Marina e os filmes com narrador

Depois de criar histórias em que havia ações paralelas, simultâneas, usar o recurso dos flashbacks, e avançar na metalinguagem de os espectadores entrarem na tela para visitar o mundo mágico que está sendo mostrado na ficção, Marina, nas nossas brincadeiras de ontem e hoje, introduziu a figura do narrador.

Na telenetada da segunda-feira, a de número 94 nestes 130 e tantos dias de pandemia e quarentena, ela criou uma história – um filme, ela especificou – em que a Flora, a fada da natureza das Winx, a personagem que ela mais tem amado nos últimos meses, é paquerada por um E.T.

O E.T. leva Flora para a Lua – e aí Marina mostra o fundo das conversas via Messenger em que se vê a superfície da Lua. Depois o E.T. leva Flora para passear em uma floresta. O E.T. está absolutamente apaixonado pela fada. Mas ela…

A princípio, a Flora – interpretada pela diretora-roteirista Marina – não dá a menor atenção para o E.T. Mostra-se distante, com um ar bastante blasé, diante do assédio do moço.

Do lado de cá da Sumaré, e do lado de cá da tela do iPad, que é também a tela de cinema ou TV em que estamos vendo o filme, a vovó e o vovô se perguntam o que exatamente está acontecendo: estaria a Flora começando a se interessar pelo E.T., a ser fisgada pelo charme do E.T.? Ou não? E há mais dúvidas ainda: nessa história que está rolando agora, a Flora está namorando o Hélia, ou não?

Foi aí que Marina, a diretora-roteirista e também atriz do filme, no papel principal de Flora, introduziu a narradora.

Colocou na tela a Júlia, a bonequinha Júlia – e nos avisou que a Júlia seria a narradora. A narradora iria responder às dúvidas, às perguntas do público – e, inovação ainda maior, iria também, em determinados momentos, conversar com os personagens. Um narrador que interfere na própria história!

Narrador, isso o cinema já tem faz tempo demais. Eu nem sei dizer quando surgiu essa figura – mas Marina inovou. No filme que Marina criava para nós, a narradora não apenas narrava, como também respondia às perguntas da audiência, e até dava uns conselhos para os protagonistas da História!

Meu! Nem Gláuber nem Godard ousaram tanto!

***

Hoje ela nos disse que o que estava rolando era um novo filme.

A ação começou quando Flora e Hélia eram bem crianças, assim de uns 3, 4 anos de idade.

A narradora hoje era a cabeçona de Barbie que nós demos de presente pra ela acho que no Natal. Ainda não tinha um nome, o que é algo absolutamente estranho, já que todos, absolutamente todos os bonequinhos, amiguinhos, filhos da Marina têm nome. Ganhou um belo nome – Valentina, apelido Valen.

Valentina foi nos contando sobre a passagem dos anos, Flora e Hélia crescendo, sempre muito grudadinhos um com o outro.

Lá pelas tantas, a diretora-roteirista informou que o filme não é propriamente uma história – é a realidade, é o que está acontecendo naquele momento.

Hum… Um filme que não conta uma história, uma ficção, mas é a realidade. Marina num momento Robert Flaherty, o grande documentarista!

E logo ela nos informou que aquele filme havia terminado, e um outro iria começar.

As Winx estão na Terra! Vieram visitar o nosso mundo.

***

Aos 7 anos e 4 meses, Marina já fez histórias, filmes, que fazem lembrar D.W.Griffith, G.F. Murnau, Woody Allen, Robert Flaherty! E ultrapassam as ousadias de Godard e Gláuber!

Aaaaahnn…

28/7/2020

Um comentário para “Marina e os filmes com narrador”

  1. Nunca ouvi narrativa de coisa assim – nem mesmo consigo imaginar inteiramente como ê. Mas estou achando que o crítico não está sendo rígido e inteiramente imparcial. Crítico? Vovô babão! (embora eu reconheça as qualidades da diretora).

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