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	<title>50 Anos de Textos &#187; Mary Zaidan</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>Escândalos de hoje abafam os de ontem</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 17:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sempre que um novo escândalo vem à tona &#8211; e eles têm sido férteis e velozes como crias de ratos &#8211; , o script se repete. Primeiro, os envolvidos negam. Depois, buscam desqualificar o denunciante para diminuir o poder de fogo da denúncia e, em seguida, tentam explicar o inexplicável com a cartilha de sucesso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que um novo escândalo vem à tona &#8211; e eles têm sido férteis e velozes como crias de ratos &#8211; , o script se repete. Primeiro, os envolvidos negam. Depois, buscam desqualificar o denunciante para diminuir o poder de fogo da denúncia e, em seguida, tentam explicar o inexplicável com a cartilha de sucesso recitada pelo ex-presidente Lula: todo mundo faz igual ou pior.<span id="more-7029"></span></p>
<p>E todos, sem exceção, apostam no esquecimento. Do escândalo, não deles.</p>
<p>As declarações de quem está sob suspeita também seguem um padrão. Variam entre &#8220;punição exemplar&#8221;, algo que o país ainda não viu ser aplicada em roubalheira de dinheiro público, a &#8220;doa em quem doer&#8221;, explicitando, com todas as letras, que a dor é mais aguda quando atinge um companheiro.</p>
<p>Paralelamente, em escândalo sim noutro também se produz uma fartura de medidas ditas moralizadoras que são esquecidas na semana seguinte. Ninguém é preso. O preço máximo é perder o cargo. Nenhum centavo é devolvido. E tudo fica como sempre foi.</p>
<p>Quem se lembra hoje dos escândalos que derrubaram os ministros do Turismo, do Esporte ou do Trabalho, todos eles referentes a pagamentos indevidos a entidades sem fins lucrativos?</p>
<p>As denúncias de convênios irregulares de R$ 4,4 milhões apuradas pela Operação Voucher no Turismo, os desvios feitos em nome do Programa 2º Tempo do Esporte, as entidades fantasmas de treinamento de mão de obra. Na época, final de 2011, a presidente Dilma Rousseff não só demitiu os titulares das pastas, como baixou decreto sustando por 30 dias qualquer repasse a entidades civis e mandou a CGU apurar tudo, tintim por tintim.</p>
<p>Mas qual o quê. De acordo com o site Contas Abertas, as transferências do governo a instituições privadas sem fins lucrativos alcançaram R$ 807,5 milhões de janeiro a abril de 2012, 17% a mais do que no mesmo período do ano passado. Ou seja, depois de espernear, bater na mesa, fazer as vezes que exigia isso e aquilo, Dilma, em ano eleitoral, passou a gastar ainda mais com ONGs e afins.</p>
<p>E tudo passa quase que despercebido. Talvez pela proliferação de novos escândalos</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 13/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Roubar pode, só não pode embolsar o roubo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 16:45:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Peixe morre pela boca. Só não é assim quando o peixe é petista e goza de algum prestígio junto ao dono do partido, o ex Lula. Os absurdos ditos ficam por não ditos. Pior, são tidos como normais e não como absurdos. A pérola da semana veio do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que, ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Peixe morre pela boca. Só não é assim quando o peixe é petista e goza de algum prestígio junto ao dono do partido, o ex Lula. Os absurdos ditos ficam por não ditos. Pior, são tidos como normais e não como absurdos.<span id="more-6969"></span></p>
<p>A pérola da semana veio do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que, ao apontar diferenças entre o mensalão e o caso do contraventor Carlos Cachoeira, considerou menor o crime de roubar quando o fruto do roubo não vai para o bolso do ladrão. &#8220;Não há entre todos os réus do mensalão um acusado de apropriação particular do recurso&#8221;, garantiu, com peculiar soberba, em entrevista ao site Consultor Jurídico. Como se isso alterasse a tipificação do crime pelo qual ele e outros 35 são acusados.</p>
<p>E foi ainda mais longe ao citar a Land Rover de Silvio José Pereira, o Silvinho, único da turma que teria embolsado propina. Ao que parece, se o carro de luxo fosse para o partido, tudo bem. Crime eleitoral, um &#8220;erro que o PT corrigiu&#8221;.</p>
<p>Político experiente, exercendo seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados, casa que presidiu de 2003 a 2005, Cunha deveria saber que certas coisas podem ser pensadas, nunca ditas. Outras nem mesmo poderiam ser pensadas.</p>
<p>Mas como tudo é dito com a deliberada intenção de minimizar o mensalão, tudo bem. Insiste-se na tecla de que o pagamento periódico a aliados não passou de caixa 2, um pecado que todo mundo comete. O refrão, lançado por Lula na inesquecível entrevista de Paris, tem de ser repetido, repetido mais uma vez e de novo. Assim, quem sabe, vira verdade. Esse foi o papel de Cunha.</p>
<p>Em 2006, Cunha quase foi cassado. Perdeu na Comissão de Ética, ganhou no plenário. Não quer, de forma alguma, que volte à tona o saque em espécie que sua mulher fez no Banco Rural do Brasília Shopping. Muito menos a singela desculpa que deu à época: ela foi ao banco pagar uma conta de TV a cabo.</p>
<p>Mentiu lá e mente agora. Afinal, já deu certo e pode dar de novo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi publicado originalmente no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 6/5/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>CPI une Lula e Collor</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 18:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quase vinte anos depois da CPI de PC Farias, que apeou Fernando Collor de Mello da Presidência, o vilão agora é algoz e seus acusadores mais ferozes, capitaneados pelo ex Lula há duas décadas, aliados. Se depois que chegaram ao poder, perdões e gentilezas tornaram-se freqüentes, na CPI mista de Cachoeira, PT e Collor, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase vinte anos depois da CPI de PC Farias, que apeou Fernando Collor de Mello da Presidência, o vilão agora é algoz e seus acusadores mais ferozes, capitaneados pelo ex Lula há duas décadas, aliados. Se depois que chegaram ao poder, perdões e gentilezas tornaram-se freqüentes, na CPI mista de Cachoeira, PT e Collor, de novo com o aval de Lula, confessam a mesma cartilha e inimigos em comum, a começar pela mídia.<span id="more-6929"></span></p>
