Vai melhorar (6)

Vai melhorar. Sem o PT no governo, sem Dilma Rousseff no governo, vai melhorar. Se os senadores não fizerem a imensa, hercúlea, ciclópica, estapafúrdica asneira de irem contra toda a lógica e botarem a estultice de volta ao Palácio do Planalto, vai melhorar.

Depois de dois meses em que a ausência de Dilma na Presidência veio a preencher uma imensa lacuna, já não pode mais haver qualquer dúvida disso.

Já fiz cinco textos afirmando que vai melhorar, mas vai necessariamente ser devagar.

É claro que vai ser devagar. É óbvio, é evidente. Porque o desgoverno de 13 anos de petismo – e em especial, de cinco anos, quatro meses e 12 dias de mandato da pessoa mais absolutamente incompetente que jamais exerceu o cargo de chefe de governo em qualquer recanto do planeta – meteu o país em um fosso tão profundo que nem todos os super-heróis já criados pela imaginação da humanidade, de Hércules e Titã aos membros do Quarteto Fantástico, juntos, conseguiriam a proeza de produzir melhoria com rapidez.

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Nos cinco textos anteriores, usei diferentes imagens para tentar demonstrar de forma inequívoca que a demora virá devagar.

Gosto da imagem do transatlântico, do porta-aviões.

“Não se altera o curso de um imenso porta-aviões de um momento para outro. Um gigantesco transatlântico não faz uma curva em U bem fechada, nem muito menos dá cavalo de pau como uma bicicleta. Entre a decisão do comandante de inverter o curso, de passar a rumar para o Norte e não mais para para o Sul, por exemplo, e a efetiva mudança de rumo, vai se passar necessariamente um longo tempo. Interromper a trajetória de queda rumo ao fundo do fundo do fundo do abismo que a economia do país seguia, graças à incompetência do desgoverno Dilma Rousseff, leva seguramente tempo – mesmo que o novo comandante e seus auxiliares da equipe econômica, bem preparadíssimos, já estejam fazendo o possível para reverter o curso, fazer a curva de 180 graus.”

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Pois é. E no entanto…

* “Humor com Brasil melhora e investidor volta a apostar no País”, diz a manchete do Estadão de domingo, dia 17 de junho.

* As ações das empresas da área de energia tiveram alta de 40,3% este ano, como mostra o Índice de Energia elétrica.

* O índice Bovespa teve na segunda-feira, dia 18, a nona alta seguida: subiu mais de 1,6% e voltou a 56 mil pontos, o maior patamar em 14 meses.

* Na terça, 19, o Ibovespa subiu 0,38% e chegou aos 56.698 pontos, renovando a máxima do ano e completando um período de dez pregões seguidos de ganho. Como informaram Ana Paula Ribeiro e Juliana Garçon no Globo, essa sequência de altas é a maior desde agosto de 2010, quando por 11 pregões o Ibovespa fechou no azul. Agora, a Bolsa já subiu 9,4% e, no ano, 13,4%. “Grande parte desse movimento recente é a volta dos investidores estrangeiros para o mercado acionário local. Depois da saída de recursos em maio (R$ 1,8 bilhão), esse grupo voltou a trazer dinheiro para a Bovespa. Em maio o saldo líquido ficou em R$ 1,1 bilhão e, neste mês, até o dia 15, está em R$ 3,4 bilhões.”

* Até a segunda-feira, as ações da Petrobrás subiram 4,8%. O banco suíço UBS recomendou, em relatório, a compra de ações da empresa, agora que ela se livrou do lulo-petralhismo – os investidores esperam que para sempre.

* Faz três semanas que as projeções dos analistas do mercado financeiro, divulgadas toda segunda-feira pelo Banco Central, elevam as taxas de crescimento do PIB em 2017. Elas passaram de 0,24% para 1,12%.

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E aí, na terça, dia 19, o Fundo Monetário Internacional anunciou que havia revisado os dados – e, diante das nova realidade, se mostrava mais otimista com o Brasil.

Eis o texto de Henrique Gomes Batista, correspondente do Globo em Washington:

“O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou na manhã desta terça-feira suas previsões econômicas e se mostrou mais otimista com o Brasil. Em vez de recessão de 3,8% neste ano, conforme perspectivas divulgadas em abril, agora o Fundo espera uma queda de atividade de 3,3% em 2016. Para o 2017, a nova previsão do órgão é de crescimento de 0,5%, contra expectativa anterior de um ano estável.

