Novos velhos suportes físicos

Não faz nem três meses que botei fora uma montanha de suportes físicos. Livros, DVDs, CDs, papéis, papéis, papéis – quilos e mais quilos e mais quilos de suportes físicos foram retirados de dentro do apartamento, como efeito colateral do tsunami que foi a descupinização e pintura da casa, que descrevi em diversos capítulos aqui.

Indiana Jones e o Reino dos Suportes Físicos, a novela.

Não foi graças à sabedoria do desapego. Foi à força, a fórceps, porque não tinha outro jeito. Porque estava saindo suporte físico pelo ladrão.

E aí, pela primeira vez em anos e anos, todas as nossas estantes – da sala, do escritório, do corredor, do quarto que foi da Fê e agora é da Marina – ficaram organizadas, sem livros, discos e filmes amontoados uns sobre os outros, fora do lugar, dando aquela impressão de desordem, sujeira, desleixo, coisa de acumuladores compulsivos.

Mary ficou numa alegria danada.

Pois é: nem três meses se passaram, e descobri uma fantástica fonte de suportes físicos para voltar a favelizar todas as nossas estantes.

Chama-se Sebo Querelle.

Ele tem os DVDs de todos aqueles filmes que não estão mais em catálogo, que você não encontra para comprar em lugar algum. E, claro, óbvio, não estão também no Now ou na Netflix nem em qualquer outra dessas plataformas.

Recebi ontem os cinco DVDs que tinha encomendado via e-mail:

* A Noiva Estava de Preto (1968) e O Quarto Verde (1978), de Truffaut;

* Agonia de Amor/The Paradine Case (1947), de Hitchcock;

* Mogambo (1953) e Tentação Verde/Green Fire (1954), com Grace Kelly.

E já encaminhei novo pedido. Não sei se eles vão ter todos, mas seguramente vão me mandar vários deles:

* Páginas da Vida/O. Henry’s Full House (1952), com Marilyn Monroe em pequeno papel;

* A Estalagem Maldita/Jamaica Inn (1939), Um Casal do Barulho/Mr. & Mrs. Smith (1941), Quando Fala o Coração/Spellbound (1945), de Alfred Hitchcock;

* Horas Intermináveis/Fourteen Hours (1951), O Cisne/The Swan (1956), com Grace Kelly;

Sonhos de um Sedutor/Play it Again, Sam (1972), de Herbert Ross, roteiro de Woody Allen, Simplesmente Alice/Alice (1990), de Woody Allen.

Nenhum desses filmes está à venda na Cultura, na Fnac, na Saraiva. Mas no Sebo Querelle você os encontra.

É uma maravilha.

         ***

Pode não parecer, à primeira vista, mas há uma lógica nessa relação de filmes aí, a maioria feitos entre 1939 e 1970.

São, todos eles, necessários para que eu tenha no 50 Anos de Filmes textos sobre todos os filmes de Alfred Hitchcock, François Truffaut e Woody Allen e todos os estrelados por Grace Kelly e Marilyn Monroe.

É meu sonho de consumo poder dizer que tenho lá no site meus comentários sobre todos os filmes desse pessoal aí.

Ahnnn… Não exatamente, rigorosamente todos. De Hitchcock, estou deixando de lado muitos dos primeiros, os menos importantes da fase inglesa, como Blackmail (1929), Murder! (1930) e Mary (1931)

De Marilyn, também abro mão de alguns feitos entre 1950 e 1952, pouco importantes, em que ela tem papéis bem pequenos: O Faísca/The Fireball, Por um Amor/Right cross, O que Pode um Beijo/A ticket to Tomahawk, Sempre Jovem/As young as you feel, Em Cada Lar, um Romance/Hometown story, Joguei Minha Mulher/Let’s make it legal, O Segredo das Viúvas/Love nest, Só a Mulher Peca/Clash by night.

Dos 35 filmes de fato importantes de Hitchcock, estão faltando ainda 8. Dos 16 de Marilyn, faltam 3.

Gostaria de ter todos os de Grace Kelly. São muito poucos – apenas 11. Só me faltam 4.

Dos 24 que Truffaut fez – 21 longas, 3 curtas –, só faltam 4.

E dos 47 de Woody Allen faltam 5, inclusive o mais recente, Roda Gigante/Wonder Wheel.

Conseguirá nosso herói?

Não sei. Mas sei que as estantes de casa vão se encher de novos DVDs de filmes velhos.

A alegria da Mary com as estantes organizadas durou pouco.

7/2/2018

3 Comentários

  1. Vivina Assis Viana
    Postado em 09/02/2018 às 7:21 pm | Permalink

    Viva, Sérgio!
    Bj
    Vivina

  2. maria helena rubinat
    Postado em 10/02/2018 às 10:55 pm | Permalink

    Uma perguntinha: os DVDs chegam em bom estado, tanto o CD propriamente dito quanto as capas? Agradeço pela informação, Sergio. Um abraço,
    MH

  3. Sérgio Vaz
    Postado em 11/02/2018 às 3:02 pm | Permalink

    Olá, Maria Helena!
    Sim, a qualidade é boa – tanto das capas quanto dos filmes. Dei uma rápida examinada nos primeiros cinco que comprei. E já vimos um deles, “The Paradine Case” – beleza!
    O endereço do site é http://www.seboquerelle.com.br/
    Grande abraço, Maria Helena!
    Sérgio

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