<p>Em discurso eloqüente, olhos esbugalhados, que fez lembrar os tempos irados em que, num equívoco letal, convocou os brasileiros a sair às ruas de verde e amarelo, colhendo cidades cobertas de cidadãos vestidos de preto, o senador Collor de Mello expôs todo o seu ódio contra CPIs, transformadas em “tribunais de inquisição”.</p>
<p>E, ainda com mais ênfase, contra a imprensa. Chamou jornalistas de “rabiscadores”, gente que produz “notícias falsas ou distorcidas”.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzzlullor.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6932" title="zzzlullor" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2012/05/zzzlullor-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Um elo a mais a unir Lula e Collor. Um purga sua mágoa pela Presidência perdida, outro, pelo processo do mensalão, maior escândalo da República, com poderes de lhe macular a majestade.</p>
<p>Os métodos de ambos se assemelham: flagrados, fingem que não é com eles, atacam a imprensa e protegem comparsas.</p>
<p>Collor nunca falou nada sobre PC Farias, a Operação Uruguai ou a prova menor, o Fiat Elba, gota d’água da cassação de seus direitos políticos.</p>
<p>Lula falou demais, mas o intuito era o mesmo. Primeiro se disse traído pelos seus. Depois, garantiu que o mensalão não passava de caixa 2, inventando a tese de que um crime se torna menor quando todo mundo o comete. Algo absurdo na boca de qualquer um, quanto mais de alguém que à época era o número um do país.</p>
<p>A teoria da vez é a de que o mensalão é farsa, uma armação da direita com apoio da grande mídia. Nela, Collor é, de novo, aliado de primeira grandeza. A ele cabe bater forte na imprensa, tentar desacreditar o carteiro para não precisar discutir o conteúdo da carta.</p>
<p>Os dois ex-presidentes, que nas primeiras eleições diretas depois da ditadura militar mobilizaram o país por suas diferenças ideológicas, se unem na sordidez.</p>
<p>Collor renunciou antes de sofrer o impeachment e teve seus direitos políticos cassados por oito anos. Atira para todos os lados, tenta vingar-se. Aposta na hipótese pouco provável de passar para a história como vítima de injustiça.</p>
<p>Lula, de olho no perdão prévio, alimenta as esperanças do ex-inimigo.</p>
<p>Cada um modela suas versões de acordo com a conveniência.</p>
<p>A corrupção, a malversação com dinheiro público, os desvios, a evasão de dólares para o exterior, o mensalão. Isso tudo que se dane. São apenas fatos. Coisa de jornalista.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi publicado originalmente no Blog do Noblat, em 29/4/2012. A arte da fotomontagem é de Antonio Lucena. </em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>CPI de Cachoeira refresca Pimentel</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 16:58:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em dezembro do ano passado vieram à tona os ganhos inexplicáveis do ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel em consultorias que lhe asseguraram rendimentos espetaculares de R$ 2 milhões. Amigo de Dilma, um dos poucos que ela, sem a tutela do ex Lula, indicou para o seu governo, Pimentel, ao contrário de seus pares flagrados em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em dezembro do ano passado vieram à tona os ganhos inexplicáveis do ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel em consultorias que lhe asseguraram rendimentos espetaculares de R$ 2 milhões.<span id="more-6883"></span></p>
<p>Amigo de Dilma, um dos poucos que ela, sem a tutela do ex Lula, indicou para o seu governo, Pimentel, ao contrário de seus pares flagrados em “malfeitos”, continua ministro e primeiro conselheiro. É irremovível.</p>
<p>Ao que parece, pelo critério da presidente incensada por sua intolerância à corrupção, a punição ao malfeito varia de acordo com os valores envolvidos. O pecado de Antonio Palocci, removido sem dó por motivo idêntico, foi de imperdoáveis R$ 20 milhões.</p>
<p>Quando as denúncias apareceram, Pimentel até tentou detalhar o trabalho que teria prestado em 2009 e 2010 para a construtora mineira Convap e para Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Poucos dias depois, representações da Fiemg no interior do Estado que teriam sido beneficiadas com as consultorias, negaram, com todas as letras, a prestação do serviço.</p>
<p>Até hoje, procura-se, incansavelmente, alguém, um único ser que tenha usufruído das consultorias do petista, justificando assim a generosa remuneração.</p>
<p>Na Convap não foi diferente. Menos de um ano depois de pagar a última parcela pela consultoria não prestada, a construtora, em consórcio com a Constran, foi escolhida pelo prefeito de Belo Horizonte, o aliado Márcio Lacerda (PSB), para tocar as obras viárias do sistema de BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Cristiano Machado, acesso ao aeroporto de Confins. Um contrato de R$ 36,3 milhões.</p>
<p>Nada sequer foi investigado. No Congresso, a blindagem ao ministro funcionou azeitada. As tentativas de ouvi-lo foram descartadas sem qualquer cerimônia. Pedido formal de esclarecimentos? Claro que não. CPI? Ora, nem pensar.</p>
<p>A Comissão de Ética da Presidência da República, à qual Dilma já demonstrou que pouco se lixa, até tenta. Pediu explicações a Pimentel há mais de mês. Foram insuficientes, dizem. Na última segunda-feira, 16, renovaram o pedido com mais 10 dias prazo para que ele explique o inexplicável.</p>
<p>Se as consultorias-fantasma já não assombravam, agora então Dilma e Pimentel respiram ainda mais aliviados. A presidente preferia, com razão, não ter de lidar com uma CPI que, ao bisbilhotar tramóias de um bicheiro, pode esbarrar e, provavelmente, o fará, em gente do seu governo. Mas já pode enxergar nela algumas vantagens.</p>
