Arquivos da Categoria: Manuel S. Fonseca

Me Tarzan, you Jane

A ver se nos entendemos

A pedestre agramaticalidade de “Me Tarzan, you Jane” nunca foi dita por Johnny Weissmuller nesses pequenos ensaios fílmicos hollywoodianos que projectaram de liana em liana a filosofia de Jean Jacques Rousseau. Ler Mais »

O amor da mulheres

Foi em 1994, e as mulheres, nesse tempo, ainda podiam falar dos homens com amor. A voz, que tem a delicadeza lírica dos tímidos autênticos, é a da actriz Mary Steenburgen. Ler Mais »

O grande educador

Em The Big Sleep, quando Bogart sai de uma livraria, atravessa a rua e se refugia na livraria em frente, toda a cena é só alusão e vénia a Stanley Rose, fundador das duas. Uma antes, outra depois de ser preso por piratear uma antologia de humor escatológico. Ler Mais »

Hienas, Hollywood e livros

Lá vou chatear as hienas que em pleonástico bando sempre uivam a Hollywood. Tenho de dizer a verdade: é de véu e flor de laranjeira o amor de Hollywood pelo livro. Ler Mais »

A ímpar sala de cinema

Era fim de tarde e uma guerrilheira lufada de Inverno feriu a primaveril Feira do Livro. Ia dizer olá ao João Lopes, camarada da remota aventura da Cinemateca. Ele apresentava um livro – Cinema e Históri – e arrastava a debate, outros dois companheiros, o João Adelino Faria e o Nuno Artur Silva. Ler Mais »

Grande filme de bullying

Que rápidas as pernas de Walter Pitts. Não são formosas, nem são seguras. Correm velozes à frente de dez pares de pernas perseguidoras, que se tivessem olhos e os olhos fossem balas, há muito Pitts teria sido abatido. Ler Mais »

Jejum e mar de palha

O cinema só não é uma arte maior como a literatura porque não há cineastas virgens. O cineasta virgem seria uma contradição nos termos. A câmara de filmar é um falo hiperbólico: devassa, despe, acaricia. Bi ou promíscua, a câmara tanto faz estremecer Keira Knightely e Scarlett Johansson como Michael Fassbender. Ler Mais »

O romance facho-hollywoodiano

Mussolini, no escuro do seu cinema, gostava de pôr os olhos na irreprovável nudez de Hedy Lamarr, vendo Êxtase, filme mudo checo de que tinha cópia privada. Mas o seu modelo de indústria era americano. Admirava os grandes estúdios e manteve romance epistolar com a bela e fútil Anita Page, que teria sido a namorada do mundo se Greta Garbo e Joan Crawford não lhe tivessem sufocado a carreira.

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A lassidão jurídica de Clark Gable

Já fui, como Clark Gable, um perigo para os peões. Tive dois carros antes de ter a carta. Primeiro, um lendário 2CV, a seguir um imaculado MGM descapotável. Ler Mais »

A fantasia em fuga

Deixem-me ir buscar a mulher nua de 1897. Filmou-a George Méliès, o francês que, com riso e aventura, salvou o cinema dos vetustos irmãos Lumière, que lhe apertavam o gasganete com as garras da realidade. Ler Mais »

O ópio do artista americano

O que se escreve no que se escreve? O que se filma no que se filma? O que vemos quando vemos o sexo de Basic Intinct? Joe Eszterhas, autor do argumento desse filme, disse, num parágrafo cheio de inveja, que vemos a juventude de Sharon Stone. Ler Mais »

Tirar a roupa

Se a história do cinema ensina alguma coisa é que vem aí uma década de libidinoso aquecimento. No século do código Hays, passagem dos anos 20 para os 30, tudo era proibido. Mesmo o beijo na boca era só uma lástima de beijo na boca. Ler Mais »

Ilha dos Amores em Hollywood

Era tudo proibido e havia portanto toda a liberdade. Tenho estes dois olhos que a terra há-de comer apontados a Hollywood e, em Hollywood, a essa pequena porção de paraíso que era a MGM. Ler Mais »

Heróico, viril e vil

Todo o passado é sincrético. Como sabem, John Gilbert é um actor do tempo de Homero, Greta Garbo, Ben-Hur ou não fosse o cinema uma invenção mediterrânica. Um dos criadores desse cinema da antiguidade clássica foi Louis B. Mayer. Judeu, claro. Como Aquiles, era heróico, viril e vil. De poderoso soco. Basta vê-lo, à porta do Alexandria Hotel, aos murros a Charlie Chaplin. Foi em Los Angeles: na minha antiguidade clássica já havia América e hotéis de cinco estrelas. Ler Mais »

A noite e o riso

Gosto tanto do riso que rasga a insossegada noite. O senso comum reclama o silêncio nocturno. Peço ao senso comum a mesmíssima desculpa que peço a Shakespeare.  Ler Mais »