Serra, o papelzinho e o eleitor

Com que percentual vencerá as prévias do PSDB no próximo domingo – 51%, 60%, 70%, 80% -, pouco importa. José Serra já é o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. Tudo mais é figuração, jogo de me engana que eu gosto.

Mas Serra começa mal ao negar o compromisso que fez e não honrou na campanha de 2004, de continuar prefeito até o fim do mandato. E beira o absurdo ao dizer que assinou “apenas um papelzinho”.

Para homens de bem, a palavra vale mais do que o cartório.

Foi exatamente isso que motivou as críticas ao ex-presidente Lula quando ele decidiu registrar seus feitos em cartório, deixando claríssimo que sua palavra e vento eram irmãos siameses.

Serra deve, sim, explicações ao eleitor por ter descumprido um compromisso. E deve fazê-lo à luz das imposições que lhe fizeram à época. O fato, real, absoluto, é que não havia qualquer espaço, possibilidade alguma de ele se negar à candidatura ao governo do Estado. Aceitou, por pressão, disputar uma eleição que não queria – o objetivo era a candidatura à Presidência, que o governador Geraldo Alckmin reivindicou e perdeu. Não tinha como se negar a ser candidato a governador. Muito menos alegar o compromisso assumido para justificar a negativa.

A política é assim, tem suas armadilhas.

E quem disse que o eleitor é incapaz de entender isso? Só aqueles que não estão dispostos a explicar. Por que insistem em burrificar o eleitor? Achar que ele é incapaz de compreender o riscado?

Pois quer saber? A cidade de São Paulo – como sempre diz a jornalista Lu Fernandes – é ímpar em tudo. Não adianta tentar fazer com os seus eleitores o jogo dos ricos x pobres, do nós x eles que Lula aplicou com êxito no resto do país. Que, de novo sem sucesso, Marta Suplicy tentou.

O paulistano, mesmo aquele mais pobre, tem orgulho de cada uma de suas conquistas, de batalhar e poder subir na vida. Tem orgulho de sua inteligência e de suas escolhas. Não vai com as outras.

É por isso que o PT tem tantas dificuldades na capital paulista. Portanto, o melhor é sempre contar a verdade para o eleitor. Serra deveria saber disso.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 21/3/2012.

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