<p>A investigação não tem capacidade, ao contrário do que imaginava Lula, de colocar o mensalão em segundo plano. Mas, seguramente, deixará as denúncias contra Pimentel em quinto.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 22/4/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Cachoeira dá as cartas</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 19:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O bicheiro Carlos Cachoeira, meliante conhecido, pródigo em distribuir e colher benefícios suspeitos entre gente de todos os partidos políticos e em todas as searas da República, é mesmo fenomenal. Um gênio. Encarcerado em Mossoró desde o dia 29 de fevereiro, é ele, e ninguém mais, quem dá as cartas, muitas delas distribuídas, prévia e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O bicheiro Carlos Cachoeira, meliante conhecido, pródigo em distribuir e colher benefícios suspeitos entre gente de todos os partidos políticos e em todas as searas da República, é mesmo fenomenal. Um gênio.<span id="more-6811"></span></p>
<p>Encarcerado em Mossoró desde o dia 29 de fevereiro, é ele, e ninguém mais, quem dá as cartas, muitas delas distribuídas, prévia e cuidadosamente, nos vazamentos a conta-gotas das escutas da Polícia Federal sobre a operação Monte Carlo.</p>
<p>Com uma rede vasta que vai do DEM ao PC do B, do PSDB ao PT, Cachoeira conhece o seu poder de fogo. Sabe o quanto vale uma única palavra sua, seja para inocentar ou afogar de vez alguém no lamaçal mais profundo.</p>
<p>Safo, até então não deu um pio. Talvez fale para quem der mais. A conferir.</p>
<p>Bandido de altas esferas, Cachoeira tem nada menos do que o ex-ministro da Justiça de Lula, Márcio Thomaz Bastos, respondendo por sua defesa. Ao custo de R$ 15 milhões.</p>
<p>O mesmo Thomaz Bastos que aconselhou o ex-ministro Palocci no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo. Que orientou a defesa do então assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, flagrado negociando propina de R$ 100 mil de ninguém menos do que Carlinhos Cachoeira. O mesmo Thomaz Bastos que defende mensaleiros.</p>
<p>Ou seja: quando a dor ultrapassa o calo e pode comprometer o corpo e a alma, ele, Thomaz Bastos, é chamado. E assim foi. De novo.</p>
<p>A contratação do ex-ministro é simbólica. Tem a rubrica de Lula e do PT, que tudo fazem para tentar se aproveitar do escândalo Cachoeira e, a partir dele, misturar todo o joio e o pouco trigo para amenizar o do mensalão, prestes a ser julgado pelo STF.</p>
<p>Acreditam ser possível demonizar a “direita” &#8211; encarnada no senador Demóstenes Torres (ex-DEM), uma personalidade que desafia até a psiquiatria de ponta -, e encrencar os tucanos, pelas ligações perigosas do governador de Goiás Marconi Perillo, o mesmo que avisou Lula sobre a existência do mensalão, muito antes de o esquema vir à tona.</p>
<p>Com instruções e aval do ex-presidente, o PT se movimenta. E sem qualquer constrangimento em rifar o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, petista novato. Que se dane perdê-lo se em jogo está purgar os males de Dirceus, Delúbios, João Cunhas.</p>
<p>Cachoeira continua entre grades. Há muitos que apostam que é possível monitorar danos enquanto Thomaz Bastos segurá-lo. Mas como bandidos não são confiáveis – os que depuseram confirmando recebimento de boladas mensais para votar com o governo Lula são prova disso -, há alguma luz no fim do túnel.</p>
<p>Triste país este, que depende da palavra de malfeitores para lavar a sua honra.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ ">Blog do Noblat</a>, em 15/4/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>A energia de Dilma</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 19:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Exibida na TV no horário eleitoral de 2010, a cena de Dilma Rousseff no Parque Eólico de Osório (RS), com pás brancas gigantes girando o futuro, era auspiciosa. Propagandeava a geração de empregos em empreendimentos desse tipo e a necessidade de o Brasil diversificar sua matriz energética, como ela teria feito quando secretária de Energia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exibida na TV no horário eleitoral de 2010, a cena de Dilma Rousseff no Parque Eólico de Osório (RS), com pás brancas gigantes girando o futuro, era auspiciosa.<span id="more-6766"></span></p>
<p>Propagandeava a geração de empregos em empreendimentos desse tipo e a necessidade de o Brasil diversificar sua matriz energética, como ela teria feito quando secretária de Energia do Rio Grande do Sul.</p>
<p>Não parou por aí. Ao longo da campanha, comprometeu-se com a multiplicação de parques eólicos pelo país afora e com a expansão do etanol como combustível, no Brasil e fora dele.</p>
<p>Até agora, nada. Ao contrário.</p>
<p>Na semana que passou, Dilma mostrou que desconhece o papel dos ventos na geração de energia ao taxar como “fantasiosas” a potencialidade da matriz eólica. Ou fingiu, grosseiramente.</p>
<p>Ela sabe, ou deveria saber, que participante algum do Fórum de Mudanças Climáticas seria incompetente o bastante para pretender que modos alternativos virassem o principal motor da geração de energia.</p>
<p>Mais do que infeliz, a declaração da presidente afrontou os que apostaram nela como fiadora de um modelo um pouco mais próximo do século 21.</p>
<p>Área dita como de expertise da presidente, energia tem sido uma dor de cabeça.</p>
<p>O etanol nem mesmo dá conta do mercado interno e está cada vez mais longe de cruzar fronteiras. Sequer beliscou a agenda que Dilma inicia amanhã nos EUA. Foi-se o tempo em que se discutia a prevalência da cana brasileira, hoje em produção decrescente, sobre o milho norte-americano.</p>
<p>Assim como uma série de outras promessas, sejam os milhares de creches ou o trem-bala, a diversificação da matriz energética só ganhou luzes na campanha.</p>
<p>Depois disso, apagou-se por inteiro. Notícia alguma de eólica, solar e biocombustível. O binômio forte é e continuará sendo hidrelétrica e petróleo. E, complementarmente, as sujas termoelétricas.</p>
<p>Nos rios, as apostas são, no mínimo, polêmicas. Os investimentos, concentrados na Amazônia, são fortemente contestados, já custam muito mais caro do que o previsto e estão atrasados.</p>
