um oportunismo político, qual seja, o afrouxamento dos critérios de validação de diplomas obtidos no exterior, em países como Cuba, Bolívia e Argentina, um evidente contrabando de interesses ideológicos para a agenda de demandas da saúde pública.</p>
<p>“Não há soluções fáceis para um quadro que é complexo visto tanto pelos problemas específicos da interiorização quanto pelo conjunto de problemas da saúde no Brasil. No caso da má distribuição da mão de obra pelo país, o diagnóstico passa necessariamente pela oferta de bons salários e de boas condições de trabalho, bem como pelo aperfeiçoamento da formação, com a ampliação da rede de ensino de qualidade. Tudo, como se vê, terreno do gerenciamento, que deve ser profissional, e não determinado por interesses político-ideológicos.” <strong>(Editorial, <em>O Globo</em>, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Mercadante, titular do Ministério da Ficção Científica</strong></p>
<p>“O comissário Aloizio Mercadante confirmou na sua passagem pelos Estados Unidos que é o titular do Ministério da Ficção Científica do governo. Anunciou que ‘o Massachusetts Institute of Technology abrirá um MIT no Brasil’. Repetiu: ‘Teremos uma escola do MIT no Brasil’. Foi prontamente desmentido, num comunicado da instituição: ‘O MIT não abre filiais no exterior’.</p>
<p>“Em 2011, ao assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou a construção de um laboratório oceanográfico em alto-mar. Cadê? Durante a visita da doutora Dilma à China, Mercadante esteve na cena do anúncio de um investimento de US$ 12 bilhões da empresa Foxconn. Cadê? Algum dia Mercadante mostrará como os professores da rede pública organizarão suas aulas com os 600 mil tablets que resolveu comprar.” <strong>(Elio Gaspari, <em>O Globo</em> e <em>Folha de S. Paulo</em>, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Brasil fez a maior reforma agrária do mundo – e uma das menos eficazes</strong></p>
<p>“O Brasil realizou a maior reforma agrária do mundo. Poucos, entretanto, acreditam nesse feito. Tal percepção negativa é influenciada pelo discurso que valoriza a quantidade em detrimento da qualidade dos assentamentos rurais. Idealismo irresponsável. De 1994 a 2011, mostra com exatidão o Incra, foram assentadas no País 1.176.813 famílias, distribuídas numa área de 88 milhões de hectares. Para aquilatar a grandeza dos números basta citar que existem em São Paulo 227 mil estabelecimentos agropecuários (IBGE, 2006), explorando 16,7 milhões de hectares. Conclusão: a reforma agrária brasileira já é cinco vezes maior que a agricultura paulista. (&#8230;)</p>
<p>“A área distribuída nos assentamentos rurais do Brasil excede a própria área cultivada do País, de 70 milhões de hectares (excluindo pastagens). A França explora 30 milhões de hectares. Se houvesse um ranking mundial da reforma agrária, o Brasil certamente o lideraria. Na dimensão. Porque na eficácia ocuparia os derradeiros lugares. Aqui mora o problema. A qualidade dos assentamentos rurais configura um fracasso na política pública. Fora as exceções de praxe, verdadeiras favelas rurais se espalharam pelo País. (&#8230;)</p>
<p>“Mais que girar a rosca sem-fim importa garantir qualidade produtiva à reforma agrária. Deveria haver uma norma &#8211; lei da responsabilidade agrária &#8211; que obrigasse o poder público a emancipar os projetos antigos antes de iniciar os novos. Consolidado o assentamento, com moradia decente, transporte regular, assistência técnica, integração produtiva, os recém-‘com-terra’ seriam titulados. Escritura na mão, alforria no campo. <strong>(Xico Graziano, <em>Estadão</em>, 17/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Quem abafa o que no caso Cachoeira</strong></p>
<p><strong>* O presidente do PT deixou claro: quer socializar os prejuízos do mensalão</strong></p>
<p>“Onde havia a dúvida, o presidente do PT, Rui Falcão, instituiu a certeza: a defesa enfática da criação da CPI para investigar a rede de traficâncias do contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Cachoeira, não pode ser tomada como um retorno do partido às lides da ética na política.</p>
