O cachimbo do sectarismo

Vem de longe o sectarismo de parcela da esquerda brasileira. Em diversas passagens da nossa história, confundiu quem era o inimigo a ser batido, fazendo o jogo de quem verdadeiramente ameaçava a democracia. Antes dos anos de chumbo, preferiu combater a conciliação de João Goulart em vez de somar forças em torno da candidatura de Juscelino Kubitschek e assim evitar o golpe militar de 1964. Continue lendo “O cachimbo do sectarismo”

A crise invade os quartéis

A última vez que um presidente da República deflagrou uma crise ao demitir sumariamente um general em posto de comando foi no episódio Sílvio Frota, quando Ernesto Geisel degolou seu ministro da Guerra. Agora, depois de 44 anos, Jair Bolsonaro volta a demitir sumariamente um ministro da Defesa, o general de Exército Fernando Azevedo e Silva. Continue lendo “A crise invade os quartéis”

Golpismo a céu aberto

O presidente Jair Bolsonaro tem explicitado, de maneira clara e cristalina, a intenção de implodir a democracia brasileira. Esse é o sentido da frase “só Deus me tira da Presidência” e da ameaça de “tomar medidas drásticas” porque “estão esticando a corda demais”. A cantilena autoritária o leva a tratar as Forças Armadas como “meu exército”, como se elas deixassem de ser instituições de Estado para se transformar em sua guarda pretoriana, leais não à Constituição, mas a ele. Continue lendo “Golpismo a céu aberto”

O Lampedusa da Saúde

Jair Bolsonaro sentiu necessidade de fazer algo diante da queda de sua popularidade, em decorrência de sua política negacionista, da ameaça que pode representar a CPI da Saúde no Congresso Nacional e da elegibilidade de Lula. A história lhe deu a última oportunidade de ruptura com a desastrada condução no enfrentamento da pandemia: demitir o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e nomear alguém competente para a área. Continue lendo “O Lampedusa da Saúde”

Mario Covas: a política por vocação

Max Weber, grande nome da sociologia política, dividia os políticos em duas categorias: os que vivem da política e os que vivem para a política, exercendo-a como um sacerdócio. Mario Covas, cujo falecimento completou 20 anos, foi um desses sacerdotes e, mais que nunca, é um grande exemplo de homem público para os tempos atuais do Brasil. Continue lendo “Mario Covas: a política por vocação”

A guerra perdida

Na última semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou o início do feriado do Purim – festa judaica para celebrar a salvação dos judeus persas, descrita no livro de Ester – e contracenou com um humorista na televisão, combatendo fake news sobre vacinas. No mesmo dia Jair Bolsonaro fez uma live no sentido inverso, para combater o uso de máscaras como medida preventiva ao coronavírus. Os dois episódios ilustram por que Israel é um caso de sucesso na vacinação em massa e o Brasil é uma tragédia de proporções crescentes. Continue lendo “A guerra perdida”

O custo da guinada nacional-populista

A Petrobras volta a ter um presidente militar, depois de 32 anos. Desde a campanha “o petróleo é nosso”, a estatal é uma questão sensível para as Forças Armadas. À época, dividiam-se entre “nacionalistas” como Horta Barbosa e Estilack Leal – defensores do monopólio estatal, – e “entreguistas” liderados por Juarez Távora e Eduardo Gomes, adeptos da presença do capital estrangeiro na exploração petrolífera. Continue lendo “O custo da guinada nacional-populista”

O país do passado

Países entram em declínio. Perto de nós temos um exemplo clássico, a Argentina. Nas três primeiras décadas do século passado fazia parte do rol das nações desenvolvidas, com um PIB per capita igual ao da Alemanha e superior ao da Itália, Espanha e Suécia. Era uma economia aberta, conectada ao mundo. Entrou em decadência com a ascensão do peronismo na década 40 em virtude do fechamento de sua economia. De país do futuro, virou o país do passado. Até o tango, expressão da alma, ficou parado no tempo, símbolo da nostalgia de sua belle époque. Continue lendo “O país do passado”

A volta às aulas é inadiável

Fiel à sua tradição de retardatário em matéria educacional, o Brasil é um dos últimos países do mundo a retornar ao ensino presencial. As escolas ficaram fechadas durante um ano, por causa da pandemia. O ciclo de paralisia começou a ser superado com o retorno parcial das aulas em São Paulo, observando os critérios de biossegurança. Outros estados devem trilhar o mesmo caminho ainda em fevereiro. Todos terão de correr para mitigar os danos provocado pela Covid 19 na formação de nossas crianças e adolescentes. Continue lendo “A volta às aulas é inadiável”

A implosão do Centro e a ascensão do Centrão

A vitória do deputado Arthur Lira, do Partido Progressistas, representa uma mudança de eixo e de rumo na principal casa legislativa do país. Desde o fim da era Eduardo Cunha o chamado centro democrático é que passou a dar as cartas na Câmara Federal, tendo como núcleo principal o DEM em aliança com o MDB, PSDB e outros partidos menores. Continue lendo “A implosão do Centro e a ascensão do Centrão”

É a vacina, estúpido!

O presidente Jair Bolsonaro vive o pior momento de seu governo. Pior até que em maio do ano passado, quando combateu as medidas de isolamento social escudando-se no discurso de proteger a economia para salvar o emprego das pessoas. Era uma falácia, dada a impossibilidade de uma retomada da economia sustentada sem debelar a pandemia. Mas funcionou por algum tempo. Continue lendo “É a vacina, estúpido!”

New Deal 2.0

É como se o espírito de Franklin Roosevelt reencarnasse em Joe Biden. O novo presidente americano assume seu mandato hoje com um programa que é keynesianismo na veia. A exemplo do “New Deal”, que tirou os Estados Unidos da grande depressão dos anos 30, Biden pretende fazer frente à pandemia e à recessão econômica por meio da fórmula do economista britânico John Maynard Keynes: intervenção do Estado na economia por meio de um pacote de US$ 1,9 trilhão, expansão dos gastos públicos, foco na diminuição drástica do desemprego e na redução da desigualdade por meio de benefícios sociais. Continue lendo “New Deal 2.0”

A diplomacia nos tempos Beato Salu

Imaginem qual será o nível da boa vontade de Joe Biden com o governo brasileiro. Bolsonaro foi uma dos poucos chefes de Estado a não condenar a tentativa de golpe nos Estados Unidos. Seu governo não pronunciou uma mísera palavra sobre o atentado ao Capitólio. Continue lendo “A diplomacia nos tempos Beato Salu”

O ovo da serpente

Ao longo dos seus 245 anos, os Estados Unidos venceram vários momentos de estresse. O país enfrentou duas guerras mundiais, uma guerra fria, guerras regionais na Coréia, Vietnã, Iraque, Afeganistão, a crise dos mísseis, os assassinatos de Abraham Lincoln, John Kennedy, Martin Luther King e Robert Kennedy, o atentado terrorista de 11 de setembro, a tentativa de assassinato de Ronald Reagan. Viveu ainda o macarthismo, os conflitos raciais dos anos 60, uma corrida nuclear que deixava o mundo em suspense, Watergate e a renúncia de Richard Nixon. Continue lendo “O ovo da serpente”

O grande recomeço

Se 2020 foi o ano da destruição de vidas e de empregos pela pandemia, 2021 pode ser o ano do grande recomeço da humanidade. A última vez que vivemos momento semelhante foi após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo teve de ser reconstruído e foi gerada uma nova ordem civilizatória, com o fortalecimento do multilateralismo e o avanço da democracia. Continue lendo “O grande recomeço”