Troca de idéias

Assim a Band descreveu o que pretendia com seu debate de quinta à noite. Debate complicado, com muitos candidatos, perguntas e respostas controladas pelo relógio, alguns candidatos escolhidos para receber as perguntas de seus concorrentes acabam com maior visibilidade, outros acabam aparecendo muito pouco. Quase sempre, cá pra nós, merecem…

Houve debate de programas? Foi bom para os espectadores conhecerem as idéias e os projetos dos candidatos? Plantaram algumas sementes? O que é que você achou, leitor?

Ao encerrar o debate, a única idéia nova que me ocorreu não surgiu no debate da Band. Foi a conclusão à qual cheguei ao ver Ciro e Marina perguntando e respondendo um ao outro: será que a eles não ocorreu, nem uma vez, que deixando a vaidade e a soberba de lado, os dois teriam maior chance de serem eleitos e servirem ao país ao se unirem numa chapa só, mesmo que para resolver quem seria o candidato a vice e quem o titular tivessem que jogar cara ou coroa? Pena que isso não lhes tenha ocorrido…

O tal de Boulos criou uma piadinha que repetiu exaustivamente. Marina fez uma observação muito mais simpática e engraçada ao lembrar da vovozinha da Chapeuzinho Vermelho. Ciro mais cordato e amável. Bolsonaro se controlando para não brigar, mas a que custo… Todos a favor do Bolsa-Família, todos a favor da Educação, dos juros mais baixos, das reformas há muito adiadas. Em suma, todos excelsos cidadãos.

Fiquei o tempo todo esperando que um dos candidatos, ou todos, comentassem a barbaridade que foi o aumento de salário dos já regiamente pagos juízes do STF. Fiquei extremamente assustada ao ver que a nossa Suprema Corte não se furtou a agredir a pobreza em que vive a grande maioria dos brasileiros, e principalmente, não se apiedou dos 12 milhões de desempregados para quem um salário mínimo é o sonho de uma noite de inverno. Foi feio, STF, muito feio. Agora é esperar – … talvez sonhar? – que o Congresso diga não!

Temos que agradecer às emissoras de TV que se dedicam aos debates e entrevistas, o que é vital para que possamos escolher com mais segurança em quem votar. Não vai ser escolha fácil. Não vai mesmo…

O Brasil está que dá pena. Não acredito que em quatro anos haja possibilidade de acertar o passo, mas é preciso ter esperança. A Lava-Jato, além de fazer os brasileiros se convencer que a corrupção não pode ser tolerada, nos fez ver que falta de dinheiro não é problema. Dinheiro aqui é mato. O que é preciso é saber onde gastar, como gastar e em que gastar.

Precisamos lavar com desinfetante a falta de vergonha dominante. Ou fazemos essa desinfecção, ou o Brasil ficará para sempre um paiseco à espera de um milagre.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, na Veja, em 10/8/2018. 

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