New Deal 2.0

É como se o espírito de Franklin Roosevelt reencarnasse em Joe Biden. O novo presidente americano assume seu mandato hoje com um programa que é keynesianismo na veia. A exemplo do “New Deal”, que tirou os Estados Unidos da grande depressão dos anos 30, Biden pretende fazer frente à pandemia e à recessão econômica por meio da fórmula do economista britânico John Maynard Keynes: intervenção do Estado na economia por meio de um pacote de US$ 1,9 trilhão, expansão dos gastos públicos, foco na diminuição drástica do desemprego e na redução da desigualdade por meio de benefícios sociais. Continue lendo “New Deal 2.0”

A diplomacia nos tempos Beato Salu

Imaginem qual será o nível da boa vontade de Joe Biden com o governo brasileiro. Bolsonaro foi uma dos poucos chefes de Estado a não condenar a tentativa de golpe nos Estados Unidos. Seu governo não pronunciou uma mísera palavra sobre o atentado ao Capitólio. Continue lendo “A diplomacia nos tempos Beato Salu”

O ovo da serpente

Ao longo dos seus 245 anos, os Estados Unidos venceram vários momentos de estresse. O país enfrentou duas guerras mundiais, uma guerra fria, guerras regionais na Coréia, Vietnã, Iraque, Afeganistão, a crise dos mísseis, os assassinatos de Abraham Lincoln, John Kennedy, Martin Luther King e Robert Kennedy, o atentado terrorista de 11 de setembro, a tentativa de assassinato de Ronald Reagan. Viveu ainda o macarthismo, os conflitos raciais dos anos 60, uma corrida nuclear que deixava o mundo em suspense, Watergate e a renúncia de Richard Nixon. Continue lendo “O ovo da serpente”

O grande recomeço

Se 2020 foi o ano da destruição de vidas e de empregos pela pandemia, 2021 pode ser o ano do grande recomeço da humanidade. A última vez que vivemos momento semelhante foi após a Segunda Guerra Mundial, quando o mundo teve de ser reconstruído e foi gerada uma nova ordem civilizatória, com o fortalecimento do multilateralismo e o avanço da democracia. Continue lendo “O grande recomeço”

O ano em que Stalin ressuscitou

A onda revisionista sobre o papel de Stalin adquiriu visibilidade no Brasil em setembro, a partir de uma entrevista de Caetano Veloso ao programa de Pedro Bial, quando o compositor disse não ser mais um “liberalóide”. O maior nome da tropicália mudou seu juízo de valor sobre o socialismo a partir da influência do youtuber e jovem marxista Jones Manuel. O professor da Universidade Federal de Pernambuco é o maior divulgador no Brasil da obra de Domenico Losurdo, filósofo italiano e principal teórico da “ressurreição” de Josef Stalin. Continue lendo “O ano em que Stalin ressuscitou”

O inimigo comum

A história é cheia de exemplos nos quais adversários tidos como irreconciliáveis deixam suas diferenças de lado e se unem para combater o inimigo comum. O caso mais célebre foi a aliança entre Stalin e Churchill, na Segunda Guerra Mundial. No Brasil temos o exemplo da ampla frente democrática que levou à superação da ditadura militar e permitiu ao país  ingressar no mais longo período de sua história sem interrupção da democracia. Continue lendo “O inimigo comum”

A guerra de Bolsonaro contra a Coronavac

Poucos países do mundo têm condições de absorver a tecnologia da indústria farmacêutica e ter produção própria da vacina contra a Covid-19. A esmagadora maioria dependerá da importação para imunizar sua população. O Brasil faz parte do seleto grupo que conta com centros de excelência como a Fundação Fiocruz e o Instituto Butantã. O segundo está envolvido no desenvolvimento de uma vacina – a Coronavac – prestes a estar disponível para a aplicação. Continue lendo “A guerra de Bolsonaro contra a Coronavac”

