O céu na cabeça

Asterix, Obelix e seus amigos gauleses topavam qualquer parada, briga ou guerra. Temiam apenas que o céu caísse sobre suas cabeças. Em nossa realidade, temos motivos para nos preocupar que algo vindo de cima nos alcance. Caso dos meteoritos ou mesmo dos raios.

Conheço gente que se apavora quando a chuva começa a se armar anunciando luzes e sons estrondosos. Isso não é coisa de matuto, de gente do interior somente. Tem muita gente da cidade que se borra com as tempestades.

Mesmo com a quantidade de pára-raios existentes nas metrópoles, não é incomum termos notícia de alguém que foi fulminado por uma descarga elétrica celeste.

A chuva, também vinda de cima, e que traz a esperança para o pessoal da agricultura e da pecuária, às vezes chega destruindo casas e vidas, ruas e avenidas. Os barrancos despejando toneladas de lama sobre os barracões dos pobres e mansões de ricos é uma imagem constante em nossos verões.

Caem em nossas cabeças outras desgraças e misérias. Exemplo são a maioria dos dirigentes políticos que nos chegam das urnas, escolhidos irresponsavelmente a cada eleição. Ressalvo o número expressivo de gente decente que honra o eleitor e que se conduz com espírito público, verdadeiros republicanos que são. Eu me lembro de cada um dos representantes que escolhi e não me arrependo de meus atos de cidadão eleitor.

Mas a grande maioria é alçada a cargos e fica, durante anos, em cima de nossas cabeças cidadãs, fazendo na vida pública o que só deveriam executar na privada. Por mais que muitos se iludam, achando que o resultado das urnas não lhes diz respeito, esses deveriam perceber que existe uma descarga de maldades pairando sobre os nossos tetos.

O céu é cheio de surpresas. Aviões e helicópteros têm tido uma mania de descer ou cair em lugares impróprios. E o perigo não vem somente de cima. Pode vir de qualquer lado. É o caso do pessoal de São José do Rio Preto, que comemorava o domingo com comida, bebida e música. Não estavam no meio da rua e sim dentro de suas casas, em seus terreiros. De repente, um trem descarrilado joga sobre eles oito vagões cheios de toneladas de milho. Nem em casa, em festa simples, estamos salvo.

Um amigo causídico sempre me conta o caso do João Vermelho, técnico de futebol em Belo Horizonte. Sua casa ficava abaixo do nível da rua, em uma curva. Cansou-se o João de acordar com algum carro tombado à sua porta. Ele não temia o céu e sim que carros caíssem em sua cabeça. Depois de várias repetições de automóveis em sua varanda, ele resolveu fixar uma placa à frente de seu imóvel: “ o próximo que cair eu não devolvo.”

Esta crônica foi publicada no Estado de Minas, em novembro de 2013.

 

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