A primeira lição de casa

Marina teve não uma, mas duas experiências inéditas, na semana que passou: aos 5 anos e 2 meses, fez a sua primeira lição de casa e jogou o primeiro jogo de tabuleiro.

Fomos pegá-la na escolinha no dia em que ela recebeu o primeiro dever de casa da vida. Ela não via a avó fazia uns 20 dias – a avó tinha feito uma viagem longa, ao Canadá, ela mesma tinha passado uma semana absolutamente deliciosa em Trancoso – , e então foi uma festa danada quando as duas se viram, uns minutos depois de eu ter pego a pequena no portão da escolinha.

É sempre assim: a avó estaciona onde há vaga, fica no carro, eu desço para pegar a pequena. Ela me vê antes de ver a avó – e, naquele dia, a terça, dia 5 de junho, ela passou pelo portão e, assim que me viu, abriu o sorriso e mostrou a pasta verde encaixada no bolso externo da mochila: – “Vovô, é a lição de casa!”

(Já tínhamos conversado antes que estava para chegar o dia da lição de casa…)

No carro, depois de algum grude de duas mulheres saudosas uma da contra, contou para a avó que tinha recebido lição de casa.

Quando chegamos aqui (a mãe viria pegá-la depois do trabalho), fiz questão de abrir a pastinha verde para ver como era o enunciado.

Cada aluno tinha que achar, em revista ou jornal, uma foto de uma coisa que começa com uma determinada letra – a ser escolhida pela própria criança. (O ano da alfabetização é o ano que vem, quando Marina terá 6.)

Havia escolhido a letra R.

Perguntei por que, e ela respondeu com tranquilidade, firmeza, que é porque gosta. Gosta, uai, gosta, e pronto.

Minha filha tinha me contado que precisaria de jornais e revistas velhos para fazer a lição de casa da pequena. Jornais e revistas velhos é algo que não falta na casa do avô. Naquela terça-feira,, Fernanda saiu daqui carregando, além da lancheira e da  mochila da Marina com a pasta verde da lição de casa, uma sacolinha pesada, cheia de jornais e revistas.

Fernanda minha diria mais tarde que não foi muito fácil achar foto de coisa, objeto, bicho começado com R. Mas encontraram, é claro.

Na sexta, 8/6, Marina colocou a lição de casa dentro da pasta verde para entregar na escola – e estava numa alegria absurda. Eu não vi, não estava lá – mas o pai fez fotos, e, quando o pai faz fotos, Marina faz para ele carinhas que não faz para mais ninguém no mundo. Bem, talvez para o Érolti, mas o Érolti, assim como os anjos, e Deus, não tem existência física.

***

Também não estive presente quando Marina jogou o primeiro jogo de tabuleiro da vida. Foi com a mãe, um brinquedo que eu não conhecia, chamado Snakes and Ladders, Cobras e Escadas. Fernanda me mandou uma foto, também linda, em que Marina está com uma expressão de pura alegria.

Marina é alegria pura – ou seria pura alegria? São dúvidas que me assolam. Linda e fofa – ou fofa e linda?

13/6/2018

Fotos Carlos Bêla

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