Foi como abrir a janela e deixar entrar o ar fresco da manhã

Quando leio, aqui e em bons jornais de outros países, que Lula acabou com a pobreza no Brasil, fico perplexa. Como assim, acabou? Deixou de ser pobre um país onde não há creches ou escolas para todos, nem saneamento básico ou água corrente em todos os municípios, ou atendimento hospitalar para seus cidadãos? Pode deixar de ser considerado pobre um país onde encontrar pessoas dormindo nas ruas nem chama mais a atenção?

Pode ter vencido a pobreza que humilha e mata um país onde a corrupção parece ter tomado conta das administrações federais, estaduais e municipais?

Não está cada vez mais pobre o país onde a mais alta corte de Justiça do Estado perdeu a aura que sempre teve, estando desacreditada diante da opinião pública?

Como devemos nos sentir ao ler os nomes que se apresentam como candidatos ao cargo de presidente da República? Esperançosos ou altamente decepcionados, assustados?

Confesso que é extremamente difícil escrever um artigo tendo esse Brasil em mente. Dizer tudo o que penso e arriscar ser processada por um personagem que tem a força nas mãos? Não me falta coragem, leitor amigo, o que me falta é dinheiro para pagar as indenizações que teria que pagar aos criticados…

Mas São José mais uma vez veio em meu socorro e me deixou viver tempo suficiente para ler a entrevista do ministro Luis Roberto Barroso à Mariana Schreiber, da BBC Brasil em Brasília.

Para quem, como eu, andava cabisbaixa, sentindo a ausência, neste país, de uma luz no fim de um túnel sombrio e esburacado, foi realmente uma sensação de alívio ler as perguntas e as respostas do ministro Barroso, as palavras sensatas e de bom senso, os pingos nos iiis, a singeleza e a firmeza de suas opiniões. Foi mesmo uma bafejada de ar fresco.

Foi um bálsamo para um coração que estava entristecido e desanimado com o futuro do Brasil. Até duvido que haja um coração brasileiro que não bata mais forte, e com mais empenho, ao ver que ainda temos pessoas como o ministro Barroso a nos defender.

Suas palavras serão como um guia para aqueles que pensam em fazer deste país uma nação desenvolvida e amiga de seus habitantes. Não posso duvidar disso. Não posso e não quero.

O ministro diz, lá pelas tantas, que “onde há problemas que não foram resolvidos, eu penso fora da caixa mesmo”. Por isso, não posso encerrar este artigo sem deixar bem claro que abençoo o momento em que ele saiu da caixa.

Assim, mais fortalecida, desejo a todos um Bom Natal.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 22/12/2017. 

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