A nova plumagem dos tucanos

Ainda que preste homenagens ao seu passado, o “novo PSDB” tem pouco a ver com o de sua fundação. Se na origem tinha uma forte preocupação social e de combate às  desigualdades, questões próximas às da social-democracia européia, sua nova configuração está mais para a de um partido de direita situado no campo democrático. Continue lendo “A nova plumagem dos tucanos”

O PT nunca errou e jamais errará

No século XI a Santa Madre Igreja publicou a obra Dictatus Papae sobre a infalibilidade papal. Em uma de suas passagens dizia “um papa nunca errou e nunca errará”. A doutrina foi oficialmente declarada como dogma, por Pio IX, em 1870, no Concílio Vaticano I, estendendo-a a todo episcopado pleno quando reunido em concílio ecumênico. Continue lendo “O PT nunca errou e jamais errará”

Ninguém é santo na Bolívia

O caos social e político da Bolívia que culminou na renúncia de Evo Morales diz de perto ao Brasil e a todos os países da América do Sul. Com ele a instabilidade política da região – que já era alarmante com as convulsões sociais do Chile, Equador e Peru – subiu vários graus. Continue lendo “Ninguém é santo na Bolívia”

O dia em que a história desembestou

Em junho de 1989 Mikhail Gorbachev, então presidente da União Soviética, visitou a Alemanha Ocidental, sendo aclamado por onde passou. Todos lhe fizeram a mesma pergunta: quando a Alemanha seria unificada? Diplomaticamente, o pai da perestroika dizia que o problema teria de ser resolvido um dia, mas não naquele momento. Isto havia sido combinado com o então primeiro-ministro alemão, Helmut Kohl: a unificação alemã era uma questão a ser equacionada apenas no século XXI. Continue lendo “O dia em que a história desembestou”

Macri no se fue

A vitória do peronista Alberto Fernández nas eleições presidenciais da Argentina, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, era pedra cantada desde as primárias, quando abriu uma frente de 12 pontos em relação ao atual presidente Maurício Macri. Desde então os peronistas tripudiavam sobre o suposto cadáver do presidente argentino, dizendo que ele “se fue”. Continue lendo “Macri no se fue”

Veias expostas

A América do Sul voltou a ser uma área de alta instabilidade, se é que em algum momento deixou de ser. O Chile – pais mais estável, de crescimento econômico sustentado e avanços sociais importantes, como a drástica redução da pobreza – vive dias de conflagração, com 15 mortos, toque de recolher e forças armadas nas ruas. Continue lendo “Veias expostas”

A guerra fria de Bolsonaro

“Temos inimigos dentro e fora do Brasil. Os de dentro são os mais terríveis.” Foi com esse espírito que o presidente Jair Bolsonaro participou de cerimônias no Rio de Janeiro e em São Paulo na última sexta-feira. No sábado foi a vez de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, se manifestar durante a 1ª edição do CPAC, uma conferência organizada em parceria com a União Conservadora Americana, com críticas à mídia e ao “domínio cultural marxista”. Continue lendo “A guerra fria de Bolsonaro”

A revolução cultural do bolsonarismo

A cultura é um campo permanente de batalha do bolsonarismo. O próprio presidente confessa que “pretende conservar os valores cristãos no setor”, eufemismo que significa censura e retrocesso, o que já vem sendo praticado nas ações culturais e patrocínios que envolvem a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Jair Bolsonaro admite ainda uma caça às bruxas na Funarte e na Ancine, para expurgar petistas que, segundo ele, infestam os dois órgãos. Continue lendo “A revolução cultural do bolsonarismo”

Yankees, go home!

Até o início dos anos 70 predominava na esquerda brasileira uma narrativa na qual o atraso do Brasil era atribuído à exploração do imperialismo norte-americano, em conluio com os latifundiários e a burguesia urbana, todos entreguistas. Seriam eles os responsáveis por nossas mazelas e obstáculos ao progresso do país. Continue lendo “Yankees, go home!”

Positivismo tosco

A idéia da necessidade de um regime autoritário para servir de alavanca para o progresso está nas raízes da fundação da nossa República. Antes mesmo de sua proclamação, o caudilho gaúcho Julio de Castilhos propugnava que o governante deveria ser escolhido por qualidades morais e não pela representação popular. Entendia que esse governante deveria regenerar o Estado e comandar a modernização da sociedade. Continue lendo “Positivismo tosco”

Os limites do bolsonarismo

A vitória de Jair Bolsonaro foi vista por muitos como o início de um novo ciclo de longa direção, em sintonia com a onda nacional-populista que varre o mundo. Um dos líderes petistas, José Dirceu, com boa dose de realismo, alertou seu partido quanto à longevidade da hegemonia da extrema-direita estabelecida com a assunção do bolsonarismo. Continue lendo “Os limites do bolsonarismo”