Sonho

Em noite de sono mais leve, pós dia não-álcool, tive um longo sonho: eu e diversos colegas, ainda jovens, ali pelos 30 anos, saíamos do jornal para abrir uma empresinha nossa, especializada nisso mesmo – a elaboração de textos para qualquer tipo de necessidade, para qualquer tipo de cliente.

A empresa deu muito certo. Foi um baita sucesso.

Lá pelas tantas, antes de chegar aos 40 anos, decidi – para espanto de todo mundo – vender a minha parte na sociedade (que estava valendo uma grana razoável) para me aposentar e passar a fazer apenas coisas agradáveis, gostosas, coisas de que eu estivesse a fim, como escrever sobre filmes.

A empresa do sonho era bem parecida com a Casa do Texto, que Mary e eu abrimos, numa época, décadas atrás, em que passamos uns dois anos vivendo de frilas, entre um emprego e outro, e escrevi até mesmo para publicação dirigida a agentes do mercado financeiro, até mesmo para os relatórios anuais da Sadia, eu, que não entendo lhufas de economia. Copidesquei até mesmo centenas de textos para as publicações especializadas em telecom e informática do Wilson Moherdaui e da Lia Ribeiro Dias, eu, que não sei bem a diferença entre silício e silicone, entre bits e bytes.

Acordei achando aquilo fascinante: sonhei um troço bem parecido com o que de fato fiz na vida – numa época, abrir uma empresa de fazer texto; depois, aposentar bem cedo para fazer apenas coisas agradáveis, gostosas, como escrever sobre filmes. Sobre a neta. Sim, sobre política. Sobre o que vier na telha. Escrever, escrever – depois de 37 anos de jornalismo mexendo nos textos dos outros e com muito pouco tempo para escrever os meus.

Que nem Marina, que, quando vai fantasiar, vai fazer de conta, faz de conta que está brincando com a família de verdade.

Me lembrei, é claro, mais uma vez, de Miryam Lúcia. Melhor que ninguém ela percebeu e expressou com todas as letras: “Você inventou sua vida”.

Uau: o ego teve um momento de euforia. Mas logo passa e volta ao normal. Tenho que fazer um texto sobre Ontem, Hoje e Amanhã e outro sobre O Maior Amor do Mundo, que vimos ontem e anteontem.

23/8/2016

2 Comentários

  1. MILTINHO
    Postado em 23/08/2016 às 4:42 pm | Permalink

    Continue a caminhar vovô, continuamos te seguindo, sempre.

  2. Euclides Farias
    Postado em 23/08/2016 às 11:42 pm | Permalink

    Sérgio,
    Passando para deixar um abraço a você e aos bons companheiros e mestres do JT, como Vadir Sanches, na minha rápida passagem como freelancer pela redação do jornal no final dos anos 1980.
    Continuo, agora aos 58 anos, trabalhando em Belém (PA).
    Grande abraço,
    Euclides Farias

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