Ruas vazias falam mais alto

Grupos pequenos filmados bem de pertinho para parecer multidões, carreatas com buzinaços ao lado de hospitais, plateia na rampa do Palácio do Planalto entre abraços, beijos e selfies com o “mito”. Xingamentos e agressões físicas a jornalistas. Fora STF, Fora Congresso, Intervenção Militar Já, bandeiras de Israel e da Ucrânia. Todos os domingos o presidente Jair Bolsonaro tem se lambuzado com mimos desse tipo de seus fiéis. Agora, ele inverte tudo: ferozes, antidemocratas e “marginais” são os outros. Continue lendo “Ruas vazias falam mais alto”

Cão que late

O Brasil vive sob um governo falastrão. E nefasto. O presidente Jair Bolsonaro cospe besteiras, faz piadas ofensivas sem qualquer graça, arrota bravatas. Vai e volta em subidas e descidas de tom, agressões e desculpas, latidos sem mordida. É o gerador oficial de notícias falsas, portanto, sem condições morais de espernear quanto a investigações sobre falácias virtuais ou presenciais. Continue lendo “Cão que late”

Vídeo letal

Nem a bala de prata, ansiada por tantos, muito menos uma espoleta, tiro de festim ou n’água, como fingiu o presidente Jair Bolsonaro. Os efeitos da exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril se parecem mais aos da proibida dum-dum: estilhaçam o alvo por dentro. Expõem as vísceras de um presidente que pensa nele e em sua família acima de tudo e todos, e de um governo avesso à democracia, com uma visão bizarra e ultrajante de liberdade. Continue lendo “Vídeo letal”

Bolsonaro já era

Ouvir a filha ou o filho por detrás da porta antes que ela engravide ou que o “moleque” encha “os cornos de droga” traduz com exatidão como o presidente Jair Bolsonaro enxerga o mundo e como aplica esse olhar nocivo às questões de Estado. Não à toa, considera normal exigir informações de “inteligência” da Polícia Federal, aquelas de coxia, colhidas às escondidas, do lado de fora da porta dos trâmites legais. Continue lendo “Bolsonaro já era”

Bolsonaro se acha

Apropriar-se do público como se privado fosse não é um delito exclusivo do presidente Jair Bolsonaro. Longe disso. O ex Lula era um expert, a cassada Dilma Rousseff burilou a prática. Mas, como as instituições nada fizeram para colocar freios a essas transgressões, elas ganharam ares de normalidade. Viraram um sonoríssimo “e daí?”. Continue lendo “Bolsonaro se acha”

Cabresto virtual

Depois de criticar o ministro Alexandre de Moraes e afirmar que a suspensão da posse de Alexandre Ramagem na diretoria-geral da Polícia Federal quase criou um “incidente institucional”, o presidente Jair Bolsonaro atribuiu sua reincidente descompostura a um “desabafo”. Mas estava dada a senha. No feriado da sexta-feira, as redes foram pilhadas freneticamente por xingamentos a Moraes e ao decano Celso de Mello – que teria privilegiado o ex-ministro Sérgio Moro -, com a repetição da frase “O STF opera em modo golpe de estado” e a hashtag #GolpedeEstado. Continue lendo “Cabresto virtual”

Um governo de mentira

Sem o paladino Sérgio Moro e em negociação avançada com os velhacos de sempre, gente do naipe de Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson, o presidente Jair Bolsonaro perdeu sua força-motriz: o combate à corrupção e à “velha política” do toma-lá-dá-cá. Resta a ele insistir na mentira, instrumento sistêmico que adotou para governar. Continue lendo “Um governo de mentira”

Um governo ainda pior do que parece

São tantos e tão frequentes os disparates e impropérios ditos pelo presidente Jair Bolsonaro que o país passou a considerá-los normais. Mesmo multiplicadas nestes tempos de coronavírus, as asneiras diárias já nem mais espantam. Mas conseguem, como se calculadas fossem, encobrir o quanto o governo é inepto, pernicioso, ruim. Continue lendo “Um governo ainda pior do que parece”

Insensatez contra insensatez

Na Sexta-feira Santa, enquanto o Brasil contava mais de mil mortos pela Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro chocava o país ao dar a mão a uma idosa depois de esfregar o nariz no antebraço, próximo ao pulso. Voltava às ruas não só pela birra de desobedecer às recomendações de seu ministro da Saúde, mas principalmente para acirrar o confronto com o seu desafeto-mor João Doria, que no dia anterior ameaçara prender quem violar a regra de isolamento. Continue lendo “Insensatez contra insensatez”

O Brasil tem que parar Bolsonaro

Por insanidade, egocentrismo, cálculo político, má-fé ou tudo isso junto, na semana passada o presidente Jair Bolsonaro iniciou mais uma guerra. Disparou tiros para todo lado, alguns fatais, como o afrouxamento do isolamento social, outros nos seus próprios pés. Na tentativa de destruir desafetos, acertou a culatra ao dar palanque nacional aos governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, pré-candidatos à Presidência em 2022. Continue lendo “O Brasil tem que parar Bolsonaro”

#ForaPopulismo

Populismo é uma praga. Devasta países, asfixia a democracia, escraviza povos. Uma peste indomável, disseminada igualmente pela direita e pela esquerda. Nas crises, a capacidade destrutiva dos populistas fica ainda mais escancarada. Indisfarçável, explode diante da mais grave pandemia global dos tempos modernos. Continue lendo “#ForaPopulismo”

O vírus da mentira

Não é a primeira e não será a última vez que gente do Planalto, graúda, vaza informações para depois acusar a imprensa de espalhar mentiras. Fez isso ao plantar a demissão do ministro da Educação Abraham Weintraub, ao confirmar desavenças com o ministro da Justiça Sérgio Moro e com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, e outras tantas. O episódio Fox News só escancarou a prática. Continue lendo “O vírus da mentira”

Bolsonaro depende da imprensa

Em mais um gesto dirigido a seus fiéis, o presidente Jair Bolsonaro soltou a máxima da semana – e olha que os dias já estavam recheados delas. “Enquanto não começar a divulgar a verdade, não vamos mais falar com a imprensa.” Associado às mentiras que desfiou durante a live da quinta-feira, dia 5, o plural majestático da “ameaça” pôs maior ênfase no já sabido: Bolsonaro escolheu não discernir entre obrigação e devoção, dever e prazer. Por conveniência, má-fé ou ambos. Continue lendo “Bolsonaro depende da imprensa”