Alguns presentes

1) O presente que mais chamou minha atenção nos últimos dias foi o que Lula recebeu do ministro Teori Zavascki.
Lula, com a ajuda de Dilma, lutou acirradamente pelo cargo de ministro do Governo Federal para escapar da “República de Curitiba”, como ele chama a 13ª Vara da Justiça Federal. Pois não é que não precisava tanto esforço?

Bastava ter reclamado junto ao STF que o ministro Teori Zavascki atenderia ao ex-presidente: retirar seu processo das mãos do juiz Sergio Moro e levá-lo para o STF.

A mim me parece que esse é um presente de grego, mas isso só saberemos depois que o plenário do STF se reunir, o que pode levar alguns dias.

2) Naquele dia em que Lula foi tomar café da manhã em casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, o que mais me intrigou foi o presente que o anfitrião deu ao seu convidado: um exemplar da Constituição Federal de 1988.

Achei indelicado, para dizer o mínimo. A não ser que fosse um exemplar ricamente encadernado da nossa Constituição, francamente, não vi sentido, já que é impossível imaginar que um ex-presidente da República não tenha mais de um exemplar, um em cada uma das casas que possui, fora um no Instituto Lula. E exemplares lidos e relidos.

A não ser que aquilo tenha sido uma mensagem subliminar, o que é possível, vindo de quem vem…

3) Eu já disse aqui e repito hoje: Deus lembrou-se de que é brasileiro e nos enviou um grande presente, o juiz Sérgio Moro. Trabalhando sem trégua, dedicado ao Brasil, o juiz que está desvendando a teia infernal da corrupção que devora o país, em vez de só receber apoio e aplausos, vem sendo criticado por almas menos perceptivas do Bem que ele está nos fazendo.

Há quem tenha a coragem de dizer, diante da admiração e gratidão que Sérgio Moro desperta na grande maioria dos brasileiros, que não precisamos de mitos e que o juiz de Curitiba deve fugir dos holofotes. De mitos não precisamos, é verdade. Deus nos livre dos mitos. Mas de pessoas que mereçam nossa admiração, disso estamos mais do que necessitados. São poucas, muito poucas, as pessoas públicas dignas da admiração dos brasileiros. Nunca estivemos tão pobres nessa área… Mais do que pobres, indigentes. O juiz Sérgio Moro é uma brava exceção!

4) Mas, falando em presentes, eu não poderia deixar de mencionar o presente que dona Dilma deu ontem à imprensa internacional.

Ela reuniu os correspondentes estrangeiros em seu Palácio para queixar-se amargamente dos que pregam seu impeachment. Falou um bocado e disse, como sempre, que a oposição quer sua renúncia porque sabe que seu afastamento não tem base legal. É o que ela diz…

Sabem que fiquei com pena dela? Será que ela pensa que os jornalistas estrangeiros que aqui representam os maiores jornais e revistas do mundo estão tão por fora de tudo que o Governo Federal tem aprontado que vão rezar pela ladainha dela?

Tenho a impressão de que esse presente vai se transformar num osso duro de roer…

5) Peço licença para mencionar o meu presente: votos de uma Boa Páscoa para os leitores do Blog do Noblat e de uma rica Pascoela para todos os brasileiros, com o renascimento de nosso país.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 25/3/2016. 

2 Comentários

  1. MILTINHO
    Postado em 25/03/2016 às 7:22 pm | Permalink

    “Mas de pessoas que mereçam nossa admiração, disso estamos mais do que necessitados. São poucas, muito poucas, as pessoas públicas dignas da admiração dos brasileiros. Nunca estivemos tão pobres nessa área”,
    Depois desta conclusão, desejar Pascoela para o povo brasileiro parece escárnio.

  2. NOSSO MEDO
    Postado em 27/03/2016 às 6:27 pm | Permalink

    Aproxima-se a semana santa e é bom lembrar que a voz das ruas libertou Barrabás e crucificou Cristo. A voz das ruas, manipulada pela publicidade nazista, empurrou milhões de judeus para os campos de concentração e para as câmaras de gás. Giogio Agamben, filosofo italiano, adverte que o Estado de Exceção e o campo de concentração ainda são os nossos paradigmas e é preciso estar alerta contra suas formas travestidas de legalidade e moralidade.

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