<p>No caso do óleo negro, o quinhão esconde-se em águas profundas demais, portanto sem tecnologia confiável para extraí-lo. Basta ver os recentes vazamentos em mares bem mais rasos.</p>
<p>Enquanto isso, a Petrobrás segue importando combustível a preço mais alto do que comercializa e os consumidores, industriais e residenciais, pagando uma das mais caras tarifas de energia elétrica do mundo.</p>
<p>Dilma Rousseff, que diz ter tanto apreço por esse setor, poderia emprestar um pouco dos seus fabulosos 77% de popularidade para dar conseqüência às promessas que fez em 2010. Algo de que, pelo jeito, poucos se lembram.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 8/4/2012.</em></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lula, o fiador da Fifa</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Apr 2012 17:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em meados de junho de 2007, três meses e meio antes de o Brasil ser anunciado como país sede da Copa 2014, o presidente Lula assinava, com pompa e circunstância, a carta-compromisso em que o país oferecia mundos e fundos para seduzir a Fifa. Com 11 itens genéricos &#8211; jamais detalhados ao público durante as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em meados de junho de 2007, três meses e meio antes de o Brasil ser anunciado como país sede da Copa 2014, o presidente Lula assinava, com pompa e circunstância, a carta-compromisso em que o país oferecia mundos e fundos para seduzir a Fifa.<span id="more-6707"></span></p>
<p>Com 11 itens genéricos &#8211; jamais detalhados ao público durante as negociações com os donos do futebol mundial -, o documento seria a base da Lei Geral da Copa, que, de acordo com o governo, estaria pronta, acabada e aprovada em 2009.</p>
<p>“Caso declare o Brasil sede da Copa 2014, a Fifa dará prazo até 2009 para o governo brasileiro fazer as mudanças necessárias aos ajustes na lei”, explicou Alcino Rocha, à época coordenador do Grupo de Trabalho Interministerial das Ações do Governo para a Copa 2014.</p>
<p>Pessoalmente, Lula reforçou as garantias. Assegurou aos fifeiros que mudaria o que fosse necessário para trazer a Copa para o Brasil.</p>
<p>E a Copa veio.</p>
<p>Mas a tal proposta de lei só foi enviada ao Congresso pela presidente Dilma Rousseff em setembro de 2011, dois anos depois do que fora acertado.</p>
<p>Portanto, não há patriotismo algum que justifique críticas à Fifa quando esta se diz irritada com o Brasil, principalmente agora, com a indefinição quanto à venda de bebidas alcoólicas durante os jogos, algo acordado desde sempre. Muito menos tem sentido tentar transformá-la em vilã, ladra da dignidade brasileira, como alguns governistas querem fazer o país crer.</p>
<p>Até agora, só o Brasil falhou. Não cumpriu um único prazo. Seja para fazer a lei, seja para tocar as obras, todas, sem exceção, com atrasos de deixar em pé cabelos até de torcedores mais fanáticos.</p>
<p>Para se ter uma idéia do tamanho da leniência, a Rússia, sede da Copa 2018, já está finalizando a sua lei, que pretende aprovar até o final deste ano. E não só a lei. Por lá, pelo menos seis estádios já estão sendo construídos, o que forçará a Fifa a aceitar as cidades indicadas pelo governo russo. E não ao contrário, como aconteceu por aqui.</p>
<p>A Copa, só para lembrar, é da Fifa (que nunca foi santa). Será no Brasil pelas vantagens e mais vantagens oferecidas pelo governo. Mas não pertence ao Brasil. Pertence a uma federação que, embora muitos insistam em fingir não saber, preocupa-se mais com lucros do que com o esporte que apaixona o país verde-amarelo.</p>
<p>Lula sabia das regras. Muitas delas – como a venda de bebidas alcoólicas, e sabem-se lá quais outras – foram negociadas em sigilo, sem contar para ninguém. O resultado está aí. Uma lei para regular que deixa de regular o que tem de ser regulado. Que, mais uma vez, adia soluções.</p>
<p>Do jeito que vai, pontapé no traseiro é pouco.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmewnte publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 1º/4/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Noves fora</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 17:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nove anos depois de chegar ao Planalto – quase três como ministra de Energia, cinco como ministra da Casa Civil e há mais de um como presidente da República -, Dilma Rousseff descobriu, assim, de repente, que vinha fazendo tudo errado. E não só na lida inábil e atrapalhada com a sua base de sustentação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nove anos depois de chegar ao Planalto – quase três como ministra de Energia, cinco como ministra da Casa Civil e há mais de um como presidente da República -, Dilma Rousseff descobriu, assim, de repente, que vinha fazendo tudo errado.<span id="more-6625"></span></p>
<p>E não só na lida inábil e atrapalhada com a sua base de sustentação, mas em tudo. Na relação com sindicalistas e com o setor produtivo, no controle de seu gigantesco ministério, nas ações de seu governo.</p>
<p>E a presidente estaria disposta a mudar velhas práticas. Pelo menos foi o que anunciou o seu novo líder no Senado, Eduardo Braga.</p>
<p>Seria fabuloso, não fosse próximo à ficção.</p>
<p>É sensacional imaginar rasteiras em gente como José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá. Mas qual o quê. Ao invés disso, Dilma escalou cinco ministros para acalmar a turma da pesada e tentar estancar a crise no Congresso.</p>
<p>E ninguém crê que Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Paulo Bernardo (Comunicações) têm alguma possibilidade de êxito só pelos belos olhos.</p>
<p>Na gestão do governo, tudo é ainda mais alarmante. Para acelerar o PAC, com algumas obras atrasadas em até quatro anos, a idéia de Dilma foi a de cobrar in loco. Se suas visitas conferirão celeridade, não se sabe. Mas os preços, esses sim, aceleram-se em uma velocidade estonteante.</p>
<p>Só a transposição do Rio São Francisco &#8211; prometida para 2010, mas que não ficará pronta antes de 2015 -, teve orçamento reajustado em 71%, segundo reportagem de Marta Salomon no jornal <em>O Estado de S. Paulo</em>.</p>
