Marina no palco. Um show

Na apresentação de fim de ano do grupo de dança da escolinha, no Teatro do Centro da Terra lotado, Marina deu um show. Uma maravilha. De encher a gente de orgulho.

Sim, sei perfeitamente que avô acha tudo que a neta faz uma maravilha. Não canso de me lembrar da piada da mãe do soldado na parada de 7 de Setembro: “Olha lá como meu filho marcha direitinho! Todo mundo tá marchando errado, só ele é que marcha certo!”

Mas digo e repito: Marina deu um show.

E não foi novidade. Um ano atrás, na apresentação de conclusão dos trabalhos do grupo de dança de 2017 foi a mesma coisa. Isso me deixou ainda mais impressionado – e orgulhoso: Marina esteve agora como esteve um ano atrás. Não é algo do momento apenas: é um padrão.

Marina deu um show.

Não porque aparecia mais que as outras crianças. Não porque se destacava por se posicionar na frente do palco boa parte do tempo.

Não, não, nada disso. Marina deu um show porque se destacava por não querer aparecer mais que as outras crianças, por em geral ficar mais para trás do palco.

Porque procurava fazer exatamente como a professora Julia determinava.

Em alguns momentos, vi Marina olhando para Julia – instrumentista atenta ao maestro, jogador que vai pelas coordenadas do técnico. (A foto do alto, feita pela avó, não me deixa mentir.)

É impressionante: Marina joga pelo time, toca em harmonia com o que o grupo deve fazer.

É visível, é absolutamente visível. Juro: não é coisa de avô babante. Quer dizer, é, sim, mas não é fantasia, sequer exagero: dá pra notar, dá pra ver que a pequena se esforça para fazer como a professora diz que é para fazer!

Compenetrada. Atenta. Séria.

Bem, séria, sim, no sentido de rigorosa – mas jamais sisuda. Estava visivelmente feliz com aquilo tudo. Estava alegre demais antes, saiu do palco alegre demais, dizendo que adorou, e, enquanto estava lá, era bem claro que dançava feliz – mas compenetrada.

Soube até mesmo enfrentar com galhardia e brilho uma situação adversa: com uns 15 minutos de apresentação, a bela tiara que usava caiu no chão. Senti um aperto no coração – mas Marina, rapidamente, pegou a tiara e a entregou para o auxiliar da professora. Que com igual rapidez foi até a extremidade do palco mais próxima e deixou a tiara no chão para ser recolhida depois. E a pequena continuou na apresentação como se nada tivesse acontecido.

Compenetrada. Atenta. Séria.

Uma Fernandinha. Idêntica à mãe, meu Deus do céu e também da terra.

***

O trabalho da professora Julia é de fato muito interessante. Ela insiste em dizer que não busca perfeição formal, nada disso: é uma coisa para as crianças se soltarem, terem prazer com o aprendizado de alguns passos, de fazer uma atividade em grupo. Usa o termo dançadeiras – nunca dançarinos, bailarinos. É bem dança brincadeira.

Mas que belo resultado ela consegue!

Em diversas ocasiões, ao longo de uma apresentação que durou 45 minutos, pares de crianças se destacam dos demais e fazem rápidos volteios no centro do palco. E não é sempre na mesma ordem, nem são sempre as mesmas duplas. Como é que a professora consegue que aqueles 15, 18 pitequinhos de 5 anos de idade saibam direitinho a marcação, a hora de fazer cada número de dupla?

Claro que há crianças que se distraem, demoram um pouco mais a entrar na formação do grupo. Há as que chegam para a frente do palco e ficam se exibindo – fora do previsto – para os parentes, e aí a Julia ou seu assistente têm que ir lá resgatar o pequeno extraviado, indicar o lugar correto daquele momento.

Em ocasião alguma Marina fugiu das marcações, ficou em lugar em que não deveria estar.

Joga pelo time. Não é fominha.

Compenetrada. Atenta. Séria.

Um show.

9/12/2018

Fotos Mary Zaidan

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