Insana, parte do país pede o pior

Vivandeiras rondam os quartéis – e não é como antigamente. Hoje, as vivandeiras não têm vergonha alguma. Clamam pelo que chamam de “intervenção militar” abertamente, às escancaras.

Meio século atrás, ou mais que isso, não era aberto assim. Era muito mais escondido, envergonhado. Afinal, pedir coisas do tipo “venha me espancar”, “venha me maltratar”, “venha tirar minhas liberdades”, “venha me transformar de cidadão em súdito”, “venha me torturar o quanto quiser” era algo que as pessoas tinham vergonha de divulgar que faziam. Faziam, mas escondido.

Hoje fazem abertamente. Escrevem seu apelo em letras gigantescas no asfalto das rodovias que interrompem: “Intervenção militar já”.

Não têm vergonha alguma de escrever, com todas as letras, o masoquismo maior: “Me torture já”, “Me silencie já”, “Me estupre já”.

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São de diversos tipos as vivandeiras destes nossos tempos de explicitude total.

Há os de extrema direita, os bolsonaristas. Natural: eles existem em qualquer sociedade. Já estiveram no poder na Alemanha nazista, na Itália fascista, na Espanha e em Portugal fascistas, ali pertinho no Chile, na Argentina. Algo bem parecido com ela governou o Brasil entre 1964 e 1985, e, ao sair, deixou um país no fundo do poço – quase tão no fundo do poço quanto o país foi deixado depois de 13 anos e 5 meses de lulo-petismo, que aliás seguia uma cartilha econômica bem parecida com a da ditadura que torturou e matou seus inimigos.

Há os do outro lado, os teoricamente de esquerda, como os cutistas da Federação dos Petroleiros, que ficaram quietinhos, em silêncio obsequioso, ao longo dos 13 anos e 5 meses de assalto ao Estado brasileiro e às estatais, a Petrobrás à frente de todas, mas agora chegam com greve geral quando o país está no fundo do desabastecimento.

Temos as vivandeiras da extrema direita, temos as vivandeiras da trupe lulo-petista. Talvez a Federação dos Petroleiros creia que, se os militares assumirem o governo, soltem Lula, e o proclamem rei, ou tzar, ou papa. Os caras da Federação dos Petroleiros – tenho séria desconfiança disso – raciocinam como o sambista do “Samba do Crioulo Doido” do Stanislau.

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Quando todos os diabos saem às ruas, às estradas, jamais é possível saber o que vai acontecer.

Quando, além dos diabos, saem às ruas, às estradas, bandos de idiotas, que não compreendem absolutamente nada de nada, mas ficam pedindo “intervenção militar” (“prendam-me”, “me arrebentem”, “me fodam”), dá medo.

Meu maior medo, diante desta situação em que o país está hoje – e eu sou bastante velho, e já vi muita situação difícil neste país – é a instalação do caos total.

O governo é fraco, é fraquíssimo, é uma lástima – foi maravilhoso na economia, nestes 2 anos, tirou o país da maior recessão da História. Mas, na política, é um absoluto desastre. Só fez besteira, ao longo de todos estes nove dias de greve-locaute dos caminhoneiros.

O Brasil está á beira de um ataque de nervos.

A greve dos idiotas dos cutistas petroleiros pode ser o que falta para a tempestade perfeita.

Meu temor é o caos total. O horror, o horror, o horror, o horror.

E aí não tem para quem apelar.

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Escrevi muito mais do que pretendia.

Eu só queria dizer que o Brasil hoje parece aquela piada do jogo de várzea no interior de Minas.

O centroavante avança, bola dominada, zagueiros vencidos. Tem tudo para chutar em gol. Em vez disso, fala para o goleiro: – “Vem ni mim! Vem ni mim que eu tô vendido!”

Ao que o goleiro responde, também baixinho: – “Não posso! Eu também tô!”

Boa parte do Brasil, hoje, pede para as Forças Armadas: – “Vem ni mim!”

Mas, ao contrário do que acontece na piada, as Forças Armadas respondem: – “Vou nada. Eu obedeço à Constituição”.

O que faz lembrar outra piada. O Brasil é mesmo uma píada.

A masoquista implora: – “Ai, amor, me bate! Mas bate muito! Me espanca, me dá muita porrada!”

O amante, sádico, responde: “Não…”

30/5/2018

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