<p>O custo já havia pulado dos iniciais R$ 3,4 bilhões para R$ 4,8 bilhões. E em 15 meses sob a batuta de Dilma saltou para inexplicáveis R$ 8,2 bilhões.</p>
<p>A transposição é a mais escandalosa, mas poucas obras apelidadas de “estruturantes” escapam. A polêmica hidrelétrica de Belo Monte custaria R$ 19 bilhões. Hoje, os mais otimistas falam em R$ 30 bilhões, R$ 24,5 bilhões bancados pelo BNDES. A ferrovia Transnordestina seria construída até 2010 por R$ 3,4 bilhões. Já está na casa dos R$ 5,4 bilhões e o novo prazo de conclusão bate em 2014.</p>
<p>Pode ser que aditivos contratuais e penduricalhos que estouram os orçamentos de obras públicas não estejam inclusos na ruptura com as “velhas práticas”. E que Dilma queira limitá-la ao plano político. Se assim fosse, ela mandaria, por exemplo, investigar seu amigo e ministro Pimentel, que, até hoje, não explicou os R$ 2 milhões que recebeu como consultor que, tudo indica, não consultou.</p>
<p>Seria a prova dos nove. Ou então tudo é mesmo ficção.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 25/3/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Sob o signo de Delúbio</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 17:38:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em abril de 2011, o diretório nacional do PT aprovou, por 60 votos a 15, a refiliação de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, acusado de ser um dos principais articuladores do mensalão. Com o aval determinante do ex-presidente Lula, a volta de Delúbio só não virou festa de arromba em Goiás, seu estado natal, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em abril de 2011, o diretório nacional do PT aprovou, por 60 votos a 15, a refiliação de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, acusado de ser um dos principais articuladores do mensalão. Com o aval determinante do ex-presidente Lula, a volta de Delúbio só não virou festa de arromba em Goiás, seu estado natal, por alerta de seus advogados.<span id="more-6582"></span></p>
<p>Autor da máxima “transparência assim já é burrice”, que acabaria por nortear boa parte do PT e do governo Lula-Dilma, Delúbio já se preparava para o indulto total: na Justiça, e, quem sabe, no voto popular.</p>
<p>O jato congelador veio na quinta-feira. O STJ rejeitou o recurso do ex-tesoureiro, condenado pelo Tribunal de Justiça de Goiás por improbidade administrativa por ter recebido salários ilegais de 1994 a 1998 e de 2001 a 2005, sem trabalhar, amparado por licenças também ilegais.</p>
<p>A multa de R$ 164,5 mil e a inelegibilidade por oito anos pouca importância têm perto do que a condenação significa.</p>
<p>Delúbio foi reembarcado na nau petista quando Lula e a cúpula do partido apostavam na credulidade total do povo-súdito. Convenceriam a todos de que o mensalão não havia passado de uma gigantesca armação para desapear Lula do poder.</p>
<p>Sem constrangimento algum, foram adaptando versões, reescrevendo a História nos capítulos da conveniência.</p>
<p>Ainda em 2005, logo que a compra de votos de deputados veio à tona, Lula se disse traído pelos seus. Mais tarde, em uma entrevista surreal em jardins parisienses, negou o mensalão, substituindo-o por caixa 2, prática usual de todos os partidos. Portanto, pecadinho menor. No final do segundo mandato, passou a jurar que tudo era mentira. E que, fora do Planalto, se dedicaria a desmascarar a grande armação contra ele e o PT.</p>
<p>A purificação de Delúbio fazia parte desse contexto. Sua refiliação serviria para confirmar a tese de que o mensalão era invenção da direita, que nunca existira; que Delúbio, o fiel, pagara um preço muito alto.</p>
<p>O calendário parecia perfeito, não fosse a desconfiança das pedras, que insistem em brotar pelo caminho.</p>
<p>Primeiro, a Ficha Limpa, que, por pressão popular, ressuscitou valores adormecidos. Depois, as quedas sucessivas de ministros por suspeita de corrupção e a possibilidade cada vez mais concreta de o STF julgar os 36 mensaleiros ainda neste ano. Tudo isso, agonizado pelo afastamento compulsório de Lula.</p>
<p>A condenação de Delúbio, mesmo que por outro crime, joga uma pá de cal naqueles que o defenderam – de Lula a José Dirceu, o chefe da quadrilha segundo o procurador-geral da República &#8211; e exemplifica para o grande júri a conduta nada exemplar da turma.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 18/3/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Arrogância e lágrimas</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/arrogancia-e-lagrimas/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Mar 2012 17:28:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em junho de 2003, o Senado rejeitou a indicação de Luiz Alfredo Salomão para a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na época, o PMDB aproveitou-se do ódio de José Sarney por Salomão, que, uma década antes, tentara quebrar o sigilo de Roseana Sarney na CPI do Orçamento, para expor suas insatisfações com o presidente Lula. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em junho de 2003, o Senado rejeitou a indicação de Luiz Alfredo Salomão para a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na época, o PMDB aproveitou-se do ódio de José Sarney por Salomão, que, uma década antes, tentara quebrar o sigilo de Roseana Sarney na CPI do Orçamento, para expor suas insatisfações com o presidente Lula.<span id="more-6535"></span></p>
<p>Nove anos depois, a base aliada repetiu a dose ao rejeitar Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).</p>
<p>Desta vez, um tanto pior, já que, em tese, Dilma Rousseff teria maioria de nada menos do que 54 dos 81 senadores, nessa que é aclamada como a maior de todas as coalizões de governo de que se tem notícia no país, quiçá no mundo.</p>
<p>A tática é quase infalível, e, desde os tempos de Lula, sempre com dirigentes de agências reguladoras. O PMDB fez igualzinho em 2005 ao rejeitar José Fantini para a ANP na Comissão de Infraestrutura. O alvo era a ministra de Energia Dilma Rousseff, madrinha do indicado.</p>
<p>Não é por puro acaso que a preferência por dar o tombo no governo recai sobre dirigentes das agências.</p>
