Brasil, um país ridículo

Dá tristeza, dá muita tristeza acompanhar os debates televisivos dos candidatos a presidente da República. Nem por isso pretendo deixar de assisti-los. Doendo ou não, precisamos saber quem são essas figuras que tudo prometem e para as quais tudo parece ter soluções miraculosas.

Mas nenhum debate até agora, nem desta nem doutras eleições, ultrapassou o debate para governador do Rio de Janeiro que a Band nos ofereceu na noite de ontem. Uma coisa eu diria: foi inacreditável!

Em vez de aproveitar o valioso tempo de TV que a Band lhes deu, os candidatos, em sua grande maioria, gastaram o tempo que lhes coube ou esfaqueando os concorrentes ou narrando as maravilhas invisíveis que fizeram até aqui. É preciso ter muita paciência para assistir ao programa até o final…

Paciência eu tive. O que me faltou, francamente, foi estômago.

Na verdade, não sei se esse tipo de debate nos ajuda, a nós eleitores. Também não sei sugerir o que seria melhor, não sou marqueteira, nem política. O fato é que aqueles que aparecem em primeiro lugar nas pesquisas acabam sendo mais perguntados e com isso ganham maior visibilidade. Ganham muito mais tempo que os outros. Não sei se os menos perguntados teriam coisas mais inteligentes e úteis a nos explicar, vai saber. Mas justo, esse sistema não me parece ser.

Pobre Brasil. É um país que não chega nunca ao futuro, ao contrário, vive a olhar o passado. Parece sempre almejar um retrocesso. No fundo, é um país ridículo, onde em todos os estados vemos figuras gastas, deletérias, sem estofo, sem tutano.

Fico me perguntando se em Alagoas não nascem alagoanos que não sejam Calheiros ou Collor. Se o Maranhão ainda não se cansou dos Sarney. Se Pernambuco vai aceitar, tranquilo e sem ir para as ruas, a rasteira que o PT deu na neta de Arraes. Se Minas, a linda terra de Tiradentes, vai mesmo enviar para o Senado ninguém menos que o poste de Lula, a dona Dilma, aquela do mandato cassado mas dos direitos intocados!

Sabem qual é meu maior receio? Que, de repente, debaixo dos mantos fantasia dos candidatos haja encoberto um tipo Donald Trump. Já pensaram nessa impossibilidade bem possível?

Que Nossa Senhora Aparecida nos proteja dessa desgraça e perdoe nossos erros, para que nossos filhos e netos não venham a sofrer por nossas escolhas obtusas.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, na Veja, em 17/8/2018. 

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