Quem enfiou o Brasil no buraco

A jararaca está viva, vivíssima – e não pára de fazer comício. Fez comício junto ao caixão da mulher morta. Na quarta, 15/3, fez comício na Avenida Paulista. Um dia antes, na terça, chegou ao cúmulo de fazer comício diante do juiz da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, onde foi chamado para prestar depoimento em ação penal movida contra ele sob a acusação de atuar para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, trabalhando, assim, para obstruir as investigações da Operação Lava-Jato.

– “O senhor sabe o que é levantar todo dia achando que a imprensa está na porta de casa por que vou ser preso?” – discursou ele.

Claro que o juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite não sabe o que levantar todo dia achando que Lula vai ser preso. Nem muito menos que ele, o juiz Ricardo Augusto, vá ser preso. Afinal, ele, o juiz, não cometeu crime algum, não chefiou organização criminosa, nem é réu em processo algum na Justiça – bem ao contrário de Lula.

Mas a jararaca discursou e discursou para o juiz: – “No meu governo, a PF tinha de fiscalizar, tinha de investigar” – e por aí foi.

Ora, a Polícia Federal é um órgão do Estado a que compete fiscalizar e investigar. É isso que ela vem fazendo. Foi exatamente isso que ela fez nos governos Sarney, Itamar, FHC. Por que com Lula na Presidência seria diferente? Durante o governo Lula a PF continuou fiscalizando e investigando não porque Lula fosse muito bonzinho, muito generoso – mas porque é da competência da PF fiscalizar e investigar, uai!

A jararaca ainda discursou para o juiz federal dizendo que vai ganhar a eleição de 2018: – “Vou matar eles de raiva, porque em todas as pesquisas vou aparecer na frente”.

Matar “eles”. Eles, os inimigos dele e da turma dele. Quer dizer, nós, o povo, nós que não somos da turma nem da quadrilha dele.

Não se sabe como estarão as pesquisas de opinião daqui a 18 meses, às vésperas da eleição presidencial. Não se sabe sequer se a jararaca estará livre ou presa por causa das várias ações na Justiça em que ele aparece. Mas segundo as pesquisas mais recentes ele está, sim, na frente.

Ele e o poste que ele fez eleger enfiaram o país na pior recessão de sua História. Pilharam a Petrobrás, a maior empresa estatal do país, como piratas pilham navios, como nuvens de gafanhotos pilham plantações. Dilma, sozinha, com algumas canetadas, desestabilizou completamente toda a área de energia do país – justamente a de energia, a área em que ela teoricamente é especialista.

E no entanto, neste país desmemoriado, Lula está à frente nas pesquisas para a Presidência.

E o poste que ele escolheu viaja pela Europa – com tudo pago com o dinheiro que pagamos de impostos – pregando que foi vítima de um golpe e que o atual governo, chefiado pelo seu vice, é ilegítimo.

Por essas e por muitas outras é que é preciso a gente se lembrar sempre quem enfiou o país no buraco profundo em que ele ainda está metido. Lembrar sempre, sempre, não esquecer jamais.

Foi Lula e foi Dilma que enfiaram o país no buraco.

Dois editoriais do Estadão e um artigo de José Casado no Globo, publicados entre a segunda, dia 13, e esta quarta, 15, são perfeitos para ajudar nessa necessidade de que nos lembremos sempre que foram eles.

O verdadeiro legado de Lula

Editorial, Estadão, 13/3/2017.

No mesmo dia em que tomou conhecimento do escabroso volume de dinheiro sujo usado pela Odebrecht para, no dizer do ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “apropriar-se do poder público”, o País foi apresentado ao resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) de 2016. Poderiam ser dois dados estanques que apenas por uma infeliz coincidência vieram à luz ao mesmo tempo. Mas não são. Está-se diante do mais eloquente painel do desastre que representou o governo do ex-presidente Lula da Silva, um tétrico quadro dos males infligidos aos brasileiros pelo lulopetismo.

É este o verdadeiro legado de Lula – a pior recessão econômica desde 1948, quando o PIB passou a ser calculado pelo IBGE, e uma rede de corrupção sem precedentes, cuja voracidade por dinheiro público parece não ter deixado incólume sequer uma fresta do Estado Democrático de Direito.

