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	<title>50 Anos de Textos &#187; Mary Zaidan</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>Dane-se</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 15:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em julho de 2010, a então candidata Dilma Rousseff fez a sua primeira intervenção sobre a política externa brasileira. Um completo desastre. Em entrevista à TV Brasil, portanto no conforto da casa própria, Dilma defendeu as relações inexplicáveis de seu padrinho Lula com a ditadura dos irmãos Castro e com as democracias de mentirinha de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em julho de 2010, a então candidata Dilma Rousseff fez a sua primeira intervenção sobre a política externa brasileira. Um completo desastre.<span id="more-6377"></span></p>
<p>Em entrevista à TV Brasil, portanto no conforto da casa própria, Dilma defendeu as relações inexplicáveis de seu padrinho Lula com a ditadura dos irmãos Castro e com as democracias de mentirinha de Hugo Chávez e de Mahomoud Ahmadinejad. E atacou: em Guantánamo se respeitam os direitos humanos? Frase idêntica à que disse em sua primeira visita oficial a Cuba.</p>
<p>Agora, porém, ainda mais desastrosa. Como presidente da República, usou o mesmo argumento – bestial e infantil –, esquecendo-se de que falava em nome do país. Que, hoje, suas declarações ultrapassam a seara da opinião pessoal. São, ou deveriam ser, coisas de Estado.</p>
<p>Guantámano é uma vergonha, um crime. Tão grande que levou a ONU a condenar publicamente os Estados Unidos em 2006, com apoio de dezenas de nações. Curiosamente, e é sempre bom lembrar para não se chorar sobre leite esparramado, a moção não teve a adesão do Brasil. Talvez devido à amizade fraterna de Lula com o então presidente George W. Bush.</p>
<p>Moradia dos horrores. E, até por isso, é absurdo usá-la para absolver regimes totalitários que se escudam nos pecados do Tio Sam para justificar os seus.</p>
<p>Mas Dilma não teve qualquer constrangimento em fazê-lo.</p>
<p>Pior: seu governo, como já é de praxe, escolheu a trilha marqueteira. Deu publicidade ao ato de conceder visto à blogueira Yoani Sánchez e lavou as mãos. Divulgou o fato como se o Brasil, usualmente, negasse visto a cidadãos cubanos e que, para Yoani, uma dissidente do regime, fez-se uma concessão. Se assim o é, o colaboracionismo com os Castro vai muito além dos empréstimos subsidiados do BNDES. Dá apoio até à proibição do direito de ir e vir. É ilógico, absurdo.</p>
<p>Em mais um lance da marquetagem, no mesmo dia da visita a Cuba, liberou-se um relatório sobre a barbárie na desapropriação de Pinheirinho, alimento farto para a tropa de choque governista defender a ditadura castrista.</p>
<p>Pinheirinho foi um desastre em todos os níveis. Mas compará-lo à sanguinária ditadura do paredão de Fidel é cinismo puro e lapidado.</p>
<p>Depois de incensada por ter feito crer que, ao contrário de seu antecessor, se orientava por uma cartilha de defesa do Estado de Direito, os sinais de Dilma se provaram falsos. Assim como Lula – decerto sem o mesmo charme, muito menos eloqüência –, Dilma joga só para a platéia.</p>
<p>A semana que passou foi dedicada a carícias a parcela do PT. Algo que Dilma fez com competência. Para ela, parece ser o que importa. O Estado de Direito? Ele que se dane.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 5/2/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Guerra no país da boquinha</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 17:33:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com 22 mil cargos de confiança, o governo brasileiro é recordista absoluto em um ranking nefasto que só neste ano vai custar mais de R$ 200 bilhões. Ganha de lavada dos oito mil cargos dos Estados Unidos e dos quatro mil da França. E, garantidamente, o Estado nacional não funciona melhor do que o da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com 22 mil cargos de confiança, o governo brasileiro é recordista absoluto em um ranking nefasto que só neste ano vai custar mais de R$ 200 bilhões. Ganha de lavada dos oito mil cargos dos Estados Unidos e dos quatro mil da França. E, garantidamente, o Estado nacional não funciona melhor do que o da Inglaterra, com apenas 300 servidores comissionados.<span id="more-6297"></span></p>
<p>Eficazes para atrair apoios e garantir fidelidade cega a governantes, cargos públicos sempre foram disputados a tapas. Neles, políticos tentam encaixar suas turmas, de olho no pleito seguinte.</p>
<p>Se essa é a regra, a guerra por cargos entre o PT, o PMDB e os mais de 10 partidos do consórcio que elegeu Dilma Rousseff não deveria causar estranheza. Ao contrário, seria legítima. E os combatentes &#8211; conhecedores dos telhados de vidro dos integrantes da aliança – não precisariam usar e abusar do fogo amigo.</p>
<p>Seria nobre se o fizessem para limpar o Estado de maus servidores. Mas querem apenas abocanhar maiores nacos. Aproveitam-se da fragilidade dos quadros, onde é difícil fisgar alguém com ficha limpa, e abrem fogo.</p>
<p>A meia dúzia de ministros detonados por suspeita de corrupção, todos de partidos aliados, conhece bem a artilharia. Sabe ainda que quando o ministro é do PT, mesmo que as balas venham do próprio PT, Dilma arma a blindagem, como no caso de Fernando Pimentel, sangrado pelos petistas de Minas, e mantido longe da arena de luta.</p>
<p>Não raro, a proteção temporária ou definitiva é feita colocando-se na bandeja a cabeça de subalternos. Foi assim com o Dnit, antes da queda de Alfredo Nascimento, e agora, com a substituição no Dnocs, preservando Fernando Bezerra e seus inexplicáveis privilégios a Petrolina, seu curral eleitoral. Caiu também o chefe de gabinete do Ministério das Cidades, pasta em que Mario Negromonte, que nem o PP quer mais, ainda se sustenta.</p>
<p>Sem reforma ministerial à vista, a batalha agora é pelas estatais, Petrobras à frente. A divisão do bolo é tão difícil que para incluir um petista a mais – o ex-presidente do partido, José Eduardo Dutra – decidiu-se pela criação de uma nova diretoria. A Petrobras, terceira maior empresa de energia do mundo, funcionou até hoje sem uma diretoria coorporativa e não parece que lhe faça alguma falta. Mas, no país da boquinha, isso pouco importa.</p>
