Três anos e meio esta noite

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Marina hoje me contou um sonho.

Não vou conseguir reproduzir as palavras dela, o jeito com que ela contou, então não vou sequer tentar.

(Aliás, enquanto ela me contava o sonho, no táxi, a gente saindo do Grão e vindo para casa, fiquei pensando que, raios, tinha que ligar o gravador do telefone pra gravar tudo o que essa criatura fala.)

Ela contou que todo dia sonha que tem uma aranha no quarto dela e aí ela chama o papai ou a mamãe e um dos dois vem para ver o que ela quer, e nessa hora, quando o papai ou a mamãe chegam, aí não tem mais a aranha e o sonho… o sonho…

– “Acaba?”, eu fui logo falando, aflito, imbecil, idiota. Em vez de simplesmente aguardar o que ela iria falar. Impedindo que ela mesma se expressasse. (Cometo esse erro constantemente, sei disso, mas não me corrijo – erro de novo.)

– “Desaparece”, ela expressou, definiu, não dando bola para minha interrupção besta. E ainda acrescentou: “Vai embora”.

– “É mesmo?”, perguntei, como faço volta e meia nas conversas com ela. Depois que ela conta uma coisa, costumo perguntar se é mesmo, e repetir um tanto do que ela contou. Ela não parece se incomodar muito com isso. Como eu perguntei se ela tem tido sempre esse sonho com a aranha – queria tentar checar se era mesmo uma coisa recorrente -, ela respondeu que sim e contou de novo.

E concluiu: – “Quando a mamãe ou o papai chega, o sonho desaparece. Vai embora”.

Ainda detalhou que a aranha era parecida com a Dona Pernas Finas da Peppa, e então aproveitei pra dizer algo tipo “tá vendo? Então, é uma aranha boazinha, que não faz mal”. Mas ela falou: – “Pois é, mas essa aranha aí pica”.

Em seguida, emendou que o Zeca tinha sujado a mão dela com guache preto, e ela tinha reagido e dado bronca nele. E também tinha contado para a Diva, que também deu bronca no Zeca.

Marina não é muito dada a contar casos que acontecem na escolinha. Não é o comum dela. Hoje, no entanto, estava mais faladeirinha no táxi para a casa do vô e da vó.

***

Era um dia um tanto especial: o dia em que completa três anos e meio.

Fiz questão de explicar isso pra ela. Três anos e meio. Uma data importante.

Ouviu com muita atenção, como sempre presta muita atenção a tudo, mas não deu qualquer sinal de ter se importado com o valor do meio ano.

Na vez anterior que a pegamos na escolinha, sexta passada, não me contive e falei com ela: – “Marina, está cada vez mais gostoso conversar com você, ficar com você.”

Comentou, como se fosse a coisa mais natural do mundo pequenas criaturas de 3 anos e quase meio terem consciência disso: – “Eu estou crescendo”.

***

Interessante: Marina voltou a falar de aranha aqui em casa.

No meio de uma brincadeira, um faz-de-conta que inventou com os bonequinhos que ela chama de cada uma das pessoas da família, disse que tinha ganhado de presente de Natal uma aranha de dar corda. E explicou que essa aranha não picava.

***

Durante o jantar, lá pelas tantas, falou em leoa. Perguntei como raios ela tinha aprendido que a mulher do leão é leoa.

Mary resolveu testar, perguntou quem é a mulher de vários animais, e ela acertava direitinho os femininos. Mary perguntou do boi. Respondeu no ato.

Acho que foi ela mesma que propôs começar uma brincadeira – que chamou de piada. Ficou falando de femininos e masculinos inexistentes – palito, palita; remédio, remédia. Mary e eu começamos a dar outros exemplos, ela quis pôr ordem na zorra: – “Cada um de uma vez. Agora sou eu, depois o vovô, depois a vovó.”

Marina é um ser que gosta das coisas organizadas. Às vezes tenho medo de ela ter puxado muita coisa do avô.

Cruz credo.

15/9/2016       

A foto foi feita quando, depois de uma sessão de pula, pula, pula na nossa cama, brincava com a avó – que ela sempre lembra que é meio palhacinha.

2 Comentários

  1. Postado em 16/09/2016 às 3:47 pm | Permalink

    Só para dizer mais uma vez que a felicidade de vcs é contagiante! Abençoada criaturinha que pelo simples fato de existir é motivo de tanto amor e alegrias.Bjs.

  2. maria helena
    Postado em 16/09/2016 às 9:08 pm | Permalink

    Marina, você é uma graça! Tomara que da próxima vez o vovô grave você contando uma história! Eu adoraria ouvir…
    Um beijo,
    Maria Helena

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