Em depoimento prestado ao TSE no processo que apura o abuso de poder econômico da chapa Dilma-Temer na última eleição presidencial, Hilberto Mascarenhas Filho, ex-executivo da Odebrecht, afirmou que entre 2006 e 2014 a empreiteira destinou US$ 3,4 bilhões – mais de R$ 10 bilhões – para o financiamento de campanhas eleitorais por meio de caixa 2 e para o pagamento de propinas, no Brasil e no exterior, como contrapartida ao favorecimento dos negócios da empresa por agentes públicos.

Igualmente grave foi a divulgação da queda de 3,6% do Produto Interno Bruto no ano passado, embora este resultado já fosse previsto pelo mercado. Em 2015, a retração da atividade econômica havia sido ainda mais expressiva – 3,8% –, de modo que os dois últimos anos representaram um encolhimento de 7,2% da economia brasileira. Considerando o crescimento da população no período, em média, os brasileiros ficaram 11% mais pobres no último biênio.

Alguns analistas atribuem parte da responsabilidade pelo resultado negativo de 2016 ao presidente Michel Temer, tendo-se em vista que em maio do ano passado ele assumiu o governo após a aceitação, pelo Senado, da abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. É caso de desinformação, uma absoluta ignorância da dimensão do dano causado às contas públicas por seus antecessores, ou simplesmente malícia. Aqueles que não deixam a catarata ideológica obnubilar a clareza dos números não têm maiores dificuldades em responsabilizar os que, de fato, devem ser responsabilizados. A profunda crise econômica por que passa o País é resultado direto da mais nociva combinação de atributos que pode se esperar em um governante: inépcia e má-fé.

Lula é corresponsável pelos crimes cometidos por Dilma Rousseff, que, com justiça, lhe custaram o cargo. Mais do que uma escolha, Dilma foi uma imposição de Lula ao PT como a candidata do partido nas eleições de 2010. Jactava-se Lula de ser capaz de “eleger até um poste”. De fato, elegeu um, que tombou deixando um rastro de destruição.

Estivesse verdadeiramente imbuído do espírito público que anima os estadistas que escrevem as melhores páginas da História, Lula poderia ter conduzido o País na direção daquilo que por muito tempo não passou de sonho. Nenhum governante antes dele reuniu apoio popular, apoio congressual – hoje se sabe a que preço –, habilidade política e uma conjuntura internacional favorável, tanto do ponto de vista macroeconômico como pessoal. O simbolismo de sua ascensão ao poder era, a priori, um fator de boa vontade e simpatia. Todavia, apresentado aos caminhos históricos que poderia trilhar, Lula optou pelo próprio amesquinhamento, para garantir para si, sua família e apaniguados uma vida materialmente confortável.

Cada vez mais enredado na teia da Operação Lava Jato, Lula apressa-se em lançar sua candidatura à Presidência em 2018. Como lhe falta a substância da defesa jurídica bem fundamentada – tão fortes são os indícios de crimes cometidos por ele apurados até aqui –, resta-lhe o discurso político como derradeiro recurso.

Se condenado em segunda instância, Lula ficará inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Mas se o tempo da Justiça não for o tempo da próxima eleição, que a retidão dos brasileiros genuinamente comprometidos com a construção de um País melhor seja implacável no julgamento das urnas.

Luz vai subir por 8 anos

Por José Casado, O Globo, 14/3/2017.

Brasileiros vão pagar fatura extra de R$ 59,6 bilhões. É a conta da festa política no setor elétrico, que embalou a reeleição de Dilma e as campanhas do PT e do PMDB

A conta de luz vai subir em todo o Estado do Rio a partir de amanhã. O aumento médio será de 12% para clientes da Light e da Ampla.

É o começo de um reajuste extraordinário nas tarifas de energia em todo o país. Nos outros estados acontecerá a partir de 1º de julho. Em alguns a alta será de 27%.

Vai ser assim pelos próximos oito anos. Todos os consumidores serão obrigados a pagar um extra, um adicional ao reajuste anual. Nesse período acontecerá uma transferência de renda de R$ 59,6 bilhões de quem consome para as empresas transmissoras de energia.