<p>Pouco importa também se os recém-nomeados para o segundo escalão dos ministérios da Saúde, da Agricultura ou de Minas e Energia entendem alguma coisa do riscado. O que vale é a partilha, a satisfação dos donos de cada uma das sesmarias que, como sanguessugas, chupam tudo até a última gota. E o contribuinte paga a conta.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 29/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>O Iraque é aqui</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 15:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como diz o grupo paulistano Premeditando o Breque, “aqui não tem terremoto, aqui não tem revolução”. Ainda assim, 49.932 pessoas foram vítimas de homicídios em apenas um ano no Brasil, 192.804 nos últimos quatro anos. Quase o triplo da guerra do Iraque, 5,3 vezes mais do que os registros do México, país que há anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como diz o grupo paulistano Premeditando o Breque, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=E-2gEnJ9nkk">“aqui não tem terremoto, aqui não tem revolução”</a>. Ainda assim, 49.932 pessoas foram vítimas de homicídios em apenas um ano no Brasil, 192.804 nos últimos quatro anos.<span id="more-6232"></span> Quase o triplo da guerra do Iraque, 5,3 vezes mais do que os registros do México, país que há anos vive uma guerra civil originária da luta pelo controle do tráfico de drogas, armas e até de gente.</p>
<p>Os dados estão no <a href="http://www.sangari.com/mapadaviolencia/">Mapa da Violência 2012</a>, do Instituto Sangari, que analisa os índices da violência brasileira nos últimos 30 anos. Os números são de deixar os cabelos em pé.</p>
<p>Se São Paulo e Rio de Janeiro estão hoje entre os melhores na lista em que já foram os piores há 10 anos, ver a linda Maceió ter 109 assassinatos por 100 mil habitantes em um só ano é de arrepiar. Ou Salvador, que com 2,4 milhões de habitantes contabiliza 1.484 homicídios no ano, número absoluto superior aos 1.460 de São Paulo, com 10,4 milhões de residentes. A maior cidade do país conseguiu, em uma década, obter a melhor posição entre as 27 capitais.</p>
<p>O Rio também fez bonito. Em 2000, a cidade maravilhosa era a 6ª na lista. Hoje está em 23º, quinta melhor colocação.</p>
<p>Na linha inversa, entre os estados, a Bahia saiu da 23ª posição para a 7ª, o Pará da 21ª para a 3ª, a Paraíba da 20ª para a 6ª, e Alagoas da 11ª posição para a liderança desse ranking macabro. Pior: a maior parte dos que morrem a tiros, facadas e porretes, são jovens entre 15 e 24 anos.</p>
<p>O mapa deveria ser baliza para o poder público, mas ficou longe disso. Rio e São Paulo comemoraram. O governo Dilma Rousseff ficou mudo.</p>
<p>Para o Planalto, o silêncio tem lógica. As regiões Norte e Nordeste, onde a presidente tem aprovação quase unânime, foram as que explodiram em violência. E não há explicações aceitáveis para quem está há nove anos no poder.</p>
<p>Segurança Pública é um imbróglio para Dilma. A mesma pesquisa Ibope que lhe conferiu recordes mostra que 60% condenam a ação de seu governo na área.</p>
<p>Ainda assim, Dilma se deu ao luxo de usar apenas 7,7% do prometido no Sistema Único de Segurança Pública, R$ 48 milhões dos R$ 620 milhões. Outro programa, o Pronasci, caiu de R$ 2 bilhões para R$ 600 milhões. Para completar, suspendeu a elaboração do plano nacional para a redução de homicídios, anunciado, no início de 2011, pelo ministro José Eduardo Cardozo.</p>
<p>“É um país abençoado onde todo mundo mete a mão”, prossegue o bem humorado Premê. Somada à inoperância, talvez essa seja uma das explicações para que o Brasil, a 6ª economia do mundo, ainda exiba indicadores tão trágicos que nem as nações em guerra conseguem.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 21/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>A tragédia nossa de cada ano</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 16:28:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entra ano, sai ano, janeiro é sempre igual: chuvas torrenciais desabrigam, soterram e matam gente. Não deveriam causar qualquer surpresa, muito menos pegar governos de calças curtas. A cantilena dos políticos para minimizar o problema também se repete. Em sobrevôos e visitas aos locais afetados – quando dá, com uma ou outra pose para as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entra ano, sai ano, janeiro é sempre igual: chuvas torrenciais desabrigam, soterram e matam gente. Não deveriam causar qualquer surpresa, muito menos pegar governos de calças curtas.<span id="more-6169"></span></p>
<p>A cantilena dos políticos para minimizar o problema também se repete. Em sobrevôos e visitas aos locais afetados – quando dá, com uma ou outra pose para as câmeras – governantes, de todos os matizes partidários, prometem investimentos substanciais que nunca chegam. Unânimes ao falarem de ações preventivas, abandonam a maioria delas antes mesmo de as águas de março encerrarem o verão.</p>
<p>Um ano depois da maior tragédia “natural” do país, que resultou na morte de mais de 900 pessoas e outras quase 10 mil lançadas ao desabrigo na região serrana do Rio de Janeiro, pouco ou quase nada foi feito.</p>
<p>Mal e mal os recursos emergenciais para, literalmente, tirar pessoas da lama aportaram em seus destinos. A regra geral é macabra: dinheiro para socorro rápido atrasa e, quanto chega, não raro acaba desviado. Não se sabe, por exemplo, onde foram parar os R$ 2,9 milhões liberados para Nova Friburgo, registrados em uma falsa nota de compra de material hospitalar.</p>
<p>Prevenção, então, nem pensar. Algumas das áreas da serra fluminense atingidas no ano passado receberam sirenes. Elas soam alto para avisar pessoas que não têm para onde ir que têm de sair correndo sabe-se lá para onde. Nenhuma das cinco mil casas prometidas para quem teve tudo destruído ficou pronta. Sem saída, volta-se para a área de risco, reocupa-se a construção ameaçada e reza-se para que a sirene não toque.</p>
<p>Embora prevenir seja mais barato e eficaz – até porque poupa vidas – entra governo, sai governo, a escolha é sempre agir depois que a chuva despenca, e com ela, casas, estradas e pessoas. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que, entre 2006 e 2011, o governo federal gastou R$ 6,3 bilhões para, na correria e a fundo perdido, socorrer regiões dizimadas. E apenas R$ 745 milhões em ações preventivas.</p>