<p>“Significa, antes, uma tentativa de socializar desde já os prejuízos decorrentes do julgamento do processo do mensalão. De onde se conclui que o PT não faz as pazes com a legalidade, mas apenas volta a se utilizar da bandeira sob a qual fez carreira. Até quarta-feira (<em>11/4</em>) essa era apenas uma ilação. Uma versão corrente entre adversários de governo ou oposição, tornada oficial por Falcão em um vídeo divulgado na internet pedindo apoio para a investigação ‘do escândalo dos autores da farsa do mensalão’.</p>
<p>“Um recibo com certidão firmada em cartório. Tão completamente explícito que até petistas mais ajuizados manifestaram contrariedade. Entre eles o senador Jorge Viana, que foi ao ponto: ‘Ela (a CPI) não pode estar vinculada ao tema mensalão, pois esse é um problema de que nós, no PT, temos uma versão e o Brasil tem outra’. Questão que caberá o Supremo Tribunal Federal resolver dizendo de que lado está a razão. Sem a interferência de ensaios canhestros de desvio de foco ou atos de pressão, cujo primeiro resultado é a exposição pública dos propósitos baixos do partido.</p>
<p>“Ordens de Lula, sedento que está o ex-presidente de desmoralizar personagens e ações-chave no desmonte da imagem proba do PT? É o que consta e o que faz sentido, partindo-se do princípio de que Rui Falcão não lançaria mão de uma ofensiva tão escancarada sem um forte muro de arrimo a escorá-lo. Aliou-se à defesa da tese difundida pelo réu mor do processo, José Dirceu, e saiu ‘denunciando’ a existência de uma ‘operação abafa’, organizada pelos meios de comunicação para impedir as investigações sobre as relações da rede Cachoeira com o mundo político em geral, com um órgão de imprensa em particular (a revista <em>Veja</em>) e, se possível, resvalar no Judiciário melhor ainda, na perspectiva dos que são vistos como ‘autores da farsa do mensalão’.</p>
<p>“Um truque conhecido, esse de partir para a ofensiva usando armas com sinal trocado a fim de aplicar vacina nas próprias mazelas. Se possibilidade real de CPI passou a existir, se a rede de traficâncias está se revelando ampla e profunda, se personagens são desmascarados e negócios suspeitos vêm à tona é justamente por ação dos meios de comunicação.</p>
<p>“Um ato categórico de acobertamento quem cometeu foi Rui Falcão ao citar nominalmente apenas os adversários, Demóstenes Torres (ex-DEM) e Marconi Perillo (PSDB), deixando de lado o petista Agnelo Queiroz. A manobra de construção de um atalho que leve a uma derivação de curso deu certo uma vez com a história engendrada pelo então ministro da Justiça, hoje advogado de Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos e contada por Lula. Na condição de presidente da República, não teve pejo em confessar crime eleitoral para tentar na ocasião como agora socializar e, assim, neutralizar o prejuízo.</p>
<p>“Agora está ainda mais à vontade como eminência parda e militante da causa de fortalecer a tese de que o esquema de desvios e fraudes montado para financiar campanhas partidárias e, assim, cooptar uma base aliada substancial no Congresso, foi pantomima inventada por inimigos municiados por bandidos. Ora, se foi mesmo uma farsa para que tanto esforço. Melhor deixar que a Justiça a desconstrua com a força dos fatos.</p>
<p>“Difícil que ministros do Supremo se deixem engambelar, preferindo referir-se nas impressões que na precisão das provas.” <strong>(Dora Kramer, <em>Estadão</em>, 13/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* A verdadeira operação abafa</strong></p>
<p>“A tática dos lulo-petistas de acusar os adversários políticos de praticar as malfeitorias que eles próprios cometem é sobejamente conhecida, mas chega a ser desconcertante o caradurismo da operação abafa que suas lideranças estão tentando instaurar diante da iminência do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temerosa de que a Suprema Corte venha a confirmar a existência do maior escândalo de corrupção da história da República, a cúpula petista tenta por todos os meios &#8211; inclusive a pressão sobre os ministros do STF &#8211; desqualificar as acusações que pesam sobre os 38 réus do processo e, por meio das mais deslavadas chicanas, provocar a postergação do julgamento para 2013. Com isso estariam os petistas, no mínimo, se poupando de maior desgaste político em ano eleitoral e permitindo a prescrição de muitas das denúncias.” <strong>(Editorial, Estadão, 17/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* PT tentou evitar devassa na Delta, principal tocadora de obras de PAC, </strong></p>
