E Temer ficou

Como Temer trabalhou, hein? Vamos ser justos, o homem deu um duro danado, não parou, levou os últimos dias tal qual uma máquina de 220w ligada na tomada. Para um idoso, foi um verdadeiro tour de force.

Modesto, ele diz que a vitória não foi pessoal, foi uma conquista da democracia. Liberdade de expressão permite tudo, não é mesmo?  Já eu acho que não foi uma conquista, parece mais ter sido uma compra.

Não sei quanto custou essa compra, mas como somos um país que só lida com bilhões, calculo o preço que foi pago.

E pergunto: como será que esse dinheiro circulou? Pelos bancos não há de ter sido, teria sido muito arriscado. Será que foi em malas como a do Rocha Loures? Centenas, naturalmente. Quantas, mais ou menos? Será que algum dia saberemos?

Há quem diga que as cenas de ontem no Legislativo foram mais discretas, menos bagunçadas que as cenas durante o julgamento do impeachment da ex-presidente. Você concorda, Leitor? Eu discordo, acho que o papelão foi igual. Se não teve recados para papai, mamãe, avô e avó, loas para maridos e amigos, teve ministros licenciados para poder votar e outros sem licença mas profundamente envolvidos na votação; teve mordidas, empurrões, dinheiro voando, bagunça ilimitada. A negociação, às claras, não parou no início da sessão. Foi contínua, persistente, determinada. Um vexame completo.

Tudo isso resultou na vitória de Temer e na derrota do Brasil. Ou melhor, vitória do roto sobre o esfarrapado.

Mas não parou por aí. Hoje ainda tivemos que passar por outro constrangimento: Joesley Batista, o homem da delação premiadíssima (aquele que gerou a denúncia contra o presidente, a que ontem o Legislativo trancou), livre, leve, solto, rico e sem freios, fez um comentário terrível, ácido, que apesar de nos envergonhar, não temos como desmentir: “O dia 2 de agosto ficará marcado como dia da vergonha!”.

Dito por quem o disse, o comentário fere muito mais. Não concorda, Leitor?

A herança do PT, como sabemos, foi horrorosa. O que os dois governos petistas fizeram com nosso país foi medonho. Não preciso me estender sobre o assunto, pois todos passamos por isso e nem cedo nos livraremos dessa herança.

Mas a herança de Temer talvez seja mais cruel: a apatia do povo, que parece desligado do Brasil. Isso é muito doloroso. E de cura imprevisível…

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 4/8/2017. 

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