<p>Ou seja, não se trata de ter ou não recursos, mas de competência. De querer ou não aplicá-los.</p>
<p>Obra de prevenção não é emergencial; exige licitação e controle. Prefere-se abrir os cofres só depois dos temporais, repetindo-se assim o descaminho dos recursos. Será diferente com os R$ 75 milhões liberados agora pela União para que se possa adquirir – em regime de urgência &#8211; o mínimo para sobreviver: comida, remédios, combustíveis?</p>
<p>Como se vê, ainda que beire o absurdo, governos insistem em remediar a prevenir. Raios que nos partam, passa da hora de o eleitor dar o troco.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 15/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Dentaduras eleitorais</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 17:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Duas cenas antagônicas – uma de punição e outra de ostensiva cara de pau – inauguraram 2012. De um lado, o TSE negou liminar ao prefeito de Ribeira do Piauí, Jorge de Araújo da Costa (PTB), cassado em outubro sob acusação de compra de votos. De outro, a descarada compra de votos em curso no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas cenas antagônicas – uma de punição e outra de ostensiva cara de pau – inauguraram 2012. De um lado, o TSE negou liminar ao prefeito de Ribeira do Piauí, Jorge de Araújo da Costa (PTB), cassado em outubro sob acusação de compra de votos. De outro, a descarada compra de votos em curso no estado de Pernambuco, sob o patrocínio do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB).<span id="more-6131"></span></p>
<p>A história de Araújo Costa e de seu vice, Justino João da Costa, dá vida à folclórica troca de votos por dentaduras. Além do presente aos desdentados, teriam usado cestas básicas para obter a preferência dos eleitores do município, situado a 380 quilômetros de Teresina. De acordo com o último Censo do IBGE, Ribeira abriga 4.263 habitantes, a maioria na miséria quase absoluta.</p>
<p>O rolo de Fernando Bezerra é mais elaborado. Mereceria punição antecipada.</p>
<p>Além do delito de aplicar 90% dos recursos reservados para a prevenção de danos com enchentes no seu estado natal, onde pretende ser candidato a governador em 2014, Bezerra teve o desplante de dizer que o fazia porque Pernambuco não poderia ser “discriminado” por ser a terra do ministro.</p>
<p>Substituiu privilégio por discriminação e pronto.</p>
<p>Não bastasse a desfaçatez da explicação que nada explica, Bezerra foi pego com a mão na botija de novo: em uma manobra na surdina, tentou transferir recursos da transposição do Rio São Francisco – obra abandonada e que exigirá pelo menos mais R$ 1,6 bi para ser concluída &#8211; para a barragem de Serro Azul, também em Pernambuco.</p>
<p>E não parou por aí. O Ministério, por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), presidida por Clementino de Souza Coelho, irmão do ministro, destinou para Petrolina quase 23 mil das 60 mil cisternas de plástico que comprou para todo o semiárido.</p>
<p>Bezerra foi por três vezes prefeito da cidade, e um de seus filhos, o deputado Fernando Bezerra Coelho, é candidato ao cargo nas eleições de outubro.</p>
<p>Petrolina precisa de cisternas, mas não está no topo da lista, lugar que pertence a cidades da Bahia, do Ceará e de Minas. Pelo menos é o que diz o Plano Brasil sem Miséria, menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff. Ainda assim, as baianas Juazeiro e Bom Jesus da Lapa vão receber só 11 mil cisternas, menos da metade das do berço político do ministro.</p>
<p>Pelo que se sabe, Bezerra não chegou a distribuir dentaduras. Mas, assim como o prefeito da paupérrima Ribeira do Piauí, explora a miséria em benefício próprio. Seus dentes mordem nacos de dinheiro público para o seu curral eleitoral. Aos eleitores caberá lhe permitir ou não o sorriso</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 8/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>O novo ano velho</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/o-novo-ano-velho/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 20:35:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pode ser má vontade ou rabugice mesmo. Mas tudo indica que o novo ano que estréia hoje começa velho, caduco. Pelo menos na política, onde mudanças só devem ocorrer para deixar tudo o mais igual possível. Tanto no governo quanto na oposição. A reforma ministerial, alardeada sempre que um titular era abatido, está enterrada de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode ser má vontade ou rabugice mesmo. Mas tudo indica que o novo ano que estréia hoje começa velho, caduco. Pelo menos na política, onde mudanças só devem ocorrer para deixar tudo o mais igual possível. Tanto no governo quanto na oposição.<span id="more-6106"></span></p>
<p>A reforma ministerial, alardeada sempre que um titular era abatido, está enterrada de vez. As trocas de comando serão pontuais e manterão intocadas as searas dos partidos que compõem a base. Ainda que o equilíbrio dos acertos feitos em 2010 tenha se mostrado um tanto precário, Lula continuará primeiro e único mentor e avalista da mais ampla coalizão que um governo já teve.</p>
<p>Dilma Rousseff, que chegou a acalentar a ideia de uma reestruturação mais profunda em seu governo, perdeu o elã. Colheu o recorde de ter seis ministros afastados por suspeitas de corrupção – todos indicados por Lula &#8211; e outro por incontinência verbal, mas não teve saída: continuará nomeando quem o seu padrinho quer. Aloizio Mercadante na Educação é só mais um.</p>
<p>Também sob suspeição, o ministro do Desenvolvimento &#8211; único, entre os 39, tido como da cota pessoal da presidente &#8211; está quase na lona. As festas não serão suficientes para fazer esquecer as consultorias sem contrato e as palestras fantasmas de Fernando Pimentel, que entra em 2012 tão ou mais desgastado, já que não conseguiu produzir uma única explicação plausível.</p>
