Arquivos Mensais: outubro 2017

A literatura contra o cinema

No cinema, não há memória de ninguém ter amado um burro como Anne Wiazemsky amou Balthazar. O filme, Au Hasard, Balthazar, realizou-o Robert Bresson, inspirando-se no Idiota de Dostoievsky. Ler Mais »

Todo poder a Stálin

“Paz, Pão e Terra”, prometiam os bolcheviques que fizeram a revolução de 1917 sob o lema “todo poder aos sovietes” e contrariaram os cânones do marxismo, para quem o socialismo pressupunha uma base material desenvolvida, o que não existia na Rússia czarista. A “heresia” de Vladimir Ilyich Lênin consistiu em pular a etapa da revolução burguesa e fazer a revolução socialista em um país agrário, no qual a classe operária era extremamente minoritária. Ler Mais »

A humilde voz de Charles Laughton

Charles Laughton é para aí avô de Francis Coppola. Em 1940, vestindo a pele de Tony Patucci, o actor Charles Laughton foi dono de uma vinha em Napa Valley. Coppola tinha então menos de um ano e vivia em Detroit, longe de saber o que era um cacho de uvas e uma garrafa de vinho e mais longe ainda de saber o que o século XXI faria a Detroit. Ler Mais »

O que em vez de quem

A tensão predominava no plenário naquele 12 de dezembro de 2007 quando o Senado cravou o fim da CMPF por 45 a 34 votos. Para o então presidente Lula, a derrota significava o fim do sonho do terceiro mandato, enterrado ali junto com o imposto do cheque. Ler Mais »

O Brasil piora a passos largos

No excelente filme Getúlio, de 2014, no qual Tony Ramos dá um show de interpretação, há uma cena que muito me impressionou. Ler Mais »

“Proletários de todo o mundo, perdoem-nos!”

A Revolução Bolchevique de novembro de 1917 pelo calendário gregoriano e de outubro pelo calendário juliano foi a mola propulsora da grande utopia do século XX: o comunismo. Para o bem e para o mal – e mais para o mal – marcou a vida e a morte, sonhos e pesadelos, como diz o historiador italiano Silvio Pons. E foi, ao mesmo tempo, “realidade e mitologia, ideologia progressista e dominação imperial, utopia libertadora e sistema concentracionário”. Ler Mais »

Marina e a Emília

Marina se apaixonou por Emília. Ler Mais »

Está melhorando (18)

O governo do presidente Michel Temer está reduzindo drasticamente sua frota de carros. Os funcionários federais de Brasília, São Paulo e Rio passarão a usar táxis, em vez de carros do governo ou alugados. Ler Mais »

Uma noite no Soho

Hoje não vou ao cinema. Iria, se me prometessem que lá estavam Francis Bacon e Lucian Freud. Digo-vos quem são. São dois tipos que se revoltaram contra o futuro. Haverá quem diga que são ou eram dois pintores e eu, com a arrogância dos ignorantes, insisto: eram dois tipos sentados pantagruelicamente no presente. Comiam o presente, embebedavam-no e fodiam-no como quem respira, desvairado. Jogavam nas corridas, andavam à porrada, mergulhavam em champagne e caía-lhes o corpo exausto nas cavalariças, ao lado dos cavalos que tanto amavam. Ler Mais »

Programa de mentiras

O Brasil brilhava e agora está opaco. De rico passou a pobre. Era alegre e se entristeceu. E só Lula – aquele que se diz “lascado” depois de ser condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro – pode fazer o povo sorrir novamente. “Compartilhar a esperança” enquanto seus adversários “compartilham o ódio”. Ler Mais »

Haverá quem possa desmafagafizar nosso ninho de mafagafos?

O Brasil enfrenta um momento curioso. Finalmente conseguimos empatar o maior trava-língua da língua portuguesa à nossa vida diária: ‘num ninho de mafagafos, seis mafagafinhos há; quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será”. Ler Mais »

Cruzada moralista

Nestes tempos de anátema e de obscurantismo, constantemente a cultura e a educação têm sido alvo de uma cruzada retrógada. Os episódios se sucedem aos borbotões, dando conta de que estamos diante de algo muito mais extenso e profundo do que as exóticas “Senhoras de Santana” dos anos 80 ou dos estandartes medievais da antiga TFP – Tradição, Família e Propriedade. Ler Mais »

Está melhorando (17)

Afundada na maior recessão da História durante os anos finais do governo lulo-petista, a economia brasileira dá sinais de recuperação, um ano e meio após Dilma Rousseff e seus Guido Mantega, Luciano Coutinho et caterva terem sido substituídos por uma equipe econômica de qualidade, chefiada por Henrique Meirelles. Ler Mais »

Talvez a careca fosse o Senhor Pinto

Quem é que, naquele tempo, tinha uma cabeça mais lisa e alva do que o deserto do Namibe? Tenho de perguntar ao Abílio e ao Simão, meus mais-velhos dos felicíssimos anos 68 e 69 da Luanda colonial. Ler Mais »

Quadrilha olímpica

A compra de votos para que o Rio de Janeiro sediasse os Jogos Olímpicos de 2016 não é novidade – foi detonada em Paris no início do ano. Tampouco o vício do ex-governador Sérgio Cabral pela corrupção ativa. O que espanta na prisão de Carlos Arthur Nuzman, suspenso temporariamente da presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é o fato de a questão ter se limitado ao noticiário esportivo. Ler Mais »