Belchior

Belchior não chegou sozinho ao palco da música brasileira. Bem ao contrário. Veio ao mesmo tempo que um bando de outros compositores e cantores: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Raimundo Fagner, Ednardo, Walter Franco, Gonzaguinha, Luiz Melodia. Continue lendo “Belchior”

Perturbou o país. Mas greve geral, isso não teve

Perguntei para a moça da caixa do Pão de Açúcar ali perto de casa como ela fez pra chegar ao trabalho. Respondeu que tinha vindo de carro. Comentei que o ônibus do bairro, que tem ponto final a meia quadra da minha casa e passa em frente ao supermercado, não estava trabalhando. A moça então definiu com brilho o que houve no dia de hoje:

– “No fim, pararam só os mesmos de sempre: ônibus, metrô e trem.” Continue lendo “Perturbou o país. Mas greve geral, isso não teve”

Favor não jogar gasolina na fogueira

Já faz muito tempo que o Brasil está dividido em duas porções que parecem cada vez mais irreconciliáveis – e é tanto tempo que agora nem é mais importante lembrar que foi um deles que chamou o país para a divisão, que clamou, e clamou muito, e insistentemente, pelo nós versus eles, o nós contra eles. Continue lendo “Favor não jogar gasolina na fogueira”

As veias abertas da social-democracia

As urnas francesas deixaram expostas as vísceras da social-democracia européia, mergulhada na sua maior crise pós Segunda Guerra Mundial. Por mais de 60 anos, os social-democratas foram hegemônicos no seio da velha classe operária e erigiram-se em poder graças à idéia-força do binômio igualdade-liberdade. Agora, estão sendo desidratados à direita e à esquerda. Continue lendo “As veias abertas da social-democracia”

A França nos tranquiliza – e nos apavora

Já que todo mundo (ou, a rigor, quase absolutamente todo mundo) está fazendo exegeses sobre a política francesa e seus reflexos sobre o futuro do mundo, também vou me arriscar a dizer duas ou três coisas que sei sobre o primeiro turno da eleição presidencial deste domingo, 23 de abril. Continue lendo “A França nos tranquiliza – e nos apavora”

In vino veritas

Dois dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva experimentou um prazer raro: bebeu um Romanée-Conti 1997, um dos vinhos mais caros do mundo, presente do marqueteiro Duda Mendonça. Um mimo como tantos outros que Lula já aceitara – e continuou aceitando depois de eleito -, provavelmente custeado pela propina que irrigou o caixa dois de sua campanha. Continue lendo “In vino veritas”

Mato quem lhe toque

Há cartazes que valem o filme. Não sei quem ainda se lembra de Joaquin Phoenix a brilhar em Buffalo Soldiers, mas ninguém se atreve a esquecer a frase promocional, “War is hell… but peace is f*#!%!! boring“, cuja ingénua tradução seria “A guerra é o inferno… mas a paz é chata para c*#!%!!”. Continue lendo “Mato quem lhe toque”

Lula, o lobista da Odebrecht

Com um sorriso matreiro, Emilio, pai do Marcelo, a dupla baiana proprietária da megaempresa Odebrecht, relata, sempre com leveza, como se estivesse relatando um fait-divers banal, de que modo a direção da empresa bolou a atuação do Lula de uma maneira que favorecesse o ex-presidente e ao mesmo tempo a empresa. Continue lendo “Lula, o lobista da Odebrecht”

Está melhorando (6)

A tempestade política provocada pela enxurrada de gravações das delações de 78 ex-executivos e altos funcionários da Odebrecht parece ter mandado para terceiro ou quarto plano a notícia de que a atividade econômica avançou pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, segundo anunciou o Banco Central na segunda-feira, 17/4. Continue lendo “Está melhorando (6)”