Aquilo aconteceu mesmo?

“As oportunidades são únicas”, conta Amir Klink, referindo-se a um evento por si presenciado nos primeiros dias quando chegou naquela imensidão glacial, quase desértica, da Antártida, para onde viajou sozinho em um veleiro:

“Já ancorado na Antártica, ouvi ruídos que pareciam de fritura. Pensei: Será que até aqui existem chineses fritando pastéis? Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei pra mim mesmo – Calma, você terá muito tempo para isso… Nos 637 dias que seguiram o fenômeno não se repetiu.”

As raríssimas oportunidades são como aquele fenômeno presenciado por Klink.

Anteontem, pressentindo que algo de extraordinário estava por acontecer, resolvi parar meu trabalho, fechar o escritório às 16h e ir assistir aquilo em casa, trancado no quarto, munido de todos os controles remotos possíveis e do smartphone.

Com a respiração quase presa em um só suspiro, guardei um único grito, na verdade uma série de berros, quando o Barcelona marcou o sexto e classificador gol no minuto final daquele drama épico!

Já assisti viradas fantásticas, mas, se aquilo que eu vi na última quarta feira (8/3) realmente aconteceu, e eu ainda não tenho convicção disso, vai levar muito tempo – talvez nunca volte a acontecer nas mesmas circunstâncias e com o mesmo grau de dramaticidade – eu fui testemunha presencial de um momento único! Eu não estava no Camp Nou, mas minha alma viajou para dentro da telinha.

Se existem deuses do futebol, que em 5/7/82, dia de meu aniversário, me regalaram com o mais tristes e injustos dos espetáculos de futebol (Itália 3 x 2 Os 11 Fantásticos), na Copa do Mundo da Espanha, acho que zeramos a conta, em nome do amor que temos pelo esporte bretão!

10/3/2017 

(*) Volney Amaral, advogado, de Maceió, publica o Blog do Volney Amaral.

5 Comentários

  1. Luiz Carlos Toledo P
    Postado em 10/03/2017 às 4:17 pm | Permalink

    Que bela surpresa ver um texto do Volney Amaral no 50 Anos, Sérgio Vaz. Ele é meu amigo, lá da nossa querida Maceió. Escreve muito bem, inclusive sobre política. No seu blog conta divertidas aventuras da infância em Maceió e em sua Terra Natal, Pão de Açúcar, às margens do Rio São Francisco. Sim,a cidade de Pão de Açúcar tem um Cristo Redentor no alto de um morro. E fica de frente para Niterói, na outra margem do rio. Pode acreditar. Até Dom Pedro II já andou por lá. Peça para o Volney te enviar, entre outras, a crônica sobre a rocambolesca aventura do banho na jumenta.

  2. valdir
    Postado em 10/03/2017 às 7:31 pm | Permalink

    Servaz, queremos também crônica ou relato que fale de Cristo Redentor em frente a Niterói. Se não for pedir demais, ficamos também, de muito bom grado, com a história da visita do imperador.

  3. Sérgio Vaz
    Postado em 10/03/2017 às 7:40 pm | Permalink

    Luiz Carlos, caríssimo, eu sei que o Volney é seu amigo. Suspeito até que tenha sido por sua influência que, exatamente um ano atrás, ele me ofereceu um texto para eventual publicação no 50 Anos. Você se lembra disso? Ou estamos todos chegando perto do Alemão?
    Digo isso porque – não era para confessar, mas, caramba, para você eu confesso, só aqui entre nós -, quando recebi mensagem do Volney, me perguntei: Volney Amaral? Mas quem diacho é Volney Amaral?

    Mas do que era mesmo que estávamos falando?

    Ah, sim, eu estava querendo convidar você para escrever um texto para o 50 Anos. Nos últimos 12 meses o Volney já publicou dois, e você nenhum…
    Abração, Luiz Carlos!
    Desculpe a brincadeira, Volney… E mande aí a aventura do banho na jumenta, a história do Cristo Redentor em frente a Niterói do São Francisco e a visita do imperador, como pede também o Valdir.
    Sérgio

  4. Luiz Carlos Toledo P
    Postado em 11/03/2017 às 1:06 am | Permalink

    Dizem que é bom fazer palavras cruzadas, Sérgio.

  5. Postado em 15/03/2017 às 9:55 am | Permalink

    Expurgando os exageros de Luiz Carlos, o que ponto na conta de nossa amizade, reconheço que sou um iniciante naquilo que dizem ser “a arte de juntar palavras”. Mas confesso meu orgulho em modestamente desfilar, aqui, em meio a tantas feras. Já insisti com Luiz Carlos para visitarmos Pão de Açúcar numa dessas vezes que ele vem ganhar peso em Alagoas, mas ele sempre arranja uma desculpa para declinar de meus convites. Há alguns textos sobre minha infância lá em Pão de Açúcar-AL. Mas os publiquei com um formato que precisa ser adaptado para este espaço. Sérgio, vou te enviar, de vez em quando, algum trabalho meu, após adaptá-lo. Um abraço a todos e obrigado pela minha adoção.

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