- :: Passaram-se tantas coisas em Cannes. Por Manuel S. Fonseca
Passaram-se tantas coisas em Cannes. Houve um tempo em que ia lá todos os anos. Entre o festival de cinema, os grandes mercados de televisão, duas, três vezes ao ano, ali ao lado das encostas que Picasso, Calder, Fitzgerald escolheram para pintar e escrever. Ler Mais »
- :: Pedro I e Hannibal partilham o mesmo amor pela humanidade. Por Manuel S. Fonseca

Mesmo alguém que não se chamasse Coelho estremeceria ao ouvir a voz melancólica de Pedro I, rei de Portugal, ordenar: “Preparem-me esse coelho que tenho fome.” Num conto de Os Passos em Volta, de Herberto Helder, um dos assassinos de Inês, Pêro Coelho, de joelhos entre os guardas, reconhece o direito de vingança do monarca e saboreia a ironia da frase real. Ler Mais »
- :: Sem nunca ter entrado num filme, entrou, afinal, em tantos. Por Manuel S. Fonseca
Howard Hawks transpirava charme. Ou seja, nunca precisou de transpirar. Nessa noite passeava-se pelo Clover Club e olhava para a pista de dança. Foi então que a viu. Ler Mais »
- :: Ninguém mais do que Godard amou o cinema americano. Por Manuel S. Fonseca

Nos tempos em que eu soletrava entusiasmado a indecidível ratatouille literária que é a prosa do filósofo Gilles Deleuze, apanhei-o a jurar que toda a história da filosofia mais não é do que um interminável conjunto de comentários ao diferencial que são os diálogos de Platão. Terá sido no “Difference et Répetition”?
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- :: Hollywood é praticamente como Portugal. Todos se conhecem. Por Manuel S. Fonseca

Quando saiu das mãos de Orson Welles, Charles Foster Kane, megalómano, críptico, já era muito maior do que a vida. Lembro os menos cinéfilos que falo do herói de um filme, Citizen Kane. O próprio Welles interpreta a personagem que morre no começo do filme sussurrando, numa misteriosa saída de cena, a palavra rosebud.
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- :: Muitos filmes saíam da sala e andavam nas ruas de Luanda. Por Manuel S. Fonseca

O que se passa na sala de cinema devia ficar na sala de cinema.
Maureen O’Hara que o diga. Cansada de passar dos braços de John Wayne para os braços de John Wayne, sentou-se um dia no escuro do Grauman’s Theatre e inundou-a uma doce impertinência. Deslizou pelo homem que estava ao lado, não propriamente pelos braços. Ler Mais »
- :: Na espessa escuridão de uma sala, uma orgia de silêncio. Por Manuel S. Fonseca

O que é uma sala de cinema? Nos anos 50, um crítico francês, num sobressalto cognitivo, perguntava o que era o cinema. Não me vão ouvir dizer, com a certeza ontológica de um Medina Carreira, que era a pergunta errada. Ler Mais »
- :: Portugal está como 'Spig' no filme de John Ford. Por Manuel S. Fonseca

“Eu hei-de mexer esse dedo!” Ainda ouço a voz do comandante “Spig”, deitado de borco numa cama de hospital. Fracturou a quinta vértebra cervical e a boca pequena dos médicos diz o que eles não lhe querem dizer. A paralisia bilateral não o voltará a deixar andar. Ler Mais »
- :: O pedido de Bruxelas: que Obama não seja como Marlon. Por Manuel S. Fonseca

A Europa não é só vanguarda. Também há uma retaguarda europeia. Em crónica anterior, contei os doze passos de Marilyn que revelavam redonda e inignorável parte dela e arrebatavam Tony Curtis, Jack Lemmon e um comboio, em Some Like it Hot. Recebi protestos e uma carta da Comissão Europeia. Ler Mais »
- :: Pode gostar-se tanto de um realizador pelas cenas que filmou como pelas que não filmou Por Manuel S. Fonseca
Rossellini fez Dov’è la libertà, com Totò, o mais popular dos cómicos italianos. Totò é um barbeiro e, com navalha afiadíssima, deveria cortar o pescoço a um cliente porque o tipo, o melhor amigo, mas um mau carácter, tentara abusar da sua mulher, como ela, indignada, lhe confessara. Ler Mais »
- :: Os momentos em que o tímido inventa as forças que não tem. Por Manuel S. Fonseca

Quando Vitor Gaspar ou Passos Coelho anunciam novas medidas, naquele hiato que há entre a psicologia e a acção, será possível descobrirmos que tremem como varas verdes? Roberto Rossellini, que devia tremer como varas verdes à frente de Ingrid Bergman, fez desse instante incerto a inspiração de parte do seu cinema. Ler Mais »
- :: Em "Lincoln", há um pai à espera de Spielberg. Por Manuel S. Fonseca

O esqueleto de Lincoln já não deve estar em condições para levar ninguém às cavalitas. Mas em Lincoln, o corpo que Daniel Day-Lewis empresta ao presidente suporta bem, às cavalitas, o peso do filho, Tad. Ler Mais »
- :: Em nome de um ideal nobre, corrupção e morticínio. Por Manuel S. Fonseca

Lincoln, de Steven Spielberg, é um superlativo elogio da prática da democracia, ou melhor, da sua “praxis”, como grita o recalcado marxista de 20 anos que, clandestino e bilioso, rumina nas profundas do meu fígado.
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- :: Judy copia Madeleine que copia a morta Carlota Por Manuel S. Fonseca
Se o Jimmy Stewart (Scottie) de Vertigo é Orfeu, Orfeu somos todos nós ou é qualquer um. Orfeu amava tanto Eurídice que, desesperado com a morte dela, desceu aos infernos para a resgatar, tocando a sua doce lira. Correu mal, claro. Ler Mais »
- :: Em Gigi, o amor canta, dança e vence. Já na vida real... Por Manuel S. Fonseca

Toda a pedagogia é amoral. Penso nos heróis hedonistas de um certo filme, eu que já estou mais para Maurice Chevalier (Honoré) do que para Louis Jourdan (Gaston). Recomendo o filme a Nuno Crato, talvez o único consensual galã do governo, que não desmereceria no papel de Gaston ao lado da juvenil Leslie Caron (Gigi).
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