<p>“A CPI do Cachoeira pode expor os negócios da principal tocadora de obras do PAC, a Delta Construções. Com sede no Rio, a empresa faturou cerca de R$ 4 bilhões somente em repasses diretos desde o começo do governo Lula, com ápice no ano passado, quando tornou-se a campeã em recursos recebidos. Mais de 80% desse montante são contratos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), braço do Ministério dos Transportes e alvo de faxina recente da presidente Dilma Rousseff. O lobby para excluir empresas privadas da investigação foi deflagrado para evitar devassa na empreiteira.</p>
<p>“Em 2010, a Delta desembolsou R$ 2,3 milhões nas eleições, em iguais fatias para o PT e o PMDB nacionais. Além da força nacional, a empreiteira tem grande inserção no governo do peemedebista Sérgio Cabral (RJ).” <strong>(Vera Magalhães, Folha de S. Paulo, 12/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Dinheiro da Delta abasteceu grupo de Cachoeira em 2010</strong></p>
<p>“O contador do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, sacou no ano eleitoral de 2010 R$ 8,5 milhões que saíram dos cofres da construtora Delta, empresa que detém contratos milionários com o poder público. Único foragido da Operação Monte Carlo, Geovani Pereira da Silva é apontado pela Polícia Federal como tesoureiro do esquema de Cachoeira e, de acordo com investigadores, seria o elo financeiro do grupo com políticos.</p>
<p>“Perícias em sigilo bancário feitas pela PF, às quais a Folha teve acesso, mostram que Geovani sacou os recursos de uma conta bancária em nome de uma empresa em Brasília chamada Alberto e Pantoja Construções e Transportes Ltda. Ela não existe no endereço declarado. Essa empresa, segundo a investigação, foi criada em fevereiro de 2010 somente para receber dinheiro da Delta.” <strong>(Leandro Colon e Fernando Mello, <em>Folha de S. Paulo</em>, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Delta transferiu R$ 39 mi para empresas de fachada de Cachoeira</strong></p>
<p>“O bicheiro Carlinhos Cachoeira usou duas empresas de fachada — a Brava Construções e a Alberto &amp; Pantoja — para movimentar R$ 39 milhões, entre 2010 e 2011. Os saques eram feitos pelo tesoureiro da quadrilha de Cachoeira, Giovane Pereira da Silva, e sempre um pouco abaixo de R$ 100 mil, que é o valor que obrigaria a comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).</p>
<p>“Segundo os relatórios da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de fevereiro, o repasse do dinheiro foi feito pela Delta Construções. ‘A empresa Delta Construções S/A transferiu dezenas de milhares de reais para empresas ‘de fachada’ (com sócios montados — inexistentes) controladas por Carlinhos Cachoeira e Giovane Pereira da Silva nos anos de 2010 e 2011, conforme demonstram os extratos bancários vinculados à Brava Construções e Alberto &amp; Pantoja Construções1’, diz trecho do relatório da PF.</p>
<p>“O inquérito mostra que parte dos saques foi em período eleitoral: ‘113 saques em espécie entre 13/08/2010 e 18/04/2011’. Segundo os documentos, os supostos sócios da Brava e da Alberto &amp; Pantoja são apenas “bonecos, montados para os fins da organização criminosa” e alguns desses sócios tiveram nomes modificados para criação de CPFs falsos. <em>O Globo</em> mostrou que a Delta, empreiteira número um do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), recebeu, ano passado, R$ 884,4 milhões da União. O volume de recursos do governo federal para a Delta cresceu 1.417%, de 2003 até 2011 em valores corrigidos pelo IPCA. De janeiro até anteontem, a Delta recebeu R$ 156,8 milhões — dos quais R$ 156 milhões destinados às obras do PAC. Em 2007, 2009 e 2011, a Delta foi a principal empreiteira do PAC. <strong>(Cássio Bruno, Maiá Menezes, Evandro Éboli e Luiza Damé, O Globo, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Contra da Delta com governo Dilma para obra em Cumbica foi feita sem licitação; TCU aponta superfaturamento de R$ 14 milhões</strong></p>