<p>A oposição, que até ensaiou mostrar a que veio nos últimos meses do ano, também não parece mobilizada o suficiente para produzir qualquer tipo de mudança. Os tucanos batem o pé que têm hoje uma nova agenda, mas não conseguem convencer nem a si próprios. Continuam mesmo é batendo os bicos, entoando a mesma cantilena que opõe serristas e aecistas. O DEM, desidratado, até quer dar o troco, mas faltam-lhe forças.</p>
<p>Fato novo, o PSD de Gilberto Kassab é mais uma prova de que o novo pode nascer velho. Ficou grande e deve continuar a crescer. E pretende fazê-lo a partir da pregação de seu líder: nem à esquerda, nem à direita, nem ao centro.</p>
<p>Do Senado, a certeza de que tudo continuará como sempre chega a assustar. Ali, José Sarney (PMDB-AP), entre umas e outras, encerrou o ano pagando por uma reforma administrativa que nunca existiu. Fez o que sempre fez e continuará a fazer. E, embora ausente na posse do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) no apagar de 2011, estará lá, em fevereiro, para presidir a sessão em que o ficha suja que o STF limpou promete sua reestréia.</p>
<p>Cena simbólica de um ano que nada tem de novo. Que nasce velho, sem ter aprendido as boas lições da velhice. Que insiste em manter os mesmos vícios de estímulo à velhacaria.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 1º/1/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>O Dragão e a Serpente</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 22:07:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Começa hoje a última semana de 2011 e com ela apressam-se as resoluções de ano novo, as previsões dos búzios, de pais e mães de santo, os desígnios do horóscopo chinês para o Ano do Dragão e tantas outras mandingas. Por fé ou simples diversão, poucos são os que descartam a quase infinita parafernália para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começa hoje a última semana de 2011 e com ela apressam-se as resoluções de ano novo, as previsões dos búzios, de pais e mães de santo, os desígnios do horóscopo chinês para o Ano do Dragão e tantas outras mandingas.<span id="more-6074"></span></p>
<p>Por fé ou simples diversão, poucos são os que descartam a quase infinita parafernália para se enxergar o futuro. Talvez porque nelas, crédulos e incréus demonstrem o sentimento mais simples: o de esperança. E por dias melhores, é claro.</p>
<p>Na política, nem adianta esperar por reformas. A mãe de todas passou mais um ano em debate, mas ainda está longe do plenário da Câmara dos Deputados. E lá não chega em 2012, ano que dura só meio devido às eleições municipais de outubro. A tributária, essa sumiu.</p>
<p>Muito menos têm chances de prosperar apostas em mudanças do modus operandi do poder executivo – sempre o dono da bola, seja na União, nos estados ou nos municípios -, da Câmara, do Senado e das demais casas legislativas do país. Nem mesmo da Justiça, cada vez mais tardia e falha.</p>
<p>Reforma ministerial com o fim das sesmarias partidárias, punição para entes públicos que surrupiam dinheiro do contribuinte, só serão preditos por charlatães. O mesmo vale para preços condizentes e sem aditamentos contratuais nas obras da Copa ou novas regras para ONGs. E ainda para a administração eficiente da gestora-mor Dilma Rousseff. Ela, ao que parece continuará protegendo os seus dos “malfeitos” com os quais diz não compactuar.</p>
<p>Mas quem sabe 2012 surpreende a todos com soluções para outras pendengas, algumas delas arrastando-se há anos. A começar pelo julgamento do mensalão, maior escândalo da história contemporânea da República, com 38 réus, tendo à frente o ex-ministro José Dirceu, definido como chefe da quadrilha pelo procurador-geral.</p>
<p>Dizem os mais otimistas que o STF pode julgá-lo ainda no primeiro semestre. Se assim não for, acabará, de novo, na listinha de expectativas para o outro ano, o de 2013.</p>
<p>Outra boa nova: a lei da Ficha Limpa pode entrar para valer, vetando condenados de disputarem votos. Seria um grande avanço vê-la funcionar nas eleições para prefeitos e vereadores das 5.565 cidades brasileiras. Admitir que o país precisasse de uma legislação adicional para vedar o óbvio é danado. Mas dá ânimo imaginar que, enfim, o eleitor poderá ter mecanismos reais para impedir que bandidos se apresentem para representá-los.</p>
<p>Já será um ano e tanto se pelo menos essas duas expectativas – julgamento do mensalão e a lei da Ficha Limpa – se realizarem. Do contrário, melhor saltar direto para o Ano da Serpente.</p>
<p>Feliz ano novo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 25/12/2011.</em></p></blockquote>
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		<title>Dilma teflon</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 14:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dilma Rousseff acaba de bater todos os recordes de popularidade para um governante em primeiro ano de mandato. Com 72% de aprovação pessoal, deixou para trás até o padrinho Lula, apontam os dados da última pesquisa CNI-Ibope, divulgada sexta-feira. Seu governo, aplaudidíssimo por políticas de distribuição de renda, ostenta confortáveis 56% de ótimo e bom. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dilma Rousseff acaba de bater todos os recordes de popularidade para um governante em primeiro ano de mandato. Com 72% de aprovação pessoal, deixou para trás até o padrinho Lula, apontam os dados da última pesquisa CNI-Ibope, divulgada sexta-feira. Seu governo, aplaudidíssimo por políticas de distribuição de renda, ostenta confortáveis 56% de ótimo e bom.<span id="more-6030"></span></p>
<p>Um feito fantástico para quem tem contato popular restrito e que, nos últimos meses, se viu enredada com auxiliares diretos tombados como pinos de boliche, insustentáveis diante de suspeitas de corrupção.</p>
<p>A pesquisa repisa o que já é sabido: a força inexorável da bolsa-família, base primeira dos pontos positivos que o governo alcança.</p>
<p>Os eixos negativos são alarmantes. Fossem ponderados com pesos diferenciados para os serviços essenciais, possivelmente o resultado seria outro: Saúde, reprovada por 67%, e Educação, por 51%, provam isso. Também mereceram notas baixas os altos impostos, os juros e o controle da inflação.</p>
<p>Mas a Dilma, nada perturba. Tem-se permitido até ao faz de conta, como se pudesse estar alheia às perturbações mundiais e aos indicativos preocupantes que o país dá.</p>