<p>Organismos de caráter estritamente técnico, criados para regulamentar e fiscalizar serviços públicos prestados por empresas privadas, nos governos petistas elas foram tomadas de assalto pelo loteamento político. Portanto, são alvos de cobiça desvairada da base.</p>
<p>Pesquisa da consultoria Macropolitica, publicada no jornal <em>Valor Econômico</em>, revela que os cargos de direção das agências estão partilhados entre PT, PMDB e PCdoB. E deixam eriçados o PTB e o PR. A politização escancarada é uma das explicações para o aumento de quase 100% nos gastos das agências: R$ 733 milhões em 2004 para R$ 1,4 bilhão em 2010.</p>
<p>Sem autonomia, as agências viraram apêndices do governo. Funcionam com obediência cega, deixando no escuro o cidadão que deveriam proteger. Os apagões de energia e aéreos que o digam.</p>
<p>Mas nada disso parece apoquentar o governo. Para aplacar a fúria da base, Dilma trama novas nomeações e fala em liberar emendas parlamentares.</p>
<p>Faz tudo no varejo. Distribui migalhas para acalmar famintos. Mas nem de longe acena com maturidade política. E, sem partilhar poder, aperta a corda em seu pescoço.</p>
<p>“Este é um momento tenso”, diz o ministro Gilberto Carvalho, perto da humildade, nesta altura pouco crível por quem se sente usado e abusado. Com apenas 14 meses de mandato, Dilma sofre as conseqüências da arrogância com que ela e o seu governo tratam tudo e todos.</p>
<p>Os avisos, ela tem recebido aos punhados. Resta saber se além de apelos dramáticos e lágrimas em prol da coalizão saberá o que fazer com eles.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 11/3/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>A saúde do governo</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/a-saude-do-governo/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 17:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com média de 5,47 no IDSUS, novo índice criado pelo governo para avaliar o Sistema Único de Saúde, o atendimento público à saúde dos brasileiros agoniza. Menos de 2% da população têm serviços avaliados acima de 7. Mais de 20% amargam o descaso absoluto. E não passam de razoável os cuidados com os 73% restantes. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com média de 5,47 no IDSUS, novo índice criado pelo governo para avaliar o Sistema Único de Saúde, o atendimento público à saúde dos brasileiros agoniza. Menos de 2% da população têm serviços avaliados acima de 7. Mais de 20% amargam o descaso absoluto. E não passam de razoável os cuidados com os 73% restantes. Bom mesmo, estamos em falta. Ótimo, nem sonhar.<span id="more-6510"></span></p>
<p>Se a campeã Vitória e as cidades de Curitiba, Ribeirão Preto, Florianópolis e São José do Rio Preto são mostras de que é possível gerenciar bem os recursos do SUS, alguns resultados são de arrepiar. A cidade do Rio ostenta a lanterninha, com nota 4,33. Algo que provocou a ira ao prefeito Eduardo Paes, mas que pacientes cariocas dificilmente contestarão.</p>
<p>Não menos vexamosa é Brasília. Debaixo do nariz do poder, daqueles que podem se tratar em hospitais nobres paulistanos, a capital do país aparece com o quarto pior índice. Um resultado que materializa o fama de que “o melhor hospital de Brasília é ponte-aérea para São Paulo”.</p>
<p>No SUS, São Paulo também está bem no filme: 10º lugar, com nota 6,21.</p>
<p>Há de se elogiar o ministro Alexandre Padilha por expor as chagas do SUS. Um passo gigantesco para definir políticas e melhorar o atendimento. Mas isso não perdoa o governo que ele integra: os resultados danosos são fruto da absoluta inoperância e de promessas feitas e não cumpridas pela presidente Dilma Rousseff e seu ex.</p>
<p>Lula adora botar a culpa de tudo no fim da CPMF, única grande derrota que sofreu no Senado. Mas ao prometer construir 500 UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) já sabia da rejeição popular ao imposto do cheque. Mais ainda: no palanque de Dilma, quando a CPMF já tinha caído, prometeu outras 500. No total, mil promessas, e apenas 131 UPAs estão funcionando.</p>
<p>O SUS é um sistema avançado. Sua concepção, que valoriza a gestão municipal e a saúde preventiva, é invejável. Mas ainda está longe da excelência proclamada por Lula em janeiro de 2010, quando, ao inaugurar uma UPA em Recife, boquirrotou: “dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui.” Uma insanidade.</p>
<p>Queimou a língua. E muito.</p>
<p>Dilma manteve o mesmo diapasão. A Saúde teve o maior corte no orçamento de 2012. Os R$ 77, 582 bilhões previstos caíram R$ 72, 110 bilhões. Já gastos com pessoal continuaram crescendo. Neste ano batem R$ 203 bilhões, 80% do total dos recursos que o país prevê arrecadar. Na última década, aumentaram mais de 200%, parte nos bolsos de companheiros.</p>
<p>Pelas lágrimas derramadas ao se despedir do ex-ministro Luiz Sérgio, nas contas da presidente, importa mais manter a saúde da coalizão de seu governo.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 4/3/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Feliz 2014</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/feliz-2014/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2012 17:20:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carnaval festejado, a Copa do Mundo voltará ao centro das atenções. A Câmara dos Deputados deve reiniciar a apreciação da Lei Geral da Copa, com falsas polêmicas como bebida alcoólica nos estádios e meia-entrada para estudantes e idosos. Por sua vez, o Executivo deve intensificar o jogo de cena que opõe a presidente Dilma Rousseff [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carnaval festejado, a Copa do Mundo voltará ao centro das atenções. A Câmara dos Deputados deve reiniciar a apreciação da Lei Geral da Copa, com falsas polêmicas como bebida alcoólica nos estádios e meia-entrada para estudantes e idosos.<span id="more-6462"></span></p>
<p>Por sua vez, o Executivo deve intensificar o jogo de cena que opõe a presidente Dilma Rousseff à Fifa – em nome da soberania nacional -, fumaça densa para tentar disfarçar o que não dá mais para esconder: o fracasso na gestão e execução dos projetos Pró-Copa. Todos, sem exceção, com atrasos. Alguns tantos, ficção que nem mesmo no papel estão.</p>
