Imagina o pós-Copa

Puxadinho emergencial no aeroporto de Fortaleza, puxadinho planejado em Guarulhos. Revitalização inconclusa do recém-privatizado Galeão, e ainda por cima custeada com dinheiro público. Obras do terminal de Cuiabá que não terminam nunca, desacreditadas até pelo ministro Wellington Moreira Franco – “Sou devoto de São Tomé, nas coisas da Infraero só acredito vendo”.

Se o ministro da Aviação Civil diz isso, imagina…

Portas de entrada do País e parte do alardeado legado da Copa do Mundo, os aeroportos das cidades sede dos jogos serão as primeiras vitrines da incompetência gerencial dos governos Lula e Dilma Rousseff, incapazes de cumprir compromissos assumidos – com a Fifa e com os brasileiros – mesmo tendo sete anos de prazo para fazê-lo.

Isso vale para tudo relacionado à Copa. Nada, obra alguma – estádios, aeroportos ou intervenções urbanas – foi entregue na data prevista.

Cronogramas oficiais, como o que a Infraero divulgou em 2010, mais parecem chacota. Nele, e vale a pena conferir, todos os aeroportos estariam concluídos até meados de 2013, à exceção de Guarulhos, que seria entregue em dezembro passado.

Tudo atrasado e, claro, custando até mais que o triplo do orçado inicialmente. Para ficar só nos palcos dos jogos, as 12 arenas devem consumir R$ 8,1 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro das erguidas para os mundiais da África do Sul (R$ 3,2 bilhões) e da Alemanha (R$ 3,6 bilhões). Em pior estágio estão as obras de infraestrutura urbana: das 100 previstas, apenas 21 estão concluídas e 20% delas foram adiadas para sabe-se lá quando.

Acelerar obras urbanas está longe das preocupações do Planalto. Hoje, reza-se para que os estádios estejam prontos a tempo e que os esquemas de segurança – com 170 mil homens e orçamento de R$ 1,9 bilhão, mais de duas vezes os gastos operacionais da Polícia Federal no ano de 2013 – funcionem. Teme-se, e com razão, o recrudescimento de manifestações.

Dilma será mantida longe das arenas dos jogos que seu padrinho a tantos seduziu para patrocinar. Evita-se, assim, o eco nas urnas de previsíveis vaias.

Exatos 100 dias separam o fim da Copa do Mundo das eleições para presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais. Embora não exista comprovação alguma de causa e efeito entre os dois eventos, dificilmente eles ficarão desconectados.

Ainda que venha o desejado hexa, é bastante provável que a cobrança sobre o legado não seja esquecida.

O pós-Copa pode se tornar uma tormenta para o governo.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 23/2/2014.

Um Comentário

  1. MILTINHO
    Postado em 24/02/2014 às 11:42 pm | Permalink

    Torçam para o Brasil não ganhar a copa. Imaginem o Brasil pós copa e hexa. Campeão numa final contra a poderosa Alemanha, Maracanã lotado, Dilma nas tribunas e aplaudida.Imaginem o sucesso do +médicos e o hexa! Serão mais quatro anos até a próxima copa.

Postar um Comentário

O seu email nunca é publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com um *

*
*