<p>Na entrevista aos jornalistas que a acompanham no dia-a-dia do Palácio &#8211; estrategicamente convocada para a mesma manhã em que a pesquisa foi divulgada -, a presidente assegurou que o Brasil crescerá entre 4,5% e 5% no próximo ano e que a inflação – que já fugiu do topo da meta – será domada.</p>
<p>Só se incomodou mesmo quando foi questionada sobre as estripulias do amigo Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento.</p>
<p>Mas a Dilma, nada perturba. Está blindadíssima. Nisso, é igual a Lula. Nada cola nela.</p>
<p>Embora a corrupção tenha sido o tema mais lembrado espontaneamente entre os pesquisados, a maioria culpa os ministros e não a chefe maior do Estado. O resultado coroa a estratégia de vender a presidente como faxineira que não tolera “malfeitos”, mas que, na prática, só não os tolera de aliados que ela já considerava intoleráveis.</p>
<p>Parece até que não é dela a responsabilidade de nomear e demitir ministros, de deixar ou não o governo nas garras de abutres.</p>
<p>Dá-se até ao luxo de, para proteger Pimentel, reafirmar que as suspeitas que pesam sobre ele são coisas do passado e nada têm a ver com o seu governo. Logo ela, que se orgulha do diferencial de seu passado, da sua história de luta e resistência.</p>
<p>Com essa defesa cega, Dilma desrespeita a si e ao país. Trai aqueles que nela confiaram e que lhe renovam o crédito. Esquece-se que popularidade não é sinônimo de qualidade.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 18/12/2011.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O livro</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 15:47:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bastou a revista Carta Capital anunciar que o livro A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr., chegaria este fim de semana às livrarias para a ordem unida do lulopetismo entrar em ação. Blogueiros chapa branca se eriçaram. No Twitter, militantes lançaram dezenas de reclamações &#8211; a maior parte delas grosseiríssimas &#8211; ao que chamam de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bastou a revista <em>Carta Capital</em> anunciar que o livro <em>A privataria tucana</em>, de Amaury Ribeiro Jr., chegaria este fim de semana às livrarias para a ordem unida do lulopetismo entrar em ação. Blogueiros chapa branca se eriçaram.<span id="more-5989"></span> No Twitter, militantes lançaram dezenas de reclamações &#8211; a maior parte delas grosseiríssimas &#8211; ao que chamam de mídia golpista, cobrando dos grandes jornais comentários e sinopses, o que foi feito com celeridade por veículos governistas.</p>
<p>Como convém aos bem doutrinados, deram como verdade tudo o que ali está, mesmo sem ler o livro, inédito até sexta-feira. Sobre a credibilidade do autor, indiciado pela PF por quebra de sigilo e arapongagem, coordenada por um bunker extemporâneo da campanha presidencial de Dilma Rousseff, não se deu um pio.</p>
<p>Mas para a PF Amaury confirmou a bisbilhotagem. Saiu-se com uma história pouco crível, que, talvez, ele explique no livro. Disse que iniciou a investigação sobre o PSDB para &#8220;proteger&#8221; o senador Aécio Neves, quando este, ainda governador, pleiteava a vaga de candidato à Presidência da República.</p>
<p>O dossiê Amaury agora transformado em livro traz, segundo a <em>Carta Capital</em>, acusações contra José Serra, sua filha e alguns auxiliares, que estariam envolvidos em esquema de lavagem de dinheiro oriundo das privatizações feitas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>O jornalista teria feito as investigações para o jornal <em>Estado de Minas</em>, que nega o fato. Em 20 de outubro de 2010, o jornal confirmou o vínculo empregatício, mas jamais a encomenda da reportagem: “O jornalista Amaury Ribeiro Jr. trabalhou por três anos no Estado de Minas e publicou diversas reportagens. Nenhuma, absolutamente nenhuma, se referiu ao fato em questão.” E foi mais longe: “O <em>Estado de Minas</em> faz jornalismo&#8221;.</p>
<p>Em 2010, até a candidata, hoje presidente Dilma, buscou distância de Amaury, botando para correr a turma do dossiê, que, entre outras dificuldades, expôs alguns de seus auxiliares. Entre eles, o amigo Fernando Pimentel, hoje ministro, que novamente está por aí em maus lençóis.</p>
<p>Mas nada disso importa para a turba. O livro de Amaury é uma revanche. Com ele debaixo do braço acham que podem encher a boca e dizer: roubo, sim, mas eles também roubam; temos corruptos, mas eles também os têm.</p>
<p>É a redenção para aqueles que, sem defesa para os “malfeitos” dos seus, sustentam suas muletas na hipótese de pecados dos adversários.</p>
<p>De forma cristalina, expõem os males da política binária, cartilha básica do ex-presidente Lula. O nós contra eles, fonte de raciocínios raivosos e obtusos, que ensina a se livrar da podridão jogando podres nos outros.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 11/12/2011.</em></p></blockquote>
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		<title>República sindical</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 15:10:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pouco importa quando e como Carlos Lupi será desapeado do Ministério do Trabalho. Muito menos quem vai sucedê-lo. Até porque está mais do que provado que a pasta, mantida no pior dos moldes desde 2003, mais prejudica do que ajuda o país. Já no primeiro mandato, Lula transformou o Ministério em financiador econômico e eleitoral [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco importa quando e como Carlos Lupi será desapeado do Ministério do Trabalho. Muito menos quem vai sucedê-lo. Até porque está mais do que provado que a pasta, mantida no pior dos moldes desde 2003, mais prejudica do que ajuda o país.<span id="more-5943"></span></p>
<p>Já no primeiro mandato, Lula transformou o Ministério em financiador econômico e eleitoral do sindicalismo. Ora nas mãos da CUT, ora nas da Força Sindical. O primeiro ministro do Trabalho de Lula, Jacques Wagner (PT), hoje governador da Bahia, foi presidente do Sindiquímica e fundador da CUT. Seu sucessor, o também petista Ricardo Berzoini, veio do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Depois foi a vez de Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e atual prefeito de São Bernardo do Campo.</p>