<p>“O primeiro grande negócio fechado pela Delta Construções no governo Dilma Rousseff &#8211; incluído no rol das investigações da CPI do Cachoeira &#8211; foi fechado na base do ‘jeitinho’, segundo decisão publicada na semana passada pela Justiça Federal, à qual o <em>Estado</em> teve acesso. A construção de terminal remoto no aeroporto de Guarulhos opera atualmente abaixo da capacidade, depois de consumir R$ 85,7 milhões. A contratação da empreiteira foi feita sem licitação, a pretexto de ser uma obra emergencial, para evitar um suposto ‘caos aéreo’ na virada do ano.</p>
<p>“A obra responde por superfaturamento estimado em R$ 14,4 milhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A Justiça Federal e o TCU recusaram os argumentos da Infraero para dispensar licitação no contrato com a Delta. A construtora já acumulava, havia quatro anos, o título de maior beneficiária de repasses de dinheiro da União. Na campanha de 2010, doou R$ 1,15 milhão para a candidatura de Dilma Rousseff do Planalto.  Por meio de nota aprovada pelo ministro Wagner Bittencourt (Secretaria de Aviação Civil), a Infraero negou que a escolha da Delta tenha sido resultado de algum lobby no governo. ‘A Infraero realizou uma consulta pública. O menor preço, de R$ 85,75 milhões, foi o vencedor’, informou a estatal responsável pela administração dos aeroportos.” <strong>(Marta Salomon, <em>Estadão</em>, 19/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* “O encontro do PT com suas malfeitorias”</strong></p>
<p>“Materializou-se um pesadelo do comissariado petista. Foi ao ar o grampo em que o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira, Delta diz que ‘se eu botar 30 milhões [de reais] na mão de um político, eu sou convidado para coisa para c….. Pode ter certeza disso, te garanto’. A versão impressa dessa conversa surgiu em maio passado, numa reportagem da revista <em>Veja</em>. Ela descrevia uma briga de empresários, na qual dois deles, sócios da Sygma Engenharia, desentenderam-se com Cavendish e acusavam-no de ter contratado os serviços da JD Consultoria, do ex-ministro José Dirceu, para aproximar-se do poder petista. A conta foi de R$ 20 mil.</p>
<p>“À época, o senador Demóstenes Torres, hoje documentadamente vinculado a Carlinhos Cachoeira, informou que proporia uma ação conjunta da oposição para ouvir os três empreiteiros. Deu em nada, como em nada deram inúmeras iniciativas semelhantes. Se houve o dedo de Cachoeira na denúncia dos empresários, não se sabe. Diante do áudio, a Delta diz que tudo não passou de uma ‘bravata’ de Cavendish. O doutor, contudo, mostrou que sabe se relacionar com o poder. Tem 22 mil funcionários e negócios com obras e serviços públicos em 23 Estados e na capital.</p>
<p>“No Rio de Janeiro, participa do consórcio da reforma do Maracanã. Seu diretor regional de Goiás era interlocutor frequente de Carlinhos Cachoeira. Na última eleição, Cavendish botou R$ 1,1 milhão no cofre do Comitê Nacional do PT e R$ 1,1 milhão no PMDB. Em ambos os casos as doações foram legais. Em apenas 15 meses, durante o segundo mandato de Sérgio Cabral, de quem Cavendish é amigo pessoal, a Delta conseguiu contratos no valor de R$ 1,49 bilhão, R$ 148 milhões sem licitações. Suas contas com o PAC chegam a R$ 3,6 bilhões.” <strong>(Elio Gaspari, <em>O Globo</em> e <em>Folha de S. Paulo</em>, 18/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>Clima: a presidente fora do tom</strong></p>
<p><strong>* “Parece que o governo não pretende aproveitar a Rio+20 para discutir nossa matriz energética”</strong></p>
<p>“Pena que num momento como este nossa presidente da República atribua a ‘fantasias’ as críticas de vários setores à construção de hidrelétricas como Belo Monte e outras amazônicas e diga que essas elucubrações distantes da realidade não serão discutidas na Rio+20. Porque, na sua visão, as críticas partem de quem acredita que o desenvolvimento ocorrerá apenas com energia solar (abundante) e eólica (já a preços competitivos) &#8211; até porque, segundo ela, não é possível ‘estocar vento’.</p>
