Marina, a dança e o Elmo

“O Elmo cresceu e ontem, depois da apresentação de dança da velha amiga dele, foi tomar umas com a gente.”

Compus a frase acima muito cuidadosamente e postei no Facebook, junto com as três fotos aí. E adorei. Tenho dessas coisas: às vezes adoro o que faço, sem modéstia alguma. Não que seja um sujeito presunçoso, metido, algo como a Tássia de que fala a mãe da Marina – Tássia, a que Tá Se Achando. Muitas vezes acho que textos que fiz ficaram apenas mais ou menos, dando pro gasto. E muitas vezes acho que são ruins. Ou seja: o normal. Não me tenho em altíssima conta – mas também não peco pelo contrário.

Muita explicação demais, só porque adorei um post que fiz. Mas, diacho, foi de fato um post feliz, uai.

A foto do Elmo tomando a caipirinha foi idéia do Carlos e do Dani, meio ao mesmo tempo, acho. O Dani segurou o Elmo, o Carlos fotografou com a puta máquina que tinha usado para fazer fotos da apresentação de final de ano do grupo de dança da Marina, no Teatro do Centro da Terra, lotadérrimo, como sempre, como já havia sido nos dois novembros anteriores, em 2017 e 2018.

Este ano houve até mesmo um apelo dos organizadores para que as senhoras e os senhores da platéia pusessem no colo as crianças, para permitir que mais gente pudesse se sentar. Mesmo assim, chegou um momento em que tiveram que avisar que não havia mais lugar algum – os que estavam do lado de fora não poderiam mais entrar. É aquele tal negócio; ou se parte para uma casa maior, ou se diminui o número de amigos convidados para a feijoada. Ou a pizza, no caso.

Também há que se notar que se cada criança no palco (e eram umas 18 ou 20 , acho) levasse a quantidade de gente que Marina levou o Grão teria que alugar o Tuca. Estávamos lá 9 adultos só para ver a pequena: pai e mãe, avó e avô maternos, avó paterna e tia, bisa e primo e a Cau.

Alguns de nós ficaram na penúltima fila, alguns na última.

Marina havia deixado o Elmo com a mãe, com instruções para que ela o segurasse no colo de maneira a que ele tivesse boa visão do palco.

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O tema da apresentação de final de ano deste 2019 foi “O Dia da Coroação” – a coroação de uma rainha africana. Júlia, a professora de dança, explicou que a intenção foi fazer as crianças conhecerem um pouco das tradições dos negros, uma das três diferentes etnias que foram o povo brasileiro.

Este ano Marina foi uma das primeiras a entrar no palco. Estava, no início, tensa, preocupada, segundo a mãe observou. Talvez nervosa. Mas logo foi se soltando.

Pela terceira vez, tive a impressão de que Marina, no palco da apresentação de final de ano de dança, se mostra extremamente séria, obedecendo à risca as marcações determinadas pela Júlia. Não pretende ser estrela – sua determinação é fazer o que deve ser feito, o que foi ensinado, o que foi pedido às crianças. Marina é daquelas pessoas que joga para o time, para o conjunto.

Várias crianças se aproximam da frente do palco, para aparecer mais, para acenar para os pais. Marina, não – de forma alguma. Anda por todo o palco, nos momentos certos – mas, podendo, fica um pouco mais para trás, em segundo plano. E sempre atenta às orientações da professora.

Impressionante.

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Depois da apresentação, fomos todos para o Bráz, que fica a uns cem metros, apenas, do teatro.

Na manhã seguinte, reclamou com a mãe que o Dani havia colocado o Elmo perto demais do canudinho e do copo da bebida. Imagina, sujar o Elmo só pra fazer uma foto!

14/11/2019

Fotos do alto, Carlos Bêla.

Fotos do teatro, Mary Zaidan.

4 Comentários para “Marina, a dança e o Elmo”

  1. Maravilha o texto enquanto fala da doce Marina. Absurdo e inaceitável, quando o vovô faz autocrítica sobre a ( belíssima) qualidade do seu texto.

  2. Valdir, caríssimo,
    Não fiz propriamente uma autocrítica… Fiz uma avaliação ponderada, moderada, centrista, não polarizada, do meu texto! Às vezes escrevo textos ruins, outras vezes textos mais ou menos e algumas vezes até mesmo textos bons!
    Só isso!
    Abração!
    Sérgio

  3. Novamente discordo. A explicação está pior ainda. Nunca vi um texto ruim seu, e não me lembro de nenhum mais ou menos. Ou será que tem que baixar um Guimarães Rosa para você achar bom?

  4. Marina tem todo o biotipo de dançarina. Alta e magrinha. Beleza pura!No próximo ano não haverá mais dancinha nesse querido Grão.Marina estará em outras paragens! Gostaria de tê-la visto no palco! Outros balés virão! Achei muito interessante o tema da dança! As crianças precisam saber da história dos negros de uma maneira mais alegre!

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