Marina e seu tempo

Estávamos brincando de supermercado. Eu tinha sido o comprador e Marina, a caixa do supermercado. Era a vez dela de ser a compradora, e eu, o caixa. Ela observou duas medalhas que havia para vender, e disse que não sabia qual delas o Elmo, o filho, iria querer.

Aí pegou o celular (de brinquedo, claro), fotografou as duas medalhas e mandou para o Érolti, o marido, pedindo para ele ver com o Elmo qual das duas ele queria.

Daí a pouco recebeu a resposta, e me entregou a medalha escolhida pelo filho, para que eu cobrasse.

(Érolti, o marido, é um ursão de pelúcia, danado de simpático.)

No domingo, dois dias atrás, estávamos no quarto dela, a mãe e eu, e ela pegou o iPad (de brinquedo) e disse que ia fazer uma pesquisa. Para fazer a pesquisa, entrou em uma cabaninha (formada pela colocação de uma manta da cama sobre si mesma).

Nesta terça, depois do jantar, fomos ver desenho. (Estávamos sozinhos, os pais em reunião na escola dela.) Marina queria me mostrar uma história da quarta temporada da Princesa Sofia, que está na Netflix. Eu jamais soube lidar com os controles da TV e do som da casa da minha filha, mas não precisei me preocupar: Marina domina os controles com perfeição.

Aos 6 anos, Marina inclui nas suas brincadeiras essas coisas todas que alguns anos atrás não existiam: celular com câmara fotográfica, WhatsApp, iPad, pesquisa no Google. E navega com facilidade no serviço de streaming.

Não quero dizer com isso que Marina é especial, não, de forma alguma. Todas as crianças da geração dela, a geração que caiu no caldeirão da informação, são assim. Só quis registrar, só isso.

14/8/2019

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