<p>Nada contra sindicalistas. O próprio Lula construiu sua incontestável liderança no berço sindical. Tudo contra os métodos.</p>
<p>Assim como fez em outras áreas, Lula assentou no Trabalho, e com salários generosos, gente sem qualquer experiência, que passou a tocar o Estado como se uma organização entre amigos fosse. Além da milionária conta dos impostos sindicais, briga-se pelos cargos de livre nomeação, loteados ora pelo PT da CUT, ora pelo PDT da Força.</p>
<p>O fogo cruzado entre os presidentes do PT, Rui Falcão, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi revelador. Desmascarou de vez o tamanho do aparelhamento. Falcão criticou a “ocupação partidarizada” das delegacias do Trabalho. Paulinho da Força, sem papas na língua, acusou o PT de montar uma “república de sindicalistas na Esplanada”.</p>
<p>Uma disputa obscena entre quem loteou mais e melhor. Quem abusou mais do Estado.</p>
<p>Lupi, dono do PDT, ligado à Força, já passeara por diferentes searas antes de aproximar-se da lucrativa corrente sindical: amigo de Brizola, foi suplente do senador Saturnino Braga, secretário do prefeito Marcello Alencar e do governador Anthony Garotinho. Vai dizer sempre que não pecou, que foi vítima de fogo amigo.</p>
<p>Ao que parece, os mui amigos colocaram mesmo rastilhos de pólvora pura. Mas que não estourariam caso Lupi tivesse currículo ao invés de folha corrida. Muito menos teriam explodido no colo da presidente Dilma Rousseff, que, entre Lupi e a ética, preferiu Lupi.</p>
<p>Pior: o Planalto, entidade que tem vida e voz própria, fez saber que Dilma ficou “contrariada” com a recomendação da Comissão de Ética da Presidência de exonerar Lupi. Ofendido, o governo até ameaça mudanças no seio do colegiado.</p>
<p>Em favor da ética, mudez total. Dilma não deu um pio.</p>
<p>As armas da república de sindicalistas e de Lupi devem ser ogivas atômicas.</p>
<p><em>Este artigo foi publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a> em 4/12/2011.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Higor, um herói</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 16:32:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não tem saída. Quanto mais o Ministério das Cidades tenta, mais se enrola nas explicações. Além da fraude ginasiana de substituir a nota técnica do processo para a aprovação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá, autorizando uma obra duas vezes mais cara do que a projetada (era menos de R$ 500 mi e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tem saída. Quanto mais o Ministério das Cidades tenta, mais se enrola nas explicações.<span id="more-5873"></span> Além da fraude ginasiana de substituir a nota técnica do processo para a aprovação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá, autorizando uma obra duas vezes mais cara do que a projetada (era menos de R$ 500 mi e pulou para R$ 1,2 bi), agora quer atribuir culpa de tudo ao único inocente: o analista de infra-estrutura, funcionário de carreira, responsável pelo parecer original contrário à modificação.</p>
<p>Guardem esse nome: Higor de Oliveira Guerra.</p>
<p>Uma busca rápida no Google mostra Higor como técnico preparado, com mestrado no Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Tecnologia da UnB e tese em Transportes. Portanto, capacitado para a tarefa que exerce. Ainda assim, ele poderia ter seu parecer contestado sem necessidade de fraude. Aliás, algo corriqueiro na administração pública.</p>
<p>Mas não. Preferiu-se a ilegalidade. Talvez porque esse, ultimamente, tenha sido o caminho mais curto, rápido e próspero. E com impunidade garantida.</p>
<p>Basta rememorar episódios recentíssimos. Nada acontece. Carlos Lupi, flagrado em negócios mais do que duvidosos e filmado descendo de um aviãozinho providenciado por dirigente de uma ONG com contratos milionários em seu Ministério, mentiu, desmentiu e mentiu de novo e continua ministro do Trabalho. Segurou com unhas e dentes o osso que nem ele nem o seu PDT pretendem soltar.</p>
<p>Para ficar, Lupi declarou amor à presidente Dilma Rousseff. Negromonte, pateticamente, chorou.</p>
<p>Na sexta feira, em Salvador, o ministro das Cidades apelou para as lágrimas ao jurar inocência e – nada criativo – repetir o bordão aprendido com petistas: a culpa é da mídia e, desta vez, da mídia do Sul, “de parte da imprensa interessada em enfraquecer a presidente”. Isso porque, diz, a mídia em geral discrimina a mulher e a do Sul, o nordestino.</p>
<p>Difícil apontar o que é mais absurdo. Se as declarações indecentes do ministro &#8211; que finge não ter visto o documento forjado e ouvido as gravações da reunião feita por sua diretora de Mobilidade Urbana, Luiza Viana, &#8211; ou o fato de o Ministério abrir uma sindicância interna contra Higor.</p>
<p>Para a fraudadora Luiza, o problema não é a fraude. O que lhe apoquenta é como o documento original foi parar no processo. Seria hilário não fosse gravíssimo.</p>
<p>Possivelmente, como o caseiro Francenildo ou Jaílson Chagas, aquele motorista que devolveu uma mala com R$ 74 mil, encontrada dentro do ônibus que dirigia, Higor será esquecido em breve. Portanto, faz-se obrigatório louvar sua integridade, agradecê-lo e lhe antecipar o tributo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 27/11/2011.</em></p></blockquote>
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		<title>Moeda podre</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 15:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nem os países da zona do euro, nem o baque de 38% na geração de emprego formal. Nada, mas nada está tão em baixa quanto a cotação da moral, forçada pela alta acelerada dos índices de sem-vergonhice e da cara-de-pau. E os personagens desse mercado nefasto &#8211; que têm como praxe realizar lucros taxando de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nem os países da zona do euro, nem o baque de 38% na geração de emprego formal. Nada, mas nada está tão em baixa quanto a cotação da moral, forçada pela alta acelerada dos índices de sem-vergonhice e da cara-de-pau.<span id="more-5819"></span></p>