“ – A confiança dos consumidores e das empresas parece estar melhorando, e a contração do PIB no primeiro trimestre foi mais branda que o previsto. Assim, a recessão projetada para 2016 é menos severa, com a volta ao crescimento positivo em 2017. As incertezas políticas, no entanto, permanecem obscurecendo nossa visão’, afirmou o documento.

“O Brasil foi citado como exemplo positivo de melhoria das perspectivas econômicas juntamente com a Rússia, os dois principais países que tinham resultados negativos nas projeções do FMI. O Fundo também melhorou um pouco o crescimento para a China neste ano, indicando que as medidas de incentivo do país têm apresentado resultado.

“Oya Celasun, chefe da Divisão de Estudos Econômicos do FMI, afirmou em entrevista coletiva na sede do FMI, em Washington, que além da melhoria da confiança de empresários e consumidores, outros indicadores apontam para a melhora da situação econômica brasileira:

“ – Também vimos esta melhora no mercado financeiro, com o fortalecimento significativo do real. Este fortalecimento em parte da economia nos levou a acreditar que a mudança para o crescimento positivo pode vir mais cedo do que prevíamos em abril — disse ela.

“Ela lembrou que os três fatores que levaram o Brasil para a recessão — as incertezas econômicas, a piora dois valores de bens vendidos pelo Brasil e atrasos no ajuste da política monetária com impacto na confiança do país — está ficando para trás, dizendo que estes choques estão se dissipando. Ela lembrou, contudo, que uma redução de 3,3% do PIB brasileiro neste ano não é algo normal.

“A previsão para o crescimento médio do mundo, contudo, piorou. Para este ano, passou de 3,2%, na previsão de abril, para 3,1% agora. Já a expectativa para 2017 caiu de 3,5% para 3,4% entre os dois levantamentos. Para os países emergentes, contudo, não houve alterações entre os levantamentos: expectativa de crescimento de 4,1% neste ano e de 4,6% no ano que vem.

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zzzzzzdatafolhaEscrevi o volume 5 desta série “Vai melhorar” no dia 5 deste mês de julho. Depois disso, tirei alguns dias de férias: entre 7, quinta, e 18, segunda, estive em Santa Catarina e Paraná, e nos Estados do Sul a sensação é de que a imensa crise em que o lulo-petismo meteu o país é um pouquinho menos grave – o Sul é de fato mais desenvolvido do que o resto do país.

Em férias, em deliciosos encontros com a família, passeando com Mary, claro que não li os jornais. No entanto, após pouco mais de 24 horas em casa, vi tantas notícias positivas que faço já o volume 6. Não é preciso esperar até a sexta, o dia da semana em que normalmente publico.

Uma das melhores notícias desde a publicação do volume 5, é claro, é a pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S. Paulo no domingo, 17.

Os 81 senhores que vão decidir o futuro do país, em votação marcada para a segunda quinzena de agosto, dependem da opinião pública. Precisam de votos como nós precisamos de ar. Não vão, portanto, ousar ir contra a maioria dos brasileiros.

A maioria dos brasileiros não quer Dilma Rousseff de volta ao Palácio do Planalto. Mesmo sem que a economia já tenha de fato melhorado, mesmo que o desemprego não tenha ainda começado a parar de aumentar, a maioria dos brasileiros não quer Dilma Rousseff.

Se uns seis ou oito senadores ignorarem isso, e puserem a estultice de volta, aí então será o pior dos mundos. Será o fim do mundo, o Armagedom.

Transcrevo abaixo a coluna de Ricardo Noblat no Globo da segunda, 18.

Brasileiros preferem Temer a Dilma

Coluna de Ricardo Noblat no Globo, 18/7/2016.

Tome-se como positivos para o presidente interino Michel Temer, por de fato serem, os resultados da pesquisa nacional do instituto Datafolha realizada nos dias 14 e 15 de julho e que ouviu 2.792 eleitores em 171 municípios.

Temer elegeu a economia como prioridade do seu governo. Montou uma equipe econômica que nem a presidente afastada Dilma Rousseff ousou criticar até aqui. Está se dando bem.

São muitos os indicadores oferecidos pela pesquisa de que os primeiros 60 dias do governo provisório valeram a pena para Temer.

O índice dos que consideram sua gestão ótima ou boa é de 14% – um pontinho percentual acima dos que pensavam o mesmo da gestão de Dilma no início de abril último.

