Bem na selfie

Os policiais do Rio e Rogério 157, o preso, saíram muito bem na selfie feita pelos primeiros para comemorar a prisão do segundo, que foi parar nas primeiras páginas dos jornais. 157 mostrou que tem estilo para posar. Eu se fosse ele reclamaria o empréstimo de pelo menos uma pistola ponto 40, para não sair de mãos abanando.

Se a moda pega, muita coisa estranha vai acontecer. Vamos dizer que Gabriel 121 se veja subitamente cercado em seu barraco. Joga sua submetralhadora no chão, e corre para o banheiro. “O que está fazendo, pare! – grita o chefe da equipe. 121 se explica, com toda justiça: “Vou dar um jeito no cabelo”.

Também pode acontecer que, de uma hora para outra, bandidos disfarçados caminhem pelo calçadão de Ipanema. Se a polícia não se deixar enganar, cairá sobre eles, quando atacarem uma vítima. Bem, não era exatamente um disfarce, estavam bem vestidos para, em caso de prisão, não sair mal na foto.

Outra situação: num lugar deserto, sem nenhum de sua turma para ajudar, um policial e um meliante, talvez Carlinhos 129, se vêem frente a frente. Ficam parados, alertas. Quando um deles pisca, sacam seus celulares e disparam. Depois, se 129 for amável, e se entregar sem resistência, fazem um selfie abraçados.

O episódio com Rogério 157 foi assimilado pelo secretário da Segurança como “euforia compreensível” (Folha da quinta-feira, 7). Mas a OAB e a associação dos advogados criminalistas acharam a atitude dos policiais ilegal e antiética.

Oito dias antes, a capa da Veja foi dominada pelo rosto eufórico do advogado criminalista Adriano Bretas, que posou com um charuto de R$ 350 na boca. Bretas faz parte do que a revista chama de realeza, advogados com honorários de até R$ 10 milhões.

A diferença entre os bem sucedidos policiais cariocas e advogados é que os primeiros prendem pessoas que podem se tornar réus e ser condenadas. E os segundos trabalham para que seus clientes não virem réus e não sejam condenados.

Em princípio, ambos têm direito de comemorar sua vitória.

Dezembro de 2017

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