<p>E os personagens desse mercado nefasto &#8211; que têm como praxe realizar lucros taxando de criminoso o denunciante e não quem prevarica -, se superam dia após dia. Apóiam-se em regras que só valem para uns, no status dos menos iguais, certos de que os chamados “malfeitos”, quando punidos, só o são da boca para fora.</p>
<p>Esquizofrênicas como o mercado financeiro em meio às crises, as ações do governo só fazem reforçar danos.</p>
<p>Com o ministro do Trabalho, a presidente Dilma Rousseff fez a cotação da mentira bater nos píncaros. Ela, a Câmara dos Deputados, o Senado, e, de resto, todo o país, ouviram mentiras, mais mentiras e outras mentiras de Carlos Lupi. Depois, as desmentiras. Ainda assim ou por isso mesmo, deu-se, sabe-se lá por que, sobrevida ao ministro.</p>
<p>Quase imbatível nesse mercado, o ex-ministro José Dirceu &#8211; réu do mensalão, apontado pela Procuradoria Geral da República como chefe da quadrilha -, carimbou a moralidade como praga daninha que gera lideranças funestas, ao discursar no 2º Congresso da Juventude do PT. “Lutas moralistas” teriam embalado Jânio Quadros e Collor de Mello, esse último cassado exatamente por um levante popular contra a corrupção. Mas isso, é claro, Dirceu não disse.</p>
<p>Na mesma balada, o presidente da Juventude do PT, Valdemir Pascoal, qualificou as denúncias de corrupção como “golpe das elites”. E, mais uma vez, a grande imprensa, a danada da mídia, materializou-se ali como um capeta a ser exorcizado.</p>
<p>Não por obra do acaso, na mesma semana, a idéia fixa da regulação da mídia voltou à tona em palestra do ex-ministro de Comunicação, Franklin Martins, no Congresso de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. E Dirceu, sempre ele, elegeu a imprensa como “partido da mídia”.</p>
<p>Nas contas dos marqueteiros do governo, com a falação em torno da faxina ética Dilma já capitalizou o máximo que podia. Nessa seara, a ordem é continuar alimentando a idéia de conspiração contra o governo. No mais, é não perturbar aliados, garantir a aprovação de matérias-chaves, como a DRU, a lei da Copa, o orçamento. E quando tiver de mexer em alguma coisa, continuar trocando seis por meia dúzia.</p>
<p>Mas regras de mercado costumam ser draconianas. As ações lastreadas em valores morais podem estar em baixa, mas, como metais nobres, são resistentes e jamais perdem o valor de face. As de ocasião são voláteis. Delas nascem as bolhas que estouram.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 20/11/2011.</em></p></blockquote>
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		<title>A voz do dono</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 16:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ícone da participação partidária, do estímulo ao debate entre correntes diversas e, portanto, da democracia interna, a consulta prévia para escolher candidatos majoritários do PT foi para o saco. E não só na cidade de São Paulo, onde os quatro postulantes cederam gentilmente a vaga ao pupilo da vez do ex-presidente Lula. O exemplo paulistano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ícone da participação partidária, do estímulo ao debate entre correntes diversas e, portanto, da democracia interna, a consulta prévia para escolher candidatos majoritários do PT foi para o saco. E não só na cidade de São Paulo, onde os quatro postulantes cederam gentilmente a vaga ao pupilo da vez do ex-presidente Lula.<span id="more-5768"></span></p>
<p>O exemplo paulistano vai ser usado para fazer sucumbir, de novo, o PT mineiro, que, em 2010 se enforcou junto com o PMDB de Hélio Costa, perdendo militantes históricos como Sandra Starling. Desta vez a vítima é o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, que, se ainda não arredou pé da candidatura, dificilmente conseguirá suportar a pressão depois de ver até Marta Suplicy, campeã nas intenções de votos na capital paulista, não ter outra saída.</p>
<p>Dizem os líderes petistas que a suspensão de prévias em São Paulo e nas capitais estratégicas garante coesão partidária. Argumento estranho se confrontado com a lógica. Até porque, qual seria a única divisão possível quando Lula unge um candidato? Lulistas e anti-lulistas?</p>
<p>Como isso é inimaginável, possivelmente o temor se dá em outro nível. E, ao que tudo indica, no mais baixo: garantia de manutenção e de novas levas de cargos, regalias aqui e ali, e talvez outras benesses inconfessáveis.</p>
<p>Na outra ponta, o PSDB, que há anos só consegue se digladiar internamente, promete arriscar-se em prévias na capital do Estado em que reina absoluto há mais de 16 anos. Inexperiente nessa seara &#8211; o tucanato ainda torce por uma improvável candidatura de José Serra -, iniciou um ritual inédito com o qual não tem qualquer intimidade: roteiro de visitas dos pré-candidatos a diretórios zonais, dois debates, previstos para os dias 24 deste mês e 8 de dezembro, campanha na internet.</p>
<p>Nada disso acontece por acaso. Nem no PT, nem no PSDB.</p>
<p>Longe do poder central há quase uma década e sem lideranças capazes de empolgar, o PSDB corre atrás do que não fez anos a fio: estimular e garantir a participação de filiados para, a partir daí, tentar dar passos mais largos.</p>
<p>Tarefa árdua. Principalmente para quem não sabe nem mesmo qual o papel que o resultado das eleições de 2010 lhe reservou.</p>
<p>Já o PT de Lula, eleito, reeleito e eleito de novo com Dilma Rousseff, crê que se credenciou para prescindir não só da trabalhosa democracia interna &#8211; daquelas minorias que atrasaram a chegada ao poder, e que, vez por outra, ainda perturbam o Politburo -, mas de partilhar decisões com seus filiados.</p>
<p>Parou de esconder que sempre escolheu a voz do dono às vozes das bases. Parece traição, mas não é. O PT apenas saiu de vez do armário.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 13/11/2011.</em></p></blockquote>