É dinheiro suficiente para construir três hidrelétricas como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio e, ainda, concluir dois projetos de transposição de águas do São Francisco para o sertão nordestino — calcula a associação dos grandes consumidores, Abrace. O impacto na tarifa vai ser “muito forte, muito grande”, reconheceu o diretor da agência de energia (Aneel), Reive Barros, ao votar pelo reajuste.

Por trás desse aumento na conta de luz está uma obra de desestruturação do setor elétrico realizada no governo Dilma Rousseff e executada por dois ministros do PMDB, os senadores Edison Lobão (MA) e Eduardo Braga (AM). Ambos são investigados por corrupção na Petrobras e na Eletrobras.

Em janeiro de 2013, Dilma anunciou redução de 20% na conta de energia “em favor dos consumidores”. O governo sabia que o custo real de geração estava defasado (discrepância avaliada em 93%). Mas Dilma estava mais preocupada em construir sua candidatura à reeleição dentro e fora do PT. E o PMDB queria Temer como vice.

O corte nas tarifas foi seguido de aumento no consumo. A combinação produziu um rombo no caixa das geradoras de energia, principalmente na estatal Eletrobras. Os ministros da Energia (Lobão) e da Fazenda (Guido Mantega) montaram um socorro de R$ 60 bilhões do Tesouro e do BNDES.

Agora, além dos prejuízos dessas “pedaladas”, apareceu uma fatura de R$ 59,6 bilhões em indenizações às empresas transmissoras pelo corte nas tarifas que embalou a reeleição de Dilma. Governo e Aneel levaram três anos para calcular o valor: R$ 24 bilhões como reparação, mais R$ 35 bilhões em juros pelo triênio em que a conta ficou pendurada. A Aneel aceitou indenizar, sem questionar. Vai pagar R$ 556 milhões por um transformador de Furnas com 30 anos de uso, quando o mais caro da usina de Belo Monte custou R$ 100 milhões.

Antes de deixar o ministério, para votar pelo impeachment da sua presidente, o senador Braga mandou a conta aos consumidores. Temer manteve a fatura, sem revisá-la. Pela obscuridade, o caso deve acabar nos tribunais.

O setor elétrico é um feudo do PMDB. Para aprovar o corte nas tarifas (MP nº 579), Dilma recorreu a Eduardo Cunha, hoje preso em Curitiba. No Senado, a Odebrecht recorreu aos senadores Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL) para obter isenções. “Conseguimos”, contou o ex-diretor Claudio Melo Filho aos procuradores que investigam Jucá e Renan por corrupção. Ele indicou pagamentos de R$ 22 milhões em documento sob o título “Meu Relacionamento com Renan Calheiros (Codinome “JUSTIÇA”)”.

O custo total da festa eleitoral de Dilma, do PT e do PMDB no setor elétrico já beira os R$ 200 bilhões. Por causa dela, a conta de luz dos brasileiros vai ter um grande aumento durante os próximos oito anos.

Dilma, um caso sério

Editorial, Estadão, 15/3/2017.

Não satisfeita com o desastre causado ao País pelos seus cinco anos de governo – cujos efeitos daninhos são ainda sentidos diariamente pelos brasileiros –, a ex-presidente Dilma Rousseff dedica-se agora, assim fazem crer suas ações e palavras, a envergonhar o Brasil mundo afora. Seu comportamento em Genebra, onde participou de palestras e seminários, é sinal de que sua falta de discernimento, seja em questões nacionais, seja em relação às suas capacidades pessoais, não tem fim.

É conhecida sua dificuldade para se expressar na língua portuguesa. Como bem sabem os brasileiros, a beligerância de Dilma Rousseff com o idioma pátrio não exige condições especiais, podendo ocorrer até mesmo em casos de comentários triviais ou argumentos despidos de qualquer complexidade. Ela facilmente se embaralha com palavras e pensamentos, o que muitas vezes deu a eventos oficiais no Palácio do Planalto contornos de show humorístico.

Pois bem, essa mesma Dilma Rousseff, que já tanto maltrata a língua portuguesa, achou que podia, em sua viagem à Europa, dialogar em francês. O programa de televisão no qual a ex-presidente teve a ousadia de usar a língua de Victor Hugo é de incomum constrangimento, com alguns apresentadores em sérias dificuldades para manterem a compostura diante de tamanha agressão ao idioma francês. Mais do que simples gafe, a participação de Dilma no programa de televisão corrobora sua invencível incapacidade de realizar qualquer tipo de autocrítica.

