Não vamos nos dispersar

Dilma venceu. Pode-se – e devemos fazê-lo – discutir os métodos para se chegar à vitória: mentiras, agressões pessoais, desconstrução, a palavra-chave desta campanha. Muito ódio.

Mas o resultado das urnas vai além da vitória de Dilma.

Materializou-se uma oposição, com mais de 50 milhões de votos, com a qual nem ela nem o PT tiveram de conviver até aqui.
Presidente por mais quatro anos, ela terá de lidar com a herança maldita de seu próprio governo. Terá agora de dar respostas que lhe eram pouco cobradas pela quase ausência de opositores. A margem apertada reduz o espaço para escapar de explicações sobre descalabros da Petrobras, de obras hiper-faturadas, de empréstimos sigilosos para Cuba….

Aécio perdeu. Mas saiu vitorioso. Para quem chegou a ser descartado até por um dos coordenadores de sua campanha – que chegou a sugerir que ele renunciasse em favor de Marina Silva -, Aécio foi para lá de longe. E foi um leão. Fez o que os tucanos não estavam acostumados: conversou, costurou, aglutinou. Firmou-se como líder inconteste.

Baixada a temperatura que o fervor das urnas impôs, cada um deve pensar que a democracia e o fazer política não se resume ao ato de votar.

Para lembrar o avô de Aécio: “Não vamos nos dispersar”.

26/10/2014

7 Comentários para “Não vamos nos dispersar”

  1. Perfeito, Mary. Disse tudo… (usou até o título que eu tinha imaginado para meu artigo de sexta…).
    Parabéns!!!
    MH

  2. Não dispersem, a derrota foi apertada, faltaram os votos de Minas Gerais e Rio de Janeiro sem contar 30 milhões de abstençoes, brancos e nulos.
    A derota foi para milhões de “desinformados”.

  3. Belo Horizonte amanheceu triste…
    No meu meio, a estupefação era geral, mas…
    Sim! Vc está correta! A causa continua. Temos que nos espelhar no Aécio e ficarmos dispostos para mais “rounds”.
    Num tem jeito… A gente não sabe simplesmente falar, mas, na verdade, é briga!

  4. “Baixada a temperatura que o fervor das urnas impôs, cada um deve pensar que a democracia e o fazer política não se resume ao ato de votar.” Mary falou tudo!
    Mas ainda existem aqueles que não se importam nem em quem vão votar. Fiquei triste de ver nessas eleições que acompanhei com paixão, que alguns amigos próximos não estavam nem aí para nada, pra eles “tanto faz”, verdadeiros alienados (pessoas que teoricamente deveriam ser esclarecidas).

  5. Que a Jussara não esmoreça. Seus amigos próximos devem ser nordestinos,sabem de nada os inocentes.

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