Arquivos Mensais: junho 2017

Matrioska à la Brasil

A metáfora não tem relação direta com a recente viagem de Michel Temer à Rússia, mas a situação brasileira lembra bem a boneca russa, com uma boneca dentro da outra. No nosso caso, a cada crise que se destampa há outra dentro dela.  Ler Mais »

Cleópatra

O ciclo menstrual de Elizabeth Taylor é que teve a culpa. Vejamos, Walter Wanger só queria a glória. Saíra da prisão por ter dado uns tiros bem aviados, mas não mortais, ao amante de Joan Bennett que, não fortuitamente, era a sua querida mulher. Antes, fora o produtor que descobrira Valentino, que fizera da Garbo a Rainha Cristina, que em Stagecoach juntara dois Johns, um Ford, outro Wayne. Queria fechar a idade de ouro de Hollywood e a sua com um épico: subir o Nilo e ajoelhar-se aos lindos pés de Cleópatra. Ler Mais »

Apesar de Brasília

Há Brasília e há o Brasil, separados por uma distância fenomenal. Lugar comum, a frase ganha toneladas de chumbo quando as crises se agudizam. Quase nada do que faz sentido para os ocupantes da Praça dos Três Poderes dialoga com o resto do país – um divórcio irreconciliável não por um ou outro contencioso, mas por absoluta incompatibilidade. Ler Mais »

Palavra fácil

Nós somos um povo de palavra fácil. Os estrangeiros que aqui vêm ficam satisfeitos com nossa acolhida, damos atenção, somos camaradas e gentis com nossos visitantes. Já morei fora e creio poder afirmar que isso é raro acontecer em outros países. Ler Mais »

Fantástico: uma notícia positiva na capa do Globo!

Fantástico: O Globo desta quinta-feira, 22/6, traz na primeira página uma notícia positiva sobre o Brasil sem usar qualquer tipo de adversativa. Que eu saiba, é a primeira vez que isso acontece desde o dia 18 de maio, quando o jornal iniciou sua Cruzada para derrubar o governo e publicou a manchete “Temer é gravado ao dar aval a compra de silêncio de Cunha”. Ler Mais »

O fantasma Bolsonaro

Parodiando o Manifesto Comunista: um espectro ronda o Brasil, o espectro de Jair Messias Bolsonaro. Ele existe e deve ser levado a sério. Há menos de um ano, os analistas, de forma quase unânime, o viam como fogo de palha, cuja chama se apagaria rapidamente. Hoje é alçado à condição de popstar por parcela cada vez mais crescente de jovens, muitos deles ex eleitores de Lula e Dilma Rousseff. Ler Mais »

A arte nem pode, nem antipode

A fúria com que, em Red River, Montgomery Clift e John Wayne esmurram as ventas um do outro não é de esquerda nem de direita. Os murros deles não são políticos. Nem é político o rabo de Marilyn Monroe, que, em curtas cenas de 20 segundos, desreprimiu o recalcado baixo-ventre do cinema, a cores em Gentlemen Prefer Blondes e a preto e branco em Some Like It Hot, por obra e graça do bom olho de Hawks e de Wilder. Ler Mais »

Perdão indigesto

Chave-mestra para as investigações da Lava-Jato, o instituto da delação premiada pode ganhar nova interpretação nesta semana, fragilizar a operação e adicionar mais uma guerra às já deflagradas entre os poderes. Ler Mais »

Mais perdida que cego em tiroteio

Já faz algum tempo que parece claro para as pessoas com alguma informação e lucidez que o Brasil está mergulhado na mais profunda crise econômica, política e moral da sua história. Tem me impressionando, no entanto, que a imprensa está igualmente chafurdando num fundo de poço inimaginável. Ler Mais »

Você tem um estadista no bolso do colete?

O que um bando de malfeitores petistas fez com a jornalista Miriam Leitão a bordo de um avião da Avianca no dia 3 de junho, num vôo Brasília/Rio, pode vir a ser um favor ao Brasil. Ler Mais »

A Era do Centro

Se a Era dos Extremos, com suas catástrofes, crises econômicas, guerras, revoluções e polarização ideológica, teve como marco temporal a Sarajevo de 1914 e de 1991, é bem possível que a larga maioria conquistada por Emmanuel Macron nas eleições para a Assembléia Nacional Francesa venha a ser entendida, no futuro, como o limiar da Era do Centro. Ler Mais »

As ancas de John Wayne

Era mais fácil falar das pernas de Angie Dickinson, mas vou obrigar-me a só olhar para o cinturão, coldre e colt de John Wayne. Sei do que falo, xerife foi a primeira coisa que fui na vida, revólver à cintura, uma longa cana de mamoeiro a fazer de Winchester. Também fui índio e bandido, mas xerife era a minha devoção, meio John Wayne, meio Buck Jones, insofismável semi atestado da minha caretice infantil. Ler Mais »

Belíssima Carly

Em 2005, o ano em que fez 60 anos, linda, forte, poderosa, após vencer um câncer, Carly Simon resolveu dar um tempo como compositora e fazer um disco só de covers, de canções dos outros. Gravou então Moonlight Serenade – como o nome indica, uma coletânea de clássicos, de standards da Grande Música Americana. Ler Mais »

O Brasil é maior que esse buraco

Tenho me sentido quase solitário. Sei que pertenço a um grupo absolutamente minoritário de brasileiros – o grupo que não acha que tirar Michel Temer da Presidência é a tarefa, a necessidade mais urgente do país. Ler Mais »

E a guerra continua

O resultado não surpreendeu. Já era previsto, conhecido, cravado nos jornais pelo menos um dia antes de o TSE derrotar, por 4 a 3, o pedido de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, reeleita em 2014. Também não causou estranheza a guerra que a votação alimentou, por vezes beirando a baixaria. Um espetáculo maniqueísta que há tempos constrange, inibe e empobrece o debate político. Ler Mais »