O lulo-petismo a tudo avilta

“La derecha, a todo lo envilece.”

A direita avilta tudo – mas em espanhol fica mais bonito. Envilece! Que palavra forte, poderosa. A direita a tudo avilta, a tudo desonra. A direita a tudo transforma em coisa vil. Vil. Má. Pestilenta.

Era a manchete de um dos poucos jornais de esquerda, que defendiam o governo de Salvador Allende, no Chile do início de 1973, quando estive lá pela primeira de apenas duas vezes. (Gostaria demais de ter ido muito mais vezes àquele país maravilhoso.)

Passamos lá uns pouquíssimos dias, nem mesmo uma semana inteira, Guiminha e eu – Esdra Guimarães do Carmo, gente finíssima como poucas, meu amigo e então meu colega de redação no Jornal da Tarde.

Foi a única vez em que tive a oportunidade de visitar um país que vivia a raríssima experiência da passagem democrática do regime capitalista para um regime socialista. A rigor, a rigor, foi a única do mundo, já que todas as demais foram através de golpes, de ruptura violenta da ordem legal – e as experiências de governos socialistas nas democracias ocidentais, como a de François Mitterrand, jamais pretenderam mudar o regime econômico, mas de reformá-lo, ao menos em parte.

O Chile de Salvador Allende foi uma experiência única na História.

E nossa rapidíssima passagem pelo Chile no finalzinho de fevereiro, início de março de 1973, coincidiu com as eleições parlamentares. Elegia-se se não me engano um terço do Senado Federal, e uma parte da Assembléia Legislativa.

Nada a ver com uma Venezuela de Chávez e Maduro: a democracia no Chile era absolutamente firme, inatacável. A liberdade de imprensa era absoluta: o governo Allende jamais pôs um censor na redação do El Mercurio, o maior jornal do país, um jornalão centenário, de uma empresa familiar, que fazia lembrar muito o Estadão – e metia o pau no governo, furiosamente, em todas as suas edições. A Justiça funcionava com total liberdade – o Executivo não tentara tirar seus poderes, mancomunar-se a seus maiores nomes, nada, nada.

Liberdade total e absoluta. Um governo socialista eleito democraticamente, que implantava um programa socialista na economia, com expropriações de empresas estrangeiras, nacionalizações, estatizações.

Liberdade total e absoluta – e é claro que as partes atingidas pelas medidas expropriatórias, estatizantes, socializantes, reagiam. Havia locautes imensos, em todas as áreas da economia. E havia, é claro, é óbvio, o total apoio do Grande Império a toda a oposição ao governo socialista. É fato histórico que os Estados Unidos apoiaram de todas as formas os opositores ao governo Allende – desde as greves patronais até o apoio logístico ao golpe militar e às torturas dos milhares e milhares de presos políticos.

O golpe veio em setembro – nós estivemos lá no finalzinho de fevereiro, início de março, a tempo de ver as últimas eleições absolutamente democráticas que houve no Chile até depois do fim da mais sangrenta das ditaduras latino-americanas, em 1990 – cinco anos após o fim da ditadura no Brasil.

A manchete do jornal esquerdista que comprei, e guardei para todo o sempre, ocupava toda a primeira página:

“La derecha, a todo lo envilece.”

***

Lembrei de tudo isso hoje ao ver, num post de Maria Ceci do Vale no Facebook, que andaram colocando nas redes sociais uma foto de militares revistando crianças, como um argumento contra a intervenção federal na segurança do Estado do Rio.

Tipo assim: vejam que absurdo, que nojo, que horror: na intervenção militar do Temer, os soldados estão revistando as crianças!

A foto foi feita 23 anos atrás.

Os lulo-petistas, os que se dizem de esquerda, estão virulentamente contra a decisão do governo Michel Temer de promover a intervenção federal na segurança do Estado do Rio.

Para tentar convencer as pessoas de que a intervenção é ruim, é uma coisa parecida com ditadura militar, o lulo-petismo faz o que mais sabe fazer: mente. Falseia, engana, burla, logra, ludibria.

El tiempo passa, nos vamos poniendo viejos – mas o PT se mantém coerente com um princípio básico: a mentira, a falsidade.

Hoje, quem a todo envilece s la isquierda – a rigor, esse povo totalitarista que se diz de esquerda.

O lulo-petismo a tudo avilta.

24/2/2018

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