<p>“O ex-ministro professor José Goldemberg já considerou o discurso da presidente ‘um mau presságio’ para a Rio+20. E tem razão. O que se esperava é que, numa conferência como essa, o governo discutisse a matriz energética nacional; estudos como o que produziram a Unicamp e o WWF já em 2006, mostrando que o País pode economizar cerca de 50% da energia que consome &#8211; quase 30% com programas de eficiência e conservação de energia (tal como fez no apagão de 2001); 10% reduzindo as inacreditáveis perdas nas linhas de transmissão (próximas de 17%); e mais 10% repotenciando antigos geradores de usinas, a custos muito mais baixos. E que o governo se dispusesse a discutir o plano de expansão de usinas nucleares, no momento em que quase todo o mundo as abandona (porque são perigosas, caras e sem destinação para o lixo nuclear).” <strong>(Washington Novaes, <em>Estadão</em>, 13/4/2012.)</strong></p>
<p align="center"><strong>“O Brasil fará a melhor de todas as Copas do Mundo”</strong></p>
<p><strong>* A Copa e as greves: haja emoção</strong></p>
<p>“Para quem acha que o ritmo das obras dos estádios da Copa anda lento. O economista José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de Relações Sindicais do Dieese, entidade de pesquisa criada e mantida pelo movimento sindical, chama a atenção: como já ocorreu no Maracanã, no Mineirão e no Castelão, novas greves podem pipocar até 2014: ‘Os sindicatos têm um trunfo na mão: o calendário apertado. Isto ocorreu nas obras da Copa de 2010, na África’.</p>
<p>‘Na verdade&#8230;</p>
<p>“Os grandes canteiros de obras do país, de hidrelétricas a estádios, vivem um momento de efervescência grevista. José Silvestre vê isto com naturalidade: ‘O Brasil não fazia grandes obras desde os anos 1970. Os operários começaram a reclamar das condições dos alojamentos e até da comida. Os sindicatos chegaram depois.’</p>
<p>“Ou seja&#8230;</p>
<p>“Haja emoção.” <strong>(Ancelmo Gois, <em>O Globo</em>, 15/4/2012.)</strong></p>
<p><strong>* Não há hotéis no Rio sequer para a Rio+20. Imagine na Copa</strong></p>
<p>“Uma comitiva estrangeira da Rio+20 quis, acredite, hospedar-se no Vip’s, o luxuoso motel. A idéia era ocupar as 43 suítes. O templo da saliência se recusou porque o período do evento coincide com&#8230; O Dia dos Namorados. Não é fofo?</p>
<p>“É também um exemplo de como a rede hoteleira do Rio ainda não comporta grandes eventos.” <strong>(Ancelmo Gois, <em>O Globo</em>, 17/4/2012.)</strong></p>
<blockquote><p><em>20 de abril de 2012</em></p>
<p><em>Outros apanhados de provas de incompetência de Dilma e do governo:</em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-30/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 30 – Notícias de 25/11 a 1º/12</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-31/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 31 – Notícias de 2 a 8/12. </span></strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-32/"><strong><span style="color: #333333;"><em>Volume 32 – Notícias </em> <em>de 9 a 15/12.</em></span></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2011/mas-noticias-do-pais-de-dilma-33/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 33 – Notícias 16 a 29/12.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-34/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 34 – Notícias de 30/12/2011 a 5/1/2012.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-35/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 35 – Notícias de 6 a 12/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-36/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 36 – Notícias de 13 a 19/1. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-37/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 37 – Notícias de 20/1 a 26/1.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-38/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 38 – Notícias de 27/1 a 2/2. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-39/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 39 – Notícias de 3 a 9/2. </span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-40/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 40 – Notícias de 10 a 23/2.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-41/"><strong>Volume 41 – Notícias de 24/2 a 1º/3.</strong></a></em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong><em><span style="color: #333333;">Volume 42 – Notícias de 2 a 8/3. </span></em></strong></a></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-43/"><strong>Volume 43 – Notícias de 9 a 15/3. </strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-44/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 44 – Notícias de 16 a 22/3.