<p>As obras dos estádios, que concentram as maiores atenções, são as únicas que andam. Ainda assim, entre o atrasado e o atrasadíssimo.</p>
<p>A encrenca é tamanha que o governo Dilma já nem atualiza a rubrica Copa 2014 no Portal da Transparência. As últimas informações do Ministério dos Esportes &#8211; aquele das estripulias de Orlando Silva, hoje nas mãos de Aldo Rabelo, do mesmo PCdoB do ex-ministro guilhotinado – são de novembro. E revelam escandalosa ineficiência.</p>
<p>Já a Infraero informou, em janeiro, que Cuiabá e Curitiba nem mesmo conseguiram concluir os projetos das reformas de seus aeroportos. Em Belo Horizonte, Confins também indica execução zero.</p>
<p>A salva-pátria é que se conseguiu – e com êxito – privatizar os aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília.</p>
<p>Portos, então, é um descalabro total. Nenhum sequer concluiu projetos básicos. Mucuripe (CE) deveria ter encerrado a fase de projeto em agosto do ano passado. Nada. O mesmo ocorre com os terminais marítimos de Manaus, Natal, Salvador, Rio de Janeiro e Santos. Recife, único em que o projeto básico dependia exclusivamente do governo estadual, andou um pouquinho: terminou essa fase, mas parou por aí.</p>
<p>Mas nada é tão grave quanto a mobilidade urbana, tida como maior – e talvez o único – legado que a Copa 2014 poderia deixar para as 13 cidades que sediarão os jogos. Apenas 2,14% dos R$ 12,4 bilhões previstos para intervenções nas cidades sedes foram executados até agora. Das 50 obras previstas, só 18 saíram das pranchetas. A maioria delas, timidamente.</p>
<p>Sobram motivos para a presidente, com sua fama de gestora implacável, estar espumando. Mas de nada adiantará Dilma fazer cara feia, espernear, berrar, bater na mesa. A ela só resta apostar no sucesso do improviso, nas quase imbatíveis gambiarras nacionais. Nesses casos, a custos estratosféricos para os contribuintes.</p>
<p>A esses, a todos nós, resta a torcida de que a seleção canarinho nos encha de alegria e nos poupe de um vexame ainda maior.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 26/2/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Samba do crioulo doido</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2012/samba-do-crioulo-doido/</link>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 16:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O casamento entre a princesa Leopoldina e Tiradentes, que acaba em proclamação da escravidão – paródia do jornalista Sérgio Porto na sua genial encarnação como Stanislaw Ponte Preta &#8211; é fichinha perto da balbúrdia da política paulistana, essa sim, o expoente do samba do crioulo doido que se esparrama pelo país. Do ex-presidente Lula ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O casamento entre a princesa Leopoldina e Tiradentes, que acaba em proclamação da escravidão – <a href="http://www.youtube.com/watch?v=3SfYMxPNVTE">paródia do jornalista Sérgio Porto</a> na sua genial encarnação como Stanislaw Ponte Preta &#8211; é fichinha perto da balbúrdia da política paulistana, essa sim, o expoente do samba do crioulo doido que se esparrama pelo país.<span id="more-6434"></span></p>
<p>Do ex-presidente Lula ao prefeito Gilberto Kassab, do governador Geraldo Alckmin a José Serra, todos, sem exceção, agem na lógica do avesso.</p>
<p>Kassab, que diz preferir Serra como candidato à sua sucessão, se enlaça com Fernando Haddad do até então adversário Lula. Possivelmente, quer ficar com Lula, mas não pode desagradar seu padrinho Serra. Com isso, faz Alckmin sair em defesa aberta de Serra, seu desafeto íntimo, agredindo &#8211; para tentar consertar depois &#8211; os candidatos à primeira prévia a que o PSDB se arrisca, tida hoje como ponto de honra para os que crêem no partido.</p>
<p>Enquanto isso, a mosca que não se cansa de zumbir na orelha dos tucanos lembra o apreço do governador por Gabriel Chalita, hoje no PMDB de Michel Temer, vice-presidente de Dilma Rousseff.</p>
<p>Incrível imaginar que um partido possa expor três secretários de Estado – Andrea Matarazzo, Bruno Covas e José Aníbal – e um deputado federal, Ricardo Trípoli, a um constrangimento desses. Mas hoje, fora eles próprios, todos faltam à verdade quando defendem a manutenção das prévias.</p>
<p>No PT &#8211; fidelíssimo a tudo que Lula elucubra -, a impensável aliança com Kassab ganhou sabores picantes. Mesmo difícil de engolir por alguns, não formalizá-la depois do envolvimento pessoal de Lula será uma derrota. No mínimo fragiliza a campanha, dificultando-a a sovar o mesmo Kassab para quem Lula fez a corte.</p>
<p>Serra não deu um pio. A disputa à Prefeitura de São Paulo não lhe seduz e pode lhe imputar prejuízo enorme.</p>
<p>Como sempre, tenta-se repetir a lenga-lenga que Serra conhece e até gosta. Que ele é essencial, que o partido dele necessita. Resta saber se o PSDB, Alckmin à frente, entraria de corpo e alma em uma campanha serrista. E, sem gás total, não são remotas as chances de Serra vir a perder para o novato Haddad. Essa sim, uma glória que não tem preço para Lula.</p>
<p>Em qualquer cenário, Kassab ganha. Alckmin, mais ainda. Na hipótese de Serra concorrer e vencer, seu aval terá sido crucial. Se derrotado for, imputa-se a culpa à rejeição do candidato. E, se tiver de sair com o nome oriundo da prévia, receberá todos os louros se vencer e cobrança alguma pela derrota de um candidato de primeira viagem.</p>
<p>Para Lula e Haddad, esse descompasso atravessa o ritmo da campanha. Não podem colocar o bloco na rua sem saber qual fantasia usar.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 19/2/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Já deu na vista</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 15:50:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Useiro e vezeiro em criar versões para explicar a inexplicável virada de ponta-cabeça que deu após chegar à Presidência da República, o PT insiste na fórmula: travestir suas ações condenáveis &#8211; e até as elogiáveis, mas odiadas por alguns dos seus, como a privatização dos aeroportos – em méritos. E, faça-se justiça, operam isso com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Useiro e vezeiro em criar versões para explicar a inexplicável virada de ponta-cabeça que deu após chegar à Presidência da República, o PT insiste na fórmula: travestir suas ações condenáveis &#8211; e até as elogiáveis, mas odiadas por alguns dos seus, como a privatização dos aeroportos – em méritos. E, faça-se justiça, operam isso com maestria.<span id="more-6402"></span></p>
