O Brasil tem que parar Bolsonaro

Por insanidade, egocentrismo, cálculo político, má-fé ou tudo isso junto, na semana passada o presidente Jair Bolsonaro iniciou mais uma guerra. Disparou tiros para todo lado, alguns fatais, como o afrouxamento do isolamento social, outros nos seus próprios pés. Na tentativa de destruir desafetos, acertou a culatra ao dar palanque nacional aos governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, pré-candidatos à Presidência em 2022. Continue lendo “O Brasil tem que parar Bolsonaro”

#ForaPopulismo

Populismo é uma praga. Devasta países, asfixia a democracia, escraviza povos. Uma peste indomável, disseminada igualmente pela direita e pela esquerda. Nas crises, a capacidade destrutiva dos populistas fica ainda mais escancarada. Indisfarçável, explode diante da mais grave pandemia global dos tempos modernos. Continue lendo “#ForaPopulismo”

O vírus da mentira

Não é a primeira e não será a última vez que gente do Planalto, graúda, vaza informações para depois acusar a imprensa de espalhar mentiras. Fez isso ao plantar a demissão do ministro da Educação Abraham Weintraub, ao confirmar desavenças com o ministro da Justiça Sérgio Moro e com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, e outras tantas. O episódio Fox News só escancarou a prática. Continue lendo “O vírus da mentira”

Bolsonaro depende da imprensa

Em mais um gesto dirigido a seus fiéis, o presidente Jair Bolsonaro soltou a máxima da semana – e olha que os dias já estavam recheados delas. “Enquanto não começar a divulgar a verdade, não vamos mais falar com a imprensa.” Associado às mentiras que desfiou durante a live da quinta-feira, dia 5, o plural majestático da “ameaça” pôs maior ênfase no já sabido: Bolsonaro escolheu não discernir entre obrigação e devoção, dever e prazer. Por conveniência, má-fé ou ambos. Continue lendo “Bolsonaro depende da imprensa”

A ameaça é ele mesmo

O vice-presidente Hamilton Mourão acertou na mosca: “Os mares não estão tranquilos porque vídeos são divulgados, redes sociais se incandescem, as pessoas, muitas vezes, não raciocinam sobre aquilo que estão escrevendo e estão discutindo, emoções são colocadas à flor da pele, e parece que nós vivemos num eterno turbilhão. E esse eterno turbilhão tem de ser superado.”  Mas o reconhecimento das tormentas cotidianas e a pregação conciliatória feita na sexta-feira para os empresários catarinenses deveriam ser endereçados ao seu chefe. Continue lendo “A ameaça é ele mesmo”

Nada cheira bem

Há algo estranho no ar. Um indisfarçável cheiro de perigo, perceptível até por aqueles que se inebriaram com as promessas de novos aromas. Às narinas que pretendiam enterrar a podridão do petismo, o governo do presidente Jair Bolsonaro tem ofertado outro tipo de droga, também com efeitos devastadores. Continue lendo “Nada cheira bem”

O Guedes liberal naufragou

Pode ter sido pela turbulência dos ventos ou por uma vontade danada de chegar lá ainda que em condições precárias. Mas é indisfarçável que a bússola do ministro Paulo Guedes – o único dito e havido como porto seguro do Governo Bolsonaro – está descalibrada. Talvez a imantação já estivesse comprometida antes mesmo de ele assumir o barco, quanto mais para pilotá-lo em meio de terraplanistas. Assim, o Guedes liberal naufragou. Continue lendo “O Guedes liberal naufragou”

É preciso estar atento e forte

Luzes, ainda que fracas, no túnel da economia, reforma da Previdência feita, até talvez tributária e administrativa ainda este ano. Aos trancos e a despeito dos barrancos e barracos que o presidente Jair Bolsonaro arma, o governo faz que anda. Mas a melhor parte, digna de comemoração, é o que não anda: a retrógrada agenda de costumes. Graças à grita de muitos, nela o governo só colhe reveses. Continue lendo “É preciso estar atento e forte”

O Brasil abaixo de todos

Difícil achar quem não goste das listas de melhores e piores. Os filmes vencedores, livros e músicas imperdíveis, lugares para conhecer ou viver. Há rankings para tudo, bem feitos, fajutos, engraçados. E os muito sérios. Nesses, o Brasil perde feio. Neles – Pisa/OCDE, IDH/ONU, OMS/Violência, Transparência Internacional, Human Rights Watch -, os países líderes concentram energia na educação, e, na maioria deles (a única exceção é a China), em justiça e democracia. Um tripé cada vez mais distante do Brasil de hoje. Continue lendo “O Brasil abaixo de todos”

Populismo em rede

A mistura de política com entretenimento não é novidade. Era assídua nas marchinhas de carnaval, na música popular, e continua arrancando gargalhadas nos programas humorísticos de TV. Artistas sempre foram bons cabos eleitorais e showmícios faziam parte das campanhas até serem proibidos pelo Supremo, em 2006. Tudo para lá de inocente perto do que se vê nas redes sociais, ambiente em que a política virou um reality show sob medida para o populismo de ocasião.  Continue lendo “Populismo em rede”

O Brasil de Bolsonaro

A acirrada guerra entre os extremos, marca registrada de 2019, ganhou novos gladiadores no final do ano. Agregou à arena lavajatistas versus bolsonaristas. O conflito irado em seu próprio campo mexeu fundo com o presidente, escancarando sua dependência quase doentia às redes sociais e a já sabida primazia que dá aos filhos – acima do Brasil e, sabe-se lá, de Deus.  Continue lendo “O Brasil de Bolsonaro”

Populismo com Fundo

Goste-se ou não dele, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, nome pomposo para injetar dinheiro público no custeio eleitoral, é lei, aprovada pela maioria da Câmara e do Senado há dois anos. Portanto só pode ser suspenso ou alterado por outra lei.  Continue lendo “Populismo com Fundo”

O descentrado centro

Lideranças populistas, partidos sem qualquer identidade, desigualdades extremas, educação precária são algumas das explicações para a rasura em que o debate político nacional se desenvolve. Os que se dizem de direita demonizam os de esquerda que satanizam os de direita. Os extremos sovam-se com braveza e baixarias para fermentar seus mitos, não raro sem saber o significado histórico-politico da direita e da esquerda no mundo e no Brasil. Ao centro cabe a impopular tarefa de arrumação. Continue lendo “O descentrado centro”

Incultos contra a cultura

Por ignorância ou puro ódio, de caso pensado ou não, o bolsonarismo encarnou de vez as vestes de inimigo-mor das artes, da cultura. E parece adorar o papel. Desdenha do melhor produto brasileiro e, mais grave, fere a identidade nacional, indissociável da cultura. Um vale tudo de baixíssimo nível para destruir uma imaginária hegemonia ideológica de esquerda nas artes. Continue lendo “Incultos contra a cultura”