A volta dos tucanos

O PSDB está de alma lavada com a vitória de Bruno Covas em São Paulo, depois de ter sido derrotado nas urnas em 2018, quando teve apenas 4,7% dos votos no pleito presidencial. Agora volta a se posicionar no tabuleiro, iniciando um movimento de deixar para trás os dias em que se confundiu com o antipetismo raivoso e mergulhou nas águas da antipolítica. Nascido como um partido de centro-esquerda, guinou perigosamente para a direita a partir de 2014 a ponto de, quatro anos depois, deixar se confundir com o bolsonarismo. Continue lendo “A volta dos tucanos”

A carta-rolha do PT

Maior perdedor ao lado de Jair Bolsonaro, o Partido dos Trabalhadores sai do segundo turno das eleições municipais em meio a um transtorno semelhante ao do antigo PCB, quando veio à luz o famoso Relatório Khrushchov sobre os crimes de Stálin. À época, comunistas não se entendiam e cada cabeça era uma sentença. A crise de identidade foi de tal ordem que, em reunião da direção do Partidão, Carlos Marighella caiu em choro compulsivo, sem conseguir articular coisa com coisa.

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O poder civil e a questão militar

Encontra-se no escaninho do Congresso a Política (PND) e a Estratégia (END) Nacionais de Defesa, documentos fundamentais para o planejamento e execução das atividades voltadas à defesa do País, desde o recrutamento aos acordos internacionais. Infelizmente deverá fazer caminho semelhante ao de sua versão anterior, de 2016, que só foi aprovada depois de dois anos, sem qualquer debate na Casa e sem a realização de audiências públicas, já no apagar das luzes do governo Michel Temer. Continue lendo “O poder civil e a questão militar”

Entre a utopia e a realidade

São Paulo é a cereja do bolo, cobiçada por todos. Natural que no segundo turno os olhos do país se voltem para disputa paulistana, dada a pujança de sua economia e seu peso político. Os dois contendores representam muito para o campo a que estão ligados. Uma vitória de Bruno Covas deixará o centro mais bem posicionado para 2022 e contribuirá para o PSDB voltar às suas raízes. Já uma vitória de Guilherme Boulos seria a ressureição de uma esquerda varrida das urnas em 2016 e 2018, com a vantagem de não ter a mácula da corrupção que tanto debilitou o Partido dos Trabalhadores. Continue lendo “Entre a utopia e a realidade”

O centro se move

O centro ensaia sair da fase intimista. Depois de dois anos se recompondo da derrota nas eleições de 2018, finalmente se move, agora impulsionado pelo resultado eleitoral nos Estados Unidos. A face mais visível de sua movimentação foi o pacto Luciano Huck-Sérgio Moro para criar uma terceira via capaz de deslocar o bolsonarismo do poder em 2022, assim como Joe Biden derrotou Donald Trump. Continue lendo “O centro se move”

Para a América voltar a ser grande

“Parece ter sido reservado ao povo deste país, por sua conduta e exemplo, o veredicto da importante questão: se as sociedades humanas são de fato capazes de estabelecer um bom governo a partir da razão e da escolha, ou se elas estão para sempre destinadas a depender do acaso e da força”. Continue lendo “Para a América voltar a ser grande”

Admiração sim, cópia não

A democracia chilena passou com louvor no duro teste a que foi submetida após mais de um ano de intensa convulsão social. De forma amplamente majoritária, quase 80% dos votantes disseram sim à convocação de uma Assembléia Constituinte, uma reivindicação das ruas e de partidos políticos, que foi incorporada pelo presidente do país, Sebastián Piñera, de centro-direita. Continue lendo “Admiração sim, cópia não”

Bolsonaro é derrotado na Bolívia

Conhecido o vencedor das eleições da Bolívia, os países do continente se apressaram em parabenizar o presidente eleito, Luis Alberto Arce, do Movimento ao Socialismo – MAS. Até Donald Trump observou a liturgia da diplomacia. Houve apenas uma dissonância, o governo brasileiro, que recolheu-se ao silêncio sem disfarçar seu profundo incômodo com o resultado. Continue lendo “Bolsonaro é derrotado na Bolívia”