Não falta, porém, a Dilma Rousseff discernimento apenas em questões de idioma. Ela ignora – e alardeia sua ignorância mundo afora – questões institucionais. Diante de uma plateia no Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, a ex-presidente afirmou haver o risco de que os ocupantes do poder no Brasil tentem impedir nova eleição de Lula da Silva. “Podem tentar condenar o Lula por duas vezes, podem mudar as regras da eleição presidencial, por exemplo, com introdução do parlamentarismo e, terceiro, podem simplesmente adiar a eleição presidencial do ano que vem”, disse Dilma.

É grave que uma ex-presidente fale de forma tão irresponsável sobre a democracia e as instituições no Brasil. Eventuais discordâncias de Dilma Rousseff com a decisão do Congresso de condená-la por crime de responsabilidade não lhe dão direito a tratar o País da forma vil como ela o tem tratado.

Ainda que imperfeita, a Lei da Ficha Limpa contribuiu para a moralidade das eleições no País, ao barrar candidatos que tenham sido condenados criminalmente em segunda instância. E o Poder Judiciário é independente, não mero instrumento de manobra do Poder Executivo, como dão a entender as palavras da ex-presidente. O que ela indevidamente aplica ao Brasil ocorre em países de seu especial agrado, como é o caso da Venezuela. No entanto, a respeito desse abuso Dilma sempre preferiu o silêncio.

Dilma ainda tratou de duas possíveis manobras para afastar Lula da Silva da Presidência da República: o parlamentarismo e o adiamento das eleições de 2018. A ex-presidente manifesta, assim, seu completo desconhecimento da realidade política e institucional do País. Ainda que seja plenamente legítimo, o parlamentarismo não é um assunto atual do Congresso. E a menção a suposto risco de adiamento das eleições é mais do que simples irresponsabilidade. Trata-se de uma acusação grave, sem qualquer prova ou indício, contra a democracia brasileira. Observe-se, a favor de Dilma, que ela não aventou a possibilidade da restauração da monarquia para manter Lula fora do poder.

Por mais que Dilma Rousseff não goste, há lei e há instituições no Brasil. O panorama é bem diferente do que ela alardeou na Suíça. Já em relação ao retorno de Lula da Silva à Presidência da República, os obstáculos estão bem evidentes, dispensando os tremendos esforços mentais de Dilma Rousseff. O principal óbice é ela mesma, pelo estrago que causou ao País. E, em segundo lugar, o próprio Lula, com sua incapacidade de emendar-se.

15/3/2017

2 Comentários

  1. MILTINHO
    Postado em 17/03/2017 às 7:59 am | Permalink

    Enquanto a jararaca não morrer o PIG não descansará.
    Dia 26 nas ruas com camisa da CBF, a direita vai revindicar o que?

  2. MILTINHO
    Postado em 17/03/2017 às 8:08 am | Permalink

    O PIG NAO SE ENTENDE
    “Sergio Vaz, há uma campanha desonesta, infame e típica de uma oposição fanática e sem limites contra Michel Temer.Aproveita-se de qualquer coisa, inclusive besteirices como suas declarações no Dia Internacional da Mulher (argh), como se fossem ofensivas ao chamado sexo frágil (argh, de novo).
    E a FSP, para não variar, capitaneou o baixo nível, a infâmia e a gozação barata contra o presidente, como se ele tivesse dito os maiores absurdos em suas falas desarmadas, ingênuas, esquecendo-se ele de que jornalistas sem escrúpulos e mais interessados em fofocas e em falar mal de governantes e políticos em geral, estão de olhos e ouvidos ligadíssimos no que ele diz para tirar casquinhas venenosas.
    E o mais grave é que grande parte de suas chefias (dos repórteres, por suposto) é despreparada e sem a menor noção do que seja fazer bom jornalismo, fator fundamental para conquistar o respeito e um número cada vez maior de leitores sequiosos de qualidade na informação que lhes chega; E assim caminha essa suposta humanidade instalada em nossas redações. Vamos ver como estarão as coberturas nos jornais desta sexta-feira, a propósito das explicações presidenciais do que realmente pensa sobre a mulher.”

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