<p>Das críticas virulentas ao que chamavam de alianças espúrias, nelas incluídas José Sarney e Renan Calheiros, nem se lembram. E, sob o signo da governabilidade, incluíram Collor, Jader&#8230;</p>
<p>A tal da governabilidade justificou também a divisão da República em sesmarias para amigos e partidos amigos garfarem seus quinhões. Pela mesma gente que Lula, poucos antes, classificava, com propriedade, de picareta.</p>
<p>Dilma Rousseff segue a mesma cartilha. Manteve a partilha – em português claro, a distribuição da bufunfa que ministérios e estatais administram – em nome de ter folga no Congresso. Ainda assim, a maioria é comprada dia a dia. Até petistas, como mostrou o presidente da Câmara Marcos Maia, ao barganhar a pauta de votação pela nomeação de cupinchas.</p>
<p>Negar esse mimo a Maia até seria ponto para Dilma, tivesse ela alguma coerência entre o que diz e faz. Gerente-mor no governo Lula, e, claro, única em seu próprio governo, Dilma, dizem, grita, berra, esperneia. Mas nada sai do lugar. Ou bem seus auxiliaram brincam com ela, ou bem de gerência ela nada entende. Ou as duas coisas.</p>
<p>Seus melhores momentos, os iniciais – a defesa intransigente dos direitos humanos, a intolerância com “malfeitos” e a condenação ao cerceamento à liberdade de imprensa –, já deixam saudade. Rapidamente, Dilma pôs tudo a perder. Fez vista grossa a suspeitas de corrupção, tropeçou feio em Cuba e ficou muda, completamente muda, quando o PT voltou a falar de controle da mídia.</p>
<p>Como o PT é o PT, o partido agora chama o cobiçado controle de “democratização dos meios de comunicação”. Na essência nada muda. Ou até mude. Gravemente, se decidirem levar ao pé da letra a infeliz, mas estudada tese do ministro Gilberto Carvalho de se criar uma mídia estatal para a classe C. Portanto, controladíssima. Talvez uma TV Brasil do C, com menor audiência ainda.</p>
<p>“Pode-se enganar a todos por algum tempo, pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo&#8221;, disse Abraham Lincoln. Não há novilíngua petista que mude isso. A ironia de Ricardo Marin, leitor de <em>O Estado de S. Paulo</em>, comprova a imortalidade do pensamento: “Não é privatização, é concessão. Não é caixa 2, é recurso não contabilizado. Não é roubo, é realocação orçamentária.” Já deu na vista.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 12/2/2012.</em></p></blockquote>
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		<title>Dane-se</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 15:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mary Zaidan]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Em julho de 2010, a então candidata Dilma Rousseff fez a sua primeira intervenção sobre a política externa brasileira. Um completo desastre. Em entrevista à TV Brasil, portanto no conforto da casa própria, Dilma defendeu as relações inexplicáveis de seu padrinho Lula com a ditadura dos irmãos Castro e com as democracias de mentirinha de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em julho de 2010, a então candidata Dilma Rousseff fez a sua primeira intervenção sobre a política externa brasileira. Um completo desastre.<span id="more-6377"></span></p>
<p>Em entrevista à TV Brasil, portanto no conforto da casa própria, Dilma defendeu as relações inexplicáveis de seu padrinho Lula com a ditadura dos irmãos Castro e com as democracias de mentirinha de Hugo Chávez e de Mahomoud Ahmadinejad. E atacou: em Guantánamo se respeitam os direitos humanos? Frase idêntica à que disse em sua primeira visita oficial a Cuba.</p>
<p>Agora, porém, ainda mais desastrosa. Como presidente da República, usou o mesmo argumento – bestial e infantil –, esquecendo-se de que falava em nome do país. Que, hoje, suas declarações ultrapassam a seara da opinião pessoal. São, ou deveriam ser, coisas de Estado.</p>
<p>Guantámano é uma vergonha, um crime. Tão grande que levou a ONU a condenar publicamente os Estados Unidos em 2006, com apoio de dezenas de nações. Curiosamente, e é sempre bom lembrar para não se chorar sobre leite esparramado, a moção não teve a adesão do Brasil. Talvez devido à amizade fraterna de Lula com o então presidente George W. Bush.</p>
<p>Moradia dos horrores. E, até por isso, é absurdo usá-la para absolver regimes totalitários que se escudam nos pecados do Tio Sam para justificar os seus.</p>
<p>Mas Dilma não teve qualquer constrangimento em fazê-lo.</p>
<p>Pior: seu governo, como já é de praxe, escolheu a trilha marqueteira. Deu publicidade ao ato de conceder visto à blogueira Yoani Sánchez e lavou as mãos. Divulgou o fato como se o Brasil, usualmente, negasse visto a cidadãos cubanos e que, para Yoani, uma dissidente do regime, fez-se uma concessão. Se assim o é, o colaboracionismo com os Castro vai muito além dos empréstimos subsidiados do BNDES. Dá apoio até à proibição do direito de ir e vir. É ilógico, absurdo.</p>
<p>Em mais um lance da marquetagem, no mesmo dia da visita a Cuba, liberou-se um relatório sobre a barbárie na desapropriação de Pinheirinho, alimento farto para a tropa de choque governista defender a ditadura castrista.</p>
<p>Pinheirinho foi um desastre em todos os níveis. Mas compará-lo à sanguinária ditadura do paredão de Fidel é cinismo puro e lapidado.</p>
<p>Depois de incensada por ter feito crer que, ao contrário de seu antecessor, se orientava por uma cartilha de defesa do Estado de Direito, os sinais de Dilma se provaram falsos. Assim como Lula – decerto sem o mesmo charme, muito menos eloqüência –, Dilma joga só para a platéia.</p>
<p>A semana que passou foi dedicada a carícias a parcela do PT. Algo que Dilma fez com competência. Para ela, parece ser o que importa. O Estado de Direito? Ele que se dane.</p>
<blockquote><p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 5/2/2012.</em></p></blockquote>
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