Trocar pneus ou consertar o ar condicionado?

A poucos dias do verão, um sobrinho meu, o Rô, estava com os pneus do carro gastos, e pouco dinheiro. O que fez? Deixou os pneus para mais tarde e mandou consertar o ar condicionado do carro. Nós, da família, concordamos inteiramente com ele.

Quinze dias antes, chegava a Guarulhos pela Via Dutra, com a mulher e o filho de dois anos. À altura do acesso à cidade, parou no trânsito congestionado. De repente, um assaltante surge com um revólver e ataca o carro que estava à frente de Rô. Ao mesmo tempo, dois meninos, também aparecidos do nada, começam a forçar as portas de trás.

No banco de trás, no carro do meu sobrinho, estava o filho de 2 anos. Mas Rô safou-se do risco de ser a vítima da vez. Conseguiu escapar por uma alça de viaduto.

Alguns dias depois, os mesmos sobrinho, mulher e filho ficaram parados no trânsito da Marginal Tietê. Pelo acostamento, vinham, com suas carroças, dois apanhadores de recicláveis que os motoristas jogam pela janela. E deu-se o replay.

Um dos carroceiros mergulhou meio corpo pela janela aberta do carro que – mais uma vez – estava à frente daquele de Rô. O homem submergiu com um celular e o fio de carregador a que estava ligado. Foi-se empurrando o carrinho, com o companheiro, sem muita pressa.

O conserto do ar condicionado não chegou a ficar caro. Rô e família agora só saem de casa com o aparelho ligado. Vidros fechados. Ontem compraram os pneus, em uma oferta.

Dezembro 2017

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