A reprovação, contudo, é bastante inferior à que amargava Dilma antes de ser afastada do cargo.

O governo de Temer é avaliado como ruim ou péssimo por 31% dos entrevistados. Em abril, 65% avaliavam como ruim ou péssimo o governo de Dilma.

A diferença é explicada, segundo o Datafolha, pelos índices dos que acham a gestão Temer regular (42%) e dos que achavam regular (24%) a gestão de Dilma. Pelo menos 13% não souberam dizer o que acham da gestão Temer.

Em abril, quando Dilma ainda governava o país, o Datafolha mediu as expectativas dos brasileiros sobre um eventual futuro governo Temer. As expectativas eram de que seria um governo ruim ou péssimo para 38% dos consultados.

Agora, o percentual dos que continuam pensando assim caiu para 31%. As expectativas de que o governo seria regular subiram nove pontos, de 33% para 42%.

Melhoraram as expectativas dos brasileiros sobre o futuro da economia do país e sobre sua situação pessoal, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2014.

Eles estão mais confiantes na queda da inflação, na diminuição do risco de ficar desempregados e no aumento do poder de compra. O Índice Datafolha de Confiança registrou avanços em cinco dos sete indicadores que o compõem.

Em dezembro de 2014, dois meses após a reeleição de Dilma, apenas 9% viam a corrupção como o principal problema. A corrupção, agora, é citada espontaneamente como o principal problema por 32%. Compreensível, dada às investigações da Lava-Jato.

Depois vêm a saúde (17%), desemprego (16%; índice mais alto desde março de 2009), violência e falta de segurança (6%) e educação (6%).

Para Dilma, e os que apostam no seu retorno ao cargo, a pesquisa trouxe más notícias. O afastamento definitivo dela é defendido por 58% dos brasileiros. Só 35% se opõem à saída. Há ainda 3% que declaram ser indiferentes e 3% não opinaram.

Em abril, 61% defendiam o afastamento e 33% eram contrários. As variações ocorreram praticamente dentro da margem de erro da pesquisa.

À parte a posição de cada um sobre o impeachment, 71% acreditam que Dilma será afastada de vez da presidência, contra 22% que não acreditam.

Entre a volta dela e a permanência de Temer até 2018, 50% imaginam que o melhor para o país seria a segunda opção. A primeira opção (a volta de Dilma) seria o melhor para o país na opinião de apenas 32% dos pesquisados.

O quadro eleitoral para 2018 permanece muito indefinido. Quando confrontados com qualquer lista de candidatos, 25% dos eleitores respondem que no primeiro turno votariam em branco ou nulo.

Lula lidera as simulações de primeiro turno, mas perderia para Marina Silva ou José Serra no segundo. Ele é o candidato mais rejeitado: 46% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

20/7/2016

4 Comentários para “Vai melhorar (6)”

  1. Muitos analistas nacionais e internacionais já estão prevendo uma recuperação mais rápida da economia. Graças à credibilidade da equipe econômica e à sensação de que Temer sabe o que precisa ser feito. É evidente o contraste com a incrível incompetência de Dilma. Ela compete bravamente com Dutra e Costa e Silva na disputa pelo posto de menor QI entre os que já sentaram naquela cadeira.

  2. Já está melhorando, vê-se. Após férias merecidas (nada como ser dono do próprio nariz, sai-se sem dar satisfação) o dono de 50anos volta a destilar seu ódio contra o lulopetismo. Justificável porque seu medo é a volta de Dilma e eleição de Lula em 2018, espectros que o atormentam mais do que a pecha de golpista.
    Já houve sensível melhora basta ver o noticiário do PIG e em especial a rede Globo. Vide a fala da candidata a nome de rua, a jornalista Miriam Leitão.
    Antes com Dilma apregoava: “Dilma engana o seu eleitor a crise não é internacional, a crise é do seu governo”.
    Agora: “Não podemos culpar Temer pela crise, existe uma crise internacional forte que afeta os países desenvolvidos”.

    Pelo jeito vovô voltou descansado mas obstinado a enterras de vez o lulopetismo.

    Quanto as melhoras já eram esperadas após o impeachment da estultice (belo substantivo).

  3. Significado de estultice
    s.f. Qualidade, particularidade, característica daquilo que é estulto; que demonstra estupidez ou se comporta de maneira estúpida; tolice, parvoíce.
    (Etm. do latim: stultitia)

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