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		<title>&#8220;Eu não sabia&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 15:29:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como passe de mágica, uma proposta para anistiar mensaleiros cassados apareceu na pauta da sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, presidida João Paulo Cunha (PT-SP), ele próprio um mensaleiro. Surgiu assim, do nada, de repente. E só não deu certo porque mais uma vez a imprensa, essa estraga prazeres, agiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como passe de mágica, uma proposta para anistiar mensaleiros cassados apareceu na pauta da sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, presidida João Paulo Cunha (PT-SP), ele próprio um mensaleiro. Surgiu assim, do nada, de repente. E só não deu certo porque mais uma vez a imprensa, essa estraga prazeres, agiu a tempo.</p>
<p><span id="more-5711"></span></p>
<p>Da lavra do então deputado Ernandes Amorim (PTB-RO), o projeto suspende a pena de oito anos de inelegibilidade aplicada a José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Correa (PP-SP). Diga-se de passagem, a única punição imputada a protagonistas e coadjuvantes do maior escândalo da história do país, que se arrasta há quase seis anos sem cadeia à vista.</p>
<p>Flagrado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Cunha, um dos 36 arrolados no processo que tramita no STF, jurou de pés juntos que de nada sabia.</p>
<p>A frase, legado do ex-presidente Lula, que usou e abusou do nada saber quando denúncias batiam nas portas do governo e dos seus asseclas, teve efeito limitado na boca de Cunha. Primeiro ele alegou desconhecimento. Depois, voltou atrás, e disse que ia mandar retirar o projeto de pauta. Pego com a boca da botija, consertou o estrago com outro. Admitiu não ter qualquer controle da comissão que dirige, motivo mais do que suficiente para se afastar dela.</p>
<p>O projeto de anistia é uma pérola. Na argumentação aponta que os três deputados &#8211; entre eles o chefe da quadrilha, de acordo com o procurador-geral da República &#8211; foram os únicos punidos, enquanto outros tiveram a complacência de seus pares. Só faltou pedir indenização por perdas e danos.</p>
<p>Desfaçatez, cinismo, mau-caratismo é pouco para tipificar o autor da proposta e aqueles que estimularam o seu trâmite. Fosse este um país sério, fossem os representantes do povo dignos dos votos que receberam, matéria dessa natureza morreria no nascedouro. Não prosperaria.</p>
<p>O projeto de anistia a mensaleiros andou rápido. Bem mais veloz do que dezenas de propostas parlamentares, muitas delas relevantes, que apodrecem nos escaninhos da Câmara. Ainda que com parecer contrário, entrou em pauta na CCJ e por pouco não chega à votação.</p>
<p>Só parou pela vigilância da imprensa.</p>
<p>Da mesma imprensa espicaçada pelos donos do poder, apelidada de golpista pelos mesmos mensaleiros e suas milícias que, como discípulos, seguem cegos os mandamentos que Lula grafou na tábua da impunidade. Entre eles, as máximas do “todo mundo faz” e do “eu não sabia”.</p>
<p>João Paulo Cunha só fez repetir o mestre.</p>
<blockquote><p> <em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 6/11/2011.</em></p></blockquote>
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		<title>O Brasil dos sem-Copa</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 15:18:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Corrupção para todos os lados que se olhe. Regime de Contratação Diferenciado, que colide frontalmente com a lei 8.666, baliza para as licitações públicas, isenção total de impostos para gente da Fifa, fornecedores e cupinchas, e agora, dinheiro do FGTS, da conta do trabalhador, para bancar obras. Parece não haver limites para os descalabros feitos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Corrupção para todos os lados que se olhe. Regime de Contratação Diferenciado, que colide frontalmente com a lei 8.666, baliza para as licitações públicas, isenção total de impostos para gente da Fifa, fornecedores e cupinchas, e agora, dinheiro do FGTS, da conta do trabalhador, para bancar obras.<span id="more-5587"></span> Parece não haver limites para os descalabros feitos em nome da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.</p>
<p>Enquanto isso, a infraestrutura do país apodrece.</p>
<p>Divulgada na semana que passou, a 15ª pesquisa sobre as estradas brasileiras feita pela Confederação Nacional dos Transportes é mais uma demonstração inequívoca disso. Em um país em que mais de 60% da carga e de 95% da população dependem de rodovias, 57,4% delas são péssimas, ruins ou, no máximo, regulares. Pouco mais de 12% são consideradas ótimas.</p>
<p>Ninguém precisa ser bidu para saber que as ótimas são administradas pela iniciativa privada. E que as 18 melhores são do Estado de São Paulo, campanha eleitoral sim outra também, acusado de cobrar pedágios exorbitantes.</p>
<p>Os críticos dizem que os pedágios pesam no custo Brasil, como se a falta de conservação nada custasse. E o custo vida? 8.516 vítimas fatais em 2010, 183 mil colisões, 15,5% a mais do que em 2009. Só em estradas federais. Impossível atribuir os dados apenas à imprudência.</p>
<p>Mas não basta concessionar. Ao fazê-lo, há de se fazer bem feito, fiscalizar. Algo cada vez mais difícil no desnorteado governo Dilma Rousseff. E pouco vale vangloriar-se de pedágios mais baixos quando as obras previstas em contrato sofrem frequentes atrasos.</p>
<p>Alerta da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), feito em 2010, apontou que trecho da BR-116 está próximo da saturação devido a obras que mal saíram das pranchetas desde 2003. Isso na Dutra, que liga o Rio a São Paulo, eixo fundamental para a Copa, quase o único que restou depois do conto de fadas do trem-bala e das sempre adiadas ampliações dos aeroportos, que não deverão passar de puxadinhos.</p>
<p>Na área urbana o caos não é menor. Os portos ditos turisticamente estratégicos – Santos, Rio, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza e Manaus – são só plantas arquitetônicas do que deveriam se tornar. Obra alguma começou. As de mobilidade, muito menos. Imagine-se nas cidades dos sem-Copa.</p>
<p>Enquanto isso, o governo Dilma se embrulha na corrupção, na inoperância, na falta de planejamento, gerência e comando. Parece esperar por milagres. E, ainda que aconteçam, estarão longe de dar respostas às urgências estruturais do país.</p>
<p>O atraso não é para 2014 ou 2016. O Brasil está atrasado para o Brasil.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 30/10/2011.</em></p></blockquote>
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