Está melhorando (23)

Só mesmo benzendo – como fez, nesta terça-feira, 19/12, um sujeito que se identificou como pai de santo, o Pai Uzeda. Pai Uzêda subiu ao palco do local em que se realizava a convenção do PMDB e benzeu Michel Temer. Depois explicou que “fizeram um trabalho de vodu contra o presidente”. E deu o nome aos bois: “O PT fez macumba contra ele”.

Não sei se foi mesmo o PT, mas alguém fez macumba contra Michel Temer. Só pode.

O sujeito pegou um país com a economia absolutamente destroçada pelo tsunami Dilma. Em um ano e meio, todos os indicadores econômicos melhoraram – todos, sem exceção. No entanto, a desaprovação do governo Temer bate recordes seguidos.

Como escreveu J.R. Guzzo no site da revista Veja no dia 8/12, num artigo que, diacho, eu gostaria demais de ter escrito:

“É o tipo da coisa desagradável escrever num artigo aberto ao público que os fatos estão ao lado do presidente Michel Temer neste mês de dezembro de 2017. Mas o que se vai fazer? São os fatos — essa praga de fatos, que tantas vezes têm a mania de mostrar justo o contrário daquilo que as pessoas acham tão mais cômodo pensar. Não poderia ser assim, por tudo o que este país vem ouvindo, sem parar, há mais de um ano. Afinal das contas, Temer é Temer. Seu nome só pode ser citado se vier imediatamente depois da palavra ‘Fora’. Ele é ‘golpista’. Ele trocou segredos numa catacumba do seu palácio presidencial, e ainda por cima na escuridão da noite, com um gangster bilionário, autor confesso de mais de 200 crimes e preso desde setembro na carceragem da Polícia Federal. Ele vem tendo a sua cassação anunciada, de tanto em tanto tempo, praticamente desde que assumiu a presidência da República. A Rede Globo achou que iria derrubar o homem com telejornais e com jornalistas de cara indignada – parece não ter entendido, até agora, porque ele continua lá. Temer compra deputados, vende ministérios, aluga partidos políticos. (…)

“Entram, então, os fatos – e aí é uma tristeza. Se Temer é tão ruim assim, como se diz desde que ele tomou posse, por que o seu governo está sendo tão bom? Sim, é muito chato dizer isso, como foi observado já na primeira linha. Mas como fazer de conta que a realidade, com seus números, pesos e medidas, não existe?”

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Só podem ter feito macumba.

Numa das várias ações para tentar conter o déficit público, o buracão, o vermelhão nas contas públicas deixado pelo tsunami Dilma, o governo Temer editou, semanas atrás, uma medida provisória adiando o reajuste do funcionalismo publico de 2018 para 2019, e aumentando a contribuição previdenciária dos servidores que ganham mais de R$ 5,5 mil por mês de 11% para 14%.

A expectativa era economizar R$ 4,4 bilhões com o adiamento do reajuste e conseguir R$ 2,2 bilhões com a nova alíquota para diminuir um pouco o déficit da Previdência.

Aí, na segunda-feira, 18/12, o ministro Ricardo Lewandowski melou tudo. Sim, Ricardo Lewandowski, aquele mesmo, do ABC paulista, amigo pessoal da família Lula da Silva, o que durante o julgamento do mensalão parecia trabalhar como advogado de defesa dos acusados. O que inventou uma manobra maluca e conseguiu manter os direitos políticos de Dilma Rousseff ao final do processo de impeachment.

Ricardo Lewandowski suspendeu a medida provisória. E sem ter qualquer tipo de preocupação com aparências. Estava de licença médica; voltou ao trabalho apenas e tão somente para prejudicar o projeto do governo de economizar. Deu a sentença, e pronto: voltou para casa.

O governo deverá recorrer da decisão, apelando para o colegiado, para o conjunto dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Acontece que o Supremo entra em recesso exatamente a partir da quarta-feira, 20, e só volta a ter sessões em fevereiro. O aumento do funcionalismo é em janeiro. Quando o Supremo voltar a trabalhar, Inês já estará morta.

