Palmar 20 milhões ao banco

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Foi antes de se inventar o assalto ao banco. Era disso que, nos anos 60 e 70, se queixava a polícia francesa: Jacques Mesrine assaltava bancos antes de se inventar o assalto ao banco. Corrijo e digo à verdade, o que ainda não se inventara fora o asséptico assalto ao banco. Nem nos sonhos dos mais pervertidos havia um húmido Lehman Brothers, um BPN de perna aberta, um nuínho BES. Continue lendo “Palmar 20 milhões ao banco”

Três, disse Frank Sinatra

Não vos vou falar de uma precipitação qualquer. Falo-vos de uma precipitação de Frank Sinatra. Tinha Judith Campbell uns 25 anos e quem diz Judith, diz Guerra Fria, FBI, Baía dos Porcos, a garganta cortada de Fidel de Castro, como outra Judith degolou a de Holofernes. Continue lendo “Três, disse Frank Sinatra”

Um tombo do Entroncamento

O seu bigode tinha todos os traços dos ideais republicanos: dois arcos reflexivos, pontas enroladas a apontar o céu, enfim, uma andorinha de asas abertas a decorar o lábio superior. Este é o bigode de Paul Deschanel e o voto dos eleitores fez desse bigode e de Deschanel o Presidente de França por sete meses e poucos dias. Continue lendo “Um tombo do Entroncamento”

O descanso eterno dos ricos

A esmagadora maioria dos ricos só sabe fazer de ricos. Atrevo-me a dizer: mesmo os que um dia já foram pobres. E perdoem-me se não falo aqui do riso de Berardo. Já não há nele, no seu soletrado riso, cordão umbilical que o ligue à ancestral humildade, à genuína humanidade do pobre. Eis o que interessa, há um rico que ficou rico a fazer de pobre: Charlie Chaplin. Continue lendo “O descanso eterno dos ricos”

As bombas atómicas de Palomares

É que nem Deus aceitava. Francisco lembra-se. Humilde e cristão, chegou-se a Nosso Senhor com um prato de vermelhíssimos camarões de Palomares: “Aceita Senhor, Bom Deus!” E logo o poliglota patriarca das barbas, com um vozeirão que tomara Pavarotti, declinou: “Pues, Paco, hijo mio, no gracias, que te hagan buen provecho.” Continue lendo “As bombas atómicas de Palomares”

Apologia da fake-news

Todo o santo ser humano gosta de mentir. A mentira é a verdadeira medida da nossa santidade. Ao mais acabado campeão da verdade sempre diremos, transforme-se o meu amigo num veículo automóvel e meta a verdade no porta-bagagens. Continue lendo “Apologia da fake-news”

A coisa em si

A imaginação humana é esfomeada e vai com toda a sede ao pote. Não lhe chega o feijão com arroz da realidade. Ponham-se os olhos em Jean-Baptiste Botul. Ninguém sabe nada dos seus 51 anos de vida, de 1896 a 1947. Ora, nem todo o ouro do Banco de Portugal pagaria a riqueza da sua existência. Continue lendo “A coisa em si”

O paraíso

Tive um vislumbre do que é o paraíso. Tinha vinte anos, uma das melhores idades para se ver o paraíso, e a primeira coisa que descobri foi que, no paraíso, Deus primava pelo absentismo. Não estava lá. Continue lendo “O paraíso”

Orgulhosamente só

O japonês Hirō Onoda tinha a mesma impotência da ideia fixa de um António de Oliveira Salazar, de um Álvaro Barreirinhas Cunhal. A impotência da férrea ideia única converte um homem num Hércules, num imbatível Aquiles. Continue lendo “Orgulhosamente só”

O CEO e o taco de baseball

Não me digam, com boca de raiva, que era um gangster, que me obrigam a gritar a clamorosa verdade: era um benemérito. Espanta-me até que André Veríssimo, director do nosso Jornal de Negócios, não tenha já dedicado uma separata ao maior CEO do século XX, Alphonse Gabriel Capone. Continue lendo “O CEO e o taco de baseball”