Arquivos da Categoria: Jorge Teles

Conta outra, vó – A sandália

Nota: No início dos anos 70, li o Decameron de Boccaccio. A quarta novela da sétima jornada me fez lembrar de uma das historinhas que minha avó contava. Havia variações quanto a local e detalhes mas a essência era a mesma. Fiquei pensando em outras histórias de minha avó, analfabeta. Fiz um levantamento de todas, ela contava e recontava a cada vez que pedíamos. Percebi que nas minhas leituras nunca tinha encontrado algumas daquelas histórias. E resolvi anotar todas, para não esquecê-las. O resultado foi esse livinho, Conta outra, vó. A Sandália, o segundo conto, é a variante encontrada no Decameron..
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Conta outra, vó

Após a morte de minha mãe (eu tinha 11 anos) minha avó materna veio morar conosco no Rio, pra ajudar nas tarefas da casa. Todas as tardes sentávamo-nos no chão da cozinha e conversávamos longo tempo. Isto começou em 1954 e durou uns quatro anos. E sempre pedíamos uma historinha. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 25

25. Finale

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Foi numa das muitas tardes em que deveríamos rezar alto, se não me engano, após o hino nacional, devendo subir em seguida. Naquele crepúsculo de sonho, ameaçando mais um pesadelo de cegueira noturna, naquela tarde vermelho-fogo, disseram que iam ler a lista dos novos desligados. Os nomes voariam sobre o silêncio, como pássaros sagrados. Pousassem num dos morto-vivos, e ele seria ressuscitado. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 24

24. Rebelião

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Após a morte de Pirueta, seguiu-se um período de silêncio e terror. Ali, sim, ninguém estava disposto a sorrir. Meus amiguinhos me contavam que ele tinha morrido de tanto apanhar. Falavam baixinho, medrosos de que um outro ouvisse e contasse. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 23

23. Pirueta

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No Pátio dos Milagres não havia um rei dos mendigos?

No dormitório do Diabo, a apertada e mal-cheirosa extensão do reino da agonia, elegeram o Rei dos Mijões. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 22

22. Os mijões

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Ou não teriam zombado, por ser aquele um espetáculo comum? Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 21

21. Escuridão e diarréia

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Não tivesse nascido aquele deus e muita coisa desagradável não teria acontecido. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 20

20. Festas

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No final do ano, outubro ou novembro, chegou ao colégio um minúsculo grupo arisco e sorridente de menininhos de cinco anos. Sempiternas divindades! Cinco anos! De que orfanato teriam sobrado? Que freira teve que separá-los, escolhendo por este ou aquele critério, aqueles que deveriam alojar-se no meio daquela coleção da zoologia humana, ratos, cães, chacais? Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 19

19. Retalhos

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Há um bando aflito de pequenas lembranças me incomodando, exigindo registro. São pequeninas garças inquietas, inofensivas, apagadas. Batem-se dentro da gaiola da minha memória e, se eu as solto, elas partem numa vertigem. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 18

18. Impressões de um mundo distante

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Sempre me tenho perguntado sobre meu aprendizado e minhas reações, na época, com relação aos problemas sexuais. Sei bem que a situação que presenciei era caótica, anormal e densa. Mas isto eu sei por outros caminhos, leitura, filmes, documentos, deduções. Me pergunto, pois, sobre o que eu já sabia, o que vi, o que aprendi ali dentro. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 17

17. Dor de ouvido e cegueira noturna
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Quantas vezes entrou ali dentro a figura branda de um médico de mãos caridosas? Não me lembro de uma. Uma enfermeira? Nenhuma. Um farmacêutico? Nunca. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 16

16. A igreja

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Não devia ser muito grande nem muito rica. Mas forçosamente haveria algum dourado, alguma flor, alguma vela acesa ou luminária pendente de um longo fio, algum vidro colorido, ficava bonito. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 15

15. Jorge de Souza Félix

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É muito estranho lembrar.

Surgiram, no começo dessa minha tentativa de penetrar nos labirintos de minha memória, as imagens de garças e de abutres. Garças seriam pálidas lembranças de fatos agradáveis; abutres, qualquer cena mais assustadora. Nalguns momentos parece que eles se misturam. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 14

14. Sereias, caminhões, a felicidade da criança abrange mais de um capítulo

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É reconfortante perceber que minhas perdidas alegrias ultrapassam um capítulo. Pois, o que vier após as lembranças dessas manhãs de brincadeiras, mais parece uma noite de pesadelos. Ler Mais »

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 13

13. Joaninhas, brincadeiras, diversões, raios de luz nunca apagados

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Dalton Trevisan, no conto O Espião, escreve que aquelas meninas nunca sorriam. Mentira! Acho que é mentira! A alma da criança não é uma corda eternamente esticada. Há de haver, aqui e ali, longe da palmatória e logo depois da comida, momentos fugazes em que a canção suba, o sorriso brote, o brinquedo distraia. Ler Mais »