Com uma canetadinha, Ricardo Lewandowski aumentou o déficit público em R$ 6,6 bilhões.

Só pode ser macumba.

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Na mesma segunda-feira, 18/12, a PGR também atacou.

Raquel Dodge, a procuradora-geral da República, entrou com uma ação no STF para suspender imediatamente a veiculação da propaganda do governo em favor da reforma da Previdência. Como noticiou O Globo, “o argumento é que não se poderia ter usado dotação orçamentária suplementar, no valor de R$ 99,3 milhões, para custear uma propaganda em ‘campanha estratégica de convencimento público’ sem dar espaço para opiniões divergentes. A campanha do governo aponta a necessidade de mudar as regras da Previdência para ‘combater privilégios’.”

Quando a gente pensa que já ouviu de tudo na vida…

Como é que é? Segundo a PGR, para poder publicar peça publicitária em defesa da reforma da Previdência o governo tem também que mostrar argumentos contrários à reforma da Previdência????????

Legal: 30 segundos mostrando os argumentos em defesa da reforma. E depois 30 segundos com Paulo Paim, Lula e Gleisi dizendo que a reforma acaba com os direitos dos trabalhadores.

Durma-se com um barulho destes.

Só pode ser macumba.

Só mesmo benzendo.

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Eppur si muove.

E no entanto – como diz J.R. Guzzo no texto que eu gostaria de ter escrito – os fatos teimam em acontecer. Os jornais são obrigados a publicar as notícias que mostram que a economia está melhorando, após a passagem do tsunami Dilma. Apesar da macumba.

Do último dia 6 – quando publiquei o volume número 22 desta série “Está melhorando” – para cá, houve as seguintes boas notícias:

* A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, caiu mais meio ponto percentual, para 7% ao ano. É a taxa básica de juros mais baixa de toda a História do Brasil. Segundo o Banco Central, o processe de redução dos juros poderá continuar se as reformas forem aprovadas.

* A inflação medida pelo índice IPCA do IBGE fechou em 0,28% em novembro. O índice acumulado no ano ficou em 2,5%, o menor resultado para o período desde 1998. A previsão de instituições financeiras ouvidas pelo Broadcast, serviço da Agência Estado, é de que a inflação feche o ano em 2,8% – abaixo do mínimo da meta, que é de 3%.

* Houve alta de quase 8,5% na produção de papelão ondulado em outubro em relação ao ano passado. A produção de papelão ondulado – usado nas embalagens – é um dos grandes indicadores do estado da indústria. Aumento sinaliza uma ótima tendência de crescimento.

* A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 115,089 bilhões em novembro, um aumento real (já descontada a inflação) de 9,49% na comparação com o mesmo mês de 2016. Esse foi o quarto mês consecutivo De crescimento real nas receitas em relação ao ano passado. É outro dado que sinaliza retomada da economia.

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Caiu Temer

Temer, segundo nos dizem, está cada vez mais morto. Só que está cada vez mais vivo

J.R. Guzzo, Veja online, 8/12/2017

É o tipo da coisa desagradável escrever num artigo aberto ao público que os fatos estão ao lado do presidente Michel Temer neste mês de dezembro de 2017. Mas o que se vai fazer? São os fatos — essa praga de fatos, que tantas vezes têm a mania de mostrar justo o contrário daquilo que as pessoas acham tão mais cômodo pensar. Não poderia ser assim, por tudo o que este país vem ouvindo, sem parar, há mais de um ano. Afinal das contas, Temer é Temer. Seu nome só pode ser citado se vier imediatamente depois da palavra “Fora”. Ele é “golpista”. Ele trocou segredos numa catacumba do seu palácio presidencial, e ainda por cima na escuridão da noite, com um gangster bilionário, autor confesso de mais de 200 crimes e preso desde setembro na carceragem da Polícia Federal. Ele vem tendo a sua cassação anunciada, de tanto em tanto tempo, praticamente desde que assumiu a presidência da República. A Rede Globo achou que iria derrubar o homem com telejornais e com jornalistas de cara indignada – parece não ter entendido, até agora, porque ele continua lá. Temer compra deputados, vende ministérios, aluga partidos políticos. Os institutos de pesquisa, enfim, garantem que ele tem popularidade zero, com viés de baixa — sim, popularidade zero, pecado que deixa os comunicadores, formadores de opinião e influencers digitais 100% convencidos, acima de qualquer outra razão, que o presidente da República vale exatamente três vezes zero.