</span></strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-45/"><strong>Volume 45 – Notícias de 23 a 29/3.</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-46/"><strong><span style="color: #333333;">Volume 46 – Notícias de 30/3 a 5/4. </span></strong></a> </em></p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/2012/mas-noticias-do-pais-de-dilma-47/">Volume 47 &#8211; Noticias de 6 a 12/4. </a></em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O que afinal o senhor Rui Falcão pensa dos brasileiros?</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 01:36:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei injuriada com o vídeo do presidente do PT. Sei que foi para uso interno, mas como ele conclama a sociedade organizada, partidos políticos, centrais sindicais, movimentos populares, a se mobilizarem para neutralizar a operação destinada a abafar a CPI do Demóstenes, creio que ele pretendia o que conseguiu: que sua peroração fosse ouvida fora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei injuriada com <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=439640&amp;ch=n">o vídeo do presidente do PT</a>. Sei que foi para uso interno, mas como ele conclama a sociedade organizada, partidos políticos, centrais sindicais, movimentos populares, a se mobilizarem para neutralizar a operação destinada a abafar a CPI do Demóstenes, creio que ele pretendia o que conseguiu: que sua peroração fosse ouvida fora do âmbito do PT. E aí ele nos dá o direito de responder. É o que faço agora.<span id="more-6795"></span></p>
<p>O que é mesmo que ele pensa de nós, brasileiros? Que somos inteiramente imbecis? CPI do Demóstenes? Não devia ser CPI do Brasil Corrupto e Corrompido?</p>
<p>Se Demóstenes Torres foi corrompido, alguém o corrompeu. Se foi o Cachoeira, alguém abriu a primeira picada na mata onde o Cachoeira conseguiu de um filete d’água um riacho que virou um rio caudaloso que deu na baita cachoeira que inunda boa parte do Brasil.</p>
<p>No mesmo fôlego Rui Falcão chamou o crime do mensalão de farsa. Ora, se ele está convicto que foi uma farsa, devia ser o primeiro a gritar na porta do STF: Julgamento Já! E devia ter começado a gritar em 2005, pois quanto mais rápido seus companheiros e aliados fossem julgados, mais rapidamente se livrariam da pecha que paira sobre seus nomes e sobre a honradez do PT.</p>
<p>Essa, aliás, parecia a opinião do então presidente da República quando o escândalo do mensalão estourou na Imprensa.</p>
<p>Tudo bem que ele, industriado, já tinha o mensalão como &#8220;caixa 2&#8243;. Porém na entrevista que deu a uma jornalista escolhida a dedo (não por ser moça bonita, por fazer as perguntas adequadas) no dia 17 de julho de 2005, nos jardins do Hôtel de Marigny, palácio onde o governo francês recebe seus hóspedes ilustres, Lula se mostra indignado com a agressão à ética que era marca do PT&#8230; e promete que o PT vai agir.</p>
<p><em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=rhDBXbWS8eI&amp;feature=player_embedded">(Veja o vídeo da entrevista industriada de Lula.)</a></em></p>
<p>Viram? Lula garantiu que o PT ia atrás de quem errou. Isso há sete anos! Mas ninguém obedeceu ao chefe. Que vergonha, PT!</p>
<p>Além de desconsiderarem a ordem de Lula, agora o atual presidente do partido filho do Lula acha que está havendo &#8220;pressão&#8221; para que se julgue o crime do mensalão no “clima eleitoral que o país vive”, &#8220;num curto espaço de tempo&#8221;!!!. Pressão? Curto espaço de tempo?</p>
<p>Ora, seu Falcão, há sete anos esperamos esse julgamento. Devia ter havido, isso sim, uma grande pressão de todos os partidos políticos, do Congresso, do Governo Federal, da Imprensa e da sociedade, para que o julgamento já tivesse sido feito.</p>
<p>O que não podia é estar o Brasil nesse estado de letargia, esperando e aceitando as justificativas pelo atraso, esperando e compreendendo o incompreensível, esperando e desculpando o indesculpável: uma Justiça que não julga.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 13/4/2012.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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