Entram, então, os fatos – e aí é uma tristeza. Se Temer é tão ruim assim, como se diz desde que ele tomou posse, por que o seu governo está sendo tão bom? Sim, é muito chato dizer isso, como foi observado já na primeira linha. Mas como fazer de conta que a realidade, com seus números, pesos e medidas, não existe? Apenas ao longo dessas últimas horas, o público foi informado que a taxa de juros do Banco Central baixou para 7% ao ano – a décima queda em seguida e o menor índice na história do comitê que faz esses registros. Pois é: desde que Temer assumiu, os juros caíram praticamente todos os meses. É ruim isso? Acaba de se anunciar, ao mesmo tempo, que a inflação de novembro ficou abaixo de 0,3% — nos últimos doze meses o total é de 2,5%, a menor dos últimos 19 anos. O ano de 2017, assim, pode fechar com uma inflação inferior a 3%, coisa que não se vê também há duas décadas. É ruim isso? Há aumento na produção, recorde de exportações e diminuição do desemprego. É ruim isso? Das grandes reformas, a trabalhista já passou. A da Previdência pode passar. Ambas foram apresentadas ao público nestes últimos meses como cientificamente impossíveis. De novo: é ruim?

O governo está sendo bem sucedido porque interrompeu, desde o primeiro dia, o mais agressivo surto de estupidez econômica jamais praticado por uma administração pública neste país – esse que foi imposto ao Brasil pela demência suicida da gestão de Dilma Rousseff. Interrompeu, só isso – e depois não mexeu mais em nada. A equipe econômica continua lá, intacta e protegida por um cordão sanitário contra a roubalheira. Um Geddel Vieira, por exemplo, podia traficar no Ministério da Cultura, ou coisa parecida. Mas não se permitia a sua entrada no Tesouro Nacional, nem no Banco Central, nem em lugar algum onde pudesse causar as calamidades de uma Dilma. Nem ele nem qualquer outra estrela do ex-governo Lula, de onde veio, por sinal, quase toda a turma da pesada que hoje roda por aí nos carros chapa branca do governo federal.

Os institutos de pesquisa provavelmente vão continuar mostrando que a aprovação de Temer permanece em queda. Quando algum dos projetos do governo passar no Congresso, será dito que a vitória, na verdade, foi uma derrota, por isto ou por aquilo. Quando vierem os próximos números positivos da economia, vão dizer que as melhoras provocam pioras – no caso da queda dos juros, por exemplo, foi lamentada a redução que isso trará para o rendimento da caderneta de poupança. Quando o ano virar daqui a alguns dias, com Temer sentado na mesma cadeira de onde já deveria ter caído sete vezes, será anunciado que agora sim, em 2018, começarão os verdadeiros problemas do presidente. Quando passar a faixa presidencial para o seu sucessor, em 1º de janeiro de 2019, as manchetes serão: “Caiu Temer”. Deus que tenha piedade de sua alma.

Enquanto isso, na vida real, cada vez mais gente busca o apoio do homem que tem popularidade zero.

19/12/2017

Da mesma série:

Está melhorando (22): Quanto mais pedra em Temer, mais boas notícias na economia.

Está melhorando (21): Como diz Míriam Leitão, nada de bom cola em Temer.

Está melhorando (20): “Os resultados estão aí, à prova de retórica”.

Está melhorando (19): Renda dos trabalhadores cresce, indústria volta ao azul…

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